sábado, 31 de janeiro de 2026

Sobrenatural Consolação

    Deus bem sabe quem mais precisa de Seus auxílios, e trata de reanimar-nos com as mais simples coisas, ou pela presença de alguém. A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios registrou esse afago: "Deus, porém, que consola os humildes, confortou-nos com a chegada de Tito..." 2 Cor 7,6

    De fato, a divina consolação tem o dom de desafogar de toda ânsia e de todo mal. E quando se entra em perfeita Comunhão com o Pai, ela torna-se perene, traz a verdadeira serenidade. A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses reza: "Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, Nosso Pai, que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança por Sua Graça, consolem vossos corações e confirmem-nos para toda boa obra e palavra!" 2 Ts 2,16

    Ora, enquanto estava entre nós, Jesus mesmo prometeu no Evangelho Segundo São Mateus: "Vinde a Mim todos vós que estais aflitos sob o fardo, e Eu aliviá-vos-ei. Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas. Porque Meu jugo é suave e Meu peso é leve." Mt 11,28-30

    E essa é uma das funções de nossos Sacerdotes durante a Santa Missa, pois esse é um dos dons da Palavraconforme a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "Aquele que profetiza, porém, fala aos homens, para edificá-los, exortá-los e consolá-los." 1 Cor 14,3

    Claro, desde que realmente estejam pregando conforme a Sã Doutrina e com autoridade. A Carta de São Paulo aos Romanos diz: "Temos diferentes dons, conforme a Graça que nos foi conferida. Aquele que tem o dom da profecia, exerça-o conforme a ." Rm 12,6

    Essa foi a principal função que Nosso Salvador atribuiu a São Pedro, nos registros do Evangelho Segundo São João: "Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: 'Simão, filho de João, amas-Me mais que a estes?' Respondeu ele: 'Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas.'" Jo 21,15.17c

    E na Primeira Carta de São Pedro, vendo aproximar-se sua hora, ele humildemente distribuía-a com os demais Sacerdotes, dando suas pessoais recomendações: "Eis a exortação que dirijo aos anciãos que estão entre vós, porque como eles sou ancião, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo e com eles serei participante daquela Glória que há de manifestar-se. Apascentai o rebanho de Deus, que vos é confiado. Dele tende cuidado, não constrangidos, mas espontaneamente. Não por amor de sórdido interesse, mas com dedicação. No como absolutos dominadores sobre as comunidades que vos são confiadas, mas como modelos de vosso rebanho." 1 Pd 5,1-3

    Mas essa deve ser a obrigação de todo cristão, pois ao passo que o Apóstolo dos Gentios pedia que eles se compadecessem uns dos outros em nome da Paz de Cristo, também pedia pelos Sacerdotes da Santa Igreja Católica em nome da Comunhão. É o que se lê na Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses: "Assim, pois, consolai-vos e edificai-vos uns aos outros, como já o fazeis. Suplicamo-vos, irmãos, que reconheçais aqueles que entre vós arduamente trabalham para vos dirigir e vos admoestar no Senhor. Tende para com eles singular amor, em vista do cargo que exercem. Conservai a Paz entre vós." 1 Ts 5,11-13

    Ele bem sabia, no entanto, de onde vinha sua força para seguir no 'bom combate e guardar a fé (cf. 2 Tm 4,7)'. E chega a ser repetitivo ao falar dessa Graça que gostaria que fosse repassada a toda humanidade: "Bendito seja Deus, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das Misericórdias, Deus de toda consolação, que nos consola em todas nossas tribulações para que possamos consolar aqueles que estão em qualquer tribulação, através da consolação que nós mesmos recebemos de Deus." 2 Cor 1,3-4

    Pois como atesta, nossa vida na fé, por si mesma, pode servir de consolação a nossos irmãos: "Assim, irmãos, fomos consolados por vós, em meio a todas nossas angústias e tribulações, em virtude de vossa fé. Agora, sim, tornamos a viver, porque permaneceis firmes no Senhor." 1 Ts 3,7-8

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Ser Cristão

    A imagem do Cristo crucificado, que deve ser divulgada (cf. Gl 3,1) para que saibamos o quanto a Santa Igreja Católica custou (cf. At 20,28), realmente retrata muita violência. Mas é o melhor símbolo do que significa ser cristão. A Santa Cruz, como prova de total e incondicional entrega mesmo diante da má vontade e da mundana incompreensão, é, e continuará sendo até a Definitiva Volta de Jesus, uma inevitável consequência do convite ao verdadeiro amor. Falando sobre o fim dos tempos, e claramente apontando a trajetória da humanidade através dos séculos, Nosso Salvador afirmou em últimas pregações, no Evangelho Segundo São Mateus: "E ante o crescente progresso da iniquidade, o amor de muitos esfriará." Mt 24,12

    Contudo, contra todas adversidades, a caridade, seja material ou espiritual, continua sendo o maior dever de todo cristão. No Evangelho Segundo São Marcos, Jesus mesmo anunciou em Jerusalém, após o Domingo de Ramos: "O primeiro de todos Mandamentos é este: 'Ouve, Israel, o Senhor Nosso Deus é o Único Senhor: amarás o Senhor Teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma, de todo teu entendimento e de toda tua força (Dt 6,5).' Eis aqui o segundo: 'Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Não existe Mandamento maior que estes." Mc 12,29b-31

    Ou seja, não pediu em Deus. Pediu muito mais, pediu amor a Ele, sintetizando todo Antigo Testamento não em 10, mas em apenas 2 Mandamentos, e ambos falam exclusivamente de amor. "Nesses dois Mandamentos resumem-se toda a Lei e os Profetas." Mt 22,40
    
    E ainda mais sintetizou esses 2 em apenas 1 novo Mandamento, que chamou de "Seu Mandamento" e também se resume em amar. Mas deixou a medida: o amor que Ele mesmo sentia. É do Evangelho Segundo São João, em Sua última noite entre os Apóstolos: "Dou-vos um novo Mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como Eu vos tenho amado, assim vós também deveis amar-vos uns aos outros. Este é Meu Mandamento..." Jo 13,34;15,12

    O amor, portanto, é a marca da Igreja Católica, e assim do cristão. Jesus expressamente disse depois da Santa Ceia: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35

    Mas, por suas materialistas e vaidosas ambições, é notório que o mundo não se prepara para conviver harmoniosamente. Por isso, a missão do católico é longa e difícil, cada vez mais enfrentando maiores obstáculos. Antes de partir para o Jardim das Oliveiras, onde seria preso, Jesus disse aos Apóstolos: "Se fôsseis do mundo, o mundo amá-vos-ia como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo escolhi-vos, o mundo odeia-vos." Jo 15,19

    E aqui está o mais profundo Mandamento de Cristo: o verdadeiro cristão deve amar seus inimigos! Esse é o maior exemplo, o da extrema paciência e Misericórdia, que é incessantemente dado pelo próprio Pai. Ele já pregava no Sermão da Montanha: "Eu, porém, digo-vos: amai vossos inimigos, fazei bem àqueles que vos odeiam, rezai por aqueles que vos maltratam e perseguem. Deste modo, sereis os filhos de Vosso Pai do Céu, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Portanto, sede perfeitos como Vosso Pai Celeste é perfeito." Mt 5,44-45.48

    Assim, pois, em despedida dos Apóstolos, recomendava que fôssemos constantes e perseverantes em Seu exemplo de amor, que nos salva: "Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor, como Eu também guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto em Seu amor." Jo 15,10

    Enfim, a Primeira Carta de São João, dizendo de Nosso Senhor, assim explana sobre o salvífico amor: "Eis como sabemos que O conhecemos: se guardamos Seus Mandamentos. Aquele que diz conhecê-Lo e não guarda Seus Mandamentos, é mentiroso e nele não está Verdade. Aquele, porém, que guarda Sua Palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. Assim é que conhecemos se estamos n'Ele: aquele que n'Ele afirma permanecer, também deve viver como Ele viveu." 1 Jo 2,3-6

    Ele sintetiza, dizendo da missão de todo fiel: "Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu Sua vida por nós. Nós também devemos dar nossa vida pelos nossos irmãos." 1 Jo 3,16

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Denominações do Espírito Santo

 

    Assim como aconteceu com Jesus, isto é, para muito além de todas profecias, o Espírito Santo é mais uma grande 'surpresa' de Deus, mais um extasiante capítulo da Revelação. Nosso Salvador mencionou-O por vários Nomes e de diversos modos: - como Promessa de Deus, no Evangelho Segundo São Lucas: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai..." Lc 24,49

    - como a Verdade, Exclusiva Graça e Eterno Companheiro da Santa Igreja Católica, no Evangelho Segundo São João: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,17

    - como Defensor e Consolador: "Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai..." Jo 15,26

    - como Testemunha, confirmando tudo que ensinou: "... Ele dará testemunho de Mim." Idem

    - como Mestre e Conselheiro: "... ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26

    - como o Grande Revelador: "Entretanto, digo-vos a Verdade: convém a vós que Eu vá! Porque se Eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas se Eu for, enviá-Lo-ei. E quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da Justiça e do Juízo." Jo 16,7-8

    - como Guia da Verdade: "... o Espírito da Verdade, guiá-vos-á em toda Verdade..." Jo 16,13

    - como permanente Esclarecedor da Verdade pelos séculos: "... e anunciá-vos-á as coisas que virão." Idem

    - ou por Seu mais significativo Nome, no Evangelho Segundo São Mateus, que entre nós inaugura a Eternidade: "Mas se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus." Mt 12,28

    Dando voz a Deus, portanto, o Livro do Profeta Zacarias assim O nomeou: "Derramarei um Espírito de Graça e oração sobre a Casa de Davi e sobre os moradores de Jerusalém, e eles olharão para Mim." Zc 12,10

    O Livro de Sabedoria evoca-O por Sua incorruptibilidade e Sua presença em todo ser vivo, pela Onipresença e pelo dom da vida: "Vosso Incorruptível Espírito está em todos." Sb 12,1

    E discorrendo sobre ela mesma, acaba por fazer a mais completa lista de atributos do Divino Paráclito: "Há nela, com efeito, um Espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo, livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, livre de inquietação, que tudo pode, que de tudo cuida, que em todos espíritos penetra, os inteligentes, os puros, os mais sutis." Sb 7,22-23

    Ora, contra toda desventura nesse mundo, como o próprio Sacrifício de Cristo, (cf. Jo 13,31), a Primeira Carta de São Pedro via n'Ele a própria Glória de Deus: "Se fordes ultrajados pelo Nome de Cristo, bem-aventurados sois vós, porque o Espírito de Glória, o Espírito de Deus repousa sobre vós." 1 Pd 4,14

    No Livro de Atos dos Apóstolos, o Amado Médico chama-O por um novo, mas bem conhecido e singular Nome: "Ao chegarem aos confins da Mísia, tencionavam seguir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu." At 16,7

    A Carta de São Paulo aos Efésios diz que Ele é nosso selo, ainda que muito sensível: "Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o Qual estais selados para o Dia da Redenção." Ef 4,30

    Mas talvez Seu mais poderoso título tenha sido dado pelos seguidores da tradição de São Paulo, na Carta aos Hebreus: "... o Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,29

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Representantes de Cristo

    Tamanha transformação espiritual, ou seja, ser cristão e verdadeiramente abraçar o amor de salvação não é possível sem os auxílios do Espírito Santo, que nos revigora pelo fogo da . No Evangelho Segundo São Lucas, os Apóstolos, ante a obrigação de infinitamente perdoar, pediam ajuda a Jesus: "Aumentai-nos a fé!" Lc 17,5

    E Nosso Salvador não apenas falava: Ele fazia. Mesmo sendo surrado, humilhado e crucificado, não Se entregava à ira contra Seus algozes. E em Seus últimos suspiros na Santa Cruz, ainda rezou: "Pai, perdoa-lhes. Porque não sabem o que fazem." Lc 23,34

    Ele ensinava o perdão como o único modo de abrir caminho ao amor. Disse no episódio da pecadora que lavou Seus pés com lágrimas e os enxugou com os cabelos, na casa do fariseu Simão: "... seus numerosos pecados foram-lhe perdoados porque ela tem demonstrado muito amor. Mas àquele que pouco se perdoa, pouco ama." Lc 7,47

    Pois a Misericórdia de Deus é infinita, e assim, para sermos autênticos filhos de Deus, temos que seriamente abraçar Seus ensinamentos: "Se teu irmão pecar, repreende-o. Se se arrepender, perdoa-lhe. Se sete vezes no dia pecar contra ti, e sete vezes no dia vier procurar-te, dizendo: 'Estou arrependido', perdoá-lhe-ás." Lc 17,3-4

    Sua Doutrina, portanto, é essencialmente de mansidão e humildade. E Ele não prometeu comodidades materiais, mas tão somente conforto a nossas almas, como o Evangelho Segundo São Mateus registrou: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração, e achareis repouso para vossas almas." Mt 11,29

    De fato, noutra situação, instado por São Tiago Maior e São João para punir os samaritanos de um povoado com fogo do Céu, porque não os acolheram, "Jesus voltou-Se e severamente repreendeu-os: 'Não sabeis de que Espírito sois animados. O Filho do Homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para as salvar.'" Lc 9,55-56

    E tal como agia, também ensinava, desde as primeiras exortações públicas: "Não julgueis, e não sereis julgados. Não condeneis, e não sereis condenados. Perdoai, e sereis perdoados. Dai, e dá-se-vos-á." Lc 6,37-38

    700 anos antes, o Livro do Profeta Isaías havia prescrito esse emblemático comportamento do Cristo: "Ele não grita, nunca eleva a voz, não clama nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda franqueza a verdadeira religião. Não desanimará nem desfalecerá até que tenha estabelecido a verdadeira religião sobre a Terra, e até que as ilhas desejem Seus ensinamentos." Is 42,2-4

    Por isso, Nosso Senhor convida a tornarmo-nos Seus legítimos discípulos. Notemos, porém: ninguém se torna discípulo da noite para o dia. Os próprios Apóstolos, apesar de estarem com Ele mais de três anos, vendo e ouvindo tudo viram e ouviram, ainda se viam por converter-se. Foi o que Jesus disse a São Pedro pouco antes do início de Sua Paixão: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo. Mas Eu roguei por ti, para que tua confiança não desfaleça. E tu, por tua vez, confirma teus irmãos." Lc 22,31-32

    Ora, eles ainda careciam da unção do Espírito Santo, como Ele disse na hora de Sua Ascensão aos Céus: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto." Lc 24,49

    Enfim, no Evangelho Segundo São João, em Sua última noite entre os Apóstolos, Jesus disse em exatas palavras essa condição de agir do cristão: "Se permanecerdes em Mim, e Minhas Palavras permanecerem em vós, pedireis tudo que quiserdes e sê-vos-á feito. Nisto é glorificado Meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis Meus discípulos." Jo 15,7-8

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Deus confunde

    Para além da dicotomia 'de frente para Deus, Luz; de costas para Ele, trevas', o fato é que há muitas nuances em nossa relação com Deus, tanto de Luz quanto de trevas, e vez e outra Ele confunde não somente pessoas, mas inteiras coletividades. E a despeito do que não nos foi revelado, essa é uma de Suas estratégias de correção, ou mesmo de castigo. Como exemplo dessas nuances, e de educadores castigos, temos a mensagem que Jesus mandou através do anjo da igreja de Laodiceia, no Livro de Apocalipse de São João: "Conheço tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te. Eu repreendo e castigo aqueles que amo. Reanima teu zelo, pois, e arrepende-te." Ap 3,15-16.19

    Ou mesmo um devastador castigo, precedido, note-se, de um entorpecedor ministério sobre os israelitas, como Deus determinou a Isaías antes da destruição de Jerusalém e do exílio em Babilônia. Está no Livro do Profeta Isaías: "Obceca o coração desse povo, ensurdece-lhe os ouvidos, fecha-lhe os olhos, de modo que não veja nada com seus olhos, não ouça com seus ouvidos, não compreenda nada com seu espírito. Até que as cidades fiquem devastadas e sem habitantes, as casas, sem gente, e a terra, deserta." Is 6,10a.11b

    A Carta de São Paulo aos Romanos aponta um claro exemplo nos judeus que, aferrados à justiça de sua mentalidade, rejeitaram Jesus. Ele defende a verdadeira e oportunamente cita Isaías: "Pois lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas um zelo sem discernimento. Desconhecendo a Justiça de Deus e procurando estabelecer sua própria justiça, não se sujeitaram à Justiça de Deus. Porque a finalidade da Lei é Cristo, para justificar todo aquele que crê. É crendo de coração que se obtém a Justiça, e é professando com palavras que se chega à Salvação. A Escritura diz: 'Todo aquele que n'Ele crer, não será confundido (Is 28,16).'" Rm 10,2-4.10-11

    Ora, a Santíssima Trindade já usava desse artifício desde o conhecido episódio da Torre de Babel, quando os homens queriam uma construção que chegasse aos Céus, registrado no Livro de Gênesis: "Vamos descer e confundir a língua deles, para que um não entenda a língua do outro." Gn 11,7

    E Deus prometeu ao povo de Israel, através de Moisés, quando estavam para entrar em Canaã, como o Livro de Êxodo narra: "Enviarei diante de ti Meu terror, confundindo todo povo aonde entrares, e farei com que todos teus inimigos te voltem as costas." Êx 23,27

    No Livro de Salmos, em específico os de Davi, que devem ser entendidos como o próprio Jesus rezando ao Pai, vemos um constante pedido para que Deus atordoe os sentidos Seus inimigos: "Fiquem confusos e cobertos de ignomínia aqueles que se alegram com Meus males, sejam envoltos em confusão e opróbrio aqueles que contra Mim se erguem com soberba." Sl 34,26

    Ademais, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios anotou: "Vede, irmãos, vosso grupo de eleitos: não há entre vós muitos sábios, humanamente falando, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Mas Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios, e escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte." 1 Cor 1,26-27

    Sobre o domínio do Maligno nos últimos tempos, a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses afirma que do próprio Pai virá poder nesse sentido: "... Deus enviá-lhes-á um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro." 2 Ts 2,11

    Aliás, Jesus mesmo alegrou-Se com a Divina Providência, quando atestou que o Pai não revela indiscriminadamente Seu poder, pois, além dos Apóstolos, até Seus discípulos expulsavam demônios. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "Pai, Senhor do Céu e da Terra, Eu dou-Te graças, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos." Lc 10,21b

    Realmente havia difíceis assuntos, que dependiam de vivência sob a Divina Luz, como Nosso Senhor disse aos Apóstolos sobre o celibato, que seria adotado pela Santa Igreja Católica. O Evangelho Segundo São Mateus apontou: "Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado." Mt 19,11b

    E no Evangelho Segundo São João, disse de Sua Missão: "Vim a este mundo para fazer uma discriminação: aqueles que não vêem vejam, e aqueles que vêem se tornem cegos." Jo 9,39

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

São Timóteo

    Ninguém foi tão próximo a São Paulo quanto São Timóteo. Conta-se boa parte de sua vida, e com precisão de detalhes, graças a sua intimidade ao Apóstolo dos Gentios e às citações que ele lhe fez. Também por grande amizade a São Paulo, São Lucas conhecia-o muito bem, como o Livro de Atos dos Apóstolos descreve: "Chegou a Derbe e depois a Listra. Havia ali um discípulo, chamado Timóteo, filho de uma judia cristã, mas de pai grego, que gozava de ótima reputação junto aos irmãos de Listra e de Icônio. Paulo quis que ele fosse em sua companhia. Ao tomá-lo consigo, circuncidou-o, por causa dos judeus daqueles lugares, pois todos sabiam que seu pai era grego." At 16,1-3

    Por poucas vezes nosso Santo separou-se de São Paulo, aqui citado em companhia de São Silvano, também chamado São Silas, como na violenta perseguição que sofreram dos judeus em cidade de Grécia: "Mas os judeus de Tessalônica, sabendo que em Bereia também tinha sido pregada por Paulo a Palavra de Deus, para lá foram agitar e sublevar o povo. Então os irmãos fizeram que Paulo se retirasse e fosse até o mar, ao passo que Silas e Timóteo ali ficaram. Aqueles que conduziam Paulo, levaram-no até Atenas. De lá voltaram e transmitiram para Silas e Timóteo a ordem de que fossem ter com ele o mais cedo possível." At 17,13-15

    Junto a mais um discípulo, São Timóteo foi enviado à frente de São Paulo em sua primeira viagem a Roma, onde já havia uma grande comunidade cristã, talvez de várias paróquias, fundada por São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos: "Concluídas essas coisas, Paulo resolveu ir a Jerusalém, depois de atravessar Macedônia e Acaia. 'Depois de eu ter estado lá', disse ele, 'é necessário que também veja Roma.' Enviou a Macedônia dois de seus auxiliares, Timóteo e Erasto, mas ele mesmo demorou-se ainda por algum tempo em Ásia." At 19,21-22

    São Paulo vai citar o nome de São Timóteo em todas suas cartas, exceto na Carta aos Gálatas, na Carta aos Efésios e na Carta a São Tito. E destinatário de 2 de suas cartas, o que é expressivo sinal de sua importância na missão de São Paulo, e assim da Santa Igreja, nosso Santo vai estar com ele quando escreve ao menos 7 de suas outras 11 cartas, como veremos. Isso mostra a constância com que ele se manteve a seu lado. Ora, ao final da Carta de São Paulo aos Romanos, citado como o primeiro, temos uma ideia de sua dedicação ao ministério: "Saúdam-vos Timóteo, meu cooperador, Lúcio, Jasão e Sosípatro, meus parentes." Rm 16,21

    Na querela em que os cristãos de Corinto se dividiam por 'preferências' entre Apóstolos e outros pregadores, São Timóteo foi o enviado de São Paulo, e através dele iria alegar tanto seus méritos de fundador da comunidade quanto sua irretocável postura perante a Igreja. Está na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas admoesto-vos como meus amados filhos. Com efeito, ainda que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não tendes muitos pais. Ora, fui eu que vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho. Por isso, conjuro-vos a que sejais meus imitadores. Para isso é que vos enviei Timóteo, meu amado e fiel filho no Senhor. Ele recordá-vos-á minhas normas de conduta, tais como as ensino por toda parte, em todas igrejas." 1 Cor 4,14-17

    Na Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo, escrita já bem próximo do martírio de nosso Apóstolo, vemos anotações da vida familiar desse fiel discípulo, a quem, além de ordenar, sempre chamava de filho, pois também converteu e batizou sua vó e sua mãe: "Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus para anunciar a promessa da Vida que está em Jesus Cristo, a Timóteo, caríssimo filho: Graça, Misericórdia, Paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, Nosso Senhor! Dou graças a Deus, a quem sirvo com pureza de consciência, tal como aprendi de meus pais, e sem cessar lembro-me de ti em minhas orações, de noite e de dia. Quando me vêm ao pensamento tuas lágrimas, sinto grande desejo de ver-te para me encher de alegria. Conservo a lembrança daquela tua tão sincera fé, que foi primeiro a de tua avó Lóide e de tua mãe Eunice, e que, não tenho a menor dúvida, em ti também habita. Por esse motivo, eu exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição de minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de Sabedoria. Não te envergonhes, portanto, do testemunho de Nosso Senhor, nem de mim, Seu prisioneiro, mas comigo sofre pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus." 2 Tm 1,1-8

São Tito

 

    Apesar de não ter seu nome mencionado nem nos Evangelhos nem nos Atos dos Apóstolos, São Tito é considerado um dos 72 discípulos de Jesus. O Evangelho Segundo São Lucas assim narrou o envio deles: "Depois disso, o Senhor ainda designou setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de Si, por todas cidades e lugares aonde Ele tinha de ir. Disse-lhes: 'Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para Sua messe. Ide! Eis, porém, que vos envio como cordeiros entre lobos.'" Lc 10,1-3

    Alçado a uma posição ainda mais importante que um dos 72 discípulos, São Tito presenciou o Primeiro Concílio da Santa Igreja Católica, realizado em Jerusalém, e foi levado até lá por ninguém menos que dois célebres evangelizadores, São Paulo e São Barnabé. A Carta de São Paulo aos Gálatas registrou: "Catorze anos mais tarde, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, comigo também levando Tito. E subi em consequência de uma revelação. Expus-lhes o Evangelho que prego entre os pagãos, e isso particularmente aos que eram de maior consideração, a fim de não correr ou de não ter corrido em vão." Gl 2,1-2

    Não era judeu, como o Apóstolo dos Gentios escreveu ao defender que a circuncisão não era obrigatória aos cristãos: "Entretanto, nem sequer meu companheiro Tito, embora gentio, foi obrigado a circuncidar-se." Gl 2,3

    Foi enviado a Jerusalém por ele, para entregar uma coleta feita em Corinto que nosso Santo mesmo organizou, uma ajuda aos cristãos que enfrentaram uma grande fome na região. Está na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: "Desta maneira, recomendamos a Tito que entre vós leve a termo esta obra de caridade, como havia começado." 2 Cor 8,6

    De fato, ele era seu missionário preferido, e andava na companhia daquele que viria a ser o grande evangelista São Lucas: "Bendito seja Deus, por ter posto no coração de Tito a mesma solicitude por vós. Não só recebeu bem meu pedido, mas, no ardor de seu zelo, espontaneamente partiu para visitar-vos. Junto a ele enviamos o irmão, cujo renome na pregação do Evangelho se espalha em todas igrejas." 2 Cor 8,16-18

    Mais que missionário, por anos foi o próprio esteio deste grande Apóstolo: "Quando cheguei a Trôade para pregar o Evangelho de Cristo, apesar da porta que o Senhor me abriu, meu espírito não teve sossego porque aí não achei meu irmão Tito. Deles despedi-me e parti para a Macedônia." 2 Cor 2,12-13

    E prova da capacidade de São Tito como mediador foi o fato de São Paulo ter-lhe enviado para resolver graves questões de comportamento entre os fiéis de Corinto, uma importante comunidade cristã de então: "Se minha carta vos penalizou, não me arrependo. De fato, a tristeza segundo Deus produz um salutar arrependimento do qual ninguém se arrepende, enquanto a tristeza do mundo produz a morte. Portanto, se vos escrevi, não o fiz por causa daquele que cometeu a ofensa, nem por causa do ofendido. Foi para que vossa dedicação por mim se manifestasse diante de Deus. Eis o que nos tem consolado. Mas, acima desta consolação, o que nos deixou sobremaneira contentes foi a alegria de Tito, cujo coração tranquilizastes." 2 Cor 7,8.10.12-13

    Por tantos méritos, São Paulo indicou São Tito como Bispo de Creta, hoje a maior e mais populosa ilha de Grécia, e deu-lhe instruções para a prosperidade da Igreja Católica: ordenar Padres, então chamados de presbíteros ou anciãos, e Bispos, e supervisionar-lhes o comportamento e o respeito à Sã Doutrina. É da Carta de São Paulo a São Tito, Escritura que por si demonstra sua importância na História da Igreja, não por acaso Livro do Novo Testamento: "... a Tito, meu verdadeiro filho em nossa comum... Eu deixei-te em Creta para acabares de organizar tudo e estabeleceres Anciãos em cada cidade, de acordo com as normas que te tracei. Porquanto é mister que o Bispo seja irrepreensível... ... severamente repreende-os para que se mantenham sãos na fé, e não deem ouvidos a judaicas fábulas nem a preceitos de homens avessos à Verdade." Tt 1,4-5.7.13b-14

domingo, 25 de janeiro de 2026

A Conversão de São Paulo

    A história da conversão de São Paulo, datada por volta do ano 36 de nossa era, isto é, 6 anos após a Ressurreição de Cristo, começa depois do inspirado sermão de Santo Estevão no Sinédrio, quando este diácono veementemente condenou o sumo sacerdote e os principais dos judeus, perseguidores de Apóstolos e cristãos nos primeiríssimos anos da Igreja. Assim São Lucas registrou no Livro de Atos dos Apóstolos: "Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele. Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o Céu e viu a Glória de Deus, e Jesus de pé à direita de Deus: 'Eis que vejo', disse ele, 'os Céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus.' Então levantaram um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra ele. Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão, que rezava e dizia: 'Senhor Jesus, recebe meu espírito.' Posto de joelhos, exclamou em alta voz: 'Senhor, não lhes leves em conta este pecado...' A estas palavras, expirou. E Saulo havia aprovado a morte de Estêvão." At 7,54-60;8,1a

    O Amado Médico continua: "Saulo, porém, devastava a Igreja. Entrando pelas casas, delas arrancava homens e mulheres e entregava-os à prisão. Mas aqueles que se haviam dispersado, iam por toda parte anunciando a Palavra de Deus." At 8,3-4

    Diz de seu encontro com Cristo, que apesar disso não o autoriza a sair pregando, mas submete-o à Santa Igreja Católica: "Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém todos homens e mulheres que achasse seguindo essa Doutrina. Durante a viagem, estando já perto de Damasco, subitamente cercou-o uma resplandecente Luz vinda do Céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: 'Saulo, Saulo, por que Me persegues?' Saulo disse: 'Quem és, Senhor?' Respondeu Ele: 'Eu sou Jesus, a Quem tu persegues.' Então, trêmulo e atônito, ele disse: 'Senhor, que queres que eu faça?' Respondeu-lhe o Senhor: 'Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer.'" At 9,1-6

    E ainda: "Os homens que o acompanhavam encheram-se de espanto, pois perfeitamente ouviam a voz, mas não viam ninguém. Saulo levantou-se do chão. Abrindo os olhos, porém, não via nada. Tomaram-no pela mão e introduziram-no em Damasco, onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber. Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor, numa visão, disse-lhe: 'Ananias!' 'Eis-me aqui, Senhor!', respondeu ele. O Senhor ordenou-lhe: 'Levanta-te e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo. Ele está rezando.' Saulo, da mesma forma, teve uma visão de um homem, chamado Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista. Ananias respondeu: 'Senhor, muitos já me falaram deste homem, de quantos males fez a teus fiéis em Jerusalém. E aqui ele tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam Teu Nome.' Mas o Senhor disse-lhe: 'Vai, porque este homem é para Mim um instrumento escolhido, que levará Meu Nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel. Eu mostrá-lhe-ei tudo que terá de padecer pelo Meu Nome.' Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: 'Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.' No mesmo instante, caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado.' At 9,7-18

    Ele completa: "Depois tomou alimento e sentiu-se fortalecido. Demorou-se por alguns dias com os discípulos que se achavam em Damasco. E imediatamente começou a proclamar pelas sinagogas que Jesus é o Filho de Deus. Todos seus ouvintes pasmavam e diziam: 'Este não é aquele que perseguia em Jerusalém aqueles que invocam o Nome de Jesus? Não veio cá só para levá-los presos aos sumos sacerdotes?' Saulo, porém, crescia mais e mais em poder e confundia os judeus de Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo." At 9,19-22

sábado, 24 de janeiro de 2026

Tempos do Espírito Santo, da Igreja ou dos Sacramentos

    Para os tempos que Lhe sucederiam, Jesus, em despedida dos Apóstolos, garantiu a ininterrupta presença do Espírito Santo na Igreja Católica através dos séculos. Está no Evangelho Segundo São João: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Paráclito para que eternamente fique convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,16-17

    A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, portanto, contrapondo à Antiga Aliança diz do glorioso Ministério do Espírito Santo, iniciado com o nascimento da Santa Igreja Católica (cf. Ef 5,26), isto é, no Pentecostes (cf. At 2,4): "Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face, embora transitório, quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,7-8

    E a Primeira Carta de São João, referindo-se ao Sacramento da Crisma, defende o Evangelho original, ensinado oralmente, e explica: "Vós, porém, tendes a Unção do Santo e sabeis todas coisas. Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se em vós permanecer o que ouvistes desde o princípio, também permanecereis vós no Filho e no Pai. E não tendes necessidade de que alguém vos ensine, mas, como Sua unção vos ensina todas coisas, assim é ela verdadeira e não mentira. Permanecei n'Ele, como ela vos ensinou." 1 Jo 2,20.24.27b

    De fato, o pequeno resto, que persevera e representa a Igreja, chegará a perfeita santidade. A Carta de São Paulo aos Colossenses previu: "Vós despiste-vos do velho homem com seus vícios e revestiste-vos do novo, que constantemente vai restaurando-se à imagem d'Aquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento. Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo que será tudo em todos." Cl 3,11

    A Segunda Carta de São Pedro, pois, vê o Amor de Deus no vagar do tempo dessa espera: "O Senhor não retarda o cumprimento de Sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Ele não quer que alguém pereça. Ao contrário, quer que todos se arrependam." 2 Pd 3,9

    Contudo, pela Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo fomos avisados de que espiritualmente viveríamos difíceis tempos, quando muitos abandonam a Igreja Católica Apostólica Romana por causa da proliferação de falsas e tenebrosas doutrinas: "O Espírito expressamente diz que, nos vindouros tempos, alguns hão de apostatar da dando ouvidos a embusteiros espíritos e a diabólicas doutrinas, de hipócritas e impostores, marcados na própria consciência com o ferrete da infâmia..." 1 Tm 4,1-2

    E assim se dá apesar do reinado, já em ação, dos Santos junto ao Cristo, que durará um perfeito período, porque eles venceram o maligno império. Assim são as revelações de Nosso Senhor no Livro de Apocalipse de São João: "Também vi tronos, sobre os quais se sentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas daqueles que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a besta ou sua imagem, que não tinham recebido seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma Nova Vida e com Cristo reinaram por mil anos. Feliz e Santo é aquele que toma parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão Sacerdotes de Deus e de Cristo: com Ele reinarão durante os mil anos." Ap 20,4.6

    Pois mesmo diante de verdadeiras chacinas, nem a intercessão dos Santos no Céu, diante do Trono de Deus, será prontamente atendida. É o tempo de Deus que prevalece: "Quando (o Cordeiro) abriu o quinto selo, vi debaixo do Altar as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer Justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da Terra?' Então foi dada a cada um deles uma branca veste e lhes foi dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam para ser mortos com eles." Ap 6,9-11

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A Igreja de Jesus

 

    Jesus afirmou em Sua última aparição, pouco antes de ascender aos Céus, na leitura do Evangelho Segundo São Mateus: "Toda autoridade foi-Me dada no Céu e na Terra." Mt 28,18

    E para o bem do povo de Deus, Ele delegou tal autoridade à Santa Igreja Católica, como ensinou em parábola no Evangelho Segundo São Marcos: "Será como um Homem que, partindo em viagem, deixa Sua casa e delega Sua autoridade a Seus servos, indicando o trabalho de cada um, e manda ao porteiro que vigie." Mc 13,34

    A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios exercia-a, e igualmente advertia: "Peço-vos, quando eu estiver presente, que não me veja obrigado a usar de minha autoridade, da qual realmente pretendo usar com certas pessoas que imaginam que nós procedemos com humanas intenções." 2 Cor 10,2

    A Segunda Carta de São Pedro também a defendeu, quando acusou: "... o Senhor sabe livrar das provações os piedosos homens e reservar os ímpios para serem castigados no Dia do Juízo, principalmente aqueles que correm com impuros desejos atrás dos prazeres da carne e desprezam a autoridade." 2 Pd 2,9-10a

    Ele e os Apóstolos, pois, diziam a quem Deus concede Seu Espírito, ao testemunharem Jesus como o Salvador perante o Sinédrio, conselho dos judeus em Jerusalém. O Livro de Atos dos Apóstolos apontou: "Deste fato, nós somos testemunhas. Nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem.'" At 5,32

    Ora, a Primeira Carta de São Pedro aponta as duas razões pelas quais fomos chamados pelo Pai e santificados pelo Divino Paráclito: "Pedro, Apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são estrangeiros e estão espalhados em Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, eleitos segundo a presciência de Deus Pai e santificados pelo Espírito, para obedecer a Jesus Cristo e receber a devida parte da aspersão de Seu Sangue." 1 Pd 1,1-2a

    E a obediência a Jesus deve ser incondicional, tanto mais por saber que Ele continua a falar-nos através de Sua Igreja. Os seguidores da tradição de São Paulo explicaram na Carta aos Hebreus, contrastando o Antigo e o Novo Testamento: "Guardai-vos, pois, de recusar ouvir Aquele que fala. Porque se não escaparam do castigo aqueles que d'Ele se desviaram quando lhes falava na Terra, muito menos escaparemos nós se O repelirmos quando nos fala desde o Céu." Hb 12,25

    Pois a Igreja Católica apenas retransmite a Palavra que Ele lhe comunica através de Seus anjos. No Livro de Apocalipse de São João, Ele incumbiu-lhe de registrar Suas ordens às dioceses de Ásia à época: "Ao anjo da igreja de Éfeso, escreve..." Ap 2,1

    Igualmente sentenciou contra todo teimoso: "Se recusa a ouvi-los, dize-o à Igreja. E se também se recusar a ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,17

    E tal obediência é pura sensatez, porque, conforme o Príncipe dos Apóstolos, não cabem pessoais interpretações da Bíblia, senão o que foi inspirado e já revelado pelo próprio Divino Paráclito ao longo do tempo: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de pessoal interpretação. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma humana vontade. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." 2 Pd 1,20-21

    De fato, a Carta de São Judas fala da Revelação como já concluída, da "... , de uma vez para sempre confiada aos santos." Jd 3b

    Por isso, a Carta de São Paulo aos Efésios não vacila em apontar onde devemos prestar culto ao Criador: "... a Ele seja dada Glória na igreja, e em Cristo Jesus, por todas gerações até a eternidade. Amém." Ef 3,21

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O Tempo de Deus

    O tempo é apenas mais uma das criações de Deus. Assim, Ele também é Senhor do tempo, podendo alongá-lo ou encurtá-lo a bem de Seus planos, como a Segunda Carta de São Pedro diz: "... um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia." 2 Pd 3,8

    É nesse sentido que devemos entender as profecias de Nosso Senhor no Livro de Apocalipse de São João, falando de Sua Vinda seja para o Juízo Particular, seja para o Juízo Final, e revelando-Se atemporal: "Eis que em breve venho, e Minha recompensa está comigo para dar a cada um conforme suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim." Ap 22,12-13

    Ora, desde o início da Revelação, como se lê no Livro de Gênesis, Deus sempre inspirou a humanidade quanto a Sua atemporalidade: "Abraão plantou um tamariz em Bersabeia e ali invocou o Nome do Senhor, Deus da eternidade." Gn 21,33

    E a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios falou de 'um tempo' em que o tempo nem existia: "Pregamos a Sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para nossa Glória." 1 Cor 2,7

    Assim Deus é o Senhor da História, e, por Sua vontade, nela entra e ativamente participa por amor a Seus filhos. Foi o que Ele manifestou ao rei Ezequias, no Segundo Livro de Reis, através do Profeta Isaías: "Ignoras que desde o princípio preparei o que acontecerá? Desde remotos tempos decidi o que agora realizarei..." 2 Rs 19,25

    O Livro do Eclesiástico inspiradamente registrou: "A duração da vida humana é quando muito cem anos. No Dia da eternidade, esses breves anos serão contados como uma gota de água do mar, como um grão de areia. É por isso que o Senhor é paciente com os homens, e sobre eles espalha Sua Misericórdia." Eclo 18,8-9

    Aliás, o Pai sempre Se manteve em íntimo contato com Seu povo, em especial na Vinda de Seu Filho, que os seguidores da tradição de São Paulo acertadamente designam na Carta aos Hebreus como os últimos tempos: "Muitas vezes e de diversos modos, outrora Deus falou a nossos pais pelos Profetas. Agora, nestes tempos que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a Quem constituiu herdeiro de todas coisas, pelo Qual fez os séculos." Hb 1,1-2

    Desde Sua primeiríssima pregação, pois, Nosso Senhor advertia do cumprimento dos tempos e dizia que todos devem preparar-se para o encontro com Deus. É notação do Evangelho Segundo São Marcos: "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo! Fazei penitência e crede no Evangelho!" Mc 1,15

    Assim também com as mais evidentes manifestações do inimigo, pois a Primeira Carta de São João adverte: "Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora." 1 Jo 2,18

    Pois a Santa Igreja Católica, enquanto Casa do Senhor, já se firmou com o Pentecostes (cf. At 2,4), e como depositária do Evangelho leva a Salvação às nações. O Livro do Profeta Isaías sentenciou: "No fim dos tempos, acontecerá que o monte da Casa do Senhor estará colocado à frente das montanhas, e dominará as colinas. A ele acorrerão todas gentes, e os povos virão em multidão: 'Vinde', dirão eles, 'subamos à montanha do Senhor, à Casa do Deus de Jacó! Ele ensiná-nos-á Seus Caminhos, e nós trilharemos Suas veredas.'" Is 2,2-3a

    Assim, com a garantia do Divino Paráclito, pois vivemos Seu tempo, devemos aguardar pela finalização da obra da Salvação, que é exclusivamente de Deus, conforme a Carta de São Paulo aos Efésios: "N'Ele (Cristo) vós, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, também fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor de nossa herança, enquanto esperamos a completa Redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor de Sua Glória." Ef 1,13-14

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Desceu à Mansão dos Mortos

    O Julgamento deste mundo, ainda que não o Final, já se deu com a Vinda de Jesus. No Evangelho Segundo São João, pouco antes de Sua Crucificação, Nosso Senhor sentenciou: "Agora é o Juízo deste mundo! Agora será lançado fora o príncipe deste mundo." Jo 12,31

    Pois o Juízo é Sua poderosa Palavra, Seu veredicto, que já foi proferido. Nesta mesma situação, Ele explicou: "Se alguém ouve Minhas Palavras e não as guarda, Eu não o condenarei, porque não vim para condenar o mundo, mas para o salvar. Quem Me despreza e não recebe Minhas Palavras, tem quem o julgue: a Palavra que anunciei julgá-lo-á no Último Dia." Jo 12,47-48

    E já havia confirmado Sua posse sobre o veredicto: "Com efeito, como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá Vida, o Filho também dá Vida a quem Ele quer. Porque o Pai não julga ninguém, mas entregou todo Julgamento ao Filho." Jo 5,21-22

    Não por acaso, após Sua Morte na Santa CruzJesus desceu à mansão dos mortos para que Sua Palavra também fosse conhecida por aqueles que viveram antes de Sua Vinda. A Primeira Carta de São Pedro registrou: "Pois, para isso, o Evangelho também foi pregado aos mortos, para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito." 1 Pd 4,6

    Durante Sua segunda Páscoa em Jerusalém, Nosso Salvador mesmo havia assegurado aos líderes judeus, que já queriam matá-Lo por dizer-Se Filho de Deus (cf. Jo 5,18): "Em Verdade, em Verdade, digo-vos: vem a hora, e já está aí, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus. E aqueles que a ouvirem, viverão." Jo 5,25

    Também afirmou a Santa Marta, pouco antes de ressuscitar seu irmão, São Lázaro: "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá." Jo 11,25b

    Pois enquanto ser humano Ele também morreu, embora tenha ressuscitado antes da corrupção da carne. No Livro de Salmos, falando por Ele, o rei Davi cantou essa profecia dirigindo-se a Deus Pai: "Por isso, Meu coração alegra-se e Minha alma exulta. Até Meu Corpo descansará seguro, porque Vós não abandonareis Minha alma na mansão dos mortos, nem permitireis que Vosso Santo conheça a corrupção." Sl 16,9-10

    Já o Príncipe dos Apóstolos falou da condição espiritual daqueles que não alcançaram a Primeira Ressurreição (cf. Ap 20,5): "Pois Cristo também morreu uma vez pelos nossos pecados, o Justo pelos injustos, para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em Sua Carne, mas foi vivificado quanto ao Espírito. É neste mesmo Espírito que Ele foi pregar aos espíritos que estavam detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes, quando com paciência Deus aguardava enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, apenas oito se salvaram através da água." 1 Pd 3,18-20

    Com efeito, as almas daqueles que nem sobem de imediato aos Céus, pois não alcançaram a santidade, nem são condenados ao atual inferno, pois não pecaram em gravidade para tanto, isto é, a grande maioria das almas, passam por uma purificação antes de aproximarem-se de Deus. Tal 'lugar', ou melhor, 'estado de purificação' é chamado de Purgatório. O Livro de Apocalipse de São João diz, anunciando um 'período' de perfeita redenção: "Os outros mortos não tornaram à Vida, até que se completassem os mil anos." Ap 20,5a

    Abaixo chamado de prisão, o atual inferno também foi previsto no Livro do Profeta Isaías, pois a Palavra de Jesus, como visto, já é o veredicto do Juízo: "Nesse Dia, Javé julgará no Céu o Exército do Céu, e na Terra, os reis da Terra. Todos serão reunidos como presos destinados à cova, ficarão fechados na prisão, e só depois de muito tempo é que serão sentenciados." Is 24,21-22

    O definitivo inferno, portanto, é o que o Amado Discípulo chama de segunda morte: "Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos mentirosos terão como quinhão o ardente tanque de fogo e enxofre, a segunda morte." Ap 21,8