sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Jesus: Repouso de Nossas Almas

    Descrente que o mundo está da vida espiritual, até religiosos se esquecem que Jesus não nos prometeu conforto material nessa vida, mas consolação espiritual. Ele propôs à multidão, no Evangelho Segundo São Mateus: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29

    Foi isso que Ele determinou a São Pedro depois de ressuscitar, confiando-lhe de cordeiros a ovelhas, isto é, de fiéis a Sacerdotes, todo Seu rebanho, que é a Santa Igreja Católica (cf. At 1,8), em distintas designações no Evangelho Segundo São João: "Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas." Jo 21,15b.17b

    Ora, os seguidores da tradição de São Paulo usam, na Carta aos Hebreus, um bem expressivo título de Deus: "Aliás, na Terra temos nossos pais que nos corrigem e, no entanto, os olhamos com respeito. Com quanto mais razão havemos de nos submeter ao Pai de nossas almas, o Qual nos dará a Vida?" Hb 12,9

    Por tão grande responsabilidade, os Sacerdotes da Igreja Apostólica, além de nossa confiança, merecem nosso mais profundo respeito e gratidão, conforme os seguidores de São Paulo: "Sede submissos e obedecei àqueles que vos guiam, pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta." Hb 13,17

    E ao falar sobre Salvação, a Carta de São Tiago exclusivamente se refere às almas: "Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia, e recebei com mansidão a Palavra em vós semeada, que pode salvar vossas almas." Tg 1,21

    Afinal, Jesus é Nosso Pastor, mas principalmente Pastor das necessidades de nossas almas. É o que a Primeira Carta de São Pedro diz àqueles que eram criados, recomendando-lhes obediência a seus senhores, bons ou maus: "Porque éreis como desgarradas ovelhas, mas agora retornastes ao Pastor e Guarda de vossas almas." 1 Pd 2,25

    Pois o Divino Espírito, que por Adoção nos faz filhos de Deus (cf. Rm 8,15), nos retira a Comunhão quando escolhemos o pecado, como o Livro de Sabedoria ensina: "... o Espírito Santo Educador das almas fugirá da infidelidade, afastar-Se-á dos insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir repeli-Lo-á." Sb 1,5

    Esse repouso da alma foi previsto no Livro do Profeta Sofonias como dádiva à Igreja de Deus Vivo (cf. 1 Tm 3,15), ou seja, àqueles que praticam tudo que Nosso Salvador ordenou (cf. Mt 28,20): "Aqueles que restarem de Israel, abster-se-ão do Mal e não proferirão a mentira. Em sua boca não mais se achará enganosa língua, porque serão apascentados e repousarão sem haver quem os inquiete." Sf 3,13

    No mesmo sentido, um sagrado autor no Livro de Salmos já dizia que Deus cuida dos espirituais anseios de quem Lhe é submisso: "O Senhor ama aqueles que detestam o mal, vela pelas almas de Seus servos, e livra-os das mãos dos ímpios." Sl 96,10

    Por isso, nosso Primeiro Papa (cf. Jo 21,15s) recomenda que confiantemente entreguemos nossas almas nas mãos de Deus: "Assim aqueles que sofrem segundo a vontade de Deus, também encomendem suas almas ao Fiel Criador, praticando o bem." 1 Pd 4,19

    Esse, de fato, é o Caminho da Salvação, pelo qual o Apóstolo dos Gentios, junto a Todos os Santos, foram ainda mais além: tal qual Jesus, entregou-se por completo em sacrifício pelas almas de seus semelhantes. Está na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: "De muito boa vontade darei o que é meu, e dar-me-ei a mim mesmo por vossas almas, ainda que, mais vos amando, menos seja amado por vós." 2 Cor 12,15

    Portanto, os Santos, colunas da Igreja Católica Apostólica Romana (cf. Ap 1,6), já estão nos Céus, embora ainda não em corpo, e evidentemente reinando e julgando, como o Livro de Apocalipse de São João apontou: "Também vi tronos, sobre os quais se assentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus..." Ap 20,4