quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

A Vaidade

    A palavra vaidade vem do latim 'vanitatis', que diz daquilo que é 'vanus', ou seja vão. É, portanto, o culto a coisas vãs, das quais as principais são a soberba e o exibicionismo. E a soberba foi o pecado original, quando Eva e Adão acharam que, comendo o fruto da árvore da ciência, poderiam saber por si mesmos o que é certo e errado, desprezando os Mandamentos de Deus. O Livro de Gênesis narra: "'Oh, não!', respondeu a Serpente, 'Vós não morrereis! Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão. E sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.'" Gn 3,4-5

    Por isso, foi tão preciso o conselho, no Livro de Tobias, que ele recebe seu pai Tobit: "Nunca permitas que o orgulho domine teu espírito ou tuas palavras, porque ele é a origem de todo mal." Tb 4,14

    Ela, contudo, tem várias outras formas de expressão, como Deus falou no Livro do Profeta Jeremias: "Eis o que diz o Senhor: 'Não se envaideça o sábio do saber, nem o forte de sua força, e não se orgulhe o rico da riqueza!'" Jr 9,22

    O Livro de Eclesiástico, com absoluta clareza, via as trevas como destino do impenitente: "Para o mal do orgulhoso não existe remédio, pois uma planta de pecado está enraizada nele, e ele não compreende." Eclo 3,30

    Ciente do perigo desse pecado, um canto do rei Davi pede a Deus no Livro de Salmos: "Também preservai Vosso servo do orgulho. Não domine ele sobre mim, então serei íntegro e limpo de grave falta." Sl 18,14

    Ora, Jesus pregou a negação de si mesmo, convidando ao caminho da Cruz desde que foi identificado como Cristo por São Pedro. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Se alguém quiser vir Comigo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-Me." Mt 16,24b

    Ele deixou esse ensinamento à Santa Igreja Católica, no Evangelho Segundo São Lucas: "Assim vós, depois de terdes feito tudo que vos foi ordenado, também dizei: 'Somos inúteis servos. Apenas fizemos o que devíamos fazer.'" Lc 17,10

    Firmou: "Pois todo aquele que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado." Lc 18,14b

    E referindo-Se à soberba disfarçada em forma de caridade, havia aconselhado a todos: "Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto a Vosso Pai que está no Céu." Mt 6,1

    A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, em censura, fala do poder que o anúncio da Palavra de Deus confere à Santa Igreja contra a arrogância: "Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo." 2 Cor 10,5

    Conhecedor das verdadeiras bênçãos, e confirmando a fé como um dom de Deus, a Carta de São Paulo aos Romanos pedia: "Em virtude da Graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior que convém, mas um razoavelmente modesto conceito, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu." Rm 12,3

    A Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo também se pronunciou sobre o exibicionismo feminino como vaidade, lembrando da autêntica religiosidade ao falar à comunidade cristã: "Do mesmo modo, quero que as mulheres usem honesto traje, ataviando-se com modéstia e sobriedade. Seus enfeites consistam não em primorosos penteados, ouro, pérolas, vestidos de luxo, e sim em boas obras, como convém a mulheres que professam a piedade." 1 Tm 2,9-10

    E reafirmou que a vaidade foi o pecado de Satanás (cf. Ez 28,17): "... para não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a cair na mesma condenação que o Demônio." 1 Tm 3,6

    Já a Carta de São Paulo aos Colossenses vê no apego a bens materiais a causa dessas ilusões: "Desencaminham-se estas pessoas em suas próprias visões, cheias do vão orgulho de seu materialista espírito..." Cl 2,18