sábado, 21 de fevereiro de 2026

Jesus e o Pai Nosso

    A oração ensinada por Jesus, e rezada em todo mundo, é um flagrante da intimidade do Divino Mestre com o Pai Celeste, sempre em nosso favor. O Evangelho Segundo São Mateus narrou o que seria o melhor 'retrato' de Jesus, a mais importante oração da Santa Igreja Católica. Nosso Senhor disse: "Eis como deveis rezar:..." Mt 6,9

    Ao recitar "Pai Nosso, que estais nos Céus...", desde o início usando o plural 'nosso', Jesus instituiu uma prece que, apesar de perfeita para a piedade pessoal, pois sempre devemos interceder pelos demais (cf. Mt 5,44), preferencialmente deve ser rezada em coletivo, para nos levar à imprescindível Comunhão. Assim já afirmamos nosso semelhante como irmão, Deus como Pai e os Céus como morada, d'Ele e nossa, por sermos Seus filhos e pela certeza de que Ele jamais nos abandona (cf. 1 Sm 12,22).

    Em seguida, Ele faz recordar: "... santificado seja Vosso Nome..." Está ensinando que, mesmo quando rezamos, devemos santificar o Nome de Deus, pois o Segundo Mandamentos diz que não podemos usá-Lo em vão (cf. Êx 20,7). O Nome de Deus, porém, por Si já é santo. Portanto, urge que nós o santifiquemos no dia-a-dia por nosso comportamento, uma vez que ousamos invocá-Lo como Pai.

    "... venha a nós Vosso Reino...": aqui assentimos que Deus reina, que queremos fazer parte de Seu Reino, e que ele venha o quanto antes para todos nós, sem discriminação nem egoísmo, ostensiva e definitivamente determinando o fim desse frágil e conflitante estado em que se encontra a humanidade.

    "... seja feita Vossa vontade, assim na Terra como no Céu." Como verdadeiros filhos de Deus, voluntariamente aceitamos submeter-nos a Seus desígnios, e não Lhe impor os nossos, que no mínimo são imperfeitos. Para tanto, o principal exemplo é o próprio Jesus, que viveu a total submissão aos planos de Deus, mesmo que isto tenha significado a Cruz, e sob idênticas condições pedimos que Sua vontade imediatamente se cumpra aqui na Terra, como já acontece no Céu (cf. Ap 4,8-11).

    Após os celestes assuntos, Nosso Senhor passa a enfocar os terrenos. "O Pão Nosso de cada dia dai-nos hoje...": de Sua exemplar humildade, Ele insta-nos a pedir aquilo de que essencialmente precisamos, aqui simbolizado pelo alimento de cada dia, sem nenhuma gula nem ambição. Vale dizer: nada de ávido enriquecimento, ou seja, desmedida fartura, nem de falsa prudência, ou seja, abastado estoque, mas autêntica na Divina Providência. E como "Nem só de pão vive o homem (Dt 8,3)", nesse pedido também se expressa nossa diária carência do verdadeiro Pão da Vida, que é a Hóstia Consagrada, a Comunhão Eucarística, o Corpo e o Sangue de Cristo.

    No primeiro dos três últimos pedidos, Jesus segue pedindo não por Si mesmo, senão por nós, pois bem conhece nossas fraquezas. Ele ditou: "Perdoai nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..." Claramente exorta-nos a assumir que erramos e a pedir perdão. Aí deve ser lembrado o Sacramento da Confissão, também por Ele instituído (cf. Jo 20,23), que é uma obrigação, em casos de pecados mortais (cf. 1 Cor 11,27), para que se possa receber o Santíssimo Sacramento. Observe-se, ademais, que só podemos pedir um perdão proporcional ao que oferecemos a nossos irmãos! E se nada perdoamos, sequer podemos recitar esta oração: estaríamos mentindo ao rezar a Deus!

    No penúltimo pedido, Ele ensina-nos a solicitar ajuda contra as fraquezas da carne e da alma, pois devemos reconhecer-nos frequentemente expostos, por causa da concupiscência, ao assédio do Mal: "... e não nos deixeis cair em tentação..."

    Contudo, caso venhamos a cair em tentação, em último pedido Ele recomenda clamar para que o Pai nos livre da completa dominação do inimigo: "... mas, livrai-nos do Mal."

    Como Jesus viveu e ensinou, portanto, ousemos chamar Deus de Pai e aceitar que 'Assim seja!', quer dizer, o "Amém!"

Os Obstáculos à Oração

    A Santa Igreja Católica reconhece 4 obstáculos ao bem rezar. Jesus dizia da distração, seja por hesitação ou vacilação, no Evangelho Segundo São Lucas: "Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus." Lc 9,62b

    Conforme o Evangelho Segundo São Mateus, apontou dúbios interesses: "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro." Mt 6,24a

    E revelou como causas as mundanas ilusões: "O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que bem ouviu a Palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas sufocam-na e tornam-na infrutuosa." Mt 13,22

    Eis que a Primeira Carta de São Pedro pedia prontidão, 'arregaçar as mangas': "Cingi, portanto, os rins de vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na Graça que vos será dada no Dia em que Jesus Cristo aparecer." 1 Pd 1,13

    Já a Carta de São Paulo aos Romanos exorta contra a aridez, pedindo participação nas Santas Missas: "Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." Rm 12,11

    E a Carta de São Paulo aos Gálatas questiona: "Onde está agora aquele vosso entusiasmo? Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos." Gl 4,15a;6,9

    Jesus, pois, estimulou os 72 discípulos e garantiu-lhes, quando eles expulsaram maus espíritos pela primeira vez: "... alegrai-vos porque vossos nomes estão escritos nos Céus." Lc 10,20

    Ora, o Príncipe dos Apóstolos pedia, citando o rei Davi no Livro de Salmos: "Como recém-nascidas crianças, com ardor desejai o leite espiritual que vos fará crescer para a Salvação, se é que tendes saboreado quão suave o Senhor é (Sl 33,9)." 1 Pd 2,2-3

    Contra a preguiça, Nosso Salvador alertou os mais íntimos  Apóstolos na noite de início de Sua Paixão, na leitura do Evangelho Segundo São Marcos: "Vigiai e rezai, para não cairdes em tentação!" Mc 14,38

    Pois devemos resistir à negligência e ao pouco-caso: "Propôs-lhes Jesus uma parábola, para mostrar que sempre é necessário rezar sem jamais deixar de fazê-lo." Lc 18,1

    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo falava de verdadeira dedicação: "Antes é preciso que o lavrador trabalhe com afinco, se quer boa colheita." 2 Tm 2,6

    A Carta de São Paulo aos Efésios, então, exortava à plena caridade espiritual: "Intensificai vossas invocações e súplicas. Rezai em toda circunstância, pelo Espírito, no Qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos cristãos." Ef 6,18

    Quanto à pouca fé, Jesus  já reclamava das multidões desde o Sermão da Montanha: "E por que vos inquietais com as vestes? Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?" Mt 6,28a.30

    Ele ensinou logo depois do Domingo de Ramos: "Por isso, digo-vos: tudo que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e sê-vos-á dado." Mc 11,24

    E dizia sobre realizações espirituais: "Na Verdade, digo-vos: se tiverdes  do tamanho de um grão de mostarda..." Mt 17,20

    Os seguidores da tradição de São Paulo ensinam na Carta aos Hebreus: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a Ele primeiro é necessário que se creia que Ele existe, e que recompensa aqueles que O procuram." Hb 11,6

    O próprio Apóstolo dos Gentios, por fim, lembrou os imprescindíveis auxílios do Divino Paráclito: "Da mesma forma, o Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza. Porque não sabemos o que devemos pedir, nem rezar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com inefáveis gemidos." Rm 8,26