sábado, 20 de junho de 2026

Jesus rezava

    O Evangelho Segundo São Lucas relata que Nosso Salvador, como Nosso Divino Modelo (cf. 1 Cor 11,1), desde o início de Sua vida pública Se apresentava rezando: "Quando todo povo ia sendo batizado, Jesus também foi. E estando Ele a rezar, o Céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em corpórea forma, como uma Pomba. E do Céu veio uma voz: 'Tu és Meu Filho. Hoje Eu Te gerei (Sl 2,7).'" Lc 3,21-22

    De fato, após se mudar de Nazaré para Cafarnaum, à casa de São Pedro, na primeira madrugada Ele acordou para rezar. Está no Evangelho Segundo São Marcos: "De manhã, tendo-Se levantado muito antes do amanhecer, Ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali Se pôs em oração." Mc 1,35

    Nosso Senhor atraia grandes multidões desde os primeiros milagres e curas, mas mesmo sob tamanho assédio não abandonava a oração, Sua principal fonte de Comunhão com o Pai: "Entretanto, espalhava-se mais e mais Sua fama, e concorriam grandes multidões para O ouvir ser curadas de suas enfermidades. Mas Ele costumava retirar-Se a solitários lugares para rezar." Lc 5,15-16

    Assim também foi quando escolheu os Apóstolos. Precisava dos auxílios do Pai e do Espírito Santo para escolher aqueles que seriam os fundamentos (cf. Ef 2,20) da Santa Igreja Católica: "Naqueles dias, Jesus retirou-Se a uma montanha para rezar, e aí passou toda a noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou Seus discípulos e dentre eles escolheu Doze, que chamou de Apóstolos..." Lc 6,12-13

    E ainda no dia de Sua Transfiguração, quando convocou os mais íntimos Apóstolos e entrou em estado de oração: "... Jesus Consigo tomou Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para rezar. Enquanto rezava, Seu rosto transformou-se e Suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura." Lc 9,28-29

    Ou quando lhes ensinou o Pai Nosso, o melhor registro de Suas interlocuções com o Pai: "Um dia, num certo lugar, estava Jesus a rezar. Terminando a oração, disse-Lhe um de Seus discípulos: 'Senhor, ensina-nos a rezar, como João também ensinou a seus discípulos.'" Lc 11,1

    Depois da primeira multiplicação dos pães e dos peixes, quando a multidão quis fazê-Lo rei, humildemente Nosso Senhor retirou-Se mais uma vez para rezar. É do Evangelho Segundo São Mateus: "Logo depois, Jesus obrigou Seus discípulos a entrar na barca e a passar antes d'Ele para a outra margem, enquanto despedia a multidão. Feito isso, subiu à montanha para rear na solidão. E chegando a noite, lá estava sozinho." Mt 14,22-23

    Ensinava, ademais, que era necessário constantemente rezar, sem cessar: "Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre, sem jamais deixar de fazê-lo." Lc 18,1

    Enfim, para que a Igreja Apostólica permanecesse em perfeita União, Ele também rezou ao Pai. É a Oração da Unidade, que preenche todo décimo sétimo capítulo do Evangelho Segundo São João. E aqui citamos quando Ele Se refere aos Apóstolos e a nós, que os seguiríamos: "Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que, por sua palavra, hão de crer em Mim. Para que todos sejam Um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti. Para que eles também estejam em Nós, e o mundo creia que Tu Me enviaste." Jo 17,20-21

    Para aqueles que criticam as orações repetidas, o próprio Jesus rezou por três vezes, enquanto esteve no Horto das Oliveiras antes de ser preso, a mesma oração: "Deixou-os e foi rezar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras." Mt 26,44

    E quando repetia as mesmas palavras, ainda no Monte das Oliveiras, Jesus fazia-o com tanta intensidade que chegou a suar sangue, pois por Seu Anjo da Guarda o Pai confirmava, em resposta a Suas orações, que Sua hora de morrer na Santa Cruz havia chegado: "Apareceu-Lhe então um anjo do Céu para O confortar. Ele entrou em agonia e ainda com mais instância rezava, e Seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra." Lc 22,44

    Na Cruz, enfim, Suas últimas palavras também são orações. E assim Ele deu a prova maior de Seu amor pela errante humanidade: "Pai, perdoa-lhes. Eles não sabem o que fazem." Lc 23,34