sexta-feira, 5 de junho de 2026

As Escrituras

    Por absoluto cuidado com a autêntica transmissão da Revelação, sedimentada no correto entendimento do Antigo Testamento, o próprio Jesus questionou um mestre da Lei, no Evangelho Segundo São Lucas: "Que está escrito na Lei? Como lês?" Lc 10,26

    No Evangelho Segundo São Marcos, Ele diz que os poderosos saduceus, como tantos outros teimosos a despeito de condição social, erravam precisamente pelo desconhecimento das revelações e dos divinos poderes: "Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus." Mc 12,24

    De fato, sendo Ele próprio a mais importante etapa da Revelação, Nosso Salvador não menospreza as etapas da Verdade que a Seu tempo já haviam sido revelada. Ele tratou de o dizer nos primeiros tempos de Sua Missão, no Sermão da Montanha, apontado no Evangelho Segundo São Mateus: "Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim para os abolir, mas sim para os levar à perfeição." Mt 5,17

    No Evangelho Segundo São João, afirmou com todas letras em Jerusalém, perante os próprios líderes judeus: "... ora, a Escritura não pode ser anulada..." Jo 5,35b

    Mesmo porque os Sagrados Livros que O precederam fazem menção especificamente a Ele, que lhes disse: "Vós examinais as Escrituras, julgando encontrar nelas a Vida Eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim." Jo 5,39

    E questionou-os invocando o grande legislador de Israel: "Pois se crêsseis em Moisés, certamente creríeis em Mim, porque Ele escreveu a Meu respeito. Mas se não acreditais em seus escritos, como acreditareis em Minhas Palavras?" Jo 5,46-47

    Por essa perfeita coerência com o Antigo Testamento, Ele garantiu aos judeus, que acreditaram n'Ele, que Sua Palavra é a própria Verdade (cf. Jo 14,6): "Se permanecerdes em Minha Palavra, sereis Meus verdadeiros discípulos. Conhecereis a Verdade, e a Verdade libertá-vos-á." Jo 8,31-32

    Ainda afirmou que, assim como Ele mesmo, Seus ensinamentos dão imutáveis, eternos: "O céu e a Terra passarão, mas Minhas Palavras não passarão." Mt 24,35

    Àqueles que julgam conhecer Deus, Ele fez uma proposta: "Se alguém quiser cumprir a vontade de Deus, distinguirá se Minha Doutrina é de Deus ou se falo de Mim mesmo." Jo 7,17

    E vai desiludir a muitos, como disse aos fariseus: "Não conheceis nem a Mim nem a Meu Pai. Se Me conhecêsseis, certamente também conheceríeis a Meu Pai." Jo 8,19b

    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo, enfim, deixa uma perfeita definição da pureza das Escrituras e de seu poder: "E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras, e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a Sabedoria que conduz à Salvação, pela em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na Justiça. Por ela, o homem de Deus torna-se perfeito, capacitado para toda boa obra." 2 Tm 3,15-17

    E a Segunda Carta de São Pedro, referindo-se ao Apóstolo dos Gentios, destaca Sabedoria contida nos Sagrados Livros, nem sempre compreendida: "... vosso caríssimo irmão Paulo vos escreveu, segundo o dom de Sabedoria que lhe foi dado. É o que ele faz em todas suas cartas, nas quais fala nestes assuntos. Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os ignorantes ou pouco fortalecidos espíritos deturpam para sua própria ruína, como também o fazem com as demais Escrituras." 2 Pd 3,15b-16

    Ora, a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses muito se alegrou com o acolhimento dado à Palavra da Salvação por essa comunidade eclesial, mesmo que o Evangelho ainda não tivesse sido escrito. É a Sagrada Tradição, também chamada de Tradição Oral, em pleno vigor desde sempre: "Por isso, é que nós também não cessamos de dar graças a Deus, porque recebestes a Palavra de Deus, que de nós ouvistes, e a acolhestes, não como palavra de homens, mas como aquilo que realmente é, como Palavra de Deus, que eficazmente age em vós, os fiéis." 1 Ts 2,13