segunda-feira, 20 de abril de 2026

Pensar, Falar e Fazer

    Jesus muito reclamava da hipocrisia dos religiosos de então e, no Evangelho Segundo São Mateus, vai referir-Se ao inferno como o "... destino dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes." Mt 24,51b

    Porque triste daquele que:
    - fala mas não faz, e sequer pode pensar no que falou;
    - faz mas não pensa, e sequer pode falar o que fez; ou,
    - pensa mas não fala, e sequer pode fazer o que pensou.

    Nossos pensamentos, palavras e ações, portanto, devem estar em coerência entre si, guardar a unidade interior, assim como há Comunhão entre os desígnios do Pai, a Palavra de Jesus e a moção do Espírito Santo. Sobre o pensar, no Livro de Salmos, assim canta o primeiro: "Feliz o homem que não vai ao conselho dos injustos... seu prazer está na Lei do Senhor, e nela medita de dia e de noite." Sl 1,2a.2b

    A Carta de São Paulo aos Filipenses ensina: "Além disso, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo que é nobre, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama, tudo que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos." Fl 4,8

    O Livro de Sabedoria, pois, prevê o afastamento do Divino Paráclito: "A Sabedoria não entrará na perversa alma, nem habitará no corpo sujeito ao pecado. O Espírito Santo Educador das almas fugirá da perfídia, afastar-Se-á de insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir, repeli-Lo-á." Sb 1,4-5

    Para ilustrar a importância do bem pensar, Nosso Senhor, no Evangelho Segundo São Lucas, questionou como executamos nossos projetos: "Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que a acabar?" Lc 14,28

    Sobre o falar, a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo recomendou-lhe: "Empenha-te em em apresentar diante de Deus como homem digno de aprovação, operário que não tem de que se envergonhar, íntegro distribuidor da Palavra da Verdade. Procura esquivar-te das frívolas conversas dos mundanos, que só contribuem para a impiedade. As palavras dessa gente destroem como a gangrena." 2 Tm 2,15-17a

    E lembrando o Corpo Místico de Cristo, a Carta de São Paulo aos Efésios recomendou a todos: "Por isso, renunciai à mentira. Cada um fale a Verdade a seu próximo, pois somos membros uns dos outros. Nenhuma má palavra saia de vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja àqueles que ouvem." Ef 4,25.29

    Nosso Salvador ensinou-nos a obrigação de dar testemunho do bem, de bem falar do que é correto e das boas obras das pessoas. A palavra 'bênção' vem de 'bendição', de 'bendizer', e deve ser usada a despeito da situação: "... bendizei aqueles que vos maldizem e rezai por aqueles que vos injuriam." Lc 6,28

    E acusou a fonte das más palavras, ao acusar os fariseus: "Raça de víboras, maus como sois, como podeis dizer boas coisas? Porque a boca fala daquilo que lhe transborda do coração." Mt 12,34

    Quanto ao fazer, Ele recomendou discrição até mesmo na prática da caridade: "Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles." Mt 6,1

    Conhecedor de nossas dificuldades de entendimento, Ele deixou-nos a chamada Lei de Ouro: "O que quereis que os homens vos façam, também o fazei a eles." Lc 6,31

    Em Seu agir, o próprio Jesus demonstrava total compromisso com os planos do Pai, como está no Evangelho Segundo São João: "Meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou e cumprir Sua obra." Jo 4,34

    E o Apóstolo dos Gentios exortou: "Fazei todas coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, íntegros filhos de Deus em meio a uma depravada e maliciosa sociedade, onde brilhais como luzeiros no mundo, a ostentar a Palavra da Vida." Fl 2,14-16a