terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

As Tentações

    Antes que meros impulsos humanos, logo naturais, a Carta de São Tiago ensina que somos tentados por nossas propensões para o pecado, notoriamente más inclinações: "Ninguém, quando for tentado, diga: 'É Deus Quem me tenta.' Deus é inacessível ao mal e não tenta a ninguém. Cada um é tentado por sua própria concupiscência, que o atrai e alicia." Tg 1,13-14

    Mas se as tentações não vêm de Deus, devemos saber que Ele as permite, como se lê na história de Tobit, contada no Livro de Tobias, seu filho, pois assim é Sua obra para a Salvação das almas: "Deus permitiu que lhe acontecesse essa prova, para que sua paciência, como a do santo homem Jó, servisse de exemplo à posteridade." Tb 2,12

    Porque além de nossas más inclinações e dos envolvimentos propostos pelo mundo já escravizado (cf. 1 Jo 5,19), existe a própria obra do inimigo, conhecedor dessas fraquezas, que comanda essa escravidão e também quer arrastar-nos à perdição. A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses admite: "... pois receava que o tentador vos tivesse seduzido, e em nada resultasse nosso trabalho." 1 Ts 3,5

    São três estágios da tentação: 1º - Sugestão - o tentador, conhecedor de nossos pecados, usa de ideias, coisas ou pessoas que manipula, para sugerir o pecado. Já lemos de São Tiago Menor: "Cada um é tentado por sua própria concupiscência, que o atrai e alicia." Tg 1,14

    2º - Prazer - em resposta, porque desprovido da Graça ou por reincidente fraqueza, o tentado deleita-se tão somente em imaginar o pecado sugerido. Segundo Jesus, aí o pecado já aconteceu: "... todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou em seu coração." Mt 5,28
    Em mesmo sentido, São Tiago afirma: "A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado..." Tg 1,15a

    3º - Assentimento - o pecador, por fim, consente em pecar, e a tentação torna-se um pecado consumado. Segundo São Tiago, nesse momento voluntariamente abraçamos o caminho da perdição: "... e o pecado, uma vez consumado, gera a morte." Tg 1,15b.

    Na Primeira Carta de São João, aprendemos que a propensão ao pecado age em nós através da exacerbação, seja das necessidades fisiológicas, da cobiça ou da vaidade: "Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas do mundo." 1 Jo 2,16

    Como está no Evangelho Segundo São Mateus, dada a seriedade deste assunto e a gravidade do problema, no Pai Nosso, que, mais que diária, deve ser uma frequente oração, Jesus ensinou-nos a pedir: "... e não nos deixeis cair em tentação..." Mt 6,13

    Contudo, caso caiamos, na mesma oração Ele ensinou a pedir a Pai que nos livrasse do completo domínio do Maligno: "... mas (caso isso aconteça) livrai-nos do Mal." Idem

    E já no Horto das Oliveiras, enquanto agonizava o início de Sua Paixão, recomendou como todo católico deve resistir: "Vigiai e rezai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." Mt 26,41

    Porém, para que ninguém se engane atribuindo demasiado poder às tentações, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios avisa: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além de vossas forças, mas, diante da tentação, Ele dá-vos-á os meios de suportá-la e sairdes dela." 1 Cor 10,13

    A Carta de São Paulo aos Gálatas, pois, pede solicitude para com aqueles que estão em pecados. Dando, no entanto, uma sutil advertência em função da perigosa natureza do pecado: "Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. Mas tem cuidado de ti mesmo, para que também não caias em tentação!" Gl 6,1-2

    Por fim, São Tiago Menor elogia e garante: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da Vida que Deus prometeu àqueles que O amam." Tg 1,12