quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O Dom da Fé

    A Carta de São Paulo aos Romanos, ao convidá-los à humildade, claramente diz que a fé é um dom e por Deus é distribuído em diferentes graus: "Em virtude da Graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não tenham de si mesmos mais elevado conceito do que convém, mas uma justa estima, ditada pela Sabedoria, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu." Rm 12,3

    E a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios revela que ela é dada pela Pessoa do Santo Paráclito: "A um é dada pelo Espírito uma palavra de Sabedoria. A outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito. A outro, a fé, pelo mesmo Espírito... Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, a cada um repartindo como Lhe apraz." 1 Cor 12,8-9a.11

    A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses claramente já falava em progressão na fé: "Sentimo-nos na obrigação de incessantemente dar graças a Deus a respeito de vós, irmãos. Aliás, com muita razão, visto que vossa fé vai progredindo sempre mais e se desenvolve a caridade que tendes uns para com os outros." 2 Ts 1,3

    E é-nos concedida por nossa boa vontade em conhecer a Deus pelo Magistério da Igreja Católica: "Logo, a fé provém da pregação, e a pregação exerce-se em razão da Palavra de Cristo." Rm 10,17

    Por isso, o Apóstolo dos Gentios pedia paciência para com os iniciantes, deixando Deus agir: "Acolhei aquele que é fraco na fé, com bondade, sem discutir suas opiniões." Rm 14,1

    Quanto àqueles que sinceramente O indagavam, a resposta de Nosso Senhor era direta. Está no Evangelho Segundo São João: "Perguntaram-Lhe: 'Que faremos para praticar as obras de Deus?' Respondeu-lhes Jesus: 'A obra de Deus é esta: que creiais n'Aquele que Ele enviou." Jo 6,28-29

    Ao mencionar os sinais realizados por Nosso Senhor, São João diz o motivo que o levou a os relatar em seu Evangelho: "Mas estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a Vida em Seu Nome." Jo 20,31

    Pois enquanto rezava ao Pai pelos Apóstolos após a Santa Ceia, em nome da missão que eles estavam assumindo, Nosso Salvador também pediu por nós, que receberíamos o testemunho que eles dariam: "Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em Mim." Jo 17,20

    De São Tomé, entretanto, que tantos milagres havia presenciado, Ele exigiu após ressuscitar: "Põe aqui teu dedo e olha Minhas mãos. Estende tua mão e coloca-a no Meu lado. E não sejas incrédulo, mas crê!" Jo 20,27

    E finalizou dizendo-lhe e exaltando a pura fé, a fé do simples conceber no coração, para muito além de provas materiais: "Creste porque Me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!" Jo 20,29

    Não por acaso, no Evangelho Segundo São Mateus, Nosso Senhor exalta a fé por Deus concedida aos mais humildes: "Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: 'Eu bendigo-Te, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos.'" Mt 11,25

    E no comportamento dos principais dos judeus de então, tão ciosos de vanglória e bens materiais, denunciou a razão da incredulidade, numa de Suas passagens por Jerusalém: "Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a Glória que é só de Deus?" Jo 5,44

    Portanto, enquanto dom, a fé é mais um Mistério. Mas para aqueles que a buscam e a alimentam, também é uma grande conquista, a vitória do povo de Deus. É ela que nos dá o dom da ciência, o saber além da realidade material a nossa volta. Na Carta aos Hebreus, os seguidores da tradição de São Paulo magistralmente inscreveram: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória de nossos antepassados. Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela Palavra de Deus, e que as coisas visíveis se originaram do invisível." Hb 11,1-3

    A Carta de São Paulo aos Gálatas, contudo, lembra que a verdadeira fé age pelos inconfundíveis atos de amor: "... a fé que opera pela caridade." Gl 5,6