quinta-feira, 16 de julho de 2026

O Verdadeiro Culto a Cristo

    Em seus últimos anos, a Primeira Carta de São Pedro disse com todas letras que estamos apenas de passagem por esse mundo, e em grande confronto: "Caríssimos, rogo-vos, como estrangeiros e peregrinos, que vos abstenhais dos desejos da carne, que combatem contra a alma." 1 Pd 2,11

    O Livro de Sabedoria já apontava: "... o corpo corruptível torna pesada a alma, e a morada terrestre oprime o espírito carregado de cuidados." Sb 9,15

    E a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses expressamente recomenda: "... que cada um de vós saiba santa e honestamente possuir seu corpo... " 1 Ts 4,4

    A Carta de São Paulo aos Colossenses declarava que Cristo, e especificamente Sua Crucificação, são nosso único Caminho para Deus: "Pois aqueles que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências." Gl 5,24

    Nesse sentido, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios pregava: "Trazemos sempre em nosso corpo os traços da Morte de Jesus, para que a Vida de Jesus também se manifeste em nosso corpo. Estando embora vivos, somos a toda hora entregues à morte por causa de Jesus, para que a Vida de Jesus também apareça em nossa carne mortal." 2 Cor 4,10-11

    Em extremo caso, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios chegou a pedir a excomunhão de um pecador que não se arrependia, um sacrifício da carne para a Salvação da alma: "... seja esse homem entregue a Satanás, para mortificação de seu corpo, a fim de que sua alma seja salva no Dia do Senhor Jesus." 1 Cor 5,5

    Pois o verdadeiro culto, ou seja, a Santa Missa (cf. Lc 22,19), é celebrado em nossas almas sob o auxílio do Espírito Santo, como está na Carta de São Paulo aos Filipenses quando fala do verdadeiro povo de Deus, que é a Santa Igreja Católica: "Porque os verdadeiros circuncisos somos nós, que prestamos culto a Deus pelo Espírito de Deus, e pomos nossa Glória em Jesus Cristo, e não confiamos na carne." Fl 3,3

    O cego de nascença curado por Jesus, ao argumentar com os judeus que se recusavam a acreditar neste milagre com que foi agraciado, disse sob inspiração do Divino Paráclito, no Evangelho Segundo São João: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz Sua vontade." Jo 9,31

    Aliás, o próprio Jesus sentenciou: "... os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai no espírito e na Verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja." Jo 4,23

    Por isso, Ele recomendava o Santíssimo Sacramento, exclusivamente oferecido na Santa Missa, como a coisa mais importante em nossas vida, como quando Se dirigiu àqueles que comeram do pães e peixes que multiplicou pela primeira vez: "Na Verdade, na Verdade, digo-vos: buscai-Me, não porque vistes os sinais, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois Deus, o Pai, imprimiu n'Ele Seu sinal." Jo 6,26b-27

    E ao contrário do hedonismo difundido no moderno mundo, a verdadeira piedade, que é a efetiva prática religiosa, leva-nos a sofrer com os que sofrem. E essa é a essência da Santa Missa: que em nossa carne revivamos e atualizemos o Sacrifício de Cristo. A Carta de São Paulo aos Romanos diz: "Eu exorto-vos, pois, irmãos, pelas Misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em viva, santa e agradável hóstia a Deus: é este vosso culto espiritual." Rm 12,1

    Assim, o Apóstolo dos Gentios clama pela acolhida e pela Glória do Espírito de Deus: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que em vós habita, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus em vosso corpo." 1 Cor 6,19-20

    Portanto, o Príncipe Apóstolos indica como Caminho não apenas o não satisfazer dos impuros desejos do corpo, mas voluntariamente abraçar as penitências: "Assim, pois, como Cristo padeceu na carne, também vos armai deste mesmo pensamento: quem padeceu na carne rompeu com o pecado, a fim de que, no tempo que lhe resta para o corpo, já não viva segundo as humanas paixões, mas segundo a vontade de Deus." 1 Pd 4,1-2