É o objeto da paixão que determina se ela é boa ou má, porque seus impulsos passam pela consciência moral. Do vocabulário cristão, seu maior exemplo é a própria Paixão de Cristo, como o Evangelho Segundo São João registrou: "Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara Sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim." Jo 13,1
Nosso Salvador aponta o coração como fonte das paixões, pois é onde se combinam a sensibilidade e a consciência, que geram a vontade. No Evangelho Segundo São Lucas, Ele disse: "O bom homem tira boas coisas do bom tesouro de seu coração, e o mau homem tira más coisas de seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio." Lc 6,45
O Livro de Sabedoria menciona esse 'freio moral' como sendo a virtude da temperança, elencando as três demais, que são as cardeias: "E se alguém ama a Justiça, seus trabalhos são virtudes. Ela (a Sabedoria) ensina a temperança e a prudência, a Justiça e a fortaleza. Não há, na vida, nada que seja mais útil aos homens." Sb 8,7
O Livro de Eclesiástico, pois, reza a Deus: "Afastai de mim a intemperança! Que a paixão da volúpia não se apodere de mim, e não me entregueis a uma alma sem pejo e sem pudor!" Eclo 23,6
A Carta de São Paulo aos Romanos assim explica a existência dessa consciência moral, falando dos pagãos: "Eles mostram que o objeto da Lei está gravado em seus corações, dando-lhes testemunho sua consciência, bem como seus raciocínios, com os quais mutuamente se acusam ou se escusam." Rm 2,15
Ora, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, falando como verdadeiro Sacerdote de Cristo, diz do Evangelho como leis inscritas no coração: "Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso Ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações." 2 Cor 3,3
Com contundência, a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo critica os hedonistas, que por tal comportamento nunca conseguem perceber propriamente as santas coisas, o sagrado: "... amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão de sua autoridade. Dessa gente, afasta-te! Deles fazem parte aqueles que jeitosamente se insinuam pelas casas e enfeitiçam mulherzinhas carregadas de pecados, atormentadas por toda espécie de paixões, sempre a aprender sem nunca chegar ao conhecimento da Verdade." 2 Tm 3,4b-7
E a Missão de Jesus é resumida como uma exortação à religiosidade, ou seja, vida contrária à dissolução, na Carta de São Paulo a São Tito: "Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às mundanas paixões, e a viver neste mundo com toda sobriedade, Justiça e piedade..." Tt 2,12
As paixões são muitas. Com seus correspondentes opostos, as principais são amor e ódio, desejo e medo, e alegria e tristeza. E no Evangelho Segundo São Mateus, o Divino Mestre tratou de revelar os verdadeiros tesouros, e onde nós os guardamos: "Não ajunteis para vós tesouros na Terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no Céu, onde nem as traças nem a ferrugem os consomem, e os ladrões não furtam nem roubam. Porque onde está teu tesouro, lá também está teu coração." Mt 6,19-21
Pois assim como fonte das boas paixões, que embora mais conhecidas não sejam as mais cultuadas, Ele fazia questão de ressaltar o coração como fonte das más paixões: "Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias." Mt 15,16
A Carta de São Judas, enfim, profetiza o surgimento de deturpadores da Sã Doutrina: "No fim dos tempos virão impostores, que viverão segundo suas ímpias paixões. Homens que semeiam a discórdia, homens sensuais que não têm o Espírito. Mas vós, caríssimos, mutuamente vos edificai sobre o fundamento de vossa santíssima fé." Jd 18-20a
