Seja causado pelos pecados capitais, pelo Mistério do Mal ou pela própria condição humana, vivemos num 'vale de lágrimas', como a oração Salve Rainha diz, e não precisa de muito esforço para perceber. O próprio Jesus, que é Consolador, reconhecia e vaticinava-nos desde o Sermão da Montanha, que está no Evangelho Segundo São Mateus: "Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá suas próprias preocupações. A cada dia basta seu mal." Mt 6,34
E a Carta de São Paulo aos Romanos foi clara, dizendo da condição dos próprios cristãos e da definitiva Adoção como filhos de Deus: "Pois sabemos que toda criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a Adoção, a redenção de nosso corpo." Rm 8,22-23
Já o fato de verdadeiros fiéis serem injusta e incompreensivelmente afetados, a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses denomina "... o Mistério da Iniquidade..." 2 Ts 2,7
Pois essa é nossa inafastável condição dos cristãos, como o Apóstolo dos Gentios diz aos católicos romanos: "E se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que com Ele soframos, para que com Ele também sejamos glorificados." Rm 8,17
Porque, sob qualquer aspecto, ele trata de nos reanimar para o Bem Maior: "... os sofrimentos da presente vida não têm comparação alguma com a futura Glória que nos deve ser manifestada." Rm 8,18
Aqui na Terra, de fato, Jesus prometia conforto tão somente a nossas almas: "Vinde a Mim todos vós que estais aflitos sob o fardo, e Eu aliviá-vos-ei. Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas. Porque Meu jugo é suave e Meu peso é leve." Mt 11,28-30
O Mistério do Mal, portanto, não pode cegar-nos, pois sempre podemos contar com os espirituais afagos que brotam da Divina Misericórdia. O próprio Deus garantiu no Livro do Profeta Isaías: "Eu, Eu mesmo sou Vosso Consolador!" Is 51,12
Não por acaso, o Espírito Santo é claramente outro Consolador, como Jesus, que disse no Evangelho Segundo São João: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Consolador, para que eternamente fique convosco." Jo 14,16
A Primeira Carta de São Pedro, por sua vez, faz lembrar o difícil caminhar com Jesus: "Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que possais alegrar-vos e exultar no Dia em que Sua Glória for manifestada." 1 Pd 4,13
Aponta os ataques do próprio inimigo, que também age pelo Mistério do Mal, e simplesmente recomenda resistência: "Sede sóbrios e vigilantes. Vosso adversário, o Demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós." 1 Pd 5,8-9
Lembrando da necessária penitência, ademais, a Segunda Carta de São Paulo exultou com os frutos da igreja de Corinto: "... agora me alegro, não porque fostes entristecidos, mas porque esta tristeza vos levou à penitência. Pois fostes entristecidos segundo Deus, de modo que nenhum dano sofrestes de nossa parte. De fato, a tristeza segundo Deus produz um salutar Arrependimento do qual ninguém se arrepende, enquanto a tristeza do mundo produz a morte." 2 Cor 7,9-10
A Primeira Carta de São João, enfim, diz de nossa missão: "Nisto temos conhecido o amor: Jesus deu Sua vida por nós. Nós também devemos dar nossa vida pelos nossos irmãos." 1 Jo 3,16
