quarta-feira, 22 de abril de 2026

As Preocupações do Mundo

    Na parábola do Semeador, narrada no Evangelho Segundo São Marcos, Jesus revela quem somos e o quanto realmente confiamos na Palavra de Deus. E as preocupações aí aparecem como um grande impedimento à : "Outros ainda recebem a semente entre os espinhos. Ouvem a Palavra , mas as mundanas preocupações, a ilusão das riquezas, as múltiplas cobiças sufocam-na e tornam-na infrutífera." Mc 4,18-19

    Assim, cumpridas nossas obrigações, temos que confiantemente nos entregar nas mãos de Deus, nos abandonar à Divina Providência, pois se não podemos viver como preguiçosos, que presunçosamente tudo esperam, também não podemos viver como neuróticos, ciosos do que não podemos controlar. Ele alertava das inerentes aflições de um cristão, que requerem a virtude da fortaleza, no Evangelho Segundo São Mateus: "Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá suas próprias preocupações. A cada dia basta seu mal." Mt 6,34

    No Evangelho Segundo São Lucas, Ele pedia que cuidássemos da alma e da fé, sem nos entregarmos nem a falsos prazeres nem a mundanos cuidados. Ou seja, de estar prontos, seja para o Juízo Particular, seja o Juízo Final: "Velai sobre vós mesmos para que vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, com a embriaguez e com as preocupações da vida. Para que Aquele Dia não vos apanhe de improviso." Lc 21,34

    Garantiu o total controle e do amor de Deus: "Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de Vosso Pai. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós." Mt 10,29-31

    A própria vida de Jesus, aliás, já demonstrava a condição de auto-abandono em que vivem os verdadeiros servos de Deus: "Nisto, d'Ele aproximou-se um escriba e disse-Lhe: 'Mestre, segui-Te-ei aonde quer que fores.' Respondeu Jesus: 'As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.'" Mt 8,19-20

    Pois só o pleno cumprimento de Sua Missão Lhe saciava, como lemos no Evangelho Segundo São João: "Entretanto, os discípulos pediam-Lhe: 'Mestre, come.' Mas Ele disse-lhes: 'Tenho um alimento para comer que vós não conheceis.' Os discípulos perguntavam uns aos outros: 'Alguém Lhe teria trazido de comer?' Disse-lhes Jesus: 'Meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou, e cumprir Sua obra.'" Jo 4,31-34

    Em compensação, à Santa Igreja Católica, não ao mundo, Ele prometeu mais uma sobrenatural unção: "Deixo-vos a Paz, dou-vos Minha Paz. Não é à maneira do mundo que Eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize vosso coração." Jo 14,28

    Contra todas atribulações, portanto, Ele recomendou perseverança, na noite em que ia ser entregue, e que n'Ele crêssemos como cremos em Deus: "Não se perturbe vosso coração. Vós credes em Deus, crede também em Mim." Jo 14,1

    Por sua vez, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo exalta a religiosidade em combinação com o desapego material: "Sem dúvida, de grande proveito é a piedade, porém quando acompanhada de espírito de desprendimento. Porque nada trouxemos ao mundo, e tampouco nada poderemos levar. Tendo alimento e vestuário, contentemo-nos com isto." 1 Tm 6,6-8

    Já a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios assume nossa natural fragilidade e dá exemplo de resignação, ensinando da lógica inversa de Jesus: "Portanto, prefiro gloriar-me de minhas fraquezas, para que em mim habite a força de Cristo. Eis porque sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor a Cristo. Porque, quando me sinto fraco, então é que sou forte." 2 Cor 12,9b-10

    E a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo relembra a Graça que se recebe pelo Sacramento da Crisma: "Por esse motivo, eu exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição de minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de tibieza, mas de fortaleza, de amor e de Sabedoria." 2 Tm 1,6-7

    Enfim, apontando os perigos da permissividade, a Primeira Carta de São Pedro exorta à confiança em Deus: "Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte em oportuno momento. Confiai-Lhe todas vossas preocupações, porque Ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o Demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. O Deus de toda Graça, que em Cristo vos chamou a Sua Eterna Glória, depois que tiverdes padecido um pouco, aperfeiçoá-vos-á, torná-vos-á inabaláveis, fortificá-vos-á." 1 Pd 5,6-10