Conforme a Bíblia, no Livro de Apocalipse São João temos o relato que, apesar de não tratar propriamente de sua Assunção, aponta Nossa Senhora já nos Céus, e dá testemunho de sua transfiguração em corpo glorioso e de sua coroação: "Em seguida, apareceu no Céu um grande sinal: uma Mulher revestida do sol, tendo a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Ela deu à luz um Filho, um Menino, Aquele que deve reger todas pagãs nações com cetro de ferro. Mas Seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e de Seu trono." Ap 12,1.5
E imediatamente antes dessa aparição, ao Amado Discípulo havia sido apresentada a Arca da Aliança (cf. Êx 25,10), ou seja, a portadora da Revelação, uma prefigura de Nossa Senhora, Sem dúvida, Nossa Mãe Celeste veio como aperfeiçoamento da Arca da Velha Aliança (cf. Jr 3,16), que guardava as Tábuas da Lei (cf. Êx 25,16), porque ela é a Arca da Nova e Eterna Aliança, a portadora do Verbo Encarnado (cf. Jo 1,14): "Abriu-se o Templo de Deus no Céu e apareceu, em Seu Templo, a Arca de Seu Testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva." Ap 11,19
De fato, o desaparecimento da Arca da Velha Aliança já tinha sido anunciado por Deus havia séculos, ainda no Livro do Profeta Jeremias: "Quando vos multiplicardes e vos tornardes numerosos na Terra, naqueles dias, Oráculo do Senhor, não mais se falará da Arca da Aliança do Senhor nem mais se pensará nela, perdendo-se a lembrança e a saudade, nem a ela há de se referir." Jr 3,16
E eis porque, no Livro de Salmos, o sagrado autor já cantava a Assunção de Nossa Senhora em momento posterior à Ressurreição e Ascensão de Jesus, pois só pela Graça de Nosso Senhor (cf. Jo 1,17) nos foi possibilitado prestar culto a Deus com toda Justiça, que é a Santa Missa celebrada pela Santa Igreja Católica, Seu Reino de Sacerdotes: "Levantai-Vos, Senhor, para vir a Vosso repouso, Vós e a Arca de Vossa Majestade. Vistam-se de Justiça Vossos Sacerdotes, e jubilosos cantem de alegria Vossos fiéis." Sl 131,8-9
Pois se a Carne e o Sangue de Cristo, que por Sua santidade e divindade nos concedem a Vida Eterna (cf. Jo 6,54), não veio a corromper-se, aliás, como muitos outros Corpos Santos, o corpo de Nossa Senhora, cuja carne e sangue geraram o Corpo de Nosso Senhor, porque São José não participou de Sua humana concepção, também não poderia corromper-se. Profetizando, o rei Davi cantou por Jesus, que assim Se dirigiu ao Pai: "Por isso, Meu Coração alegra-se, Minha alma exulta e Minha Carne repousa em segurança. Porque Vós não abandonareis Minha alma na habitação dos mortos, nem permitireis que Vosso Santo conheça a corrupção." Sl 15,9-10
E foi o próprio Cristo que prometeu, aos Apóstolos e a nós, preparar um lugar nos Céus. Acaso não faria o mesmo para Sua Santíssima Mãe? Ele assegurou após a Santa Ceia: "Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, Eu tê-vos-ia dito, pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e preparar-vos um lugar, voltarei e tomá-vos-ei Comigo, para que, onde Eu estou, vós também estejais." Jo 14,2-3
E ainda que não em seus corpos, os Santos já estão em alma no Céu, julgando e reinando como o Amado Discípulo registrou, pois eles não se deixaram iludir pelo maligno império: "Também vi tronos, sobre os quais se sentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas daqueles que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a besta ou sua imagem, que não tinham recebido seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma Nova Vida, e com Cristo reinaram por mil anos." Ap 20,4
Pois a sensata pergunta a ser feita é: se os "lenços e outros panos" de São Paulo (cf. At 19,11), a "sombra" de São Pedro (cf. At 5,15) e a "orla do manto" de Jesus (cf. Lc 8,44) realizavam milagres enquanto relíquias, que dizer do próprio corpo de Nossa Senhora que por nove meses teve Deus em seu ventre? Poderia corromper-se o receptáculo da Absoluta Graça?
