domingo, 19 de julho de 2026

Deus Espírito Santo

    A primeira citação do Divino Paráclito aparece logo nos primeiros versículos da Bíblia, no Livro de Gênesis: "No princípio, Deus criou os céus e a Terra. A Terra estava informe e vazia, as trevas cobriam o abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas." Gn 1,1-2

    Então, devemos perguntar-nos Quem é Esta Pessoa que o próprio Jesus equiparou a Si mesmo e ao Pai, que sabemos que é Deus, reunindo todos em um só Nome. É certo que é Pessoa porque Jesus, que Se equiparou a Ele, é Pessoa, e assim o Pai também o é. De fato, no Evangelho Segundo São Mateus, Cristo ordenou aos Apóstolos a instantes de Sua Ascensão: "Ide, pois, e fazei que todas nações se tornem discípulos, batizando-as em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." Mt 28,19

    Ademais, temos que meditar por que, ao ser batizado por São João Batista, ou seja, ao iniciar Sua vida pública, além de se ouvir a voz do Pai, o Divino Espírito haveria de Se manifestar sobre Jesus, se não fosse para demonstrar a plenitude de Deus Trino neste singular momento da Revelação, um dos poucos, na Bíblia, de conjunta manifestação das Três Pessoas de Deus: "Depois que Jesus foi batizado, logo saiu da água. Eis que os céus se abriram e viu descer sobre Ele, em forma de Pomba, o Espírito de Deus. E do Céu baixou uma voz: 'Eis Meu muito Amado Filho, em Quem ponho Minha afeição.'" Mt 3,16-17

    Porque, após o Pentecostes, que foi o dia do nascimento da Santa Igreja Católica por obra do próprio Santíssimo Paráclito, , temos uma expressa menção de Sua divindade. No Livro de Atos dos Apóstolos, ao repreender um desonesto fiel, o Primeiro Papa diz que ele não mentiu a um homem da Igreja Apostólica, mas ao Espírito Santo, ou seja, mentiu ao próprio Deus: "Pedro, porém, disse: 'Ananias, por que Satanás tomou conta de teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus.'" At 5,3-4

    E mesmo antes do Pentecostes, pelos textos bíblicos é possível aferir Sua divindade, claramente expressa por Sua absoluta autonomia, como, no Livro de Jó, um de seus amigos disse: "Foi o Espírito de Deus que me fez, e o Sopro do Todo-Poderoso que me deu a vida." Jó 33,4

    O Livro de Sabedoria, ao discorrer sobre ela mesma, dá características deste Ser absolutamente divino: "Há nela, com efeito, um inteligente espírito, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo, livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, livre de inquietação, que tudo pode, que de tudo cuida, que penetra em todos espíritos: os inteligentes, os puros, os mais sutis." Sb 7,22-23

    É Ele que ilumina Seu próprio Reino de Sacerdotes, que é a Igreja Una, para a perfeita interpretação da Revelação, cujo ápice está na Doutrina de Jesus, que disse no Evangelho Segundo São João: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu Nome, ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26

    E foi Ele Quem arrematou a Revelação, e assim tem conduzido a Igreja de Deus Vivo em cada nova situação, nas "coisas que virão", como Nosso Senhor disse os Apóstolos: "Muitas coisas ainda tenho a vos dizer, mas agora não podeis suportá-las. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensiná-vos-á toda Verdade, porque não falará de Si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,13

    Por isso, a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses diz da superioridade do Novo Testamento, expressa pela Sã Doutrina, e do poder do Magistério da Igreja: "Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos deu Seu Santo Espírito." 1 Ts 4,8

    Reveladoramente, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios aponta-O como a única e mesma Pessoa de Deus a distribuir os próprios dons de Deus. É mais uma indicação de Sua total autonomia, mas, note-se, sempre para proveito da comunidade da Santa Madre Igreja. Quer dizer, não há dom fora da Igreja Católica: "A cada um é dada a manifestação do Espírito para comum proveito. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como Lhe apraz." 1 Cor 12,7.11