quarta-feira, 4 de março de 2026

A Graça

    A Graça é a gratuidade que caracteriza as ações de Deus, frutos de Seu imenso amor, mas como d'Ele tudo procede, em geral usa-se o termo Graça para designar Suas grandiosas e especiais dádivas, às vezes a todos notórias, que exclusivamente partem de Sua iniciativa. O Evangelho Segundo São João, por exemplo, vai dizer da manifestação de Cristo, que foi inconfundível para Apóstolos, discípulos e seguidores: "Todos nós recebemos de Sua plenitude Graça por Graça..." Jo 1,16

    Toda Graça, portanto, é sinal da onipotência, onisciência e onipresença de Deus, para que se perceba o estabelecimento e a vigência do Reino de Céus. É algo sobrenatural, e por isso esplendoroso, ainda que também possa ser sutil e pessoal. E é pela Graça que recebemos e conhecemos o Espírito Santo (cf. Jo 14,17), a 'sempre atuante mão de Deus'. Mesmo antes de Sua 'oficial' manifestação no dia de Pentecostes, as ações do Pai já se faziam cumprir por Seu intermédio (cf. Nm 11,25), e por isso, na Carta aos Hebreus, os seguidores da tradição de São Paulo proclamam-nO "... Autor da Graça." Hb 10,29

    Falando aos Sacerdotes da Santa Igreja Católica, a Primeira Carta de São Pedro afirma que a Graça de Deus se manifesta de muitos modos, conforme os dons do Espírito Santo: "Como bons administradores das diversas Graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a Palavra, para anunciar as mensagens de Deus; um Ministério, para o exercer com divina força, a fim de que em todas coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo." 1 Pd 4,10-11a

    São 5 'tipos' de Graça. A primeira é a Graça Santificante, da qual toda humanidade pode usufruir tão somente por força da Encarnação do Cristo, e que recebemos através do Sacramento no Batismo. A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo recomenda-lhe: "Portanto, tu, meu filho, fortifica-te na Graça que está em Jesus Cristo." 2 Tm 2,1

    A segunda é a Graça Sacramental, obtida por cada um dos Sacramentos que nos acompanham pelas etapas da verdadeira vida cristã, dos quais a Santa Eucaristia é o Sacramento por excelência, que é a essência de nossa Santa MissaCom efeito, ao mencionar a suprema dádiva da reconciliação com Deus, que pelo Sangue de Jesus nos é oferecida, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios alerta para o absoluto respeito que se deve aos Sacramentos ministrados pelos Sacerdotes da Igreja Católica: "Na qualidade de colaboradores de Deus, exortamo-vos a que não recebais Sua Graça em vão." 2 Cor 6,1

    A terceira é a Graça Habitualdada a todos Santos, ou seja, àqueles que com honestidade buscam as 'coisas do alto', para que permanentemente façam a vontade de Deus. Em contraponto ao Antigo Testamento, São Paulo exalta a Nova Aliança, que é o próprio Ministério do Espírito Santo, e convoca: "Oferecei-vos a Deus, como vivos, salvos da morte, para que vossos membros sejam instrumentos do bem a Seu serviço. O pecado já não vos dominará, porque agora não mais estais sob a Lei, e sim sob a Graça." Rm 6,13-14

    A quarta é a Graça Especial, também conhecida como carisma, que pode ser prodigiosa, como o dom de curas e milagres. Como exemplo, no Livro de Atos dos Apóstolos, nós temos Santo Estevão, um dos sete primeiros diáconos escolhido para auxiliar os Apóstolos: "Estevão, cheio de Graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo." At 6,8

    Uma das Graças Especiais é a Graça de Estado, que totalmente está voltada para o pleno êxito dos Ministérios da Santa Igreja. A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios apontou que o Espirito Santo sempre o faz tendo em vista o bem de toda comunidade de fé católica: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12

    A quinta é a Graça Atual, uma extraordinária intervenção de Deus, como uma aparição, por exemplo, que direcionadamente se realiza na vida de um cristão, e pode acontecer desde sua conversão até que se complete sua santificação, pois nestes sinais consistem a Comunhão e o agir com o Pai: "Confiantemente aproximemo-nos, pois, do trono da Graça, a fim de alcançar Misericórdia e achar a Graça de um oportuno auxílio." Hb 4,16