A Primeira Carta que São Paulo aos Tessalonicenses afirma o poder que o Evangelho tem em si mesmo, como Divina Palavra que é, e informa que seu principal objetivo é reconciliar-nos com Deus. Não poderia ser diferente: é Deus Jesus, Verbo Encarnado (cf. Jo 1,14), que vem a nosso encontro: "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para vossa Salvação." 1 Ts 1,5
Já a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios diz do Ministério da Igreja, que ela cumpre através dos Sacramentos: "Tudo isso vem de Deus, que Consigo nos reconciliou, por Cristo, e nos confiou o Ministério da Reconciliação. Porque é Deus que, em Cristo, Consigo reconciliava o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação. Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em Nome de Cristo, e é Deus mesmo que vos exorta por nosso intermédio. Em Nome de Cristo, rogamo-vos: reconciliai-vos com Deus!" 2 Cor 5,18-20
Embora mencionando a armadura de um guerreiro, mas claramente falando de armas espirituais, a Carta de São Paulo aos Efésios deixou-nos uma das definições mais apropriadas do Evangelho: "Estejam, portanto, bem firmes: cingidos com o cinturão da Verdade, vestidos com a couraça da Justiça, os pés calçados com o zelo para propagar o Evangelho da Paz..." Ef 6,14-15
Desta forma, todo gesto de verdadeira fé deve estar impregnado do poder do Espírito de Cristo, que se antecipa e promove a total reconciliação, com Deus e com todos irmãos católicos. Jesus recomendou desde o Sermão da Montanha, no Evangelho Segundo São Mateus: "Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do Altar e lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta diante do Altar e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão. Só então vem fazer tua oferta." Mt 5,23-24
Por isso, logo na primeira aparição ao Colégio dos Apóstolos, dada no Domingo da Ressurreição, Ele mesmo firmou os fundamentos da Igreja Católica, dando-lhe o poder de perdoar os pecados, que propriamente é o Sacramento da Reconciliação: "Disse-lhes outra vez: 'A Paz esteja convosco! Como o Pai Me enviou, Eu envio a vós.' Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,21-23
A Carta de São Paulo aos Filipenses, portanto, exige testemunho de vida: "Cumpre, somente, que em vosso proceder vos mostreis dignos do Evangelho de Cristo." Fl 1,27a
E a Carta de São Paulo aos Gálatas segue garantindo a origem da Palavra de Deus: "Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho por mim pregado nada tem de humano. Não o recebi nem o aprendi de homem algum, mas mediante uma revelação de Jesus Cristo." Gl 1,11
Ele diz que no Evangelho se tem a Glória de Jesus, quer dizer, a própria personificação de Deus, e que só a sedução do inimigo pode evitar que a percebamos: "Se nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem, para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a Luz do Evangelho, onde resplandece a Glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que claramente transpareça que este extraordinário poder provém de Deus e não de nós." 2 Cor 4,3-4.7
Ora, exaltando a preciosidade do Sangue de Jesus, a Carta de São Paulo aos Romanos atestou: "Se, quando ainda éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela Morte de Seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por Sua Vida. Ainda mais: nós gloriamo-nos em Deus por Nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem desde agora temos recebido a reconciliação!" Rm 5,10-11
Povos de todas nações, portanto, têm em Jesus a verdadeira oportunidade de reconciliar-se com Deus, como o Apóstolo dos Gentios diz: "Ele (Cristo) quis, assim, a partir do judeu e do pagão, criar em Si um só novo homem, estabelecendo a Paz. Quis reconciliá-los com Deus, ambos em um só Corpo, por meio da Cruz." Ef 2,15a-16b
