domingo, 2 de agosto de 2026

O Cordeiro de Deus

    São João Batista, que segundo o próprio Jesus encerrou os tempos da Lei e dos Profetas, ou seja, do Antigo Testamento (cf. Mt 11,13), foi quem O apresentou como o Cordeiro de Deus a seus seguidores, um dia depois de O batizar. É leitura do Evangelho Segundo São João: "No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.'" Jo 1,29

    A simbologia do Cordeiro, como etapa da Revelação, faz parte da tradição dos judeus desde o Livro de Gênesis, quando Deus, falando por um anjo, poupou Abraão de sacrificar seu filho Isaque, apresentando-lhe um filhote de ovelha para ser oferecido em sacrifício: "O anjo do Senhor, porém, gritou-lhe do Céu: 'Abraão! Abraão!' 'Eis-me aqui!' 'Não estendas tua mão contra o menino, e não lhe faças nada. Agora Eu sei que temes a Deus, pois não Me recusaste teu próprio filho, teu único filho.' Abraão, levantando os olhos, viu atrás dele um cordeiro preso pelos chifres entre os espinhos, e tomando-o, ofereceu-o em holocausto em lugar de seu filho." Gn 22,11-13

    Contudo, Deus não poupou os primogênitos dos egípcios, quando por meio de pragas tentava convencer o Faraó a libertar Seu povo da escravidão em Egito. Nessa ocasião, o sangue de cordeiro serviu de sinal para proteger o povo de Israel, e marcou o início do sacrifício da páscoa. É do Livro de Êxodo: "Moisés convocou todos anciãos de Israel e disse-lhes: 'Ide e escolhei um cordeiro por família, e sacrificá-lo-ás para a páscoa. Depois disso, tomareis um feixe de hissopo, ensopá-lo-eis no sangue que estiver na bacia e com esse sangue aspergireis a verga e as duas ombreiras da porta. Nenhum de vós transporá o limiar de sua casa até a manhã. Quando o Senhor passar para ferir Egito, vendo o sangue sobre a verga e as duas ombreiras da porta, passará adiante e não permitirá ao Destruidor entrar em vossas casas para vos ferir. Observareis esse costume como uma perpétua instituição para vós e vossos filhos."Êx 12,21-24

    Embora fossem os tempos da passagem pelo deserto, que durou 40 anos (cf. Js 14,10), haveria um especial lugar para esse sacrifício, que além da celebração da páscoa servia para o perdão dos pecados. Era uma sinalização para o futuro Templo de Jerusalém, como Deus mesmo determinou a Moisés no Livro de Levítico: "O sacerdote que fez a purificação apresentará o homem que há de ser purificado e todas essas coisas ao Senhor, à entrada da Tenda de Reunião. Tomará, em seguida, um dos cordeiros e oferecê-lo-á em sacrifício de reparação com a medida de óleo, e agitá-los-á como oferta diante do Senhor." Lv 14,11-12

    Séculos depois, porém, no Livro do Profeta Oseias, que será mencionado por Jesus (cf. Mt 12,7), Deus começou a contestar os sacrifícios por se terem tornado um rito banalizado, sem a devida devoção, em meio à completa corrupção de Israel: "Que te farei, Efraim? Que te farei, Judá? Vosso amor é como a nuvem da manhã, como o orvalho que logo se dissipa. Por isso, Eu os castiguei pelos Profetas, matei-os pelas palavras de Minha boca, e Meu Juízo resplandece como o relâmpago, porque Eu quero o amor mais que os sacrifícios, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos." Os 6,4-6

    E no Livro do Profeta Isaías, o próprio Messias foi prescrito como o Cordeiro Imolado: "Foi maltratado e resignou-Se. Não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma muda ovelha nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca. Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender Sua causa quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo? Foi-Lhe dada Sepultura ao lado de facínoras, e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em Sua boca nunca tenha havido mentira." Is 53,7-9

    Enfim, prevendo que Seus seguidores igualmente seriam hostilizados, e até de brutal modo martirizados, Jesus compara-os a cordeiros prontos para um holocausto. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "Ide! Eis que Eu vos envio como cordeiros entre lobos." Lc 10,3

    Pois é tão somente no Céu, onde a Esposa, a Jerusalém Celestial, perpetuação da Igreja Católica Apostólica Romana, devidamente receberá Jesus, que Deus Pai quer oferecer-nos o Eterno Banquete. Foi o texto ditado para que se registrasse no Livro de Apocalipse de São João: "Felizes os convidados para a ceia das Núpcias do Cordeiro." Ap 19,9

sábado, 1 de agosto de 2026

O Espírito Santo inspira a Igreja Católica

    No Pentecostes, ao descer sobre a Igreja Apostólica, o Divino Paráclito profundamente tocou o coração dos fiéis e deu-lhes o dom de falar em outros idiomas, para ajudar na difusão do Evangelho no mundo inteiro. Assim, por Sua obra a Igreja fundada por Jesus já nasceu católica, quer dizer, universal, como Ele prometeu (cf. At 1,8). É do Livro de Atos dos Apóstolos: "Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." At 2,4

    Esta era uma profecia sobre os tempos que se seguiam ao Sacrifício de Cristo, e que faria com que muitos judeus se arrependessem de O ter crucificado. Deus falou no Livro do Profeta Zacarias: "Derramarei um Espírito de Graça e oração sobre a casa de Davi e sobre os moradores de Jerusalém, e eles olharão para Mim. Quanto Àquele que transpassaram, chorarão por Ele como se chora pelo filho único. Amargamente vão chorá-Lo, como se chora por um Primogênito." Zc 12,10

    E o Príncipe dos Apóstolos é quem nos dá uma expressa indicação da Divindade do Espírito Santo. Ao repreender um desonesto fiel, diz que ele não mentiu a um homem da Igreja Viva, mas ao Santo Paráclito, ou seja, mentiu ao próprio Deus: "Pedro, porém, disse: 'Ananias, por que Satanás tomou conta de teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus.'" At 5,3-4

    No mesmo sentido, antes de ser apedrejado,o brilhante Diácono  Santo Estevão não reclama dos líderes judeus por resistirem propriamente a Deus Pai, mas ao Espírito Paráclito: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo." At 7,51

    É, portanto, o Divino Espírito Santo Quem guia os passos da Igreja Católica Apostólica Romana, como levou nosso Primeiro Papa à família de Cornélio para que presidisse o 'Pentecostes dos Gentios' e batizasse o primeiro grupo de não-judeus, a despeito de duas pessoas isoladas (cf. At 6,5; 8,38): "Enquanto Pedro refletia sobre a visão, disse-lhe o Espírito: 'Eis aí três homens que te procuram. Levanta-te! Desce e vai com eles sem hesitar, porque fui Eu Quem os enviou.'" At 10,19-20

    É Ele Quem decide com os Sacerdotes da Igreja os mais importantes assuntos, como aconteceu em Jerusalém, no Primeiro Concílio da Igreja Una. Sobre a decisão que tomaram, São Tiago Menor ditou na carta à igreja de Antioquia: "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28

    Ele concede o Sacramento da Ordenação aos Bispos, como São Paulo diz aos Anciãos, em grego Presbíteros, nossos Padres, da cidade de Éfeso: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastorear a Igreja de Deus..." At 20,28

    É Ele que nos faz assimilar a Palavra da Salvação, como Deus Pai prometeu no Livro de Provérbios: "Convertei-vos a Minhas admoestações, derramarei sobre vós Meu Espírito, ensiná-vos-ei Minhas Palavras." Pr 1,23

    É Ele Quem nos auxilia em nossas orações e intercede por nós, conforme a Carta de São Paulo aos Romanos: "Assim, o Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza. Porque não sabemos o que devemos pedir, nem rezar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com inefáveis gemidos." Rm 8,26

    Pois só por Ele nos é concedido celebrar a Santa Missa, como está na Carta de São Paulo aos Filipenses, desdizendo a unção dos judeus: "Porque os verdadeiros circuncisos somos nós, que prestamos culto a Deus pelo Espírito de Deus, e pomos nossa Glória em Jesus Cristo, e não confiamos na carne." Fl 3,3

    E não há dúvida, ainda segundo ele, que a Santa Madre Igreja é feita daqueles que são inspirados pelo Santo Paráclito. Filiação, aliás, que Ele mesmo promove por adoção (cf. Rm 8,15): "De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, porque todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus." Rm 8,13-14

    Porque, como Nosso Salvador revelou, Ele não é indiscriminadamente concedido, mas apenas à Santa Igreja, a qual Ele jamais abandona. Está no Evangelho Segundo São João: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Paráclito para que convosco fique eternamente. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará. Não vos deixarei órfãos." Jo 14,16-18a

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Imitadores de Deus

    Enquanto grande aspirante à santidade, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios disse: "Tornai-vos meus imitadores, como eu o sou de Cristo." 1 Cor 11,1

    A Carta de São Paulo aos Efésios disse mais: "Sede, pois, imitadores de Deus, como muito amados filhos." Ef 5,1

    E ainda antes, a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses havia reconhecido: "E vós fizeste-vos imitadores nossos e do Senhor, ao receberdes a Palavra, apesar das muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo, de sorte que vos tornastes modelo para todos fiéis de Macedônia e de Acaia." 1 Ts 1,6-7

    No Evangelho Segundo São Lucas, de fato, Jesus garantiu: "O discípulo não é superior ao Mestre. Mas todo perfeito discípulo será como Seu Mestre." Lc 6,40

    Por isso, no Evangelho Segundo São Mateus, pedia: "Tomai Meu jugo sobre vós e aprendei de Mim, porque Eu sou manso e humilde de Coração, e achareis repouso para vossas almas." Mt 11,29

    Deu luminosos exemplos, como no Evangelho Segundo São João: "Logo, se Eu, Vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós também deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, assim façais vós." Jo 13,14-15

    E falando como Deus, estabeleceu Seu amor como parâmetro: "Dou-vos um Novo Mandamento: amai-vos uns aos outros. Como Eu vos tenho amado, assim vós deveis amar uns aos outros." Jo 13,34

    Ora, falando como Ser Humano, Ele havia apontado Sua fonte de inspiração: "Na Verdade, na Verdade, digo-vos: de Si mesmo o Filho não pode fazer coisa alguma. Ele só faz o que vê o Pai fazer. E tudo que o Pai faz, também faz o Filho." Jo 5,19b

    Pregou o exemplo do próprio Pai no Sermão da Montanha: "Eu, porém, digo-vos: amai vossos inimigos, fazei bem àqueles que vos odeiam, rezai por aqueles que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos de Vosso Pai do Céu, pois Ele faz nascer Seu sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos." Mt 5,44-45

    A Primeira Carta de São Pedro, pois, faz-nos recordar nossa real natureza, invocando o Livro de Levítico: "À maneira de obedientes filhos, já não vos amoldeis aos desejos que tínheis antes, no tempo de vossa ignorância. À exemplo da santidade d'Aquele que vos chamou, também sede vós Santos em todas vossas ações, pois está escrito: 'Sede Santos, porque Eu sou Santo (Lv 11,44).'" 1 Pd 1,14-16

    Porque o Pai quer oferecer-nos Sua santidade, como os seguidores da tradição de São Paulo dizem na Carta aos Hebreus: "Aliás, temos na Terra nossos pais que nos corrigem e, no entanto, olhamo-los com respeito. Com quanto mais razão havemos de nos submeter ao Pai de nossas almas, o Qual nos dará a Vida? Os primeiros educaram-nos para pouco tempo, segundo sua própria conveniência, ao passo que Este o faz para nosso bem, para nos comunicar Sua Santidade." Hb 12,9-10

    E como poderíamos viver a sem assumir a paternidade que temos? A Primeira Carta de São João anima-nos: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus." 1 Jo 3,1

    Ora, ser acolhido por Deus como filhos é nossa maior realização. A Carta de São Paulo aos Romanos revelou: "Por isso, a criação ansiosamente aguarda a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade... todavia com a esperança de ser ela também libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus." Rm 8,19-20a.21

    Eis que o Amado Discípulo aponta a verdadeira e divina filiação, e assim a santidade, pela perfeita ação do Espirito Paráclito em nós: "Todo aquele que é nascido de Deus não peca, porque o Divino Germe nele reside..." 1 Jo 3,9a

    A Carta de São Paulo aos Filipenses, no mesmo sentido, exorta-nos a uma verdadeira purificação de corpo e alma: "... a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus, íntegros em meio a uma depravada e maliciosa sociedade..." Fl 2,15

quinta-feira, 30 de julho de 2026

"Tome Sua Cruz"

    Ei-nos diante de muito especial capítulo na vida dos cristãos, do qual muitos não querem tomar parte, e às vezes nem mesmo conhecimento. São palavras do próprio Jesus, no Evangelho Segundo São Mateus: "Se alguém quiser vir Comigo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-Me." Mt 16,24

    A cruz não significa apenas o sofrimento de um sacrifício mortal, mas, desde as mais simples contrariedades da vida, todo sofrimento físico, emocional e moral que pode afligir o ser humano pela aversão ao mundo, pelo amor à Verdade e ao anúncio da Salvação. É aí que a Carta de São Paulo aos Colossenses nos posiciona frente à dor, para que efetivamente sejamos a Santa Igreja Católica, que é o Corpo Místico de Cristo: "Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo em minha carne, por Seu Corpo que é a Igreja." Cl 1,24

    Seguir Jesus, pois, não se trata apenas de crer n'Ele, mas de se empenhar, como Ele fez e faz, em diminuir o sofrimento no mundo, e Consigo suportar toda dor de Sua Missão ainda inacabada. A Carta de São Paulo aos Filipenses diz: "... porque a vós é dado não somente crer em Cristo, mas ainda por Ele sofrer." Fl 1,29

    Nesse sentido, a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo vai exortá-lo: "Não te envergonhes, portanto, do testemunho de Nosso Senhor, nem de mim, Seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus." 2 Tm 1,8

    E repete o que pregava com São Barnabé (cf. At 14,22): "Pois todos aqueles que quiserem viver piedosamente, em Jesus Cristo, terão de sofrer a perseguição." 2 Tm 3,12

    Segundo ele, verdadeiramente comungar do Corpo e Sangue de Cristo é conhecê-Lo nesses termos: "Anseio pelo conhecimento de Cristo... pela participação em Seus sofrimentos..." Fl 3,10

    A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses revela-lhes: "De sorte que nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, por vossa constância e fidelidade em meio a todas perseguições e tribulações que sofreis. Elas constituem um indício do justo Juízo de Deus, e de que sereis considerados dignos do Reino de Deus, pelo qual padeceis." 2 Ts 1,4-5

    Especificamente, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios diz dos Sacerdotes da Igreja Apostólica: "Mas em todas coisas apresentamo-nos como Ministros de Deus, por uma grande constância nas tribulações, nas misérias, nas angústias, nos açoites, nos cárceres, nos tumultos populares, nos trabalhos, nas vigílias, nas privações." 2 Cor 6,4-5

    Referindo-Se aos terríveis sofrimentos que os Apóstolos passariam, assim como tantos outros cristãos, entre os quais devemos incluir-nos, Nosso Salvador mesmo disse de Sua Paixão a São Tiago Maior e a São João Apóstolo, conforme o Evangelho Segundo São Marcos: "Vós bebereis o cálice que Eu devo beber, e sereis batizados no batismo em que Eu devo ser batizado." Mc 10,39

    Não haveremos nós, portanto, de beber desse cálice que agora, por crermos em Jesus, também nos é oferecido? Não é essa a vontade de Deus? Cristo não está presente nesse momento, sofrendo com quem sofre e esperando que com Ele compartilhemos de Sua dor? De que lado estamos? Daqueles que sofrem ou daqueles que fazem sofrer? E aqueles que ficam indiferentes, também não aumentam a dor alheia? Em autêntico espírito de cristandade, a Primeira Carta de São Pedro luminosamente diz: "Nisto consiste a Graça: injustamente sofrer, suportando as aflições, com a consciência da presença de Deus." 1 Pd 2,19

    E recomenda: "E se o justo se salva com dificuldade, que será do ímpio e do pecador? Assim aqueles que sofrem segundo a vontade de Deus, também encomendem suas almas ao Fiel Criador, praticando o bem." 1 Pd 4,18-19

    Porque, independente de nossos pecados, o sofrimento de viver nesse mundo de injustiças é uma inexorável realidade. Jesus não enganou ninguém, como se lê no Evangelho Segundo São João: "No mundo tereis aflições. Mas tende coragem!" Jo 16,33

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Santa Marta, Santa Maria de Betânia e São Lázaro

 

    No Evangelho Segundo São Lucas retrata o lado ativista de Santa Marta, que demasiadamente se apega ao trabalho e esquece a vida espiritual. Mas foi o generoso coração dessa mulher que viu em Jesus uma pessoa a ser acolhida em casa e na alma. Ela abriu-Lhe a porta porque O havia visto pregando, e foi tocada por Sua Palavra. Não resta dúvida, pois, que nossa Santa quis dar um bom acolhimento e uma boa refeição a Nosso Salvador e Seus Apóstolos. E de fato, não era pouco trabalho: eram ao menos 13 pessoas. Entretanto, sua irmã, Santa Maria de Betânia, não queria parar de O ouvir. Estava espiritualmente transportada, o que é muito compreensível. O Amado Médico narra: "Estando Jesus em viagem, entrou num povoado, onde uma mulher, chamada Marta, O recebeu em sua casa. Tinha ela uma irmã por nome Maria, que se sentou aos pés do Senhor para O ouvir falar. Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: 'Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude.' Respondeu-lhe o Senhor: 'Marta, Marta, andas muito inquieta e preocupas-te com muitas coisas. No entanto, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada.'" Lc 10,38-42

    E é Santa Marta, como consta do Evangelho Segundo São João, que faz uma declaração de suma importância para o reconhecimento da divindade de Jesus. Com efeito, como ela vai dizer, só o São Pedro havia afirmado: "... Tu és o Cristo... (cf. Mt 16,16)". E vai acrescentar algo que só ela disse: "... Aquele que devia vir ao mundo." Sem dúvida, isto claramente lhe foi revelado pelo Pai Celeste (cf. Mt 16,17). E nessa cena vemos que se inverteram os papéis: É Santa Marta que esperançosamente vai ao encontro de Nosso Senhor, dizendo que Deus atenderia qualquer pedido Seu, enquanto Santa Maria de Betânia resignadamente fica em casa. Muito bom para Santa Marta, pois, que inicialmente teria sido apenas uma 'ativista desespiritualizada', como muitos incautos ainda a tratam. Está na passagem da Ressurreição de São Lázaro: "Ora, havia um doente, Lázaro, de Betânia, povoado de Maria e de sua irmã Marta. As duas irmãs, pois, mandaram dizer a Jesus: 'Senhor, aquele que Tu amas está enfermo.' A estas palavras, disse Jesus: 'Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a Glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus.' Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro. Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, ainda Se demorou dois dias no mesmo lugar. À chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro estava no sepulcro. Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-Lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa. Marta disse a Jesus: 'Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! Mas também sei que tudo que agora pedires a Deus, Ele concedê-Te-á.' Disse-lhe Jesus: 'Teu irmão ressuscitará.' Respondeu-Lhe Marta:' Sei que há de ressurgir na Ressurreição do Último Dia.' Disse-lhe Jesus: 'Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em Mim, jamais morrerá. Crês nisto?' Respondeu ela: 'Sim, Senhor. Eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, Aquele que devia vir ao mundo.' 'Onde o pusestes?' Responderam-Lhe: 'Senhor, vinde ver.' Jesus pôs-Se a chorar. Observaram, então, os judeus: 'Vede como Ele o amava!' Novamente tomado de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra. Jesus ordenou: 'Tirai a pedra.' Disse-Lhe Marta, irmã do morto: 'Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí...' Respondeu-lhe Jesus: 'Não te disse Eu: Se creres, verás a Glória de Deus?' Tiraram, pois, a pedra. Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: 'Pai, rendo-Te graças porque Me ouviste. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas assim falo por causa do povo que está em volta, para que creiam que Tu Me enviaste.' Depois destas palavras, exclamou em alta voz: 'Lázaro, vem para fora!' E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Então ordenou Jesus: 'Desligai-o e deixai-o andar.' Muitos dos judeus que tinham vindo a Marta e Maria, e viram o que Jesus fizera, creram n'Ele." Jo 11,1.3-6.17.20-27.34-36.38-45

    Uma muito antiga tradição relata que Santa Marta, Santa Maria de Betânia e São Lázaro teriam deixado Israel, fugindo dos judeus de Jerusalém, e se instalaram em terras de França. De fato, São João Evangelista relata que a vida de São Lázaro estava em risco bem antes da perseguição iniciada com a morte de Santo Estevão (cf. At 1,8). Aliás, antes mesmo da Crucificação de Jesus, depois que os líderes religiosos decidiram matá-Lo (cf. Jo 5,18): "Mas os príncipes dos sacerdotes também resolveram tirar a vida de Lázaro, porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus." Jo 12,10-11

terça-feira, 28 de julho de 2026

As Virtudes

    O Livro de Sabedoria aponta quatro CARDEAIS VIRTUDES, aquelas que servem de base para todas outras: "E se alguém ama a justiça, seus trabalhos são virtudes. A Sabedoria ensina a temperança e a prudência, a Justiça e a fortaleza. Não há nenhum bem que seja mais útil aos homens na vida." Sb 8,7

    A temperança, também chamada de moderação ou sobriedade, virtude que garante o domínio de si e coloca a vontade acima dos instintos, aparece numa proposta de ascese da Segunda Carta de São Pedro, como uma das etapas do amadurecimento espiritual: "Por estes motivos, esforçai-vos quanto possível por unir a vossa a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o fraterno amor, e ao fraterno amor a caridade." 2 Pd 1,5-7

    A prudência é a virtude da reflexão, da ordem, do bom senso e do discernimento. No Evangelho Segundo São Mateus, Jesus mesmo apontou: "Aquele, pois, que ouve estas Minhas palavras e as põe em prática, é semelhante a um prudente homem que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa. Ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha." Mt 7,24-25

    A Justiça é a virtude do compromisso moral com a Verdade, com a equidade, com a correção. A Carta de São Paulo aos Romanos afirma que só pela obediência a Deus se chega a Sua justiça: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para obedecer-lhe, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a Justiça?" Rm 6,16

    A fortaleza é a virtude da firmeza e da perseverança, contra todas dificuldades. É por ela que se resiste ao medo, às injustiças e às tentações. Ela confere destemor perante a própria morte, como os mártires da Santa Igreja Católica demonstram. A Carta de São Paulo aos Filipenses referia-se a si mesmo: "Não é minha penúria que me faz falar. Aprendi a me contentar com o que tenho. Sei viver na penúria, e também sei viver na abundância. Estou acostumado a todas vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade. Tudo posso n'Aquele que me fortalece." Fl 4,11-13

    E falando das MORAIS VIRTUDES, São Paulo recomenda: "Além disso, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo que é nobre, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama, tudo que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos." Fl 4,8

    Já a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios revela as três TEOLOGAIS VIRTUDES, que, ao contrário das morais virtudes, são dons de Deus: "Agora, portanto, permanecem estas três coisas: a , a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor." 1 Cor 13,13

    A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, a mais antiga delas, já velava pelas três: "Com efeito, diante de Deus, Nosso Pai, continuamente pensamos nas obras de vossa fé, nos sacrifícios de vosso amor e na firmeza de vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, sob o olhar de Deus, Nosso Pai." 1 Ts 1,3

    Em belíssima fórmula de seu cunho, ele pede-nos: "Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração." Rm 12,12

    A Primeira Carta de São João diz da fé: "Eis o amor a Deus: que guardemos Seus Mandamentos. E Seus Mandamentos não são penosos, porque todo aquele que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: nossa fé." 1 Jo 5,3-4

    O Apóstolo dos Gentios diz da esperança: "O Deus da esperança encha-vos de toda alegria e de toda Paz em vossa fé, para que pela virtude do Espírito Santo transbordeis de esperança!" Rm 15,13

    E Nosso Salvador mesmo, rezando ao Pai pelos Apóstolos no Evangelho Segundo São João, diz do amor, que é divino (cf. 1 Jo 4,8): "Manifestei-lhes Teu Nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que Me amaste esteja neles..." Jo 17,26

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Não ser Católico

    Numa palavra, não ser católico significa não conhecer plenamente a Verdade, que é o próprio Jesus. Ele disse no Evangelho Segundo São João: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida." Jo 14,6b

    E assim não contemplar propriamente a Revelação, porque ao despedir-Se dos Apóstolos no Evangelho Segundo São Mateus, Ele mandou que acolhêssemos toda Sua Doutrina: "Ensinai-as (as nações) a observar tudo que vos ordenei." Mt 28,20a

    Ou seja, significa não estar sob a plenitude da Graça, mas em muito depender da Misericórdia de Deus, pois Graça sobre Graça (cf. Jo 1,16) só se obtêm através dos Sacramentos da Santa Igreja Católica. Sobre o imprescindível Sacerdócio que ela exerce, a Primeira Carta de São Pedro diz: "Como bons dispensadores da multiforme Graça de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a Palavra, para anunciar as mensagens de Deus, e o Ministério, para o exercer com a divina força, a fim de que Deus, em todas coisas, seja glorificado por Jesus Cristo." 1 Pd 4,10-11

    Nosso Senhor mesmo disse aos Apóstolos porque os Sacramentos dSua Igreja valeriam para a eternidade: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça." Jo 15,16a

    Não é verdadeira, pois, a afirmação de que as demais religiões também estão certas, apesar de conterem algumas centelhas da Luz de Deus. Como exemplo, e revelando uma só direção, o próprio Jesus apontou o erro dos samaritanos, apesar de acreditarem no Pentateuco: "Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, porque a Salvação vem dos judeus." Jo 4,22

    Ora, mesmo tendo sido agraciado com uma visão de Jesus, São Paulo não saiu pregando, antes por Ele foi submetido aos membros de Igreja Apostólica, para que através dela recebesse o Espírito Paráclito. E, note-se, Nosso Salvador não o acusa de perseguir a Igreja, como ele fazia, mas a Si mesmo. É do Livro de Atos dos Apóstolos: "Saulo disse: 'Quem és, Senhor?' Respondeu Ele: 'Eu sou Jesus, a Quem tu persegues. Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer.' Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: 'Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.'" At 9,5.6b.17

    E só com a Igreja de Deus Vivo o Espírito Santo tem estado, desde o Pentecostes, sem jamais a abandonar, pois para isso foi enviado pelo Pai, a pedido de Jesus: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que eternamente fique convosco." Jo 14,16

    Assim, não ser católico é não ter o Espírito Santo, que é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, pois só e exclusivamente só à Igreja Una (cf. Jo 17,23) Jesus o enviou: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,17

    E sem Ele não há divina filiação, como a Carta de São Paulo aos Romanos diz: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9b

    Porque é por Ele que somos adotados como filhos pelo Pai: "Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o Espírito de Adoção, pelo qual clamamos: Aba! Pai!" Rm 8,15

    Este Apóstolo havia estabelecido uma clara distinção: "... pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus." Rm 8,14

    E não ter o Divino Paráclito é não conhecer, como dissemos, a Verdade, e assim a Revelação, o que inclui seus desdobramentos pelos séculos, como Nosso Salvador avisou: "Quando o Paráclito, o Espírito da Verdade, vier, ensiná-vos-á toda Verdade. Porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,13

    Recusar-se a ouvir a Igreja, portanto, é excomunhão. Ele disse: "E se também se recusar a ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano" Mt 18,17

domingo, 26 de julho de 2026

EU SOU

    Quando foi enviado por Deus ao povo de Israel, durante a escravidão em Egito, Moisés perguntou-Lhe o que deveria responder se questionassem Quem o havia enviado, como se lê no Livro de Êxodo: "Deus respondeu a Moisés: 'EU SOU AQUELE QUE SOU.' E ajuntou: 'Eis como responderás aos israelitas: EU SOU envia-me a vós.'" Êx 3,14

    No Evangelho Segundo São João, ao indicar o momento em que estaria explícita Sua Glória, ou seja, na Santa Cruz, Jesus também usou essa identificação: Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis que EU SOU..." Jo 8,28b

    Mas essa não foi a única vez em que Ele usou desse título. Na verdade, Sua manifestação ao mundo é o próprio início do Julgamento, como em Jerusalém advertiu aos judeus e a todos: "Por isso, disse-vos: morrereis em vosso pecado. Porque se não crerdes que EU SOU, morrereis em vosso pecado." Jo 8,24

    Nosso Salvador tornou a a repetir quando os líderes judeus questionaram Sua idade. De fato, só Deus realmente é, plena e perenemente: "Na Verdade, na Verdade, digo-vos: antes que Abraão fosse, EU SOU." Jo 8,58

    Também disse aos Apóstolos, logo após instituir o ritual do Lava-Pés: "Vós chamai-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque EU SOU." Jo 13,13

    Prevendo a traição de Judas Iscariotes, que era Apóstolo Seu, e assim Sua Paixão, reafirmou: "Desde já vos digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais que EU SOU." Jo 13,19

    No Evangelho Segundo São Marcos, por fim, sentenciou sobre o Juízo Particular e o Juízo Final, quando foi 'julgado' pelo sinédrio, o conselho dos judeus em Jerusalém: "O sumo sacerdote interrogou-O de novo: 'És Tu o Messias, o Filho do Deus Bendito?' Jesus respondeu: 'EU SOU. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do Céu.'" Mc 14,61b-62

    E indiretamente, durante Suas pregações, fez o mesmo em várias ocasiões. Citamos algumas das que São João Evangelista anotou:
    "EU SOU o Pão da Vida" Jo 6,35
    "EU SOU a Luz do mundo." Jo 8,12
    "EU SOU a Porta." Jo 10,9
    "EU SOU o Bom Pastor." Jo 10,11
    "EU SOU a Ressurreição e a Vida." Jo 11,25
    "EU SOU o Caminho, a Verdade e a Vida." Jo 14,6
    "EU SOU a Verdadeira Videira." Jo 15,1

    Ora, para que fosse explicitamente reconhecido pelo Príncipe dos Apóstolos, Jesus teve que indagar os próprios Apóstolos quanto a Sua verdadeira identidade. É do Evangelho Segundo São Mateus: "E vós? Quem dizeis que EU SOU?' Simão Pedro respondeu: 'Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo!" Mt 16,15b-16

    E só mais tarde, após duvidar de Sua Ressurreição, São Tomé propriamente O proclamará como Senhor e Deus. Aliás, usando o termo Deus, foi o primeiríssimo: "Meu Senhor e Meu Deus!" Jo 20,28b

    Desde então, em Suas aparições enquanto ressuscitado, os Apóstolos passaram a ser ainda mais comedidos no trato para com Ele: "Nenhum dos discípulos ousou perguntar-Lhe: 'Quem és Tu?', pois bem sabiam que era o Senhor." Jo 21,12

    Também se deu na primeira aparição a todos Apóstolos, discípulos e seguidores, mais de quinhentos deles (cf. 1 Cor 15,6), numa montanha em Galileia, onde eles O adoraram, pois bem sabemos que adorar é algo que só se deve a Deus: "Quando O viram, adoraram-nO. Entretanto, alguns ainda hesitavam. Mas Jesus, aproximando-Se, disse-lhes: 'Toda autoridade foi-Me dada no Céu e na Terra.'" Mt 28,17-18

    Igualmente assim fizeram no momento em que Jesus ascendeu aos Céus diante deles. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "'Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto.' Depois os levou para Betânia e, levantando as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, separou-Se deles e foi arrebatado ao Céu. Depois de O terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo." Lc 24,49-52

sábado, 25 de julho de 2026

São Tiago Maior, Apóstolo

    São Tiago Maior foi dos primeiros Apóstolos, e é chamado de Maior por sua estatura física e para o diferenciar de São Tiago Menor, que era parente de Jesus, como o Evangelho Segundo São Marcos o nomeou ao relatar a Crucificação do Senhor: "Também se achavam ali umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé..." Mc 15,40

    Foi o primeiro mártir entre os Apóstolos. Após viagem em missão para anunciar o Advento do Salvador em terras de Espanha, onde havia várias comunidades judaicas (cf. Rm 15,24), foi decapitado em Jerusalém, pois, sereno e destemido, não mais admitia calar-se justamente na Cidade Santa, como o próprio Jesus não Se calou. Era o 'batismo' que Nosso Senhor mesmo lhe havia profetizado, dizendo inclusive de Si mesmo, como está no Evangelho Segundo São Lucas: "... não é admissível que um Profeta morra fora de Jerusalém." Lc 13,33b

    Nosso Santo, pois, fielmente seguia o exemplo de Nosso Salvador e de São João Batista, e bravamente enfrentou o martírio. São Lucas, que não chegou a o conhecer, registrou no Livro de Atos dos Apóstolos: "Por aquele tempo, o rei Herodes tomou medidas visando maltratar alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João." At 12,1-2

    Na narração de São Marcos, como na de São Mateus (cf. Mt 4,19), por Nosso Senhor este Apóstolo foi chamado junto a seu irmão, São João Evangelista, logo após os chamados de São Pedro e de Santo André: "Uns poucos passos mais adiante, (Jesus) viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca, consertando as redes. E logo os chamou." Mc 1,19

    Seu pai, aliás, além de líder na cooperativa pesqueira, junto a São Pedro que tinha a própria barca (cf. Lc 5,3), era homem de posses naquela pobre região, tinha empregados, o que explica a boa formação que ele e seu irmãos tiveram, a despeito do que os líderes judeus pensavam (cf. At 4,13): "Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus." Mc 1,20

    E desde então não mais parou de seguir o Divino Mestre. Esteve com Ele na casa de São Pedro, em Cafarnaum, já em Sua primeira visita, depois que partiu de Nazaré com Maria Santíssima, discípulos e Seus 'irmãos' (cf. Jo 2,12): "Assim que saíram da sinagoga, dirigiram-se com Tiago e João à casa de Simão e André." Mc 1,29

    Seu pai Zebedeu também era sacerdote, o que se deduz da amizade de seu irmão, o 'outro discípulo', com o sumo sacerdote, como vemos quando Jesus foi julgado pelo sinédrio, o conselho dos judeus em Jerusalém. É do próprio Evangelho Segundo São João: "Mas o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar." Jo 18,16b

    Sério e rigoroso, mereceu de Jesus um significativo apelido: "Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais (Jesus) pôs o nome de Boanerges, que quer dizer Filhos do Trovão." Mc 3,17

    Isto deu-se por causa de um marcante episódio, quando Cristo e os Apóstolos não foram bem recebidos num povoado de samaritanos, e ele e seu irmão, enraivecidos, não se contiveram. É do Evangelho Segundo São Lucas: "'Senhor, queres que mandemos que desça fogo do Céu e os consuma?' Jesus voltou-Se e severamente os repreendeu. 'Não sabeis de que Espírito sois animados. O Filho do Homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para as salvar.'" Lc 9,54

    Nosso Santo fazia parte de um pequeno grupo mais íntimo de Jesus, junto a São Pedro e seu irmão São João. Como exemplo, temos o momento quando Ele Se transfigurou, no último dia 'útil' da semana em que foi reconhecido por São Pedro como o Messias: "Seis dias depois, Consigo Jesus tomou Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá Se transfigurou na presença deles: Seu rosto brilhou como o sol, Suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias, conversando com Ele." Mt 17,1-3

    Tamanha intimidade tinham esses irmãos com Jesus que, num gesto de descabida pretensão, terminaram causando uma grande discussão entre os Apóstolos. Queriam sentar-se, na Glória de Jesus, um a Sua direita e outro a Sua esquerda (cf. Mc 10,37). Mas Ele apenas lhes prometeu que amargariam 'batismo' igual ao Seu, referindo-Se ao testemunho de vida que eles dariam. Principalmente São Tiago Maior, porque São João morreria de velho, ainda que padecendo grandes perseguições até o fim da vida, como o exílio na ilha de Patmos (cf. Ap 1,9): "Jesus prosseguiu: 'Vós bebereis o cálice que Eu devo beber, e sereis batizados no batismo em que Eu devo ser batizado." Mc 10.39b

sexta-feira, 24 de julho de 2026

A Vida Eterna

    A promessa de Vida Eterna aparece na Bíblia desde o Livro do Profeta Daniel, que revela sobre o Juízo Final. Ficou claro, porém, que Deus não o faria sem usar de Sua Justiça, pois a vida se eternizará nos Céus mas também no inferno: "A multidão que dorme no pó da terra despertará: uns para uma Vida Eterna, outros para a ignomínia, a eterna infâmia." Dn 12,2

    E o Livro de Sabedoria diz da sedução a Eva pela Serpente (cf. Gn 3,4) e da segunda morte, que é a verdadeira morte (cf. Ap 20,14): "Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e fê-lo à imagem de Sua própria natureza. É por inveja do Demônio que a morte entrou no mundo, e aqueles que pertencem ao Demônio prová-la-ão." Sb 2,22-24

    Ora, a expulsão do Paraíso, onde Adão e Eva viviam a Vida Eterna (cf. Gn 2,17), deu-se como castigo pelo pecado original, que foi a desobediência. No Livro de Gênesis, lemos esta conversa da Santíssima Trindade: "E o Senhor Deus disse: 'Eis que o homem se tornou como um de Nós, conhecedor do bem e do mal. Agora, pois, cuidemos que ele não estenda sua mão e também tome do fruto da árvore da Vida e o coma, e viva eternamente.'" Gn 3,22

    Já no Evangelho Segundo São João, Jesus mesmo fez esta terrível distinção: "Aquele que crê no Filho, tem a Vida Eterna. Quem não crê no Filho, não verá a Vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus." Jo 3,36

    Quanto à imortalidade da alma, a Sabedoria já ensinava: "Mas as almas dos justos estão na mão de Deus, e nenhum tormento os tocará. Aparentemente estão mortos, aos olhos dos insensatos: seu desenlace é julgado como uma desgraça e sua morte como uma destruição, quando na verdade estão na Paz! Se aos olhos dos homens suportaram uma correção, a esperança deles era portadora de imortalidade. E por terem sofrido um pouco, receberão grandes bens, porque Deus, que os provou, os achou dignos de Si. Ele provou-os como ouro na fornalha, e acolheu-os como perfeito holocausto." Sb 3,1-6

    Nesse mesmo sentido, Nosso Salvador exortou no Evangelho Segundo São Mateus, falando de um dos sete dons do Espírito Santo, que é o temor a Deus, e da Ressurreição da Carne que se dará para todos, bons e maus: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes temei Aquele que pode precipitar a alma e o corpo no inferno." Mt 10,28

    Rezando ao Pai a Oração da Unidade, Ele disse que a Vida Eterna consiste em conhecer a Deus e a Seu Filho: "Ora, a Vida Eterna é esta: que conheçam a Ti, Único e Verdadeiro Deus, e a Jesus Cristo, que enviaste." Jo 17,3

    E em participar do Sacramento da Comunhão Eucarística: "Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue, tem a Vida Eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no Último Dia." Jo 6,54

    Por isso, testemunhando o Advento do Salvador, a Primeira Carta de São João fez esta revelação: "Eis a promessa que Ele nos fez: a Vida Eterna." 1 Jo 2,25

    E afirmou Sua Divindade logo no início de seu Evangelho: "N'Ele havia a Vida, e a Vida era a Luz dos homens." Jo 1,4

    De fato, a Vida Eterna foi testemunhada por Deus Pai na Pessoa de Jesus, como o Amado Discípulo atestou: "E o testemunho é este: Deus deu-nos a Vida Eterna, e esta Vida está em Seu Filho. Quem possui o Filho, possui a Vida. Quem não tem o Filho de Deus, não tem a Vida." 1 Jo 5,11-12

    Ao tempo de Jesus, pois, os questionamentos do povo sobre esse assunto eram muito frequentes. O Evangelho Segundo São Lucas registra este episódio: "Levantou-se um doutor da Lei e, para O pôr à prova, perguntou: 'Mestre, que devo fazer para possuir a Vida Eterna?'" Lc 10,25

    Mas se a prática dos Mandamentos já era uma pedra de tropeço para muitos mal intencionados, Nosso Senhor vai entrar num ainda mais complicado assunto: Sua Paixão, pela qual se dá a Redenção da humanidade. É o paradoxo do 'Deus morto', um grande empecilho para os racionalistas e tantos outros 'religiosos': "... o Filho do Homem deve ser levantado, para que todo aquele que n'Ele crer tenha a Vida Eterna." Jo 3,15

    Enfim, ela é a própria vida espiritual que se perpetua a partir desta vida, através da rejeição desse mundo como Ele mesmo ensinou: "Quem ama sua vida, perdê-la-á. Mas quem odeia sua vida neste mundo, conservá-la-á para a Vida Eterna." Jo 12,25

quinta-feira, 23 de julho de 2026

A Luta na Carne

    Pela Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo, sabemos que ele só conseguiu cumprir sua missão, que claramente incluía luta, porque acreditava no amor de Deus: "Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a . Agora me resta receber a coroa da Justiça, que o Senhor, Justo Juiz, me dará naquele Dia. E não somente a mim, mas a todos aqueles que com amor aguardam Sua Aparição." 2 Tm 4,7-8

    E alertando para as armadilhas do Demônio, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo havia-lhe recomendado lutar, invocando seu Sacramento da Ordenação: "Mas tu, ó homem de Deus, foge desses vícios e com todo empenho procura a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. Combate o bom combate da fé. Conquista a Vida Eterna, para a qual foste chamado e fizeste aquela nobre profissão de fé perante muitas testemunhas." 1 Tm 6,11-12

    Pois a Carta de São Paulo aos Romanos abertamente reconhecia suas próprias limitações: "Eu sei que em mim, isto é, em minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de o efetuar." Rm 7,18

    Isso dava-se a despeito dos êxtases de sua alma: "Deleito-me na lei de Deus, no íntimo de meu ser. Sinto, porém, em meus membros outra lei, que luta contra a lei de meu espírito e me prende à lei do pecado, que está em meus membros." Rm 7,22-23

    Sabia que as fraquezas da carne estavam ali, latentes: "Assim, pois, de um lado, por meu espírito, sou submisso à Lei de Deus. De outro lado, por minha carne, sou escravo da lei do pecado." Rm 7,26

    E conforme a Carta de São Paulo aos Filipenses, ele também tinha sempre presente o inalienável caminho da Santa Cruz: "E é a vontade de Deus, porque a vós é dado não somente crer em Cristo, mas ainda por Ele sofrer. Sustentais o mesmo combate que me tendes visto travar, e no qual sabeis que eu agora continuo." Fl 1,28b-30

    Nesse sentido, lembrando a Paixão de Nosso Salvador, os seguidores da tradição de São Paulo exortam na Carta aos Hebreus: "Atentamente considerai, pois, Aquele que tantas contrariedades sofreu dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo. Ainda não tendes resistido até o sangue na luta contra o pecado." Hb 12,3-4

    Em condescendência com aqueles que ainda vivem no engano, portanto, a Carta de São Paulo aos Efésios admitia seus erros passados: "Todos nós também éramos deste número, quando outrora vivíamos nos carnais desejos, fazendo a vontade da carne e da concupiscência. Éramos como os outros, por natureza, verdadeiros objetos da divina ira." Ef 2,3

    Por isso, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios já exortava: "Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo, mas o impuro peca contra seu próprio corpo." 1 Cor 6,18

    A Carta de São Paulo aos Gálatas, nesse sentido, listou graves erros e claramente advertiu: "Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras semelhantes a estas. Dessas coisas previno-vos, como já vos preveni: aqueles que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!" Gl 5,19-21

    E afirmando a Vida que está do Espírito Santo, terminantemente distinguiu: "Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no espírito, do Espírito colherá a Vida Eterna." Gl 6,8

    Porque Deus é Deus de Justiça, como ele advertia: "Mas por tua obstinação e impenitente coração, contra ti vais acumulando ira, para o Dia da Cólera e da Revelação do justo Juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo suas obras. A Vida Eterna àqueles que, perseverando em fazer o bem, buscam a Glória, a honra e a imortalidade. Mas ira e indignação aos contumazes, rebeldes à Verdade e seguidores do Mal." Rm 2,5-8

    E se o Juízo Final parece longe, o Particular não tarda, nas palavras de seus discípulos: "E como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o Juízo..." Hb 9,27