quarta-feira, 17 de junho de 2026

Os Anjos (II)

 

    No Novo Testamento, temos constante aparições de anjos colaborando com Jesus e com a Santa Igreja Católica, como o Anjo da Guarda de São José, no Evangelho Segundo São Mateus: "Depois de sua partida (Santos Reis Magos), um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: 'Levanta-te, toma o Menino e Sua mãe e foge para Egito. Fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para O matar.'" Mt 2,13

    Aliás, é o Arcanjo São Gabriel que inicia as angelicais aparições da Nova e Eterna Aliança, anunciando no Templo de Jerusalém o nascimento de São João Batista a seu pai, o sacerdote São Zacarias. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para te falar e te trazer esta feliz nova." Lc 1,19

    E foi igualmente ele que comunicou o Advento a Maria Santíssima, contado a partir dessa primeira aparição, revelando que, antes mesmo da Gestação de Nosso Senhor, ela já havia sido agraciada, e mais de uma vez (cf. Lc 1,49): "No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade de Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe: 'Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo.'" Lc 1,26-28

    Após as tentações no deserto, noutro exemplo, foram os anjos que primeiro vieram em auxílio de Nosso Senhor: "Em seguida, o Demônio deixou-O, e os anjos aproximaram-se d'Ele para O servir." Mt 4,11

    E Ele próprio com frequência vai mencioná-los, como quando prometeu a São Bartolomeu que seria a conexão entre o Céu e a Terra, no Evangelho Segundo São João: "... vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem." Jo 1,51

    Ora, Nosso Salvador defendia as crianças dos escândalos dos adultos, advertindo-os do poder de seus Anjos da Guarda: "Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque Eu vos digo que seus anjos, no Céus, contemplam sem cessar a face de Meu Pai que está nos Céus." Mt 18,10

    Quem não dá testemunho de Jesus, pois, não tem seus auxílios, como Ele mesmo revelou: "Digo-vos: todo aquele que Me reconhecer diante dos homens, o Filho do Homem também o reconhecerá diante dos anjos de Deus. Mas quem Me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus." Lc 12,8-9

    E quando Ele Se angustiou no Horto das Oliveiras, pedindo que o Pai Lhe afastasse o Cálice de Sua Paixão, para confirmar se aquela era mesmo Sua hora, a resposta de Deus foi enviar-Lhe Seu Anjo da Guarda: "Apareceu-Lhe, então, um anjo do Céu para O confortar." Lc 22,43

    Ora, os Sacramentos são proferidos em presença deles, como a Primeira de São Paulo a São Timóteo instou-o: "Eu conjuro-te, diante de Deus e de Cristo Jesus e dos anjos escolhidos, a que guardes essas regras sem prevenção, nada fazendo por espírito de parcialidade." 1 Tm 5,21

    De fato, eles trabalham em franca colaboração com a Igreja Apostólica, como quando um deles liberta São Pedro e São João Evangelista da prisão. É do Livro de Atos dos Apóstolos: "Mas um anjo do Senhor abriu de noite as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, disse-lhes: 'Ide e apresentai-vos no Templo. E pregai ao povo as palavras desta Vida.'" At 5,19-20

    Mas também dependem da Igreja Una para entender a obra de Deus, como a Carta de São Paulo aos Efésios atesta, referindo-se a duas ordens deles: "Assim, de ora em diante, as celestes dominações e as potestades podem conhecer, pela Igreja, a infinita diversidade da Divina Sabedoria..." Ef 3,10

    Por fim, também mensageiros da Revelação, eles ajudaram a escrever os Santos Livros. O Livro de Apocalipse de São João anotou: "Revelação de Jesus Cristo, que Lhe foi confiada por Deus para manifestar a Seus servos o que em breve deve acontecer. Ele, por Sua vez, por intermédio de Seu anjo, comunicou a Seu servo João..." Ap 1,1

    Por tal garantia, o Evangelho é um só e inviolável, o que se afere pela coerência e harmonia dos ensinamentos nele contidos. Exaltando a já Sagrada Tradição, leia-se Tradição Oral, quando ainda não havia nenhum Evangelho em grego, a Carta de São Paulo aos Gálatas vai exortar contra os inventores de heresias: "Mas, ainda que alguém, nós ou um anjo baixado do Céu, vos anunciasse um evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, que ele seja anátema." Gl 1,8

terça-feira, 16 de junho de 2026

Os Anjos (I)

     São seres espirituais cuja missão é a Salvação das almas, como os seguidores da tradição de São Paulo explicam na Carta aos Hebreus: "Não são todos anjos espíritos a serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a Salvação?" Hb 1,14

    Assim como as almas (cf. Mt 10,28), são seres imortais, como Jesus argumentou sobre a Ressurreição da Carne, no Evangelho Segundo São Lucas: "Eles jamais poderão morrer, porque são iguais aos anjos..." Lc 20,36

    São invisíveis, criados por Cristo e para Cristo conforme a Carta de São Paulo aos Colossenses, que cita quatro de suas ordens: "N'Ele foram criadas todas coisas nos Céus e na Terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por Ele e para Ele." Cl 1,16

    E criados por um simples gesto de Deus, como o rei Davi canta no Livro de Salmos: "Pela Palavra do Senhor foram feitos os Céus, e pelo sopro de Sua boca, todo Seu Exército." Sl 32,6

    São seres pessoais, ainda segundo Davi: "Que é o homem...? ... Vós fizeste-lo quase igual aos anjos..." Sl 8,5-6

    Em comparação ao ser humano, porém, conforme a Segunda Carta de São Pedro, eles são "... superiores em força e poder..." 2 Pd 2,11

    Mas podem assumir várias formas de corpo glorioso, como foi a visão de Santa Maria Madalena e de Santa Maria de Cléofas, mãe de São Tiago Menor e São Judas Tadeu, no Domingo da Ressurreição. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "... o anjo do Senhor desceu do Céu... Sua aparência era como a de um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve." Mt 28,2b.3

    Podem apresentar-se apenas para animais, como aconteceu à montaria de Balaão, no Livro de Neemias: "A jumenta, vendo o anjo do Senhor postado no caminho com uma desembainhada espada na mão, desviou-se e seguiu pelo campo. O adivinho fustigava-a para fazê-la voltar ao caminho." Nm 22,22-23

    Ou apresentarem-se exatamente como são, como se deu no Livro de Juízes, quando se acreditava que isso significaria a morte do vidente: "Gedeão reconheceu que era o anjo do Senhor e exclamou: 'Ai de mim, Senhor Javé, que vi o anjo do Senhor face a face.'" Jz 6,22

    No Antigo Testamento, por vezes o anjo do Senhor confunde-se com o próprio Deus, como aconteceu com Abraão, quando esteve por sacrificar Isaac, conforme o Livro de Gênesis: "Pela segunda vez chamou o anjo do Senhor a Abraão, do Céu, e disse-lhe: 'Juro por Mim mesmo,' diz o Senhor, 'pois que fizeste isto e não Me recusaste teu filho, teu filho único, Eu abençoá-te-ei.'" Gn 22,15-16

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios revela que eles têm própria língua: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos..." 1 Cor 13,1

    E o Arcanjo São Rafael revelou este singular detalhe no Livro de Tobias, a ele e a seu pai Tobit: "Parecia-vos que eu comia e bebia convosco, mas meu alimento é um invisível manjar, e minha bebida não pode ser vista pelos homens." Tb 12,19

    Mas não sabem tudo sobre os planos de Deus, pois Jesus, no Livro de Apocalipse de São João, enviou mensagens aos anjos das sete dioceses de Ásia. Citamos uma: "Ao anjo da igreja de Éfeso, escreve..." Ap 2,1a

    E no Livro do Profeta Isaías, onde também são chamados de Exército, vemos que eles não são infalíveis e também serão julgados: "Nesse Dia, Javé julgará no Céu o Exército do Céu..." Is 24,21a

    Porque nem todos, a despeito de ordens e hierarquias, são de Deus. O próprio Jesus revelou ao falar sobre o Juízo Final, dizendo de Si mesmo: "Voltar-Se-á em seguida para aqueles a Sua esquerda e di-lhes-á: 'Retirai-vos de Mim, malditos! Ide para o eterno fogo destinado ao demônio e as seus anjos.'" Mt 25,41

    Em sua maioria, porém, são fiéis e poderosos cumpridores dos mandados de Deus, ainda conforme Davi: "... Seus anjos, poderosos executores de Suas ordens, sempre dóceis a Sua Palavra." Sl 102,20

    Ao todo, são nove ordens ou classes de anjos. Dos mais próximos a Deus aos mais próximos a nós, temos serafins (cf. Is 6,2), querubins (cf. Gn 3,24), tronos (cf. Cl 1,16), dominações (cf. Ef 3,10), virtudes (cf. Ef 1,21), potestades (cf. 1 Cor 15,24), principados (cf. Cl 2,10), arcanjos (cf. 1 Ts 4,16) e anjos (cf. Rm 8,38).

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A Aversão ao Mundo

    Apontando a verdadeira alegria, a Carta de São Paulo aos Filipenses fala da relação do católico com o mundo: "Na verdade, julgo como perda todas coisas em comparação a esse supremo bem: o conhecimento de Jesus Cristo, Meu Senhor. Por Ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo e estar com Ele." Fl 3,8-9a

    E como um dos resultados da e da santidade, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios diz da vida na Terra: "Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo para ir habitar junto ao Senhor." 2 Cor 5,8

    Ele assim resumiu: "Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro." Fl 1,21

    Pois seu Ministério Sacerdotal haveria de ser levado às últimas consequências, como ele prometia: "Ainda que tenha de derramar meu sangue em sacrifício e em serviço de vossa fé, eu alegro-me e felicito-vos." Fl 2,17

    Ora, no mundo prevalecem as três maiores e más propensões humanas, como a Primeira Carta de São João apontou: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, nele não está o amor do Pai. Porque tudo que há no mundo, ou seja, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, isto não procede do Pai, mas do mundo." 1 Jo 2,15-16

    E no Evangelho Segundo São João, o próprio Jesus foi bem claro: "Quem ama sua vida, perdê-la-á. Mas quem odeia sua vida neste mundo, conservá-la-á para a Vida Eterna." Jo 12,25

    Assim Ele Se distinguia de Seus próprios parentes: "O mundo não vos pode odiar, mas odeia-Me, porque Eu testemunho que suas obras são más." Jo 7,7

    No Evangelho Segundo São Marcos, de fato, pediu a todos, fossem Apóstolos, discípulos ou seguidores: "Em seguida, convocando a multidão e Seus discípulos, disse-lhes: 'Se alguém quer seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-Me.'" Mc 8,34

    Rezando ao Pai, atestou que, exceto Judas Iscariotes, os Apóstolos, fundamentos da Igreja de Deus Vivo, não eram dados às mundanas paixões, mas às do Reino dos Céus: "Manifestei Teu Nome aos homens que do mundo Me deste. Eram Teus e deste-Mos, e guardaram Tua Palavra. Dei-lhes Tua Palavra, mas o mundo odeia-os porque eles não são do mundo, como Eu também não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do Mal." Jo 17,6.14-15

    E foi bem claro perante Pilatos: "Meu Reino não é deste mundo. Se Meu Reino fosse deste mundo, Meus súditos certamente teriam combatido para que Eu não fosse entregue aos judeus." Jo 18,36a

    Ora, referindo-Se a Si mesmo, Ele já havia sentenciado: "... a Luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas que a Luz, pois suas obras eram más." Jo 3,19

    E como bem conhecia a humanidade, e sabia como Sua Missão terminaria, já avisava os Apóstolos do grande feito que seria Sua Ressurreição: "Na Verdade, na Verdade, digo-vos: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo há de se alegrar. E haveis de estar tristes, mas vossa tristeza há de se transformar em alegria." Jo 16,20

    Pois ainda que os iludidos nos odeiem e nos persigam, a Carta de São Paulo aos Gálatas assim se refere a Paixão de Nosso Salvador: "... que por nossos pecados Se entregou para nos libertar da perversidade do presente mundo, segundo a vontade de Deus, Nosso Pai..." Gl 1,4

    Por sua vez, a Carta de São Tiago, além de condenar a luxúria, avisa do perigo de certas 'amizades': "Adúlteros, não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus." Tg 4,4

    E o Amado Discípulo diz dos verdadeiros vitoriosos e do 'sucesso' de certos 'estilos' de vida, apontando "... o espírito do Anticristo, de cuja vinda tendes ouvido, e agora já está no mundo. Vós, filhinhos, sois de Deus, e venceste-lo, porque Aquele que está em vós é maior que aquele que está no mundo. Eles são do mundo. É por isto que falam segundo o mundo e o mundo os ouve." 1 Jo 4,3-5

domingo, 14 de junho de 2026

O Evangelho

    A palavra Evangelho, do grego, significa Boa Notícia, a que Jesus nos trouxe, mais conhecida como Boa Nova. Exatamente por isso, o Evangelho Segundo São Marcos, o mais antigo escrito em grego, antecedido apenas pelo Evangelho Segundo São Mateus em aramaico, assim apresenta seu texto na primeira linha, embasando-o no Livro do Profeta Malaquias e no Livro do Profeta Isaías que também prediziam São João Batista: "Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Conforme está escrito no Profeta Isaías: 'Eis que envio Meu mensageiro diante de Ti. Ele preparará Teu caminho, voz no deserto que clama: 'Preparai o caminho do Senhor, tornai retas Suas veredas (Ml 3,1; Is 40,3).'" Mc 1,1-3

    Esta Boa Notícia é o próprio anúncio da Vida Eterna que Jesus veio oferecer-nos, como é o testemunho dado na Primeira Carta de São João: "Eis a promessa que Ele nos fez: a Vida Eterna." 1 Jo 2,25

    Foi isso que Nosso Senhor pregou desde o início, ao fim do ministério do Batista: "Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-Se para Galileia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: 'Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Fazei penitência e crede no Evangelho.'" Mc 1,14-15

    Ora, essa Boa Notícia tem especiais destinatários. No Evangelho Segundo São Mateus, quando São João Batista pediu de Jesus uma confirmação de que era realmente o Messias, Ele mandou dizer-lhe que "... o Evangelho é anunciado aos pobres..." Mt 11,5

    O próprio Cristo avisava, portanto, que seu anúncio é uma obra que excede os cuidados dessa vida, e implica a Salvação de nossas almas: "Porque aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á. Mas aquele que perder sua vida por amor a Mim e ao Evangelho, salvá-la-á." Mc 8,5

    Por isso, Ele envia-nos para dar esse testemunho em toda parte: "Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura." Mc 16,15

    E foi isso que os Apóstolos fizeram logo após o nascimento da Santa Igreja Católica (cf. At 1,8), que se deu no Dia de Pentecostes. É da leitura do Livro de Atos dos Apóstolos: "E todos dias não cessavam de ensinar e de pregar o Evangelho de Jesus Cristo, no Templo e pelas casas." At 5,42

    Para São Paulo, pois, o que anunciava era a própria Graça: "Mas nada disso temo, nem faço caso de minha vida, contanto que termine minha carreira e o Ministério da Palavra que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho ao Evangelho da Graça de Deus." At 20,24

    Já a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses especificamente atribuía a força do Evangelho ao Divino Paráclito: "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo..." 1 Ts 1,5

    E a Carta de São Paulo aos Gálatas dizia: "Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho pregado por mim nada tem de humano." Gl 1,11

    Pois ele é a própria Verdade, como se lê na Carta de São Paulo aos Efésios: "N'Ele (Cristo), depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, vós também fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido..." Ef 1,13

    Nas palavras da Carta de São Paulo aos Romanos, é onde se percebe a Divina Justiça, por meio da e para o fortalecimento da fé: "Porque nele (Evangelho) se revela a Justiça de Deus, que se obtém pela fé e conduz à fé..." Rm 1,17a

    Humildemente, portanto, pedia por orações, pois sabia que anunciava um mistério: "E também rezai por mim, para que me seja dado corajosamente anunciar o mistério do Evangelho..." Ef 6,19

    E como marco de absolutamente inigualável projeto, este anúncio por todo globo terrestre também será o sinal do fim dos tempos. São palavras de Nosso Salvador: "Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas nações, e então chegará o fim." Mt 24,14

sábado, 13 de junho de 2026

Nosso Mais Precioso Bem

    Há muito tempo que as Escrituras já se referem à alma como aquilo que o ser humano tem de mais sagrado. Disse o Livro de Eclesiástico, defendendo os ministros de Israel: "Teme a Deus com toda tua alma, tem um profundo respeito por Seus sacerdotes." Eclo 7,31

    E um sagrado autor no Livro de Salmos invocava exatamente a ela para louvar a Deus: "Aleluia! Louva, ó minha alma, o Senhor!" Sl 145,1

    Já no Evangelho Segundo São Lucas, durante a Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém, Maria Santíssima assim ouviu do religioso Simeão que ela estaria intrinsecamente envolvida no projeto da Salvação: "... e a ti, uma espada traspassará tua alma!" Lc 2,35

    A Salvação, portanto, estejamos aqui na Terra ou no Purgatório, especificamente diz respeito a nossas almas. Ora, diante de um caso de incesto, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, confiante que era ele no perdão que é concedido do 'vindouro século (cf. Mt 12,32)', determinou a excomunhão de um membro da Santa Igreja Católica: "... seja esse homem entregue a Satanás para mortificação de seu corpo, a fim de que sua alma seja salva no Dia do Senhor Jesus." 1 Cor 5,5

    Reveladoramente, o Livro de Apocalipse de São João viu as almas dos Santos no Céu. Eles já estão reinando com Cristo, pois passaram pela Primeira Ressurreição, ou seja, suas almas foram direto ao Céu sem passar pelo Purgatório, porque nenhuma concessão fizeram ao império do Mal, diferentemente dos "outros mortos". Já estão, portanto, totalmente livres dos riscos do inferno: "Também vi tronos, sobre os quais se sentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas daqueles que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a besta nem sua imagem, que não tinham recebido seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma Nova Vida, e com Cristo reinaram por mil anos. Os outros mortos não tornaram à vida até que se completassem os mil anos. Esta é a Primeira Ressurreição. Feliz e Santo é aquele que toma parte na Primeira Ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão Sacerdotes de Deus e de Cristo: com Ele reinarão durante os mil anos." Ap 20,4-6

    Por isso, a Primeira Carta de São Pedro exorta: "Assim, aqueles que sofrem segundo a vontade de Deus, também encomendem suas almas ao Fiel Criador, praticando o bem." 1 Pd 4,19

    Com efeito, Nosso Salvador mesmo afirmou qual era Sua Missão: "O Filho do Homem não veio para condenar as almas, mas para as salvar." Lc 9,56

    Pois a Salvação vem pela verdadeira observância da Palavra de Deus, e, como a Carta de São Tiago faz ressoar, é para as almas: "Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia, e com mansidão recebei a Palavra em vós semeada, que pode salvar vossas almas." Tg 1,21

    Ora, ressaltando a vitalidade de Seus Mandamentos, Deus havia prometido no Livro do Profeta Isaías: "Prestai-Me atenção, e vinde a Mim. Escutai, e vossa alma viverá..." Is 55,3

    E o Livro de Sabedoria, discorrendo sobre a morte, assegura: "Mas as almas dos justos estão na mão de Deus, e nenhum tormento os tocará. Aparentemente, estão mortos aos olhos dos insensatos: seu desenlace é julgado como uma desgraça e sua morte como uma destruição, quando na verdade estão na Paz! Se aos olhos dos homens suportaram uma correção, a esperança deles era portadora de imortalidade. E por terem sofrido um pouco, receberão grandes bens, porque Deus, que os provou, os achou dignos de Si." Sb 3,1-5

    Por isso, os seguidores da tradição de São Paulo testificaram, na Carta aos Hebreus, a imensa responsabilidade dos Sacerdotes da Igreja. De fato, eles vão responder por nosso mais precioso bem: "Sede submissos e obedecei àqueles que vos guiam, pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta." Hb 13,17

    E lembrando os Sacramentos da Igreja Apostólica, apontam a solução para vencer o pecado: "É muito melhor fortificar a alma pela Graça..." Hb 13,9a

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Reviver e Atualizar o Sacrifício Pascal

    A instituição da Santa Eucaristia é um belo e importantíssimo episódio da Bíblia, que se revive e se atualiza na Santa Missa, a celebração do Dia do Senhor, em latim 'dies Dominicus', que chamamos Domingo (cf. Ap 1,10). Foi feita por Nosso Senhor Jesus Cristo quando ofereceu Sua Carne e Seu Sangue na Santa Ceia, e expressamente pediu que a celebrássemos, como está no Evangelho Segundo São Lucas: "Fazei isto em memória de Mim.'" Lc 22,19b

    É, portanto, uma sagrada instituição guardada através dos séculos pela Igreja Viva, como a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios atesta: "Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: 'Isto é Meu Corpo, que é para vós. Fazei isto em memória de Mim.' Do mesmo modo, depois de haver ceado, também tomou o cálice, dizendo: 'Este Cálice é a Nova Aliança em Meu Sangue. Todas vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de Mim." 1 Cor 11,23,25

    Porque ação de graças, em grego 'Eucaristia', é um reconhecimento a Deus pela dádiva que é a Invencível Santa Igreja Católica, como os seguidores da tradição de São Paulo afirmam na Carta aos Hebreus, em referência à Santa Missa: "Sim, possuindo nós um Inabalável Reino, dediquemos a Deus um reconhecimento que Lhe torne agradável nosso culto..." Hb 12,28a

    E o sacerdote São Zacarias, pai de São João Batista, havia profetizado que o Advento do Salvador nos possibilitaria celebrá-la: "... de nos conceder que, sem temor, libertados de mãos inimigas, possamos servi-Lo em santidade e Justiça, em Sua presença, todos dias de nossa vida." Lc 1,73b-75

    Nesse sentido, São Paulo exorta para estarmos em reais condições de comungar, ou seja, com os pecados devidamente confessados, perdoados e penitenciados: "Portanto, todo aquele que indignamente comer o Pão ou beber o Cálice do Senhor, será culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo, e assim coma desse Pão e beba desse Cálice. Aquele que O come e O bebe sem distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe sua própria condenação." 1 Cor 11,27-29

    A Carta de São Paulo aos Efésios, ademais, não tem dúvida quanto ao lugar onde devemos agradecer a Deus: "... a Ele seja dada Glória na Igreja..." Ef 3,21

    Porque foi para a Santa Missa que o Pai nos reuniu em Cristo: "N'Ele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio d'Aquele que tudo realiza por um deliberado ato de Sua vontade, para servirmos à celebração de Sua Glória, nós que desde o começo voltamos nossas esperanças para Cristo." Ef 1,11-12

    Enfatizando a Paixão de Cristo, ele pede-nos: "Como amados filhos, pois, sede imitadores de Deus. Progredi no amor segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós Se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor." Ef 5,1-2

    Por isso, os discípulos de São Paulo exortam, mencionando o Livro do Profeta Oseias: "Por Jesus ofereçamos a Deus, sem cessar, sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que celebram Seu Nome (Os 14,2)." Hb 13,15

    E tal Comunhão deve realizar-se na Igreja Apostólica, instituída nas pessoas dos Apóstolos, e por estrito intermédio de Seus obedientes Sacerdotes, como a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios ensina: "... podereis exercer toda espécie de generosidade que, por nosso intermédio, será ocasião de agradecer a Deus. ... que se multipliquem as ações de graças a Deus. ... pela obediência que professais ao Evangelho de Cristo..." 2 Cor 9,11-13

    A Comunhão Eucarística, portanto, é o maior dos Sacramentos, ao qual todos demais estão ordenados, como Jesus mesmo asseverou no Evangelho Segundo São João: "... se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53

    Ora, no Livro de Êxodo, diz um versículo na sequência dos 10 Mandamentos, quando Deus nos promete Sua vital proteção: "Prestarás culto ao Senhor Teu Deus, e então Eu abençoarei teu pão e tua água, e preservá-te-ei da enfermidade." Êx 23,25

quinta-feira, 11 de junho de 2026

São Barnabé

    São Barnabé foi dos primeiros cristãos a vender seus bens para os doar à nascente Igreja Católica (cf. At 1,8), então formada pela comunidade de Apóstolos, discípulos e seguidores em Jerusalém, logo após o Dia de Pentecostes. É leitura do Livro de Atos dos Apóstolos: "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas entre eles tudo era comum. Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos que possuíam terras e casas as vendiam, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos Apóstolos. Repartia-se, então, a cada um deles conforme a necessidade. Assim José, a quem os Apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer Filho da Consolação, levita natural de Chipre, possuía um campo. Vendeu-o e trouxe o valor dele, e depositou aos pés dos Apóstolos." At 4,32.34-37

    Autêntico judeu, porque levita como acima se lê, é provável que ele tenha sido um dos 72 discípulos enviados por Jesus, tempos após ter escolhido os Doze Apóstolos e anunciado pela segunda vez Sua Paixão. O Evangelho Segundo São Lucas anotou: "Depois disso, ainda designou o Senhor setenta e dois outros discípulos e os mandou, dois a dois, adiante de Si, por todas cidades e lugares aonde Ele tinha de ir. Disse-lhes: 'Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para Sua messe. Ide! Eis que vos envio como cordeiros entre lobos.'" Lc 10,1-3

    De fato, a intimidade da qual ele usufruía entre os Apóstolos corrobora essa possibilidade. O Amado Médico chegou mesmo a o chamar de Apóstolo, e, com o devido reconhecimento, colocou-o à frente de São Paulo na missão em Licaônia, enquanto os grandes dons deste último ainda não haviam aflorado: "Mas os Apóstolos Barnabé e Paulo, ao perceberem isso, rasgaram suas vestes e saltaram no meio da multidão." At 14,14

     Segundo a Sagrada Tradição, nossa Tradição Oral, São Barnabé já conhecia São Paulo desde quando eram alunos de um insigne fariseu em Jerusalém, bem antes do início da vida pública de Jesus. Isso explica porque é ele quem vai levar à comunidade católica o até então temido Saulo de Tarso, um caçador de cristãos, quando este voltou pela primeira vez à Cidade Santa após sua conversão: "Chegando a Jerusalém, tentava juntar-se aos discípulos, mas todos temiam-no, não querendo crer que se tivesse tornado discípulo. Então Barnabé, levando-o consigo, apresentou-o aos Apóstolos e contou-lhes como Saulo vira o Senhor no caminho, que lhe havia falado, e como em Damasco pregara, com desassombro, o Nome de Jesus." At 9,26-27

    Após São Pedro ter batizado o primeiro grupo de não-judeus em Cesareia Marítima (cf. At 10,48), no chamado 'Pentecostes dos Gentios', São Barnabé foi o especial enviado dos Apóstolos a Antioquia de Síria, terceira maior cidade do Império Romano, onde seus conterrâneos cipriotas haviam chegado e semelhantemente pregaram aos não-judeus com grande sucesso: "A notícia dessas coisas chegou aos ouvidos da igreja de Jerusalém. Então enviaram Barnabé a Antioquia. Ao chegar lá, alegrou-se, vendo a Graça de Deus, e a todos exortava a perseverar no Senhor com firmeza de coração, pois era um homem de bem, cheio do Espírito Santo e de . Assim uma grande multidão se uniu ao Senhor." At 11,19-24

    Também é daí que vai sair a primeira coleta de doação, de uma cidade para outra, o que comprova o reconhecimento de todos cristãos para com a comunidade de Jerusalém como primeira sede da Igreja Apostólica, já composta, além dos próprios Apóstolos, de nossos Padres, chamados Presbíteros. Especial emissário, São Barnabé seguia sendo mencionado à frente de São Paulo, o que atesta sua posição de liderança diante do futuro renomado Apóstolo: "Os discípulos resolveram, cada um conforme suas posses, enviar socorro aos irmãos de Judeia. Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos, por intermédio de Barnabé e Saulo." At 11,29-30

    E ao ser preso pela primeira vez, São Paulo recebe em Roma a visita de São Marcos e deixa o registro que o identifica como primo de São Barnabé. Consta da Carta de São Paulo aos Colossenses: "Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, primo de Barnabé, a respeito do qual já recebestes instruções. Se este for ter convosco, acolhei-o bem." Cl 4,10

quarta-feira, 10 de junho de 2026

3 Caminhos até Deus

    No primeiro caminho, o de Jerusalém, pela última vez, os Apóstolos iam com o próprio Deus na Pessoa de Jesus, mas ainda vacilantes na , mesmo depois de tudo que viram e ouviram, e serem informados de tudo de que precisavam saber. O Evangelho Segundo São Marcos apontou esse flagrante: "Estavam no caminho, subindo para Jerusalém, Jesus ia à frente deles. Estavam assustados e acompanhavam-nO com medo. E novamente tomando os Doze Consigo, começou a lhes predizer as coisas que Lhe haviam de acontecer." Mc 10,32

    No segundo, dois discípulos partiram de Jerusalém para Emaús logo após a guarda do Sábado, e não acreditaram nos testemunhos da Ressurreição Senhor. O Evangelho Segundo São Lucas apontou estas palavras suas ao próprio Jesus, a Quem não reconheceram ao primeiro contato (cf. Lc 24,31): "Nós esperávamos que fosse Ele Quem haveria de restaurar Israel, e agora, além de tudo isso, é hoje o terceiro dia que essas coisas aconteceram. É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram. Elas foram ao Sepulcro, antes do nascer do sol. E não tendo achado Seu Corpo, voltaram, dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais declararam que Ele está vivo." Lc 24,21-23

    E no caminho de Damasco, temos o ainda jovem São Paulo, nessa fase um impetuoso e violento fariseu, que havia consentido no apedrejamento de Santo Estêvão (cf. At 22,20) e queria a morte dos cristãos (cf. At 9,1), como Jesus mesmo havia profetizado sobre os membros de Santa Igreja Católica (cf. Jo 16,2). No Livro de Atos dos Apóstolos, São Lucas, amigo e colaborador de São Paulo após sua conversão, literalmente diz que ele perseguia a Igreja Apostólica, como muitos fazem ainda hoje: "Saulo, porém, devastava a Igreja. Entrando pelas casas, arrancava delas homens e mulheres e entregava-os à prisão." At 8,3

    Em síntese, temos: 

    - Indo a Jerusalémpessoas que seguiam Jesus, 'quase' certas de que Ele era o Salvador, mas estranhavam Seus planos; que acreditavam, mas também vacilavam; que prometiam morrer com Ele, mas abandonaram-nO; que se frustraram com Sua Crucificação, mas, pelo amor que Lhe tinham, permaneceram em Jerusalém e viram a Ressurreição; e São Tomé, à parte, que no Domingo da Ressurreição não estava junto aos Apóstolos, e ao buscá-los, mesmo ouvindo os relatos das aparições, continuou mostrando-se incrédulo, individualista e materialista, embora pronto para a completa conversão.

    Indo a Emaús: pessoas que seguiam Jesus, mas pouco dispostas a refletir apropriadamente sobre a Palavra e a vontade de Deus; que n'Ele acreditavam, mas não assumiam maior compromisso com Aquele 'Profeta'; que se frustraram com Sua Morte e fugiram com medo da perseguição dos judeus, para 'cuidar da vida'. Entretanto, como sinceramente se deixaram seduzir pela Boa Nova, e tinham dedicado muitos meses seguindo o Mestre, foram agraciados com a aparição do Ressuscitado, por meio da Santa Eucaristia (cf. Lc 24,30), e sentiram-se reenviados como testemunhas.

    - Indo a Damascouma pessoa que perseguia a Igreja de Deus Vivo, por não conhecer a Deus como se deve; que tinha fervorosa devoção, mas não conhecia nem o amor do Pai, nem Seus Mandamentos, nem Seu agir; que queria a morte dos cristãos, mas por reverência à Verdade cairia refém da Majestade do Crucificado; que se frustrou ao ser flagrado usando de extrema violência contra o Corpo Místico de Cristo, a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas, por seu grande zelo pelas Escrituras e porque o fazia por ignorância, mereceu ser testemunha de Sua Glória. E ao ser enviado para O servir, redimiu-se de seu passado e não teve vergonha de se converter.

    Todos eles, pois, foram corrigidos. São Pedroque subiu a Jerusalém para a Crucificação do Senhor, mas como representante de todos Apóstolos tinha que confirmar seus irmãos (cf. Lc 22,32), ouviu de Jesus: "Simão, filho de João, amas-Me mais que a estes?" Jo 21,15

    São Tomé, que também fez esse caminho, mas divagava em maiores dúvidas e exigia de Deus uma prova particular, ouviu: "Introduz aqui teu dedo, e vê Minhas mãos. Põe tua mão em Meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de ." Jo 20,27

    Os discípulos, que semelhantemente subiram a Jerusalém nessa ocasião, mas apartaram-se da comunidade messiânica e seguiram para Emaús por medo e por não meditarem o bastante, ouviram: "Ó gente sem inteligência! Como sois tardios de coração para crerdes em tudo que os Profetas anunciaram!" Lc 24,25

    E São Paulo, que não viu as principais manifestações do Cristo, mas, absolutamente presunçoso de sua fé e movido por extremada violência, só pensando em aniquilar os católicos, acabou por Jesus submetido aos próprios membros da Igreja Católica (cf. At 1,8), pois ouviu: "Levanta-te, vai a Damasco e lá te será dito tudo que deves fazer." At 22,10

terça-feira, 9 de junho de 2026

O Salvador anuncia o Espírito da Promessa

 

    Cumprindo-se os tempos, São João Batista veio preparar o povo para a Vinda do Salvador. No Evangelho Segundo São Lucas, ao anunciar seu nascimento ao sacerdote São Zacarias, seu pai, o Arcanjo São Gabriel deixou informado Quem moveria esse menino que viria a ser o Profeta do Altíssimo (cf. Lc 1,6): "... e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo..." Lc 1,15

    Tal Unção deu-se por intermédio de Nossa Mãe Celeste, a Esposa do Divino Paráclito: "Naqueles dias, Maria levantou-se e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas ouviu Isabel a saudação de Maria, a criança estremeceu-se em seu seio, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo." Lc 1,39-41

    E quando São João batizou Jesus, lá estava o Espírito Paráclito completando a primeira manifestação pública da Santíssima Trindade: o Pai falando do Céu, o Filho Encarnado e o Espírito como uma Pomba. É leitura do Evangelho Segundo São Mateus: "Depois que Jesus foi batizado, logo saiu da água. Eis que os Céus se abriram e se viu descer sobre Ele, em forma de Pomba, o Espírito de Deus. E do Céu ouviu-se uma voz: 'Eis Meu Amado Filho, em Quem ponho Minha afeição.'" Mt 3,16-17

    Por fim, em pouco mais de três anos que Jesus estava na companhia dos Apóstolos, eles já teriam esquecido alguns ensinamentos e ainda precisavam entender outros. Mas Ele garantia que tudo seria recordado, e todos esclarecimentos seriam feitos pelo Espírito de Deus, como está no Evangelho Segundo São João: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu Nome, ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26

    Sua Paixão, aliás, era condição para a Vinda do Divino Espírito: "Entretanto, digo-vos a Verdade: a vós convém que Eu vá! Porque se Eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas se Eu for, enviá-vo-Lo-ei." Jo 16,7

    Nosso Senhor, portanto, foi bem explícito ao dizer como o Santo Paráclito cumpriria Sua missão, abrindo-nos os olhos à Verdade, como Espírito da Verdade que é (cf. Jo 16,13): "E, quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da Justiça e do Juízo." Jo 16,8

    Até ajudaria os Apóstolos a O testemunhar nos mais difíceis momentos: "Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de Vosso Pai que falará em vós." Mt 10,20

    Aliás, na Festa das Tendas, Ele já havia prometido esse indizível dom, fazendo uma menção comum ao Livro do Profeta Zacarias e ao Livro do Profeta Isaías: "No último dia, que é o principal dia de Festa, estava Jesus de pé e clamava: 'Se alguém tiver sede, venha a Mim e beba. Quem crê em Mim, como a Escritura diz: De seu interior manarão rios de Água Viva (Zc 14,8; Is 58,11).' Dizia isso referindo-Se ao Espírito que haviam de receber aqueles que n'Ele cressem, pois o Espírito ainda não fora dado, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado." Jo 7,37-39

    E depois de ressuscitado, em Sua última aparição ao Colégio dos Apóstolos, Ele preparou-os para o Pentecostes: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei em Jerusalém até que sejais revestidos da força do alto." Lc 24,49

    Ora, no Livro de Atos dos Apóstolos, falando no dia do nascimento da Santa Igreja Católica, sobre o Pentecostes que acabara de acontecer, São Pedro assegurou aos peregrinos e moradores de Jerusalém: "... Jesus recebeu do Pai o Espírito Prometido, e derramou-O como estais vendo e ouvindo." At 2,33
    
    O cumprimento dessa promessa, portanto, marcou o novo tempo, o tempo do Espírito Santo, tempo da Igreja Apostólica ou tempo dos Sacramentos. De fato, em Suas últimas palavras, ou seja, pouco antes de Sua Ascensão aos Céus, Nosso Senhor vai dizer: "... descerá sobre vós o Espírito Santo e dá-vos-á força. E sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria, e até os confins do mundo." At 1,8

    O Paráclito, pois, é a própria garantia da Salvação, como Carta de São Paulo aos Efésios afirma e defende Sagrada Tradição, também chamada de Tradição Oral: "N'Ele (Cristo) vós, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, também fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor de nossa herança, enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor de Sua Glória." Ef 1,13-14

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Do Pecado à Reconciliação com Deus

 

    Falando do Divino Espírito Santo, que nos adota e nos concede a divina filiação, a Carta de São Paulo aos Romanos afirma: "De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas se pelo espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,13-14

    E investido da autoridade que os Sacerdotes da Santa Igreja Católica têm, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios prega: "Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em Nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta por nosso intermédio. Em Nome de Cristo, rogamo-vos: reconciliai-vos com Deus!" 2 Cor 5,20

    A Carta de São Paulo aos Colossenses, numa luminosa síntese do projeto da Salvação, fala da própria santidade: "Ele (Deus) arrancou-nos do poder das trevas e introduziu-nos no Reino de Seu amado Filho, no Qual temos a Redenção, a remissão dos pecados. Porque a Deus aprouve n'Ele fazer habitar toda plenitude, e por Seu intermédio reconciliar Consigo todas criaturas. Por intermédio d'Aquele que, ao preço do próprio Sangue na Cruz, restabeleceu a Paz a tudo quanto existe na Terra e nos Céus. ... eis que agora Ele vos reconciliou pela Morte de Seu Corpo Humano, para que possais apresentar-vos Santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai." Cl 1,13-14.19-20.22

    E assim o amor de Deus nos concede a Comunhão dos Santos, que nos permite verdadeiramente exultar com o Apóstolo dos Gentios: "Mas eis aqui uma brilhante prova de amor de Deus por nós: quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós. Se quando ainda éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela Morte de Seu Filho, com muito mais razão, já estando reconciliados, seremos salvos por Sua Vida." Rm 5,8-10

    Ora, os seguidores da tradição de São Paulo afirmam que Jesus, enquanto Ser Humano, viveu a Comunhão com o Pai através da obediência que Lhe tinha. Está na Carta aos Hebreus: "Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve." Hb 5,8

    Nosso Senhor mesmo atestou, no Evangelho Segundo São João, que Suas obras e Sua Palavra eram frutos dessa fidelidade: "... nada faço por Mim mesmo. Eu só digo aquilo que o Pai Me ensinou." Jo 8,28

    Eis que a Carta de São Paulo aos Filipenses oportunamente recita o Hino Cristológico: "Sendo Ele de divina condição, não Se prevaleceu de Sua igualdade com Deus, mas aniquilou a Si mesmo assumindo a condição de escravo e assemelhando-Se aos homens. E sendo exteriormente reconhecido como homem, ainda mais Se humilhou, tornando-Se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus soberanamente O exaltou, e outorgou-Lhe o Nome que está acima de todos nomes, para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho no Céu, na Terra e nos infernos." Fl 2,6-10

    O Ministério da Igreja Apostólica, portanto, é levar o mundo à obediência da , seguindo o exemplo dado pelo próprio Jesus, que "... segundo o Espírito de Santidade, foi estabelecido Filho de Deus em poder por Sua Ressurreição dos mortos. E do Qual temos recebido a Graça e o apostolado, a fim de levar, em Seu Nome, todas pagãs nações à obediência da fé... " Rm 1,4-5

    A Primeira Carta de São Pedro, pois, aponta a obediência como o Caminho que nos purifica do pecado: "Em obediência à Verdade, tendes purificado vossas almas para com sinceridade praticardes fraterno amor." 1 Pd 1,22

    Por isso, São Paulo flerta com a santidade e com a Vida Eterna: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a Justiça? Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade. E o resultado é a Vida Eterna." Rm 6,16.22

    Pois a despeito da gravidade de nossos pecados, Deus já havia prometido maravilhas no Livro do Profeta Isaías: "Ainda que seus pecados sejam vermelhos como púrpura, ficarão brancos como a neve. Ainda que sejam vermelhos como escarlate, ficarão como a lã." Is 1,18

domingo, 7 de junho de 2026

O Corpo de Cristo

    O Evangelho Segundo São João assim narrou como Deus encarnou em Jesus: "No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. E o Verbo fez-Se Carne e habitou entre nós, e vimos Sua Glória, a Glória que o Filho Único recebe de Seu Pai, cheio de Graça e de Verdade." Jo 1,1.14

    Logo, mesmo em toda Sua humanidade, Ele é a própria Pessoa de Deus, como a Carta de São Paulo aos Colossenses apontou: "Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda Criação. Pois n'Ele corporalmente habita toda plenitude da divindade." Cl 1,15;2,9

    Ora, Nosso Salvador usou o título de Deus (cf. Êx 3,14) ao identificar-Se perante os fariseus: "Por isso, disse-vos: morrereis em vosso pecado. Porque se não crerdes que EU SOU, morrereis em vosso pecado." Jo 8,24

    Mas também Se ofereceu, enquanto Sacramento, como Alimento da Vida Eterna, atestando a Transubstanciação do pão e do vinho durante o Rito da Comunhão da Santa Igreja Católica: "Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue, tem a Vida Eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no Último Dia. Pois Minha Carne verdadeiramente é uma comida, e Meu Sangue, verdadeiramente uma bebida." Jo 6,54-55

    Pediu, pois, que buscássemos esse Alimento: "Trabalhai não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois n'Ele Deus Pai imprimiu Seu sinal.'" Jo 6,27

    Com total fidelidade, esse Sacramento foi piedosamente cultuado por Apóstolos, discípulos e seguidores desde os primeiríssimos dias da Igreja. O Livro de Atos dos Apóstolos apontou os quatro constitutivos da Santa Missa logo após os Pentecostes: "Eles (fiéis) perseveravam na Doutrina dos Apóstolos, na fraterna Comunhão, na fração do Pão e nas orações." At 2,42

    Contudo, Ele igualmente ressuscitou, e aos Apóstolos apresentou-Se em Corpo Glorioso. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "Vede Minhas mãos e Meus pés, sou Eu mesmo. Apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés." Lc 24,39-41

    São Pedro testemunhou, revelando que Ele não apareceu a todo mundo: "Mas Deus ressuscitou-O ao terceiro dia, e permitiu que aparecesse não a todo povo, mas às testemunhas que Deus havia predestinado, a nós que com Ele comemos e bebemos depois que ressuscitou." At 10,40-41

    E também São João Evangelista, por ocasião da segunda miraculosa pesca (cf. Lc 5,6): "Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lhos, e do mesmo modo o peixe. Era esta já a terceira vez que Jesus Se manifestava a Seus discípulos, depois de ter ressuscitado. Tendo Eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro..." Jo 21,13-15a

    Os verdadeiros cristãos, enfim, formam o Corpo Místico de Cristo, que é a Santa Igreja Católica, concedendo-a o Precioso Depósito (cf. 2 Tm 1,14), o conjunto de tudo que é sagrado e que deve ser cultuado. Diz a Carta de São Paulo aos Efésios: "E (Deus) sujeitou a Seus pés (Jesus) todas coisas, constituindo-O como Cabeça da Igreja, que é Seu Corpo, o receptáculo d'Aquele que sob todos aspectos preenche todas coisas." Ef 1,22-23

    A Carta de São Paulo aos Romanos explica: "Pois, como em um só corpo temos muitos membros e cada um dos nossos membros tem diferente função, assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só Corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro." Rm 12,4-5

    O Corpo Místico de Cristo, portanto, é formado por Seus verdadeiros seguidores, que, apesar de ligeiras divergências, sequelas de nossos mais graves pecados, conseguem viver tal Unidade pela Graça do Espírito Santo (cf. Hb 10,29). A Primeira Carta de São João revela: "Quem observa Seus Mandamentos (de Cristo), permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24

    Os vaidosos, portanto, a modo de falsos mestres, cultores de heresias, automaticamente estão desligados de Cristo: "Desencaminham-se estas pessoas em suas próprias visões e, cheias do vão orgulho de seu materialista espírito, não se mantêm unidas à Cabeça, da qual todo Corpo, pela união das junturas e articulações, se alimenta e cresce conforme um crescimento disposto por Deus." Cl 2,18b-19