quinta-feira, 17 de setembro de 2026

A Linguagem de Deus

    No Evangelho Segundo São João, falando a seus seguidores sobre a plena Unção de que Jesus era portador, São João Batista disse: "Com efeito, Aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque Ele concede o Espírito sem medidas." Jo 3,34

    Nosso Senhor mesmo atestaria esse diferencial, quando questionou os líderes judeus: "Por que não compreendeis Minha linguagem?" Jo 8,43a

    Realmente estava diante de um terrível obstáculo, como havia acusado: "... Minha Palavra não penetra em vós." Jo 8,37b

    De fato, essa é a mais grave consequência dos erros do livre arbítrio, e Ele não podia deixar de apontar: "Quem é de Deus, ouve as Palavras de Deus, e se vós não as ouvis é porque não sois de Deus." Jo 8,47

    E disse aos religiosos, indiretamente aludindo a Sua própria Ressurreição, no Evangelho Segundo São Lucas: "Se não ouvirem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão convencer ainda que algum dos mortos ressuscite." Lc 16,31

    Ora, Jesus bem sabia que Sua Paixão seria uma frustração para os próprios Apóstolos, pois citou o Livro do Profeta Zacarias pouco antes do início. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda. Porque está escrito: 'Ferirei o Pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7).' Mas depois de Minha Ressurreição, Eu precedê-vos-ei em Galileia." Mt 26,31-32

    E mesmo após ressuscitar, Ele vai dizer a dois de Seus discípulos, que partiram para Emaús no Domingo da Ressurreição apesar dos testemunhos que ouviram: "Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo que os Profetas anunciaram! Lc 24,25b

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios abordou essa importante questão: "Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as Graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime coisas espirituais em termos espirituais." 1 Cor 2,12-13

    E também reclamou deles: "A vós, irmãos, não pude falar-vos como a homens espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Eu dei-vos leite a beber, e não sólido alimento porque ainda não podíeis suportar. Nem ainda agora o podeis, porque ainda sois carnais. Com efeito, enquanto houver entre vós ciúmes e contendas, não será porque sois carnais e procedeis de um totalmente humano modo?" 1 Cor 3,1-3

    O mesmo aconteceu com os seguidores de sua tradição, que escreveram na Carta aos Hebreus: "Teríamos muita coisa a dizer sobre isso, e coisas bem difíceis de explicar dada vossa lentidão em compreender. A julgar pelo tempo, já devíeis ser mestres! Contudo, ainda necessitais que vos ensinem os primeiros rudimentos da Palavra de Deus. E tornastes-vos tais que precisais de leite em vez de sólido alimento! Ora, quem se alimenta de leite não é capaz de compreender a Doutrina da Justiça, porque é ainda criança. Mas o sólido alimento é para os adultos, para aqueles que a experiência já exercitou na distinção do bem e do mal." Hb 5,11-14

    Assim como a Carta de São Paulo aos Romanos havia reclamado: "Vou servir-me de corrente linguagem entre os homens, por causa da fraqueza de vossa carne." Rm 6,19a

    Entretanto, citando o Livro do Profeta Isaías, ele dizia que não se tratava de palavreado, sutileza ou falsos cuidados, mas de interpretação da mais pura realidade: "Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o Evangelho. E isso sem recorrer à habilidade da arte da oratória, para que a Cruz de Cristo não seja desvirtuada. A linguagem da Cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas, para aqueles que foram salvos, para nós, é uma divina força. Está escrito: 'Destruirei a sabedoria dos sábios, e anularei a prudência dos prudentes (Is 29,14).'" 1 Cor 1,17-19

    Por isso, a Carta de São Paulo a São Tito vai recomendar, além da Sã Doutrina, total comedimento de palavras: "Igualmente exorta os moços a serem moderados, e em tudo mostra-te modelo de bom comportamento: pela integridade na Doutrina, gravidade, sã e irrepreensível linguagem, para que o adversário seja confundido, não tendo de nós mal algum a dizer." Tt 2,6-8

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

O Fim dos Tempos

    Jesus claramente falou que o mundo teria fim, como disse em Seus últimos dias entre os Apóstolos. Antes, porém, Sua Palavra será devidamente anunciada, como o Evangelho Segundo São Mateus anotou: "Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas nações, e então chegará o fim." Mt 24,14

    Ele realmente Se referia ao fim de tudo, pois assim falou quando prometeu Comunhão à Santa Igreja Católica, à qual Ele jamais abandona. Foi pouco antes de Sua Ascensão aos Céus: "Eis que convosco estou todos dias, até a consumação dos séculos.'" Mt 28,20b

    E deu detalhes na parábola do joio e do trigo, falando sobre o Juízo Final"A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos. E assim como se recolhe o joio para o jogar no fogo, assim será no fim do mundo." Mt 13,39b-40

    A Segunda Carta de São Pedro, pois, ensina: "Entretanto, virá o Dia do Senhor como ladrão. Naquele dia, os céus passarão com ruído, os elementos abrasados dissolver-se-ão e a Terra será consumida com todas obras que ela contém." 2 Pd 3,10

    O Livro de Apocalipse de São João vai adiante, explicando o próximo capítulo, a Recriação"Vi, então, um novo céu e uma nova Terra, pois o primeiro céu e a primeira Terra desapareceram, e o mar já não existia." Ap 21,1

    O Livro de Eclesiástico já havia registrado, referindo-se ao Profeta Isaías: "Por uma poderosa inspiração, ele viu o fim dos tempos, e consolou aqueles que choravam em Sião. Ele anunciou o futuro até a eternidade, assim como as coisas ocultas antes que se cumprissem." Eclo 48,27-28

    Ora, Nosso Salvador fala do Último Dia por seis vezes no Evangelho Segundo São João, e assim mencionou a Ressurreição da Carne: "Ora, esta é a vontade d'Aquele que Me enviou: que Eu não deixe perecer nenhum daqueles que Me deu, mas que os ressuscite no Último Dia." Jo 6,39

    Ele explicou sobre a nova condição dos fiéis: "O Filho do Homem enviará Seus anjos, que de Seu Reino retirarão todos escândalos e todos que fazem o mal, e lançá-los-ão na ardente fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes. Então, no Reino de Seu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça." Mt 13,41-43

    E a Primeira Carta de São Pedro acrescenta mais um detalhe: o Juízo Final começará pela Igreja Católica Apostólica Romana! Ele pondera: "Porque vem o momento em que se começará o Julgamento pela Casa de Deus. Ora, se Ele começa por nós, qual será a sorte daqueles que são infiéis ao Evangelho de Deus?" 1 Pd 4,17

    Segundo o 'homem vestido de linho', apontado no Livro do Profeta Daniel, a Parusia será: "... no momento em que a força do santo povo for inteiramente esmagada, que todas estas coisas se cumprirão." Dn 12,7b

    Será, portanto, uma vitória exclusivamente de Deus, como o Arcanjo São Gabriel lhe revelou: "'Eis!', disse, 'Vou revelar-te o que acontecerá nos últimos tempos da cólera, porque isso diz respeito ao tempo final. No fim do reinado dos infiéis, quando sua medida estiver cheia, surgirá um rei cheio de crueldade e fingimento. Seu poder aumentará, nunca porém por si mesmo. Fará monstruosas devastações, terá êxito em suas empresas, exterminará os poderosos e o povo dos santos. Por força de sua habilidade, fará triunfar sua deslealdade, seu coração inchar-se-á de orgulho. Mandará matar muita gente que não espera por isso, levantar-se-á contra o Príncipe dos Príncipes, mas será aniquilado sem a intervenção de mão humana.'" Dn 8,19.23-25

    De fato, assim os detalhes da Batalha Final dizem, também apontando um maligno império e um destacado anticristo: "Depois de se completarem mil anos, Satanás será solto da prisão. Dela sairá para seduzir as nações dos quatro cantos da Terra (Gog e Magog) e as reunir para o combate. Serão numerosas como a areia do mar. Subiram à superfície da Terra e cercaram o acampamento dos santos e a Amada Cidade. Mas um fogo desceu dos céus e devorou-as. O Demônio, sedutor delas, foi lançado num lago de fogo e de enxofre, onde já estavam a Besta e o falso profeta, e onde serão atormentados, dia e noite, pelos séculos dos séculos." Ap 20,7-10

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Nossa Senhora das Dores

    A FUGA DA SAGRADA FAMÍLIA PARA EGITO - A primeira grande dor de Nossa Senhora deu-se logo após o Nascimento de Jesus, quando o Anjo da Guarda de São José o avisou que a vida do Menino Jesus estava em grave risco. É do Evangelho Segundo São Mateus: "Depois de sua partida (dos rei magos), o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: 'Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe, e foge para Egito. Fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para O matar.' José levantou-se durante a noite, tomou o Menino e Sua mãe, e partiu para Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que o Senhor disse pelo Profeta Oseias: 'De Egito, Eu chamei Meu Filho (Os 11,1).'" Mt 2,13-15

    AS TRISTES PROFECIAS DE SIMEÃO SOBRE JESUS E MARIA - Antes de partir para Egito, porém, Seus pais ousaram passar por Jerusalém mesmo sob as ameaças de Herodes, para apresentar o Menino Jesus no Templo como o Antigo Testamento mandava (cf. Êx 13,2), no oitavo após de Seu Nascimento (cf. Lv 12,3). Lá a Santíssima Virgem ouviu do religioso Simeão o anúncio de mais dores. E tal anúncio, em si, foi sua segunda grande dor. O Evangelho Segundo São Lucas narrou: "Simeão abençoou-Os e disse a Maria, Sua Mãe: 'Eis que este Menino está destinado a ser causa de queda e ascensão para muitos homens em Israel, e a ser sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará tua alma.'" Lc 2,34-35

    A 'PERDA' DO MENINO JESUS POR TRÊS DIAS - Ao completar doze anos, numa viagem à Cidade Santa, Jesus deixou-Se ficar no Templo questionando os doutores da Lei, e assim 'Se perdeu' de Sua Mãe e Seu pai. O sinal da brusca separação, que aconteceria na Santa Cruz, é a terceira grande dor de Maria Santíssima: "Seus pais iam todo ano a Jerusalém para a festa da Páscoa. Tendo Ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o Menino Jesus em Jerusalém sem que Seus pais o percebessem. Pensando que Ele estivesse com Seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e buscaram-nO entre parentes e conhecidos. Mas não O encontrando, voltaram a Jerusalém a Sua procura. Três dias depois, acharam-nO no Templo, sentado em meio a doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos que O ouviam estavam maravilhados da Sabedoria de Suas respostas. Quando eles O viram, ficaram admirados. E Sua Mãe disse-Lhe: 'Meu Filho, que nos fizeste? Eis que Teu pai e eu andávamos a Tua procura, cheios de aflição.' Respondeu-lhes Ele: 'Por que Me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na Casa Meu Pai?'" Lc 2,41-49

    MARIA OUVE JESUS CONSOLAR AS MULHERES NO CAMINHO AO CALVÁRIO - Enquanto subia o Monte Calvário carregando a Cruz, Jesus, apresentando-Se como o "Rebento de Jessé", segundo a profecia do Livro do Profeta (cf. Is 11,10), consolou algumas devotadamente caridosas mulheres de Jerusalém. Como O acompanhava naquela que viria a ser a Via Sacra, vendo Sua compaixão por elas mesmo estando sob tão grandes suplícios, a Mãe de Deus teve sua quarta grande dor: "Seguia-O uma grande multidão do povo e também mulheres, que batiam no peito e lamentavam. Voltando-Se para elas, Jesus disse: 'Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim. Chorai por vós mesmas e por vossos filhos, porque dias virão nos quais se dirá: 'Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os seios que não amamentaram!' Então dirão aos montes: 'Caí sobre nós!' E aos outeiros: 'Cobri-nos!' Porque se eles fazem isto ao Verde Lenho, que acontecerá ao seco?'" Lc 23,27-31

    DE PÉ, MARIA PADECE O SOFRIMENTO E A MORTE DE JESUS - Ouvir as últimas palavras de Seu Amado Filho e ver Seu último suspiro na Cruz, como o Evangelho Segundo São João relatou, foram os momentos da quinta grande dor da Santíssima Virgem: "Junto à Cruz de Jesus estavam de pé Sua Mãe, a irmã de Sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu Sua Mãe, e perto dela o discípulo que amava, disse a Sua Mãe: 'Mulher, eis aí teu filho.' Depois disse ao discípulo: 'Eis aí tua Mãe.' E dessa hora em diante, o discípulo levou-a para sua casa. Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para que plenamente se cumprisse a Escritura, disse: 'Tenho sede.' Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-Lhe à boca. Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: 'Tudo está consumado.' Inclinou a cabeça e rendeu o espírito." Jo 19,25-30

    MARIA RECEBE O CORPO DE JESUS RETIRADO DA CRUZ - Após a Morte de Nosso Senhor, Maria Imaculada obviamente não sairia dali sem ver o que fariam com o Corpo de Seu Filho, embora tal atitude não tenha sido citada por São Marcos. E recebê-Lo ao ser retirado da Cruz foi sua sexta grande dor: "E já chegada a tarde, pois era a Preparação, isto é‚ a véspera do Sábado, veio José de Arimateia, ilustre membro do conselho, que também esperava o Reino de Deus. Ousando entrar onde Pilatos estava, pediu-lhe o Corpo de Jesus. Pilatos admirou-se de que Ele tivesse morrido tão depressa. E chamando o centurião, perguntou se já havia muito tempo que Jesus tinha morrido. Obtida a resposta afirmativa do centurião, mandou dar-lhe o Corpo. Depois de ter comprado um pano de linho, José tirou-O da Cruz..." Mc 15,42-46a

    MARIA VÊ O SEPULTAMENTO DO CORPO DE JESUS - E também sem a expressa menção de São Mateus, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro acompanhou todo procedimento até o Corpo de Jesus ser sepultado. Por sua permanente presença ao lado do Amado Filho durante toda Sua Missão (cf. Jo 2,12), e perfeita esperança em Sua Ressurreição, como Ele havia anunciado, ela não deixou demover-se antes do completo cair da noite. E assistir ao sepultamento foi sua sétima grande dor: "José tomou o Corpo, envolveu-O num branco lençol e depositou-O num novo Sepulcro, que para si tinha mandado talhar na rocha. Depois rolou uma grande pedra à entrada do Sepulcro, e dali partiu. Maria Madalena e a outra Maria lá ficaram, sentadas defronte ao Túmulo." Mt 27,59-61

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Exaltação da Santa Cruz

    A Santa Igreja Católica sempre anunciou Cristo Crucificado. Como não há Deus sem Jesus, não há Cristo sem a Santa Cruz! Tanto que a Carta de São Paulo aos Gálatas cobrou exatamente a memória dessa representação que ele usava para anunciar a Sã Doutrina: "Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou, ante cujos olhos foi apresentada a imagem de Jesus Cristo crucificado?" Gl 3,1

    Nosso Santo não deixava enredar-se no 'paradoxo de Deus morto', que para limitadas mentalidades faz de sua pregação um absurdo. Na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, lê-se: "... mas nós pregamos Cristo Crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos..." 1 Cor 1,23

    Pois foi exatamente pela Santa Cruz, maior ato da negação de si mesmo, que Jesus eliminou as diferenças entre judeus e não judeus, ou seja, entre todos seres humanos. A Carta de São Paulo aos Efésios diz: "Desse modo, em Si mesmo Ele queria fazer dos dois povos uma única e nova humanidade pelo restabelecimento da Paz, e reconciliá-los ambos com Deus, reunidos num só Corpo pela virtude da Cruz, nela aniquilando a inimizade." Ef 2,15b-16

    Deus Crucificado, portanto, é sinal de humildade. E para Seus filhos, que têm Jesus como Modelo, é símbolo de confiança e plena obediência à vontade do Pai. O Apóstolo dos Gentios explicou aos cristãos da cidade de Corinto: "Eu, quando convosco fui ter, irmãos, também não fui com o prestígio da eloquência nem da Sabedoria anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo Crucificado." 1 Cor 2,1-2

    E nela, pela reverente submissão aos projetos do Pai, Jesus acusou e também venceu as arrogantes maquinações de ordens de anjos de Satanás: "Espoliou os principados e potestades, expondo-os ao ridículo, deles triunfando através da Cruz." Cl 2,15

    Tal qual São Paulo, porém, e como nos oferecemos em sacrifício espiritual na Santa Missa (cf. Rm 12,1), é nessa condição que devemos considerar-nos perante o mundo: "Na realidade, pela eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à Cruz de Cristo." Gl 2,19

    Não há, assim, nenhum exagero em piedosamente abraçar e carregar a própria cruz. Ao contrário, temos a Igreja Apostólica que por este Caminho (cf. Jo 14,6) se vê repleta de Santos, e por isso colocamos toda nossa confiança não numa meramente mundana realização, mas no grandioso projeto de Deus, como a Carta de São Paulo aos Filipenses nos exorta: "Porque há muitos por aí, de quem repetidas vezes vos tenho falado e agora digo chorando, que se portam como inimigos da Cruz de Cristo, cujo destino é a perdição, cujo deus é o ventre, para quem a própria vergonha é causa de envaidecimento, e só têm prazer no que é terreno. Nós, porém, somos cidadãos dos Céus." Fl 3,18-20a

    Ele só admitia gloriar-se da ruptura com o pecado e dos sofrimentos que padecia pela Redenção da humanidade, pois tal Glória só via na Santa Cruz: "Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo." Gl 6,14

    Ora, o significado da Cruz na mensagem deixada por Jesus é absoluto. Ela é o sinal maior do amor de Deus, por representar o Sacrifício de Seu Filho, pelo qual temos a remissão de nossos pecados no Sacramento da Confissão. De fato, no Evangelho Segundo São João, Nosso Salvador já predizia Seu destino desde Sua primeira manifestação pública em Jerusalém: "Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que em Si crer tenha a Vida Eterna." Jo 3,14-15

    Por isso, bem antes de Sua Paixão, Ele recomendava a cruz como sinal de despojamento de mundanos valores e de disposição para enfrentar contrariedades ao anunciar Sua Palavra, pois ela é o próprio Caminho da Salvação. É do Evangelho Segundo São Mateus: "Se alguém quiser vir Comigo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-Me." Mt 16,24

    E já havia advertido: "Quem não toma sua cruz e não Me segue, não é digno de Mim. Aquele que tentar salvar sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por causa de Mim, reencontrá-la-á." Mt 10,38-39

domingo, 13 de setembro de 2026

A Definitiva Volta de Jesus

    Em clara resposta aos Apóstolos, que insistiam, Jesus disse, depois de ressuscitado e antes de Sua Ascensão, que não saberíamos quando se dará Sua Volta. São Lucas registrou no Livro de Atos dos Apóstolos: "Assim reunidos, eles interrogaram-nO: 'Senhor, é porventura agora que ides instaurar o Reino de Israel?' Respondeu-lhes Ele: 'Não vos pertence saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em Seu poder.'" At 1,6-7

    Contudo, Nosso Salvador deu alguns detalhes desse porvir. Falou, no Evangelho Segundo São Marcos, que seria depois de uma Grande Tribulação: "Naqueles dias, depois dessa tribulação, o sol escurecer-se-á, a lua não dará seu resplendor. Cairão os astros do céu e as forças que estão no céu serão abaladas. Então verão o Filho do Homem voltar sobre as nuvens com grande poder e Glória. Ele enviará os anjos e reunirá Seus escolhidos dos quatro ventos, desde a extremidade da Terra até a extremidade do céu." Mc 13,24-27

    Realmente serão difíceis tempos, ainda segundo Ele. Tão difíceis que Sua Volta estará evidente: "Assim também quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do Homem está próximo, às portas." Mc 13,29

    Grandes convulsões, pois, ou verdadeiramente enormes, apenas representam os primeiros de pesarosos sinais, como Ele havia dito: "Quando ouvirdes falar de guerras e de rumores de guerra, não temais. Porque é necessário que estas coisas aconteçam, mas ainda não será o fim. Levantar-se-ão nação contra nação, e reino contra reino. E haverá terremotos em diversos lugares, e fome. Isto será o princípio das dores." Mc 13,7-8

    E claramente distinguiu o Juízo Final pregando em Jerusalém durante Sua última Páscoa, como está no Evangelho Segundo São Mateus: "Quando o Filho do Homem voltar em Sua Glória, e com Ele todos anjos, sentar-Se-á em Seu glorioso trono. Todas nações reunir-se-ão diante d'Ele, e Ele separará uns dos outros como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas a Sua direita e os cabritos a Sua esquerda. Então o Rei dirá àqueles que estão à direita: 'Vinde, benditos de Meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo.'" Mt 25,31-34

    Pregando a Ressurreição de Cristo e o Sacramento da Confissão, São Paulo advertia em Atenas, no Areópago, dizendo desse inafastável futuro: "Deus, porém, não levando em conta os tempos da ignorância, agora convida todos homens de todos lugares a se arrependerem, porquanto fixou o Dia em que com Justiça há de julgar o mundo, pelo Ministério de um Homem que para isso destinou. Como garantia disso, a todos deu o fato de O ter ressuscitado dentre os mortos." At 17,30-31

    E a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses deu estes detalhes sobre a Parusia: "Com os mensageiros de Seu poder, Ele descerá do Céu por entre chamas de fogo, para fazer Justiça àqueles que não reconhecem a Deus e àqueles que não obedecem ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus. Como castigo, eles sofrerão a eterna perdição, longe da face do Senhor e de Sua Suprema Glória. Naquele dia, Ele virá e será a Glória de Seus Santos e a admiração de todos fiéis, e também vossa, porque crestes no testemunho que vos demos." 2 Ts 1,7b-10

    Falando dos irreligiosos, a Primeira Carta de São Pedro deixa claro que nem todos estarão mortos no Último Dia: "Eles darão conta Àquele que está pronto para julgar os vivos e os mortos." 1 Pd 4,5

    Na Carta aos Hebreus, os seguidores da tradição de São Paulo explicaram: "... assim uma só vez Cristo Se ofereceu para sobre Si tomar os pecados da multidão, e aparecerá uma segunda vez, não porém em razão do pecado, mas para trazer a Salvação àqueles que O esperam." Hb 9,28

    E sem dúvida, Nosso Senhor avisou aos judeus de Sua presença tanto no Juízo Particular como no Final: "O sumo sacerdote tornou a Lhe perguntar: 'És Tu o Cristo, o Filho de Deus Bendito?' Jesus respondeu: 'EU SOU. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso, vindo sobre as nuvens do Céu." Mc 14,61b-62

sábado, 12 de setembro de 2026

Santíssimo Nome de Maria

    Foi coroando o primeiro versículo da Anunciação do Senhor, que o Evangelho Segundo São Lucas, o Evangelista do Espírito Santo, citou o Nome da Mãe de Nosso Senhor pela primeira vez. A datação em meses tinha por referência o anúncio do Nascimento de São João Batista: "No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade de Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi, e o Nome da virgem era Maria." Lc 1,26-7

    Profetiza de primeira grandeza, Nossa Senhora já sabia que, desde esta visita do Arcanjo São Gabriel, Seu Santíssimo Nome seria evocado em toda Terra e nos Céus. Ela inspiradamente cantou no Magnificat quando visitou Santa Isabel, que estava grávida de São João Batista: "Por isto, desde agora, todas gerações proclamá-me-ão bem-aventurada..." Lc 1,48

    E todos nós somos testemunhas do cumprimento dessa profecia, pois sua bem-aventurança vem sendo mundialmente reconhecida por todos séculos. Assim foi a vontade de Deus, e Moisés, no Livro de Deuteronômio, já havia estabelecido o critério para verificar profecias: "Quando o Profeta tiver falado em Nome do Senhor, se o que ele disse não se realizar, é que essa Palavra não veio do Senhor." Dt 18,22a

    Esse sinal de Deus foi profeticamente cantado por sagrados autores no Livro de Salmo, apontando Maria como Rainha, dizendo que, por sua perfeita piedade, seus autênticos filhos, os Santos e Sacerdotes, reinariam sobre a Terra, e que seu Santíssimo Nome seria eternamente celebrado: "Vosso trono, ó Deus, é eterno. De equidade é Vosso cetro real. ... posta-se a Vossa direita a Rainha, ornada de ouro de Ofir. Ouve, filha, vê e presta atenção: esquece teu povo e a casa de teu pai. De tua beleza encantar-Se-á o Rei. Ele é Teu Senhor, rende-Lhe homenagens. Tomarão teus filhos o lugar de teus pais, e tu estabelecê-lo-as príncipes sobre toda Terra. Celebrarei Teu Nome através das gerações, e os povos eternamente te louvarão." Sl 44,7.10b-12.17-18

    Falando pela Divina Sabedoria, mas bem traduzindo o que Nossa Senhora representa, também já estava no Livro de Eclesiástico: "A memória de Meu Nome durará por toda série dos séculos." Eclo 24,28

    E no Livro de Judite, esta viúva e heroína, que decapitou o então grande inimigo de Israel, o general assírio Holofernes, foi uma pré-figura bíblica de Nossa Senhora. Não só por sua exemplar castidade, mas principalmente por sua eterna bendição, publicamente aclamada pelo sumo sacerdote, pelos anciãos e pelo povo de Jerusalém: "Deste prova de vigorosa alma e valente coração. Amaste a castidade e não quiseste, depois da morte de teu marido, conhecer outro homem. Então, o Senhor fortaleceu-te e por isso serás eternamente bendita." Jt 15,11

    Ora, o Nome de Maria era a principal referência do próprio Jesus entre Sua gente. O Evangelho Segundo São Marcos apontou: "Não é Ele o carpinteiro, o Filho de Maria?" Mc 6,3a

    Tão singular e sagrado é seu Nome que o Arcanjo São Gabriel não o pronunciou em suas primeiras palavras, ao cumprimentá-la, preferindo chamá-la de 'agraciada', em referência às tantas Graças das quais ela já havia sido cumulada (cf. Lc 1,49) e uma ainda maior, que ele estava por anunciar: de ser a Mãe do esperado Messias: "Ave, agraciada, o Senhor é contigo." Lc 1,28

    Aliás, São João Evangelista, Apóstolo que com ela mais conviveu e melhor a conheceu (cf. Jo 19,27), vivendo o início do Ministério da Mulher Coroada (cf. Ap 15,1), jamais menciona seu Nome, seja em seu Evangelho, em suas Epístolas ou no Livro de Apocalipse. A ela refere-se como 'Sua Mãe' ou a 'Mulher', como o fez o próprio Jesus no episódio da transformação da água em vinho (cf. Jo 2,4), certamente para a relacionar com 'a Mulher' que esmaga a cabeça da Serpente, como previsto no Livro de Gênesis (cf. Gn 3,15).

    O Arcanjo São Gabriel, entretanto, como não poderia deixar de pronunciar Seu Santíssimo Nome, logo em seguida O empregou com distinção, na primeira oportunidade, ao explicar-lhe a imensurável Graça que ela recebeu. E ele vai usar a mais marcante expressão dos bíblicos Livros para designar uma grande benção e os divinos auxílios: 'encontrar Graça diante de Deus' (cf. Gn 6,8;18,3;etc): "Não temas, Maria, pois encontraste Graça diante de Deus." Lc 1,30

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Acreditar no Amor

    Jesus é a personificação do amor de Deus, Cristo Crucificado é a grande prova do amor de Deus, e os verdadeiros católicos são reconhecidos por expressar o amor que é próprio de Deus, ou seja, a Comunhão com Deus, como Nosso Senhor disse dos Apóstolos quando rezou ao Pai, no Evangelho Segundo São João: "Manifestei-lhes Teu Nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que Me amaste esteja neles, e Eu neles." Jo 17,26

    É claro, porém, que o amor de Deus é muito superior ao nosso. Nosso Salvador revelou: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo que lhe deu Seu Único Filho, para que todo aquele que n'Ele crer não pereça, mas tenha a Vida Eterna." Jo 3,16

    Mas Ele também veio mostrar quão longe nosso amor, comungando do de Deus, pode ir, o que já foi comprovado por muitos de Seus verdadeiros seguidores, os Santos e mártires: "Ninguém tem maior amor que aquele que dá sua vida por seus amigos." Jo 15,13

    Reverberando esse elementar capítulo da Doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana, a Primeira Carta de São João exortou: "Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu Sua vida por nós. Nós também devemos dar nossa vida por nossos irmãos." 1 Jo 3,16

    Pois o verdadeiro amor é o mais precioso bem que tanto o ser humano quanto o próprio Deus pode oferecer. Por isso, sob o risco de se reduzir a uma vida absolutamente sem sentido, dele não se pode descrer. Ao contrário, nele deve-se persistir, tal como Nosso Senhor ensinou: "Como o Pai Me ama, assim Eu também vos amo. Perseverai em Meu amor. Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor, como Eu também guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto em Seu amor." Jo 15,9-10

    Esse amor é a própria marca da Igreja fundada por Jesus, pois retrata sua Unidade, como Ele profetizou: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35

    Ele havia indicado Seu amor como meta a ser alcançada, chamando-o de Novo Mandamento: "Dou-vos um Novo Mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como Eu vos tenho amado, assim também deveis amar-vos uns aos outros." Jo 13,34

    Contudo, Jesus nunca Se enganou com o mundo, e apontou a grande apostasia do fim dos tempos (cf. 2 Ts 2,3), como está no Evangelho Segundo São Mateus: "E ante o crescente progresso da iniquidade, o amor de muitos esfriará." Mt 24,12

    E se o mundo não acredita mais no amor, que ainda pode sentir, como pode acreditar em Deus se nem sequer O procura? Sem dúvida, só pela Unção do Espírito de Deus, que se tem nos Sacramentos do Batismo e da ,Crisma, podemos conhecer o verdadeiro amor, como a Carta de São Paulo aos Romanos afirmou: "... o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado." Rm 5,5

    Para que demos frutos, portanto, é preciso aperfeiçoar-nos na vivência da Graça, e isso só se dá pela concreta e constante prática da negação de si mesmo e da caridade, seja espiritual ou material, como a Carta de São Paulo aos Colossenses recomenda: "Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada Misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. Suportai-vos uns aos outros e mutuamente vos perdoai, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim vós também perdoai. Mas, acima de tudo, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição." Cl 3,12-14

    Pois, só quando honestamente buscamos a santidade, é que Deus Se faz de fato presente em nossas vidas. É da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: "Tendei à perfeição, animai-vos, tende um só coração, vivei em Paz, e o Deus de amor e Paz estará convosco." 2 Cor 13,11

    E São João diz do amor como sinal da presença de Deus, da verdadeira Comunhão com Deus, na Pessoa do Espírito Santo: "Se mutuamente nos amarmos, Deus permanece em nós e Seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que estamos n'Ele e Ele em nós: por Ele nos ter dado Seu Espírito." 1 Jo 4,12b-13

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Jesus fundou a Igreja

    No Evangelho Segundo São Mateus, além de chamar a Santa Igreja Católica (cf. Ef 5,26 e At 1,8) de 'Minha', Jesus diz que Ele mesmo vai edificá-la. E edifica-a de todas formas: materialmente, pela Divina Providência, e, o mais importante, espiritualmente, vocacionando pessoas (cf. Jo 15,16). E Ele deixa claro que vai edificá-la sobre a pessoa de São Pedro, que, como várias provas materiais atestam, foi martirizado em Roma e sepultado no jardim chamado de Vaticano, túmulo sobre o qual Sua Catedral foi erguida: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja." Mt 16,18a

    Ora, o Livro de Apocalipse de São João testifica a fundação da Igreja Católica Apostólica Romana, fato consumado quando o escreveu, dizendo do Reino de Sacerdotes que Deus havia prometido através de Moisés durante o Êxodo (cf. Êx 19,6) e que claramente se cumpriu com a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados em Seu Sangue e fez de nós um Reino de Sacerdotes para Deus e Seu Pai, Glória e poder pelos séculos dos séculos! Amém." Ap 1,5b-6

    A Igreja Una, portanto, não é feita por aqueles que dizem que escolhem Jesus, a seus modos, mas por aqueles a quem Ele escolheu, através da própria Igreja que é guiada pelo Espírito Santo (cf. Jo 16,13) para obedecer a Nosso Senhor (cf. 1 Pd 1,2). Como está no Evangelho Segundo São João, esse é o segredo do sucesso da Igreja, cujos Sacramentos valem para a eternidade. "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça." Jo 15,16a

    São João Batista, de fato, atestou: "Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do Céu." Jo 3,27

    E Nosso Salvador foi claro quanto a toda dissidência doutrinária que não obedece plenamente à Revelação, e chama de cego não só seus líderes, mas também quem os segue: "Toda planta que Meu Pai Celeste não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego conduz a outro, ambos tombarão na mesma vala." Mt 15,13-14

    Ademais, no Evangelho Segundo São Lucas, Ele assim falou aos Apóstolos numa frase que vale para todo Clero, formado por Seus Sacerdotes, ou seja, Bispos e Padres pessoalmente por Ele instituídos, como vimos. Então, recusar-se a ouvi-los é rejeitar o Messias e recusar-se a ouvir a Deus: "Quem vos ouve, a Mim ouve. E quem vos rejeita, a Mim rejeita. E quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou." Lc 10,16

    Enfim, Ele garantiu que a Santa Madre Igreja (cf. Gl 4,26) é indestrutível. Pode perder muitos membros (cf. 2 Ts 2,3), mas jamais, por nada nem ninguém, ela será derrotada. Nem mesmo Satanás, com todo seu poder (cf At 26,18) e seus possessos, fará frente a ela: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18b

    Em sua perfeita Unidade, poisinicialmente concedida aos Apóstolos e que entre nós se realiza pelo recebimento do Santíssimo Sacramento durante a Santa Missa, a Igreja Católica estampa a Glória de Deus, que foi derramada pelo Messias como prova de Sua passagem entre nós e do amor do Pai. Ele rezou ao Pai dizendo dos Apóstolos, fundamentos da Igreja (cf. Ef 2,20): "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23

    Ele também pediu por todos nós que ouviríamos seus testemunhos, pois só assim a Santa Igreja seguiria em perfeita União: "Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em Mim. Para que todos sejam Um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que eles também estejam em Nós e o mundo creia que Tu Me enviaste." Jo 17,20-21

    E garantindo que para sempre estaria com Sua Igreja, Nosso Senhor pede aos Apóstolos que integralmente retransmitam Sua Doutrina, isto é, sem parcialidade, preferências ou omissões, que é o significado da palavra heresia: "Ensinai-as (nações) a observar tudo que vos ordenei. Eis que estou convosco todos dias, até a consumação dos séculos." Mt 28,20

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

"A Mim atrairei Todos Homens"

    Que a Santa Cruz não nos seja nem mesmo um contrassenso! Se o mundo crucificou Jesus, foi porque ou não sabia o que fazia ou não era digno d'Ele. E se Ele aceitou a crucificação foi para demonstrar, além de Sua Paixão para a Salvação da humanidade, o divino projeto da Ressurreição da Carne. Pois noutro aparente paradoxo, foi na Cruz que o Homem Jesus foi elevado à Glória. Com efeito, ao ser procurado por judeus de outras nações, Ele percebeu que Sua Missão estava chegando ao fim, e disse, no Evangelho Segundo São João: "É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado." Jo 12,23b

    E por ela ofereceu a Redenção à humanidade: "E quando Eu for levantado da Terra, a Mim atrairei todos homens." Jo 12,32

    Essa Universal Redenção, por Seu Sangue na Cruz, é a razão de ser de Sua Encarnação. A Carta de São Paulo aos Colossenses diz: "Porque aprouve a Deus fazer n'Ele habitar toda plenitude, e por Seu intermédio reconciliar Consigo todas criaturas. Por intermédio d'Aquele que, ao preço do próprio Sangue na Cruz, restabeleceu a Paz a tudo quanto existe na Terra e nos Céus." Cl 1,19-20

    Para muitos, é notório, essa forma de viver, buscando a Comunhão com os mais fracos e cotidianamente aceitando as mortificações, ao invés de Sabedoria vai na contramão do atual e corriqueiro hedonismo. Para a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, porém, muito mais que um discurso, tal devoção é a própria fonte de resistência, e por isso garantia da Salvação: "A linguagem da Cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas, para aqueles que foram salvos, para nós, é uma divina força." 1 Cor 1,18

    Resolutamente, ele exortou: "Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, somos, de todos homens, os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19

    Pois como ele argumenta, foi pelo Sacrifício da Cruz, a rigor da milenar e divina tradição judaica, que nossos pecados foram perdoados: "Sepultados com Ele no Batismo, com Ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos. Mortos por vossos pecados e pela incircuncisão de vossa carne, novamente vos chamou à Vida junto a Cristo. É Ele que nos perdoou todos pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Definitivamente o aboliu, ao encravá-lo na Cruz." Cl 2,12-14

    Portanto, esta é uma radical decisão pela Unção do Divino Espírito Santo, ou seja, pelo Sacramento do Batismo e da Crisma, conforme a Carta de São Paulo aos Gálatas: "Pois aqueles que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, também andemos de acordo com o Espírito." Gl 5,24-25

    Porque é na mortificação da carne, como a Carta de São Paulo aos Filipenses diz, que rendemos o verdadeiro culto a Jesus: "Meu ardente desejo e minha esperança são que em nada serei confundido, mas que, hoje como sempre, Cristo será glorificado em meu corpo, tenho toda certeza disto, quer por minha vida quer por minha morte." Fl 1,20

    A Carta de São Paulo aos Romanos claramente disse o que Santa Missa, onde Jesus Eucarístico nos espera, representa: "Eu exorto-vos, portanto, irmãos, pelas Misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em viva, santa e agradável hóstia a Deus: é este vosso culto espiritual. Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." Rm 12,1.11

    De fato, só unidos a Cristo, morto na Cruz, podemos glorificar a Deus. Nosso Salvador disse: "Permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim vós: tampouco podeis dar fruto se não permanecerdes em Mim. Nisto é glorificado Meu Pai, quando produzis muitos frutos tornando-vos Meus discípulos." Jo 15,4.8

    Por isso, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo recomendava-lhe religiosidade: "Exercita-te na piedade. Se o corporal exercício traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da presente e da futura Vida. Eis uma verdade absolutamente certa e digna de fé: se nos afadigamos e sofremos ultrajes, é porque pusemos nossa esperança em Deus Vivo, que é o Salvador de todos homens, sobretudo dos fiéis. Seja este o objeto de tuas prescrições e de teus ensinamentos." 1 Tm 4,8-11

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Igreja é Comunhão

    Foi o próprio Jesus Quem nos mandou celebrar Sua memória, atualizando e revivendo Sua Páscoa. Ora, isso só é possível pela instituição da Santa Igreja Católica, que verdadeiramente guarda Sua Palavra, com a necessária fidelidade para que nada se perca. No Evangelho Segundo São Lucas, Nosso Senhor disse: "Em seguida, tomou o pão e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de Mim.'" Lc 22,19

    Recusar a Santa Eucaristia, portanto, representa não ter a Graça Sacramental que conduz à Vida Eterna, dependendo exclusivamente da Divina Misericórdia para a alcançar. Ele disse de Si em terceira Pessoa, no Evangelho Segundo São João: "... se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53

    A Comunhão Eucarística, porém, só é possível graças à Comunhão espiritual promovida pelo Espírito de Deus, como a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios afirma. Ou seja, primeiro é preciso comungar dos ensinamentos de Jesus: "... a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" 2 Cor 13,13b

    São Pedro, além de mencionar o constante amparo do Divino Paráclito, claramente fala em obediência para que se possa recebê-Lo. No Livro de Atos dos Apóstolos, ele disse de Jesus perante os sacerdotes e líderes no conselho dos judeus de Jerusalém: "Deus elevou-O pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o Arrependimento e a remissão dos pecados. Destes fatos, nós somos testemunhas. Nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,31-32

    A Primeira Carta de São João também fala em obediência para que Sua permanência em nós aconteça, ou seja, para que tenhamos com Comunhão com Deus: "Quem observa Seus Mandamentos (de Jesus), permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24

    Jesus, pois, em palavra a todos Seus seguidores, exortou-nos a O pedir: "Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais Vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que LhO pedirem." Lc 11,13

    E a Carta de São Paulo aos Romanos foi taxativa, não via meio termo: "Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se é que o Espírito de Deus realmente habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9

    O Divino Espírito era uma antiga promessa de Deus (cf. Is 44,3) e, nas palavras da Carta de São Paulo aos Efésios, tornou-Se o Selo, a garantia da Salvação: "N'Ele (Cristo), depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, vós também fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor de nossa herança..." Ef 1,13-14a

    Promessa que foi cumprida por Jesus, pois o Espírito Santo é o Autor da Graça (cf. Hb 10,29), o executor do projeto de Deus, e Quem permanentemente ilumina a Igreja Apostólica, sem jamais a abandonar. Nosso Senhor garantiu: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Consolador, para que eternamente fique convosco." Jo 14,16

    E a Igreja Una existe exatamente para promover a Comunhão com Deus, como São João Apóstolo declarou em primeiríssimas linhas, dizendo do testemunho de que ela é depositária: "... o que vimos e ouvimos, nós anunciamo-vos para que vós também tenhais Comunhão conosco. Ora, nossa Comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo." 1 Jo 1,3

    Mas ele adverte que só há Comunhão com Deus se obedecermos à Sagrada Tradição. Nada de pessoais interpretações da Bíblia (cf. 2 Pd 1,20): "Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se permanecer em vós o que ouvistes desde o princípio, vós também permanecereis no Filho e no Pai." 1 Jo 2,24

    Ademais, não há dúvida que é o orgulho, o inverso da humildade, que causa desavenças, e ceder a ele significa estar contra o Cristo, porque o amor ao próximo (cf. Lv 19,18) une a humanidade. O contrário, é dividir, que é a obra do Maligno. Nosso Senhor declarou: "Quem não está Comigo, está contra Mim. E quem não ajunta Comigo, espalha." Mt 12,30

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O Difícil Caminhar com Jesus

 

    Caminhar com Jesus é corajosa e realisticamente enfrentar as desafiantes situações do dia-a-dia, sem se entregar à desilusão ou à ira. O que aconteceu com São Pedro, quando ousou andar sobre as águas como Nosso Salvador? O Evangelho Segundo São Mateus narra: "Pela quarta vigília da noite, Jesus veio a eles caminhando sobre o mar. Quando os discípulos O perceberam caminhando sobre as águas, ficaram com medo: 'É um fantasma!', disseram eles soltando gritos de terror. Mas Jesus logo lhes disse: 'Tranquilizai-vos! Sou Eu. Não tenhais medo!' Pedro tomou a palavra e falou: 'Senhor, se és Tu, manda-me ir sobre as águas até junto a Ti!' Ele disse-lhe: 'Vem!' Pedro saiu da barca e caminhava sobre as águas ao encontro de Jesus. Mas, redobrando a violência do vento, teve medo e, começando a afundar, gritou: 'Senhor, salva-me!' No mesmo instante, Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: 'Homem de pouca ! Por que duvidaste?' E apenas tinham subido à barca, o vento cessou." Mt 14,25-32

    Nosso Primeiro Papa teve a audácia de imitar Jesus, e não estava errado (cf. 1 Cor 1,11). Tanto que o Senhor de imediato lhe consentiu, sem argumentar. Apenas disse: 'Vem!' Contudo, tomá-Lo como modelo significa enfrentar grandes contrariedades e fortes oposições. Ele autorizou que Pedro viesse até Si sobre as águas, porém não abrandou o vento. Pelo contrário: permitiu que redobrasse sua violência. Isso fica claro porque, logo que voltaram à barca, o vento parou.

    Outra passagem em que as condições se complicam, após ouvir Jesus, é descrita na parábola do Semeador, que é Ele mesmo (cf. Mt 13,37), no Evangelho Segundo São Marcos. Nosso Senhor fala: "O Semeador semeia a Palavra. Alguns encontram-se à beira do caminho, onde ela é semeada. Apenas a ouvem, vem Satanás tirar a Palavra em si semeada. Outros recebem a semente em pedregosos lugares. Quando a ouvem, recebem-na com alegria, mas não têm raiz em si, são inconstantes, e assim que se levanta uma tribulação ou uma perseguição por causa da Palavra, eles tropeçam. Ainda outros recebem a semente entre os espinhos. Ouvem a Palavra, mas as mundanas preocupações, a ilusão das riquezas, as múltiplas cobiças sufocam-na e tornam-na infrutífera. Mas há aqueles que recebem a semente em boa terra. Eles escutam a Palavra, acolhem-na e dão frutos: um trinta, outro sessenta, outro cem!" Mc 4,14-20

    Jesus aponta o inimigo roubando a semente daqueles que ficam 'à beira do caminho', que são os indiferentes a Deus. Diz que os problemas e perseguições fazem tropeçar os corações de pedra, que não se aprofundam nas coisas de Deus. Avisa que as preocupações, as ilusões e as cobiças sufocam aqueles que vivem 'entre os espinhos', ou seja, em maus ambientes e em más companhias. Mas reconhece o fértil coração, que dá até cem frutos por cada semente.

    A missão da Santa Igreja Católica, pois, não é nenhuma amenidade. Antes um combate, como São Paulo dizia (cf. 2 Tm 4,7). Nosso Senhor traduziu-a na parábola das Bodas do Filho do Rei, quando Seus servos são menosprezados ou mesmo mortos: "Jesus tornou a lhes falar por meio de parábolas: 'O Reino dos Céus é comparado a um Rei que celebrava as Bodas de Seu Filho. Enviou Seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir. Ainda enviou outros, dizendo-lhes: 'Dizei aos convidados que Meu Banquete já está preparado. Meus bois e Meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às Bodas!' Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio. Outros lançaram mãos de Seus servos, insultaram-nos e mataram-nos. Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos." Mt 22,1-6.14

    Ademais, o fato de sermos convidados para participar deste pedaço do Céu que é a Igreja Apostólica, nosso Reino de Sacerdotes, não nos garante pronto acolhimento. É o caso de muitos judeus, apesar de ter sido o povo portador Palavra, segundo Jesus: "Por isso, Eu declaro-vos que multidões virão do oriente e do ocidente e se sentarão no Reino dos Céus com Abraão, Isaac e Jacó, enquanto os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes." Mt 8,11-12

    Caminhar com Jesus, pois, como que sobre as águas, requer ciência de que o vento é revolto. No Evangelho Segundo São João, Ele avisou aos Apóstolos na noite em que ia ser entregue, ainda que também os encorajando: "No mundo haveis de ter tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo." Jo 16,33b