domingo, 3 de maio de 2026

São Tiago Menor, Apóstolo

    São Tiago Menor era parente próximo de Jesus, pois era filho de Maria, a esposa de Cleófas e parenta de Maria Santíssima. Essa informação vem de duas passagens. A primeira está no Evangelho Segundo São João, durante a Crucificação do Senhor: "Junto à Cruz de Jesus estavam de pé Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cleófas, e Maria Madalena." Jo 19,25

    A segunda trata da mesma cena, mas narrada no Evangelho Segundo São Marcos. Esta Maria, "irmã de Sua mãe", na verdade apenas uma parente, claramente é identificada como a mãe Tiago e de José, dois dos chamados 'irmãos' de Jesus. Também é nessa passagem que temos o apelido que distinguiu o Apóstolo São Tiago, filho de Maria de Cleófas, do outro Apóstolo São Tiago, irmão do Apóstolo São João, mais tarde chamado de 'Maior': "Ali também se achavam umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José..." Mc 15,40

    A passagem que indica São Tiago como 'irmão' de Jesus está em São Marcos. Tal registro deu-se porque o idioma aramaico não tem a palavra 'primo', aliás como o próprio inglês e o alemão que só recentemente a adotaram do francês. Assim diz: "Não é Ele o carpinteiro, o Filho de Maria, o irmão de Tiago, José, Judas e Simão?" Mc 6,3a

    E o Evangelho Segundo São Lucas, ao listar os chamados por Jesus, esclarece que São Judas Tadeu, outro Apóstolo, é irmão de São Tiago Menor, e assim elucida quem seria Judas, o terceiro dos 'irmãos' de Jesus apontado na narrativa de São Marcos: "Simão, a quem deu o sobrenome de PedroAndré, seu irmão, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Simão, chamado Zelota, Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor." Lc 6,14-16

    Ora, como bem convém às coisas de Deus, sempre versando pela Verdade, a Carta de São Judas, para o mais perfeito desembaraço, identifica-o como irmão de São Tiago Menor logo no início, e não como irmão de Jesus, mas Seu servo: "Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago..." Jd 1,1

    E a própria Carta de São Tiago não o apresenta como irmão do Senhor, o que São Paulo faria por conveniência de autoridade da Igreja (cf. Gl 1,19), mas como Seu servo. E sim, chama de irmãos os cristãos: "Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da dispersão, saúde! Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações, sabendo que a prova de vossa produz a paciência." Tg 1,1-3

    Por fim, o Livro de Atos dos Apóstolos distingue São Tiago Menor e São Judas Tadeu dos 'irmãos' de Jesus que O seguiam, porque nem todos parentes Lhe eram hostis, ao dar a lista dos Onze Apóstolos e mencionar discípulos e seguidores que foram a Jerusalém para receber a "força do alto (cf. Lc 24,49)", derramada pelo Espírito Santo no dia de Pentecostes: "Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelota, e Judas, irmão de Tiago. Todos eles unanimemente perseveravam na oração junto às mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos d'Ele." At 1,13-14

    São Tiago Menor vai assumir uma função extremamente importante para a hierarquia e estruturação da Santa Igreja Católica, pois quando São Pedro fugiu da prisão com a ajuda de seu Anjo da Guarda, é a São Tiago que ele manda avisar. Com esse gesto, definitivamente lhe entregava a liderança, o bispado da comunidade de Jerusalém: "Ele, acenando-lhes com a mão que se calassem, contou como o Senhor o havia livrado da prisão, e disse: 'Comunicai-o a Tiago e aos irmãos'. Em seguida, dali saiu e retirou-se para outro lugar." At 12,17

    E anos mais tarde, era em sua própria casa, o primeiro palácio episcopal, que o conselho se reunia: "No dia seguinte, Paulo dirigiu-se conosco à casa de Tiago, onde todos anciãos se reuniram." At 21,18

    Ora, ele foi privilegiado por uma particular aparição de Jesus antes de Sua Ascensão aos Céus. Certamente tratou de sua necessária permanência em Jerusalém (cf. Ap 8,1), até a completa destruição da cidade pelos romanos. Sério e discreto, porém, nosso Apóstolo não deve ter divulgado maiores detalhes deste singular episódio, que apenas brevemente foi citado na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "... depois apareceu a Tiago..." 1 Cor 15,7

    Sua Carta, enfim, é uma belíssima exortação: simples mas firmemente irredutível como deve ser a postura de um Bispo. Zeloso da fiel obediência ao Evangelho e da missão que lhe foi confiada por Jesus, ele fazia da Igreja Apostólica sua vida. E como não admitia que os Sacramentos fossem ministrados por pessoas alheias à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, expressamente dizia: "Chame os Sacerdotes da Igreja..." Tg 5,14

São Filipe Apóstolo

 

    No Evangelho Segundo São João, Jesus já havia sido apresentado como o Salvador, e nomeado Simão de Pedro, quando veio a Se deparar com São Filipe no caminho de volta a Sua terra, por adoção (cf. Mt 2,1), e também deles. Além de apontar seu lugar de origem, o que lhe atesta grande intimidade com dois dos mais renomados Apóstolos, sendo um o principal deles (cf. Mt 10,2), essa cena revela nosso Apóstolo como um eremita, lentamente vagando pelas margens do rio Jordão, e também seguidor de São João Batista, pois ia a seu encontro, um pouco adiante de São Bartolomeu: "No dia seguinte, tinha Jesus a intenção de Se dirigir a Galileia. Encontra Filipe e diz-lhe: 'Segue-Me'. Filipe era natural de Betsaida, cidade de André e Pedro." Jo 1,43-44

    Ao tomar o caminho de volta por força de tão arrebatador convite, afirmativamente sobrenatural, São Filipe vai dar testemunho do Messias chamando mais um futuro Apóstolo, São Bartolomeu, em hebraico chamado de Natanael, seu companheiro de retiros em ermitério, ali em pleno exercício, e mais um seguidor do Batista: "Filipe encontra Natanael e diz-lhe: 'Achamos Aquele de Quem Moisés escreveu na Lei e que os Profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José'. Respondeu-lhe Natanael: 'Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré?' Filipe retrucou: 'Vem e vê.'" Jo 1,45-46

    Ora, assim agindo por inspiração do Espírito Santo, São Filipe estava antecipando-se ao próprio Jesus, que, por Sua Onisciência, vai dizer a São Bartolomeu: "Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira." Jo 1,48

    Na convocação e instituição dos Doze Apóstolos, São Filipe é sempre o quinto, invariavelmente depois de São Pedro, Santo André, São Tiago Maior e São João, não necessariamente nesta ordem, seja nos Evangelhos Sinóticos seja no Livro de Atos dos Apóstolos. Quer dizer, é sempre o primeiro do segundo dos três grupos de quatro Apóstolos, o que significa estar à frente de São Bartolomeu, São Mateus e São Tomé, reconhecidamente homens de intelecto. Aqui citamos a lista do Evangelho Segundo São Marcos: "Escolheu estes Doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer Filhos do Trovão. Ele também escolheu André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que O entregou." Mc 3,16-19

    Grande estudioso das Escrituras, é a São Filipe, sempre de racional e pragmático espírito, que Jesus vai instar antes de realizar a primeira multiplicação dos pães e dos peixes (cf. Mc 6,41): "Jesus levantou os olhos sobre aquela grande multidão que vinha ter com Ele e disse a Filipe: 'Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?' Assim falava para o experimentar, pois bem sabia o que havia de fazer. Filipe respondeu-Lhe: 'Duzentos denários de pão não lhes bastam, para que cada um receba um pedaço.'" Jo 6,5-7

    E é por intermédio de São Filipe que chegará a Nosso Salvador a notícia de que o Evangelho já havia chegado a terras muito distantes, às antigas colônias de Grécia, que para Ele foi o sinal de que Sua Paixão estava próxima: "Havia alguns gregos entre aqueles que subiram para adorar durante a festa. Estes aproximaram-se de Filipe (aquele de Betsaida de Galileia) e rogaram-lhe: 'Senhor, quiséramos ver Jesus.' Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe disseram-no ao Senhor. Respondeu-lhes Jesus: 'É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado.'" Jo 12,20-23

    Ora, era nosso Apóstolo que ansiava por ver Deus Pai, e assim vai levar Jesus a Se revelar como Sua imagem, dizendo que é impossível separar Um do Outro, ou seja, mais uma revelação da Santíssima Trindade (cf. 10,30), pois vivem em absoluta Comunhão. De fato, enquanto falava sobre o Pai, Jesus vai ser interrompido: "Disse-Lhe Filipe: 'Senhor, mostra-nos o Pai! E isso basta-nos.' Respondeu Jesus: 'Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheceste, Filipe? Aquele que Me viu, também viu o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai?'" Jo 14,8-9

    Contudo, nosso Santo frequentemente tem sido confundido com São Filipe de Cesareia, um dos sete primeiros Diáconos, que teve fulguroso ministério e é citado pela primeira vez, no Livro de Atos dos Apóstolos, quando São Pedro decide uma questão de serviço vocacional, instituindo o Sacramento da Ordenação dos primeiros auxiliares dos Apóstolos: "... escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de Sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício (distribuir o pão entre as viúvas gregas). Escolheram Estêvão, homem cheio de e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia." At 6,3.5

sábado, 2 de maio de 2026

Jesus ensina

    No Evangelho Segundo São Mateus, Jesus afirmou que só pelo testemunho de vida se pode ser parte da verdadeira família de Deus: "Todo aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus, esse é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe." Mt 12,50

    Pois é a Graça dessa consciência suscitada pelo Espirito Santo que conduz à santidade. Argumentando sobre a imperiosidade de Sua Paixão, Nosso Salvador garantiu aos Apóstolos na noite da Santa Ceia, no Evangelho Segundo São João: "Entretanto, digo-vos a Verdade: a vós convém que Eu vá! Porque se Eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas se Eu for, enviá-Lo-ei. E quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da Justiça e do Juízo." Jo 16,7-8

    E estabeleceu essa meta para todos, dizendo de Si após multiplicar os pães e os peixes: "Perguntaram-Lhe: 'Que faremos para praticar as obras de Deus?' Respondeu-lhes Jesus: 'A obra de Deus é esta: que creiais n'Aquele que Ele enviou.'" Jo 6,28-29

    Falando da vontade de Deus, Ele aproveitou para evidenciar a existência do Purgatório, ou seja, dos intermediários castigos que levam à purificação, e assim à Salvação, que são bem diferentes da punição total, que é o inferno, e da absolvição total, que é o Céu. É leitura do Evangelho Segundo São Lucas: "Aquele servo que conheceu a vontade de Seu Senhor, mas não se preparou e não agiu conforme Sua vontade, será açoitado muitas vezes. Todavia, aquele que não a conheceu e tiver feito coisas dignas de chicotadas, será açoitado poucas vezes." Lc 12,47-48a

    Também afirmou na parábola do fiel administrador: "Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, mais dele há de se exigir." Lc 12,48b

    Sobre à total dedicação à obra da Salvação, Nosso Senhor asseverou o que deve valer para Seus Sacerdotes: "Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor ao Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda." Mt 19,12

    Podemos, ademais, ter uma perfeita ideia de Quem é Jesus pelo que Ele fazia: "Meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou, e cumprir Sua obra." Jo 4,34

    Ele foi claro sobre o poder que n'Ele se manifestava, pois, falando sobre Seu lado meramente humano, admitiu: "De Mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço e Meu julgamento é justo, porque não busco Minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou." Jo 5,30

    Porque, mesmo enquanto Ser Humano, Ele plenamente satisfez o Pai: "Aquele que Me enviou está Comigo. Ele não Me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de Seu agrado." Jo 8,29

    E ainda que muita coisa aconteça contrariando a vontade de Deus, Nosso Senhor declara com todas letras que Ele tem o supremo controle de tudo: "Não se vendem dois passarinhos por alguns centavos? No entanto, nenhum cai por terra sem o consentimento de Vosso Pai." Mt 10,29

    Por isso, mais de uma vez afirmou o restritivo caráter, embora também esplendoroso, de Sua Missão: "Pois desci do Céu não para fazer Minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou. Ora, Sua vontade é esta: que Eu não deixe perecer nenhum daqueles que Me deu, mas que os ressuscite no Último Dia. Esta é a vontade de Meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e n'Ele crê, tenha a Vida Eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no Último Dia." Jo 6,38-40

    Ora, Ele não deixou dúvida quanto à Comunhão que oferece nem quanto a Sua imprescindível participação em nossa Salvação: "Quem permanecer em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto. Porque sem Mim nada podeis fazer." Jo 15,5b

    Por fim, em mais um dos momentos nos quais Se revela Deus, pois só Ele pode ditar Mandamento, Ele fez a mais tocante síntese de Sua Vontade, que de tão grandiosa é uma lição a ser assimilada por toda vida: "Dou-vos um novo Mandamento: amai-vos uns aos outros. Como Eu vos tenho amado, assim também deveis amar-vos uns aos outros." Jo 13,34

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Maria na Bíblia

    No Livro de Gênesis, Deus disse que a 'Mulher', que não foi Eva, esmagaria a cabeça da Serpente: "Porei inimizade entre ti e a Mulher, entre tua descendência e a dela. Ela esmagá-te-á a cabeça, e tu feri-lhe-ás o calcanhar." Gn 3,15

    Desde então, só no último Livro da Bíblia se falará novamente na 'cabeça da Serpente', e precisamente num embate com Maria Santíssima. Está no Livro de Apocalipse de São João: "Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto... fora do alcance da cabeça da serpente." Ap 12,14

    E Eva foi sim apontada como mãe de todos, mas tão-somente segundo a carne, uma vez que era apenas a primeira pré-figura de Maria: "Adão pôs a sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos viventes." Gn 3,20

    Já no Livro do Profeta Jeremias, quando Deus promete a restauração de Israel, o que só se deu após a redentora manifestação de Jesus, é Nossa Virgem Mãe que é consolada, ainda que apenas momentaneamente, pois tantas outras almas continuam perdendo-se. Contudo, em Cristo a vitória final é certa: "Eis o que o Senhor diz: 'Cessa de gemer, enxuga tuas lágrimas! Tuas penas terão a recompensa', Oráculo do Senhor. 'Voltarão teus filhos da terra inimiga. Desponta em teu futuro a esperança', Oráculo do Senhor. 'Teus filhos voltarão a sua terra.'" Jr 31,16-17

    E se Deus prometeu 'andar' entre nós (cf. Lv 26,11), foi no Livro do Profeta Zacarias que, dirigindo-Se a Maria, o próprio Jesus anunciou a iminência da realização dessa promessa: "Solta gritos de alegria, regozija-te, filha de Sião. 'Eis que venho residir em meio a ti', Oráculo do Senhor. Naquele dia, achegar-se-ão muitas nações ao Senhor: 'E tornar-se-ão Meu povo: habitarei em meio a ti, e saberás que a ti fui enviado pelo Senhor dos Exércitos.'" Zc 2,14-15

    No Livro de Salmos, os sagrados autores anteviram Maria como Rainha, e igualmente profetizaram que, por sua perfeita piedade, seus prediletos filhos, os Santos e os Sacerdotes, pois já fala da Nova Aliança, reinariam sobre a Terra, e antecipam que seu santíssimo nome eternamente seria celebrado, como ela mesma reanunciaria no Magnificat (cf. Lc 1,48): "Vosso trono, ó Deus, é eterno. De equidade é Vosso cetro real. ... posta-se a Vossa direita a Rainha, ornada de ouro de Ofir. Ouve, filha, vê e presta atenção: esquece teu povo e a casa de teu pai. De tua beleza encantar-Se-á o Rei. Ele é Teu Senhor, rende-Lhe homenagens. Tomarão teus filhos o lugar de teus pais, tu estabelecê-lo-ás príncipes sobre toda Terra. Celebrarei teu nome através das gerações. E os povos eternamente louvá-te-ão." Sl 44,7.10b-12.17-18

    Sem dúvida, Sara também foi anunciada mãe de nações, mas igualmente era mais uma pré-figura de Maria, pois só os filhos da Santíssima Virgem é que formariam o Reino de Sacerdotes (cf. Ap 1,6): "Disse Deus a Abraão: 'Não mais chamarás tua mulher Sarai, e sim Sara. Eu abençoá-la-ei e dela dá-te-ei um filho. Eu abençoá-la-ei e ela será a mãe de nações, dela sairão reis dos povos.'" Gn 17,15-16

    No Livro de Cântico dos Cânticos, então, Maria aparece como a Amada de Deus, a Rainha entre as rainhas, a Radiante, mas também poderosa e em prontidão para a luta contra o Mal: "Há sessenta rainhas, oitenta concubinas, e inumeráveis jovens mulheres. Uma, porém, é Minha pomba, uma só Minha perfeita. Ela é a única de sua mãe, a predileta daquela que a deu à luz. Ao vê-la, as donzelas proclamam-na bem-aventurada. Rainhas e concubinas louvam-na. Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um Exército em ordem de batalha?" Ct 6,8-10

    E como aspirava a Salvação, Nossa Mãe Celeste logo se prontificou perante a Anunciação do Arcanjo São Gabriel. Se Eva duvidou de Deus e disse sim à Serpente, Maria prontamente acreditou em um anjo do Senhor e lhe disse sim. É leitura do Evangelho Segundo São Lucas: "Então disse Maria: 'Eu sou a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra.'" Lc 1,38

    Ora, ainda conforme o Amado Médico, Santa Isabel deu-lhe o título que melhor traduz a indizível Graça da Santíssima Virgem: Mãe de Deus: "De onde me vem esta honra de vir a mim a Mãe de Meu Senhor?" Lc 1,43

    A Santa Igreja Católica, portanto, é formada pelos demais filhos de Maria, os inimigos do Demônio como vemos em Apocalipse: "Este (o Dragão), então, irritou-se contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, àqueles que guardam os Mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus." Ap 12,17

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Deus Católico: Mais Amor!

    Nos termos do Catolicismo, Deus é mais atencioso e mais amoroso Pai. Ele deu-nos mais que especial Mãe, como foi revelado no Livro de Apocalipse de São João: "Cheio de raiva por causa da Mulher, o Dragão então começou a atacar o resto de seus filhos, aqueles que obedecem aos Mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus." Ap 12,17-18

    E desde o Pentecostes, o próprio Espírito de Deus tem-se encarregado de ungir nossos Sacerdotes, nossos pais espirituais, como o São Paulo afirma aos anciãos de Éfeso, no Livro de Atos dos Apóstolos, numa das vezes que chama Jesus de Deus: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue." At 20,28

    Pois nossos Padres não casam para que possam levar uma vida plenamente espiritual, e assim dedicar integral atenção à Santa Igreja Católica. No Evangelho Segundo São Mateus, o próprio Jesus havia ensinado: "... há eunucos que a si mesmos fizeram eunucos por amor ao Reino dos Céus." Mt 19,12b

    O Apóstolo dos Gentios, que era convicto celibatário, justificava tal disciplina nestes termos, na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu. Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar a sua esposa." 1 Cor 7,8.32-33

    Somos, pois, uma só Igreja Apostólica, Unidade só é possível graças à própria Glória de Deus, e é a prova da passagem do Salvador entre nós e do amor do Pai pelos Seus. Jesus rezou a Ele, no Evangelho Segundo São João: "Eu dei-lhes a Glória que Tu Me deste, para que eles sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Tu Me enviaste e que os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23

    Ela é pura e santa porque Nosso Salvador assim a quer, como se vê na Carta de São Paulo aos Efésios: "... como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, para a santificar, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para a apresentar a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito, mas santa e irrepreensível." Ef 5,25b-27

    Ele também garantiu a constante e eterna presença do Espírito Santo, que é outro Consolador, entre os membros da Igreja, como tem sido pelos séculos: "E Eu rogarei ao Pai e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que eternamente fique convosco." Jo 14,16

    Além de Sua própria presença para além de Sua Onipresença. A instantes de Sua Ascensão aos Céus, Ele afirmou: "Toda autoridade foi-Me dada no Céu e na Terra. Eis que convosco estou todos dias, até a consumação dos séculos." Mt 28,18b.20b

    E que quem realmente O ouve (cf. Mt 28,20), tem Sua inteira proteção: "Minhas ovelhas ouvem Minha voz, Eu conheço-as e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a Vida Eterna. Elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de Minha mão." Jo 10,27-28

    Também temos mais uma chance de purificação, o Purgatório, onde acontecem as punições intermediárias, diferentes das do inferno, que são totais. No Evangelho Segundo São Lucas, Nosso Senhor ensinou: "O servo que, apesar de conhecer a vontade de Seu Senhor, nada preparou e Lhe desobedeceu, será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de Seu Senhor, fizer coisas repreensíveis, será açoitado com poucos golpes." Lc 12, 47-48a

    Ainda temos os Santos, que intercedem por justiça: "Quando abriu o quinto selo, debaixo do Altar vi as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus, e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer Justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da Terra?'" Ap 6,9-10

    Temos, enfim, a proteção de um Anjo da Guarda, como foi dito de São Pedro quando foi preso e miraculosamente solto: "Então é seu anjo." At 12,15b

quarta-feira, 29 de abril de 2026

A Igreja Una

    Fato que muitos fingem ignorar ou ignoram, Jesus pediu ao Pai pela perfeita Unidade entre Ele, os Apóstolos e nós, para que a Santa Igreja Católica verdadeiramente viva em Comunhão, tal qual a d'Ele com o Pai e com o Espírito Santo. Está no Evangelho Segundo São João: "Para que todos sejam Um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti. Para que eles também estejam em Nós: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade..." Jo 17,21a.23a

    Expressamente declarou que é Ele Quem edifica a Igreja Viva, escolhendo por Si mesmo Seus Sacerdotes. E, é importante notar, também declarou que a Igreja é d'Ele, como o Evangelho Segundo São Mateus apontou: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja." Mt 16,18a

    Foi categórico sobre a obrigação de juntar com Ele, ao invés de causar divisões: "Quem não está Comigo, está contra Mim. E quem Comigo não ajunta, espalha." Mt 12,30

    Ademais, Ele prometeu que, a partir do Pentecostes, o Espírito Santo, a Terceira Pessoa de Deus, jamais abandonaria a Igreja: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que eternamente fique convosco." Jo 14,16

    Disse mais, prometendo à Igreja Apostólica enquanto Comunhão dos Santos: "Se permanecerdes em Mim, e Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo que quiserdes e sê-vos-á feito. Meu Pai é glorificado quando produzis muito fruto, e tornei-vos Meus discípulos." Jo 15,7-8

    E como a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios exorta, os dons do Espírito Santo só são doados para beneficiar a própria Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ou seja, ninguém recebe dom de Deus para a atacar: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12

    A Igreja Católica, pois, enquanto Corpo Místico de Cristo, é justamente o sustentáculo da Verdade, como se lê na Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo: "... quero que saibas como deves portar-te na Casa de Deus, que é a Igreja de Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade." 1 Tm 3,15

    Ora, a Verdade sempre permanecerá com a Igreja Católica Apostólica Romana, como a Segunda Carta de São João diz: "O ancião à Eleita Senhora e a seus filhos, que amo na Verdade. Não somente eu, mas também todos que conheceram a Verdade, por causa da Verdade que em nós permanece e que eternamente ficará conosco." 2 Jo 1,1-2

    E levar a humanidade à Comunhão é a Doutrina da Igreja desde o tempo dos Apóstolos, nas palavras da Primeira Carta de São João: "... porque a Vida se manifestou e nós a temo visto. Damos testemunho e anunciamo-vos a Vida Eterna, que estava no Pai e que se nos manifestou. O que vimos e ouvimos, nós anunciamo-vos, para que vós também tenhais Comunhão conosco. Ora, nossa Comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo." 1 Jo 1,2-3

    Fidelíssima testemunha, a Carta de São Paulo aos Efésios atesta a Graça da santificação da Igreja: "... Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, para a santificar, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para a apresentar a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito, mas santa e irrepreensível." Ef 5,25b-27

    Aos ex-pagãos, o Apóstolo dos Gentios fala com ardor desse espiritual e divino edifício, dessa família de Deus, explicitando o imprescindível auxílio do Espírito Santo: "Consequentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos Santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e profetas, tendo por Pedra Angular o próprio Cristo Jesus. É n'Ele que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um Santo Templo no Senhor. É n'Ele que vós conjuntamente também entrais, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus." Ef 2,19-22

    Em mais uma defesa dessa coesão, ele diz que cada um recebeu uma função para que nos integremos à Igreja, e assim cheguemos à unidade da fé e à maturidade espiritual, que é a santidade: "A uns Ele (Cristo) constituiu Apóstolos, a outros, profetas, a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do Corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus enganadores artifícios." Ef 4,11-14

terça-feira, 28 de abril de 2026

Maria na Vida Pública de Jesus

    Após Seu Batismo por São João Batista, e voltar a Galileia, Jesus vai a Caná para um Casamento. Antes d'Ele foi convidada Sua mãe, que toma parte da família de amigos diante de um possível vexame, e recorre a Seus milagres, com os quais já estava acostumada. Está no Evangelho Segundo São João: "Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-Lhe: 'Eles já não têm vinho.'" Jo 2,3

    Apesar de ter dito que Sua hora ainda não havia chegado, Maria Santíssima não se demove, pois sabia que a vida pública de Jesus já havia iniciado, e vai aos serviçais, preparando-os para as 'estranhas ordens' que Ele lhes daria: "Disse, então, Sua mãe aos serventes: 'Fazei o que Ele vos disser.'" Jo 2,5

    E assim ela sempre acompanhou Jesus em Sua Missão, desde quando Ele partiu de Nazaré: "Depois disso, desceu para Cafarnaum, com Sua mãe, Seus irmãos e Seus discípulos. E ali só demoraram poucos dias." Jo 2,12

    Tão íntimos eram Eles que, tempos depois, na única viagem de volta a Nazaré, Jesus vai ser identificado apenas como o Filho de Maria. E é por essa passagem, do Evangelho Segundo São Marcos, que incautos alegam que a Santíssima Virgem teria outros filhos e filhas, o que é absolutamente desmentido com a devida identificação de sua parenta de Nazaré, também chamada Maria, nos episódios que envolvem a Crucificação: "Depois, Ele partiu dali e foi para Sua pátria, seguido de Seus discípulos. Quando chegou o dia de sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos ouviam-nO e, tomados de admiração, diziam: 'De onde Lhe vem isso? Que Sabedoria é essa que Lhe foi dada e como se operam por Suas mãos tão grandes milagres? Não é Ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também Suas irmãs?' E ficaram perplexos a Seu respeito." Mc 6,1-3

    E em Suas peregrinações, Nossa Senhora sempre vai estar por perto, como quando Ele definiu a mais ampla família de Deus, no Evangelho Segundo São Mateus: "Jesus ainda falava à multidão, quando veio Sua mãe e Seus irmãos e do lado de fora esperavam ocasião para Lhe falar. Disse-Lhe alguém: 'Tua mãe e Teus irmãos estão aí fora, e querem falar-Te.' Jesus respondeu-lhe: 'Quem é Minha mãe e quem são Meus irmãos?' E apontando com a mão para Seus discípulos, acrescentou: 'Eis aqui Minha mãe e Meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus, esse é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe." Mt 12,46-50

    Assim disse porque, além de sua importantíssima função na Sagrada Família, ela também se encaixa, e perfeitamente, neste ensinamento. O Evangelho Segundo São Lucas registrou do episódio dos pastores de Belém, na noite do Natal: "Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração." Lc 2,19

    E igualmente no dia em que O encontraram no Templo de Jerusalém, ainda aos 12 anos de idade: "Sua mãe guardava todas estas coisas em seu coração." Lc 2,51

    Pois a divina maternidade, com que foi agraciada, era consequência de sua estrita obediência a Deus, que o próprio Jesus atestou: "Enquanto Ele assim falava, uma mulher levantou a voz em meio ao povo e disse-Lhe: 'Bem-aventurado o ventre que Te trouxe e os seios que Te amamentaram!' Mas Jesus replicou: 'Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a observam!'" Lc 11,27-28

    Enfim, Nossa Senhora vai ser vista ao lado de Jesus até Seus últimos suspiros. E nesta cena vemos a verdadeira mãe dos chamados 'irmãos' de Jesus. Também chamada de irmã, era uma parente sua, esposa de Cléofas, muito provavelmente de Nazaré (cf. Lc 2,44): "Junto à Cruz de Jesus estavam de pé Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena." Jo 19,25

    São Marcos, descrevendo a mesma cena, vai apontar dois destes 'irmãos' como filhos de Maria de Cléofas: "Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde O depositavam. Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus." Mc 15,47;16,1

    E ainda enquanto estava na Cruz, Jesus vai fazer de Maria mãe de todos Seus discípulos, declarando-a a Nova Eva: "Quando Jesus viu Sua mãe, e perto dela o discípulo que amava, disse a Sua mãe: 'Mulher, eis aí teu filho.' Depois disse ao discípulo: 'Eis aí tua mãe.'" Jo 19,26-27a

    Desde a Crucificação, pois, São João Evangelista, que nenhuma vez menciona o nome de Maria, certamente para em exclusivo a associar à 'Mulher' do Livro de Gênesis, vai tomá-la sob seus cuidados, o que é mais uma evidente prova de que ela não tinha outros filhos, senão teria ido morar com algum deles. Ora, os judeus estavam obrigados a honrar pai e mãe por Mandamento de Deus (cf. Êx 20,12): "E dessa hora em diante, o discípulo levou-a para sua casa." Jo 19,27b

    Assim Nossa Mãe do Céu continuou entre os Apóstolos, discípulos e seguidores de Jesus, como se lê nos registros que antecederam o Pentecostes, que foi o dia do nascimento da Santa Igreja Católica, narrados no Livro de Atos dos Apóstolos: "Todos eles unanimemente perseveravam na oração, junto às mulheres. Entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos d'Ele." At 1,14

segunda-feira, 27 de abril de 2026

A Grande Tribulação

    No Evangelho Segundo São Marcos, confirmando as visões dos Profetas, Jesus diz o que acontecerá a Seu povo, ou seja, à Santa Igreja Católica, durante um específico período antes do Juízo Final: "Porque naqueles dias haverá tribulações tais como nunca houve, desde o princípio do mundo que Deus criou até agora, nem jamais haverá. Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria, mas Ele abreviou-os em atenção a Seus escolhidos." Mc 13,19-20

    De fato, ao profetizar os cósmicos abalos, o Livro do Profeta Joel deixa claro que eles antecedem o Dia do Julgamento: "Que multidão, que multidão no vale do Julgamento! Porque está chegando o Dia do Senhor no vale do Julgamento! O sol e a lua obscurecem-se, as estrelas empalidecem. O Senhor rugirá de Sião, trovejará de Jerusalém, os céus e a Terra serão abalados." Jl 4,14-16a

    O Livro do Profeta Ageu igualmente registrou-os como não definitivos abalos, embora generalizados, falando em grande proveito para a verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, certamente conversões: "Porque isto diz o Senhor dos Exércitos: 'Ainda um pouco de tempo, e abalarei céu e Terra, mares e continentes, sacudirei todas nações. Afluirão riquezas de todos povos e encherei de Minha Glória esta Casa', diz o Senhor dos Exércitos." Ag 2,6-7

    E o Livro do Profeta Zacarias deu voz ao anúncio de uma inimaginável mortandade, quando os sobreviventes serão caprichosamente depurados. Deus mesmo diz: "'Em toda Terra', Oráculo do Senhor, 'dois terços dos habitantes serão exterminados e um terço subsistirá. Mas este terço farei passar pelo fogo. Purificá-lo-ei como se purifica a prata, prová-lo-ei como se prova o ouro.'" Zc 13,7-8a

    O Livro de Apocalipse de São João também menciona um enorme hecatombe, promovido por anjos de Satanás, mas em invertidas proporções e com a continuação da pecaminosidade. Assim foram as revelações de Jesus: "Então foram soltos os quatro anjos que se conservavam preparados para a hora, o dia, o mês e o ano da matança da terça parte dos homens. O número de soldados desta cavalaria era de duzentos milhões. Eu ouvi seu número. E foi assim que eu vi os cavalos e aqueles que os montavam: estes últimos eram couraçados de uma azul e sulfurosa chama. Os cavalos tinham crina como uma juba de leão, e de suas narinas saíam fogo, fumaça e enxofre. E uma terça parte dos homens foi morta por esses três flagelos que lhes saíam das narinas. Mas o restante dos homens, que não foram mortos por esses três flagelos, não se arrependeu das obras de suas mãos. Não cessaram de adorar o Demônio e os ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar. Não se arrependeram de seus homicídios, suas magias, suas prostituições e furtos." Ap 9,15-21

    Décadas após Sua Ascensão, à diocese de Filadélfia em Apocalipse, Nosso Salvador claramente promete proteção durante uma grande provação a toda Terra, pois Suas mensagens têm cunho universal, e também claramente diz de uma resposta a Seu tempo, o tempo de Deus: "Porque guardaste a Palavra de Minha paciência, Eu também te guardarei da hora da provação, que está para sobrevir ao mundo inteiro, para provar os habitantes da Terra. Venho em breve. Conserva o que tens, para que ninguém tome tua coroa." Ap 3,10-11

    E no Evangelho Segundo São Lucas, em Seus últimos dias entre os Apóstolos, revelou que os maiores tormentos não se iniciariam com a destruição de Jerusalém, mas com o fim da dominação que ela sofreria dos estrangeiros, ou seja, após o fim dos 'tempos dos não judeus': "... e Jerusalém será pisada pelos não judeus, até se completarem os tempos de suas nações. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na Terra, a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda Terra. As próprias forças dos céus serão abaladas." Lc 21,24-26

    Disse, então, da proximidade da ostensiva instauração do Reino dos Céus, quer dizer, o fim do mundo e o Juízo Final: "'Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai vossas cabeças, porque se aproxima vossa libertação.' Ainda acrescentou esta comparação: 'Olhai para a figueira e para as demais árvores. Quando elas lançam os brotos, vós julgais que está perto o Verão. Assim, quando virdes que vão sucedendo estas coisas, também sabereis que se aproxima o Reino de Deus.'" Lc 21,28-31

domingo, 26 de abril de 2026

O Bom Pastor


    No Livro do Profeta Ezequiel, Deus prometeu que pessoal e bondosamente cuidaria de Suas ovelhas, livrando-as de todo mal: "'Sou Eu que apascentarei Minhas ovelhas, sou Eu que as farei repousar', Oráculo do Senhor Javé. 'A ovelha perdida, Eu procurá-la-ei. A desgarrada, Eu reconduzi-la-ei. A ferida, Eu curá-la-ei. A doente, Eu restabelecê-la-ei, e velarei sobre aquela que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com Justiça.'" Ez 34,11-13.15-16

    Convicto, o Livro de Salmos já cantava convidando à Ação de Graças: "Sabei que o Senhor é Deus: Ele fez-nos e a Ele pertencemos. Somos Seu povo e as ovelhas de Seu rebanho." Sl 99,3

    Jesus, pois, identificou-Se como o Bom Pastor, afirmando no Evangelho Segundo São João: "O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham Vida e a tenham em abundância. Eu sou o Bom Pastor. Conheço Minhas ovelhas e Minhas ovelhas conhecem a Mim, como Meu Pai Me conhece e Eu conheço o Pai. Dou Minha Vida por Minhas ovelhas. Eu dou-lhes a Vida Eterna. Elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de Minha mão." Jo 10,10.14-15.28

    Realmente assim via o mundo, como o Evangelho Segundo São Mateus registrou: "Jesus percorria todas cidades e vilas. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e toda enfermidade. Vendo a multidão, ficou tomado de compaixão, porque estava enfraquecida e abatida como ovelhas sem pastor. Disse, então, a Seus discípulos: 'A messe é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe, que envie operários a Sua messe.'" Mt 9,35-38

    Diante da difícil missão que a Santa Igreja Católica tem, portanto, Ele multiplicou Seus Ministros, pediu orações por mais Sacerdotes e advertiu de perigosos combates. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "Depois disso, ainda designou o Senhor setenta e dois discípulos e os mandou, dois a dois, adiante de Si, por todas cidades e lugares para onde Ele tinha que ir. 'Ide! Eis que vos envio como cordeiros entre lobos!'" Lc 10,1.3

    Pois essa era uma antiga promessa de Deus, ainda no Livro do Profeta Jeremias: "Dar-vos-ei pastores segundo Meu coração, os quais vos apascentarão com inteligência e Sabedoria. Escolherei para elas pastores que as apascentarão, de sorte que não tenham receios nem temores, e já nenhuma delas se extravie - Oráculo do Senhor." Jr 3,15;23,4

    E outra vez Nosso Salvador disse-Se o Pastor, evocando o Livro do Profeta Zacarias, pouco antes de ser preso no Horto das Oliveiras. Era mais um anúncio do 'sinal de contradição', da 'Morte' do Messias que 'confundiria' a muitos: "Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda, porque está escrito: 'Ferirei o Pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7).' Mas depois de Minha Ressurreição, Eu precedê-vos-ei em Galileia." Mt 26,31-32

    Por sinal, os Santos vistos no Céu pelas revelações do Livro de Apocalipse de São João, eram de todas nações. E de novo Jesus é apontado como Pastor: "Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua. Conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de brancas vestes e palmas na mão, e bradavam em alta voz: 'A Salvação é obra de Nosso Deus, que está sentado no trono, e do Cordeiro.' Aquele que está sentado no trono abrigá-los-á em Sua Tenda. Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será Seu Pastor e levá-los-á às fontes das Águas Vivas. E Deus enxugará toda lágrima de seus olhos." Ap 7,9-10.15b-16

    Já os seguidores da tradição de São Paulo, na Carta aos Hebreus, tacitamente reconhecem Jesus como Deus, pois Lhe rendem Glória: "E o Deus da Paz que, no Sangue da Eterna Aliança, ressuscitou dos mortos o Grande Pastor das ovelhas, Nosso Senhor Jesus, queira dispor-vos ao bem e conceder-vos que cumprais Sua vontade, realizando Ele próprio em vós o que é agradável a Seus olhos, por Jesus Cristo, a Quem seja dada a Glória por toda eternidade. Amém." Hb 13,20-21

    Contudo, Ele também afirmou que nem todos pertencem a Seu rebanho, falando aos judeus aferrados a suas incredulidades: "As obras que faço em Nome de Meu Pai, estas dão testemunho de Mim. Entretanto, não credes, porque não sois de Minhas ovelhas.'" Jo 10,24-26

sábado, 25 de abril de 2026

São Marcos Evangelista

 

    A primeira menção bíblica a São Marcos é quando o Príncipe dos Apóstolos, libertado por seu Anjo da Guarda da prisão imposta por Herodes Antipas, vai deixar um recado numa casa em Jerusalém, onde a Santa Igreja Católica rezava por ele, achando que ainda estava preso e seria martirizado (cf. At 12,19). De fato, havia poucos dias, esse tetrarca de Galileia mandara matar São Tiago Maior, irmão de São João Apóstolo, à espada (cf. At 12,2). É do Livro de Atos dos Apóstolos: "(Pedro) Refletiu um momento e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitos se tinham reunido e faziam oração." At 12,12

    E é certo que São Barnabé e São Paulo já o levavam consigo desde suas primeiras missões: "Tendo Barnabé e Saulo concluído sua missão, voltaram de Jerusalém (para Antioquia), consigo levando João, que tem por sobrenome Marcos." At 12,25

    Ele estava em tão santa companhia quando partiram de Antioquia para Chipre, sob a guia do Divino Paráclito, em determinação dada durante uma Santa Missa: "Enquanto celebravam o Culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para obra a que os tenho destinado.' Chegados a Salamina, pregavam a Palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Com eles tinham João, para os auxiliar." At 13,2.5

    E foi na região de Panfília que São Marcos, por injustificável motivo segundo São Paulo, os abandonou: "Paulo e seus companheiros navegaram de Pafos e chegaram a Perge, em Panfília, de onde João, apartando-se deles, voltou a Jerusalém." At 13,13

    Logo após o Concílio de Jerusalém, e a apresentação de sua resolução na cidade de Antioquia, que dizia não ser necessário circuncidar os cristãos vindos do paganismo, São Paulo queixou-se a São Barnabé desta atitude de São Marcos, e não mais o queria consigo em missão. Tal fato causou uma momentânea ruptura entre estes 'Apóstolos', mas, como desígnio de Deus, em muito acabou aumentando a área à qual eles serviam, e São Paulo passou a se acompanhar de São Silas, também chamado São Silvano, ministrando o Sacramento da Crisma: "Ao termo de alguns dias, disse Paulo a Barnabé: 'Tornemos a visitar os irmãos por todas cidades onde temos pregado a Palavra do Senhor, para ver como estão passando.' Barnabé queria levar consigo João, que tinha por sobrenome Marcos. Paulo, porém, achava que não devia ser admitido quem se tinha separado deles em Panfília, e não os havia acompanhado no Ministério. Houve tal discussão que se separaram um do outro, e Barnabé, consigo levando Marcos, navegou para Chipre. Paulo, porém, tendo escolhido Silas, e depois de ter sido recomendado pelos irmãos à Graça do Senhor, partiu. Ele percorreu Síria, Cilícia, confirmando as igrejas." At 15,36-40

    Ficou claro, entretanto, que a desavença entre o Apóstolo dos Gentios e São Marcos foi resolvida, pois a Carta de São Paulo aos Colossenses o recomenda, deixando um registro de que nosso Santo lhe servia enquanto esteve preso pela primeira vez em Roma. Certamente lhe cabia a função de divulgar suas prédicas e manter seu contato com os católicos romanos, que viviam a na clandestinidade mas ajudavam a suprir suas necessidades: "Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, primo de Barnabé, a respeito do qual já recebestes instruções. Se este for ter convosco, bem o acolhei." Cl 4,10

    Ainda nesta prisão, há menção a São Marcos na Carta de São Paulo a Filêmon, porém deixa claro que ele não estava preso consigo, mas colaborava na divulgação do Evangelho (cf. Fm 13) com o distintivo de primeiro da lista: "Enviam-te saudações Epa­fras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus, assim como Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus colaboradores." Fm 23-24

    Na Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo, nosso Apóstolo, já bem próximo de sua morte, dá bom testemunho de São Marcos e pede-o para os serviços da Igreja Una, seguramente da Palavra: "Só Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, porque me é bem útil para o Ministério." 2 Tm 4,11

    Contudo, o mais importante registro bíblico sobre São Marcos, por ajudar a o identificar como o escritor do 'Evangelho Segundo São Pedro', está mesmo na Primeira Carta de São Pedro. Ele fala da igreja de Roma, seu bispado, e a São Marcos se refere com especial carinho: "A igreja escolhida de Babilônia saúda-vos, assim como também Marcos, meu filho." 1 Pd 5,13

sexta-feira, 24 de abril de 2026

A Purificação do Coração

    Apontado no Evangelho Segundo São Mateus, o Sermão da Montanha indicou o Caminho para aqueles que realmente querem ser felizes já aqui na Terra, e assim na Vida Eterna. Jesus afirmou que uma das qualidades de Seus seguidores: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus!" Mt 5,8

    Sem dúvida, Deus quer nosso coração por inteiro, e não apenas parte dele. No Evangelho Segundo São Marcos, Nosso Senhor menciona uma importante passagem do Livro de Deuteronômio: "O primeiro de todos Mandamentos é este: Ouve, Israel. O Senhor Nosso Deus é o único Senhor. Amarás ao Senhor Teu Deus de todo teu coração...(Dt 6,4s)" Mc 12,29-30b

    Por isso, o rei Davi já cantava no Livro de Salmos: "Lavai-me totalmente de minha falta, e purificai-me de meu pecado. Ó Meu Deus, criai em mim um puro coração, e renovai-me com um Espírito de firmeza. Meu sacrifício, ó Senhor, é um contrito espírito, um arrependido e humilhado coração, ó Deus, que não haveis de desprezar." Sl 50,4.12.19

    Eis que a Carta de São Tiago exorta: "Sede submissos a Deus. Resisti ao Demônio, e ele fugirá para longe de vós. Aproximai-vos de Deus, e Ele aproximar-Se-á de vós. Lavai as mãos, pecadores, e purificai vossos corações, ó homens de dupla atitude." Tg 4,7-8

    E a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo recomenda-lhe fugir das tentações, buscando as coisas do Alto em companhia daqueles que participam da Santa Missa: "Foge das paixões da mocidade, com empenho busca Justiça, a fé, a caridade e a Paz, junto àqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22

    De fato, Nosso Salvador aponta o coração como fonte dos pecados com os quais desastrosamente consentimos, portanto espelho de nossa índole moral: "Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias." Mt 15,19

    Porque a pureza de coração só pode existir na humildade, como Ele ensinou ainda no Sermão da Montanha: "Bem-aventurados aqueles que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!" Mt 5,3

    Esse é o exemplo que Ele nos deu através de Seu viver: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração, e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29

    E só um coração previamente tocado por Deus está apto para acolher Sua Palavra e dar frutos, como explicou na parábola do Semeador (cf. Mt 13,37), no Evangelho Segundo São Lucas: "A (semente) que caiu na boa terra são aqueles que ouvem a Palavra com reto e bom coração, a retêm e dão fruto pela perseverança." Lc 8,15

    A purificação do coração acontece, pois, por três atributos. Pela Caridade. Jesus ensinou: ""... dai em esmola do que possuís, e para vós tudo será purificado." Lc 11,41

    A Primeira Carta de São Pedro evoca o Livro de Provérbios: "Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre uma multidão dos pecados (Pr 10,12)." 1 Pd 4,8

    Pela Castidade. Jesus disse: "... todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou em seu coração." Mt 5,28

    Desde os primórdios, pelos Dez Mandamentos, Deus já exigia espiritual continência. Está no Livro de Êxodo: "... não cobiçarás a mulher de teu próximo..." Êx 20,17b

    E pela Verdade. No Evangelho Segundo São João, Nosso Senhor sentenciou: "Todo aquele que é da Verdade, ouve Minha voz." Jo 18,37

    Autor da Graça (cf. Hb 10,29), o Espírito Santo foi chamado por Jesus de 'Espírito da Verdade', mas também deixou claro que Ele só está disponível para a Santa Igreja Católica: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,17