segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A Salvação vem dos Judeus

    A Carta de São Paulo aos Romanos diz dos judeus, e assim de Nosso Salvador, afirmando Sua divindade: "Eles são os israelitas. A eles foram dadas a Adoção, a Glória, as Alianças, a Lei, o culto, as promessas e os patriarcas. Deles descende Cristo, segundo a carne, o Qual é, sobre todas coisas, Deus bendito para sempre. Amém." Rm 9,4-5

    Também afirma que Deus não lhes retira sua bendita herança: "... quanto à eleição eles são muito queridos por causa de seus pais. Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis." Rm 28b-29

    E dividindo o mundo entre judeus e gregos, ele vê prioridade: "Com efeito, não me envergonho do Evangelho, pois ele é uma força vinda de Deus para a Salvação de todo aquele que crê, em primeiro lugar ao judeu, e depois ao grego." Rm 1,16

    Por isso, no Livro de Atos dos Apóstolos, São Pedro exigia dos judeus, seus irmãos, o testemunho de Cristo, pregando no dia do Pentecostes: "Foi em primeiro lugar para vós que Deus suscitou Seu Servo, para vos abençoar, a fim de que cada um se aparte de sua iniquidade." At 3,26

    Ora, não resta dúvida que Deus entrou na História e conosco firmou Alianças, pois assim Ele vai identificar-Se a Jacó, no Livro de Gênesis, fazendo-lhe lembrar do que já tinha feito por seu avô, aqui chamado de pai, e por seu próprio pai, Isaque: "Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque..." Gn 28,13

    Tal privilégio, porém, de ser chamado de povo de Deus, estava sujeito a algumas condições. No Livro de Deuteronômio, Moisés já dizia: "O Senhor confirmá-te-á como um povo consagrado a Ele, como te jurou, contanto que observes Suas ordens e andes por Seus caminhos. Todos povos da Terra verão, então, que és marcado com o Nome do Senhor..." Dt 28,9-10a

    Com efeito, o próprio Jesus asseverou que a Nova e Eterna Aliança traria uma ruptura, como disse aos religiosos de Jerusalém poucos dias antes de ser crucificado, no Evangelho Segundo São Mateus: "Por isso, digo-vos: sê-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele." Mt 21,43

    Mesmo assim, referindo-Se à Revelação no Evangelho Segundo São João, Ele vai dizer à samaritana, que era de um povo que se afastou dos israelitas, do Pai, de Sua história entre o povo judeu e de Si mesmo: "Vós adorais O que não conheceis. Nós adoramos O que conhecemos, porque a Salvação vem dos judeus." Jo 4,22

    E especificamente sobre Sua Missão, disse a uma estrangeira, que Lhe pedia por sua filha que estava possessa: "Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da Casa de Israel." Mt 15,24

    Mas após Sua Ascensão, e com a Vinda do Divino Espírito, a missão dos Apóstolos abrangeria o mundo inteiro, como Ele mesmo prescreveu, estabelecendo a Santa Igreja (cf. Ef 5,26) como Católica, ou seja, universal: "... mas descerá sobre vós o Espírito Santo e dá-vos-á força. E sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria e até os confins do mundo." At 1,8

    De fato, como as profecia ditavam, em Jesus a Salvação seria anunciada não somente aos judeus, mas por toda Terra. O Livro do Profeta Isaías registrou esse diálogo entre o Pai e o Filho: "E agora o Senhor fala. Ele que Me formou desde Meu Nascimento para ser Seu Servo, para Lhe trazer de volta Jacó e Lhe reunir Israel: 'Não basta que sejas Meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os fugitivos de Israel. De Ti vou fazer a Luz das nações, para propagar Minha Salvação até os confins do mundo.'" Is 49,6

    E a Segunda Carta de São Pedro, ao dirigir-se aos não-judeus, usará esses termos: "... àqueles que, pela Justiça do Nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo, alcançaram uma tão preciosa quanto a nossa." 2 Pd 1,1b

    Contudo, ao Apóstolo dos Gentios foi revelado que os tempos dos não-judeus, ou seja, dos demais habitantes da Terra, para com a Igreja Apostólica, também estão contados. Ele disse do total dos não-judeus que serão salvos: "... esta cegueira de uma parte de Israel só durará até que haja entrado a totalidade dos não-judeus." Rm 11,25

domingo, 2 de agosto de 2026

O Cordeiro de Deus

    São João Batista, que segundo o próprio Jesus encerrou os tempos da Lei e dos Profetas, ou seja, do Antigo Testamento (cf. Mt 11,13), foi quem O apresentou como o Cordeiro de Deus a seus seguidores, um dia depois de O batizar. É leitura do Evangelho Segundo São João: "No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.'" Jo 1,29

    A simbologia do Cordeiro, como etapa da Revelação, faz parte da tradição dos judeus desde o Livro de Gênesis, quando Deus, falando por um anjo, poupou Abraão de sacrificar seu filho Isaque, apresentando-lhe um filhote de ovelha para ser oferecido em sacrifício: "O anjo do Senhor, porém, gritou-lhe do Céu: 'Abraão! Abraão!' 'Eis-me aqui!' 'Não estendas tua mão contra o menino, e não lhe faças nada. Agora Eu sei que temes a Deus, pois não Me recusaste teu próprio filho, teu único filho.' Abraão, levantando os olhos, viu atrás dele um cordeiro preso pelos chifres entre os espinhos, e tomando-o, ofereceu-o em holocausto em lugar de seu filho." Gn 22,11-13

    Contudo, Deus não poupou os primogênitos dos egípcios, quando por meio de pragas tentava convencer o Faraó a libertar Seu povo da escravidão em Egito. Nessa ocasião, o sangue de cordeiro serviu de sinal para proteger o povo de Israel, e marcou o início do sacrifício da páscoa. É do Livro de Êxodo: "Moisés convocou todos anciãos de Israel e disse-lhes: 'Ide e escolhei um cordeiro por família, e sacrificá-lo-ás para a páscoa. Depois disso, tomareis um feixe de hissopo, ensopá-lo-eis no sangue que estiver na bacia e com esse sangue aspergireis a verga e as duas ombreiras da porta. Nenhum de vós transporá o limiar de sua casa até a manhã. Quando o Senhor passar para ferir Egito, vendo o sangue sobre a verga e as duas ombreiras da porta, passará adiante e não permitirá ao Destruidor entrar em vossas casas para vos ferir. Observareis esse costume como uma perpétua instituição para vós e vossos filhos."Êx 12,21-24

    Embora fossem os tempos da passagem pelo deserto, que durou 40 anos (cf. Js 14,10), haveria um especial lugar para esse sacrifício, que além da celebração da páscoa servia para o perdão dos pecados. Era uma sinalização para o futuro Templo de Jerusalém, como Deus mesmo determinou a Moisés no Livro de Levítico: "O sacerdote que fez a purificação apresentará o homem que há de ser purificado e todas essas coisas ao Senhor, à entrada da Tenda de Reunião. Tomará, em seguida, um dos cordeiros e oferecê-lo-á em sacrifício de reparação com a medida de óleo, e agitá-los-á como oferta diante do Senhor." Lv 14,11-12

    Séculos depois, porém, no Livro do Profeta Oseias, que será mencionado por Jesus (cf. Mt 12,7), Deus começou a contestar os sacrifícios por se terem tornado um rito banalizado, sem a devida devoção, em meio à completa corrupção de Israel: "Que te farei, Efraim? Que te farei, Judá? Vosso amor é como a nuvem da manhã, como o orvalho que logo se dissipa. Por isso, Eu os castiguei pelos Profetas, matei-os pelas palavras de Minha boca, e Meu Juízo resplandece como o relâmpago, porque Eu quero o amor mais que os sacrifícios, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos." Os 6,4-6

    E no Livro do Profeta Isaías, o próprio Messias foi prescrito como o Cordeiro Imolado: "Foi maltratado e resignou-Se. Não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma muda ovelha nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca. Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender Sua causa quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo? Foi-Lhe dada Sepultura ao lado de facínoras, e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em Sua boca nunca tenha havido mentira." Is 53,7-9

    Enfim, prevendo que Seus seguidores igualmente seriam hostilizados, e até de brutal modo martirizados, Jesus compara-os a cordeiros prontos para um holocausto. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "Ide! Eis que Eu vos envio como cordeiros entre lobos." Lc 10,3

    Pois é tão somente no Céu, onde a Esposa, a Jerusalém Celestial, perpetuação da Igreja Católica Apostólica Romana, devidamente receberá Jesus, que Deus Pai quer oferecer-nos o Eterno Banquete. Foi o texto ditado para que se registrasse no Livro de Apocalipse de São João: "Felizes os convidados para a ceia das Núpcias do Cordeiro." Ap 19,9

sábado, 1 de agosto de 2026

O Espírito Santo inspira a Igreja Católica

    No Pentecostes, ao descer sobre a Igreja Apostólica, o Divino Paráclito profundamente tocou o coração dos fiéis e deu-lhes o dom de falar em outros idiomas, para ajudar na difusão do Evangelho no mundo inteiro. Assim, por Sua obra a Igreja fundada por Jesus já nasceu católica, quer dizer, universal, como Ele prometeu (cf. At 1,8). É do Livro de Atos dos Apóstolos: "Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." At 2,4

    Esta era uma profecia sobre os tempos que se seguiam ao Sacrifício de Cristo, e que faria com que muitos judeus se arrependessem de O ter crucificado. Deus falou no Livro do Profeta Zacarias: "Derramarei um Espírito de Graça e oração sobre a casa de Davi e sobre os moradores de Jerusalém, e eles olharão para Mim. Quanto Àquele que transpassaram, chorarão por Ele como se chora pelo filho único. Amargamente vão chorá-Lo, como se chora por um Primogênito." Zc 12,10

    E o Príncipe dos Apóstolos é quem nos dá uma expressa indicação da Divindade do Espírito Santo. Ao repreender um desonesto fiel, diz que ele não mentiu a um homem da Igreja Viva, mas ao Santo Paráclito, ou seja, mentiu ao próprio Deus: "Pedro, porém, disse: 'Ananias, por que Satanás tomou conta de teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus.'" At 5,3-4

    No mesmo sentido, antes de ser apedrejado,o brilhante Diácono  Santo Estevão não reclama dos líderes judeus por resistirem propriamente a Deus Pai, mas ao Espírito Paráclito: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo." At 7,51

    É, portanto, o Divino Espírito Santo Quem guia os passos da Igreja Católica Apostólica Romana, como levou nosso Primeiro Papa à família de Cornélio para que presidisse o 'Pentecostes dos Gentios' e batizasse o primeiro grupo de não-judeus, a despeito de duas pessoas isoladas (cf. At 6,5; 8,38): "Enquanto Pedro refletia sobre a visão, disse-lhe o Espírito: 'Eis aí três homens que te procuram. Levanta-te! Desce e vai com eles sem hesitar, porque fui Eu Quem os enviou.'" At 10,19-20

    É Ele Quem decide com os Sacerdotes da Igreja os mais importantes assuntos, como aconteceu em Jerusalém, no Primeiro Concílio da Igreja Una. Sobre a decisão que tomaram, São Tiago Menor ditou na carta à igreja de Antioquia: "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28

    Ele concede o Sacramento da Ordenação aos Bispos, como São Paulo diz aos Anciãos, em grego Presbíteros, nossos Padres, da cidade de Éfeso: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastorear a Igreja de Deus..." At 20,28

    É Ele que nos faz assimilar a Palavra da Salvação, como Deus Pai prometeu no Livro de Provérbios: "Convertei-vos a Minhas admoestações, derramarei sobre vós Meu Espírito, ensiná-vos-ei Minhas Palavras." Pr 1,23

    É Ele Quem nos auxilia em nossas orações e intercede por nós, conforme a Carta de São Paulo aos Romanos: "Assim, o Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza. Porque não sabemos o que devemos pedir, nem rezar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com inefáveis gemidos." Rm 8,26

    Pois só por Ele nos é concedido celebrar a Santa Missa, como está na Carta de São Paulo aos Filipenses, desdizendo a unção dos judeus: "Porque os verdadeiros circuncisos somos nós, que prestamos culto a Deus pelo Espírito de Deus, e pomos nossa Glória em Jesus Cristo, e não confiamos na carne." Fl 3,3

    E não há dúvida, ainda segundo ele, que a Santa Madre Igreja é feita daqueles que são inspirados pelo Santo Paráclito. Filiação, aliás, que Ele mesmo promove por adoção (cf. Rm 8,15): "De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, porque todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus." Rm 8,13-14

    Porque, como Nosso Salvador revelou, Ele não é indiscriminadamente concedido, mas apenas à Santa Igreja, a qual Ele jamais abandona. Está no Evangelho Segundo São João: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Paráclito para que convosco fique eternamente. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará. Não vos deixarei órfãos." Jo 14,16-18a