terça-feira, 30 de junho de 2026
O Poder do Evangelho
segunda-feira, 29 de junho de 2026
São Pedro
O Evangelho Segundo São Mateus, o mais judeu e conservador dos Apóstolos, da tribo que trouxera no sangue a tradição de sacerdotes e da indicação do sumo sacerdote, a dos levitas, ao mencionar a lista dos Apóstolos não hesita em declarar que São Pedro era o primeiro: "Eis os nomes dos Doze Apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro, depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor." Mt 10,2-4
Nosso Santo foi o único Apóstolo a quem Jesus atribuiu um novo nome, uma tradição iniciada por Deus para com Abrão, a quem deu o nome de Abraão, passou por Jacó, que se tornou Israel, perpetuou-se entre os rabinos e inclui o próprio São Paulo, que antes de se converter se chamava Saulo. E, vale notar, o novo nome de São Pedro, conforme o Evangelho Segundo São João, privilegiada testemunha ocular, foi dado já no primeiro encontro com Jesus, dois dias após o Batismo do Senhor, que lhe disse logo ao ser trazido por Santo André: "Tu és Simão, filho de João. Serás chamado Cefas (que quer dizer pedra)." Jo 1,42
Além do nome de seu pai, por especial deferência mencionado por Jesus, sabemos que ele era um fiel cumpridor das Sagradas Escrituras, como vemos em sua declaração sobre a estrita alimentação dos judeus, dada durante a visão que teve em Jope, pouco antes do 'Pentecostes dos Gentios'. Está no Livro de Atos dos Apóstolos: "De nenhum modo, Senhor, pois jamais comi coisa alguma profana ou impura." At 10,14b
Ele também era sempre o primeiro do pequeno grupo dos três Apóstolos mais íntimos de Nosso Salvador, que compunha com São Tiago Maior e São João Evangelista. Foi assim na Transfiguração do Senhor, no último dia 'útil' da semana em que São Pedro declarou Jesus como o Messias. Já não dependia de milagre, de testemunho ou das Escrituras para o atestar, pois ele mesmo O tinha visto. Um indizível privilégio, pois antecipadamente Cristo lhes revelava a plenitude de Sua Glória: "Seis dias depois, Jesus tomou Consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá Se transfigurou na presença deles: Seu rosto brilhou como o sol, Suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias, conversando com Ele." Mt 17,1-3
De tamanha intimidade com Jesus, dos Apóstolos é São Pedro, e só ele, que vai tentar andar sobre as águas: "Pedro tomou a palavra e falou: 'Senhor, se és Tu, manda-me ir sobre as águas até junto a Ti!' Ele disse-lhe: 'Vem!' Pedro saiu da barca e caminhava sobre as águas ao encontro de Jesus." Mt 14,28-29
Realmente inspirado por Deus Pai, São Pedro foi o primeiro a afirmar com plena convicção Quem Jesus é: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!" Mt 16,16
Inspiração, aliás, que o próprio Jesus confirmou, quando São Mateus dá outro nome a seu pai: "Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas Meu Pai que está nos Céus." Mt 16,17
Como portador de divinas revelações, portanto, São Pedro ouviu de Jesus a declaração de sua Primazia como pedra fundamental da Santa Igreja Católica, que o próprio Cristo constrói e lhe garante a vitória contra o Maligno: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18
Não por acaso, ele foi o único Apóstolo a receber de Jesus as Chaves dos Céus, ou seja, a inspiração para nas Escrituras reconhecer as palavras-chaves que indicam a verdadeira vontade de Deus: "Eu dá-te-ei as Chaves do Reino dos Céus..." Mt 16,19a
Ora, o poder dado por Jesus a São Pedro aqui na terra, para decidir a respeito de assuntos de Doutrina e de Comunhão, era total: "... tudo que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo que desligares na Terra será desligado nos Céus." Mt 16,19b
E a clara prova de sua vital importância para a Igreja Apostólica é que Jesus, prevendo as tentações do inimigo aos Apóstolos, e assim a Sua Igreja, optou por reforçar a fé de São Pedro. O Evangelho Segundo São Lucas registrou: 'Simão, Simão, eis que Satanás insistentemente pediu para vos peneirar como o trigo. Mas Eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça. Quando, porém, te converteres, confirma teus irmãos.'" Lc 22,32
São Paulo Apóstolo
Um radical e religioso jovem apoiou a execução de Santo Estevão, segurando os mantos daqueles que o apedrejavam. Seu nome era Saulo. Tinha assistido ao belíssimo e contundente sermão, no qual este Santo diácono responsabilizava o sinédrio, o conselho do judeus de Jerusalém, pela Crucificação de Nosso Senhor, mas não lhe deu razão e acabou concordando com sua brutal punição. Na verdade, já havia algum tempo que ele alimentava ira aos cristãos, e em seguida, usando da influência de seu grupo religioso, vai encampar uma verdadeira guerra contra eles, conforme o Livro de Atos dos Apóstolos: "Saulo, porém, devastava a Igreja. Entrando pelas casas, arrastava para fora homens e mulheres e entregava-os à prisão." At 8,3
Tamanho era seu ódio, que São Lucas vai dizer: "... Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor." At 9,1
E respirava morte porque a de Santo Estevão não foi a única da qual foi culpado. Aliás, foram muitas, como confessou perante o rei Agripa, assumindo que os supliciava para que fossem sentenciados à morte: "Que pensais vós? É incrível coisa que Deus ressuscite os mortos? Também eu acreditei que devia fazer a maior oposição ao Nome de Jesus de Nazaré. Assim procedi, de fato, em Jerusalém e tinha encerrado muitos irmãos em cárceres, havendo recebido poder dos sumos sacerdotes para isso. Quando os sentenciavam à morte, eu dava minha plena aprovação. Muitas vezes, perseguindo-os por todas sinagogas, eu torturava-os para os obrigar a blasfemar. Enfurecendo-me mais e mais contra eles, eu perseguia-os até em cidades estrangeiras." At 26,8-11
Porém, numas destas viagens, pois não foi só uma como relatou acima, ouviu uma voz que o acusava de estar perseguindo não a Igreja Católica, mas o próprio Jesus: "... estando já perto de Damasco, subitamente o cercou uma resplandecente Luz vinda do Céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: 'Saulo, Saulo, por que Me persegues?' Saulo disse: 'Quem és, Senhor?' Respondeu Ele: 'Eu sou Jesus, a Quem tu persegues. Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer.'" At 9,3-5.6b
De perseguidor, então, passou a ser perseguido, pois pregando com poder demonstrava que Jesus era o Cristo, o que despertou a ira dos judeus, e foi jurado de morte ainda na cidade de Damasco: "Decorridos alguns dias, os judeus deliberaram, em conselho, matá-lo. Estas intenções chegaram ao conhecimento de Saulo. Eles guardavam dia e noite as portas da cidade, para o matar. Mas os discípulos, tomando-o de noite, fizeram-no descer pela muralha da cidade dentro de um cesto." At 9,23-25
Segundo o próprio São Paulo, na Cidade Santa Jesus apareceu-lhe outra vez, dizendo que permanecia a resistência por parte dos cristãos e indicando o campo de missão que o faria o 'Apóstolo dos Gentios': "Voltei para Jerusalém e, rezando no Templo, fui arrebatado em êxtase. E vi Jesus, que me dizia: 'Apressa-te e sai logo de Jerusalém, porque não receberão teu testemunho a Meu respeito.' Eu repliquei: 'Senhor, eles sabem que eu encarcerava e açoitava com varas nas sinagogas aqueles que creem em Ti. E quando se derramou o sangue de Estêvão, Tua testemunha, eu estava presente, consentia nisso e guardava os mantos daqueles que o matavam.' Ele, contudo, disse-me: 'Vai, porque Eu te enviarei para longe, às nações...'" At 22,17-21
E com grande poder de argumentação, ele saiu visitando cidades e convertendo multidões. Já em Chipre, acompanhado por São Marcos Evangelista, Paulo, como começava a ser conhecido, amaldiçoou um mago e falso profeta judeu que enganava o procônsul: "Então Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, cravou nele os olhos e disse-lhe: 'Filho do Demônio, cheio de todo engano e de toda astúcia, inimigo de toda Justiça! Não cessas de perverter os retos caminhos do Senhor! Eis que agora está sobre ti a mão do Senhor, e ficarás cego. Não verás o sol até nova ordem!' Logo caíram sobre ele a escuridão e as trevas, e, andando em voltas, buscava quem lhe desse a mão." At 13,9-11
O Amado Médico registrou até mesmo o valor de suas relíquias: "Deus fazia extraordinários milagres por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham tocado seu corpo eram levados aos enfermos. E afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os malignos espíritos." At 19,11-12
domingo, 28 de junho de 2026
A Obra do Espírito Santo
Ora, é o Santo Paráclito que arremata a Revelação, como o próprio Jesus avisou aos Apóstolos na noite em que ia ser entregue: "Muitas coisas ainda tenho a vos dizer, mas agora não podeis suportá-las. Quando o Paráclito, o Espírito da Verdade vier, Ele ensiná-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,12-13
sábado, 27 de junho de 2026
Contra todas Chances
Se os Doze Apóstolos pareciam muito pequena comunidade para ajudar a salvar tanta gente pelo mundo, e assim iniciar a construção do Reino de Deus, Jesus disse no Evangelho Segundo São Mateus: "O Reino do Céu é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia em seu campo. Embora ela seja a menor de todas sementes, quando cresce, fica maior que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros do céu vêm e fazem ninhos em seus ramos." Mt 13,31-32
Explicitamente falando quanto ao pequeno número de Seus seguidores no Evangelho Segundo São Lucas, Ele estimula-nos: "Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de Vosso Pai dar-vos o Reino!" Lc 12,32
E o que poderia fazer tão pequena comunidade diante de um tão violento mundo? Isso certamente é mais um contrassenso, a lógica inversa de Jesus, mas mesmo assim Ele nos encoraja: "Eu envio-vos como ovelhas em meio a lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas." Mt 10,16
Ou ainda: se a Ressurreição da Carne parece um absurdo, temos aí mais um projeto de Deus com base em opostas naturezas. A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios revelou: "O mesmo acontece com a Ressurreição dos Mortos: o corpo é semeado corruptível, mas ressuscita incorruptível. É semeado desprezível, mas ressuscita glorioso. É semeado na fraqueza, mas ressuscita cheio de força. É semeado corpo animal, mas ressuscita corpo espiritual." 1 Cor 15,42-44
E foi nestes termos que a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios expressou o poder do Evangelho nas mãos de meros seres humanos: "Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que claramente transpareça que este extraordinário poder provém de Deus e não de nós. Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos. Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados. Somos abatidos, mas não somos destruídos. Sempre trazemos em nosso corpo os traços da Morte de Jesus, para que a Vida de Jesus também se manifeste em nosso corpo. Estando embora vivos, somos a toda hora entregues à morte por causa de Jesus, para que a Vida de Jesus também apareça em nossa carne mortal. Assim em nós opera a morte, e em vós a Vida." 2 Cor 4,7-12
Sobre sua espiritual condição, pois, ele vai concluir: "Portanto, prefiro gloriar-me de minhas fraquezas, para que em mim habite a força de Cristo. Eis porque sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor a Cristo. Porque, quando me sinto fraco, então é que sou forte." 2 Cor 12,9b-10
Por isso, declarou: "O que é estulto no mundo, Deus escolheu para confundir os sábios. E o que é fraco no mundo, Deus escolheu para confundir os fortes. E o que é vil e desprezível no mundo, Deus escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são." 1 Cor 1,27-28
Pois, conforme o Evangelho Segundo São João, foi na Santa Cruz que Nosso Salvador chegou à Glória, como Ele mesmo disse em Jerusalém após o Domingo de Ramos: "É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado." Jo 12,23b
Nela, por estranho que pareça, Ele atingiria o ápice de Sua Missão: "E quando Eu for levantado da terra, a Mim atrairei todos homens." Jo 12,32
E por Suas indizíveis dores temos a cura, a Redenção, como a Primeira Carta de São Pedro relembrou o Livro do Profeta Isaías: "Por fim, por Suas chagas fomos curados (Is 53,5)." 1 Pd 1,24b
Pois Cristo oferecerá total alento para todos males àqueles que enfrentarem as tribulações. Está entre as celestiais visões que foram registradas no Livro de Apocalipse de São João: "Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será Seu Pastor e os levará às fontes de Águas Vivas..." Ap 7,15b-16a
Ele realmente promete um imponderável poder sobre esse mundo: "Então ao vencedor, àquele que praticar Minhas obras até o fim, lhe darei poder sobre as pagãs nações. Ele regê-las-á com cetro de ferro, como se quebra um vaso de argila, assim como Eu mesmo recebi o poder de Meu Pai..." Ap 2,26-28a
sexta-feira, 26 de junho de 2026
A Violência nos Desígnios de Deus
Num tempo em que, de nossa pretensa civilidade, a paz parece ter-se tornado um imperativo moral, para muita gente é difícil compreender a violência que se vê nas páginas da Bíblia. Ou ainda mais complicado: que tal violência tenha sido tolerada, permitida, ordenada ou mesmo protagonizada por Deus. Ora, além de toda força usada contra os inimigos de Israel, e por isso chamado de Senhor dos Exércitos, Ele disse dos castigos que jurava contra Seu próprio povo em caso de transgressão. Está no Livro de Levítico: "Farei cair sobre vós a espada para vingar Minha Aliança. Se vos ajuntardes em vossas cidades, lançarei a peste em meio a vós e sereis entregues nas mãos de vossos inimigos. Tirá-vos-ei o pão, vosso sustento, de tal sorte que dez mulheres o cozerão em um só forno e vos entregarão por peso. Comereis e não ficareis saciados. Se, apesar disso, não Me ouvirdes, e ainda Me resistirdes, marcharei contra vós em Meu furor e castigá-vos-ei sete vezes mais, por causa de vossos pecados. Comereis a carne de vossos filhos e de vossas filhas." Lv 26,23-29
E como sinal de seriedade, a Aliança de Deus com Abraão, ao conceder-lhe a Terra Santa, já havia envolvia sacrifícios: "'Toma uma novilha de três anos,' respondeu-lhe o Senhor, 'uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e um pombinho.' Abrão tomou todos esses animais, e dividiu-os ao meio, colocando suas metades uma defronte da outra, mas não cortou as aves." Gn 15,9-10
No mesmo sentido, alguns séculos mais tarde em Egito, a libertação do povo judeu não foi nem um pouco pacífica. Aí temos em cena a imolação de primogênito, como no sacrifício pedido por Deus a Abraão, de seu filho Isaque, agora levada a termo. No Livro de Êxodo, Deus diz: "Naquela noite, passarei através de Egito. E ferirei os primogênitos em Egito, tanto os dos homens como os dos animais, e exercerei Minha Justiça contra todos deuses de Egito. Eu sou o Senhor." Êx 12,12
Sem dúvida, nessa atmosfera de constantes convulsões dos primeiros séculos de Israel, o Livro de Salmos instantemente canta ódio aos inimigos, como neste do rei Davi, reconhecendo a proteção de Deus: "Por vossa bondade, destruí meus inimigos e exterminai todos que me oprimem, pois sou Vosso servo." Sl 142,12
E Deus chega a lhe prometer o sangue e a carne de seus adversários: "... para que no sangue deles banhes teus pés, e a língua de teus cães receba os inimigos como ração." Sl 67,24
Ora, se Deus poupou Isaque, filho de Abraão, enquanto primogênitos não poupou São João Batista nem o próprio Jesus, que tiveram trágicos fins. Aliás, no Evangelho Segundo São Lucas, Nosso Salvador mesmo previa este destino para Seus opositores: "Quanto àqueles que Me odeiam, e que não Me quiseram por Rei, trazei-os e massacrai-os em Minha presença." Lc 19,27
Contou algo semelhante na parábola das Bodas do Filho do Rei, quando os servos, enviados para chamar os convidados, foram ignorados, insultados e até assassinados. É do Evangelho Segundo São Mateus: "O Rei soube e ao extremo indignou-Se. Enviou Suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade." Mt 22,7
De fato, Ele prometeu Sua Paz somente a Sua Igreja, mas, como esse dom é espiritual, alertava-a de sua difícil ventura neste mundo: "Não julgueis que vim trazer a Paz à Terra. Vim trazer não a Paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa." Mt 10,34-36
O inferno também não é nenhuma amenidade, como vemos o juízo de Deus na parábola dos talentos: "Mau e preguiçoso servo! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei. ... esse inútil servo, jogai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes." Mt 25,26.30
A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, ademais, apontou o Mistério do Mal, pelo qual se tem a impressão de que o Maligno prevalece neste mundo: "Porque o Mistério da Iniquidade já está em ação, apenas esperando o afastamento daquele que o detém." 2 Ts 2,7
O inimigo, com efeito, após a Ascensão de Jesus destila toda sua fúria contra os filhos de Maria Santíssima, ou seja, contra a Santa Igreja Católica: "Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de seus descendentes, àqueles que guardam os Mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus." Ap 12,17
quinta-feira, 25 de junho de 2026
A Fraqueza dos Fiéis
E se a Palavra de Cristo é desonrada, especificamente por causa de tantas 'igrejas' que não se entendem, a Segunda Carta de São Pedro diz que isso se dá pela má conduta de falsos mestres, cuja marca é a cobiça, bem como de seus seguidores, que pecam contra a Unidade e semeiam rebeldia e ódio entre os irmãos: "Assim como entre o povo houve falsos profetas, entre vós também haverá falsos doutores que disfarçadamente introduzirão perniciosas seitas. Eles, assim renegando o Senhor que os resgatou, sobre si atrairão repentina ruína. Muitos segui-los-ão em suas desordens e deste modo serão a causa de o Caminho da Verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles hão de vos explorar por palavras cheias de astúcia." 2 Pd 2,1-3
quarta-feira, 24 de junho de 2026
São João Batista
Hoje se comemora o nascimento de São João Batista. O Evangelho Segundo São Lucas diz de seu pai São Zacarias, que era sacerdote (cf. Lc 1,5), e de sua mãe Santa Isabel: "Ambos eram justos diante de Deus e irrepreensivelmente observavam todos Mandamentos e preceitos do Senhor. Mas não tinham filho, porque Isabel era estéril e ambos de avançada idade." Lc 1,6-7
E quando o Arcanjo São Gabriel apareceu a São Zacarias no Templo de Jerusalém, deixou-o assustado: "Mas o anjo disse-lhe: 'Não temas, Zacarias, porque tua oração foi ouvida: Isabel, tua mulher, dá-te-á um filho, e chamá-lo-ás João. Ele será para ti motivo de gozo e alegria, e muitos alegrar-se-ão com seu nascimento. Porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo. Ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, Seu Deus, e irá adiante de Deus com o Espírito e poder de Elias, para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à Sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto." Lc 1,13-17
Em seu sexto mês de gestação, Santa Isabel recebeu a visita de Nossa Senhora, sua parenta, que, embora apenas engravidara de Jesus, foi ajudá-la. Esse episódio já mostrava o quanto a presença e a voz de Maria Santíssima são especiais: trazem em si o Espírito de Deus. E assim, por Nossa Mãe Celeste, se cumpriu a unção de São João Batista, anunciado por São Gabriel Arcanjo (cf. Lc 1,15): "Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se às pressas a uma cidade de Judeia. Entrou na casa de Zacarias, e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança agitou-se em seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo." Lc 1,39-41
E quando ele nasceu, seu pai recuperou a voz e começou a louvar a Deus, pois fora punido com mudez por não ter acreditado nas palavra de São Gabriel. O que fez com que os habitantes da Judeia ficassem ainda mais admirados: "E logo se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua, e ele falou, bendizendo a Deus. O temor apoderou-se de todos seus vizinhos. O fato divulgou-se por todas montanhas de Judeia. Todos que o ouviam, conservavam-no no coração, dizendo: 'Quem será este menino?' Porque a mão do Senhor estava com ele." Lc 1,66
Pelo registro do lugar onde ele habitaria após os falecimentos de seus idosos pais, temos a indicação de que São João Batista era essênio, parte de um grupo asceta e messiânico judaico: "O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel." Lc 1,80
Vemos, no Evangelho Segundo São Mateus, que suas vestes e alimentação também indicam hábitos essênios: "João usava uma vestimenta de pelos de camelo, e um cinto de couro em volta dos rins. Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre." Mt 3,4
Assim como seu desprendimento material e doutrina de partilha: "Perguntava-lhe a multidão: 'Que devemos fazer?' Ele respondia: 'Quem tem duas túnicas, dê uma ao que não tem. E quem tem o que comer, faça o mesmo.'" Lc 3,10-11
Nosso eremita falava com Deus, como se depreende de seu comentário que fez sobre Jesus depois de O batizar, no Evangelho Segundo São João: "Eu não O conhecia, mas Aquele que me mandou batizar em água, disse-me: 'Sobre Quem vires descer e repousar o Espírito, este é Quem batiza no Espírito Santo.'" Jo 1,33
E como se podia esperar, ele mostrava-se absolutamente intransigente com a falta de compromisso com Deus, advertindo do Juízo Particular: "Dizia, pois, ao povo que vinha para ser batizado por ele: 'Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da iminente ira? Fazei uma realmente frutuosa conversão, e não comeceis a dizer: 'Temos Abraão por pai.' Pois, digo-vos: Deus tem poder para destas pedras suscitar filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores. E toda árvore que não der bom fruto, será cortada e lançada ao fogo.'" Lc 3,7-9
Depois de batizar Nosso Senhor, pois, ele deu o testemunho para o qual foi incumbido por Deus: "No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a Ele e disse: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.' João havia declarado: 'Vi o Espírito descer do Céu em forma de uma Pomba, e repousar sobre Ele. Eu não O conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que Ele Se torne conhecido em Israel... dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.'" Jo 1,29.31-32.34
terça-feira, 23 de junho de 2026
Jesus Submisso
A Carta de São Paulo aos Gálatas apontou a submissão e a estrita condição de Jesus como judeu, referindo-se ao Antigo Testamento: "... Deus enviou Seu Filho, que nasceu de uma mulher e submetido à Lei..." Gl 4,4
Também era submisso a São José e Nossa Senhora, como vemos na Páscoa em que tinha 12 anos, no Evangelho Segundo São Lucas: "Em seguida, desceu com eles a Nazaré e era-lhes submisso." Lc 2,51
E enquanto mero Ser Humano, era reverente à Palavra de Deus que Ele próprio anunciava. Está no Evangelho Segundo São João: "Na Verdade, não falei por Mim mesmo, mas o Pai, que Me enviou, Ele mesmo prescreveu-Me o que devo dizer e o que devo ensinar. E sei que Seu Mandamento é Vida Eterna. Portanto, o que digo, digo-o conforme o Pai Me falou." Jo 12,49-50
Revelou mais: "Se glorifico a Mim mesmo, Minha glória não é nada. Meu Pai é Quem Me glorifica, Aquele que dizeis ser Vosso Deus e, no entanto, não O conheceis." Jo 8,54b-55a
Era por piamente corresponder aos preceitos do Pai, portanto, que Jesus Se apresentava como exemplo a ser seguido: "De Mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço, e Meu julgamento é justo porque não busco Minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou." Jo 5,30
Ele ensinou-nos a agir do mesmo modo: "E se o servo tiver feito tudo que lhe ordenara, porventura o Senhor fica devendo-lhe alguma obrigação? Assim vós, depois de terdes feito tudo que vos foi ordenado, também dizei: 'Somos inúteis servos. Apenas fizemos o que devíamos fazer.'" Lc 17,9-10
Pregou desde o início, no Evangelho Segundo São Mateus, ainda no Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra! Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!" Mt 5,5.9
Deu um prático exemplo de caridade: "Logo, se Eu, Vosso Senhor e Mestre, lavei vossos pés, também deveis lavar-vos os pés uns aos outros." Jo 13,14
Enfim, antecipou-nos o critério que usará seja no Juízo Particular, seja no Juízo Final: "Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado." Mt 23,12
E por Sua Paixão, plenamente cumpriu os desígnios de Deus, como rezou enquanto agonizava no Monte das Oliveiras: "Pai, se é de Teu agrado, afasta de Mim este cálice! Não se faça, todavia, Minha vontade, mas sim a Tua." Lc 22,42
Essa disposição em abraçar a Santa Cruz havia sido predita por Deus no Livro do Profeta Isaías: "Pois Ele próprio deu Sua vida e Se deixou colocar entre os criminosos, tomando sobre Si os pecados de muitos homens e intercedendo pelos culpados." Is 53,12b
Ora, Ele morreu por dizer a Verdade, como os religiosos de Jerusalém O acusavam perante Pilatos: "Responderam-lhe os judeus: 'Nós temos uma lei, e segundo essa lei Ele deve morrer porque Se declarou Filho de Deus.'" Jo 19,7
E enquanto Ser Humano, nada ocultou aos Apóstolos: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que Seu Senhor faz. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo que ouvi de Meu Pai." Jo 15,15
Eis que a Carta de São Paulo aos Filipenses oportunamente recita o Hino Cristológico: "Sendo Ele de condição divina, não Se prevaleceu de Sua igualdade com Deus, mas aniquilou a Si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-Se aos homens. E exteriormente sendo reconhecido como Homem, humilhou-Se ainda mais, tornando-Se obediente até a morte, e morte de Cruz." Fl 2,6-8
Seus discípulos também atestaram na Carta aos Hebreus, sobre sua condição humana: "Nos dias de Sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, Àquele que podia salvá-Lo da morte, e foi atendido por Sua submissão. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve." Hb 5,7-8
A Carta de São Tiago, no mesmo sentido, recomenda-nos: "Sede submissos a Deus. Resisti ao Demônio, e ele fugirá para longe de vós. Aproximai-vos de Deus, e Ele aproximar-Se-á de vós." Tg 4,7-8a
segunda-feira, 22 de junho de 2026
A Trindade Santa quer Habitar em Nós
Pois a moção do Espírito Santo, Ele já havia assegurado: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á Outro Paráclito, para que eternamente fique convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,16-17
Porque, como se lê na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, o Divino Espírito também quer habitar em nós: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que habita em vós, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?" 1 Cor 6,19
Ora, enquanto primícia dos filhos de Deus, Jesus também foi Humano, e n'Ele Deus habitou. A Carta de São Paulo aos Colossenses diz: "Ele (Jesus) é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda Criação. Porque aprouve a Deus fazer n'Ele habitar toda plenitude e por Seu intermédio reconciliar Consigo todas criaturas..." Cl 1,15.19-20
Nosso Salvador mesmo disse do poder de Sua Ressurreição, que atestaria a Comunhão dos Santos: "Naquele dia conhecereis que estou em Meu Pai, e vós em Mim e Eu em vós." Jo 14,20
E esse é o poder de Sua Palavra: "E, se julgo, Meu julgamento é conforme a Verdade, porque não estou sozinho, mas Comigo está o Pai que Me enviou." Jo 8,16
Com efeito, o Espírito de Deus sempre esteve com Jesus, como vemos após Seu Batismo (cf. Mt 3,17) e assim continuou, quando foi tentado. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e pelo Espírito foi levado ao deserto..." Lc 4,1
Ademais, Ele deixou ordenado o Sacramento do Batismo em Nome das Três Pessoas de Deus: "Ide, pois, e fazei que todas nações se tornem discípulos, batizando-as em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo..." Mt 28,19
E nestes termos atestou a Comunhão da Santíssima Trindade, na última noite entre os Apóstolos: "Muitas coisas ainda tenho a vos dizer, mas agora não podeis suportá-las. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensiná-vos-á toda Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão. Ele glorificá-Me-á, porque receberá do que é Meu e vos anunciará. Tudo que o Pai possui é Meu. Por isso, Eu disse: 'Há de receber do que é Meu e anunciá-vos-á.'" Jo 16,12-15
E por mais de uma vez Jesus falou de Duas Outras Pessoas de Deus: "Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais Vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que LhO pedirem." Lc 11,13
Por fim, é da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios esta inspiração que retrata as Três Pessoas de Deus naquelas que seriam Suas mais características manifestações, repetida como oração inicial pelo Sacerdote na Santa Missa: "A Graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" 2 Cor 13,13
domingo, 21 de junho de 2026
Amar a Deus
Em Suas pregações, Jesus mencionou essa passagem do Livro de Deuteronômio como mais o importante Mandamento. Está no Evangelho Segundo São Marcos: "Amarás o Senhor, Teu Deus, com todo teu coração, com toda tua alma, com todo teu entendimento e com toda tua força...(Dt 6,5)" Mc 12,30
Devemos amar de todo coração porque é ele que nos identifica, como Nosso Salvador disse no Evangelho Segundo São Marcos: "Porque onde está teu tesouro, lá também está teu coração." Mc 6,21
E assim concluiu no Evangelho Segundo São Mateus: "O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira más coisas de seu mau tesouro." Mt 12,35
Pois como contou na parábola do Semeador, apontada no Evangelho Segundo São Lucas, é aí que se travam as grandes batalhas da fé: "... mas depois vem o Demônio e lhes tira a Palavra do coração..." Lc 8,12
Devemos amar de toda alma porque nossa adoração deve ser perfeitamente interiorizada. No Evangelho Segundo São João, Ele revelou: "Deus é Espírito, e Seus adoradores devem adorá-Lo no espírito e na Verdade." Jo 4,23-24
É o que Nossa Senhora sempre fez, e por isso cantou no Magnificat, porque para isso ela está preparada desde que foi concebida: "Minha alma glorifica ao Senhor, e meu espírito exulta em Deus, Meu Salvador." Lc 1,46-47
E a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo recomendou-lhe o exercício da piedade em seu verdadeiro sentido, o das práticas religiosas, pois não se pode esquivar dos compromissos da fé, dos quais a Santa Missa é o principal (cf. Lc 22,19): "Exercita-te na piedade. Se o exercício corporal traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da presente e da futura Vida." 1 Tm 4,8
Devemos amar de todo entendimento porque a Revelação tem sua lógica. A Primeira Carta de São Pedro pede plena consciência da vida espiritual em Cristo: "Estai sempre prontos a responder em vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito." 1 Pd 3,15
Ele diz que a boa consciência é a razão do Sacramento do Batismo: "Esta água prefigurava o Batismo de agora, que também salva a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma boa consciência, pela Ressurreição de Jesus Cristo." 1 Pd 3,21
Eis que a Carta de São Paulo aos Efésios adverte: "Portanto, eis o que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas frívolas ideias. Eles têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o endurecimento de seu coração mantêm-lhes afastados da Vida de Deus. Indolentes, entregaram-se à dissolução, à apaixonada prática de toda espécie de impureza." Ef 4,17-19
A Carta de São Tiago argumenta: "Por exemplo: um irmão ou irmã não têm o que vestir e falta-lhes o pão de cada dia. Então, se algum de vós lhes disser: 'Ide em Paz, aquecei-vos e comei bastante' e, no entanto, não lhes der o necessário para o corpo, que adianta isso?" Tg 2,16-17
E a Carta de São Paulo aos Efésios afirma que esse é nosso único Caminho, que é a própria Santa Igreja Católica, instituída por Nosso Senhor: "... até que todos tenhamos chegado à Unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. ... pela sincera prática da caridade, cresçamos em todos sentidos..." Ef 4,13.15a
E a Primeira Carta de São João resumiu: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, nele não está o amor do Pai." 1 Jo 2,15
sábado, 20 de junho de 2026
Jesus rezava
De fato, após se mudar de Nazaré para Cafarnaum, à casa de São Pedro, na primeira madrugada Ele acordou para rezar. Está no Evangelho Segundo São Marcos: "De manhã, tendo-Se levantado muito antes do amanhecer, Ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali Se pôs em oração." Mc 1,35
Nosso Senhor atraia grandes multidões desde os primeiros milagres e curas, mas mesmo sob tamanho assédio não abandonava a oração, Sua principal fonte de Comunhão com o Pai: "Entretanto, espalhava-se mais e mais Sua fama, e concorriam grandes multidões para O ouvir ser curadas de suas enfermidades. Mas Ele costumava retirar-Se a solitários lugares para rezar." Lc 5,15-16
Assim também foi quando escolheu os Apóstolos. Precisava dos auxílios do Pai e do Espírito Santo para escolher aqueles que seriam os fundamentos (cf. Ef 2,20) da Santa Igreja Católica: "Naqueles dias, Jesus retirou-Se a uma montanha para rezar, e aí passou toda a noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou Seus discípulos e dentre eles escolheu Doze, que chamou de Apóstolos..." Lc 6,12-13
E ainda no dia de Sua Transfiguração, quando convocou os mais íntimos Apóstolos e entrou em estado de oração: "... Jesus Consigo tomou Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para rezar. Enquanto rezava, Seu rosto transformou-se e Suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura." Lc 9,28-29
Ou quando lhes ensinou o Pai Nosso, o melhor registro de Suas interlocuções com o Pai: "Um dia, num certo lugar, estava Jesus a rezar. Terminando a oração, disse-Lhe um de Seus discípulos: 'Senhor, ensina-nos a rezar, como João também ensinou a seus discípulos.'" Lc 11,1
Depois da primeira multiplicação dos pães e dos peixes, quando a multidão quis fazê-Lo rei, humildemente Nosso Senhor retirou-Se mais uma vez para rezar. É do Evangelho Segundo São Mateus: "Logo depois, Jesus obrigou Seus discípulos a entrar na barca e a passar antes d'Ele para a outra margem, enquanto despedia a multidão. Feito isso, subiu à montanha para rear na solidão. E chegando a noite, lá estava sozinho." Mt 14,22-23
Ensinava, ademais, que era necessário constantemente rezar, sem cessar: "Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre, sem jamais deixar de fazê-lo." Lc 18,1
Para aqueles que criticam as orações repetidas, o próprio Jesus rezou por três vezes, enquanto esteve no Horto das Oliveiras antes de ser preso, a mesma oração: "Deixou-os e foi rezar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras." Mt 26,44
E quando repetia as mesmas palavras, ainda no Monte das Oliveiras, Jesus fazia-o com tanta intensidade que chegou a suar sangue, pois por Seu Anjo da Guarda o Pai confirmava, em resposta a Suas orações, que Sua hora de morrer na Santa Cruz havia chegado: "Apareceu-Lhe então um anjo do Céu para O confortar. Ele entrou em agonia e ainda com mais instância rezava, e Seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra." Lc 22,44
Na Cruz, enfim, Suas últimas palavras também são orações. E assim Ele deu a prova maior de Seu amor pela errante humanidade: "Pai, perdoa-lhes. Eles não sabem o que fazem." Lc 23,34











