domingo, 31 de maio de 2026

A Santíssima Trindade

    A primeira menção conjunta da Bíblia às Pessoas da Santíssima Trindade na Bíblia é no Novo Testamento, que é propriamente o ápice da Revelação, quando se lê a Anunciação do Arcanjo São Gabriel a Maria Santíssima. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo envolver-te-á com Sua sombra. Por isso, o Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus." Lc 1,35

    E a primeira manifestação conjunta das Três Pessoas de Deus dá-se após o Batismo de Jesus por São João Batista. O Evangelho Segundo São Mateus apontou: "Depois que Jesus foi batizado, logo saiu da água. Eis que os Céus se abriram e se viu descer sobre Ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus. E do Céu baixou uma voz: 'Eis Meu Amado Filho, em Quem ponho Minha afeição.'" Mt 3,16-17

    A Pessoa de Deus Pai distintamente apareceu no Livro do Profeta Isaías: "No ano da morte do rei Ozias, eu vi o Senhor sentado num trono muito elevado. As franjas de Seu manto enchiam o Templo, os serafins mantinham-se junto d'Ele. Cada um deles tinha seis asas; com um par de asas velavam a face; com outro cobriam os pés; e, com o terceiro, voavam. Suas vozes revezavam-se e diziam: 'Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do Universo! A Terra inteira proclama Sua Glória!' " Is 6,1-3

    Já a primeira e mais evidente manifestação de Jesus, enquanto Segunda Pessoa de Deus, aparece ainda no Antigo Testamento, no Livro do Profeta Daniel: "Olhando sempre a noturna visão, vi um Ser, semelhante ao Filho do Homem, vir sobre as nuvens do Céu: dirigiu-Se para o lado do Ancião, diante de Quem foi conduzido. A Ele foram dados império, Glória e realeza, e todos povos, nações e línguas serviram-nO. Seu domínio será eterno, nunca cessará, e Seu Reino jamais será destruído." Dn 7,13-14

    Ora, a Divindade de Jesus foi declarada no Evangelho Segundo São João, que começa afirmando que a Palavra de Deus, Jesus Encarnado, era o próprio Deus: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus." Jo 1,1

    Ele confirma o Verbo, ou seja, a Palavra de Deus, como sendo Jesus: "E o Verbo fez-Se Carne e habitou entre nós. E vimos Sua Glória, a Glória que o Filho Único recebe do Seu Pai, cheio de Graça e de Verdade." Jo 1,14

    Tal qual a divindade de Jesus, o reconhecimento do Espírito Santo como a Terceira Pessoa de Deus não foi imediato. A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, porém, também dava o título de Senhor ao Santo Paráclito, anotando Sua autonomia para nos libertar do pecado: "Ora, o Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade." 2 Cor 3,17

    De fato, a Divindade do Espírito Santo está patente por Sua total independência ao distribuir dons espirituais, como a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios atesta: "Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como Lhe apraz." 1 Cor 12,11

    E a Comunhão da Santíssima Trindade foi expressa nesta frase de Jesus, pela mesma Missão que executam: "Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim." Jo 15,26

    O Ministério dos Três, pois, é perfeitamente coincidente, como Nosso Salvador prometeu aos Apóstolos: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu Nome, ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26

    O Apóstolo dos Gentios, para melhor explicar a ação de Deus, também menciona as Três Pessoas: "Ora, Quem confirma a nós e a vós em Cristo, e nos consagrou, é Deus. Ele marcou-nos com Seu selo e a nossos corações deu o penhor do Espírito." 2 Cor 21-22

    E a Primeira Carta de São Pedro atribuía a cada Um d'Eles uma específica função, dizendo que os cristãos eram "... eleitos segundo a presciência de Deus Pai, e santificados pelo Espírito, para obedecer a Jesus Cristo..." 1 Pd 1,2

sábado, 30 de maio de 2026

A Justiça de Deus

    Mais do que observamos, a Justiça de Deus frequentemente é mencionada nas Escrituras. O próprio Jesus, que entre nós exemplarmente tudo viveu em perfeita obediência ao Pai, tratou de a apontar logo no início de Sua vida pública, no Evangelho Segundo São Mateus, diante do batismo ministrado por São João Batista. Assim reverenciava a autoridade do Antigo Testamento, que se encerrava no Batista (cf. Mt 11,13): "De Galileia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele. João recusava-se: 'Eu devo ser batizado por Ti, e Tu vens a mim?' Mas Jesus respondeu-lhe: 'Deixa por agora, pois convém que cumpramos a completa Justiça.' Então João cedeu." Mt 3,13-15

    Ele pregou, desde o Sermão da Montanha, que sua busca é uma bem-aventurança: "Bem-aventurados aqueles que têm fome e sede de Justiça, porque serão saciados!" Mt 5,6

    Advertiu, entretanto, que quem a buscasse seria perseguido, mas ganharia um lugar junto a Deus: "Bem-aventurados aqueles que são perseguidos por causa da Justiça, porque deles é o Reino dos Céus!" Mt 5,10

    Esta Justiça vai muito além de terrenos parâmetros. Referindo-Se a alguns religiosos de então, Ele  mostrou-Se exigente: "Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus." Mt 5,20

    E deles mesmos tratou de cobrar, jogando-lhes em face e exortando-os à perfeita interiorização da fé: "Ai de vós, hipócritas escribas e fariseus! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e desprezais os mais importantes preceitos da Lei: a Justiça, a Misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, contudo sem deixar o restante." Mt 23,23

    Recomendava-a, pois, como o mais elevado valor aos olhos de Deus. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber; e não andeis com vãs preocupações. Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas estas coisas. Mas Vosso Pai bem sabe que precisais de tudo isso. Antes buscai o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas estas coisas sê-vos-ão dadas por acréscimo." Lc 12,29-31

    Sua plena revelação, segundo Nosso Senhor no Evangelho Segundo São João, seria obra do Espírito Santo, a partir do Pentecostes: "E quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da Justiça e do Juízo. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em Mim. Convencê-lo-á a respeito da Justiça, porque Eu vou para junto de Meu Pai e vós já não Me vereis. Convencê-lo-á a respeito do Juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado." Jo 16,8-11

    Ela já era mencionada com uma das quatro cardeais virtudes no Livro de Sabedoria: "E se alguém ama a Justiça, as virtudes são seus frutos. Ela ensina a temperança e a prudência, a Justiça e a fortaleza, que na vida são os mais úteis bens aos homens." Sb 8,7

    O completo estabelecimento da Justiça de Deus, porém, será a obra final de Jesus, como profetizado havia séculos, pois até lá Ele sempre agirá discretamente, evitando alarde inclusive sobre Seus milagres: "Abertamente lhes proibia de falar sobre isso, para que se cumprisse o anunciado pelo Profeta Isaías: 'Eis Meu Servo, a Quem escolhi, Meu Bem-Amado, em Quem pus Minha afeição. Farei repousar sobre Ele Meu Espírito, e Ele anunciará a Justiça aos pagãos. Ele não disputará, não elevará Sua voz. Ninguém ouvirá Sua voz nas praças públicas. Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega, até que faça triunfar a Justiça. Em Seu Nome, as pagãs nações porão sua esperança (Is 42,1-4).'" Mt 12,16-21

    O Livro do Profeta Jeremias também dizia: "Dias virão,' Oráculo do Senhor, 'em que farei brotar de Davi um Justo Rebento. Ele será Rei e governará com Sabedoria, e exercerá na Terra o direito e a equidade. Sob Seu reinado será salvo Judá, e Israel viverá em segurança. E eis o Nome com que será chamado: Javé, Nossa Justiça!" Jr 23,5-6

    E a Carta de São Paulo a São Tito assim resumiu a Missão de Jesus: "Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às mundanas paixões, e a viver neste mundo com toda sobriedade, Justiça e piedade... " Tt 2,12

sexta-feira, 29 de maio de 2026

A Alma

    A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, sem dar maiores detalhes, em suas inspirações diferencia alma de espírito, apontando três partes do ser: "O Deus da Paz conceda-vos perfeita santidade. Que todo vosso ser, a saber, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo!" 1 Ts 5,23

    Na Carta aos Hebreus, em mesmo sentido, os seguidores de sua tradição assim expressaram o poder da Palavra, que é o próprio Verbo Encarnado (cf. Jo 1,14), isto é, Jesus em Pessoa, bem como seu singular alcance: "Porque a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes e divide alma e espírito, juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração." Hb 4,12

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, de fato, usou estes termos para diferenciar Jesus de Adão, fazendo menção ao Livro de Gênesis: "Como está escrito: 'O primeiro homem, Adão, foi feito vivente alma (Gn 2,7)'. O segundo Adão é Vivificante Espírito." I Cor 15,45

    E desde o Antigo Testamento, vemos que é a alma que dá vida ao corpo. O Primeiro Livro de Reis anotou: "Estendeu-se, em seguida, sobre o menino por três vezes, de novo invocando o Senhor: 'Senhor, Meu Deus, rogo-Vos que a alma deste menino volte a ele.' O Senhor ouviu a oração de Elias: a alma do menino voltou a ele, e ele recuperou a vida." 1 Rs 17,21-22

    No Evangelho Segundo São Mateus, pois, Jesus foi específico ao falar em Consolação, prometendo-a às almas, não a nossos corpos: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29

    Ele usou a palavra alma para designar o que há de mais íntimo na pessoa, ao expressar Sua agonia no Horto das Oliveiras, dizendo a São Pedro, São Tiago Maior e São João: "Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai Comigo." Mt 26,38

    Ora, a alma é imortal, assim como o futuro corpo que todos receberão na Ressurreição da Carne. Mas não podemos confundir, entre corpo e alma, o que seria mais importante. Jesus refere-Se à alma no mais usual sentido, e como aquilo que de mais valioso possuímos nessa vida, afirmando sua imortalidade: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes temei Aquele que pode precipitar a alma e o corpo no inferno." Mt 10,28

    Ainda sobre sua imortalidade, Ele iria dizer sobre falecidos, pois a Ressurreição da Carne só acontecerá no Juízo Final: "Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos. Porque para Ele todos vivem." Lc 20,38

    O Livro de Eclesiástico também disse, defendendo os ministros de Deus àquele tempo: "Teme a Deus com toda tua alma, tem um profundo respeito por Seus sacerdotes." Eclo 7,31

    Referindo-se à Revelação, o rei Davi já cantava no Livro de Salmos: "A Lei do Senhor é perfeita, reconforta a alma." Sl 18,8a

    É ela que se fortalece com a invocação e a resposta de Deus, como ele diz, mostrando-se agradecido: "Quando Vos invoquei, Vós respondestes-me, aumentastes o vigor de minha alma." Sl 137,3

    Já o Livro de Sabedoria diz Quem as educa: "A Sabedoria não entrará na perversa alma, nem habitará no corpo sujeito ao pecado. O Espírito Santo Educador das almas fugirá da perfídia, afastar-Se-á de insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir repeli-Lo-á." Sb 1,4-5

    E a Salvação, de fato, é para as almas, como a Primeira Carta de São Pedro ensina: "Este Jesus, vós amai-Lo sem O terdes visto, n'Ele credes ainda sem O verdes. E isto é para vós a fonte de uma inefável e gloriosa alegria, porque estais certos de obter, ao preço de vossa , a Salvação de vossas almas." 1 Pd 1,8-9

    Por fim, o Livro de Apocalipse de São João viu no Céu as almas dos Santos: "Quando abriu o quinto selo, debaixo do altar vi as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários." Ap 6,9

quinta-feira, 28 de maio de 2026

"Transformai-vos..."

    Com grande inspiração, o Livro de Eclesiástico já atinava para a essência de nossa espiritualidade, e exortava: "A saúde da alma na santidade e na Justiça vale mais que o ouro e a prata. Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus e sê firme. Concentra teu coração na santidade..." Eclo 30,15a.24a

    A Primeira Carta de São Pedro também lembra esse compromisso fixados por Deus já no Livro de Levítico: "A exemplo da santidade d'Aquele que vos chamou, também sede vós Santos em todas vossas ações, pois está escrito: 'Sede Santos, porque Eu sou Santo (Lv 19,2).'" 1 Pd 1,15

    Pedia a plena purificação do coração, como o desejável sacrário de Nosso Senhor, dizendo dos inimigos da Santa Igreja Católica: "Portanto, não temais suas ameaças e não vos perturbeis. Antes santificai Cristo, o Senhor, em vossos corações. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito." 1 Pd 3,14

    E a Carta de São Paulo aos Romanos pregou a Santa Missa: "Eu exorto-vos, pois, irmãos, pelas Misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em vivo, santo e agradável sacrifício a Deus: é este vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vosso espírito para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada e o que é perfeito." Rm 12,1-2

    De fato, chamando Jesus de Deus (cf. Jo 13,34), a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses fala da maior virtude: "A respeito do fraterno amor, não temos necessidade de vos escrever, porquanto vós mesmos aprendestes de Deus a vos amar uns aos outros. Mas ainda vos rogamos, irmãos, que vos aperfeiçoeis mais e mais." 1 Ts 4,9-10b

    A Carta de São Paulo aos Colossenses diz o mesmo: "Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição." Cl 3,14

    Ele instava ao empenho e à vigilância dentro da Igreja Apostólica: "Pedimo-vos, porém, irmãos, corrigi os desordeiros, encorajai os tímidos, amparai os fracos e tende paciência para com todos. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo: abraçai o que é bom. Guardai-vos de toda espécie de Mal." 1 Ts 5,14.19-22

    A Carta de São Paulo aos Efésios admoestava que tivessem o mesmo pulso, denunciando o pecado: "Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas infrutíferas obras das trevas. Pelo contrário, abertamente as condenai. Porque as coisas que tais homens ocultamente fazem, até falar delas é vergonhoso." Ef 5,11-12

    Para tanto, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios recomenda sincera contrição: "Depositários de tais promessas, caríssimos, purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito, plenamente realizando nossa santificação no temor a Deus." 2 Cor 7,1

    Conforme os seguidores de sua tradição, na Carta aos Hebreus, duas condições são reveladas para a perfeita Comunhão com Deus. A primeira fala de : "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a Ele é necessário que primeiro se creia que Ele existe, e que recompensa aqueles que O procuram." Hb 11,6

    E é através da reflexão sobre a Palavra de Deus que se alcança o dom da fé: "Mas nem todos prestaram ouvido à Boa Nova. É o que Isaías exclama: 'Senhor, quem acreditou em nossa pregação (Is 53,1)?' Logo, a fé provém da pregação, e a pregação exerce-se em razão da Palavra de Cristo." Rm 5,16-17

    Já a segunda condição aponta exatamente para a santidade: "Procurai a Paz com todos, e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor." Hb 12,14

    Ora, invocando a pureza e a inocência das crianças, o próprio Jesus afirmou no Evangelho Segundo São Mateus: "Na Verdade, declaro-vos: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus." Mt 18,3

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Na Prática, Verdadeiros Ateus

    Perante Deus, há casos ainda mais graves que o mero ateísmo: são aqueles muitos que, apesar de jurarem acreditar n'Ele, especialmente em Deus manifesto na Pessoa de Jesus, categoricamente rejeitam Seus ensinamentos e, na prática, vivem na mais completa devassidão. O destino destes não parece ser nenhuma surpresa, pois Nosso Senhor mesmo adverte no Evangelho Segundo São Lucas: "Mas aquele que ouve Minhas Palavras e não as põe em prática é semelhante a um insensato homem, que construiu sua casa na areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa. Ela caiu e grande foi sua ruína." Lc 7,26-27

    Aliás, muitos deles até se apresentam como líderes religiosos e realizam 'sinais'. No Evangelho Segundo São Mateus, porém, Nosso Salvador asseverou: "Nem todo aquele que Me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus. Muitos di-Me-ão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não pregamos nós em Vosso Nome, e não foi em Vosso Nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?' E, no entanto, Eu di-lhes-ei: 'Nunca vos conheci. Retirai-vos de Mim, maus operários!'" Mt 7,21-23

    Aqueles que distorcem Sua Palavra, portanto, deveriam estar bem mais atentos, pois Ele disse dos humildes no Evangelho Segundo São Marcos: "Mas todo aquele que fizer cair em pecado a um destes pequeninos que creem em Mim, melhor seria que uma pedra de moinho lhe fosse presa ao pescoço e o lançassem ao mar!" Mc 9,42

    E estejamos certos que isso não é nenhuma raridade. Ele mesmo já denunciava alguns e suas crias, verdadeiros cães de guerra: "Ai de vós, hipócritas escribas e fariseus! Percorreis mares e terras para fazer um prosélito e, quando o conseguis, fazeis dele um filho do inferno duas vezes pior que vós mesmos." Mt 23,15

    A Segunda Carta de São Pedro acusa-os de grandes maculadores do Evangelho, e igualmente não isenta aqueles que os seguem: "Assim como houve entre o povo falsos profetas, entre vós também haverá  falsos doutores que disfarçadamente introduzirão perniciosas seitas. Renegando, assim, o Senhor que os resgatou, eles atrairão sobre si uma repentina ruína. Muitos segui-los-ão em suas desordens, e deste modo serão a causa de o Caminho da Verdade ser caluniado." 2 Pd 2,1-2

    O fim de Judas Iscariotes, por sinal um dos escolhidos por Jesus para ser Apóstolo, mas que tanto amava o dinheiro (cf. Mt 26,15), foi muito triste. A vida, esse dom de Deus, para ele foi uma pedra de tropeço. Nosso Senhor sentenciou: "O Filho do Homem vai, como d'Ele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido!" Mt 26,24

    Numa visão registrada no Livro de Apocalipse de São João, Ele foi muito contundente com alguns acomodados dentro de uma diocese da Santa Igreja Católica: "Ao anjo da igreja de Laodiceia, escreve: Conheço tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te. Pois dizes: 'Sou rico, faço bons negócios, de nada necessito', e não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de Mim compres ouro provado ao fogo, para ficares rico, alvas roupas para te vestir, a fim de que a vergonha de tua nudez não apareça, e um colírio para ungir os olhos, de modo que possas ver claro." Ap 3,14a.15-18

    Com efeito, falando no Livro do Profeta Isaías, Deus já havia denunciado a hipocrisia entre religiosos. Jesus vai invocá-lo: "Hipócritas! É bem de vós que fala o Profeta Isaías: 'Este povo só Me honra com os lábios. Seu coração, porém, está longe de Mim.'" Mt 15,7-8

    E a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses lamenta a desonestidade intelectual e a preguiçosa consciência daqueles que caem na eterna perdição "... por não terem cultivado o amor à Verdade, que teria podido salvá-los." 2 Ts 2,10

    Pois o simples ato de ocultar a Verdade, seja por irreligiosidade ou maldade, significa atrair graves castigos, como está na Carta de São Paulo aos Romanos: "A ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a Verdade." Rm 1,18

terça-feira, 26 de maio de 2026

A Santa Missa

    Foi pedido de Cristo, apontado no Evangelho Segundo São Lucas durante a Santa Ceia, que celebremos a Eucaristia, palavra grega que significa ação de graças. Na Santa Missa, portanto, nós agradecemos a Deus pela obra da Salvação, especificamente pelo Sacrifício de Cristo, que fez superabundar a Graça no mundo (cf. Rm 5,15.20). Ele ofereceu o Pão, que é Sua Carne: "Tomou em seguida o pão e, depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado em favor de vós. Fazei isto em memória de Mim.'" Lc 22,19

    Depois ofereceu o Vinho, que é Seu Sangue derramado na Santa Cruz para o perdão dos pecados, conforme o Evangelho Segundo São Mateus: "Tomou depois o Cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo: 'Bebei dele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado por muitos para remissão dos pecados.'" Mt 26,27-28

    E isso nada tem simbolismo, porque Ele afirmou a materialidade das Duas Espécies Eucarísticas no Evangelho Segundo São João, que acontece pela Transubstanciação: "Pois Minha Carne verdadeiramente é uma comida e Meu Sangue verdadeiramente é uma bebida." Jo 6,55

    Em complemento, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios cunhou uma sentença que a Santa Igreja Católica parafraseou para que os fiéis recitem em resposta na Oração Eucarística, durante a Santa Missa: "Assim, todas vezes que comeis desse Pão e bebeis desse Cálice, anunciais a Morte do Senhor até que Ele venha." 1 Cor 11,26

    E também como resposta dos fiéis, o Rito da Comunhão traz uma adaptação da frase do centurião romano, cuja fé, que Jesus disse jamais ter visto em Israel, O levou a declarar pela primeira vez que o Reino dos Céus seria tirado de Seu povo: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada. Mas dizei uma só Palavra e meu servo será curado." Mt 8,8b

    Porque a Comunhão é operada pelo Divino Paráclito, como a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios revelou e nossos Sacerdotes rezam na acolhida dos fiéis: "A Graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" 2 Cor 13,13

    Esse tem sido o ritual que os cristãos praticam desde os dias que se seguiram ao Pentecostes. O Livro de Atos dos Apóstolos, dizendo dos fiéis, apontou os quatro constitutivos da Santa Missa: "Eles perseveravam na Doutrina dos Apóstolos, na fraterna Comunhão, na fração do Pão e nas orações." At 2,42

    Esse culto sempre foi realizado no Dia do Senhor, em latim 'dies Dominicus', que chamamos Domingo (cf. Ap 1,10), por ser o dia da Ressurreição do Senhor. O Amado Médico escreveu: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o Pão, Paulo, que havia de viajar no seguinte dia, conversava com os discípulos e prolongou a palestra até a meia-noite." At 20,7

    E durante a Santa Missa, toda a Igreja Católica Apostólica Romana, que é o Corpo Místico de Cristo, também se oferece em sacrifício, como a Carta de São Paulo aos Romanos prega, pedindo pelo serviço ao Senhor, cujo principal é nossa Santa Missa: "Eu exorto-vos, portanto, irmãos, pelas Misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em viva, santa e agradável hóstia a Deus: é este vosso culto espiritual. Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." Rm 12,1.11

    Eis porque a Carta de São Paulo aos Filipenses exalta a Unção do Santo Paráclito, o prometido do Pai (cf. Lc 24,49), pelo Qual nos é concedido celebrar a Santa Eucaristia: "Porque os verdadeiros circuncisos somos nós, que prestamos culto a Deus pelo Espírito de Deus, e pomos nossa Glória em Jesus Cristo, e não confiamos na carne." Fl 3,3

    Até o cego de nascença, curado por Jesus, sabia a importância de prestar culto a Deus. É do Evangelho Segundo São João: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz Sua vontade." Jo 9,31

    Já o Apóstolo dos Gentios sentencia contra as falsas eucaristias: "E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber, ao mesmo tempo, o Cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar, ao mesmo tempo, da Mesa do Senhor e da mesa dos demônios." 1 Cor 10,20b-21

    Porque só há uma única e verdadeira Santa Eucaristia, que é a celebrada pela Igreja Una: "Uma vez que há um único Pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só Corpo, porque todos nós comungamos do mesmo Pão." 1 Cor 10,17

segunda-feira, 25 de maio de 2026

O Pensamento de Cristo

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios esclarece sobre nossa condição de membros da Santa Igreja Católica, que é o Corpo Místico de Cristo (cf. Cl 1,24): "Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem pode compreendê-las, porque é pelo Espírito que deve ponderá-las. O homem espiritual, ao contrário, julga todas coisas e não é julgado por ninguém. 'Quem instruiu o Espírito do Senhor, ou que conselheiro Lhe deu lições (Is 40,13)?' Nós, porém, temos o pensamento de Cristo." 1 Cor 2,14-16

    Mas a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios reconhece, exaltando o Ministério do Espírito Santo, que é o mesmo da Igreja Católica Apostólica Romana, e assim a Sagrada Tradição: "Não que por nós mesmos sejamos capazes de algum pensamento, como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus. Ele é que nos fez aptos para sermos Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,5

    E assim confirma, perante a humanidade, o poder da Igreja de Deus Vivo, que é a 'coluna e sustentáculo da Verdade (cf. 1 Tm 3,15)': "Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo." 2 Cor 10,5

    De fato, ao acusar o Sinédrio, o conselho dos judeus em Jerusalém, pela Morte de Cristo, São Pedro esclarece como é possível receber o Santo Paráclito. Está no Livro de Atos dos Apóstolos: "... o Espírito Santo, que Deus deu a todos que Lhe obedecem." At 5,32

    E consagrando a importância da obediência, sob todos aspectos, a Primeira Carta de São Pedro também explicou a finalidade desta Divina Unção, e assim fechou o ciclo, dizendo que somos "... santificados pelo Espírito, para obedecer a Jesus Cristo..." 1 Pd 1,2a

    A Primeira Carta de São João igualmente O tinha como sinal de obediência, bem como de Comunhão com Deus: "Eis Seu Mandamento (de Deus): que creiamos no Nome de Seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros como Ele nos mandou (Lv 19,18). Quem observa Seus Mandamentos, permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,23-24

    Ora, o próprio Príncipe dos Apóstolos, mesmo instantes depois de inspiradamente reconhecer Jesus como o Messias, por Ele vai ser pronta e seriamente corrigido, pois não aceitou o anúncio de Sua Paixão. O Evangelho Segundo São Marcos, ele mesmo que preservou as memórias do Primeiro Papa, apontou: "Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a O recriminar. Ele, porém, voltou-Se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: 'Afasta-te de Mim, Satanás! Tu não pensas as coisas de Deus, e sim as dos homens.'" Mc 8,32b-33

    O sagrado autor do Livro de Sabedoria, pois, diz versando sobre a própria: "Ela mesma vai à procura daqueles que dela são dignos. Ela aparece-lhes nos caminhos, cheia de benevolência, e vai ao encontro deles em todos seus pensamentos..." Sb 6,16

    Mas também adverte: "A Sabedoria não entrará na perversa alma, nem habitará no corpo sujeito ao pecado. O Espírito Santo Educador das almas fugirá da perfídia, afastar-Se-á de insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir repeli-Lo-á." Sb 1,4-5

    Aliás, fala mesmo em punição pelo simples pensar: "Mas os ímpios terão o castigo que merecem seus pensamentos, uma vez que desprezaram o justo e se separaram do Senhor. E desgraçado é aquele que rejeita a Sabedoria e a disciplina!" Sb 3,10

    E eis o que Tobit, julgando estar prestes a morrer, recomenda no Livro de Tobias, seu filho: "Quanto a ti, sempre conserva em teu coração o pensamento de Deus. Guarda-te de jamais consentir no pecado, e de negligenciar os preceitos do Senhor, Nosso Deus." Tb 4,6

domingo, 24 de maio de 2026

O Pentecostes

    Deus prometeu o Espírito Santo ainda no Livro do Profeta Isaías, falando ao povo de Israel: "Assim diz o Senhor, Aquele que te fez, que te modelou desde o ventre materno e te socorre: 'Não temas, Jacó, Meu servo, Jesurun, a quem escolhi. Porque derramarei Água sobre o solo sedento e correntes sobre a terra seca. Derramarei Meu Espírito sobre tua raça, e Minha bênção sobre teus descendentes. Eles brotarão por entre a erva como os salgueiros junto a correntes de água.'" Is 44,2-4

    E no Livro do Profeta Ezequiel prometeu reunir Seu povo. Era a Unidade da Igreja, que só o Espírito Santo poderia realizar através da Comunhão: "... Eu dá-lhes-ei um só coração e animá-los-ei com um Novo Espírito. De seu corpo extrairei o coração de pedra para o substituir por um coração de carne, a fim de que observem Minhas leis, guardem e pratiquem Meus Mandamentos, sejam Meu povo e Eu, Seu Deus." Ez 11,19-20

    Deu mais detalhes no Livro do Profeta Joel: "Depois disso, derramarei Meu Espírito sobre todos viventes, e vossos filhos e as filhas tornar-se-ão profetas. Entre vós, os velhos terão sonhos e os jovens terão visões! Nesses dias, até sobre escravos e escravas derramarei Meu Espírito!" Jl 3,1-2

    E no Evangelho Segundo São JoãoJesus garantiu Sua permanente presença aos Apóstolos, e assim à Santa Igreja Católica: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que eternamente fique convosco." Jo 14,16

    Mas Ele deixou claro que o Divino Paráclito não se derramaria sobre todos: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,17

    Assim, conforme o Livro de Atos dos Apóstolos, após a Ascensão do Senhor veio o grande dia do nascimento da Igreja Apostólica: "Todos eles (Apóstolos) unanimemente perseveravam na oração, e com eles as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos d'Ele. Quando chegou o dia de Pentecostes, todos eles estavam reunidos no mesmo lugar. De repente, do céu veio um barulho como o sopro de um forte vendaval, e encheu a casa onde eles se encontravam. Apareceram, então, umas como línguas de fogo, que se espalharam e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem." At 1,14;2,1-4

    Ora, Nosso Salvador havia avisado que nem todas revelações seriam feitas por Ele mesmo, mas que o Santo Paráclito as arremataria, o que inclui as novas instruções através dos séculos: "Muitas coisas ainda tenho a vos dizer, mas agora não podeis suportá-las. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensiná-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,12-13

    Por isso, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios exigia dos católicos a obrigatória reverência: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que em vós habita, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?" 1 Cor 6,19

     Com efeito, a mera leitura da Palavra de Deus sem os auxílios do Santo Espírito, ou seja, a tentativa de compreensão das Escrituras sem a assistência da Santa Igreja, leva tão somente ao erro e à morte. A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios diz do Ministério do Divino Paráclito, que ó o próprio Ministério da Igreja Católica, exclusivamente dado por Jesus: "Ele é que nos fez aptos para ser Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,6

    E a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses reclamou o devido respeito à Sagrada Tradição, também chamada de Tradição Oral, e aos Sacerdotes da Igreja Una e Santa: "Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos infundiu Seu Espírito Santo." 1 Ts 4,8

    'Surpresa' guardada por Deus, assim como o próprio Jesus, para a plenitude dos tempos, Ele já aparecia, sempre sutilmente, no Livro de Gênesis, e desde as primeiríssimas linhas das Escrituras: "... o Espírito de Deus pairava sobre as águas." Gn 1,2

    E notoriamente agia sobre aqueles que eram fiéis aos planos de Deus. É do Livro de Números: "Moisés saiu e referiu ao povo as palavras do Senhor. Reuniu setenta homens dos anciãos do povo e colocou-os em volta da Tenda. O Senhor desceu na Nuvem e falou a Moisés. Tomou uma parte do Espírito que o animava e pô-la sobre os setenta anciãos. Apenas repousara o Espírito sobre eles, começaram a profetizar, mas não continuaram." Nm 11,24-25

sábado, 23 de maio de 2026

Testemunhar Jesus

 

    No Livro de Atos dos Apóstolos, antes de ascender aos Céus, Jesus determinou a Apóstolos, discípulos e seguidores: "... mas descerá sobre vós o Espírito Santo e dá-vos-á força. E sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria, e até os confins do mundo." At 1,8

    Logo após Sua Ressurreição, de fato, Ele havia dito em que consiste a missão da Santa Igreja Católica. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. E que em Seu Nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de tudo isso." Lc 24,46-48

    E ainda segundo Suas Palavras, no Evangelho Segundo São Marcos, tal missão não seria nada fácil: "Cuidai de vós mesmos. Sereis arrastados diante dos tribunais e açoitados nas sinagogas, e comparecereis diante dos governadores e reis por Minha causa, para diante deles dar testemunho de Mim." Mc 13,9

    Ora, o próprio Satanás faz violenta oposição aos filhos de Nossa Senhora, como o Livro de Apocalipse de São João apontou, e sempre expressando a mesma razão: "Cheio de raiva por causa da Mulher, o Dragão então começou a atacar o resto de seus descentes, aqueles que obedecem aos Mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus." Ap 12,17

    De fato, diante do primeiro grupo de pagãos a ser convertido ao Cristianismo, São Pedro abertamente declarava a missão dos Doze: "E nós somos testemunhas de tudo que Ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém." At 10,39

    Mas, como Jesus lhes havia assegurado, os Apóstolos não estavam sós: tinham o Divino Paráclito. Depois que foram presos por causa de suas pregações, o Príncipe dos Apóstolos alegou perante o Sinédrio, o conselho dos judeus em Jerusalém: "O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-O num madeiro. Deus elevou-O pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. Destes fatos, nós somos testemunhas! Nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,30-32

    Aliás, a presença do Divino Espírito nos membros da Igreja Católica confirma a Salvação oferecida por Cristo na Santa Cruz, conforme os seguidores da tradição de São Paulo, na Carta aos Hebreus: "Por uma só oblação, Ele realizou a definitiva perfeição daqueles que recebem a santificação. É o que nos confirma o testemunho do Espírito Santo." Hb 10,14-15a

    Nos primeiros anos da anunciação do Evangelho, pois, a principal prova da Vinda do Messias era o testemunho ocular de Sua Ressurreição. É o que São Pedro vai exigir ao escolher São Matias para o lugar de Judas Iscariotes: "Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo tempo que o Senhor Jesus viveu entre nós, a começar do Batismo de João até o dia em que de nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de Sua Ressurreição." At 1,21-22

    E os Evangelhos foram fundamentados nos testemunhos dos Apóstolos, como o Amado Médico garante logo em primeiríssimas linhas: "... como nos transmitiram aqueles que desde o princípio foram testemunhas oculares, e que se tornaram Ministros da Palavra." Lc 1,2

    A Primeira Carta de São João vai fazer essa síntese: "E o testemunho é este: Deus deu-nos a Vida Eterna, e esta Vida está em Seu Filho. Quem possui o Filho, possui a Vida Quem não tem o Filho de Deus, não tem a Vida." 1 Jo 5,11-12

    Nosso Salvador lembrou outro instrumento de Deus, no Evangelho Segundo São João: "Vós perscrutais as Escrituras, nelas julgando encontrar a Vida Eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim." Jo 5,39

    E até chegou a invocar Seus milagres, que sem dúvida são claras provas de Quem Ele é, dizendo de São João Batista: "... tenho maior testemunho que o de João, porque as obras que Meu Pai Me deu para executar, essas mesmas obras que faço, testemunham a Meu respeito, que o Pai Me enviou." Jo 5,36

sexta-feira, 22 de maio de 2026

A Igreja Católica

    A Igreja Católica, que significa universal, é a mesma, porque tem uma só, consolidada e declarada Doutrina, e a única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo que está no mundo todo, como Ele mesmo determinou aos Apóstolos pouco antes de Sua Ascensão, no Livro de Atos dos Apóstolos: "... descerá sobre vós o Espírito Santo e dá-vos-á força, e sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria, e até os confins do mundo." At 1,8

    Essa universal Unidade, isto é, entre todos povos da Terra, que é o sentido da palavra 'católica', foi prevista desde o Livro do Profeta Daniel, que bem distinguiu Jesus e o Pai: "Sempre olhando a noturna visão, vi um Ser, semelhante ao Filho do Homem, vir sobre as nuvens do Céu: dirigiu-Se para o lado do Ancião, diante de Quem foi conduzido. A Ele foram dados império, Glória e realeza, e todos povos, todas nações e todas línguas serviram-nO. Seu domínio será eterno, nunca cessará, e Seu Reino jamais será destruído." Dn 7,13-14

    Aliás, bem antes disso, no Livro do Profeta Isaías, Deus Pai mesmo havia dito a Nosso Salvador, sobre o Advento: "Não basta que sejas Meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os fugitivos de Israel. Vou fazer de Ti a Luz das nações, para propagar Minha Salvação até os confins do mundo." Is 49,6

    De fato, mesmo levando em conta tantas tradições e culturas, de tantos povos não-judeus, Jesus garantiu, dizendo dos Seus entre todos eles, no Evangelho Segundo São João: "... ouvirão Minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor." Jo 10,16

    Ele falou que nessa Unidade está a própria Glória de Deus, que é a prova de que Ele é o Messias e do amor de Deus, como rezou ao Pai pelos Apóstolos: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade, e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste como amaste a Mim." Jo 17,22-23

    Ora, não há dúvida de que a Igreja Apostólica é de Jesus, que é Ele que a edifica e que ela é invencível. No Evangelho Segundo São Mateus, Ele disse ao Príncipe dos Apóstolos: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18

    E só a São Pedro entregou todo Seu rebanho, de cordeiros a ovelhas, ou seja, de fiéis a Sacerdotes, e, não por acaso, perante os outros dois que com o Príncipe dos Apóstolos eram Seus mais íntimos Apóstolos: São Tiago Maior, São João. O próprio São João narrou. O próprio Evangelho Segundo São João narrou: "Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas." Jo 21,16b.17c

    Enfim, São Pedro é o único a receber, também por uma sentença de Jesus, e de Suas próprias mãos, as chaves do Reino de Deus, que significam as definitivas revelações sobre Sua Sã Doutrina, e assim confirmar, ou não, quem vive a em verdadeira fidelidade, que para Nosso Senhor é essencial (cf. Mt 23,23): "Eu dá-te-ei as chaves do Reino dos Céus: tudo que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo que desligares na Terra será desligado nos Céus." Mt 16,17-19

    E se Nosso Salvador não esclareceu plenamente todas coisas, enviou Seu Espírito para que sempre ilumine a Igreja Católica Apostólica Romana, por todo futuro, sobre todos assuntos que ela deve saber, como disse aos Apóstolos na noite em que ia ser entregue: "Muitas coisas ainda tenho a vos dizer, mas agora não podeis suportá-las. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensiná-vos-á toda Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,12-13

    A Carta de São Paulo aos Romanos, pois, afirma que a Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo é a própria "... Casa de Deus, que é a Igreja de Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade." 1 Tm 3,15

    Ora, conforme a Carta de São Paulo aos Efésios, é o próprio Jesus que santifica a Igreja Una, pela qual deu Sua Vida: "... Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para a apresentar a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito, mas santa e irrepreensível." Ef 5,25-27

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Para Ler Jesus

 

    Para começar, como a Segunda Carta de São Pedro tratou de advertir, é vedada qualquer pessoal interpretação das Escrituras: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de pessoal interpretação. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de vontade humana." 2 Pd 1,20-21a

    E sempre velando pelo meticuloso trabalho do Divino Espírito, ele arremata a questão, citando Quem dá a inspiração e Quem é a fonte da Revelação: "Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." 2 Pd 1,21b

    A Carta de São Paulo aos Efésios, pois, defende as revelações do Espírito Santo feitas aos membros da Santa Igreja Católica: "Lendo-me, podereis entender a noção que me foi concedida do Mistério de Cristo, que em outras gerações não foi manifestado aos homens da maneira como agora tem sido revelado pelo Espírito a Seus Santos Apóstolos e profetas." Ef 3,4-5

    Já a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios diz do poder do Santo Paráclito, que move a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo e está muito além de rasteiras interpretações das Escrituras: "Ele (Deus) é que nos fez aptos para sermos Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,6

    E a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses revindica a autoridade da Igreja sobre a Revelação: "Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos infundiu Seu Espírito Santo." 1 Ts 4,8

    Por isso, ele defende a integridade da Sã Doutrina, porque, nela escolher o que acreditar e o que não, é o que se chama heresia: "É que, de fato, não somos, como tantos outros, falsificadores da Palavra de Deus. Mas é em sua integridade, tal como procede de Deus, que nós a pregamos em Cristo sob os olhares de Deus." 2 Cor 2,17

    Por outro lado, precisamos do Pai para conhecer o Filho, e do Filho para conhecer o Pai, como Jesus mesmo disse no Evangelho Segundo São João: "Ninguém pode vir a Mim se o Pai, que Me enviou, não o trouxer... ... ninguém vem ao Pai senão por Mim." " Jo 6,44a;14,6b

    E também disse do Ministério do Santo Paráclito, muito superior ao da letra: "Quando o Paráclito, o Espírito da Verdade, vier, ensiná-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,15

    Sem dúvida, o Divino Espírito é o 'Prometido do Pai' (cf. Lc 24,49), que Jesus exclusivamente enviou à Igreja Apostólica, e com ela para sempre tem estado e estará. Ou seja, blasfema quem diz que o Santo Paráclito, por algum instante sequer, abandonou que a Igreja fundada por Jesus: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que convosco fique eternamente. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,16-17

    Nosso Salvador, portanto, disse da obrigação de ouvir a Igreja. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Se se recusa a os ouvir, dize-o à Igreja. E se também se recusar a ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,17

    Ele também pediu pela integridade do que ensinou, garantindo que ininterruptamente estaria com os membros da Igreja Una, que é o Corpo Místico de Cristo: "Ensinai (as nações) a observar tudo que vos ordenei. Eis que convosco estou todos dias, até a consumação dos séculos." Mt 28,20

    Porque a Sagrada Tradição é a interpretação guardada e repassada pelos Apóstolos, a Sagrada Tradição, pois tradição significa entrega, e que oralmente se retransmitiu sob a Luz do Divino Paráclito, como a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo diz: "Toma por modelo os salutares ensinamentos que de mim recebeste sobre a e o amor a Jesus Cristo. Guarda o Precioso Depósito, pela força do Espírito Santo que em nós habita." 2 Tm 1,13-14

    E enquanto havia apenas o Evangelho de São Mateus, escrito em aramaico, sem nenhuma versão em grego, língua universal de então, a Carta de São Paulo aos Gálatas ferrenhamente defendia a Tradição Oral, ordenando a excomunhão: "Mas ainda que alguém, nós ou um anjo baixado do Céu, vos anunciasse um evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, que ele seja anátema." Gl 1,8