segunda-feira, 30 de junho de 2025

As Tentações do Mal


    A Segunda Carta de  São Paulo e São Timóteo recomenda-lhe que se aparte de toda futilidade e crendices, pois dissimuladamente atentam contra a Sã Doutrina e a religiosidade cristã: "Empenha-te em apresentar-te diante de Deus como homem digno de aprovação, operário que não tem de que se envergonhar, íntegro distribuidor da Palavra da Verdade. Procura esquivar-te das frívolas conversas dos mundanos, que só contribuem para a impiedade. As palavras dessa gente destroem como a gangrena. Quem, portanto, se conservar puro e isento dessas doutrinas, será um nobre, santificado e frutuoso utensílio a Seu Possuidor, preparado para todo benéfico uso." 2 Tm 2,15-17a.21

    Instantemente pede-lhe total afastamento de mundanos assuntos: "Nenhum soldado pode implicar-se em negócios da vida civil, se quer agradar Àquele que o alistou." 2 Tm 2,4

    A todos convida a reviver e a atualizar o Sacrifício Pascal, que cultuamos na Santa Missa, e assim resistamos ao pecado. Está na Carta de São Paulo aos Romanos: "Eu exorto-vos, pois, irmãos, pelas Misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em vivo, santo e agradável sacrifício a Deus: é este vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada e o que é perfeito." Rm 12,1-2

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios reconhece, entretanto, que subsistem a dificuldade e o sofrimento dos que testemunham Jesus: "Chegamos a ser como que o lixo do mundo, a escória de todos até agora..." 1 Cor 4,13

    Mas a vitória não será tirada dos que persistem, como a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios diz. Se não os abandonarmos, o Espírito de Deus e Sua Graça não nos abandonam: "A razão de nossa glória é esta: o testemunho de nossa consciência de que, no mundo e particularmente entre vós, temos agido com santidade e sinceridade diante de Deus, não conforme o espírito de sabedoria do mundo, mas com o socorro da Graça de Deus." 2 Cor 1,12

    Melhor sofrermos por combater o Mal, portanto, que por cair na sedução de seus enganos: "De fato, a tristeza segundo Deus produz um salutar arrependimento do qual ninguém volta atrás, enquanto a tristeza do mundo produz a morte." 2 Cor 7,10

    Na verdade, conforme a Carta de São Paulo aos Gálatas, devemos mesmo ter compaixão dos que continuam na ilusão, pois "Assim nós, quando menores, também estávamos escravizados pelos rudimentos do mundo." Gl 4,3

    Bem como devemos estar prontos para resistir, nas palavras da Carta de São Paulo aos Colossenses: "Estai de sobreaviso, para que ninguém vos engane com filosofias e vãos sofismas baseados nas humanas tradições, nos rudimentos do mundo, em vez de apoiar-se em Cristo." Cl 2,8

    Para tanto, o Apóstolo dos Gentios recomenda que sempre estejamos na Santa Igreja Católica, como exortou São Timóteo: "Foge das paixões da mocidade, com empenho busca a justiça, a , a caridade e a Paz junto àqueles que invocam o Senhor com pureza de coração. Rejeita as tolas e absurdas discussões, visto que geram contendas. Não convém a um servo do Senhor altercar. Bem ao contrário, seja ele condescendente com todos, capaz de ensinar, paciente em suportar os males. É com brandura que deve corrigir os adversários, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento e o conhecimento da Verdade, e voltem a si, uma vez livres dos laços do Demônio, que a seus caprichos os mantém cativos e submetidos." 2 Tm 2,22-26

    E alerta: "Não vos deixeis enganar: más companhias corrompem bons costumes. Despertai, como convém, e não pequeis! Porque alguns vivem na total ignorância de Deus. Para vossa vergonha, digo-o." 1 Cor 15,33-34

    Falando sobre o entendimento que nos leva a Jesus, a Primeira Carta de São João expressamente diz: "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno." 1 Jo 5,19

domingo, 29 de junho de 2025

São Pedro

    O Evangelho Segundo São Mateus, o mais judeu e conservador dos Apóstolos, da tribo que trouxera no sangue a tradição de sacerdotes e da indicação do sumo sacerdote, a dos levitas, ao mencionar a lista dos Apóstolos não hesita em declarar que São Pedro era o primeiro: "Eis os nomes dos Doze Apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor." Mt 10,2-4

    Nosso Santo foi o único Apóstolo a quem Jesus atribuiu um novo nome, uma tradição iniciada por Deus para com Abrão, a quem deu o nome de Abraão, passou por Jacó, que se tornou Israel, perpetuou-se entre os rabinos e inclui o próprio São Paulo, que antes de converter-se se chamava Saulo. E, vale notar, o novo nome de São Pedro, conforme o Evangelho Segundo São João, privilegiada testemunha ocular, foi dado já no primeiro encontro com Jesus, dois dias após o Batismo do Senhor, quando Ele lhe disse logo ao ser trazido por Santo André: "Tu és Simão, filho de João. Serás chamado Cefas (que quer dizer pedra)." Jo 1,42

    Além do nome de seu pai, por especial deferência mencionado por Jesus, sabemos que ele era um fiel cumpridor das Sagradas Escrituras, como vemos em sua declaração sobre a estrita alimentação dos judeus, dada durante a visão que teve em Jope, pouco antes do 'Pentecostes dos Gentios'. Está no Livro de Atos dos Apóstolos: "De nenhum modo, Senhor, pois em minha boca nunca entrou coisa profana ou impura." At 11,8

    Ele também era sempre o primeiro do pequeno grupo dos três mais próximos Apóstolos de Nosso Salvador, que compunha com São Tiago Maior e São João Evangelista. Foi assim na Transfiguração, no último dia 'útil' da semana em que declarou Jesus como o Messias. São Pedro já não dependia de milagre, de testemunho ou das Escrituras para atestá-lo, pois ele mesmo O tinha visto. Um indizível privilégio, pois antecipadamente Cristo lhes revelava a plenitude de Sua Glória: "Seis dias depois, Jesus tomou Consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá Se transfigurou na presença deles: Seu rosto brilhou como o sol, Suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias, conversando com Ele." Mt 17,1-3

    De tamanha intimidade com Jesus, dos Apóstolos é São Pedro, e só ele, que vai tentar andar sobre as águas: "Pedro tomou a palavra e falou: 'Senhor, se és Tu, manda-me ir sobre as águas até junto a Ti!' Ele disse-lhe: 'Vem!' Pedro saiu da barca e caminhava sobre as águas ao encontro de Jesus." Mt 14,28-29

    Realmente inspirado por Deus Pai, São Pedro foi o primeiro a afirmar com plena convicção Quem era Jesus: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!" Mt 16,16

    Inspiração, aliás, que o próprio Jesus confirmou: "Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas Meu Pai que está nos Céus." Mt 16,17

    Como portador de divinas revelações, São Pedro ouviu de Jesus a declaração de sua Primazia como pedra fundamental da Santa Igreja Católica, que o próprio Cristo constrói e lhe garante a vitória contra o Maligno: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18

    Não por acaso, ele foi o único Apóstolo a receber de Jesus as Chaves dos Céus, ou seja, a inspiração para nas Escrituras reconhecer as palavras-chaves que indicam a verdadeira vontade de Deus: "Eu dá-te-ei as Chaves do Reino dos Céus..." Mt 16,19a

    Ora, o poder dado por Jesus a São Pedro aqui na terra, para decidir a respeito de assuntos de Doutrina e de Comunhão, era total: "... tudo que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo que desligares na Terra será desligado nos Céus." Mt 16,19b

    E a clara prova de sua vital importância para a Igreja Católica é que Jesus, prevendo as tentações do inimigo aos Apóstolos, e assim à Igreja, optou por reforçar a de São Pedro. O Evangelho Segundo São Lucas traz: 'Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para peneirar-vos como o trigo. Mas Eu roguei por ti, para que tua confiança não desfaleça. E tu, por tua vez, confirma teus irmãos.'" Lc 22,32

São Paulo Apóstolo

 

    Um radical e religioso jovem ajudou na execução de Santo Estevão, segurando os mantos daqueles que o apedrejavam. Seu nome era Saulo. Tinha assistido ao belíssimo e contundente sermão, no qual este Santo diácono responsabilizava o conselho do judeus pela Crucificação de Jesus, mas não lhe deu razão e acabou concordando com sua brutal punição. Na verdade, já havia algum tempo que ele alimentava raiva aos cristãos, e em seguida, usando da influência de seu grupo religioso, vai encampar uma verdadeira guerra aos seguidores de Cristo, conforme o Livro de Atos dos Apóstolos: "Saulo, porém, devastava a Igreja. Entrando pelas casas, arrastava para fora homens e mulheres e entregava-os à prisão." At 8,3

    Tamanho era seu ódio, que São Lucas vai dizer: "... Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor." At 9,1

    E respirava morte porque a de Santo Estevão não foi a única da qual foi culpado. Aliás, foram muitas, como confessou perante o rei Agripa, assumindo que os surrava para que blasfemassem e assim fossem sentenciados à morte: "Que pensais vós? É incrível coisa que Deus ressuscite os mortos? Também eu acreditei que devia fazer a maior oposição ao Nome de Jesus de Nazaré. Assim procedi, de fato, em Jerusalém e tinha encerrado muitos irmãos em cárceres, havendo recebido poder dos sumos sacerdotes para isso. Quando os sentenciavam à morte, eu dava minha plena aprovação. Muitas vezes, perseguindo-os por todas sinagogas, eu maltratava-os para obrigá-los a blasfemar. Enfurecendo-me mais e mais contra eles, eu perseguia-os até em cidades estrangeiras." At 26,8-11

    Porém, numas destas viagens, pois não foi só uma como relatou acima, ouviu uma voz que o acusava de estar perseguindo não a Igreja, mas o próprio Jesus: "... estando já perto de Damasco, subitamente cercou-o uma resplandecente Luz vinda do Céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: 'Saulo, Saulo, por que Me persegues?' Saulo disse: 'Quem és, Senhor?' Respondeu Ele: 'Eu sou Jesus, a Quem tu persegues. Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer.'" At 9,3-5.6b

    De perseguidor, então, passou a ser perseguido, pois pregando com poder demonstrava que Jesus era o Cristo, o que despertou a ira dos judeus. E foi jurado de morte ainda na cidade de Damasco: "Decorridos alguns dias, os judeus deliberaram, em conselho, matá-lo. Estas intenções chegaram ao conhecimento de Saulo. Eles guardavam dia e noite as portas da cidade, para matá-lo. Mas os discípulos, tomando-o de noite, fizeram-no descer pela muralha da cidade dentro de um cesto." At 9,23-25

    Segundo o próprio São Paulo, em Jerusalém Jesus apareceu-lhe outra vez, dizendo que permanecia a resistência por parte dos cristãos e indicando o campo de missão que o faria o 'Apóstolo dos Gentios': "Voltei para Jerusalém e, rezando no Templo, fui arrebatado em êxtase. E vi Jesus, que me dizia: 'Apressa-te e sai logo de Jerusalém, porque não receberão teu testemunho a Meu respeito.' Eu repliquei: 'Senhor, eles sabem que eu encarcerava e açoitava com varas nas sinagogas aqueles que creem em Ti. E quando se derramou o sangue de Estêvão, Tua testemunha, eu estava presente, consentia nisso e guardava os mantos daqueles que o matavam.' Mas Ele respondeu-me: 'Vai, porque Eu te enviarei para longe, às nações...'" At 22,17-21

    E com grande poder de argumentação, ele saiu visitando cidades e convertendo multidões. Já no Chipre, acompanhado por São Marcos Evangelista, Paulo, como começava a ser conhecido, amaldiçoou um mago e falso profeta judeu que iludia o procônsul: "Então Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, cravou nele os olhos e disse-lhe: 'Filho do Demônio, cheio de todo engano e de toda astúcia, inimigo de toda justiça! Não cessas de perverter os retos caminhos do Senhor! Eis que agora está sobre ti a mão do Senhor, e ficarás cego. Não verás o sol até nova ordem!' Logo caíram sobre ele a escuridão e as trevas, e, andando em voltas, buscava quem lhe desse a mão." At 13,9-11

    O Amado Médico registrou até mesmo o valor de suas relíquias: "Deus fazia extraordinários milagres por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham tocado seu corpo eram levados aos enfermos. E afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os malignos espíritos." At 19,11-12

sábado, 28 de junho de 2025

O Poder do Evangelho


    A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses explicou o que representou sua passagem entre eles: "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que entre vós temos sido para vossa Salvação." 1 Ts 1,5

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios também observou: "Minha palavra e minha pregação longe estavam da persuasiva eloquência da Sabedoria. Antes, eram uma demonstração do Espírito e do divino poder, para que vossa não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus." 1 Cor 2,4-5

    E dizia-lhes: "Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as Graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime coisas espirituais em termos espirituais." 1 Cor 2,12-13

    Por isso, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios exultava com o poder do Santo Paráclito em oposição ao Antigo Testamento: "Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face, embora transitório, quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,7-8

    A Primeira Carta de São Pedro igualmente diz das: "... revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu. Revelações estas, que os próprios anjos desejam contemplar." 1 Pd 1,12

    Segundo o Apóstolo dos Gentios, na Boa Nova está Cristo em Sua plenitude, só oculto "... para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a Luz do Evangelho, onde resplandece a Glória de Cristo, que é a imagem de Deus." 2 Cor 4,4

    O Evangelho é a fonte e o condutor da fé, conforme a Carta de São Paulo aos Romanos: "Porque nele se revela a justiça de Deus, que se obtém pela fé e conduz à fé..." Rm 1,17a

    Pela palavras da Carta de São Paulo aos Colossenses, é a própria fonte da esperança: "... em vista da esperança que vos está reservada nos Céus. Esperança que vos foi transmitida pela pregação da Verdade do Evangelho... Para isto, é necessário que permaneçais fundados e firmes na fé, inabaláveis na esperança do Evangelho que ouvistes..." Cl 1,5.23

    Também é o poder que transforma Sacerdotes em pais, geradores de filhos de Deus ainda nas palavras deste Apóstolo : "... fui eu que vos gerei em Cristo Jesus, pelo Evangelho." 1 Cor 4,15

    E para concluir com chave de ouro, a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo ensina que a Boa Nova é o instrumento do Salvador para levar-nos à eternidade: "... Jesus Cristo, que destruiu a morte e suscitou a Vida e a imortalidade pelo Evangelho..." 2 Tm 1,10

    Por isso, coberto de motivos, a Carta de São Paulo aos Gálatas cobrava fidelidade: "Estou admirado de que tão depressa passeis daquele que vos chamou à Graça de Cristo para um diferente evangelho. De fato, não há dois evangelhos: há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós, e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Pois bem, mesmo que nós ou um anjo vindo do Céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos pregamos, seja anátema!" Gl 1,6-8

    Com efeito, nas palavras de Jesus, é ele que nos faz Santa Igreja Católica, nos faz a família de Deus. Está no Evangelho Segundo São Marcos: "Em Verdade, digo-vos: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por causa de Mim e por causa do Evangelho, que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, mesmo com perseguições, e no vindouro século a Vida Eterna." Mc 10,29-30

sexta-feira, 27 de junho de 2025

A Obra do Espírito Santo

    No Evangelho Segundo São João, Jesus bem descreveu a missão de Seu Espírito, que Se manifestaria logo após Sua Ascensão: "Ele convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em Mim. Ele convencê-lo-á a respeito da justiça, porque Eu Me vou para junto de Meu Pai e vós já não Me vereis. E convencê-lo-á a respeito do Juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado." Jo 16,9-11

    Por isso, derramou-O sobre os Apóstolos, que são os fundamentos da Santa Igreja Católica, para que ela nos conceda, mediante o Sacramento da Confissão, a remissão dos pecados: "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos." Jo 20,22-23

    Ora, é o Santo Paráclito que arremata a Revelação, como o próprio Jesus avisou aos Apóstolos: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas agora não podeis suportá-las. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, Ele ensiná-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,12-13

    É Ele, pois, que para sempre caminha com a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, confortando-nos no bom combate da , tal qual Nosso Salvador prometeu: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Consolador, para que convosco fique eternamente." Jo 14,16

    Assim, para um perfeito entendimento da Comunhão da Santíssima Trindade, Deus Pai confirma-nos pela Palavra de Seu Filho e marca-nos pelo fogo de Seu Espírito, o Qual é o selo, a garantia de nossa Salvação. A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios ensina: "Ora, Quem nos confirma a nós e a vós em Cristo, e nos consagrou, é Deus. Ele marcou-nos com Seu selo e a nossos corações deu o penhor do Espírito." 2 Cor 1,21-22

    De fato, a Primeira Carta de São João diz da Comunhão dos Santos: "É nisto que reconhecemos que Ele (Deus) permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24b

    E a Carta de São Paulo aos Romanos comemora a ação do Divino Paráclito iniciada no Pentecostes: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rm 8,2-4

    Mas também adverte: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9b

    É necessário, pois, através da unidade promovida na Igreja pela Santíssima Trindade, que, conforme os seguidores da tradição de São Paulo na Carta aos Hebreus, clamemos ao "... Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,29

    A Carta de São Paulo aos Efésios expressamente recomenda o uso da oração: "Intensificai vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no Qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos cristãos." Ef 6.18

    Pois é no Santo Paráclito que temos a Comunhão com Deus, como ele diz: "... e a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" 2 Cor 13,13

    Só através d'Ele realmente podemos amar: "E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Rm 5,5

    Afinal, a Primeira Carta de São Pedro diz que a Unção do Espírito de Deus tem por fim exatamente a obediência a Jesus, Cujo Sacrifício Pascal nos purifica. O Príncipe dos Apóstolos reza para que os fiéis sejam: "... santificados pelo Espírito para obedecer a Jesus Cristo, e receber sua parte da aspersão de Seu Sangue." 1 Pd 1,2b

quinta-feira, 26 de junho de 2025

A Violência nos Desígnios de Deus

    Além de toda violência usada contra os inimigos de Israel, e por isso chamado de Senhor dos Exércitos, Deus disse dos castigos que jurava contra Seu próprio povo em caso de transgressão. Está no Livro de Levítico: "Farei cair sobre vós a espada para vingar Minha Aliança. Se vos ajuntardes em vossas cidades, lançarei a peste em meio a vós e sereis entregues nas mãos de vossos inimigos. Tirá-vos-ei o pão, vosso sustentáculo, de tal sorte que dez mulheres o cozerão em um só forno e vos entregarão por peso. Comereis e não ficareis saciados. Se, apesar disso, não Me ouvirdes, e ainda Me resistirdes, marcharei contra vós em Meu furor e castigá-vos-ei sete vezes mais, por causa de vossos pecados. Comereis a carne de vossos filhos e de vossas filhas." Lv 26,23-29

    E como sinal de seriedade, a Aliança de Deus com Abraão, ao conceder-lhe a Terra Santa, já havia envolvia sacrifícios: "'Toma uma novilha de três anos,' respondeu-lhe o Senhor, 'uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e um pombinho.' Abrão tomou todos esses animais, e dividiu-os pelo meio, colocando suas metades uma defronte da outra, mas não cortou as aves." Gn 15,9-10

    No mesmo sentido, alguns séculos mais tarde em Egito, a libertação do povo judeu não foi nem um pouco pacífica. E uma vez mais temos em cena a imolação de primogênito, como no sacrifício pedido por Deus a Abraão, de seu filho Isaque, agora levada a termo. No Livro de Êxodo, Deus diz: "Naquela noite, passarei através de Egito. E ferirei os primogênitos no Egito, tanto os dos homens como os dos animais, e exercerei Minha justiça contra todos deuses de Egito. Eu sou o Senhor." Êx 12,12

    Sem dúvida, nessa atmosfera de constantes convulsões dos primeiros séculos de Israel, o Livro de Salmos instantemente canta ódio aos inimigos, como neste do rei Davi, reconhecendo a proteção de Deus: "Pela vossa bondade, destruí meus inimigos e exterminai todos que me oprimem, pois sou Vosso servo." Sl 142,12

    E Deus chega a prometer-lhe o sangue e a carne de seus adversários: "... para que no sangue deles banhes teus pés, e a língua de teus cães receba os inimigos como ração." Sl 67,24

    Ora, se Deus poupou Isaque, filho de Abraão, enquanto primogênitos não poupou São João Batista nem o próprio Jesus, que tiveram trágicos fins. Aliás, no Evangelho Segundo São Lucas, Nosso Salvador mesmo previa este destino para Seus opositores: "Quanto aos que Me odeiam, e que não Me quiseram por Rei, trazei-os e massacrai-os em Minha presença." Lc 19,27

    Contou algo semelhante na parábola das Bodas do Filho do Rei, quando os servos, enviados para chamar os convidados, foram ignorados, insultados e até assassinados. É do Evangelho Segundo São Mateus: "O Rei soube e ao extremo indignou-Se. Enviou Suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade." Mt 22,7

    De fato, Ele prometeu Sua Paz somente a Sua Igreja, mas, como esse dom é espiritual, alertava-a de sua difícil ventura neste mundo: "Não julgueis que vim trazer a Paz à Terra. Vim trazer não a Paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa." Mt 10,34-36

    O inferno também não é exatamente um lugar de amenidades, como vemos o juízo de Deus na parábola dos talentos: "Mau e preguiçoso servo! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei. ... esse inútil servo, jogai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes." Mt 25,26.30

    A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, ademais, apontou o Mistério do Mal, pelo qual se tem a impressão de que o Maligno prevalece neste mundo: "Porque o mistério da iniquidade já está em ação, apenas esperando o afastamento daquele que o detém." 2 Ts 2,7

    O inimigo, com efeito, após a Ascensão de Jesus destila toda sua fúria contra os filhos de Maria Santíssima, ou seja, a Santa Igreja Católica: "Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de seus filhos, aos que guardam os Mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus." Ap 12,17

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Contra todas Chances

    Se os Doze Apóstolos pareciam muito pequena comunidade para ajudar a salvar tanta gente pelo mundo, e assim iniciar a construção do Reino de Deus, Jesus disse no Evangelho Segundo São Mateus: "O Reino do Céu é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia em seu campo. Embora ela seja a menor de todas sementes, quando cresce, fica maior que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros do céu vêm e fazem ninhos em seus ramos." Mt 13,31-32

    Explicitamente falando quanto ao pequeno número de Seus seguidores no Evangelho Segundo São Lucas, Ele estimula-nos: "Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de Vosso Pai dar-vos o Reino!" Lc 12,32

    E o que poderia fazer tão pequena comunidade diante de um tão violento mundo? Isso certamente é mais um contrassenso, mas mesmo assim Jesus nos encoraja: "Eu envio-vos como ovelhas em meio a lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas." Mt 10,16

    Ou ainda: se a Ressurreição da Carne parece um absurdo, temos aí mais um projeto de Deus com base em opostas naturezas. A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios traz: "O mesmo acontece com a Ressurreição dos Mortos: o corpo é semeado corruptível, mas ressuscita incorruptível; é semeado desprezível, mas ressuscita glorioso; é semeado na fraqueza, mas ressuscita cheio de força; é semeado corpo animal, mas ressuscita corpo espiritual." 1 Cor 15,42-44

    E foi nestes termos que a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios expressou o poder do Evangelho nas mãos de meros seres humanos: "Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que claramente transpareça que este extraordinário poder provém de Deus e não de nós. Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos. Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados. Somos abatidos, mas não somos destruídos. Sempre trazemos em nosso corpo os traços da Morte de Jesus, para que a Vida de Jesus também se manifeste em nosso corpo. Estando embora vivos, somos a toda hora entregues à morte por causa de Jesus, para que a Vida de Jesus também apareça em nossa carne mortal. Assim em nós opera a morte, e em vós a Vida." 2 Cor 4,7-12

    Sobre sua espiritual condição, pois, ele vai concluir: "Portanto, prefiro gloriar-me de minhas fraquezas, para que em mim habite a força de Cristo. Eis porque sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor a Cristo. Porque, quando me sinto fraco, então é que sou forte." 2 Cor 12,9b-10

    Por isso, declarou: "O que é estulto no mundo, Deus escolheu para confundir os sábios. E o que é fraco no mundo, Deus escolheu para confundir os fortes. E o que é vil e desprezível no mundo, Deus escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são." 1 Cor 1,27-28

    Pois, conforme o Evangelho Segundo São João, foi na Cruz que Nosso Salvador chegou à Glória: "Respondeu-lhes Jesus: 'É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado.'" Jo 12,23

    Nela Ele atingiria o ápice de Sua Missão: "E quando Eu for levantado da terra, a Mim atrairei todos homens." Jo 12,32

    E por Suas indizíveis dores temos o bálsamo da Redenção, como a Primeira Carta de São Pedro relembrou o Livro do Profeta Isaías: "Por fim, por Suas chagas fomos curados (Is 53,5)." 1 Pd 1,24b

    Pois Cristo oferecerá total alento para todos males àqueles que enfrentarem as tribulações, como foi registrado da celestial visão do Livro de Apocalipse de São João: "Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será Seu Pastor e os levará às fontes de Águas Vivas..." Ap 7,15b-16a

    Ele realmente promete um grande poder sobre esse mundo: "Então ao vencedor, àquele que praticar Minhas obras até o fim, lhe darei poder sobre as pagãs nações. Ele regê-las-á com cetro de ferro, como se quebra um vaso de argila, assim como Eu mesmo recebi o poder de Meu Pai..." Ap 2,26-28a

terça-feira, 24 de junho de 2025

São João Batista

 

    Hoje se comemora o nascimento de São João Batista. O Evangelho Segundo São Lucas diz que seu pai Zacarias, sacerdote (cf. Lc 1,5), era um santo, e sua mãe Isabel também era uma religiosa judia: "Ambos eram justos diante de Deus e irrepreensivelmente observavam todos Mandamentos e preceitos do Senhor. Mas não tinham filho, porque Isabel era estéril e ambos de avançada idade." Lc 1,6-7

    E quando o Arcanjo São Gabriel apareceu a Zacarias no Templo, deixou-o assustado: "Mas o anjo disse-lhe: 'Não temas, Zacarias, porque tua oração foi ouvida: Isabel, tua mulher, dá-te-á um filho, e chamá-lo-ás João. Ele será para ti motivo de gozo e alegria, e muitos alegrar-se-ão com seu nascimento. Porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo. Ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, Seu Deus, e irá adiante de Deus com o Espírito e poder de Elias, para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à Sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto." Lc 1,13-17

    Ainda em seu sexto mês de gestação, Santa Isabel recebeu a visita de Nossa Senhora, sua parenta, que, embora apenas engravidara de Jesus, foi ajudá-la. Esse episódio já mostrava o quanto a presença e a voz de Maria Santíssima eram especiais: traziam em si o Espírito de Deus. E assim se cumpriu a unção de São João Batista, anunciado por São Gabriel Arcanjo (cf. Lc 1,15): "Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se às pressas a uma cidade de Judeia. Entrou na casa de Zacarias, e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança agitou-se em seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo." Lc 1,39-41

    E quando ele nasceu, seu pai recuperou a voz e começou a louvar a Deus, pois fora punido com mudez por não ter acreditado nas palavra de São Gabriel. Os habitantes da Judeia ficaram ainda mais admirados: "E logo se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua, e ele falou, bendizendo a Deus. O temor apoderou-se de todos seus vizinhos. O fato divulgou-se por todas montanhas de Judeia. Todos que o ouviam, conservavam-no no coração, dizendo: 'Quem será este menino?' Porque a mão do Senhor estava com ele." Lc 1,66

    Pelo registro do lugar onde ele habitaria, temos a indicação de que São João Batista era essênio: "O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel." Lc 1,80

    Vemos, no Evangelho Segundo São Mateus, que suas vestes e alimentação também indicavam hábitos essênios: "João usava uma vestimenta de pelos de camelo, e um cinto de couro em volta dos rins. Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre." Mt 3,4

    Assim como seu desprendimento material e doutrina de partilha: "Perguntava-lhe a multidão: 'Que devemos fazer?' Ele respondia: 'Quem tem duas túnicas, dê uma ao que não tem. E quem tem o que comer, faça o mesmo.'" Lc 3,10-11

    Nosso eremita falava com Deus, como se depreende de seu comentário que fez sobre Jesus depois de batizá-Lo, do Evangelho Segundo São João: "Eu não O conhecia, mas Aquele que me mandou batizar em água, disse-me: 'Sobre Quem vires descer e repousar o Espírito, este é Quem batiza no Espírito Santo.'" Jo 1,33

    E como podia esperar-se, ele mostrava-se absolutamente intransigente com a falta de compromisso com Deus, advertindo da aproximação do Juízo Particular: "Dizia, pois, ao povo que vinha para ser batizado por ele: 'Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da iminente ira? Fazei uma realmente frutuosa conversão, e não comeceis a dizer: 'Temos Abraão por pai.' Pois, digo-vos: Deus tem poder para destas pedras suscitar filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores. E toda árvore que não der bom fruto, será cortada e lançada ao fogo.'" Lc 3,7-9

    Depois de batizar Nosso Senhor, pois, ele deu o testemunho para o qual foi incumbido por Deus: "No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a Ele e disse: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.' João havia declarado: 'Vi o Espírito descer do Céu em forma de uma pomba, e repousar sobre Ele. Eu não O conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que Ele Se torne conhecido em Israel... dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.'" Jo 1,29.31-32.34

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Jesus Submisso

 

    A Carta de São Paulo aos Gálatas anotou a submissão e a estrita condição de Jesus como judeu: "... Deus enviou Seu Filho, que nasceu de uma mulher e submetido a uma lei..." Gl 4,4

    Também era submisso a São José e Nossa Senhora, como vemos na Páscoa em que tinha 12 anos, no Evangelho Segundo São Lucas: "Em seguida, desceu com eles a Nazaré e era-lhes submisso." Lc 2,51

    Tanto que, no Evangelho Segundo São Mateus, São João Batista estranhou Seu gesto ao vim batizar-se consigo, mas logo acatou porque Jesus agia em cumprimento da Lei: "João recusava-se: 'Eu devo ser batizado por Ti e Tu vens a mim?' Mas Jesus respondeu-lhe: 'Deixa por agora, pois convém que cumpramos a completa justiça.' Então João cedeu." Mt 3,14-15

    E enquanto mero ser humano, era reverente à Palavra de Deus que anunciava. Ele diz no Evangelho Segundo São João: "Em Verdade, não falei por Mim mesmo, mas o Pai, que Me enviou, Ele mesmo prescreveu-Me o que devo dizer e o que devo ensinar. E sei que Seu Mandamento é Vida Eterna. Portanto, o que digo, digo-o segundo Me falou o Pai." Jo 12,49-50

    Disse mais: "Se glorifico a Mim mesmo, Minha glória não é nada. Meu Pai é Quem Me glorifica, Aquele que dizeis ser Vosso Deus e, no entanto, não O conheceis." Jo 8,54b-55a

    Era por piamente corresponder aos preceitos do Pai, portanto, que Jesus Se apresentava como exemplo a ser seguido: "De Mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço, e Meu julgamento é justo porque não busco Minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou." Jo 5,30

    Ele ensinou-nos a agir do mesmo modo: "E se o servo tiver feito tudo que lhe ordenara, porventura o Senhor fica devendo-lhe alguma obrigação? Assim vós, depois de terdes feito tudo que vos foi ordenado, também dizei: 'Somos inúteis servos. Apenas fizemos o que devíamos fazer.'" Lc 17,9-10

    Pregou desde o início, ainda no Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra! Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!" Mt 5,5.9

    Deu um prático exemplo de caridade: "Logo, se Eu, Vosso Senhor e Mestre, lavei vossos pés, também deveis lavar-vos os pés uns aos outros." Jo 13,14

    Enfim, antecipou-nos o critério que usará em Seu Dia: "Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado." Mt 23,12

    E, por Sua Paixão, plenamente cumpriu os desígnios de Deus. Ele rezou enquanto agonizava no Monte das Oliveiras: "Pai, se é de Teu agrado, afasta de Mim este cálice! Não se faça, todavia, Minha vontade, mas sim a Tua." Lc 22,42

    Ora, Ele morreu por dizer a Verdade, como os religiosos de Jerusalém O acusavam perante Pilatos: "Responderam-lhe os judeus: 'Nós temos uma lei, e segundo essa lei Ele deve morrer porque Se declarou Filho de Deus.'" Jo 19,7

    Eis que a Carta de São Paulo aos Filipenses convenientemente recita o Hino Cristológico: "Sendo Ele de condição divina, não Se prevaleceu de Sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-Se aos homens. E exteriormente sendo reconhecido como homem, humilhou-Se ainda mais, tornando-Se obediente até a morte, e morte de Cruz." Fl 2,6-8

    Seus discípulos também atestaram na Carta aos Hebreus: "Nos dias de Sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, Àquele que podia salvá-Lo da morte, e foi atendido por Sua submissão. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve." Hb 5,7-8

    A Carta de São Tiago, no mesmo sentido, recomenda-nos: "Sede submissos a Deus. Resisti ao Demônio, e ele fugirá para longe de vós. Aproximai-vos de Deus, e Ele aproximar-Se-á de vós." Tg 4,7-8a

domingo, 22 de junho de 2025

A Fraqueza dos Fiéis

    Desde o início, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios já acusava os fiéis pelos desvios da Sã Doutrina, pela falta de compromisso com os Apóstolos e por facilmente abraçarem as 'novidades' que apareciam: "Porque quando aparece alguém pregando-vos outro Jesus, diferente daquele que vos temos pregado, ou se trata de receber outro espírito, diferente dO que haveis recebido, ou outro evangelho, diverso do que haveis abraçado, de boa mente aceitai-o." 2 Cor 11,4

    E por tal impostura igualmente cobrou a Carta de São Paulo aos Gálatas, quando se mostrou irredutível: "Estou admirado de que tão depressa passeis daquele que vos chamou à Graça de Cristo para um diferente evangelho. De fato, não há dois evangelhos: apenas há pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que alguém, nós ou um anjo baixado do Céu, vos anunciasse um diferente evangelho do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar diferente doutrina da que recebestes, seja ele excomungado!" Gl 1,6-9

    A Carta de São Paulo aos Efésios rebate meras ingenuidades e frivolidades, afirma a hierarquia da Igreja e exorta à caridade espiritual como dom maior para a edificação da Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo: "A uns Ele (Jesus) constituiu Apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do Corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade, da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus enganadores artifícios. Mas, pela sincera prática da caridade, cresçamos em todos sentidos n'Aquele que é a Cabeça, Cristo." Ef 4,11-15

    Ao aproximar-se de seu martírio, sabendo que o rebanho ficaria mais vulnerável, a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo ainda advertiu que muitas pessoas, por devassidão ou mera falsidade, escolheriam mestres que fossem tolerantes com seus pecados: "Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a Sã Doutrina da Salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, para si ajustarão mestres. Apartarão os ouvidos da Verdade e atirar-se-ão às fábulas." 2 Tm 4,3-4

    A Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo atestou que suas revelações vinham do Espírito Santo, enquanto as falsas doutrinas eram obra do Maligno, que deprava consciências: "O Espírito expressamente diz que, nos vindouros tempos, alguns hão de apostatar da dando ouvidos a embusteiros espíritos e a diabólicas doutrinas, de hipócritas e impostores, marcados na própria consciência com o ferrete da infâmia..." 1 Tm 4,1-2pe

    E se a Palavra de Cristo é caluniada, especificamente por causa de tantas 'igrejas' que não se entendem, a Segunda Carta de São Pedro diz que isso se dá pela má conduta de falsos mestres, cuja marca é a cobiça, bem como de seus seguidores, que pecam contra a Unidade e semeiam rebeldia e ódio entre os irmãos. Por causa deles, o Evangelho é desacreditado: "Assim como entre o povo houve falsos profetas, entre vós também haverá falsos doutores que disfarçadamente introduzirão perniciosas seitas. Eles, assim renegando o Senhor que os resgatou, sobre si atrairão repentina ruína. Muitos segui-los-ão em suas desordens e deste modo serão a causa de o Caminho da Verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles hão de explorar-vos por palavras cheias de astúcia." 2 Pd 2,1-3

    Ora, no Evangelho Segundo São Mateus, o próprio Jesus predisse que ao longo dos séculos muitos seriam enganados: "Levantar-se-ão muitos falsos profetas e seduzirão a muitos." Mt 24,11

    E combatendo heréticos, havia dito diz o que acontece com aqueles mais deslumbrados que os seguem: "Ai de vós, hipócritas escribas e fariseus! Percorreis mares e terras para fazer um prosélito e, quando o conseguis, dele fazeis um filho do inferno duas vezes pior que vós mesmos." Mt 23,15

sábado, 21 de junho de 2025

Amar a Deus

 

    Em Suas pregações, Jesus invocou uma passagem do Antigo Testamento como mais importante Mandamento. Era do Livro de Deuteronômio, e está no Evangelho Segundo São Mateus: "Amarás o Senhor, Teu Deus, de todo teu coração, de toda tua alma, de toda tua força e de todo teu entendimento...(Dt 6,5)" Mt 22,37

    Amar de todo coração, porque é ele que nos identifica, como Nosso Salvador disse no Evangelho Segundo São Marcos: "Porque onde está teu tesouro, lá também está teu coração." Mc 6,21

    E assim concluiu: "O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira más coisas de seu mau tesouro." Mt 12,35

    Pois conforme contou na parábola do Semeador, apontada no Evangelho Segundo São Lucas, é aí que se travam as grandes batalhas da : "... mas depois vem o Demônio e lhes tira a Palavra do coração..." Lc 8,12

    Amar de toda alma, porque a adoração deve ser perfeitamente interiorizada. No Evangelho Segundo São João, Ele revelou: "Deus é Espírito, e Seus adoradores devem adorá-Lo em espírito e Verdade." Jo 4,23-24

    É o que sempre fez Nossa Senhora e por isso cantou no Magnificat, pois para isso ela está preparada desde que foi concebida: "Minha alma glorifica ao Senhor..." Lc 1,46

    E a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo recomendou-lhe o exercício da piedade em seu verdadeiro sentido, o das práticas religiosas: "Exercita-te na piedade. Se o exercício corporal traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da presente e da futura Vida." 1 Tm 4,8

    Amar de toda força, porque o empenho de nossa vida deve ter um só sentido. A Carta de São Paulo aos Romanos estimula à caridade espiritual e material: "Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor. Socorrei às necessidades dos fiéis. Esmerai-vos na prática da hospitalidade." Rm 12,11.13

    A Carta de São Tiago argumenta: "Por exemplo: um irmão ou irmã não têm o que vestir e falta-lhes o pão de cada dia. Então, se algum de vós lhes disser: 'Ide em Paz, aquecei-vos e comei bastante' e, no entanto, não lhes dá o necessário para o corpo, que adianta isso?" Tg 2,16-17

    E a Carta de São Paulo aos Efésios afirma que esse é nosso único Caminho: "... até que todos tenhamos chegado à Unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. ... pela sincera prática da caridade, cresçamos em todos sentidos..." Ef 4,13.15a

    Amar de todo entendimento, porque a Revelação tem sua lógica. A Primeira Carta de São Pedro pede plena consciência da vida espiritual cristã: "Estai sempre prontos a responder em vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito." 1 Pd 3,15

    Ele dizia que a boa consciência é a razão do Sacramento do Batismo: "Esta água prefigurava o Batismo de agora, que também salva a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma boa consciência, pela Ressurreição de Jesus Cristo." 1 Pd 3,21

    A Carta de São Paulo aos Efésios adverte: "Portanto, eis o que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas frívolas ideias. Eles têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o endurecimento de seu coração mantêm-lhes afastados da Vida de Deus. Indolentes, entregaram-se à dissolução, à apaixonada prática de toda espécie de impureza." Ef 4,17-19

    Jesus deu exemplo desse amor por Sua Paixão, e disse após a Santa Ceia"O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai Me ordenou." Jo 14,31a

    Deixou claro: "Aquele que tem e guarda Meus Mandamentos, esse é que Me ama." Jo 14,21a

    E a Primeira Carta de São João resumiu: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, nele não está o amor do Pai." 1 Jo 2,15

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Jesus rezava

    O Evangelho Segundo São Lucas relata que, desde o início de Sua vida pública, Nosso Salvador Se apresentava rezando: "Quando todo povo ia sendo batizado, Jesus também foi. E estando Ele a orar, o Céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em corpórea forma, como uma pomba. E do Céu veio uma voz: 'Tu és Meu Filho. Hoje Eu Te gerei (Sl 2,7).'" Lc 3,21-22

    E logo que Ele foi para Cafarnaum, à casa de São Pedro, na primeira madrugada Ele acordou para rezar. Está no Evangelho Segundo São Marcos: "De manhã, tendo-Se levantado muito antes do amanhecer, Ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali Se pôs em oração." Mc 1,35

    Esses retiros eram uma constante: "Entretanto, espalhava-se mais e mais Sua fama e concorriam grandes multidões para ouvi-Lo e ser curadas de suas enfermidades. Mas Ele costumava retirar-Se a solitários lugares para orar." Lc 5,15-16

    Assim também foi quando escolheu os Apóstolos: "Naqueles dias, Jesus retirou-Se a uma montanha para rezar, e aí passou toda a noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou Seus discípulos e dentre eles escolheu Doze, que chamou de Apóstolos..." Lc 6,12-13

    E ainda no dia de Sua Transfiguração: "... Jesus Consigo tomou Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar. Enquanto orava, Seu rosto transformou-se e Suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura." Lc 9,28-29

    Ou quando lhes ensinou o Pai Nosso"Um dia, num certo lugar, estava Jesus a rezar. Terminando a oração, disse-Lhe um de Seus discípulos: 'Senhor, ensina-nos a rezar, como João também ensinou a seus discípulos.'" Lc 11,1

    Ora, momentos antes de ser identificado por São Pedro como o Messias, Jesus tinha-os afastado das multidões para que pudessem rezar: "Num dia em que Ele estava a orar a sós com os discípulos, perguntou-lhes: 'Quem diz o povo que Eu sou? E vós, quem dizeis que Eu sou?'" Lc 9,18.20

    Depois do grande milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, quando a multidão quis fazê-Lo rei, humildemente Jesus retirou-Se mais uma vez para rezar. É do Evangelho Segundo São Mateus: "Logo depois, Jesus obrigou Seus discípulos a entrar na barca e a passar antes d'Ele para a outra margem, enquanto despedia a multidão. Feito isso, subiu à montanha para orar na solidão. E, chegando a noite, lá estava sozinho." Mt 14,22-23

    Para que a Santa Igreja Católica permanecesse inabalavelmente unida, Ele também rezou ao Pai, no Evangelho Segundo São João. É a Oração da Unidade, e aqui citamos quando Ele Se refere aos Apóstolos e a nós, que os seguiríamos: "Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que, por sua palavra, hão de crer em Mim. Para que todos sejam Um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti. Para que eles também estejam em Nós e o mundo creia que Tu Me enviaste." Jo 17,20-21

    Ensinava, ademais, que era necessário constantemente orar, sem cessar: "Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre, sem jamais deixar de fazê-lo." Lc 18,1

    Para aqueles que criticam as orações repetidas, o próprio Jesus rezou por três vezes, enquanto esteve no Horto das Oliveiras antes de ser preso, a mesma oração: "Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras." Mt 26,44

    E quando repetia as mesmas palavras, ainda no Monte das Oliveiras, Jesus fazia-o com tanta intensidade que chegou a suar sangue, porque por Seu Anjo da Guarda o Pai confirmava, em resposta a Suas orações, que Ele deveria morrer na Cruz: "Apareceu-Lhe então um anjo do Céu para confortá-Lo. Ele entrou em agonia e ainda com mais instância orava, e Seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra." Lc 22,44

    Na Santa Cruz, enfim, Suas últimas palavras também são orações. E assim Ele deu a prova maior de Seu amor pela errante humanidade: "Pai, perdoa-lhes. Porque não sabem o que fazem." Lc 23,34

    E antes de morrer, Ele proferiu Sua última oração: "Pai, em Tuas mãos entrego Meu espírito." Lc 23,46