Logo após explicar a concepção de Cristo no ventre de Maria Santíssima pelo Divino Espírito Santo, o Evangelho Segundo São Mateus deixou um simples, breve, mas veemente testemunho sobre o pai adotivo de Jesus. Disse de Nossa Senhora: "José, seu esposo, era justo..." Mt 1,19
Ser chamado de justo não é algo muito frequente nas Escrituras. Ao contrário, entre guerras e exílios, o Livro do Profeta Miqueias reclamava da generalizada corrupção, inclusive em Israel: "Desapareceram os piedosos homens da Terra, não há um justo entre os homens." Mq 7,2
Sabemos que São José era natural de Belém e descendente da tribo do rei Davi, como o Evangelho Segundo São Lucas narrou: "José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, a Judeia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi... " Lc 2,4
E não existe sombra de dúvida sobre sua profissão, certamente por lembrança de sua expressiva caridade. De fato, quando na primeira visita em vida pública, o povo de Nazaré admirou a Sabedoria e os poderes de Seu Filho, perguntou-se: "Não é este o Filho do carpinteiro?" Mt 13,55a
Nem dúvida de seu renome, pois até em Cafarnaum ainda era conhecido pelos líderes locais mais de 15 anos após sua morte, como se vê no Evangelho Segundo São João: "E perguntavam: 'Porventura não é Ele Jesus, o filho de José, Cujo pai e mãe conhecemos?'" Jo 6,42a
Aliás, foi através da boa e respeitosa consideração que o povo tinha por Seu pai terreno que os primeiros Apóstolos identificaram Nosso Senhor. Foi pouco depois de Seu Batismo por São João Batista: "Filipe encontra Natanael e diz-lhe: 'Achamos Aquele de Quem Moisés escreveu na Lei e que os Profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José.'" Jo 1,45
Os relatos bíblicos que contam a história de José, começam logo após a genealogia de Jesus apontada por São Mateus: "Ora, a origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, Sua mãe, estava prometida em casamento a José e, antes de passarem a conviver, ela encontrou-se grávida pela ação do Espírito Santo." Mt 1,18
Contrita, Maria não tinha como explicar sua gravidez a São José, e pela virtude da prudência esperou que Deus cuidasse do grande constrangimento que essa gestação causaria. De fato, ao perceber sua gravidez, ele, homem de extrema correção, não quis julgá-la. A traição conjugal àquele tempo era punida com apedrejamento (cf. Dt 22,24): "José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, pensou em despedi-la de secreto modo. Mas, ao assim pensar, em sonho apareceu-lhe um anjo do Senhor, que lhe disse: 'José, filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa! Aquele que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho, e tu dá-Lhe-ás o Nome de Jesus, pois Ele vai salvar Seu povo de seus pecados.'" Mt 1,19-21
Portanto, este anjo, seu Anjo da Guarda, incumbiu São José da paternidade de Jesus e de Lhe pôr o Nome, funções que ele iria cumprir com absoluta obediência, como lhe era característico: "Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado e em sua casa acolheu sua esposa." Mt 1,24
Santo homem que para si atraiu o puríssimo amor de Maria, José não teve nenhuma dificuldade para se manter em celibato, condição que certamente havia muitos anos já abraçava. Humildemente, apenas cumpriu o que lhe foi ordenado: "E sem que tivessem mantido relações conjugais, ela deu à luz o Filho. E ele pôs-Lhe o Nome de Jesus." Mt 1,25
