Caminhar com Jesus é corajosa e realisticamente enfrentar as desafiantes situações do dia-a-dia, sem se entregar à desilusão ou à ira. O que aconteceu com São Pedro, quando ousou andar sobre as águas como Nosso Salvador? São Mateus narra: "Pela quarta vigília da noite, Jesus veio a eles caminhando sobre o mar. Quando os discípulos O perceberam caminhando sobre as águas, ficaram com medo: 'É um fantasma!', disseram eles soltando gritos de terror. Mas Jesus logo lhes disse: 'Tranquilizai-vos! Sou Eu. Não tenhais medo!' Pedro tomou a palavra e falou: 'Senhor, se és Tu, manda-me ir sobre as águas até junto a Ti!' Ele disse-lhe: 'Vem!' Pedro saiu da barca e caminhava sobre as águas ao encontro de Jesus. Mas, redobrando a violência do vento, teve medo e, começando a afundar, gritou: 'Senhor, salva-me!' No mesmo instante, Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: 'Homem de pouca fé! Por que duvidaste?' E apenas tinham subido à barca, o vento cessou." Mt 14,25-32
O Príncipe dos Apóstolos teve a audácia de imitar Jesus, e não estava errado. Tanto que Jesus de imediato lhe consentiu, sem argumentar. Apenas disse: 'Vem!' Contudo, tomar Jesus como modelo significa enfrentar grandes contrariedades e fortes oposições. Ele autorizou que Pedro viesse até Si sobre as águas, porém não lhe abrandou o vento. Pelo contrário: permitiu que redobrasse sua violência. Isso fica claro porque, logo que voltaram à barca, o vento parou.
Outra passagem em que as condições se complicam, após ouvir Jesus, é descrita na parábola do semeador, segundo São Marcos. Nosso Senhor fala: "O semeador semeia a Palavra. Alguns encontram-se à beira do caminho, onde ela é semeada. Apenas a ouvem, vem Satanás tirar a Palavra neles semeada. Outros recebem a semente em pedregosos lugares. Quando a ouvem, recebem-na com alegria, mas não têm raiz em si, são inconstantes, e assim que se levanta uma tribulação ou uma perseguição por causa da Palavra, eles tropeçam. Ainda outros recebem a semente entre os espinhos. Ouvem a Palavra, mas as mundanas preocupações, a ilusão das riquezas, as múltiplas cobiças sufocam-na e tornam-na infrutífera. Mas há aqueles que recebem a semente em boa terra. Eles escutam a Palavra, acolhem-na e dão frutos: um trinta, outro sessenta, outro cem!" Mc 4,14-20
Jesus aponta o inimigo roubando a semente dos que ficam 'à beira do caminho', diz que os problemas e perseguições fazem tropeçar os vacilantes, que não se aprofundam, avisa que as preocupações, as ilusões e as cobiças sufocam os que vivem 'entre os espinhos', ou seja, em maus ambientes e em más companhias, mas também reconhece a boa terra, que dá até cem frutos por cada semente.
A missão da Igreja, pois, não é nenhuma amenidade. Antes um combate, como São Paulo dizia (cf. 2 Tm 4,7). Jesus traduziu-a na parábola das Bodas do Filho do Rei, quando Seus servos são menosprezados ou mesmo mortos. São Mateus escreve: "Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas: 'O Reino dos Céus é comparado a um Rei que celebrava as Bodas de Seu Filho. Enviou Seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir. Ainda enviou outros, dizendo-lhes: 'Dizei aos convidados que Meu Banquete já está preparado. Meus bois e Meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às Bodas!' Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio. Outros lançaram mãos de Seus servos, insultaram-nos e mataram-nos. Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos." Mt 22,1-6.14
Convidar a participar deste pedaço do Céu que é a Igreja, nosso Reino de Sacerdotes, não garante pronto acolhimento. E não importa as maravilhas que se anuncie. Não nos espantem, portanto, os relatos de martírios.