Para expressar Seu infinito poder através de passagens da Bíblia, por várias vezes Deus usou as dimensões cósmicas como parâmetro. Sob essa inspiração, o Livro dos Salmos cantou: "Nos Céus estabeleceu o Senhor Seu trono, e Seu império estende-se sobre o universo." Sl 12,19
Mais uma vez aqui: "Tudo perpetuamente subsiste por Vossos decretos, porque o universo Vos é sujeito." Sl 118,91
Ainda: "Porque Deus é o Rei do universo. Entoai-Lhe, pois, um hino!" Sl 46,9
E também: "Narram os céus a Glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de Suas mãos." Sl 18,2
No Livro da Sabedoria foi dito que o Espírito de Deus é a 'matéria' onipresente, que dá consistência ao cosmos: "Com efeito, o Espírito do Senhor enche o universo, e Ele, que tem unidas todas coisas, ouve toda voz." Sb 1,7
Já no Segundo Livro de Macabeus, Judas Macabeu exorta o exército de Israel diante de um numeroso inimigo, dizendo do poder de Deus para varrer o universo com apenas um gesto: "'Eles confiam', dizia ele, 'em suas armas e em sua audácia, mas nós colocamos nossa segurança no Deus Todo-poderoso, que pode, com um só leve aceno, desbaratar tanto os que nos atacam como o universo inteiro.'" 2 Mc 8,18
Ora, no Evangelho segundo São Marcos, a dias de Sua Paixão, Jesus avisou que Sua Volta será marcada por grandes sinais nos céus, demonstrando inequívoca majestade, e que Seu povo será recolhido de toda parte do universo: "Naqueles dias, depois dessa tribulação, o sol escurecer-se-á, a lua não dará seu resplendor, cairão os astros do céu e as forças que estão no céu serão abaladas. Então verão o Filho do Homem voltar sobre as nuvens com grande poder e Glória. Ele enviará os anjos e reunirá Seus escolhidos dos quatro ventos, desde a extremidade da Terra até a extremidade do céu." Mc 13,24-27
O Livro do Profeta Isaías também havia falado sobre esse Grande Dia, usando parecidos termos: "Nem as estrelas do céu nem suas brilhantes constelações farão resplandecer sua luz. O sol obscurecer-se-á desde o nascer, e a lua já não enviará sua luz." Is 13,10
O Livro do Apocalipse de São João, de quando ele recebeu as revelações de Cristo na Ilha de Patmos, anotou análoga visão: "O quarto anjo tocou. Foi atingida, então, uma terça parte do sol, da lua e das estrelas, de modo que se obscureceram em um terço. E o dia perdeu um terço da claridade, bem como a noite." Ap 8,12
E a Carta aos Hebreus, ao falar de Jesus, afirma Seu poder para tamanha obra: "Esplendor da Glória de Deus e imagem do Seu Ser, Ele sustenta o universo com o poder de Sua Palavra." Hb 1,3
De fato, em alusão a Seu poder e à Divina Sabedoria, Nosso Senhor disse que Sua Palavra é eterna e que o universo terá fim: "Passarão o céu e a Terra, mas Minhas palavras não passarão." Mc 13,31
Pois mesmo antes de Sua Definitiva Volta, Sua passagem entre nós já representa nossa readmissão no Paraíso, pelos celestiais eflúvios dos Sacramentos que franqueiam acesso das almas aos Céus. A Carta de São Paulo aos Colossenses ensina: "Porque aprouve a Deus fazer n'Ele (Cristo) habitar toda plenitude, e por Seu intermédio reconciliar Consigo todas criaturas. Através d'Aquele que, ao preço do próprio Sangue na Cruz, restabeleceu a Paz a tudo quanto existe na Terra e nos Céus." Cl 1,19-20
Enfim, segundo o Livro dos Atos dos Apóstolos, São Pedro, em pregação ao povo de Jerusalém ainda nos primeiros dias da Santa Igreja, destacava na volta de Jesus não apenas as tribulações, mas também 'bons tempos', que se farão perceber após a Recriação, que ele chamou de 'restauração universal': "Virão, assim, da parte do Senhor os tempos de refrigério, e Ele enviará Aquele que vos é destinado: Cristo Jesus. É necessário, porém, que o Céu O receba até os tempos da restauração universal, da qual falou Deus outrora pela boca de Seus Santos Profetas." At 3,20-21