terça-feira, 20 de janeiro de 2026

A Sabedoria entre os Humildes

    A São Pedro, um humilde pescador, Jesus entregou as 'Chaves de Seu Reino', que significa a mais pura inspiração para saber o que é o certo e o errado quanto à Revelação, ou seja, quanto às Escrituras e quanto à vontade de Deus, e assim o poder para determinar a Comunhão ou ex-comunhão. O Evangelho segundo São Mateus apontou: "Eu dá-te-ei as Chaves do Reino dos Céus. Tudo que ligares na Terra, será ligado nos Céus, e tudo que desligares na Terra, será desligado nos Céus." Mt 16,19

    Porque instantes antes, ao reconhecê-Lo como o Cristo, o Príncipe dos Apóstolos claramente deu a saber Qual a Fonte que lhe inspirava: "Disse-lhe então Jesus: 'Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas Meu Pai que está nos Céus.'" Mt 16,17

    Muito mais gloriosa com o Pentecostes, portanto, o ápice da Revelação em Cristo radicalmente mudou a condição dos Apóstolos diante das dificuldades dessa vida, pois a Antiga Aliança e a literal interpretação das Escrituras foram superadas pela plena manifestação de Deus, nas Pessoas de Jesus e do Espírito Santo. A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios afirma: "Ele (Deus) é que nos fez aptos para ser Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,6

    E só pela Unção do Santo Paráclito, nossa Crisma, podemos ser Igreja Católica, o Corpo Místico de Cristo. A Carta de São Paulo aos Efésios ensina: "É n'Ele (Cristo) que vós conjuntamente também entrais, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a morada de Deus." Ef 2,22

    Ora, a Unção do Espírito Santo, que é exclusivamente concedida por Seus Sacerdotes, eleva o ser humano a uma nova dimensão, dando-lhe um novo e soberano dom, como a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios explica: "Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem pode compreendê-las, porque é pelo Espírito que deve ponderá-las. O homem espiritual, ao contrário, julga todas coisas e não é julgado por ninguém." 1 Cor 2,14-15

    Sem dúvida, Jesus exaltava a divina inspiração que via entre os mais humildes, jamais a mundana sabedoria ou o vazio racionalismo. É leitura do Evangelho Segundo São Lucas: "Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: 'Pai, Senhor do Céu e da Terra, Eu dou-Te graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-Te porque assim foi de Teu agrado.'" Lc 10,21

    O Livro de Eclesiástico já havia anotado: "Muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que Ele (Deus) revela Seus mistérios." Eclo 3,20b

    Ora, a Sabedoria de São João Batista vinha de sua humildade. Ele disse ao ouvir de seus discípulos que Jesus (na verdade os Apóstolos, cf. Jo 4,2) também estava batizando: "Importa que Ele cresça e que eu diminua." Jo 3,30

    Já a Carta de São Tiago, citando o Livro de Provérbios, mais amplamente fala em Graça: "Deus, porém, dá uma ainda mais abundante Graça. Por isso, a Escritura diz: 'Deus resiste aos soberbos, mas dá Sua Graça aos humildes (Pr 3,34).'" Tg 4,6

    Isso significa que os fariseus e os chefes dos sacerdotes também estavam errados quanto a humilde e 'analfabeta' gente que acreditava em Jesus. No Evangelho Segundo São João, eles disseram: "Este poviléu que não conhece a Lei é amaldiçoado!" Jo 7,49

    É óbvio, porém, que não temos o poder da Onisciência, como um amigo argumenta no Livro de Jó: "Ah, se Deus pudesse falar e abrir Seus lábios para te responder e te revelar os mistérios da Sabedoria que são ambíguos para o espírito... Pretendes sondar as divinas profundezas, atingir a perfeição do Todo-poderoso? Ela é mais alta do que o Céu, que farás? É mais profunda que os infernos, como a conhecerás? É mais longa que a Terra, mais larga que o mar." Jó 11,5-6a.7-9