
A imagem do Cristo crucificado, que deve ser divulgada (cf. Gl 3,1) para que saibamos o quanto a Santa Igreja Católica custou (cf. At 20,28), realmente retrata muita violência. Mas é o melhor símbolo do que significa ser cristão. A Santa Cruz, como prova de total e incondicional entrega mesmo diante da má vontade e da mundana incompreensão, é, e continuará sendo até a Definitiva Volta de Jesus, uma inevitável consequência do convite ao verdadeiro amor. Falando sobre o fim dos tempos, e claramente apontando a trajetória da humanidade através dos séculos, Nosso Salvador afirmou em últimas pregações, no Evangelho Segundo São Mateus: "E ante o crescente progresso da iniquidade, o amor de muitos esfriará." Mt 24,12
Contudo, contra todas adversidades, a
caridade, seja material ou espiritual, continua sendo o maior dever de todo cristão. No Evangelho Segundo
São Marcos,
Jesus mesmo anunciou em
Jerusalém, após o
Domingo de Ramos: "O primeiro de todos Mandamentos é este: '
Ouve, Israel, o Senhor Nosso
Deus é o Único Senhor:
amarás o Senhor Teu Deus de todo teu
coração, de toda tua
alma, de todo teu
entendimento e de toda tua força (Dt 6,5).' Eis aqui o segundo: 'Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Não existe Mandamento maior que estes." Mc 12,29b-31
Ou seja, não pediu
fé em Deus. Pediu muito mais, pediu amor a Ele, sintetizando todo
Antigo Testamento não em 10, mas em apenas 2 Mandamentos, e ambos falam exclusivamente de amor. "Nesses dois Mandamentos resumem-se toda a
Lei e os Profetas." Mt 22,40
E ainda mais sintetizou esses 2 em apenas 1 novo Mandamento, que chamou de "Seu Mandamento" e também se resume em amar. Mas deixou a medida: o amor que Ele mesmo sentia. É do Evangelho Segundo
São João, em Sua última noite entre os Apóstolos: "Dou-vos um novo Mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como Eu vos tenho amado, assim vós também deveis amar-vos uns aos outros. Este é
Meu Mandamento..." Jo 13,34;15,12
O amor, portanto, é a marca da
Igreja Católica, e assim do cristão. Jesus expressamente disse depois da Santa Ceia: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35
Mas, por suas
materialistas e
vaidosas ambições, é notório que o mundo não se prepara para conviver harmoniosamente. Por isso, a
missão do católico é longa e difícil, cada vez mais enfrentando
maiores obstáculos. Antes de partir para o Jardim das Oliveiras, onde seria preso, Jesus disse aos Apóstolos: "Se fôsseis do mundo, o mundo amá-vos-ia como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo escolhi-vos, o mundo odeia-vos." Jo 15,19
E aqui está o mais profundo Mandamento de Cristo: o verdadeiro cristão deve amar seus inimigos! Esse é o maior exemplo, o da extrema paciência e Misericórdia, que é incessantemente dado pelo próprio Pai. Ele já pregava no
Sermão da Montanha: "Eu, porém, digo-vos: amai vossos inimigos, fazei bem àqueles que vos odeiam, rezai por aqueles que vos maltratam e perseguem. Deste modo, sereis os filhos de Vosso Pai do Céu, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Portanto, sede perfeitos como Vosso Pai Celeste é perfeito." Mt 5,44-45.48
Enfim, a Primeira Carta de São João, dizendo de Nosso Senhor, assim explana sobre o salvífico amor: "Eis como sabemos que O conhecemos: se guardamos Seus Mandamentos. Aquele que diz conhecê-Lo e não guarda Seus Mandamentos, é mentiroso e nele não está Verdade. Aquele, porém, que guarda Sua Palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. Assim é que conhecemos se estamos n'Ele: aquele que n'Ele afirma permanecer, também deve viver como Ele viveu." 1 Jo 2,3-6
Ele sintetiza, dizendo da missão de todo fiel: "Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu Sua vida por nós. Nós também devemos dar nossa vida pelos nossos irmãos." 1 Jo 3,16