domingo, 30 de novembro de 2025

O Advento

    O termo Advento, que significa a 'Vinda' do Senhor, é um período do Calendário Litúrgico da Igreja Católica Apostólica Romana (cf. Ap 11,3) que se dedica à preparação da Epifania do Senhor, ou seja, da manifestação de Deus em Pessoa por Seu Nascimento em Jesus. É, portanto, um período de recolhimento e sincera conversão como São João Batista pregava, pois veio anunciar o Messias, nos termos do Evangelho Segundo São Mateus: "Dai, pois, frutos de verdadeira penitência." Mt 3,8

    Mas também é o propício período a reviver a espera e a chegada do Salvador, que com grandes sinais confirmou a instauração do Reino dos Céus. Jesus disse aos fariseus, Seus ferrenhos opositores, quando O acusaram de exorcizar pelo poder do príncipe dos demônios: "Mas se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então para vós chegou o Reino de Deus." Mt 12,28

    O Livro de Apocalipse de São João também anotou o grito de um anjo, com a chegada de Jesus aos Céus, logo após Sua Ascensão: "Eu ouvi no Céu uma forte voz que dizia: 'Agora chegou a Salvação, o poder e a realeza de Nosso Deus, assim como a autoridade de Seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que dia-e-noite os acusava diante do Nosso Deus.'" Ap 12,10

    Tais sinais atestam que os tempos de uma vida meramente carnal já se haviam cumprido, como a Carta de São Paulo aos Gálatas demarcou: "Mas quando a plenitude dos tempos veio, Deus enviou Seu Filho..." Gl 4,4

    E a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios vai completar, atestando a Graça Santificante derramada tão somente pela manifestação do Salvador: "Por isso, daqui em diante a ninguém nós conhecemos de um humano modo. Muito embora tenhamos considerado Cristo dessa maneira, agora já não O julgamos assim. Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho. Eis que tudo se fez novo!" 2 Cor 5,16-17

    Nesse sentido, a Carta de São Tiago prega: "Todas espécies de feras selvagens, de aves, de répteis e de peixes do mar domam-se e têm sido domadas pela espécie humana. A língua, porém, nenhum homem pode domá-la. É um irrequieto mal, cheia de mortífero veneno. Com ela bendizemos o Senhor, Nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede a bênção e a maldição. Não convém, meus irmãos, que seja assim. Porventura lança uma fonte, por uma mesma bica, doce e amargosa água? Acaso, meus irmãos, pode a figueira dar azeitonas ou a videira dar figos? Do mesmo modo, a salobra fonte não pode dar doce água. Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, com um bom proceder, suas obras perpassadas de doçura e de Sabedoria. Mas se no coração tendes um amargo ciúme e gosto por contendas, não vos glorieis nem mintais contra a Verdade. Esta não é a Sabedoria que vem do alto, mas terrena, humana, diabólica. Onde houver ciúme e contenda, ali também há perturbação e toda espécie de vícios. A Sabedoria que vem de cima, porém, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de Misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade nem fingimento. O fruto da justiça semeia-se na Paz, para aqueles que praticam a Paz." Tg 3,7-18

    E a Carta de São Paulo aos Efésios diz da missão da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo: "A uns Ele (Jesus) constituiu Apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do Corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus enganadores artifícios. Mas, pela sincera prática da caridade, cresçamos em todos sentidos n'Aquele que é a Cabeça, Cristo." Ef 4,11-15

    Sem dúvida, assim é a exortação do próprio Jesus, na qual se encerra o objetivo de Sua Missão. Ele pregou ainda no Sermão da Montanha, alvores de Sua via pública, invocando uma fala de Deus do Livro de Levítico, quando ordenou ao povo de Israel através de Moisés: "Portanto, sede perfeitos, assim como Vosso Pai Celeste é perfeito. (Lc 19,2)" Mt 5,48

Santo André Apóstolo

    O irmão de São Pedro é o 'protocletos', que em grego significa 'primeiro convocado', pois nominalmente foi o primeiro chamado por Jesus, como o Evangelho Segundo São João atesta. Religioso e sensível, já era discípulo de São João Batista quando Nosso Senhor Se apresentou para ser batizado, e foi convocado logo depois: "No seguinte dia, lá estava João outra vez com dois de seus discípulos. E ao avistar Jesus, que ia passando, disse: 'Eis o Cordeiro de Deus.' Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. Voltando-Se Jesus, e vendo que O seguiam, perguntou-lhes: 'Que procurais?' Disseram-Lhe: 'Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?' 'Vinde e vede', respondeu-lhes Ele. Foram aonde Ele morava e com Ele ficaram aquele dia. Era cerca da décima hora (4 da tarde). André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e que O tinham seguido." Jo 1,35-40

    Entre os Apóstolos (cf. Lc 6,13), também é o primeiro a afirmar e a anunciar Jesus como o Messias, além de convocar um novo discípulo, o próprio São Pedro. São João Evangelista, em sequência, igualmente narrou esse episódio: "Logo foi ele, então, à procura de seu irmão e disse-lhe: 'Achamos o Messias (que quer dizer Cristo).' Levou-o a Jesus, e Jesus, nele fixando o olhar, disse: 'Tu és Simão, filho de João. Serás chamado Cefas (que quer dizer pedra)!'" Jo 1,41-42

    Por essa frase, vemos que Jesus já conhecia São Pedro e seu pai, logo também de Santo André, sinal de Sua Onisciência, e que deu o novo nome de São Pedro desde o primeiro encontro, mostrando que a narrativa de São Mateus (cf. Mt 16,18) é uma reafirmação que Ele fez desse seu nome de ofício. E como São Filipe Apóstolo, Santo André e São Pedro eram de Betsaida, nome que significa 'casa da pesca', cidade próxima a Cafarnaum e um pouco afastada do Mar de Galileia: "Filipe era natural de Betsaida, cidade de André e Pedro." Jo 1,44

    Sabemos que, junto ao mais velho irmão, Santo André fazia parte de uma colônia de pescadores, mas, após Se retirar para o deserto por 40 dias, Nosso Senhor retornou e convidou-os para que pescassem almas, no texto do Evangelho Segundo São Mateus: "Desde então, Jesus começou a pregar: 'Fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo!' Caminhando ao longo do mar de Galileia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes: 'Vinde após Mim, e fá-vos-ei pescadores de homens.' Na mesma hora, abandonaram suas redes e seguiram-nO." Mt 4,17-20

    Santo André era solteiro e morava com São Pedro, cuja casa foi dote de casamento, pois nela vivia com a sogra, conforme o Evangelho Segundo São Marcos: "Dirigiram-se para Cafarnaum. E já no dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-Se a ensinar. Assim que saíram da sinagoga, dirigiu-Se com Tiago e João à casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e sem tardar Lhe falaram a seu respeito. Aproximando-Se Ele, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre imediatamente deixou-a, e ela pôs-se a servi-los." Mc 1,21.29-31

    Na lista dos Apóstolos, Santo André é o segundo nos Evangelhos Segundo São Mateus (cf. Mt 10,2) e Segundo São Lucas, atrás apenas do próprio irmão, o Príncipe dos Apóstolos (cf. Mt 16,19): "Naqueles dias, Jesus retirou-Se a uma montanha para rezar, e aí passou toda noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou Seus discípulos e escolheu Doze dentre eles, que chamou de Apóstolos: Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelota; Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor." Lc 6,12-16

    E é através de Santo André que São Filipe leva um importantíssimo recado a Jesus, sinal de que Sua Paixão se aproximava, porque Seu Nome já havia chegado a distantes nações e Sua Missão, enquanto Ser Humano, era limitada aos judeus (cf. Mt 15,24): "Havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa. Estes aproximaram-se de Filipe (aquele de Betsaida de Galileia) e rogaram-lhe: 'Senhor, quiséramos ver Jesus.' Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe disseram-no ao Senhor. Respondeu-lhes Jesus: 'É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado. Em Verdade, em Verdade, digo-vos: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só. Se morrer, produz muito fruto.'" Jo 12,20-24

sábado, 29 de novembro de 2025

Jesus desmistificou

    Dentre tantos outros aperfeiçoamentos de vida espiritual, promovidos por Jesus, quantidade e qualidade de ensinamentos que só podem ser explicadas por Sua divina natureza, reconhece-se que Ele também aprimorou a por trazê-la para o campo de concretas atitudes. Para começar, mesmo sendo Deus, Ele viveu, anunciou o amor e morreu como mero ser humano. O Evangelho Segundo São João testemunhou logo nas primeiras linhas: "E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós." Jo 1,14

    E ainda mais forte demonstração foi aceitar como desígnio de Deus, não importa quão difícil, a pura e crua realidade que se viu em Sua Paixão. Ele rezou no Horto das Oliveiras, na noite em que ia ser entregue, conforme o Evangelho Segundo São Mateus: "Meu Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice! Todavia, não se faça o que Eu quero, mas sim o que Tu queres." Mt 26,39b

    À multidão de seguidores, durante o Sermão da Montanha, também ensinou essa postura perante o mundo. Que materializasse o Céu, entregando-se à evangélica pobreza e tudo confiando à Divina Providência: "Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, Vosso Pai Celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas estas coisas sê-vos-ão dadas em acréscimo." Mt 6,31-33

    Noutra passagem, em mais uma magistral síntese do que representavam as Escrituras até então, Ele anunciou a chamada 'lei de ouro', e mais uma vez falava apenas de atitudes, não de fé: "Tudo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a Lei e os Profetas." Mt 7,12

    Na parábola do bom samaritano, quando atribuiu um bom exemplo justamente ao povo mais menosprezado pelos judeus, Jesus questionou um doutor da Lei, levando-o a deduzir a excelência da compaixão, e recomendou sua prática, como se lê no Evangelho Segundo São Lucas: "'Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?' Respondeu o doutor: 'Aquele que usou de Misericórdia para com ele.' Então Jesus lhe disse: 'Vai, e faze o mesmo.'" Lc 10,36-37

    Ora, ressaltando o autêntico amor ao próximo, na parábola do Juízo Final Ele concede a Salvação apenas àqueles que usam de concretos gestos. Mais uma vez desmistifica, portanto, porque o servir a Deus na Santa Missa se conclui servindo àqueles que sofrem. De fato, mesmo falando sobre tão importante tema, que Ele nada disse sobre fé ou prática religiosa: "Vinde, benditos de Meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e Me deste de comer; tive sede e Me deste de beber; era peregrino e Me acolheste; nu e Me vestiste; enfermo e Me visitaste; estava na prisão e viestes a Mim. Em Verdade, Eu declaro-vos: todas vezes que fizestes isso a um destes Meus pequeninos irmãos, foi a Mim mesmo que o fizestes.’" Mt 25,34-36.40b

    Mas não Se referia só aos pobres. Há muitos outros a nossa volta, carentes de quem lhes sirva. É a lição do episódio do Lava-Pés: "Logo, se Eu, Vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós também deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, assim vós também façais. Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de praticá-las.'" Jo 13,14-15.17

    E ao tratar de leis religiosas, na leitura do Evangelho segundo São Marcos, Ele coloca o cuidar do ser humano em primeiro lugar, como quando defendeu os Apóstolos que debulhavam espigas de trigo pelo caminho, por não terem o que comer: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado..." Mc 2,27

    Pois mais que imolações, como os judeus faziam, Jesus pedia verdadeira compaixão pelos que sofrem, citando palavras de Deus constantes no Livro do Profeta Oseias: "Ide e aprendei o que significam estas palavras: 'Eu quero a Misericórdia, e não o sacrifício (Os 6,6).'" Mt 9,13

    A Santa Missa, portanto, não é um encontro de 'puritanos' ou outros arrogantes, mas de arrependidos pecadores que em mútuo acolhimento revivem e atualizam o Sacrifício Pascal. Ele disse: "Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos. Não vim chamar os justos, mas os pecadores." Mc 2,17

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Cultuar o Amor a Deus

     Numa reveladora e grandiosa reapreciação do amor humano, Jesus coloca o 'amar ao próximo', do Livro de Levítico, como Mandamento semelhante ao 'amar a Deus', do Livro de Deuteronômio. Aliás, Mandamento esse que, mais que  em Deus, pede que nós O amemos. É do Evangelho Segundo São Mateus, quando Ele pregava em Jerusalém depois do Domingo de Ramos: "'Amarás o Senhor Teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu entendimento (Dt 6,5).' Este é o maior e o primeiro Mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: 'Amarás a teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).'" Mt 22,37-39

    Exigia, pois, e desde o início de Sua vida pública, absoluta fidelidade às Escrituras, advertindo para o risco do mais longo período no Purgatório, como exortou ainda no Sermão da Montanha: "Pois, em Verdade, vos digo: passará o céu e a Terra antes que desapareça um jota, um traço da Lei. Aquele que violar um destes Mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será declarado o menor no Reino dos Céus. Mas aquele que os guardar e ensinar, será declarado grande no Reino dos Céus." Mt 5,18-19

    E questionava a insensatez, dirigindo-Se às primeiras multidões a segui-Lo, no Evangelho Segundo São Lucas: "Por que Me chamais: 'Senhor, Senhor...' e não fazeis o que digo?" Lc 6,46

    No Evangelho Segundo São João, literalmente disse na noite em que ia ser entregue: "Se alguém Me ama, guardará Minha Palavra e Meu Pai amá-lo-á. E Nós viremos a ele e nele faremos Nossa morada." Jo 14,23b

    E assim os encarregou antes de partirem para o Horto das Oliveiras, onde iniciaria Sua Paixão: "O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai Me ordenou." Jo 14,31a

    Ora, em Sua relação com o Pai, Ele mesmo dava exemplo: "Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor, como Eu também guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto em Seu amor." Jo 15,10

    E ao invés de uma profusão de nomes que se atribui a Deus, Ele chamava-O de Pai, como frequentemente visto. Ele disse a Santa Maria Madalena após ressuscitar, mandando um recado aos Apóstolos: "Subo a Meu Pai e Vosso Pai..." Jo 20,17

    Igualmente fez-nos crer que somos capazes de amar tanto quanto Ele mesmo, isto é, quanto o próprio Deus: "Como Eu vos tenho amado, assim vós também deveis amar-vos uns aos outros." Jo 13,34

    E fê-lo mesmo em ligeira relativização de Sua própria manifestação, pois, para além de crer em Sua Pessoa, Ele determinou que nós nos amássemos. Foi logo após a Santa Ceia: "Este é Meu Mandamento: amai-vos uns aos outros..." Jo 15,12

    Contudo, como visto, deixou Seu amor como parâmetro: "... como Eu vos amei." Idem

    E em seguida, mencionando a caridade espiritual, Ele especialmente exalta os que doam suas vidas em nome do Reino de Deus, exemplo que Ele mesmo daria de inesquecível modo por Seu Sacrifício: "Ninguém tem maior amor que Aquele que dá Sua vida por Seus amigos." Jo 15,13

    A Primeira Carta de São João mostra que ele bem entendeu esse ensinamento: "Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu Sua vida por nós. Nós também devemos dar nossa vida por nossos irmãos." 1 Jo 3,16

    Ora, a verdadeira autoridade da Igreja Católica Apostólica Romana está em fazer-se serva de todos, como Ele disse aos Doze em Seus últimos ensinamentos: "Os reis dos pagãos dominam como senhores, e os que sobre eles exercem autoridade chamam-se benfeitores. Que não seja assim entre vós. Mas o que entre vós é o maior, torne-se como o último. E o que governa, seja como o servo." Lc 22,25-26

    E a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios assim falou da 'arrogante caridade': "Ainda que distribuísse todos meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada valeria!" 1 Cor 13,3

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

O Reino dos Céus

    Para concluir o espetáculo de crueldades da Paixão de Cristo, o governador de Judeia fez-Lhe mais essa humilhação, registrada no Evangelho Segundo São João: "Pilatos redigiu uma inscrição e fixou-a por cima da Cruz. Nela estava escrito: 'Jesus de Nazaré, Rei dos judeus.'" Jo 19,19

    Mas até Seu último suspiro houve gente humilde a Sua volta, que acreditava no Reino de Deus. No Evangelho Segundo São Lucas, Dimas, mesmo sendo um ladrão e passando por momentos de grande dor e agonia, soube perceber a injustiça que estava acontecendo. Tocado pelo Espírito Santo, arrependeu-se e reconheceu n'Ele o Salvador: "Jesus, lembra-Te de mim quando tiveres entrado em Teu Reino!" Lc 23,42

    E seu pedido foi imediatamente concedido, pois Nosso Senhor respondeu: "Em Verdade, digo-te: hoje estarás Comigo no Paraíso." Lc 23,43

    Após Sua Ressurreição, e pouco antes de definitivamente subir aos Céus, os Apóstolos quiseram saber quando Ele iria instaurar materialmente Seu Reino. Mas Ele ainda teria que enviar o Espírito Santo, para que nós assumíssemos a construção da Santa Igreja Católica. É leitura do primeiro capítulo do Livro de Atos dos Apóstolos: "'Senhor, é porventura agora que ides instaurar o Reino de Israel?' Respondeu-lhes Ele: 'Não vos pertence saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em Seu poder, mas descerá sobre vós o Espírito Santo e dá-vos-á força. E sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria e até os confins do mundo.'" At 1,6-8

    Os Sacerdotes de Cristo, portanto, já estão reinando, pelo serviço de Salvação que nos prestam. É o que as revelações feitas por Jesus no Livro de Apocalipse de São João atestam: "Quando recebeu o livro, os quatro seres e os vinte e quatro anciãos (todos eles anjos, das mais elevadas ordens!) prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma cítara e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos Santos. Cantavam um novo cântico, dizendo: 'Tu és digno de receber o Livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, a preço de Teu Sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça. E deles fizeste para Nosso Deus um Reino de Sacerdotes, que reinam sobre a Terra.'" Ap 5,8-10

    São Paulo e São Barnabé, no entanto, bem sabiam que, a exemplo da Cruz de Cristo, alcançar o Reino da Justiça é uma dolorosa tarefa, dada a oposição do mundo e do Maligno que cotidianamente afrontam a Igreja Católica. Mas, pelo Sacramento da Crisma, eles recomendavam a todos fiéis que resistissem, pregando nas cidades por onde passavam: "Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na , dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações." At 14,22

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, portanto, pede-nos um testemunho de vida, que damos através de nossas atitudes: "Porque o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em atos." 1 Cor 4,20

    E afirma que depois da Final Batalha (cf. Ap 19,19), na qual cita três ordens de anjos caídos, se dará o Juízo Final e o Reino de Jesus será repassado a Deus Pai: "Depois, virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. E quando tudo Lhe estiver sujeito, então o próprio Filho também renderá homenagem Àquele que Lhe sujeitou todas coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos." 1 Cor 15,24.28

    Das revelações que teve de Nosso Senhor, o Amado Discípulo assim descreveu o trono e o Reino de Deus, que se perfaz na Santíssima Trindade: "Imediatamente fui arrebatado em espírito. No Céu havia um trono, e nesse trono estava sentado um Ser. E Quem estava sentado Se assemelhava, pelo aspecto, a uma pedra de jaspe e de sardônica. Um halo, semelhante à esmeralda, nimbava o trono. Ao redor havia vinte e quatro tronos, e neles, sentados, vinte e quatro anciãos vestidos de brancas vestes e com coroas de ouro na cabeça. Do trono saíam relâmpagos, vozes e trovões. Diante do trono ardiam sete tochas de fogo, que são os sete espíritos de Deus. Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de brancas vestes e palmas na mão... o Cordeiro... é Senhor dos senhores e Rei dos reis." Ap 4,2-5;7,9;17,14a

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Um Retrato de São Paulo

    Foi na Carta de São Paulo aos Filipenses, cristãos de Filipos, em Grécia, mas à época sob domínio dos macedônios, a primeira cidade de Europa a receber o Evangelho, que o Apóstolo dos Gentios nos deixou um mais conciso retrato de sua santidade. Quando a escreveu, provavelmente estava em Cesareia (cf. At 24,27), mas já exala avançada espiritualidade e menciona o que é considerado o primeiro registro da hierarquia da Santa Igreja Católica, já se consolidando nas primeiras décadas. Diz na saudação inicial: "Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos santos em Jesus Cristo, que se acham em Filipos, com epíscopos e diáconos..." Fl l,1

    E vai citar o pretório, que era o tribunal romano, deixando claro que estava preso: "Em todo pretório e por toda parte tornou-se conhecido que é por causa de Cristo que estou preso." Fl 1,13

    Contudo, o que mais chama atenção é que nosso Santo não está triste, ou sequer contrariado. É a carta em que mais fala de alegria! Mais vezes até que na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, que é bem mais extensa! Ainda nos primeiros versículos, ele inscreve: "Em todas minhas orações, sempre rezo com alegria por todos vós, recordando-me da cooperação que haveis dado na difusão do Evangelho, desde o primeiro dia até agora." Fl 1,4-5

    No início último capítulo, ele torna a exortar e insiste: "Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!" Fl 4,4

    E, estejamos certos, ele não falava de alegria por vão entusiasmo, pois já estamos diante de um Paulo preparado, que profetiza o próprio martírio: "Meu ardente desejo e minha esperança são que em nada serei confundido, mas que, hoje como sempre, Cristo será glorificado em meu corpo, disto tenho toda certeza, quer por minha vida quer por minha morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro." Fl 1,20-21

    Então pede pela união entre os discípulos, e assim pela Unidade da Santa Igreja, pois sabia que esse era o mais brilhante sinal que os seguidores do Nazareno poderiam dar: "Quer eu vá ter convosco quer permaneça ausente, desejo ouvir que estais firmes em um só espírito, unanimemente lutando pela  do Evangelho..." Fl 1,27

    Na verdade, ele tão somente lembrava uma condição que Nosso Senhor mesmo havia firmado, dizendo aos Apóstolos depois da Santa Ceia, conforme o Evangelho Segundo São João: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35

    E em tocante modéstia, nosso Apóstolo implorava por essa unidade em nome da Comunhão que com eles tinha, como um alívio pelas tribulações que passava: "Se me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum caridoso estímulo, alguma Comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, completai minha alegria permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos." Fl 2,1-3

    Alertava-os, ademais, do Caminho da Cruz: "... porque a vós é dado não somente crer em Cristo, mas ainda sofrer por Ele." Fl 1,29

    Por ter perfeitamente entendido, e na própria carne, a mensagem de Jesus, ele aproveita para pregar humildade e obediência. Eis uma parte do 'Hino Cristológico', que ele recita: "Sendo Ele de divina condição, não Se prevaleceu de Sua igualdade com Deus, mas aniquilou a Si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-Se aos homens. E sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-Se ainda mais, tornando-Se obediente até a morte, e morte de Cruz." Fl 2,6-8

    E docemente sustenta o desapego material e a resignação: "Sei viver na penúria, e também sei viver na abundância. Estou acostumado a todas vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade." Fl 4,12

    Enfim, deixou uma frase que, como afirmação da fé, é repetida em todo mundo: "Tudo posso n'Aquele que me fortalece." Fl 4,13

terça-feira, 25 de novembro de 2025

O Testemunho do Pai e do Espírito Santo

    Conforme a Primeira Carta de São João, Jesus é o principal testemunho de Deus Pai para a humanidade: "Ora, maior é o testemunho de Deus, porque se trata do testemunho do próprio Deus, aquele que Ele deu de Seu Filho. Aquele que crê no Filho de Deus, em si tem o testemunho de Deus. Aquele que não crê em Deus, d'Ele faz um mentiroso, porque não crê no testemunho que Ele deu em favor de Seu Filho." 1 Jo 5,9b-10

    Suas obras, portanto, eram testemunhos de Deus Pai, e por elas, invocando a Comunhão da Santíssima Trindade, Nosso Salvador humildemente pediu aos Apóstolos na última noite entre eles, como o Evangelho segundo São João registrou: "As palavras que vos digo, não as digo de Mim mesmo, mas o Pai, que permanece em Mim, é que realiza Suas próprias obras. Crede-Me: estou no Pai e o Pai em Mim. Crede-o ao menos por causa destas obras." Jo 14,10b-11

    E diante da dúvida dos religiosos de Jerusalém, Ele havia-lhes explicado enquanto passeava no Templo: "Os judeus rodearam-nO e perguntaram-Lhe: 'Até quando nos deixarás na incerteza? Se Tu és o Cristo, dize-nos claramente.' Jesus respondeu-lhes: 'Eu digo-o, mas não credes. As obras que faço em Nome de Meu Pai, dão testemunho de Mim. Entretanto, não credes, porque não sois de Minhas ovelhas.'" Jo 10,24-26

    Ele até tentou argumentar com os judeus durante Sua segunda festa em Jerusalém, invocando o testemunho de São João Batista, Seus milagres e as próprias Escrituras: "Mas tenho maior testemunho que o de João, porque as obras que Meu Pai Me deu para executar, essas mesmas obras que faço, testemunham a Meu respeito que o Pai Me enviou. E o Pai que Me enviou, Ele mesmo deu testemunho de Mim. Vós nunca ouvistes Sua voz nem vistes Sua face. E não tendes Sua Palavra permanentemente em vós, pois não credes n'Aquele que Ele enviou. Vós perscrutais as Escrituras, nelas julgando encontrar a Vida Eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim." Jo 5,36-39

    Ademais, como mais uma oportunidade para que o mundo n'Ele creia, Ele também avisou os Apóstolos da manifestação do Espírito Santo, que no dia de Pentecostes completaria a Revelação da Santíssima Trindade. Ele disse-lhes após a Santa Ceia: "Entretanto, digo-vos a Verdade: a vós convém que Eu vá! Porque se Eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas se Eu for, enviá-vo-Lo-ei. Ele convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em Mim." Jo 16,7.9

    É mesmo específica a missão do Santo Espírito, como havia explicado instantes antes: "Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim. Ele glorificá-Me-á, porque receberá do que é Meu e anunciá-vos-á." Jo 15,26;16,14

    Ela não é fácil nem imediata, porém, porque Ele age na Santa Igreja Católica, não no mundo, segundo o próprio Jesus: "Se Me amais, guardareis Meus Mandamentos. E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que convosco fique eternamente. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,15-17

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, de fato, atestaria Sua imprescindível inspiração para que se proclame a divindade de Jesus: "... ninguém pode dizer: 'Jesus é o Senhor', senão sob a ação do Espírito Santo." 1 Cor 12,3b

    Por isso, São João Apóstolo é tão incisivo: "Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o anticristo, que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho, não tem o Pai." 1 Jo 2,22-23a

    E como Jesus previu, o Amado Discípulo indica outro sinal do Santo Paráclito: "Quem conhece a Deus, ouve-nos. Quem não é de Deus, não nos ouve. É nisto que conhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro." 1 Jo 4,6b

    Diz que o maior dom de Deus Pai, a Vida Eterna, está em Cristo, e anunciá-Lo é a missão da Igreja Católica Apostólica Romana: "E o testemunho é este: Deus deu-nos a Vida Eterna, e esta Vida está em Seu Filho. Quem possui o Filho, possui a Vida. Quem não tem o Filho de Deus, não tem a Vida." 1 Jo 5,11-12

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

"A Realidade é o Corpo de Cristo"

    Desde o início, a Santa Cruz foi plenamente incorporada à manifestação de Jesus, tornando-se o elemento central da pregação dos Apóstolos, como está na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a Sabedoria, mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Para os eleitos, porém, quer judeus quer gregos, força de Deus e Sabedoria de Deus." 1 Cor 1,22-24

    Pois conforme o Livro de Atos dos Apóstolos, no dia da Vinda do Espírito Santo, São Pedro declarou à Igreja Católica, que ali nascia (cf. At 2,41), Quem Jesus realmente é: "Que toda casa de Israel saiba, portanto, com a maior certeza de que este Jesus, que vós crucificastes, Deus O constituiu Senhor e Cristo." At 2,36

    E apesar de ter sido um fervoroso fariseu (cf. At 26,5), após uma aparição de Nosso Senhor, o jovem São Paulo rapidamente percebeu onde estava a Verdade, entrando em ação lá mesmo onde se deu sua conversão: "Saulo, porém, sentia crescer seu poder e confundia os judeus de Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo." At 9,22

    Pois como conhecedor do Antigo Testamento, deu-se conta que Nosso Salvador já havia encarnado e ressuscitado. Ele pregou na primeira visita aos judeus da cidade de Tessalônica, em Grécia: "Explicava e demonstrava, à base das Escrituras, que era necessário que Cristo padecesse e ressurgisse dos mortos. 'E este Cristo é Jesus que eu vos anuncio.'" At 17,3

    Mas a Encarnação de Cristo, enquanto capítulo da Revelação da Santíssima Trindade, vai muito além do que as palavras dizem. Deus é muito maior do que podemos expressar. Dizendo das Escrituras, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios ensina: "Ele (Deus) é que nos fez aptos para ser Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,6

    E nem todos têm a Graça da presença do Espírito de Deus em si, como Segunda Carta de São João diz. Dentre estes, ele aponta os falsos mestres: "Muitos sedutores têm saído pelo mundo afora, os quais não proclamam Jesus Cristo encarnado." 2 Jo 1,7

    Contudo, quem recebeu o Espírito Santo sabe Quem é Jesus, e também sabe que nasceu de novo. A Primeira Carta de São João já assegurava: "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus..." 1 Jo 5,1a

    Por isso, a Primeira Carta de São Pedro, privilegiada testemunha da Transfiguração, afirma a absoluta Majestade de Jesus, citando três ordens de anjos: "Esse Jesus Cristo, tendo subido ao Céu, está sentado à direita de Deus, depois de ter recebido a submissão dos anjos, dos principados e das potestades." 1 Pd 3,22

    Sua Vida é nosso parâmetro, portanto, e representa o ápice do Antigo Testamento. A Carta de São Paulo aos Romanos prega: "Porque a finalidade da Lei é Cristo..." Rm 10,4

    Por Ele temos a definitiva purificação, conforme a Carta de São Paulo aos Colossenses: "Há bem pouco tempo éreis vós alheios a Deus e inimigos por vossos pensamentos e más obras, mas eis que agora Ele (Jesus) vos reconciliou pela Morte de Seu Corpo Humano, para que vos possais apresentar Santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai." Cl 1,21-22

    E assim sabemos que, como Sua Doutrina, Jesus é eterno, é Deus, como os seguidores da tradição de São Paulo afirmam na Carta aos Hebreus: "Jesus Cristo sempre é o mesmo: ontem, hoje e por toda eternidade." Hb 13,8

    O Apóstolo dos Gentios bem compreendeu o que significa ser cristão neste mundo, ou seja, ser Igreja: "O que falta às tribulações de Cristo, completo em minha carne, por Seu Corpo que é a Igreja." Cl 1,24b

    E aferindo Sua grandeza em comparação às tradições religiosas dos judeus, ele vai afirmar o que tanto pode ser entendido como Corpo Místico de Cristo como o Santíssimo Sacramento: "Tudo isto não é mais que sombra d'Aquele que devia vir. A realidade é o Corpo de Cristo." Cl 2,17

domingo, 23 de novembro de 2025

Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

    O Reinado de Cristo já está em vigor e sempre foi uma certeza, embora muitos teimem em não aceitar. No Evangelho Segundo São João, ao ser inquirido por Pilatos, Jesus afirmou: "'Meu Reino não é deste mundo. Se Meu Reino fosse deste mundo, Meus súditos certamente teriam pelejado para que Eu não fosse entregue aos judeus.' Então Lhe perguntou Pilatos: 'És, portanto, Rei?' Respondeu Jesus: 'Sim, Eu sou Rei. É para dar testemunho da Verdade que nasci e vim ao mundo. Todo aquele que é da Verdade, ouve Minha voz.'" Jo 18,36-37

    Foi o que a Carta de São Paulo aos Efésios atestou, dizendo de Deus: "Ele manifestou-nos o misterioso desígnio de Sua vontade, que em Sua benevolência formara desde sempre, para o realizar na plenitude dos tempos, desígnio de em Cristo reunir todas coisas, as que estão nos Céus e as que estão na Terra." Ef 1,9-10

    Pois o Arcanjo São Gabriel, anunciando Nosso Salvador, já havia revelado a Maria Santíssima no Evangelho Segundo São Lucas: "Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus dá-Lhe-á o trono de Seu pai Davi. Eternamente reinará na Casa de Jacó, e Seu Reino não terá fim." Lc 1,32-33

    E esse foi o reconhecimento feito por São Bartolomeu Apóstolo, ao atestar a onisciência de Jesus no momento em que O encontrou, dois dias após ser batizado por São João Batista: "Falou-Lhe Natanael: 'Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel.'" Jo 1,49

    Sua instituição, no entanto, já se havia dado no próprio Céu 600 anos antes, feita por Deus Pai. O Livro do Profeta Daniel apontou: "Sempre olhando a noturna visão, vi um Ser, semelhante ao Filho do Homem, vir sobre as nuvens do Céu: dirigiu-Se para o lado do Ancião, diante de Quem foi conduzido. A Ele foram dados império, Glória e realeza, e todos povos, todas nações e todas línguas serviram-nO. Seu domínio será eterno, nunca cessará, e Seu Reino jamais será destruído." Dn 7,13-14

    Conforme o Primeiro Livro de Crônicas, o rei Davi até cogitou a construção do Templo, mas Deus mesmo interveio e assim determinou a respeito da Igreja Católica Apostólica Romana, ou seja, do Corpo Místico de Cristo: "Quando Davi se instalou em sua casa, disse ao Profeta Natã: 'Eis que moro numa casa de cedro e a Arca da Aliança do Senhor está debaixo de uma tenda.' Natã respondeu: 'Faze o que teu coração te sugere, porque Deus está contigo.' Mas, na seguinte noite, a Palavra de Deus foi dirigida a Natã, nestes termos: 'Vai e dize a Davi, Meu servo: Eis o que diz o Senhor: Não és tu que Me construirás a Casa em que habitarei. Quando teus dias se acabarem e tiveres ido juntar-te a teus pais, levantarei tua posteridade após ti, num de teus filhos, e firmarei Seu Reino. É Ele que Me construirá uma casa, e para sempre firmarei Seu Trono. Serei para Ele um Pai, e Ele será para Mim um Filho. E d'Ele nunca retirarei Meu favor, como retirei daquele que reinou antes de ti. Eu estabelecê-Lo-ei em Minha Casa e em Meu Reino para sempre, e Seu Trono será firme por todos séculos.'" 1 Cr 17,1-3.11-14

    Aliás, o próprio Jesus afirmou esta invencibilidade em Sua Igreja, que é a representação material e espiritual de Seu Reino. Foi logo depois de ser reconhecido como o Cristo por São Pedro, no Evangelho Segundo São Mateus: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18

    Ora, pela boa vontade daqueles que acolhem Sua Palavra, Ele garantiu que Seu Reino já se faz sensivelmente presente entre nós: "O Reino de Deus não virá de ostensivo modo. Nem se dirá: Ei-lo aqui; ou: Ei-lo ali. Pois o Reino de Deus já está no meio de vós." Lc 17,20b-21

    E como portentoso e cósmico sinalsábios reis de pagãs nações, igualmente inspirados pelo Espírito Santo, viram e seguiram a Estrela que anunciava a Vinda do 'Rei dos judeus', sabendo que Ele é Deus, pois queriam adorá-Lo: "Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: 'Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos Sua Estrela no Oriente e viemos adorá-Lo.'" Mt 2,1-2

sábado, 22 de novembro de 2025

A Paciência de Cristo

    O resgate de nossas almas não foi um acontecimento qualquer. Conforme a Primeira Carta de São Pedro, nossa pecaminosidade e teimosia custou muito caro: "Porque vós sabeis que não é por perecíveis bens, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados de vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso Sangue de Cristo..." 1 Pd 1,18

    Ele abertamente reafirma o Sacrifício do Cristo aos Sacerdotes da Igreja, para que jamais seja menosprezado: "Eis a exortação que dirijo aos anciãos que entre vós estão. Porque como eles sou ancião, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo..." 1 Pd 5,1

    Pois em Seu sofrer, que era absolutamente humano, Jesus aprendeu e ensinou que com obediência devemos aceitar os desígnios de Deus, em especial os mais difíceis. Os seguidores da tradição de São Paulo revelam na Carta aos Hebreus, citando o Livro de Salmos: "Assim também Cristo não atribuiu a Si mesmo a Glória de ser Pontífice. Esta foi-Lhe dada por Aquele que Lhe disse: 'Tu és Meu Filho, hoje Te gerei (Sl 2,7).' Nos dias de Sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, Àquele que podia salvá-Lo da morte, e foi atendido por Sua Misericórdia. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve." Hb 5,5.7-8

    De fato, em profundidade Ele experimentou a condição humana, especialmente enquanto agonizava na Cruz do monte Calvário, dando voz a um clamor do rei Davi, na leitura do Evangelho Segundo São Marcos: "E à hora nona Jesus bradou em alta voz: 'Elói, Elói, lammá sabactáni?', que quer dizer: 'Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste (Sl 21,2)?'" Mc 15,34

    Diante destes fatos, a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses reza: "Quanto a vós, temos plena certeza no Senhor de que estareis cumprindo e continuareis a cumprir o que vos prescrevemos. Que o Senhor dirija vossos corações para o amor de Deus e para a paciência de Cristo." 2 Ts 3,4-5

    Pois as divinas dádivas operam muito mais que melhoras na terrena vida. É muito maior, como a Carta de São Paulo aos Romanos diz: "... o dom de Deus é a Vida Eterna em Cristo Jesus, Nosso Senhor." Rm 6,23

    Tudo isso, portanto, encerra-se no grande plano do Pai, de trazer-nos à divina filiação que é efetuada pelo Espírito Santo (cf. Rm 8,15). A Carta de São Paulo aos Efésios apontou: "Em Seu amor, predestinou-nos a sermos adotados como Seus filhos por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua livre vontade..." Ef 1,5

    Tocado por tanta benevolência, e absolutamente convicto da nossa vitória pela Redenção oferecida por Jesus, este Apóstolo pergunta: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? ... nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, Nosso Senhor." Rm 8,35.39

    Não estamos, pois, nem sozinhos nem ao sabor de uma vida sem sentido. Cristo é uma grande prova do amor de Deus e de Seus cuidados para conosco, como ele diz aos cristãos da cidade de Éfeso: "Mas Deus, que é rico em Misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a Vida junto a Cristo. É por Graça que fostes salvos! Junto a Ele, ressuscitou-nos e fez-nos sentar nos Céus, com Cristo Jesus. Ele assim demonstrou pelos futuros séculos a imensidão das riquezas de Sua Graça, pela bondade que tem para conosco, em Jesus Cristo." Ef 2,4-7

    Pregam, pois, os discípulos de São Paulo: "Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, Ele também participou a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o Demônio, e libertar aqueles que, por medo da morte, toda vida estavam sujeitos a uma verdadeira escravidão. Veio em socorro, não dos anjos, mas sim da raça de Abraão, e por isso convinha que em tudo Se tornasse semelhante a Seus irmãos, para ser um Compassivo e Fiel Pontífice no serviço de Deus, capaz de expiar os pecados do povo. De fato, por ter Ele mesmo suportado tribulações, está em condição de vir em auxílio dos que são atribulados." Hb 2,14-18

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

O Poder da Igreja Católica Apostólica Romana

    Após ressuscitar, Jesus investiu Apóstolos e discípulos com autoridade e poder. Essa é Sua força que permanece entre os homens para a edificação de Sua Igreja (cf. 1 Cor 14,12), que tem por missão testemunhar Sua divindade. No Evangelho Segundo São Marcos, Ele disse aos Onze no Domingo da Ressurreição: "'Estes milagres acompanharão aqueles que crerem: expulsarão demônios em Meu Nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal. Imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados.' Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles, e confirmava Sua Palavra com os milagres que a acompanhavam." Mc 16,17-18.20

    Com efeito, como Ele mesmo afirmou quando foi reconhecido por São Pedro como o Messias, a Santa Igreja Católica é invencível. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18b

    De maior importância, porém, é o poder de perdoar os pecados, que Ele exclusivamente deu a Seus Sacerdotes conforme o Evangelho Segundo São João. Graça que nos é concedida pelo Sacramento da Reconciliação com Deus. De suma importância na obra da Salvação, Ele tratou de instituí-la ainda no Domingo da Ressurreição: "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos." Jo 20,22a-23

    Contudo, nem toda manifestação de poder tem por finalidade fazer-nos participar do Reino de Deus. Satanás realiza espetáculos que enganam os olhos e a muitos afastam da Sã Doutrina, como o próprio Jesus avisou aos Apóstolos em Sua última Páscoa: "Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se possível fosse, até mesmo os escolhidos." Mt 24,24

    De fato, falando de um tempo em que muitos abandonariam a fé (2 Ts 2,3), esse também foi um aviso da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, que diz um destacado anticristo: "A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda sorte de enganadores portentos, sinais e prodígios." 2 Ts 2,9

    Apesar da ousadia de insurgir-se em combate contra o próprio Deus, porém, não resta dúvida que o poder do inimigo não prosperará, como as visões do Livro de Apocalipse de São João atestam. Ele diz de poderosos tiranos e de um maligno império, que nos últimos tempos se reunirão: "Os dez chifres que viste são dez reis que ainda não receberam o reino, mas que por um momento receberão poder real, como também a besta. Eles têm o mesmo pensamento: transmitir à besta sua força e seu poder. Combaterão contra o Cordeiro, mas o Cordeiro vencê-los-á, porque é Senhor dos senhores e Rei dos reis." Ap 17,12-14a

    Até lá, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios assim descreve o poder de Cristo que age pela Igreja Católica, que é Seu Reino de Sacerdotes, citando três de altas ordens de anjos caídos: "Depois virá o fim, quando (Jesus) entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. Porque é necessário que Ele reine, até que ponha todos inimigos debaixo de Seus pés. O último inimigo a derrotar será a morte, porque Deus tudo sujeitou debaixo de Seus pés. E quando tudo Lhe estiver sujeito, então o próprio Filho também renderá homenagem Àquele que Lhe sujeitou todas coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos." 1 Cor 15,24.26-28

    Ora, fazendo lembrar as trombetas que derrubaram as muralhas de Jericó (cf. Js 6,20), a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios assevera: "Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações. Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo." 2 Cor 10,4-5

    Quanto aos Santos cujas almas estão nos Céus, por alcançarem a santidade, aqueles que são a verdadeira face da Igreja Católica Apostólica Romana, Jesus prometeu-lhes grande poder ainda sobre este mundo: "Então ao vencedor, àquele que praticar Minhas obras até o fim, lhe darei poder sobre as pagãs nações. Ele regê-las-á com cetro de ferro, como se quebra um vaso de argila, assim como Eu mesmo recebi o poder de Meu Pai. E dá-lhe-ei a Estrela da Manhã." Ap 2,26-28