Dentre tantos outros aperfeiçoamentos de vida espiritual, promovidos por Jesus, quantidade e qualidade de ensinamentos que só podem ser explicadas por Sua divina natureza, reconhece-se que Ele também aprimorou a fé por trazê-la para o campo de concretas atitudes. Para começar, mesmo sendo Deus, Ele viveu, anunciou o amor e morreu como mero ser humano. O Evangelho Segundo São João testemunhou logo nas primeiras linhas: "E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós." Jo 1,14
À multidão de seguidores, durante o Sermão da Montanha, também ensinou essa postura perante o mundo. Que materializasse o Céu, entregando-se à evangélica pobreza e tudo confiando à Divina Providência: "Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, Vosso Pai Celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas estas coisas sê-vos-ão dadas em acréscimo." Mt 6,31-33
Noutra passagem, em mais uma magistral síntese do que representavam as Escrituras até então, Ele anunciou a chamada 'lei de ouro', e mais uma vez falava apenas de atitudes, não de fé: "Tudo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a Lei e os Profetas." Mt 7,12
Na parábola do bom samaritano, quando atribuiu um bom exemplo justamente ao povo mais menosprezado pelos judeus, Jesus questionou um doutor da Lei, levando-o a deduzir a excelência da compaixão, e recomendou sua prática, como se lê no Evangelho Segundo São Lucas: "'Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?' Respondeu o doutor: 'Aquele que usou de Misericórdia para com ele.' Então Jesus lhe disse: 'Vai, e faze o mesmo.'" Lc 10,36-37
E ao tratar de leis religiosas, na leitura do Evangelho segundo São Marcos, Ele coloca o cuidar do ser humano em primeiro lugar, como quando defendeu os Apóstolos que debulhavam espigas de trigo pelo caminho, por não terem o que comer: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado..." Mc 2,27
A Santa Missa, portanto, não é um encontro de 'puritanos' ou outros arrogantes, mas de arrependidos pecadores que em mútuo acolhimento revivem e atualizam o Sacrifício Pascal. Ele disse: "Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos. Não vim chamar os justos, mas os pecadores." Mc 2,17
