sábado, 22 de novembro de 2025

A Paciência de Cristo

    O resgate de nossas almas não foi um acontecimento qualquer. Conforme a Primeira Carta de São Pedro, nossa pecaminosidade e teimosia custou muito caro: "Porque vós sabeis que não é por perecíveis bens, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados de vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso Sangue de Cristo..." 1 Pd 1,18

    Ele abertamente reafirma o Sacrifício do Cristo aos Sacerdotes da Igreja, para que jamais seja menosprezado: "Eis a exortação que dirijo aos anciãos que entre vós estão. Porque como eles sou ancião, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo..." 1 Pd 5,1

    Pois em Seu sofrer, que era absolutamente humano, Jesus aprendeu e ensinou que com obediência devemos aceitar os desígnios de Deus, em especial os mais difíceis. Os seguidores da tradição de São Paulo revelam na Carta aos Hebreus, citando o Livro de Salmos: "Assim também Cristo não atribuiu a Si mesmo a Glória de ser Pontífice. Esta foi-Lhe dada por Aquele que Lhe disse: 'Tu és Meu Filho, hoje Te gerei (Sl 2,7).' Nos dias de Sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, Àquele que podia salvá-Lo da morte, e foi atendido por Sua Misericórdia. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve." Hb 5,5.7-8

    De fato, em profundidade Ele experimentou a condição humana, especialmente enquanto agonizava na Cruz do monte Calvário, dando voz a um clamor do rei Davi, na leitura do Evangelho Segundo São Marcos: "E à hora nona Jesus bradou em alta voz: 'Elói, Elói, lammá sabactáni?', que quer dizer: 'Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste (Sl 21,2)?'" Mc 15,34

    Diante destes fatos, a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses reza: "Quanto a vós, temos plena certeza no Senhor de que estareis cumprindo e continuareis a cumprir o que vos prescrevemos. Que o Senhor dirija vossos corações para o amor de Deus e para a paciência de Cristo." 2 Ts 3,4-5

    Pois as divinas dádivas operam muito mais que melhoras na terrena vida. É muito maior, como a Carta de São Paulo aos Romanos diz: "... o dom de Deus é a Vida Eterna em Cristo Jesus, Nosso Senhor." Rm 6,23

    Tudo isso, portanto, encerra-se no grande plano do Pai, de trazer-nos à divina filiação que é efetuada pelo Espírito Santo (cf. Rm 8,15). A Carta de São Paulo aos Efésios apontou: "Em Seu amor, predestinou-nos a sermos adotados como Seus filhos por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua livre vontade..." Ef 1,5

    Tocado por tanta benevolência, e absolutamente convicto da nossa vitória pela Redenção oferecida por Jesus, este Apóstolo pergunta: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? ... nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, Nosso Senhor." Rm 8,35.39

    Não estamos, pois, nem sozinhos nem ao sabor de uma vida sem sentido. Cristo é uma grande prova do amor de Deus e de Seus cuidados para conosco, como ele diz aos cristãos da cidade de Éfeso: "Mas Deus, que é rico em Misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a Vida junto a Cristo. É por Graça que fostes salvos! Junto a Ele, ressuscitou-nos e fez-nos sentar nos Céus, com Cristo Jesus. Ele assim demonstrou pelos futuros séculos a imensidão das riquezas de Sua Graça, pela bondade que tem para conosco, em Jesus Cristo." Ef 2,4-7

    Pregam, pois, os discípulos de São Paulo: "Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, Ele também participou a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o Demônio, e libertar aqueles que, por medo da morte, toda vida estavam sujeitos a uma verdadeira escravidão. Veio em socorro, não dos anjos, mas sim da raça de Abraão, e por isso convinha que em tudo Se tornasse semelhante a Seus irmãos, para ser um Compassivo e Fiel Pontífice no serviço de Deus, capaz de expiar os pecados do povo. De fato, por ter Ele mesmo suportado tribulações, está em condição de vir em auxílio dos que são atribulados." Hb 2,14-18