Os milagres realizados por Jesus foram tão verazes e evidentes que, aparentemente, ocorreriam até mesmo sem Sua ciência, como que por mera propriedade de Sua natureza divina. Por Sua Onisciência, porém, Ele muito bem sabia o que estava acontecendo, e consentia nessas Graças. Mas, no caso da mulher hemorroíssa, esperando que ela testemunhasse a Graça alcançada, Nosso Senhor quis ver quem O havia tocado, não escondendo que d'Ele saía 'uma força' quando operava milagres. Deu-se na cidade de Cafarnaum, na leitura do Evangelho Segundo São Lucas: "Jesus replicou: 'Alguém tocou-Me, porque percebi que de Mim saiu uma força!' A mulher viu-se descoberta e foi tremendo, e prostrou-se a Seus pés. E declarou diante de todo povo o motivo porque O havia tocado, e como logo ficara curada. Jesus disse-lhe: 'Minha filha, tua fé te salvou. Vai em Paz.'" Lc 8,46-48
Mas essa mulher não foi a única que tentou alcançar uma Graça dessa maneira. O Amado Médico já havia registrado gente até de outra nação, ainda em Galileia, logo após Ele ter escolhido os Doze Apóstolos: "Descendo com eles, parou numa planície. Aí se achava um grande número de Seus discípulos e uma grande multidão de pessoas vindas de Judeia, de Jerusalém, da região marítima, de Tiro e Sidônia, que tinham vindo para O ouvir e ser curadas de suas enfermidades. E aqueles que eram atormentados dos imundos espíritos ficavam livres. Todo povo procurava tocá-Lo, pois d'Ele saía uma força que a todos curava." Lc 6,19
Assim se explica porque Ele era seguido por multidões desde o início de Sua vida pública, como o Evangelho Segundo São Mateus atesta: "Jesus percorria toda Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas doenças e enfermidades entre o povo. Sua fama espalhou-se por toda Síria: traziam-lhe os acometidos de diversas doenças, atormentados por enfermidades, os possessos, os lunáticos, os paralíticos. E Ele a todos curava. Grandes multidões acompanharam-no de Galileia, da Decápole, de Jerusalém, de Judeia e das nações do outro lado do Jordão." Mt 4,23-25
Isso teve início ainda em Cafarnaum, para onde foi após deixar Nazaré (cf. Mt 4,13), à frente da casa de São Pedro: "Pela tarde, apresentaram-Lhe muitos possessos de demônios. Com uma palavra Ele expulsou os espíritos, e curou todos enfermos." Mt 8,16
E quando daí partiu seguindo Sua Missão, pouco depois já não podia entrar nas cidades nem vilas. Isso deu-se após a cura de um leproso, no Evangelho Segundo São Marcos: "Este homem, porém, logo que se foi, começou a propagar e divulgar o acontecido, de modo que publicamente Jesus não podia entrar numa cidade. Conservava-Se fora, em despovoados lugares, e de toda parte vinham ter com Ele." Mc 1,40-45
Mas para os líderes religiosos, a situação estaria fugindo ao controle depois da ressurreição de São Lázaro, que se deu ali tão perto da Cidade Santa, na vila de Betânia. Temiam que os romanos vissem em Jesus o início de uma rebelião, da qual eles seriam cúmplices. E mais uma vez eram os milagres de Jesus que incendiavam a multidão: "Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram n'Ele. Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: 'Que faremos? Esse homem multiplica os milagres. Se O deixarmos proceder assim, todos crerão n'Ele, e os romanos virão e arruinarão nossa cidade e toda nação.'" Jo 11,45.47-48
