quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A Encarnação de Cristo (II)

    A Encarnação de Cristo assim foi descrita no Evangelho Segundo São João: "E o Verbo fez-Se Carne, e habitou entre nós. E vimos Sua Glória, a Glória que o Único Filho recebe de Seu Pai, cheio de Graça e de Verdade." Jo 1,14

    Como se vê, o Verbo, ou seja, a Palavra de Deus, é o próprio Jesus. E o mistério da Comunhão da Santíssima Trindade, a seguir mencionados apenas o Pai e o Filho, existe 'desde o início dos tempos'. Ele descreveu-o, na medida de nossas limitações, logo nas primeiras linhas: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto a Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito." Jo 1,1.3

    Seu Nascimento, portanto, era o pleno cumprimento de mais uma profecia, pois Maria Santíssima era da tribo do rei Davi. A Carta de São Paulo aos Romanos diz: "Este Evangelho outrora prometera Deus por Seus Profetas, na Sagrada Escritura, acerca de Seu Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor, descendente de Davi quanto à Carne..." Rm 1,2-3

    E ainda que São José não fosse Seu pai biológico, igualmente tinha essa ascendência. É registro do Evangelho Segundo São Lucas: "José também subiu de Galileia, da cidade de Nazaré, a Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi... " Lc 2,4

    Entretanto, do povo escolhido por Deus para ser mensageiro da Salvação, muitos não acolheram Cristo, talvez por ser 'humano demais', ou ainda, haveria 'dois deuses'? Imaginemos então o problema da compreensão da Terceira Pessoa, o Espírito Santo? Mas, quanto ao Jesus Humano, Deus não nos fez a Sua imagem e semelhança? São João Evangelista testemunhou: "Estava no mundo e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O reconheceu. Veio para o que era Seu, mas os Seus não O receberam. Mas a todos aqueles que O receberam, aos que creem em Seu Nome, deu-lhes o poder de tornarem-se filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus." Jo 1,10-13

    Os imundos espíritos, contudo, prontamente reconheciam-nO e tentavam revelar Sua identidade, como se viu em Cafarnaum, á frente da casa de São Pedro: "De muitos saíam demônios, dizendo aos gritos: 'Tu és o Filho de Deus.' Mas Ele severamente repreendia-os, não lhes permitindo falar, porque sabiam que Ele era o Cristo." Lc 4,4

    O povo de Jerusalém, vendo Seus milagres e como Ele deixava sem palavras os religiosos, também começou a desconfiar de Sua verdadeira identidade. Foi durante a Festa das Tendas: "Algumas das pessoas de Jerusalém diziam: 'Não é Este Aquele a Quem procuram tirar a vida? Todavia, ei-Lo que fala em público e não Lhe dizem coisa alguma. Porventura reconheceram as autoridades que Ele é o Cristo?'" Jo 7,26

    Outros, entretanto, mesmo atestando Suas obras, ficavam em dúvida: "Muitos do povo, porém, creram n'Ele e perguntavam: 'Quando vier o Cristo, fará mais milagres que Este faz?'" Jo 7,31

    Entretanto, a maioria dos religiosos de Jerusalém continuavam vacilantes, mesmo em Sua última Festa da Dedicação, quando O abordaram no Templo: "Os judeus rodearam-nO e perguntaram-Lhe: 'Até quando nos deixarás na incerteza? Se Tu és o Cristo, dize-nos claramente.'" Jo 10,24

    Sua Revelação, porém, tinha que ser completa, e, em Sua última Páscoa em Jerusalém, Ele mesmo começou a interrogar os fariseus sobre o Messias: "Que pensais vós do Cristo?" Mt 22,42

    Mas já havia perguntado aos Apóstolos o que eles pensavam sobre Sua Pessoa, seis dias antes de Sua Transfiguração (cf. Mt 17,1): "E vós, quem dizeis que Eu sou?" Lc 9,20a

    E São Pedro, sempre o primeiro (cf. Mt 10,2) e inspirado por Deus Pai (cf. Mt 16,17), respondeu: "O Cristo de Deus." Lc 9,20b

    A Verdade é que, para melhor interpretação dos fatos e das Escrituras, acolher Sua Revelação essencialmente passa pela Vontade de Deus, como Nosso Senhor mesmo ensinou na sinagoga de Cafarnaum, dias depois de multiplicar pães e peixes: "Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, não o atrair." Jo 6,44