sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Cultuar o Amor a Deus

     Numa reveladora e grandiosa reapreciação do amor humano, Jesus coloca o 'amar ao próximo', do Livro de Levítico, como Mandamento semelhante ao 'amar a Deus', do Livro de Deuteronômio. Aliás, Mandamento esse que, mais que  em Deus, pede que nós O amemos. É do Evangelho Segundo São Mateus, quando Ele pregava em Jerusalém depois do Domingo de Ramos: "'Amarás o Senhor Teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu entendimento (Dt 6,5).' Este é o maior e o primeiro Mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: 'Amarás a teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).'" Mt 22,37-39

    Exigia, pois, e desde o início de Sua vida pública, absoluta fidelidade às Escrituras, advertindo para o risco do mais longo período no Purgatório, como exortou ainda no Sermão da Montanha: "Pois, em Verdade, vos digo: passará o céu e a Terra antes que desapareça um jota, um traço da Lei. Aquele que violar um destes Mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será declarado o menor no Reino dos Céus. Mas aquele que os guardar e ensinar, será declarado grande no Reino dos Céus." Mt 5,18-19

    E questionava a insensatez, dirigindo-Se às primeiras multidões a segui-Lo, no Evangelho Segundo São Lucas: "Por que Me chamais: 'Senhor, Senhor...' e não fazeis o que digo?" Lc 6,46

    No Evangelho Segundo São João, literalmente disse na noite em que ia ser entregue: "Se alguém Me ama, guardará Minha Palavra e Meu Pai amá-lo-á. E Nós viremos a ele e nele faremos Nossa morada." Jo 14,23b

    E assim os encarregou antes de partirem para o Horto das Oliveiras, onde iniciaria Sua Paixão: "O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai Me ordenou." Jo 14,31a

    Ora, em Sua relação com o Pai, Ele mesmo dava exemplo: "Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor, como Eu também guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto em Seu amor." Jo 15,10

    E ao invés de uma profusão de nomes que se atribui a Deus, Ele chamava-O de Pai, como frequentemente visto. Ele disse a Santa Maria Madalena após ressuscitar, mandando um recado aos Apóstolos: "Subo a Meu Pai e Vosso Pai..." Jo 20,17

    Igualmente fez-nos crer que somos capazes de amar tanto quanto Ele mesmo, isto é, quanto o próprio Deus: "Como Eu vos tenho amado, assim vós também deveis amar-vos uns aos outros." Jo 13,34

    E fê-lo mesmo em ligeira relativização de Sua própria manifestação, pois, para além de crer em Sua Pessoa, Ele determinou que nós nos amássemos. Foi logo após a Santa Ceia: "Este é Meu Mandamento: amai-vos uns aos outros..." Jo 15,12

    Contudo, como visto, deixou Seu amor como parâmetro: "... como Eu vos amei." Idem

    E em seguida, mencionando a caridade espiritual, Ele especialmente exalta os que doam suas vidas em nome do Reino de Deus, exemplo que Ele mesmo daria de inesquecível modo por Seu Sacrifício: "Ninguém tem maior amor que Aquele que dá Sua vida por Seus amigos." Jo 15,13

    A Primeira Carta de São João mostra que ele bem entendeu esse ensinamento: "Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu Sua vida por nós. Nós também devemos dar nossa vida por nossos irmãos." 1 Jo 3,16

    Ora, a verdadeira autoridade da Igreja Católica Apostólica Romana está em fazer-se serva de todos, como Ele disse aos Doze em Seus últimos ensinamentos: "Os reis dos pagãos dominam como senhores, e os que sobre eles exercem autoridade chamam-se benfeitores. Que não seja assim entre vós. Mas o que entre vós é o maior, torne-se como o último. E o que governa, seja como o servo." Lc 22,25-26

    E a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios assim falou da 'arrogante caridade': "Ainda que distribuísse todos meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada valeria!" 1 Cor 13,3