sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Santo Estevão

 

    Nosso protomártir, ou seja, o primeiro mártir, termo que deu origem a palavra testemunho, Santo Estevão era um dos sete primeiros diáconos, escolhido para trabalhar em serviços de auxílio da administração da Santa Igreja Católica. Mais especificamente, para partilhar o Pão entre as viúvas de origem grega, que estavam sendo preteridas, e assim os Apóstolos ficavam mais disponíveis para celebrar e catequizar, como alegaram durante o debate que levou a instituí-los, no Livro de Atos dos Apóstolos: "Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: 'Não é razoável que abandonemos a Palavra de Deus, para administrar. Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de Sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício. Nós atenderemos sem cessar à oração e ao Ministério da Palavra." At 6,2-4

    E assim foi feita a indicação e a ordenação deles, quando o nome de nosso Santo é citado pela primeira vez: "Esse parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estêvão, homem cheio de e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos." At 6,5-6

    Mas nosso diácono acabou por destacar-se exatamente no carisma da catequese, como inspirado evangelizador. Suas prédicas eram irresistíveis, e muitos judeus converteram-se ao ouvi-lo. Desconcertados, alguns helenistas, judeus de origem grega, até tentavam debater com ele: "Mas alguns da sinagoga, chamada dos Libertos, dos cirenenses, dos alexandrinos e dos que eram da Cilícia e da Ásia, levantaram-se para disputar com ele. Não podiam, porém, resistir à Sabedoria e ao Espírito que o inspirava." At 6,9-10

    Ademais, por ele Deus operava maravilhas: "Estêvão, cheio de Graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo." At 6,8

    E como no 'julgamento' de Jesus (cf. Mt 26,60), arrolaram pessoas para levantar falsos testemunhos, grave pecado condenado nos Dez Mandamentos (cf. Êx 20,16), que foram pagas para o incriminar e o levar ao Sinédrio, o conselho dos judeus que ficava no Templo de Jerusalém: "Então subornaram alguns indivíduos para que dissessem que o tinham ouvido proferir palavras de blasfêmia contra Moisés e contra Deus. Assim amotinaram o povo, os anciãos e os escribas e, investindo contra ele, agarraram-no e levaram-no ao Grande Conselho. Apresentaram falsas testemunhas que diziam: 'Este homem não cessa de proferir palavras contra o Santo Lugar e contra a Lei. Nós ouvimo-lo dizer que Jesus de Nazaré há de destruir este Lugar e há de mudar as tradições que Moisés nos legou.'" At 6,11-14

    Nosso Santo, porém, dava claros sinais da pureza de seu coração: "N'ele fixando os olhos, todos membros do Grande Conselho viram seu rosto semelhante ao de um anjo." At 6,15

    Santo Estevão vai fazer uma belíssima explanação do Antigo Testamento. E ele, que estava ali para ser julgado, é quem vai condenar o sumo sacerdote e os principais dos judeus por rebelarem-se contra o Espírito de Deus, na violenta execução a que levaram Jesus e na perseguição que continuavam contra a Igreja Católica: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam vossos pais, também procedeis vós! A qual dos Profetas vossos pais não perseguiram? Mataram aqueles que prediziam a Vinda do Justo, do Qual agora vós tendes sido traidores e homicidas! Vós que recebestes a Lei pelo ministério dos anjos, e não a guardastes..." At 7,51-53

    A reação do Sinédrio, então, foi furiosa: "Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e contra ele rangiam os dentes. Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o Céu e viu a Glória de Deus, e Jesus de pé, à direita de Deus: 'Eis que vejo, disse ele, os Céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus.'" At 7,54-56

    E lançaram mão da mais extrema punição, depositando seus mantos junto àquele que viria a ser São Paulo: "Levantaram, então, um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos atiraram-se furiosos contra ele. Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo." At 7,58

    Santo Estevão, no entanto, tinha virtude da fortaleza, e em seus últimos momentos não hesitou em seguir Jesus em Seu Sacrifício e palavras, entregando-se, porém, a Ele mesmo, não ao Pai, o que é mais uma prova da divindade de Jesus: "E apedrejavam Estêvão, que rezava e dizia: 'Senhor Jesus, recebe meu espírito.' Posto de joelhos, exclamou em alta voz: 'Senhor, não lhes leves em conta este pecado...' A estas palavras, expirou." At 7,59-60