Para verdadeiramente nos aproximarmos de Deus, Jesus atestou e pediu aos Apóstolos após a Santa Ceia, no Evangelho Segundo São João: "Vós credes em Deus. Crede também em Mim!" Jo 14,1b
E pouco depois disse da Missão do Espirito Santo: "E quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da Justiça e do Juízo. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em Mim." Jo 16,8-9
Ora, o Livro de Sabedoria já afirmava, em oração, o socorro do Divino Paráclito para que pudéssemos assimilar os desígnios do Pai: "E quem conhece Vossas intenções, se Vós não lhe dais a Sabedoria, e se do mais alto dos Céus Vós não lhe enviais Vosso Espírito Santo?" Sb 9,17
E designando por Deus a Santíssima Trindade, a Carta de São Paulo aos Colossenses reafirma que o discernimento espiritual só pode ser concedido por Ele mesmo: "... não cessamos de rezar por vós e pedir a Deus para que vos conceda pleno conhecimento de Sua vontade, perfeita Sabedoria e percepção espiritual, para que vos comporteis de maneira digna do Senhor, procurando agradar-Lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus." Cl 1,9-10
Com efeito, em primeiríssimas linhas a Segunda Carta de São Pedro diz que a fé foi disseminada não só para que conhecêssemos o suficiente sobre Deus, mas para que também participássemos de Sua natureza Divina: "Simão Pedro, servo e Apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, pela justiça do Nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo, alcançaram por partilha uma fé tão preciosa como a nossa, Graça e Paz sejam-vos dadas em abundância por um profundo conhecimento de Deus e de Jesus, Nosso Senhor! O divino poder deu-nos tudo que contribui para a Vida e a piedade, fazendo-nos conhecer Aquele que nos chamou por Sua Glória e Sua virtude. Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo." 2 Pd 1,1-3
E recomendava este luminoso exercício espiritual: "Por estes motivos, esforçai-vos o quanto possível por unir a vossa fé a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o fraterno amor, e ao fraterno amor a caridade. Se estas virtudes abundantemente se acharem em vós, não vos deixarão inativos nem infrutuosos no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo." 2 Pd 1,5-8
Portanto, se alguém bem conhece a Deus, é certo que isso se deu por obra e Graça do próprio Cristo, e assim pela Comunhão da Santíssima Trindade, como São João Apóstolo diz em início de seu Evangelho: "Ninguém jamais viu Deus. O Filho Único, que está no seio do Pai, foi Quem O revelou." Jo 1,18
Nosso Senhor, ademais, deixou esse testemunho sobre a eternidade, que é a realidade última de todas coisas, e necessariamente passa pela íntima experiência com o Pai e Consigo. Foi quando Ele rezou ao Pai a Oração da Unidade: "Ora, a Vida Eterna consiste em que conheçam a Ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste." Jo 17,3
Entretanto, na Carta aos Hebreus, os seguidores da tradição de São Paulo pontuam: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para achegar-se a Ele é necessário que primeiro se creia que Ele existe e recompensa aqueles que O procuram." Hb 11,6
E a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios explica: "Pois enquanto permanecemos nesta tenda (nossas carne), gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma nova veste por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela Vida. Aquele que nos formou para este destino é Deus mesmo, que por penhor nos deu Seu Espírito. Por isso, sempre estamos cheios de confiança. Sabemos que todo tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor. Andamos na fé e não na visão." 2 Cor 5,4-7
