Como reação do mundo imerso em pecado, o Nascimento de Jesus provocou grandes manifestações de ira desde os primeiros momentos. No Livro de Apocalipse de São João, vemos que foi concedido a este Apóstolo, por visões, constatar este delicado momento, obra do próprio Demônio contra Nossa Senhora e o Menino Jesus: "Depois apareceu outro sinal no Céu: um grande e vermelho Dragão, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Com sua cauda varria uma terça parte das estrelas do céu, e atirou-as à Terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o Filho." Ap 12,3-4
Sem dúvida, o Advento revelou o que há nos corações como Simeão tinha previsto, o religioso de Jerusalém que esperava a Consolação de Israel. Ele disse a Maria Santíssima no dia da Apresentação do Menino Jesus no Templo, na leitura do Evangelho Segundo São Lucas: "Eis que este Menino está destinado a ser causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações." Lc 2,34-35
Jesus realmente apresentou-Se como essencial a qualquer ser humano, ou seja, como Deus, pois disse aos Apóstolos na noite em que ia ser entregue: "Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanecer em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto. Porque sem Mim nada podeis fazer." Jo 15,5
E o massacre dos Santos Inocentes de Belém, primeiríssimos mártires da Santa Igreja Católica, ainda que por nascer (cf. At 2,3), mostra aonde pode chegar a crueldade das más inclinações humanas que se recusam a acolher Cristo, como Ele mesmo denunciou em Jerusalém perante Nicodemos, um notável fariseu que reconheceu Sua Missão desde o início: "... a Luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas que a Luz, pois suas obras eram más." Jo 3,19
Ora, Herodes, o Grande, foi descrito por um historiador com essas palavras: "... um louco que assassinou sua própria família..." Refere-se ao fato d'ele ter mandado assassinar, por pura paranoia, dois filhos, um tio, a esposa, a sogra e dois sogros, atitudes que demonstram a plena plausibilidade do Massacre dos Inocentes que se deu na cidade de Belém, como veremos.
Mas a própria Paixão de Nosso Senhor e o significado da Santa Cruz não acenam de outra forma para os cristãos. A realidade que vivem os membros da Igreja é exatamente aquela narrada por São João Apóstolo, quando o Dragão percebeu que não poderia vencer Nossa Santíssima Mãe: "Este, então, irritou-se contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os Mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus." Ap 12,17
E essa tristíssima página da História do Catolicismo, a História dos Santos Inocentes, foi narrada no Evangelho segundo São Mateus, citando passagem do Livro do Profeta Jeremias. Aí ficou evidente que os Santos Reis tratavam Jesus como Deus, pois O adoraram: "Herodes, então, secretamente chamou os Magos e perguntou-lhes sobre a exata época em que o Astro lhes tinha aparecido. E enviando-os a Belém, disse-lhes: 'Ide e informai-vos bem a respeito do Menino. Quando O tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-Lo.' Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que a Estrela, que tinham visto no Oriente, lhes foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o Menino e ali parou. A aparição daquela Estrela encheu-os de profunda alegria. Entrando na casa, acharam o Menino com Maria, Sua mãe. Prostrando-se diante d'Ele, adoraram-nO. Depois, abrindo seus tesouros, como presentes Lhe ofereceram ouro, incenso e mirra. Avisados em sonhos para não tornarem a Herodes, voltaram a sua terra por outro caminho. Então vendo Herodes que tinha sido enganado pelos Magos, ficou muito irado, e em Belém e em seus arredores mandou massacrar todos meninos de dois anos para baixo, conforme o exato tempo que havia indagado dos Magos. Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo Profeta Jeremias: "Em Ramá ouviu-se uma voz, choro e grandes lamentos. É Raquel a chorar seus filhos! Não quer consolação, porque já não existem (Jr 31,15)!" Mt 2,7-12.16-18
