sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

O Evangelho da Reconciliação

    A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios diz do Ministério da Igreja: "Tudo isso vem de Deus, que Consigo nos reconciliou, por Cristo, e nos confiou o ministério desta reconciliação. Porque é Deus que, em Cristo, Consigo reconciliava o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação. Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em Nome de Cristo, e é Deus mesmo que vos exorta por nosso intermédio. Em Nome de Cristo, rogamo-vos: reconciliai-vos com Deus!" 2 Cor 5,18-20

    E eis como a Carta de São Paulo aos Efésios menciona o Evangelho: "Estejam, portanto, bem firmes: cingidos com o cinturão da Verdade, vestidos com a couraça da justiça, os pés calçados com o zelo para propagar o Evangelho da Paz..." Ef 6,14-15

    De fato, desde o Sermão da Montanha, Jesus mostrou o Caminho pedindo nossa iniciativa. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do Altar e lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta diante do Altar e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão. Só então vem fazer tua oferta." Mt 5,23-24

    No mesmo sentido, no Evangelho Segundo São JoãoNosso Salvador deu à Santa Igreja o poder para ministrar o Sacramento da Reconciliação: "Disse-lhes outra vez: 'A Paz esteja convosco! Como o Pai Me enviou, Eu envio a vós.' Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,21-23

    Por isso, a Carta de São Paulo aos Filipenses exige testemunho de vida de parte dos cristãos: "Cumpre, somente, que em vosso proceder vos mostreis dignos do Evangelho de Cristo." Fl 1,27a

    E a Carta de São Paulo aos Gálatas garante a origem da Palavra de Deus: "Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho por mim pregado nada tem de humano. Não o recebi nem o aprendi de homem algum, mas mediante uma revelação de Jesus Cristo." Gl 1,11

    Já a Primeira Carta que São Paulo aos Tessalonicenses afirma o poder que o Evangelho tem em si mesmo, como Divina Palavra que é: "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para vossa Salvação." 1 Ts 1,5

    Ele diz que no Evangelho se tem a Glória de Jesus, quer dizer, a própria personificação de Deus, e que só a sedução do inimigo pode evitar que a percebamos: "Se nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem, para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a Luz do Evangelho, onde resplandece a Glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que claramente transpareça que este extraordinário poder provém de Deus e não de nós." 2 Cor 4,3-4.7

    Ora, exaltando a preciosidade do Sangue de Jesus, a Carta de São Paulo aos Romanos atestou: "Se, quando ainda éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela Morte de Seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por Sua Vida. ... nós gloriamo-nos em Deus por Nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem desde agora temos recebido a reconciliação!" Rm 5,10-11

    Povos de todas nações, portanto, têm em Jesus a verdadeira oportunidade de reconciliar-se com Deus, como o Apóstolo dos Gentios diz: "Ele quis, assim, a partir do judeu e do pagão, criar em Si um só novo homem, estabelecendo a Paz. Quis reconciliá-los com Deus, ambos em um só Corpo, por meio da Cruz." Ef 2,15a-16b

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

O Pão da Vida Eterna

    Jesus disse aos judeus, no Evangelho segundo São João, depois de multiplicar pães e peixes: "Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão, que Eu hei de dar, é Minha Carne para a Salvação do mundo." Jo 6,51

    Contrapondo-Se ao maná (cf. Êx 16,14) comido pelos israelitas no deserto, Ele havia-lhes ensinado: "Em Verdade, em Verdade, digo-vos: Moisés não vos deu o Pão do Céu, mas Meu Pai é Quem vos dá o verdadeiro Pão do Céu. Porque o Pão de Deus é o Pão que desce do Céu e dá Vida ao mundo." Jo 6,32-33

    E na mesma ocasião disse que não há Vida Plena se não nos alimentarmos de Seu Corpo: "... se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53

    Para tanto, Ele instituiu a Eucaristia na Santa Ceia, na noite do início de Sua Paixão, como se lê no Evangelho segundo São Lucas: "Em seguida, tomou o pão e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de Mim.'" Lc 22,19

    E instou-nos a buscá-la: "Trabalhai não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois n'Ele Deus Pai imprimiu Seu sinal." Jo 6,27

    A multidão que havia comido dos pães e dos peixes multiplicados, bem entendeu Sua mensagem, pois pediu: "Senhor, dá-nos sempre deste Pão!" Jo 6,34

    E Ele respondeu: "Eu sou o Pão da Vida..." Jo 6,35

    Essa memória, portanto, como sinal de perfeito acolhimento do testemunho dos Apóstolos, foi muito bem preservada não só pelos Doze como por discípulos e seguidores desde o início, logo após o Pentecostes. Está no Livro dos Atos dos Apóstolos: "Eles perseveravam na Doutrina dos Apóstolos, na reunião em comum, na fração do Pão e nas orações." At 2,42

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, com propriedade, afirma que a Comunhão Eucarística é o principal fator da Unidade da Igreja: "Uma vez que há um único Pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só Corpo, porque todos nós comungamos do mesmo Pão." 1 Cor 10,17

    Por ela, ainda segundo ele, devemos reviver e atualizar o Sacrifício de Cristo: "Assim, todas vezes que comeis desse Pão e bebeis desse Cálice, lembrais a Morte do Senhor, até que Ele volte." 1 Cor 11,26

    Pois Ele é Nossa Páscoa, nossa passagem para a Jerusalém Celestial (cf. Ap 21,2), para a Vida Eterna: "Pois Nossa Páscoa, Cristo, foi imolada. Celebremos, pois, a festa, não com o velho fermento nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os Pães sem fermento, de pureza e de Verdade." 1 Cor 5,8

    Mas ele também adverte que não confundamos a Santa Eucaristia com qualquer outro rito: "Não podeis beber ao mesmo tempo o Cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da Mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes que Ele?" 1 Cor 10,21-22

    Não por acaso, no Pai Nosso, ainda que também Se referindo ao diário alimento, Nosso Salvador ensinou-nos a pedir ainda no Sermão da Montanha, de leitura no Evangelho segundo São Mateus: "O Pão Nosso de cada dia dai-nos hoje..." Mt 6,11

    Pois sobre o alimento propriamente dito, Ele já havia citado o Livro de Deuteronômio, quando por Satanás foi tentado no deserto: "Está escrito: 'Não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra de Deus (Dt 8,3).'" Lc 4,4

    E a entrada dos eleitos na Vida Eterna terá a festividade de um indizível banquete, como o Cordeiro de Deus ordenou no Livro do Apocalipse de São João: "Escreve: 'Felizes os convidados para a Ceia das Núpcias do Cordeiro.'" Ap 19,9

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

A Vaidade

    A vaidade, o orgulho ou a soberba foi o verdadeiro pecado original, quando Eva e Adão acharam que, comendo o fruto da árvore da ciência, poderiam saber por si mesmos o que é certo e errado, desprezando os Mandamentos de Deus. O Livro de Gênesis narra: "'Oh, não!', respondeu a Serpente, 'Vós não morrereis! Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão. E sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.'" Gn 3,4-5

    Por isso, foi tão preciso o conselho, no Livro de Tobias, que ele recebe seu pai Tobit: "Nunca permitas que o orgulho domine teu espírito ou tuas palavras, porque ele é a origem de todo mal." Tb 4,14

    Ela, contudo, tem várias outras formas de expressão, como Deus falou no Livro do Profeta Jeremias: "Eis o que diz o Senhor: 'Não se envaideça o sábio do saber, nem o forte de sua força, e não se orgulhe o rico da riqueza!'" Jr 9,22

    O Livro de Eclesiástico, por usa vez, sugere sugere a humildade do silêncio como modo de despertar os corações: "Ouve em silêncio, e tua modéstia provocará a benevolência." Eclo 32,9

    E com absoluta clareza, via as trevas como destino do impenitente: "Para o mal do orgulhoso não existe remédio, pois uma planta de pecado está enraizada nele, e ele não compreende." Eclo 3,30

    Ciente do perigo desse pecado, o Livro de Salmos pede a Deus: "Também preservai Vosso servo do orgulho. Não domine ele sobre mim, então serei íntegro e limpo de grave falta." Sl 18,14

    Por isso, o Livro do Profeta Isaías predisse contra toda jactância: "A pretensão dos mortais será humilhada, o orgulho dos homens será abatido." Is 2,17

    Ora, Jesus pregou a negação de si mesmo, convidando ao caminho da Cruz desde que foi identificado como Cristo por São Pedro. Está no Evangelho segundo São Mateus: "Se alguém quiser vir Comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-Me." Mt 16,24b

    Ele deixou esse ensinamento à Santa Igreja, no Evangelho segundo São Lucas: "Assim vós, depois de terdes feito tudo que vos foi ordenado, também dizei: 'Somos inúteis servos. Apenas fizemos o que devíamos fazer.'" Lc 17,10

    E referindo-Se à soberba disfarçada em forma de caridade, Nosso Salvador aconselhou a todos: "Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto a Vosso Pai que está no Céu." Mt 6,1

    Já a Carta de São Paulo aos Colossenses vê no apego a bens materiais a causa dessas ilusões: "Desencaminham-se estas pessoas em suas próprias visões, cheias do vão orgulho de seu materialista espírito..." Cl 2,18

    A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, em censura, fala do poder que o anúncio da Palavra de Deus lhe confere contra a arrogância: "Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo." 2 Cor 10,5

    Conhecedor das verdadeiras bênçãos, pois, a Carta de São Paulo aos Romanos pedia: "Em virtude da Graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior que convém, mas um razoavelmente modesto conceito, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu." Rm 12,3

    Na Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo, ele também se pronunciou sobre o exibicionismo feminino como vaidade, lembrando da autêntica religiosidade ao falar à comunidade cristã: "Do mesmo modo, quero que as mulheres usem honesto traje, ataviando-se com modéstia e sobriedade. Seus enfeites consistam não em primorosos penteados, ouro, pérolas, vestidos de luxo, e sim em boas obras, como convém a mulheres que professam a piedade." 1 Tm 2,9-10

    E revelou que a vaidade foi o pecado de Satanás: "... para não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a cair na mesma condenação que o Demônio." 1 Tm 3,6

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

O Mistério do Mal

    Como é bem sabido, mesmo em casos de deliberados castigos de Deus, nem só os maus padecem, como se viu quando Aarão conseguiu amenizar Sua cólera durante o Êxodo. O Livro de Sabedoria narrou: "Verdade é que a prova da morte também feriu os justos, e numerosos foram os que ela abateu no deserto." Sb 18,20a

    O sofrimento dos pobres, citado no Livro de Eclesiastes, também é fonte de desolação quando não se percebe a consolação de Deus: "Pus-me, então, a considerar todas opressões que se exercem debaixo do sol. Eis aqui as lágrimas dos oprimidos e não há ninguém para consolá-los. Seus opressores fazem-lhes violência, e não há ninguém para consolá-los." Ecl 4,1

    Assim como corriqueiras e mundanas injustiças: "Há outra vaidade que acontece na Terra: há justos, aos quais acontecem males como se tivessem praticado as obras dos ímpios, e há ímpios aos quais tudo corre bem, como se tivessem praticado as obras dos justos." Ecl 8,14a

    Por isso, o Livro do Profeta Isaías, contemplando a sofrida história de Israel, vai interrogar Deus: "Como nos deixastes andar longe de Vossos caminhos e endurecestes nossos corações para não termos temor a Vós?" Is 63,17a

    No Livro de Jó, este homem conhecido por sua grande paciência, em seu emblemático sofrimento também se desesperou: "A Terra está entregue nas mãos dos maus, e com um véu Ele cobre os olhos de Seus juízes. Se não é Deus Quem faz isso, quem é?" Jó 9,24

    Já um amigo seu, lembrando elementos da Criação, vai afirmar: "Pois o mal não sai do pó, e o sofrimento não brota da terra: é o homem quem causa o sofrimento como as faíscas voam no ar." Jó 5,6-7

    A Primeira Carta de São João também denuncia em nossas más inclinações a origem do mal: "Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas do mundo." 1 Jo 2,16

    Mas eis que a Carta de São Paulo aos Romanos diz: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm comparação alguma com a futura Glória, que deve ser-nos manifestada." Rm 8,18

    A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses esclarecidamente reconhece: "Porque o mistério da iniquidade já está em ação, apenas esperando o afastamento daquele que o detém." 2 Ts 2,7

    E a Carta de São Paulo aos Efésios recomenda: "Vigiai, pois, com cuidado sobre vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que ciosamente aproveitam o tempo, pois os dias são maus." Ef 5,15-16

    O Apóstolo dos Gentios afirma, contudo, que a Graça é muito maior que o mal, e sempre o transformará num bem incomparavelmente superior: "Mas onde abundou o pecado, superabundou a Graça. Assim como o pecado reinou para a morte, assim também reinaria a Graça pela justiça para a Vida Eterna, por meio de Jesus Cristo, Nosso Senhor." Rm 5,20-21

    Por isso, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios trata de exaltar os Sacramentos como mais importante parte na obra da Redenção: "E tudo isso se faz por vossa causa, para que a Graça se torne copiosa entre muitos e redunde o sentimento de gratidão, para Glória de Deus. É por isso que não desfalecemos. Ainda que vá arruinando-se nosso homem exterior, nosso interior renova-se de dia para dia. Nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, proporciona-nos um eterno peso de incomensurável Glória. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem. Pois as coisas que se vêem são temporais, e as que não se vêem são eternas." 2 Cor 4,15-17

    Enfim, no Evangelho Segundo São Mateus, o próprio Jesus deixou claro que cada dia haveria de ser enfrentado sem que nos desesperemos quanto a provações ou ao futuro: "Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá suas próprias preocupações. A cada dia basta seu mal." Mt 6,34

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Os Sete Pecados Capitais

    A Primeira Carta de São João apresenta as propensões que levam aos pecados em três grandes grupos: "Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas do mundo." 1 Jo 2,16

    E São Tomás de Aquino listou os mais graves pecados. O primeiro é o da vaidade, do orgulho ou da soberba, sobre o qual Jesus disse no Evangelho Segundo São Mateus: "E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fiam. Entretanto, Eu digo-vos que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Se Deus assim veste a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca ?" Mt 6,28-30

    A virtude que se opõe à vaidade é a humildade: "Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão, pois o operário merece seu sustento." Mt 10,9-10

    O segundo é o da inveja. E Jesus disse no Evangelho Segundo São Marcos: "Porque é do interior do coração dos homens que procedem as más intenções: ... cobiças... inveja... Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem." Mc 7,21-23

    A virtude que se opõe à inveja é a compaixão: "... porque tive fome e Me deste de comer; tive sede e Me deste de beber; era peregrino e Me acolheste; nu e Me vestiste; enfermo e Me visitaste; estava na prisão e viestes a Mim." Mt 25,35-36

    O terceiro é o da ira. Nosso Salvador ensinou no Sermão da Montanha: "Tendes ouvido o que foi dito: 'Olho por olho, dente por dente'. Eu, porém, digo-vos: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa." Mt 5,38-40

    A virtude que se opõe à ira é o amor: "Dou-vos um Novo Mandamento: amai-vos uns aos outros. Como Eu vos tenho amado, assim vós também deveis amar-vos uns aos outros. Este é Meu Mandamento..." Jo 13,34;15,12a

    O quarto é o da preguiça. E Jesus disse no Evangelho segundo São João: "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois n'Ele Deus Pai imprimiu Seu sinal." Jo 6,27

    A virtude que se opõe à preguiça é a perseverança: "Por acaso não fará Deus justiça a Seus escolhidos, que por Ele estão clamando dia e noite?" Lc 18,7

    O quinto é o da avareza. Jesus pregou: "Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam." Mt 6,19

    A virtude que se opõe à avareza é a piedade, no sentido de religiosidade: "Antes buscai o Reino de Deus e Sua justiça, e todas estas coisas sê-vos-ão dadas em acréscimo." Mt 6,33

    O sexto é o da gula. E Jesus exortou no Evangelho segundo São Lucas: "A vida vale mais que o alimento... Considerai os corvos: eles não semeiam, nem ceifam, nem têm despensa, nem celeiro. Entretanto, Deus alimenta-os. Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, não andeis com vãs preocupações. Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas estas coisas." Lc 12,23a.24a.29-30

    A virtude que se opõe à gula é a generosidade: "Mas, quando deres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. Serás feliz porque eles não têm com que te retribuir, e sê-te-á retribuído na ressurreição dos justos." Lc 14,13-14

    O sétimo é o da luxúria. Nosso Senhor disse: "Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: 'Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e os dois formarão uma só carne (Gn 2,24)'? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu." Mt 19,4-6

    A virtude que se opõe à luxúria é a castidade: "... há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda." Mt 19,12

domingo, 23 de fevereiro de 2025

"Deus é Luz"

    Como os Apóstolos fizeram nas primeiríssimas pregações, no Livro de Atos dos Apóstolos, São Paulo anunciava a Ressurreição de Jesus como ponto inicial da evangelização: "... Cristo havia de padecer e seria o primeiro que, pela Ressurreição dos Mortos, havia de anunciar a Luz ao povo judeu e aos pagãos." At 26,23

    É, de fato, a Palavra de Deus no Livro do do Profeta Isaías: "Povos, escutai bem! Nações, prestai-Me atenção! Pois é de Mim que emanará a doutrina e a verdadeira religião, que será a Luz dos povos. Não mais terás necessidade de sol nem de lua para iluminar-te: permanentemente terás por Luz o Senhor, e Teu Deus por resplendor." Is 51,4;60,19

    Por isso, lembrando a perdição que cresce no mundoa Carta de São Paulo aos Romanos convida: "A noite vai adiantada, e o dia vem chegando. Despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da Luz. Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia..." Rm 13,12-13

    E a Carta São Tiago fala sobre os carismas dados pelo Espírito de Deus: "Toda boa dádiva e todo perfeito dom vêm de cima: descem do Pai das luzes, no Qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade. Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia, e com mansidão recebei a Palavra em vós semeada, que pode salvar vossas almas. Sede cumpridores da Palavra e não apenas ouvintes, porque isso equivaleria a enganardes a vós mesmos." Tg 1,17.21-22

    A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios associa a Luz da Criação ao Evangelho, à face do Cristo: "Porque Deus que disse: 'Das trevas brilhe a luz', também é Aquele que fez brilhar Sua Luz em nossos corações, para que irradiássemos o conhecimento do esplendor de Deus, que se reflete na face de Cristo." 2 Cor 4,6

    Pois aqueles que resistem ao projeto da Salvação foram seduzidos pelo inimigo, ainda segundo o Apóstolo dos Gentios: "Se nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem, para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a Luz do Evangelho, onde resplandece a Glória de Cristo, que é a imagem de Deus." 2 Cor 4,3-4

    Assim a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses pede perseverança e sobriedade, advertindo seja do Juízo Final, seja do Juízo Particular: "Mas vós, irmãos, não estais em trevas, de modo que esse Dia vos surpreenda como um ladrão. Porque todos vós sois filhos da Luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais. Mas vigiemos e sejamos sóbrios. Porque os que 'dormem', 'dormem' de noite, e os que se embriagam, embriagam-se de noite. Nós, ao contrário, que somos do dia, sejamos sóbrios." 1 Ts 5,4-8

    E a Primeira Carta de São João, em concordância com São Paulo, diz que é permanecendo em Comunhão com a Santa Igreja que o Sangue de Cristo nos purifica: "A Boa Nova que d'Ele temos ouvido e vos anunciamos é esta: Deus é Luz e n'Ele não há treva alguma. Se dizemos ter Comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a Verdade. Se, porém, andamos na Luz como Ele mesmo está na Luz, temos Comunhão uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,5-7

    Para ele, grande teólogo e místico, a Luz de Deus é o próprio amor: "Todavia, agora vos escrevo um novo mandamento, verdadeiramente novo, n'Ele como em vós, porque as trevas passam e já resplandece a verdadeira Luz: aquele que diz estar na Luz, e odeia seu irmão, ainda jaz nas trevas. Quem ama seu irmão permanece na Luz e não se expõe a tropeçar. Mas quem odeia seu irmão, está nas trevas e anda nas trevas, sem saber para onde dirige os passos. As trevas cegaram seus olhos." 1 Jo 2,8-11

    Enfim, a Carta de São Paulo aos Efésios, citando o Profeta Isaías, fala dos frutos da Luz e pede que as obras das trevas sejam explicitamente condenadas: "Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes. Ora, o fruto da Luz é bondade, justiça e Verdade. Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas infrutíferas obras das trevas. Pelo contrário, abertamente condenai-as. Porque as coisas que tais homens ocultamente fazem até falar delas é vergonhoso. Mas tudo isto, ao ser reprovado, torna-se manifesto pela Luz. E tudo que se manifesta através da Luz, torna-se Luz. Por isto, a Escritura diz: 'Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo iluminá-te-á (Is 26,19;60,1)!'" Ef 5,8-14

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Os Filhos de Deus

    Está evidente que existe diferença entre os filhos de Deus e os filhos do mundo. Jesus assim explica a parábola do joio e do trigo, no Evangelho Segundo São Mateus: "O que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno. O inimigo, que o semeia, é o Demônio." Mt 13,37b-39a

    De fato, no Evangelho Segundo São João, Ele não deixou de denunciar os líderes religiosos de então: "Se Deus fosse vosso pai, vós amá-Me-íeis, porque Eu saí de Deus. Vós tendes como pai o Demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na Verdade, porque a Verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Quem é de Deus ouve as palavras de Deus, e se vós não as ouvis é porque não sois de Deus." Jo 8,42a.44.47

    E a Carta de São Paulo aos Romanos diz com todas letras quem realmente são os membros da Santa Igreja: "... pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,14

    Já a Carta de São Paulo aos Gálatas fala do penhor que é o Santo Paráclito: "A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Aba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E se és filho, então também és herdeiro de Deus." Gl 4,7

    Ora, Nosso Salvador falou do comportamento que nos faz filhos de Deus: "Tendes ouvido o que foi dito: 'Amarás teu próximo e poderás odiar teu inimigo.' Eu, porém, digo-vos: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos de Vosso Pai do Céu, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como Vosso Pai Celeste é perfeito." Mt 5,43-48

    E São João Evangelista definiu: "O Verbo era a verdadeira Luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e por Ele o mundo foi feito, e o mundo não O reconheceu. Mas a todos aqueles que O receberam, aos que creem em Seu Nome, deu-lhes o poder de tornarem-se filhos de Deus..." Jo 1,12

    A Primeira Carta de São João, ademais, vai falar de nossa condição para 'ver o Pai'. Ou seja, só após recuperarmos a divina semelhança, perdida por causa do pecado: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós somo-lo, de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não O conheceu. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando isso se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto O veremos como Ele é." 1 Jo 3,1-2

    Pois a Ressurreição para a Vida Eterna é uma exclusividade dos filhos de Deus, como Nosso Senhor ensinou no Evangelho segundo São Lucas: "Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento, mas aqueles que serão julgados dignos do futuro século e da Ressurreição dos mortos não terão mulher nem marido. Eles jamais poderão morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da Ressurreição." Lc 20,34-36

    Sem dúvida, no Sermão da Montanha Ele falava de uma futura condição: "Felizes os que promovem a Paz, porque serão chamados filhos de Deus." Mt 5,9

    Porque antes de conhecermos o Evangelho, somos apenas criaturas, não filhos. Jesus disse no Evangelho Segundo São Marcos: "Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. " Mc 16,15

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Jesus e o Pai Nosso

    A oração ensinada por Jesus, e rezada em todo mundo, é um flagrante da intimidade do Divino Mestre com o Pai Celeste, sempre em nosso favor. O Evangelho segundo São Mateus narrou o que seria o melhor 'retrato' de Jesus. Nosso Senhor disse: "Eis como deveis rezar:..." Mt 6,9

    Ao recitar "Pai Nosso, que estais no Céu...", desde o início usando o plural 'nosso', Jesus instituiu uma prece que, apesar de perfeita para a piedade pessoal, pois sempre devemos interceder pelos demais (cf. Mt 5,44), preferencialmente deve ser rezada em coletivo, para levar-nos à imprescindível Comunhão. Assim já afirmamos nosso semelhante como irmão, Deus como Pai e os Céus como morada, d'Ele e nossa, por sermos Seus filhos e pela certeza de que Ele jamais nos abandona (cf. 1 Sm 12,22).

    Em seguida, Ele faz recordar: "... santificado seja Vosso Nome..." Está ensinando que, mesmo quando rezamos, devemos santificar o Nome de Deus, pois o segundo dos Mandamentos diz que não podemos usá-Lo em vão (cf. Êx 20,7). O Nome de Deus, porém, por Si já é santo. Portanto, urge que nós o santifiquemos no dia-a-dia por nosso comportamento, uma vez que ousamos invocá-Lo como Pai.

    "... venha a nós Vosso Reino...": aqui assentimos que Deus reina, que queremos fazer parte de Seu Reino, e que ele venha o quanto antes para todos nós, sem discriminação nem egoísmo, ostensiva e definitivamente determinando o fim desse frágil e conflitante estado em que se encontra a humanidade.

    "... seja feita Vossa vontade, assim na Terra como nos Céus." Como verdadeiros filhos de Deus, voluntariamente aceitamos submeter-nos a Seus desígnios, e não Lhe impor os nossos, que no mínimo são imperfeitos. Para tanto, o principal exemplo é o próprio Jesus, que viveu a total submissão aos planos de Deus, mesmo que isto tenha significado a Cruz, e sob idênticas condições pedimos que Sua vontade imediatamente se cumpra aqui na Terra, como já acontece nos Céus (cf. Ap 4,8-11).

    Após os celestes assuntos, Nosso Senhor passa a enfocar os terrenos. "O Pão Nosso de cada dia dai-nos hoje...": de Sua modelar humildade, Ele insta-nos a pedir aquilo de que essencialmente precisamos, aqui simbolizado pelo alimento de cada dia, sem nenhuma gula nem ambição. Vale dizer: nada de ávido enriquecimento, ou seja, desmedida fartura, nem de falsa prudência, ou seja, abastado estoque, mas autêntica na Divina Providência. E como "Nem só de pão vive o homem (Dt 8,3)", nesse pedido também se expressa nossa diária carência do verdadeiro Pão da Vida, que é a Hóstia Consagrada, a Comunhão Eucarística, o Corpo e o Sangue de Cristo.

    No primeiro dos três últimos pedidos, Jesus segue pedindo não por Si mesmo, senão por nós, pois bem conhece nossas fraquezas. Ele ditou: "Perdoai nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..." Claramente exorta-nos a assumir que erramos e a pedir perdão. Aí deve ser lembrado o Sacramento da Confissão, também por Ele instituído (cf. Jo 20,23), que é uma obrigação para que se possa receber o Santíssimo Sacramento. Observe-se, ademais, que só podemos pedir um perdão proporcional ao que oferecemos a nossos irmãos! E se nada perdoamos, sequer podemos recitar esta oração: estaríamos mentindo ao rezar a Deus!

    No penúltimo pedido, Ele ensina-nos a solicitar ajuda contra as fraquezas da carne e da alma, pois devemos reconhecer-nos frequentemente expostos ao assédio do Mal: "... e não nos deixeis cair em tentação..."

    Contudo, caso venhamos a cair em tentação, em último pedido Ele recomenda clamar para que o Pai nos livre da completa dominação do inimigo: "... mas, livrai-nos do Mal."

    Como Jesus viveu e ensinou, portanto, ousemos chamar Deus de Pai e aceitar que 'Assim seja!', quer dizer, o "Amém!"

Os Obstáculos à Oração

    A Santa Igreja reconhece 4 obstáculos ao bem rezar. Jesus dizia da distração, no Evangelho segundo São Lucas: "Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus." Lc 9,62b

    Conforme o Evangelho segundo São Mateus, também ensinou: "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro." Mt 6,24a

    E mencionou as mundanas ilusões: "O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que bem ouviu a Palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas sufocam-na e tornam-na infrutuosa." Mt 13,22

    Eis que a Primeira Carta de São Pedro pedia prontidão, 'arregaçar as mangas': "Cingi, portanto, os rins de vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na Graça que vos será dada no Dia em que Jesus Cristo aparecer." 1 Pd 1,13

    Já a Carta de São Paulo aos Romanos exorta contra a aridez: "Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." Rm 12,11

    E a Carta de São Paulo aos Gálatas questiona: "Onde está agora aquele vosso entusiasmo? Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos." Gl 4,15a;6,9

    Jesus, pois, garantiu aos Apóstolos quando eles expulsaram maus espíritos pela primeira vez: "... alegrai-vos porque vossos nomes estão escritos nos Céus." Lc 10,20

    Ora, o Príncipe dos Apóstolos pedia, citando o Livro de Salmos: "Como recém-nascidas crianças, com ardor desejai o leite espiritual que vos fará crescer para a Salvação, se é que tendes saboreado quão suave o Senhor é (Sl 33,9)." 1 Pd 2,2-3

    Contra a preguiça, Nosso Salvador alertou os Apóstolos na noite de início de Sua Paixão, na leitura do Evangelho segundo São Marcos: "Vigiai e orai, para não cairdes em tentação!" Mc 14,38

    Porque disse que devemos resistir à negligência e ao pouco-caso: "Propôs-lhes Jesus uma parábola, para mostrar que sempre é necessário rezar sem jamais deixar de fazê-lo." Lc 18,1

    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo vai dizer: "Antes é preciso que o lavrador trabalhe com afinco, se quer boa colheita." 2 Tm 2,6

    Exortava, então, a Carta de São Paulo aos Efésios à plena caridade espiritual: "Intensificai vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no Qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos cristãos." Ef 6,18

    Quanto à pouca fé, Jesus admoestou logo depois do Domingo de Ramos: "Por isso, digo-vos: tudo que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e sê-vos-á dado." Mc 11,24

    Prometeu-nos, nesses dias, tudo que estivesse em Comunhão com os projetos do Pai: "Tudo que pedirdes com na oração, vós alcançá-lo-eis." Mt 21,22

    E dizia sobre as demais realizações espirituais: "Em Verdade, digo-vos: se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda..." Mt 17,20

    Os seguidores da tradição de São Paulo ensinam na Carta aos Hebreus: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para achegar-se a Ele primeiro é necessário que se creia que Ele existe, e que recompensa aqueles que O procuram." Hb 11,6

    O próprio Apóstolo dos Gentios, por fim, lembrou os imprescindíveis auxílios do Divino Paráclito: "Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza. Porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com inefáveis gemidos." Rm 8,26

    Pois Nosso Senhor afirmou que é pela perseverança que recebemos o Espírito de Deus: "Eu digo-vos: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, abrir-se-lhe-á. ... Vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo aos que LhO pedirem." Lc 11,9-10.13

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

O Sacramento da Confissão

    Chamado de Sacramento da Confissão, da Penitência ou da Reconciliação, o Livro de Eclesiástico já recomendava esse imprescindível exercício de : "Meu filho, aproveita-te do tempo, evita o Mal. Para o bem de tua alma, não te envergonhes de dizer a Verdade, pois há uma vergonha que conduz ao pecado e uma vergonha que atrai Glória e Graça. Não te mostres parcial, causando tua própria perdição, não mintas em prejuízo de tua alma. De nenhum modo contradigas a Verdade, envergonha-te da mentira cometida por ignorância. Não te envergonhes de confessar teus pecados, não te oponhas à correnteza do rio." Eclo 4,23-26.30-31

    E tão grande é sua importância que, logo ao iniciar Sua vida pública, essas foram as primeiras palavras de Jesus, e assim o primeiro Sacramento que Ele anunciou e exigiu. Está no Evangelho Segundo São Marcos: "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Fazei penitência e crede no Evangelho." Mc 1,15

    Com efeito, esse também foi o primeiro Sacramento ministrado pelos Apóstolos, quando foram enviados por Jesus na jornada que inaugurava seus ministérios: "Eles partiram e pregaram a penitência." Mc 6,12

    E durante as pregações de Jesus, eles também ministravam o batismo usado por São João Batista, isto é, exigindo prévia confissão de pecados. É leitura do Evangelho Segundo São João: "Em seguida, foi Jesus com Seus discípulos para os campos de Judeia e ali Se deteve com eles, e batizava. ... se bem que não era Jesus quem batizava, mas Seus discípulos..." Jo 3,22;4,2

    Pois Nosso Salvador constituiu Seus Sacerdotes para que redimissem os pecados da humanidade, e logo em Sua primeira aparição ao Colégio dos Apóstolos, após ressuscitar, como se lê no Evangelho segundo São João: "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos." Jo 20,22-23

    Ora, essa já era a prática de São João Batista, como dissemos. O Evangelho Segundo São Mateus anotou: "Pessoas de Jerusalém, de toda Judeia e de toda circunvizinhança do Jordão vinham a ele. Confessavam seus pecados e por ele eram batizados nas águas do Jordão." Mt 3,5-6

    No Livro de Atos dos Apóstolos, pois, vemos que São Paulo cumpria seu ministério: "Muitos dos que haviam acreditado vinham confessar e declarar suas obras." At 19,18

    A Segunda Carta de São Pedro explicou que essa é a razão da aparente inatividade de Deus, dizendo sobre o Juízo: "O Senhor não retarda o cumprimento de Sua promessa, como alguns pensam, mas usa de paciência para convosco. Não quer que alguém pereça. Ao contrário, quer que todos se arrependam." 2 Pd 3,9

    É por isso que a Carta de São Tiago recomenda essa salutar prática de piedade e humildade, e não só perante os padres. Ora, só falsos mestres ensinam que devemos 'confessar só a Deus.' "Confessai vossos pecados uns aos outros..." Tg 5,16

    E a Primeira Carta de São João garante: "Se confessarmos nossos pecados, Deus está aí, fiel e justo para perdoar-nos os pecados e para purificar-nos de toda iniquidade." 1 Jo 1,9

    Eis que, no Livro de Salmos, o rei Davi já cantava: "Enquanto me conservei calado, entre contínuos gemidos mirravam-se-me os ossos. Pois dia e noite Vossa mão pesava sobre mim, esgotavam-se-me as forças como nos ardores do verão. Então Vos confessei meu pecado, e não mais dissimulei minha culpa. Disse: 'Sim, vou confessar ao Senhor minha iniquidade.' E Vós perdoastes a pena de meu pecado." Sl 31,3-5

    E o Livro de Provérbios atestam: "Quem dissimula suas faltas, não há de prosperar. Quem as confessa e as detesta, obtém Misericórdia." Pr 28,13

    Com efeito, o povo de Israel adotou esse ritual desde a fundação do judaísmo, como foi exigido daqueles que se casavam com estrangeiras, no Livro de Neemias: "No vigésimo quarto dia do mesmo mês, vestidos de sacos e com a cabeça coberta de pó, os israelitas reuniram-se para um jejum. Os que eram de origem israelita estavam separados de todos estrangeiros, e apresentaram-se para confessar seus pecados e as iniquidades de seus pais." Ne 9,1-2

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Sem a Fé, a Desolação

    Quando profetiza a morte de Cristo, o Livro do Profeta Zacarias, falando por Deus Pai, diz não só de Seu sofrimento, sem dúvida imerecido, bem como do de Seus humildes seguidores. É o mistério do Mal: "Espada, levanta-te contra Meu Pastor, contra Meu Companheiro! - Oráculo do Senhor dos Exércitos. Fere o Pastor! Que as ovelhas sejam dispersas! Voltarei Minha mão até mesmo contra os pequenos." Zc 13,7

    Mas o exagerado uso da razão, e assim a rejeição dos sussurros da fé, podem cegar, como o sagrado autor do Livro de Eclesiastes constata: "Porque, no acúmulo de sabedoria, se acumula tristeza, e se aumenta a ciência, aumenta a dor." Ecl 1,18

    E assim a fatidicamente acaba por desaparecer, pois ao tempo do Eclesiastes a Ressurreição e a Vida Eterna ainda não eram consolidadas revelações, prevalecendo a sensação de que tudo se encerrava mesmo neste mundo: "... todos estão à mercê das circunstâncias e da sorte." Ecl 9,11

    Ora, no Livro de Jó, este homem conhecido por sua grande paciência abertamente questiona Deus, como que desconhecendo Seus poderes, porque, de fato, padecia de muitos males: "Em lugar de condenar-me, direi a Deus: 'Mostrai-me porque razão me tratais assim. Encontrais prazer em oprimir, em renegar a obra de Vossas mãos? Em favorecer os planos dos maus? Orgulhoso como um leão, Vós me caçais! Multiplicais proezas contra mim..." Jó 10,2-3.16

    Mas um amigo seu adverte que os desígnios do Criador nem sempre são tão fáceis de compreender: "Oh! Se Deus te falasse, e abrisse Seus lábios para responder-te, revelar-te os mistérios da Sabedoria que são ambíguos para nosso espírito..." Jó 11,5-6

    No Livro do Profeta Habacuc também vemos questionamentos a Deus, quando o povo de Israel estava para ser esmagado pela Babilônia: "Não sois Vós, Senhor, desde o princípio, Meu Deus, Meu Santo, o Imortal? Ó Senhor, Vós destinastes este povo para fazer justiça? Ó Rochedo, Vós designaste-lo para aplicar castigos? Vossos olhos são por demais puros para verem o mal, não podeis contemplar o sofrimento. Por que olharíeis os ímpios e Vos calaríeis, enquanto o malvado devora o justo?" Hab 1,12-13

    Contudo, mais uma vez Deus não explicou Seus desígnios, e apenas enunciou a frase que em vários dos Sagrados Livros ecoaria: "Eis que sucumbe o que não tem íntegra alma, mas o justo viverá pela fé." Hab 2,4

    De fato, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios descarta por completo qualquer sabedoria desprovida da inspiração de Deus: "... para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Pregamos a Sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para nossa Glória." 1 Cor 2,5.7

    E a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios arremata: "Andamos na , e não na visão." 2 Cor 5,7

    Como já era prisioneiro, e por ser um legítimo Sacerdote, pela fé dos cristãos ele dispõe-se ao martírio, como está na Carta de São Paulo aos Efésios: "Ainda que tenha de derramar meu sangue sobre o sacrifício em homenagem à vossa fé, eu alegro-me e felicito-vos." Ef 2,17

    Na Carta aos Hebreus, ademais, os seguidores da tradição de São Paulo fazem-nos lembrar as centenas de irmãos que já àqueles anos haviam gloriosamente trilhado o Caminho indicado por Jesus: "Desse modo, cercados como estamos de tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das correntes do pecado. Corramos com perseverança ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé: Jesus. Em vez de gozo que se Lhe oferecera, Ele suportou a Cruz e está sentado à direita do trono de Deus. Atentamente considerai, pois, Aquele que tantas contrariedades sofreu dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo." Hb 12,1-2

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

A Quarta-Feira de Cinzas

    A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma, corrutela de Quadrigéssima, que são os quarenta dias, sem contar os domingos, que vão até o Sábado de Aleluia, véspera do Domingo de Páscoa. Para os cristãos, esse é o propício período para arrependimentopenitência e conversão, rememorando os quarenta dias que Jesus passou no deserto, e assim de preparação para a Páscoa.

    Na Santa Missa dessa quarta-feira, pois, o padre marca a testa dos fiéis fazendo uma Cruz com cinzas, que só devem ser lavadas após o pôr do sol. Também é um dia de jejum.

    A tradição de cobrir-se de cinzas é um antigo rito de penitência, um pedido de Misericórdia no qual a humanidade se faz consciente da efemeridade da terrena vida, evocando o castigo que Deus impôs a Adão, no Livro de Gênesis, após o pecado da desobediência: "... porque és pó, e pó hás de tornar-te." Gn 3,19

    Desde muitos séculos, portanto, temos registros desse ato de pelo povo hebreu, como uma forma de rogar clemência a Deus. No Livro de Ester, , foi o que fez um homem de Deus, primo de Ester e irmão do rei Saul, assim como todo povo exilado, quando Assuero, o rei da Pérsia, decretou o extermínio dos judeus: "... Mardoqueu rasgou as vestes, cobriu-se com pano de saco e espalhou cinzas na cabeça." Est 4,1

    E como Assuero não retrocedia em seus planos, a própria Ester, rainha do povo hebreu, adotou essas penitências: "Tomada de mortal angústia, a rainha Ester também procurou refúgio no Senhor. Deixou as roupas de luxo, vestiu-se com roupas de miséria e luto. Em lugar de finos perfumes, cobriu a cabeça com cinzas e poeira." Est 4,17a

    Assim fez Tamar, filha do rei Davi, após ser abusada por seu meio-irmão, Amnon. Está no Segundo Livro de Samuel: "Então Tamar derramou cinza sobre a cabeça, rasgou seu longo vestido..." 2 Sm 13,19

    Igualmente, no Livro de Judite, fez todo povo da Cidade Santa, temendo a ameaça de saques e profanação do Templo pelo exército de Babilônia: "Aqueles que viviam em Jerusalém, inclusive mulheres e crianças, prostraram-se diante do Templo com cinzas na cabeça, e estenderam as mãos diante do Senhor." Jt 4,11

    Eles reforçaram a prática quando o general encampou seus soldados para a invasão: "Quando os israelitas viram aquela multidão, prostraram-se por terra e cobriram de cinzas suas cabeças, comunitariamente rezando ao Deus de Israel para que fizesse Misericórdia a Seu povo." Jt 7,4

    O mesmo fez Judite, religiosa, viúva e heroína, pedindo a Deus que abençoasse seus planos para defender o povo de Israel: "Tendo eles partido, Judite entrou em seu oratório, pôs seu cilício, cobriu a cabeça com cinzas e, prostrando-se diante do Senhor, rezou..." Jt 9,1

    E foi a a recomendação no Livro do Profeta Jeremias às mulheres de Israel, ao predizer os castigos de Deus, quando Ele permitiu que Israel caísse em mãos de violentos inimigos de Babilônia: "Ó filha de meu povo, veste o saco, revolve-te nas cinzas. Cobre-te de luto como se fora por um único filho, e ecoem teus amargos gemidos, porquanto de repente sobre nós vai cair o devastador." Jr 6,26

    Ora, Nosso Salvador corroborou a penitência feita com cinzas, mencionando-a como eficaz mortificação no Evangelho Segundo São Mateus: "Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Se em Tiro e Sidônia se tivessem realizado os milagres feitos no meio de vós, há muito tempo teriam demonstrado arrependimento, vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinza." Mt 11,21

    Aliás, a penitência sempre foi uma determinação durante Sua Missão, e já nas primeiras palavras: "Desde então Jesus começou a pregar: 'Fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo.'" Mt 4,17

    Também era o que pregavam os Apóstolos, como se lê no Evangelho Segundo São Marcos, desde a primeira missão que Jesus lhes deu: "Eles partiram e pregaram a penitência." Mc 6,12