O Evangelho Segundo São João admite que não registrou todos sinais realizados por Nosso Senhor, de tantos que foram. No entanto, não deixa dúvida quanto a Sua Pessoa ou quanto ao motivo pelo qual os registrou: "Jesus fez diante dos discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste Livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a Vida em Seu Nome." Jo 20,30-31
Até os líderes judeus, ouvindo os relatos da ressurreição de São Lázaro, reconheciam que Seus sinais eram evidentes: "Os sumos sacerdotes e os fariseus, então, reuniram o sinédrio e discutiam: 'Que vamos fazer? Este Homem realiza muitos sinais.'" Jo 11,47
E não foi só Jesus Quem realizou sinais. Mesmo bem depois de Sua Ascensão, os Apóstolos também os fizeram, assim como muitos Santos da Igreja Católica, que ainda os fazem. São Lucas atesta no Livro de Atos dos Apóstolos: "Muitos sinais e prodígios eram realizados entre o povo pelas mãos dos Apóstolos." At 5,12
Mas isso não deve ser nenhuma novidade. pois Nosso Senhor mesmo havia prometido na noite em que ia ser entregue, após a Santa Ceia: "Na Verdade, na Verdade vos digo: aquele que crê em Mim também fará as obras que Eu faço. E fará ainda maiores que estas, porque vou para junto do Pai." Jo 14,12
Falou até mesmo de extasiantes sinais, em Seus últimos momentos entre os Apóstolos: "Até agora não pedistes nada em Meu Nome. Pedi e recebereis, para que vossa alegria seja perfeita." Jo 16,24
Na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, de fato, está descrito como podemos reconhecer os verdadeiros seguidores de Jesus. Ora, não é assim que nossos Santos são canonizados? "Os distintivos sinais do verdadeiro Apóstolo realizaram-se em vosso meio: uma paciência a toda prova, sinais, prodígios e milagres." 2 Cor 12,12
Por isso, em reconhecimento a tantos sinais, os seguidores de sua tradição exortam na Carta aos Hebreus: "Desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Com perseverança corramos ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé, Jesus." Hb 12,1
Pois a fé vai muito além de provas materiais ou de argumentos, e aqui a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios deixou um recado para aqueles que se recusam a ver a imagem de Jesus na Santa Cruz (cf. Gl 3,1): "Pois tanto os judeus pedem sinais como os gregos buscam sabedoria. Nós, porém, proclamamos Cristo Crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos." 1 Cor 1,22-23
Ora, o simples Sinal da Cruz, feito pelo Sacerdote da Santa Igreja Apostólica (cf. Ef 5,26) durante o Sacramento do Batismo, tem o valor da própria Salvação, como o anjo que traz o selo de Deus brada no Livro de Apocalipse de São João: "Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos assinalado os servos de Nosso Deus em suas frontes." Ap 7,3
E assim se vê o quanto a própria Palavra de Deus é desrespeitada: a Coroação de Nossa Senhora foi um patente sinal de Deus! Mas, mesmo claramente exposta nas Sagradas Escrituras, muitos renegam-na: "Apareceu, em seguida, um grande sinal no Céu: uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Ela deu à luz um Filho, um Menino, Aquele que deve reger todas pagãs nações com cetro de ferro. Mas Seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e de Seu trono." Ap 12,1.5
E mesmo que não venhamos a presenciar nem pessoais nem públicos sinais, como as Aparições de Nossa Senhora, somos todos convidados a crer neles, como Jesus corrigiu São Tomé por não acreditar nos testemunhos de Sua Ressurreição: "Creste, porque Me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!" Jo 20,29
