sábado, 10 de outubro de 2026

A Oração

    Tão especial é esse momento para um fiel que o Livro de Eclesiástico recomenda preparação: "Antes da oração, prepara tua alma, e não sejas como um homem que tenta a Deus." Eclo 18,23

    E segundo o Livro de Provérbios, o menosprezo à Sã Doutrina, que é a matéria das Escrituras, é do total desagrado de Deus: "Aquele que afasta o ouvido para não ouvir a Lei, até mesmo sua oração se torna abominável." Pr 28,9

    Nosso Salvador, pois, falou da importância de persistir nas orações. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que sempre é necessário rezar, sem jamais deixar de o fazer." Lc 18,1

    E Ele buscava os sagrados lugares para Se manifestar, como afirmou quando foi 'julgado' pelo sinédrio, o conselho dos judeus em Jerusalém. O Evangelho Segundo São João apontou: "Publicamente falei ao mundo. Ensinei na sinagoga e no Templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas." Jo 18,20b

    Ora, o Pai Nosso, a principal oração da Santa Igreja Católica (cf. Ef 5,26; At 1,8), foi ensinada por Jesus aos Apóstolos justamente num momento de prece, quando eles, vendo-O rezar, lembraram que essa era uma prática de São João Batista e seus discípulos: "Um dia, num certo lugar, Jesus estava a rezar. Terminando a oração, disse-lhe um de Seus discípulos: 'Senhor, ensina-nos a rezar, como João ensinou a seus discípulos.'" Lc 11,1

    De fato, a Carta de São Paulo aos Efésios diz que é na Igreja Apostólica que devemos dar Glórias a Deus: "Àquele que, pela virtude que em nós opera, pode fazer infinitamente mais que tudo quanto pedimos ou entendemos, a Ele seja dada Glória na Igreja..." Ef 3,20-21

    Entretanto, a decisão e o ato de rezar não teriam sucesso sem o auxílio do Santo Paráclito, como a Carta de São Paulo aos Romanos revela: "... o Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza, porque não sabemos o que devemos pedir nem rezar como convém. Mas o Espírito mesmo intercede por nós com inefáveis gemidos." Rm 8,25

    Já a Carta de São Paulo aos Efésios lembra que a oração também é uma vigília, pedindo que nela progridamos, e recomenda os irmãos a nossas intenções: "Intensificai vossas invocações e súplicas. Rezai em toda circunstância, pelo Espírito, no Qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos cristãos." Ef 6,18

    Ora, o Livro de Apocalipse de São João viu chegar às Mãos de Jesus, sob o olhar de quatro querubins e de vinte e quatro 'Sacerdotes', também anjos, os divinos desígnios para os tempos finais, atestando o poder da intercessão dos Santos: "Quando Ele recebeu o Livro, os quatro Seres e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma cítara e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos Santos." Ap 5,8

    Pois a pureza de coração sensivelmente Lhe toca, como, no Livro de Jó, um amigo lhe assegurava: "Se recorreres a Deus, e implorares ao Todo-Poderoso, se fores puro e reto, Ele atenderá tua oração..." Jó 8,5-6

    Além de toda mística e Graça de nossa Comunhão com Deus, portanto, a oração é a afirmação de nossa fé em Si, que nos ouve e é Todo-Poderoso, bem como reconhecimento e agradecimento, tanto pelo que já fez como pelo que só Ele pode fazer. E assim é como um incenso que Lhe acendemos, conforme o rei Davi canta no Livro de Salmos: "Que minha oração suba até Vós como a fumaça do incenso, que minhas mãos estendidas para Vós sejam como a oferenda da tarde." Sl 140,2

    Com efeito, como está no Livro de Atos dos Apóstolos, é isso que a Igreja de Deus Vivo (cf. 1 Tm 3,15), sempre em companhia de Nossa Senhora, tem feito desde a Ascensão do Senhor aos Céus: "Todos eles (Onze Apóstolos) unanimemente perseveravam na oração, com algumas mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e Seus irmãos." At 1,14

    E para tanto, como o Eclesiástico ensina, a humildade é essencial: "A oração do humilde penetra as nuvens." Eclo 35,21a