sábado, 28 de fevereiro de 2026

O Pão da Vida Eterna

    Jesus disse aos judeus, no Evangelho Segundo São João, depois de multiplicar pães e peixes: "Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão, que Eu hei de dar, é Minha Carne para a Salvação do mundo." Jo 6,51

    Contrapondo-Se ao maná (cf. Êx 16,14) comido pelos israelitas no deserto, Ele havia-lhes ensinado: "Na Verdade, na Verdade, digo-vos: Moisés não vos deu o Pão do Céu, mas Meu Pai é Quem vos dá o verdadeiro Pão do Céu. Porque o Pão de Deus é o Pão que desce do Céu e dá Vida ao mundo." Jo 6,32-33

    E na mesma ocasião disse que não há Vida Plena se não nos alimentarmos de Seu Corpo: "... se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53

    Para tanto, Ele instituiu o Santíssimo Sacramento da Eucaristia durante a Santa Ceia, na noite do início de Sua Paixão, como se lê no Evangelho Segundo São Lucas: "Em seguida, tomou o pão e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de Mim.'" Lc 22,19

    E instou-nos a buscá-la: "Trabalhai não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois n'Ele Deus Pai imprimiu Seu sinal." Jo 6,27

    A multidão que havia comido dos pães e dos peixes multiplicados, bem entendeu Sua mensagem, pois pediu: "Senhor, dá-nos sempre deste Pão!" Jo 6,34

    E Ele respondeu: "Eu sou o Pão da Vida..." Jo 6,35

    Essa memória, portanto, como sinal de perfeito acolhimento do testemunho dos Apóstolos, foi muito bem preservada não só pelos Doze como por discípulos e seguidores desde o início, logo após o Pentecostes. Está no Livro de Atos dos Apóstolos, onde vemos os quatro constitutivos da Santa Missa: "Eles (fiéis) perseveravam na Doutrina dos Apóstolos, na reunião em comum, na fração do Pão e nas orações." At 2,42

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, com propriedade, afirma que a Comunhão Eucarística é o principal fator da Unidade da Santa Igreja Católica: "Uma vez que há um único Pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só Corpo, porque todos nós comungamos do mesmo Pão." 1 Cor 10,17

    Diz que tal celebração se dá quando revivemos e atualizamos o Sacrifício de Cristo: "Assim, todas vezes que comeis desse Pão e bebeis desse Cálice, lembrais a Morte do Senhor, até que Ele volte." 1 Cor 11,26

    Pois Ele é Nossa Páscoa, nossa passagem para a Jerusalém Celestial (cf. Ap 21,2), para a Vida Eterna. O Apóstolo dos Gentios já havia dito: "Pois Nossa Páscoa, Cristo, foi imolada. Celebremos, pois, a festa, não com o velho fermento nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os Pães sem fermento, de pureza e de Verdade." 1 Cor 5,8

    Mas ele também adverte que não confundamos a Santa Eucaristia com qualquer outro culto: "Não podeis beber ao mesmo tempo o Cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da Mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes que Ele?" 1 Cor 10,21-22

    Não por acaso, no Pai Nosso, ainda que também Se referindo ao diário alimento, Nosso Salvador ensinou-nos a pedir desde o Sermão da Montanha, na leitura do Evangelho Segundo São Mateus: "O Pão Nosso de cada dia dai-nos hoje..." Mt 6,11

    Pois sobre o alimento propriamente dito, Ele já havia citado palavras de Moisés no Livro de Deuteronômio, quando por Satanás foi tentado no deserto: "Está escrito: 'Não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra de Deus (Dt 8,3).'" Lc 4,4

    E a entrada dos eleitos na Vida Eterna terá a festividade de um indizível banquete, como o Cordeiro de Deus revelou no Livro de Apocalipse de São João: "Escreve: 'Felizes os convidados para a Ceia das Núpcias do Cordeiro.'" Ap 19,9

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

O Evangelho da Reconciliação

    A Primeira Carta que São Paulo aos Tessalonicenses afirma o poder que o Evangelho tem em si mesmo, como Divina Palavra que é, e informa que seu principal objetivo é reconciliar-nos com Deus. Não poderia ser diferente: é Deus Jesus, Verbo Encarnado (cf. Jo 1,14), que vem a nosso encontro: "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para vossa Salvação." 1 Ts 1,5

    Já a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios diz do Ministério da Igreja, que ela cumpre através dos Sacramentos: "Tudo isso vem de Deus, que Consigo nos reconciliou, por Cristo, e nos confiou o Ministério da Reconciliação. Porque é Deus que, em Cristo, Consigo reconciliava o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação. Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em Nome de Cristo, e é Deus mesmo que vos exorta por nosso intermédio. Em Nome de Cristo, rogamo-vos: reconciliai-vos com Deus!" 2 Cor 5,18-20

    Embora mencionando a armadura de um guerreiro, mas claramente falando de armas espirituais,  a Carta de São Paulo aos Efésios deixou-nos uma das definições mais apropriadas do Evangelho: "Estejam, portanto, bem firmes: cingidos com o cinturão da Verdade, vestidos com a couraça da Justiça, os pés calçados com o zelo para propagar o Evangelho da Paz..." Ef 6,14-15

    Desta forma, todo gesto de verdadeira fé deve estar impregnado do poder do Espírito de Cristo, que se antecipa e promove a total reconciliação, com Deus e com todos irmãos católicos. Jesus recomendou desde o Sermão da Montanha, no Evangelho Segundo São Mateus: "Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do Altar e lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta diante do Altar e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão. Só então vem fazer tua oferta." Mt 5,23-24

    Por isso, logo na primeira aparição ao Colégio dos Apóstolos, dada no Domingo da Ressurreição, Ele mesmo firmou os fundamentos da Igreja Católica, dando-lhe o poder de perdoar os pecados, que propriamente é o Sacramento da Reconciliação: "Disse-lhes outra vez: 'A Paz esteja convosco! Como o Pai Me enviou, Eu envio a vós.' Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,21-23

    A Carta de São Paulo aos Filipenses, portanto, exige testemunho de vida: "Cumpre, somente, que em vosso proceder vos mostreis dignos do Evangelho de Cristo." Fl 1,27a

    E a Carta de São Paulo aos Gálatas segue garantindo a origem da Palavra de Deus: "Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho por mim pregado nada tem de humano. Não o recebi nem o aprendi de homem algum, mas mediante uma revelação de Jesus Cristo." Gl 1,11

    Ele diz que no Evangelho se tem a Glória de Jesus, quer dizer, a própria personificação de Deus, e que só a sedução do inimigo pode evitar que a percebamos: "Se nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem, para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a Luz do Evangelho, onde resplandece a Glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que claramente transpareça que este extraordinário poder provém de Deus e não de nós." 2 Cor 4,3-4.7

    Ora, exaltando a preciosidade do Sangue de Jesus, a Carta de São Paulo aos Romanos atestou: "Se, quando ainda éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela Morte de Seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por Sua Vida. Ainda mais: nós gloriamo-nos em Deus por Nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem desde agora temos recebido a reconciliação!" Rm 5,10-11

    Povos de todas nações, portanto, têm em Jesus a verdadeira oportunidade de reconciliar-se com Deus, como o Apóstolo dos Gentios diz: "Ele (Cristo) quis, assim, a partir do judeu e do pagão, criar em Si um só novo homem, estabelecendo a Paz. Quis reconciliá-los com Deus, ambos em um só Corpo, por meio da Cruz." Ef 2,15a-16b

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

A Vaidade

    A palavra vaidade vem do latim 'vanitatis', que diz daquilo que é 'vanus', ou seja vão. É, portanto, o culto a coisas vãs, das quais as principais são a soberba e o exibicionismo. E a soberba foi o pecado original, quando Eva e Adão acharam que, comendo o fruto da árvore da ciência, poderiam saber por si mesmos o que é certo e errado, desprezando os Mandamentos de Deus. O Livro de Gênesis narra: "'Oh, não!', respondeu a Serpente, 'Vós não morrereis! Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão. E sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.'" Gn 3,4-5

    Por isso, foi tão preciso o conselho, no Livro de Tobias, que ele recebe seu pai Tobit: "Nunca permitas que o orgulho domine teu espírito ou tuas palavras, porque ele é a origem de todo mal." Tb 4,14

    Ela, contudo, tem várias outras formas de expressão, como Deus falou no Livro do Profeta Jeremias: "Eis o que diz o Senhor: 'Não se envaideça o sábio do saber, nem o forte de sua força, e não se orgulhe o rico da riqueza!'" Jr 9,22

    O Livro de Eclesiástico, com absoluta clareza, via as trevas como destino do impenitente: "Para o mal do orgulhoso não existe remédio, pois uma planta de pecado está enraizada nele, e ele não compreende." Eclo 3,30

    Ciente do perigo desse pecado, um canto do rei Davi pede a Deus no Livro de Salmos: "Também preservai Vosso servo do orgulho. Não domine ele sobre mim, então serei íntegro e limpo de grave falta." Sl 18,14

    Ora, Jesus pregou a negação de si mesmo, convidando ao caminho da Cruz desde que foi identificado como Cristo por São Pedro. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Se alguém quiser vir Comigo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-Me." Mt 16,24b

    Ele deixou esse ensinamento à Santa Igreja Católica, no Evangelho Segundo São Lucas: "Assim vós, depois de terdes feito tudo que vos foi ordenado, também dizei: 'Somos inúteis servos. Apenas fizemos o que devíamos fazer.'" Lc 17,10

    Firmou: "Pois todo aquele que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado." Lc 18,14b

    E referindo-Se à soberba disfarçada em forma de caridade, havia aconselhado a todos: "Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto a Vosso Pai que está no Céu." Mt 6,1

    A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, em censura, fala do poder que o anúncio da Palavra de Deus confere à Santa Igreja contra a arrogância: "Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo." 2 Cor 10,5

    Conhecedor das verdadeiras bênçãos, e confirmando a fé como um dom de Deus, a Carta de São Paulo aos Romanos pedia: "Em virtude da Graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior que convém, mas um razoavelmente modesto conceito, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu." Rm 12,3

    A Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo também se pronunciou sobre o exibicionismo feminino como vaidade, lembrando da autêntica religiosidade ao falar à comunidade cristã: "Do mesmo modo, quero que as mulheres usem honesto traje, ataviando-se com modéstia e sobriedade. Seus enfeites consistam não em primorosos penteados, ouro, pérolas, vestidos de luxo, e sim em boas obras, como convém a mulheres que professam a piedade." 1 Tm 2,9-10

    E reafirmou que a vaidade foi o pecado de Satanás (cf. Ez 28,17): "... para não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a cair na mesma condenação que o Demônio." 1 Tm 3,6

    Já a Carta de São Paulo aos Colossenses vê no apego a bens materiais a causa dessas ilusões: "Desencaminham-se estas pessoas em suas próprias visões, cheias do vão orgulho de seu materialista espírito..." Cl 2,18

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O Mistério do Mal

    Mesmo nos casos dos castigos de Deus, é patente que nem só os maus padecem, como se viu no episódio em que Aarão conseguiu amenizar Sua cólera durante o Êxodo, conforme o Livro de Sabedoria: "Verdade é que a prova da morte também feriu os justos, e numerosos foram aqueles que ela abateu no deserto." Sb 18,20a

    O sofrimento dos pobres, citado no Livro de Eclesiastes e facilmente constatado pelo mundo, também é fonte de desolação quando não se percebe a sobrenatural consolação de Deus: "Pus-me, então, a considerar todas opressões que se exercem debaixo do sol. Eis aqui as lágrimas dos oprimidos e não há ninguém para os consolar. Seus opressores fazem-lhes violência, e não há ninguém para os consolar." Ecl 4,1

    Assim como corriqueiras e mundanas injustiças: "Há outra vaidade que acontece na Terra: há justos, aos quais acontecem males como se tivessem praticado as obras dos ímpios, e há ímpios aos quais tudo corre bem, como se tivessem praticado as obras dos justos." Ecl 8,14a

    Por isso, o Livro do Profeta Isaías, contemplando a sofrida história de Israel, vai interrogar Deus: "Como nos deixastes andar longe de Vossos caminhos e endurecestes nossos corações para não termos temor a Vós?" Is 63,17a

    No Livro de Jó, este homem conhecido por sua grande paciência, em seu emblemático sofrimento também se desesperou: "A Terra está entregue nas mãos dos maus, e com um véu Ele cobre os olhos de Seus juízes. Se não é Deus Quem faz isso, quem é?" Jó 9,24

    Já um amigo seu, lembrando elementos da Criação, vai afirmar: "Pois o mal não sai do pó, e o sofrimento não brota da terra: é o homem quem causa o sofrimento como as faíscas voam no ar." Jó 5,6-7

    A Primeira Carta de São João também denuncia em nossas más inclinações a origem do mal: "Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas do mundo." 1 Jo 2,16

    Mas eis que a Carta de São Paulo aos Romanos diz: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm comparação alguma com a futura Glória, que deve ser-nos manifestada." Rm 8,18

    A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses foi ainda mais específica, ao mencionar estranhas e malignas forças que agem sob permissão de Deus: "Porque o mistério da iniquidade já está em ação, apenas esperando o afastamento daquele que o detém." 2 Ts 2,7

    E a Carta de São Paulo aos Efésios recomenda: "Vigiai, pois, com cuidado sobre vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que ciosamente aproveitam o tempo, pois os dias são maus." Ef 5,15-16

    Apóstolo dos Gentios afirma, contudo, que a Graça é muito maior que o mal, e sempre o transformará num bem incomparavelmente superior: "Mas onde abundou o pecado, superabundou a Graça. Assim como o pecado reinou para a morte, a Graça também reinaria pela Justiça para a Vida Eterna, por meio de Jesus Cristo, Nosso Senhor." Rm 5,20-21

    Por isso, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios trata de exaltar os Sacramentos como mais importante parte na obra da Redenção: "E tudo isso se faz por vossa causa, para que a Graça se torne copiosa entre muitos e redunde o sentimento de gratidão, para Glória de Deus. É por isso que não desfalecemos. Ainda que vá arruinando-se nosso homem exterior, nosso interior renova-se de dia para dia. Nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, proporciona-nos um eterno peso de incomensurável Glória. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem. Pois as coisas que se vêem são temporais, e as que não se vêem são eternas." 2 Cor 4,15-17

    Enfim, no Evangelho Segundo São Mateus, o próprio Jesus deixou claro que cada dia haveria de ser enfrentado sem que nos desesperemos quanto às provações ou ao futuro: "Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá suas próprias preocupações. A cada dia basta seu mal." Mt 6,34

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Os Sete Pecados Capitais

    A Primeira Carta de São João apresenta as propensões que levam aos pecados em três grandes grupos: "Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas do mundo." 1 Jo 2,16

    E São Tomás de Aquino listou os mais graves pecados. O primeiro é o da vaidade, do orgulho ou da soberba, sobre o qual Jesus disse no Evangelho Segundo São Mateus: "E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fiam. Entretanto, Eu digo-vos que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Se Deus assim veste a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca ?" Mt 6,28-30

    virtude que se opõe à vaidade é a humildade"Aquele que se exaltar, será humilhado, e aquele que se humilhar, será exaltado." Mt 23,12

    O segundo é o da inveja, e Jesus disse no Evangelho Segundo São Marcos: "Porque é do interior do coração dos homens que procedem as más intenções: ... cobiças... inveja... Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem." Mc 7,21-23

    A virtude que se opõe à inveja é a compaixão: "... porque tive fome e Me deste de comer, tive sede e Me deste de beber, era peregrino e Me acolheste, nu e Me vestiste, enfermo e Me visitaste, estava na prisão e viestes a Mim. ... todas vezes que fizestes isto a um destes Meus pequeninos irmãos, foi a Mim mesmo que o fizestes." Mt 25,35-36.40

    O terceiro é o da ira. Nosso Salvador ensinou no Sermão da Montanha: "Tendes ouvido o que foi dito: 'Olho por olho, dente por dente'. Eu, porém, digo-vos: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, também lhe oferece a outra. Se alguém te citar em justiça para te tirar a túnica, também lhe cede a capa." Mt 5,38-40

    A virtude que se opõe à ira é o amor: "Dou-vos um Novo Mandamento: amai-vos uns aos outros. Como Eu vos tenho amado, assim vós também deveis amar-vos uns aos outros. Este é Meu Mandamento..." Jo 13,34;15,12a

    O quarto é o da preguiça. Jesus disse no Evangelho Segundo São João: "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois n'Ele Deus Pai imprimiu Seu sinal." Jo 6,27

    A virtude que se opõe à preguiça é a perseverança"E ante o crescente progresso da iniquidade, o amor de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo." Mt 24,12-13

    O quinto é o da avareza. Nosso Senhor pregou: "Escrupulosamente guardai-vos de toda avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas." Lc 12,15

    A virtude que se opõe à avareza é a piedade, no sentido de religiosidade"Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois vem e segue-Me!" Mt 19,21b

    O sexto é o da gula. E Jesus exortou no Evangelho Segundo São Lucas: "A vida vale mais que o alimento... Considerai os corvos: eles não semeiam, nem ceifam, nem têm despensa, nem celeiro. Entretanto, Deus alimenta-os. Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, não andeis com vãs preocupações, porque são os homens do mundo que se preocupam com todas estas coisas." Lc 12,23a.24a.29-30

    A virtude que se opõe à gula é a generosidade: "Mas, quando deres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. Serás feliz porque eles não têm com que te retribuir, e te será retribuído na ressurreição dos justos." Lc 14,13-14

    O sétimo é o da luxúria. Cristo Senhor disse: "Eu, porém, digo-vos: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração." Mt 5,28

    A virtude que se opõe à luxúria é a castidade"Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: 'Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á a sua mulher, e os dois formarão uma só carne (Gn 2,24)'? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu." Mt 19,4-6

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

"Deus é Luz"

    Como os Apóstolos fizeram nas primeiríssimas pregações, conforme o Livro de Atos dos Apóstolos, São Paulo anunciava a Ressurreição de Jesus como ponto inicial da evangelização, e sempre ao mundo inteiro: "... Cristo havia de padecer e seria o primeiro que, pela Ressurreição dos Mortos, havia de anunciar a Luz ao povo judeu e aos pagãos." At 26,23

    É, de fato, a Palavra do próprio Deus no Livro do do Profeta Isaías: "Povos, escutai bem! Nações, prestai-Me atenção! Pois é de Mim que emanará a doutrina e a verdadeira religião, que será a Luz dos povos. Não mais terás necessidade de sol nem de lua para te iluminar: permanentemente terás por Luz o Senhor, e Teu Deus por resplendor." Is 51,4;60,19

    Por isso, lembrando a perdição que cresce no mundoa Carta de São Paulo aos Romanos convida: "A noite vai adiantada, e o dia vem chegando. Despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da Luz. Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia..." Rm 13,12-13

    E a Carta São Tiago fala sobre os dons dados pelo Espírito de Deus: "Toda boa dádiva e todo perfeito dom vêm de cima: descem do Pai das luzes, no Qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade. Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia, e com mansidão recebei a Palavra em vós semeada, que pode salvar vossas almas. Sede cumpridores da Palavra e não apenas ouvintes, porque isso equivaleria a enganardes a vós mesmos." Tg 1,17.21-22

    A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios associa a Luz da Criação ao Evangelho, ao próprio rosto de Jesus: "Porque Deus que disse: 'Das trevas brilhe a luz', também é Aquele que fez brilhar Sua Luz em nossos corações, para que irradiássemos o conhecimento do esplendor de Deus, que se reflete na face de Cristo." 2 Cor 4,6

    Pois aqueles que resistem ao projeto da Salvação foram seduzidos pelo inimigo, ainda segundo o Apóstolo dos Gentios: "Se nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem, para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a Luz do Evangelho, onde resplandece a Glória de Cristo, que é a imagem de Deus." 2 Cor 4,3-4

    Assim a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses pede perseverança e sobriedade, advertindo seja do Juízo Final, seja do Juízo Particular: "Mas vós, irmãos, não estais em trevas, de modo que esse Dia vos surpreenda como um ladrão. Porque todos vós sois filhos da Luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais. Mas vigiemos e sejamos sóbrios. Porque aqueles que 'dormem', 'dormem' de noite, e aqueles que se embriagam, embriagam-se de noite. Nós, ao contrário, que somos do dia, sejamos sóbrios." 1 Ts 5,4-8

    E a Primeira Carta de São João, em concordância com São Paulo, diz que é permanecendo em Comunhão com a Santa Igreja Católica que o Sangue de Cristo nos purifica: "A Boa Nova que d'Ele temos ouvido e vos anunciamos é esta: Deus é Luz e n'Ele não há treva alguma. Se dizemos ter Comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a Verdade. Se, porém, andamos na Luz como Ele mesmo está na Luz, temos Comunhão uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,5-7

    Para ele, grande teólogo e místico, a Luz de Deus é o próprio amor: "Todavia, agora vos escrevo um novo mandamento, verdadeiramente novo, n'Ele como em vós, porque as trevas passam e já resplandece a verdadeira Luz: aquele que diz estar na Luz, e odeia seu irmão, ainda jaz nas trevas. Quem ama seu irmão permanece na Luz e não se expõe a tropeçar. Mas quem odeia seu irmão, está nas trevas e anda nas trevas, sem saber para onde dirige os passos. As trevas cegaram seus olhos." 1 Jo 2,8-11

    Enfim, a Carta de São Paulo aos Efésios, citando o Profeta Isaías, fala dos frutos da Luz e pede que as obras das trevas sejam explicitamente condenadas: "Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Comportai-vos como verdadeiras luzes. Ora, o fruto da Luz é bondade, Justiça e Verdade. Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade com as infrutíferas obras das trevas. Pelo contrário, abertamente condenai-as. Porque as coisas que tais homens ocultamente fazem até falar delas é vergonhoso. Mas tudo isto, ao ser reprovado, torna-se manifesto pela Luz. E tudo que se manifesta através da Luz, torna-se Luz. Por isto, a Escritura diz: 'Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo iluminá-te-á (Is 26,19;60,1)!'" Ef 5,8-14

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Os Filhos de Deus

    Está evidente que existe diferença entre os filhos de Deus e os filhos do mundo, pois Jesus assim explica a parábola do joio e do trigo, no Evangelho Segundo São Mateus: "O que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno. O inimigo, que o semeia, é o Demônio." Mt 13,37b-39a

    De fato, no Evangelho Segundo São João, Ele não deixou de denunciar os líderes religiosos de Jerusalém: "Se Deus fosse vosso pai, vós amá-Me-íeis, porque Eu saí de Deus. Vós tendes como pai o Demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na Verdade, porque a Verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Quem é de Deus ouve as palavras de Deus, e se vós não as ouvis é porque não sois de Deus." Jo 8,42a.44.47

    E São João Evangelista definiu: "O Verbo era a verdadeira Luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e por Ele o mundo foi feito, e o mundo não O reconheceu. Mas a todos aqueles que O receberam, àqueles que creem em Seu Nome, deu-lhes o poder de tornarem-se filhos de Deus..." Jo 1,12

    Enfim, falando das necessárias penitências e da plena manifestação do Santo Paráclito no Pentecostes, a Carta de São Paulo aos Romanos claramente diz que é Ele que vai conceder-nos a divina filiação por um processo de Adoção: "De fato, se viverdes segundo a carne haveis de morrer, mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para ainda viverdes no temor, mas o Espírito de Adoção, pelo qual clamamos: Aba! Pai! O Espírito mesmo dá testemunho a nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que com Ele soframos, para que com Ele também sejamos glorificados." Rm 8,13-17

    E ele diz com todas letras quem realmente são os membros da Santa Igreja Católica: "... pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,14

    Já a Carta de São Paulo aos Gálatas fala do penhor que é o Santo Paráclito: "A prova de que sois filhos é que Deus enviou a vossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Aba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E se és filho, então também és herdeiro de Deus." Gl 4,7

    A Carta de São Paulo aos Efésios, então, literalmente revela que somos adotados, tendo Nosso Salvador como modelo de santidade: "Em Seu amor, Ele (Deus Pai) predestinou-nos para sermos Seus filhos adotivos por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua vontade." Ef 1,5

    Esta é a grande remissão, a obra de Cristo, conforme a Carta de São Paulo aos Gálatas: "Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido à Lei, a fim de remir aqueles que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a filial adoção." Gl 4,4-5

    Porque antes de conhecermos o Evangelho, somos apenas criaturas, não filhos. Jesus disse no Evangelho Segundo São Marcos: "Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura." Mc 16,15

    E assim passamos a outra condição, conforme a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, quando revelou o que pensava do próprio Jesus, ou seja, como um mero ser humano: "Por isso, daqui em diante a ninguém nós conhecemos de um humano modo. Muito embora tenhamos considerado Cristo dessa maneira, agora já não O julgamos assim. Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho, eis que tudo se fez novo!" 2 Cor 5,16-17

    A Primeira Carta de São João, ademais, fala de nossa condição para 'ver o Pai'. Ou seja, só após recuperarmos a divina semelhança, perdida por causa do pecado: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós somo-lo, de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não O conheceu. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando isso se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto O veremos como Ele é." 1 Jo 3,1-2

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Jesus e o Pai Nosso

    A oração ensinada por Jesus, e rezada em todo mundo, é um flagrante da intimidade do Divino Mestre com o Pai Celeste, sempre em nosso favor. O Evangelho Segundo São Mateus narrou o que seria o melhor 'retrato' de Jesus, a mais importante oração da Santa Igreja Católica. Nosso Senhor disse: "Eis como deveis rezar:..." Mt 6,9

    Ao recitar "Pai Nosso, que estais nos Céus...", desde o início usando o plural 'nosso', Jesus instituiu uma prece que, apesar de perfeita para a piedade pessoal, pois sempre devemos interceder pelos demais (cf. Mt 5,44), preferencialmente deve ser rezada em coletivo, para nos levar à imprescindível Comunhão. Assim já afirmamos nosso semelhante como irmão, Deus como Pai e os Céus como morada, d'Ele e nossa, por sermos Seus filhos e pela certeza de que Ele jamais nos abandona (cf. 1 Sm 12,22).

    Em seguida, Ele faz recordar: "... santificado seja Vosso Nome..." Está ensinando que, mesmo quando rezamos, devemos santificar o Nome de Deus, pois o Segundo Mandamentos diz que não podemos usá-Lo em vão (cf. Êx 20,7). O Nome de Deus, porém, por Si já é santo. Portanto, urge que nós o santifiquemos no dia-a-dia por nosso comportamento, uma vez que ousamos invocá-Lo como Pai.

    "... venha a nós Vosso Reino...": aqui assentimos que Deus reina, que queremos fazer parte de Seu Reino, e que ele venha o quanto antes para todos nós, sem discriminação nem egoísmo, ostensiva e definitivamente determinando o fim desse frágil e conflitante estado em que se encontra a humanidade.

    "... seja feita Vossa vontade, assim na Terra como no Céu." Como verdadeiros filhos de Deus, voluntariamente aceitamos submeter-nos a Seus desígnios, e não Lhe impor os nossos, que no mínimo são imperfeitos. Para tanto, o principal exemplo é o próprio Jesus, que viveu a total submissão aos planos de Deus, mesmo que isto tenha significado a Cruz, e sob idênticas condições pedimos que Sua vontade imediatamente se cumpra aqui na Terra, como já acontece no Céu (cf. Ap 4,8-11).

    Após os celestes assuntos, Nosso Senhor passa a enfocar os terrenos. "O Pão Nosso de cada dia dai-nos hoje...": de Sua exemplar humildade, Ele insta-nos a pedir aquilo de que essencialmente precisamos, aqui simbolizado pelo alimento de cada dia, sem nenhuma gula nem ambição. Vale dizer: nada de ávido enriquecimento, ou seja, desmedida fartura, nem de falsa prudência, ou seja, abastado estoque, mas autêntica na Divina Providência. E como "Nem só de pão vive o homem (Dt 8,3)", nesse pedido também se expressa nossa diária carência do verdadeiro Pão da Vida, que é a Hóstia Consagrada, a Comunhão Eucarística, o Corpo e o Sangue de Cristo.

    No primeiro dos três últimos pedidos, Jesus segue pedindo não por Si mesmo, senão por nós, pois bem conhece nossas fraquezas. Ele ditou: "Perdoai nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..." Claramente exorta-nos a assumir que erramos e a pedir perdão. Aí deve ser lembrado o Sacramento da Confissão, também por Ele instituído (cf. Jo 20,23), que é uma obrigação, em casos de pecados mortais (cf. 1 Cor 11,27), para que se possa receber o Santíssimo Sacramento. Observe-se, ademais, que só podemos pedir um perdão proporcional ao que oferecemos a nossos irmãos! E se nada perdoamos, sequer podemos recitar esta oração: estaríamos mentindo ao rezar a Deus!

    No penúltimo pedido, Ele ensina-nos a solicitar ajuda contra as fraquezas da carne e da alma, pois devemos reconhecer-nos frequentemente expostos, por causa da concupiscência, ao assédio do Mal: "... e não nos deixeis cair em tentação..."

    Contudo, caso venhamos a cair em tentação, em último pedido Ele recomenda clamar para que o Pai nos livre da completa dominação do inimigo: "... mas, livrai-nos do Mal."

    Como Jesus viveu e ensinou, portanto, ousemos chamar Deus de Pai e aceitar que 'Assim seja!', quer dizer, o "Amém!"

Os Obstáculos à Oração

    A Santa Igreja Católica reconhece 4 obstáculos ao bem rezar. Jesus dizia da distração, seja por hesitação ou vacilação, no Evangelho Segundo São Lucas: "Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus." Lc 9,62b

    Conforme o Evangelho Segundo São Mateus, apontou dúbios interesses: "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro." Mt 6,24a

    E revelou como causas as mundanas ilusões: "O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que bem ouviu a Palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas sufocam-na e tornam-na infrutuosa." Mt 13,22

    Eis que a Primeira Carta de São Pedro pedia prontidão, 'arregaçar as mangas': "Cingi, portanto, os rins de vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na Graça que vos será dada no Dia em que Jesus Cristo aparecer." 1 Pd 1,13

    Já a Carta de São Paulo aos Romanos exorta contra a aridez, pedindo participação nas Santas Missas: "Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." Rm 12,11

    E a Carta de São Paulo aos Gálatas questiona: "Onde está agora aquele vosso entusiasmo? Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos." Gl 4,15a;6,9

    Jesus, pois, estimulou os 72 discípulos e garantiu-lhes, quando eles expulsaram maus espíritos pela primeira vez: "... alegrai-vos porque vossos nomes estão escritos nos Céus." Lc 10,20

    Ora, o Príncipe dos Apóstolos pedia, citando o rei Davi no Livro de Salmos: "Como recém-nascidas crianças, com ardor desejai o leite espiritual que vos fará crescer para a Salvação, se é que tendes saboreado quão suave o Senhor é (Sl 33,9)." 1 Pd 2,2-3

    Contra a preguiça, Nosso Salvador alertou os mais íntimos  Apóstolos na noite de início de Sua Paixão, na leitura do Evangelho Segundo São Marcos: "Vigiai e rezai, para não cairdes em tentação!" Mc 14,38

    Pois devemos resistir à negligência e ao pouco-caso: "Propôs-lhes Jesus uma parábola, para mostrar que sempre é necessário rezar sem jamais deixar de fazê-lo." Lc 18,1

    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo falava de verdadeira dedicação: "Antes é preciso que o lavrador trabalhe com afinco, se quer boa colheita." 2 Tm 2,6

    A Carta de São Paulo aos Efésios, então, exortava à plena caridade espiritual: "Intensificai vossas invocações e súplicas. Rezai em toda circunstância, pelo Espírito, no Qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos cristãos." Ef 6,18

    Quanto à pouca fé, Jesus  já reclamava das multidões desde o Sermão da Montanha: "E por que vos inquietais com as vestes? Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?" Mt 6,28a.30

    Ele ensinou logo depois do Domingo de Ramos: "Por isso, digo-vos: tudo que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e sê-vos-á dado." Mc 11,24

    E dizia sobre realizações espirituais: "Na Verdade, digo-vos: se tiverdes  do tamanho de um grão de mostarda..." Mt 17,20

    Os seguidores da tradição de São Paulo ensinam na Carta aos Hebreus: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a Ele primeiro é necessário que se creia que Ele existe, e que recompensa aqueles que O procuram." Hb 11,6

    O próprio Apóstolo dos Gentios, por fim, lembrou os imprescindíveis auxílios do Divino Paráclito: "Da mesma forma, o Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza. Porque não sabemos o que devemos pedir, nem rezar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com inefáveis gemidos." Rm 8,26

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O Sacramento da Confissão

    Chamado de Sacramento da Confissão, da Penitência ou da Reconciliação, o Livro de Eclesiástico já recomendava esse imprescindível exercício de : "Meu filho, aproveita-te do tempo, evita o Mal. Para o bem de tua alma, não te envergonhes de dizer a Verdade, pois há uma vergonha que conduz ao pecado e uma vergonha que atrai Glória e Graça. Não te mostres parcial, causando tua própria perdição. Não mintas em prejuízo de tua alma. De nenhum modo contradigas a Verdade. Envergonha-te da mentira cometida por ignorância. Não te envergonhes de confessar teus pecados, não te oponhas à correnteza do rio." Eclo 4,23-26.30-31

    E tão grande é sua importância que, logo ao iniciar Sua vida pública, essas foram as primeiras palavras de Jesus, e assim o primeiro Sacramento que Ele anunciou e exigiu. Está no Evangelho Segundo São Marcos: "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Fazei penitência e crede no Evangelho." Mc 1,15

    Ora, esse também foi o primeiro Sacramento ministrado pelos Apóstolos, quando foram enviados por Jesus na jornada que inaugurava seus Ministérios: "Eles partiram e pregaram a penitência." Mc 6,12

    E durante as pregações de Jesus, eles também ministravam o batismo usado por São João Batista, isto é, exigindo prévia confissão de pecados. É leitura do Evangelho Segundo São João: "Em seguida, foi Jesus com Seus discípulos para os campos de Judeia e ali Se deteve com eles, e batizava. ... se bem que não era Jesus Quem batizava, mas Seus discípulos..." Jo 3,22;4,2

    Pois após ressuscitar, Nosso Salvador constituiu Seus Sacerdotes para que redimissem os pecados da humanidade, e logo em Sua primeira aparição ao Colégio dos Apóstolos, como se lê no Evangelho Segundo São João: "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos." Jo 20,22-23

    Ora, é da prática de São João Batista que temos registro da penitência que se realiza através da Confissão, sem a qual ele não batizava. O Evangelho Segundo São Mateus apontou: "Pessoas de Jerusalém, de toda Judeia e de toda circunvizinhança do Jordão vinham a ele. Confessavam seus pecados e por ele eram batizados nas águas do Jordão." Mt 3,5-6

    No Livro de Atos dos Apóstolos, pois, vemos que São Paulo cumpria seu Ministério: "Muitos daqueles que haviam acreditado, vinham confessar e declarar suas obras." At 19,18

    A Segunda Carta de São Pedro explicou que essa é a razão da aparente inatividade de Deus, dizendo sobre o Juízo, seja o Particular, seja o Final: "O Senhor não retarda o cumprimento de Sua promessa, como alguns pensam, mas usa de paciência para convosco. Não quer que alguém pereça. Ao contrário, quer que todos se arrependam." 2 Pd 3,9

    É por isso que a Carta de São Tiago recomenda essa salutar prática de piedade e humildade, e não só perante os Padres. De fato, só falsos mestres ensinam que devemos 'confessar só a Deus.' "Confessai vossos pecados uns aos outros..." Tg 5,16

    E a Primeira Carta de São João garante: "Se confessarmos nossos pecados, Deus está aí, fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda iniquidade." 1 Jo 1,9

    Eis que, no Livro de Salmos, o rei Davi já cantava: "Enquanto me conservei calado, entre contínuos gemidos mirravam-se-me os ossos. Pois dia e noite Vossa mão pesava sobre mim, esgotavam-se-me as forças como nos ardores do verão. Então Vos confessei meu pecado, e não mais dissimulei minha culpa. Disse: 'Sim, vou confessar ao Senhor minha iniquidade.' E Vós perdoastes a pena de meu pecado." Sl 31,3-5

    E o Livro de Provérbios atestam: "Quem dissimula suas faltas, não há de prosperar. Quem as confessa e as detesta, obtém Misericórdia." Pr 28,13

    Com efeito, o povo de Israel adotou esse ritual desde a fundação do judaísmo, como foi exigido daqueles que se casavam com estrangeiras, no Livro de Neemias: "No vigésimo quarto dia do mesmo mês, vestidos de sacos e com a cabeça coberta de pó, os israelitas reuniram-se para um jejum. Aqueles que eram de origem israelita estavam separados de todos estrangeiros, e apresentaram-se para confessar seus pecados e as iniquidades de seus pais." Ne 9,1-2

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Sem a Fé, a Desolação

    Quando profetiza a morte de Cristo, o Livro do Profeta Zacarias, falando por Deus Pai, diz não só de Seu sofrimento, sem dúvida imerecido, bem como do de Seus humildes seguidores. É o mistério do Mal: "'Espada, levanta-te contra Meu Pastor, contra Meu Companheiro!' Oráculo do Senhor dos Exércitos.' Fere o Pastor! Que as ovelhas sejam dispersas! Voltarei Minha mão até mesmo contra os pequenos." Zc 13,7

    Mas o exagerado uso da razão, e assim a rejeição dos sussurros da fé, podem cegar, como o sagrado autor do Livro de Eclesiastes constata: "Porque, no acúmulo de sabedoria, se acumula tristeza, e se aumenta a ciência, aumenta a dor." Ecl 1,18

    E desse modo a fatidicamente acaba por desaparecer, pois ao tempo do Eclesiastes a Ressurreição e a Vida Eterna ainda não eram consolidadas revelações, prevalecendo a sensação de que tudo se encerrava mesmo neste mundo: "... todos estão à mercê das circunstâncias e da sorte." Ecl 9,11

    Ora, no Livro de Jó, este homem conhecido por sua grande paciência abertamente questiona Deus, como que desconhecendo Seus poderes, porque, de fato, padecia de muitos males: "Em lugar de condenar-me, direi a Deus: 'Mostrai-me porque razão me tratais assim. Encontrais prazer em oprimir, em renegar a obra de Vossas mãos? Em favorecer os planos dos maus? Orgulhoso como um leão, Vós me caçais! Multiplicais proezas contra mim..." Jó 10,2-3.16

    Mas um amigo seu adverte que os desígnios do Criador nem sempre são tão fáceis de compreender: "Oh! Se Deus te falasse, e abrisse Seus lábios para te responder, te revelar os mistérios da Sabedoria que são ambíguos para nosso espírito..." Jó 11,5-6

    No Livro do Profeta Habacuc também vemos questionamentos a Deus, quando o povo de Israel estava para ser esmagado pelo Império de Babilônia: "Não sois Vós, Senhor, desde o princípio, Meu Deus, Meu Santo, o Imortal? Ó Senhor, Vós destinastes este povo para fazer Justiça? Ó Rochedo, Vós designaste-lo para aplicar castigos? Vossos olhos são por demais puros para verem o mal, não podeis contemplar o sofrimento. Por que olharíeis os ímpios e Vos calaríeis, enquanto o malvado devora o justo?" Hab 1,12-13

    Contudo, mais uma vez Deus não explicou Seus desígnios, e apenas enunciou a frase que em vários dos Sagrados Livros ecoaria: "Eis que sucumbe aquele que não tem íntegra alma, mas o justo viverá pela fé." Hab 2,4

    De fato, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios descarta por completo qualquer sabedoria desprovida da inspiração de Deus: "... para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Pregamos a Sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para nossa Glória." 1 Cor 2,5.7

    E a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios arremata, dizendo o que nos orienta: "Andamos na , e não na visão." 2 Cor 5,7

    Como já era prisioneiro, e por ser um legítimo Sacerdote, pela fé dos cristãos ele dispõe-se ao martírio. Está na Carta de São Paulo aos Filipenses: "Ainda que tenha de derramar meu sangue em sacrifício e em serviço de vossa fé, eu alegro-me e felicito-vos." Ef 2,17

    Na Carta aos Hebreus, ademais, os seguidores da tradição de São Paulo fazem-nos lembrar as centenas de irmãos que já àqueles anos haviam gloriosamente seguido o Caminho indicado por Jesus (cf. Mc 8,34): "Desse modo, cercados como estamos de tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das correntes do pecado. Corramos com perseverança ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé: Jesus. Em vez de gozo que se Lhe oferecera, Ele suportou a Cruz e está sentado à direita do trono de Deus. Atentamente considerai, pois, Aquele que tantas contrariedades sofreu dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo." Hb 12,1-2