segunda-feira, 31 de março de 2025

O Exorcismo

    Através do anúncio da Boa Nova e da Vinda do Espírito Santo, Jesus declarou o fim do império de Satanás, bem como a instauração de Seu Reino de Sacerdotes. É do Evangelho segundo São Mateus: "Apresentaram-Lhe, depois, um possesso cego e mudo. Jesus curou-o de tal modo que de pronto ele falava e via. 'Mas se é pelo Espírito de Deus que Eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus.'" Mt 12,22.28

    Ora, essa realmente era parte de Sua Missão, e desde quando deixou Cafarnaum, como o Evangelho segundo São Marcos aponta: "Ele retirou-Se dali, pregando em todas sinagogas e por toda Galileia, e expulsando os demônios." Mc 1,39

    Aliás, foi o que Ele fez logo nos primeiros dias de vida pública, quando Se instalou na casa de São Pedro: "Pela tarde, apresentaram-Lhe muitos possessos de demônios. Com uma Palavra, expulsou Ele os espíritos e curou todos enfermos." Mt 8,16

    Antes mesmo de começar a pregar, enquanto esteve no deserto, o próprio Jesus foi tentado, pois Satanás dominava os poderosos da Terra. O Evangelho segundo São Lucas narrou: "Em seguida, o Demônio levou-O a um alto monte e num só momento mostrou-Lhe todos reinos da Terra, e disse-Lhe: 'Dá-Te-ei todo este poder e a glória desses reinos, porque me foram dados, e dou-os a quem quero.'" Lc 4,6

    E assim a Primeira Carta de São João resumiu Sua passagem entre nós: "Eis porque o Filho de Deus Se manifestou: para destruir as obras do Demônio." 1 Jo 3,8b

    De fato, como uma das formas de afligir, os demônios se apossam de seres humanos, como Nosso Salvador explicou, dizendo do grave pecado que cometiam aqueles que O conheceram mas não O acolheram: "Quando o impuro espírito sai de um homem, ei-lo errante por áridos lugares à procura de um repouso que não acha. Diz ele, então: 'Voltarei para a casa donde saí.' E, voltando, encontra-a vazia, limpa e enfeitada. Então vai buscar sete outros espíritos piores que ele, e entram nessa casa e aí se estabelecem. E o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. Tal será a sorte desta perversa geração." Mt 12,43-45

    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo também falou da dominação que acontece àqueles que caem nos "... laços do Demônio, que a seus caprichos os mantém cativos e submetidos." 2 Tm 2,26b

    Ora, que nós enfrentamos poderosas classes de anjos caídos, é o alerta da Carta de São Paulo aos Efésios, citando duas delas: "Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste tenebroso mundo, contra as forças espirituais do Mal espalhadas nos ares." Ef 6,10-12

    Já a Carta de São Paulo aos Colossenses mencionou a própria Vitória de Jesus, resgatando muitas almas do domínio de maus espíritos: "Espoliou os principados e potestades e expô-los ao ridículo, deles triunfando pela Cruz." Cl 2,15

    Mas na casa do centurião, onde o primeiro grupo de não judeus receberia o Divino Paráclito, no chamado 'Pentecostes dos Gentios', São Pedro tão somente falou em casos de opressão, uma genérica forma destes assédios. Está no Livro de Atos dos Apóstolos: "Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como Ele andou fazendo o bem e curando todos oprimidos do Demônio, porque Deus estava com Ele." At 10,38

    Nesse sentido, para bem cumprir Sua Missão, Jesus deu poder aos Apóstolos, fundamentos da Santa Igreja Católica: "Reunindo Jesus os Doze Apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos demônios, e para curar enfermidades." Lc 9,1

    Ora, mesmo gente que viria a ser Santa havia-se tornado refém de maus espíritos: "Os Doze estavam com Ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de malignos espíritos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios..." Lc 8,2

    Aliás, um de Seus Apóstolos tornou-se vítima do próprio inimigo, como se viu noite da Santa Ceia, no Evangelho segundo São João: "Em seguida, Jesus molhou o pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. Logo que ele o engoliu, Satanás entrou nele." Jo 13,26-27

domingo, 30 de março de 2025

A Família

    A família é parte do projeto de Deus, pois Ele Se revelou Pai, nos enviou Seu Filho, fez de Maria Nossa Mãe, nos ama como filhos e quer que vivamos como irmãos. Por isso a Igreja Católica, um pedaço do Céu, deve reproduzir esse modelo, como a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo recomenda: "Ao ancião não repreendas com aspereza, mas adverte-o como a um pai, aos moços como a irmãos, às mulheres de idade como a mães, às jovens como a irmãs, com toda pureza." 1 Tm 5,1-2

    Desde criança, pois, Jesus começou a apontar para a verdadeira dimensão da família, conforme a vontade do Pai. No Evangelho Segundo São Lucas, ao ser reencontrado no Templo de Jerusalém depois de três dias após uma Páscoa, Ele respondeu a Nossa Senhora e São José: "Por que Me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na Casa de Meu Pai?" Lc 2,49

    E ainda no início de Sua vida pública, pregou este conceito de família diante das multidões: "Minha mãe e Meus irmãos são estes, que ouvem a Palavra de Deus e observam-na." Lc 8,21

    Exaltando o amor a Deus sobre todas coisas, no Evangelho Segundo São Mateus, Ele desfez por completo a esperança de Paz em famílias voltadas para a mundana vida: "Não julgueis que vim trazer a Paz à Terra. Vim trazer não a Paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a Mim, não é digno de Mim. Quem ama seu filho mais que a Mim, não é digno de Mim." Mt 10,34-37

    E denunciou a rejeição a Deus na acomodação de famílias e parentes, inclusive os Seus, cujos projetos são meramente terrenos. Foi quando veio a Nazaré após iniciar Sua Missão: "É só em sua pátria e em sua família que um Profeta é menosprezado." Mt 13,57

    Advertiu mesmo de abjetas tribulações antes do fim do mundo: "Sereis entregues até por vossos pais, vossos irmãos, vossos parentes e vossos amigos, e matarão muitos de vós. Sereis odiados por todos por causa do Meu Nome." Lc 21,16-17

    E Ele prevê o que de mais abominável existe: o assassinato dos próprios pais: "O irmão entregará seu irmão à morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e matá-los-ão." Mt 10,21

    Ademais, nestes termos afirmou a família de Deus, dizendo de Seus Sacerdotes e religiosos: "Em Verdade, declaro-vos: ninguém há que tenha abandonado, por amor ao Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos, que não receba muito mais neste mundo, e no vindouro a Vida Eterna." Lc 18,29-30

    A eles acertadamente chamamos de padres, que quer dizer pais, como a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios reclama: "Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas admoesto-vos como meus amados filhos. Com efeito, ainda que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não tendes muitos pais. Ora, fui eu que vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho." 1 Cor 4,14-15

    Ora, falando sobre a iminência de Sua Paixão no Evangelho Segundo São João, Jesus prometeu: "Não vos deixarei órfãos." Jo 14,18a

    E no recado que mandou aos Apóstolos, em Sua primeira aparição no Domingo da Ressurreição a Santa Maria Madalena, Ele afirmou: "Subo a Meu Pai e Vosso Pai, a Meu Deus e Vosso Deus." Jo 20,17b

    Os seguidores da tradição de São Paulo, na Carta aos Hebreus, explicam: "Aliás, na Terra temos nossos pais que nos corrigem e, no entanto, olhamo-los com respeito. Com quanto mais razão havemos de submeter-nos ao Pai de nossas almas, o Qual nos dará a Vida? Os primeiros educaram-nos para pouco tempo, segundo sua própria conveniência, ao passo que Este o faz para nosso bem, para comunicar-nos Sua santidade." Hb 12,9-10

sábado, 29 de março de 2025

O Espírito de Cristo

    Justificando o anúncio do Evangelho, a Carta de São Paulo aos Filipenses diz: "Pois sei que isto me resultará em Salvação, graças às vossas orações e ao socorro do Espírito de Jesus Cristo." Fl 1,19

    A Carta de São Paulo aos Gálatas garantia: "A prova de que sois filhos é que Deus enviou a vossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: 'Aba!', Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E se és filho, então também és herdeiro de Deus." Gl 4,7

    Por isso, a Carta de São Paulo aos Romanos sentenciou: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9b

    Dizendo do Pai, ele afirma: "Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida a vossos corpos mortais, através de Seu Espírito que em vós habita." Rm 8,11

    E exortava: "Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer, mas se pelo espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,12-14

    Chamando-O de Espírito de Adoção, voltou ao tema da herança, mas explicando a importante questão da Santa Cruz: "Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para ainda viverdes no temor, mas recebestes o Espírito de Adoção, pelo Qual clamamos: 'Aba!', Pai! O Espírito mesmo dá testemunho a nosso espírito de que somos filhos de Deus. E se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que com Ele soframos para que com Ele também sejamos glorificados." Rm 8,15-17

    Nesse sentido, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios disse da nova condição dos cristãos: "Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso Ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações." 2 Cor 3,3

    Fez esta comparação entre a Nova e a Velha Aliança, exaltando a Vinda do Santo Paráclito: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte." Rm 8,2

    E a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios revelou, citando o Livro do Profeta Isaías, o Livro do Profeta Jeremias e o Livro de Eclesiástico: "É como está escrito: 'O que os olhos não viram, os ouvidos ouviram (Is 64,3), e o coração do homem não imaginou (Jr 3,16), isso Deus preparou para aqueles que O amam (Eclo 1,10).' Todavia, Deus revelou-nos por Seu Espírito, porque o Espírito tudo penetra, mesmo as profundezas de Deus. Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus, ninguém as conhece senão o Espírito de Deus." 1 Cor 2,9-11

    Era Ele, pois, Quem decidia as missões deste Apóstolo e de São Timóteo, como se lê no Livro de Atos dos Apóstolos: "Ao chegarem aos confins de Mísia, tencionavam seguir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu." At 16,7

    Ora, a Primeira Carta de São João estabelece esta distinção: "Nisto reconhece-se o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo Se encarnou, é de Deus. Todo espírito que não proclama Jesus, não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e agora já está no mundo." 1 Jo 4,2-3

    E completou: "É nisto que conhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro. Se mutuamente nos amarmos, Deus permanece em nós e Seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que estamos n'Ele e Ele em nós, por Ele ter-nos dado Seu Espírito." 1 Jo 4,6a.12b-13

O Antigo Testamento

    Foi Jesus mesmo Quem anunciou o fim da Antiga Aliança, apontando São João Batista como seu último marco, no Evangelho segundo São Lucas: "A Lei e os Profetas duraram até João." Lc 16,16

    Contudo, no Evangelho segundo São Mateus, Ele esclarece: "Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim para aboli-los, mas sim para levá-los à perfeição." Mt 5,17

    Com constância, portanto, Ele vai invocá-la. Sobre os Mandamentos, cita o Livro de Deuteronômio e o Livro de Levítico: "'Mestre, qual é o maior Mandamento da Lei?' Respondeu Jesus: 'Amarás o Senhor Teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu entendimento (Dt 6,5). Este é o maior e o primeiro Mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Nesses dois Mandamentos resumem-se toda a Lei e os Profetas.'" Mt 22,37-40

    E exortou a Santa Igreja Católica a 'garimpar' o Antigo Testamento, dizendo de verdadeiros estudiosos entre os judeus: "Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos Céus é comparado a um pai de família, que de seu tesouro tira novas e velhas coisas." Mt 13,52

    Por isso, desde o início, o Catolicismo preservou a importância do Antigo Testamento. Quando ouviram os relatos de sucesso da pregação de São Paulo, São Tiago Menor, então bispo de Jerusalém, e os anciãos reafirmaram esse vínculo. É o que se lê no Livro de Atos dos Apóstolos: "Ouvindo isso, glorificaram a Deus e disseram a Paulo: 'Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus abraçaram a sem abandonar seu zelo pela Lei.'" At 21,20

    A Segunda Carta de São Pedro, por sua vez, exalta as profecias pelo cumprimento da passagem de Cristo, que confirma os projetos de Deus: "Assim demos ainda maior crédito à Palavra dos Profetas, à qual bem fazeis em atender como a uma lâmpada que brilha em um tenebroso lugar, até que desponte o dia e a Estrela da Manhã Se levante em vossos corações." 2 Pd 1,19

    De fato, no Evangelho segundo São João, Jesus afirmou perante os líderes judeus de Jerusalém: "Vós perscrutais as Escrituras, nelas julgando encontrar a Vida Eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim. Pois se crêsseis em Moisés, certamente creríeis em Mim, porque ele escreveu a Meu respeito. Mas se não acreditais em seus escritos, como acreditareis em Minhas Palavras?" Jo 5,39.46-47

    E seguindo a lógica do Príncipe dos Apóstolo em valorização do Antigo Testamento, a Carta de São Paulo aos Romanos argumenta: "Ou Deus só o é dos judeus? Também não o é Deus dos pagãos? Sim, Ele também o é dos pagãos. Porque não há mais que um só Deus, o Qual pela fé justificará os circuncisos e, também pela fé, os incircuncisos. Destruímos então a Lei pela fé? De modo algum. Pelo contrário, damos-lhe toda sua força." Rm 3,29-31

    No entanto, ele exulta com o feito da Vinda do Santo Paráclito, Terceira Pessoa de Deus, o Espírito do Novo Testamento: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito." Rm 8,2-4

    Porque, na Carta de São Paulo aos Gálatas, como o próprio Cristo, ele também se diz crucificado: "Na realidade, pela eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à Cruz de Cristo." Gl 2,19

    E assim ele garante a incomparável força da Graça: "O pecado já não vos dominará, porque agora não mais estais sob a Lei, e sim sob a Graça." Rm 6,14

    Ora, o Amado Discípulo atestou nas primeiras palavras de seu Evangelho: "Pois a Lei foi dada por Moisés, mas a Graça e a Verdade vieram por Jesus Cristo." Jo 1,17

quarta-feira, 26 de março de 2025

A Primeira Igreja

    Através dos Evangelhos e do Livro de Atos dos Apóstolos, temos registros de qual foi o primeiro prédio a ser usado como igreja, ou seja, do sagrado lugar onde ela foi ungida. É exatamente onde aconteceu a Santa Ceia, indicado por Jesus a São Pedro e São João Evangelista por clarevidência, no Evangelho Segundo São Marco: "Ide à cidade, e sai-vos-á ao encontro um homem, carregando um cântaro de água. Segui-o, e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: 'O Mestre pergunta: Onde está a sala em que devo comer a Páscoa com Meus discípulos?' E ele mostrá-vos-á uma grande sala no andar superior, mobiliada e pronta. Fazei lá os preparativos." Mc 14,13-15

    Nosso Salvador ofereceu Seu Corpo e Seu Sangue como alimento da Vida Eterna, instituindo a Eucaristia, ou seja, o Santíssimo Sacramento, a Comunhão pelo Pão e pelo Vinho. O Evangelho Segundo São Lucas apontou: "Tomou em seguida o Pão e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de Mim'. Do mesmo modo tomou o Cálice, depois de cear, dizendo: 'Este cálice é a Nova Aliança em Meu Sangue, que é derramado por vós..." Lc 22,19-20

    E é igualmente aí, nesse santo edifício, que vai acontecer a primeira aparição de Cristo Ressuscitado. Era o dia que passou a ser chamado de Domingo, que quer dizer Dia do Senhor, por simbolizar a Vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte. E, note-se bem, o prédio que se tornaria igreja, foi, além de lugar da Santa Ceia, escolhido por Jesus para que os Apóstolos testemunhassem Sua Ressurreição e recebessem Sua Paz. É registro do Evangelho Segundo São João: "Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-Se no meio deles. Disse-lhes Ele: 'A Paz esteja convosco!'" Jo 20,19

    Aí mesmo, onde Igreja nasceu, de forma extremamente significativa os Apóstolos receberam de Jesus o Espírito Santo, e com Ele o poder de remir os pecados da humanidade. Ou seja, aí também foi instituído o Sacramento da Confissão, e logo em Sua primeira aparição: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,22-23

    Por ter sido o lugar da Santa Ceia, os Apóstolos passaram a chamar essa sala de Cenáculo, como São Lucas registrou logo após a Ascensão do Senhor aos Céus, como lemos no Livro de Atos dos Apóstolos: "Voltaram eles então para Jerusalém do monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, distante uma jornada de sábado. Tendo entrado no Cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer." At 1,12-13

    E como grande unção depois de tantos capítulos de suma importância, essa edificação também foi o lugar escolhido por Deus para a plena manifestação de Sua Terceira Pessoa, o Espírito Santo, que marcou o Nascimento da Santa Igreja Católica, desde sempre falando ao mundo: "Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do Céu um ruído, como se um impetuoso vento soprasse, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes, então, uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." At 2,1-4

    Por fim, nessa sala que aconteceu o Primeiro Concílio da Igreja, quando, sempre sob a guia do Espírito de Deus, por um voto de São Pedro foi abolida a necessidade da circuncisão entre os cristãos: "Alguns homens, descendo de Judeia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: 'Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.' Então se iniciou grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns irmãos, fossem tratar desta questão com os Apóstolos e os anciãos em Jerusalém. Mas levantaram-se alguns que antes de ter abraçado a eram da seita dos fariseus, dizendo que era necessário circuncidar os pagãos e impor-lhes a observância da Lei de Moisés. Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e disse-lhes: 'Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que de minha boca os pagãos ouvissem a Palavra do Evangelho e cressem.'" At 15,1-2.5.7

    E São Tiago Menor, na carta que mandou redigir com as decisões desse encontro, deixa bem claro Quem estava no comando: "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28

A Ciência nega Deus?

    Alguns 'cientistas', acompanhados de segmentos da atual sociedade, querem negar a existência de Deus usando como argumentos a origem do Universo pelo Big Bang e a Teoria da Evolução. Para eles, o Livro do Gênesis, por exemplo, seria apenas estória infantil. Na verdade, nas Escrituras as coisas não são nem um pouco assim tão simplórias. No Livro de Jó, um dos mais antigos da Bíblia, há uma sofisticada descrição do Universo e da Terra em comparação às míticas concepções dos antigos, e extremamente pertinente com nosso atual conhecimento, embora então não se tivesse a menor noção do que viria a ser da Lei da Gravitação Universal. Um amigo dele diz: "É Deus que estende o Firmamento sobre o vazio, e suspende a Terra sobre o nada." Jó 26,7

    Esse mesmo livro, ao falar da morte o próprio Jó menciona a 'duração dos céus', uma hipótese por demais improvável para que fosse levantada àqueles tempos, e só compatível com hodiernos estudos: "... assim o homem se deita para não mais levantar. Durante toda duração dos céus, ele não despertará..." Jó 14,12

    O Livro de Salmos, quando se referiu ao Nome de Jesus, falou da duração da luz do sol, hoje um dado de cálculo científico, mas algo igualmente insondável em passados séculos: "Seu Nome será eternamente bendito, e durará tanto quanto a luz do sol. N'Ele serão abençoadas todas tribos da Terra, bem-aventurado proclamá-Lo-ão todas nações." Sl 71,17

    E dirigindo-se a Deus, o Livro de Sabedoria demostra acurado conhecimento das proporções cósmicas: "Diante de Vós, o mundo inteiro é como um grão de areia na balança, ou como uma gota de orvalho que de manhã cai sobre a terra." Sb 11,22

    Na Carta aos Hebreus, dos seguidores da tradição de São Paulo, também aparece uma impressionante ideia da origem do Universo. Tal qual no Big Bang, tudo que aí está simplesmente surgiu do nada, ou do quase nada, mas da Antimatéira ou da Matéria Escura só se veio a falar em recentes anos: "... e que as coisas visíveis se originaram do invisível." Hb 11,3b

    A Carta de São Paulo aos Romanos havia dito algo parecido, mencionando o próprio Autor: "... Deus que aos mortos dá Vida, e à existência chama as coisas que estão no nada." Rm 4,17b

    Ora, o Bóson de Higgs, recente descoberta da Física Quântica, foi chamado de 'partícula de Deus' porque é ela que dá massa, e diferenciada, a tudo que é conhecido como matéria. Pois bem, a Sabedoria já falava de 'algo' assim: "Com efeito, o Espírito do Senhor enche o Universo, dá consistência a todas coisas, não ignora nenhum som." Sb 1,7

    E ao falar da renovação do céu e da Terra, dado inimaginável até décadas atrás, a Carta aos Hebreus menciona uma imutável parte da matéria, coisa que simplesmente desconhecemos. Seria a 'essência' da eternidade? "A Palavra ainda uma vez indica o desaparecimento do que é caduco, do que foi criado, para que só o que é imutável subsista." Hb 12,27

    De fato, Jesus falou do céu e da Terra como contingentes coisas, em oposição à perenidade de Suas palavras. Foi no Evangelho segundo São Mateus, em Suas últimas pregações em Jerusalém, na Páscoa de Seu Sacrifício: "O céu e a Terra passarão, mas Minhas palavras não passarão." Mt 24,35

    Ora, há até pouco tempo cientista algum sequer tinha elementos para tratar do fim ou do recomeço do Universo, mas isso também já era cantado num Salmo a Deus: "No começo criastes a Terra, e o céu é obra de Vossas mãos. Um e outro passarão, enquanto Vós ficareis. Tudo acaba-se pelo uso como um traje. Como uma veste, Vós substituí-los e eles hão de sumir." Sl 101,26-27

    Quanto à origem da humanidade, milênios antes da descoberta do 'dna mitocondrial', cujo hominídeo pelos próprios cientistas foi chamado de 'Eva Mitocondrial', feito que confirmou toda humanidade como descendente de um mesmo ancestral, já estava no Livro de Gênesis: "Adão pôs à sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos viventes." Gn 3,20

terça-feira, 25 de março de 2025

Anunciação do Senhor

    Sabemos que a aparição de São Gabriel Arcanjo a Maria Santíssima se deu em março, porque era o sexto mês da gravidez de Santa Isabel, parenta de Nossa Senhora e mãe de São João Batista. O Evangelho segundo São Lucas apontou: "No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade de Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem prometida em casamento a um homem que se chamava José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria." Lc 1,27-28

    Esses seis meses foram contados a partir da aparição deste Arcanjo em Jerusalém ao sacerdote Zacarias, pai de São João Batista, que se deu na última semana do setembro, pois era uma das duas vezes em que a "classe de Abias" (cf. 1 Crô 24,10), à qual ele pertencia, entrava no Templo ("na ordem de sua classe"): "Nos tempos de Herodes, rei de Judeia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de Abias. Sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, na ordem de sua classe, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o incenso." Lc 1,5.8-9

    Era o início da realização da maior promessa das Escrituras: Deus vinha habitar entre nós. Desde os primórdios, como o Livro de Levítico registra, Ele havia firmado: "Andarei entre vós: serei Vosso Deus e vós sereis Meu povo." Lv 26,11

    Havia alguns séculos, o Livro do Profeta Isaías antecipara detalhes de Sua chegada: "Por isso, o próprio Senhor dá-vos-á um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um Filho, e chamá-Lo-á Deus Conosco." Is 7,14

    Assim o Evangelho segundo São João, dos primeiríssimos Apóstolos de Jesus, sem maiores detalhes históricos logo tratou de atestar o Advento: "E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. E vimos Sua Glória, a Glória que o Único Filho recebe de Seu Pai, cheio de Graça e de Verdade." Jo 1,14

    E pelas Graças de que Nossa Senhora já era depositária, antes de anunciar-lhe a Concepção de Jesus, o Arcanjo São Gabriel declarou: "Ave, agraciada, o Senhor é contigo." Lc 1,29

    Ela instantaneamente deixou envolver-se, sem estranhar a aparição. Porém, por sua autêntica humildade, não imaginava que algum dia o anjo do Senhor lhe diria tão singelas palavras: "Admirou-se ela com estas palavras, e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação." Lc 1,30

    Ouviu ela, então, a Anunciação"Não te preocupes, Maria, pois encontraste Graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um Filho e Lhe porás o Nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus dá-Lhe-á o trono de Seu pai Davi. Ele reinará eternamente na Casa de Jacó. Seu Reino não terá fim." Lc 1,31-34

    Mas como desde a infância tinha sido consagrada ao Senhor, o que incluía o voto de castidade, e seu futuro marido estava consciente dessa condição, ela vai indagar-lhe: "Como se fará isso, pois não conheço homem?'" Lc 1,34b

    É então que ele confirma a guarda de sua virgindade: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo envolvê-te-á com sua sombra. Por isso, o Ente Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus." Lc 1,35

    Assim, a Santíssima Virgem prontamente concordou em servir a tão sublime projeto: "Então disse Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra.'" Lc 1,39

    Apesar de jovem, Nossa Mãe Celeste era perfeitamente esclarecida em assuntos de , como atestam as inspiradas palavras ditas a ela por Santa Isabel, que tanto se referem à Anunciação feita pelo Arcanjo Gabriel como às profecias e à judaica tradição da Vinda do Messias: "Bem-aventurada és tu que creste, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!" Lc 1,45

    Consciente de tamanha dádiva, em seguida Santa Isabel agradece a Maria pela visita, dando-lhe o título máximo com o qual ela passou a ser conhecida em todo mundo: "De onde me vem esta honra de vir a mim a Mãe do Meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu seio." Lc 1, 43-44

segunda-feira, 24 de março de 2025

A Esperança

     Das teologais virtudes, a esperança é a mais esquecida. Muito falamos da , pouco exercemos o amor, mas quase nada pensamos sobre a esperança. E quando dela se fala é por algum objetivo material. Seu verdadeiro significado, no entanto, é espiritual, como o Livro de Salmos cantava: "Sei que verei os benefícios do Senhor na terra dos vivos! Espera no Senhor e sê forte! Fortalece teu coração e espera no Senhor!" Sl 26,13-14

    Versa mesmo sobre anseios da alma: "Eis os olhos do Senhor pousados sobre aqueles que O temem, sobre os que esperam em Sua bondade, a fim de livrar-lhes a alma da morte e nutri-los ao tempo da fome. Nossa alma espera no Senhor, porque Ele é nosso amparo e nosso escudo. N'Ele, pois, alegra-se nosso coração, em Seu Santo Nome confiamos. Seja-nos manifestada, Senhor, Vossa Misericórdia, como em Vós está nossa esperança." Sl 32,18-22

    Pois os divinos socorros são espirituais: "São muitos os sofrimentos do ímpio. Mas quem espera no Senhor, Sua Misericórdia envolve-o." Sl 31,10

    Assim como a própria Salvaçãoque em Jesus será compreendida: "Por que te deprimes, ó minha alma, e te inquietas dentro de mim? Espera em Deus, porque ainda hei de louvá-Lo: Ele é Minha Salvação e Meu Deus." Sl 41,12

    Deus, de fato, havia dito a Israel no Livro do Profeta Isaías, durante a escravidão da Babilônia: "Nada temas, porque Eu estou contigo. Não lances desesperados olhares, pois Eu sou Teu Deus" Is 41,10a

    Para muito além dos assuntos desse mundo, e falando da Ressurreição da Carne, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios diz: "Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, de todos homens somos os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19

    A Carta de São Paulo aos Romanos diz mais: "Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança, porque o que alguém vê, como é que ainda o espera? Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos." Rm 8,24b-25

    E a Carta de São Paulo aos Colossenses menciona sua primeiríssima fonte: "Esperança que vos foi transmitida pela pregação da Verdade do Evangelho..." Cl 1,5

    Na verdade, toda Palavra de Deus tem esse intrínseco objetivo, como o Apóstolo dos Gentios ensina: "Tudo que outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que, pela constância e consolação que nos dão as Escrituras, sejamos firmes na esperança." Rm 15,4

    Ela é a razão da União em que vive a Igreja, como vemos na Carta de São Paulo aos Efésios: "Sede solícitos em conservar a Unidade do Espírito no vínculo da Paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como por vossa vocação fostes chamados a uma só esperança." Ef 4,3-4

    Por isso, ele exorta contra as dificuldades: "Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade, e a fidelidade, uma vez comprovada, produz a esperança." Rm 5,3b-4

    Ele assim exortava: "Quem trabalha, deve trabalhar com esperança, e igualmente quem debulha, deve debulhar com esperança de receber sua parte." 1 Cor 9,10b

    Conforme as pessoas que fizeram escola na tradição paulina, a esperança espiritual está intimamente ligada à , é uma natural consequência dela. A Carta aos Hebreus cravou: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê." Hb 11,1

    Eis que Jesus nos ensina, no Evangelho Segundo São João, despedindo-Se dos Apóstolos: "Perseverai em Meu amor. Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor, como Eu também guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto em Seu amor." Jo 15,9b-10

    Não por acaso, tratando de coisas realmente celestiais, 700 anos antes previu o Profeta Isaías que o Reinado de Jesus iria muito além das terras de Israel: "Em Seu Nome as não judias nações porão sua esperança." Is 42,4

A Luxúria

    A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses diz com todas letras: "Que vos aparteis da luxúria; que cada um de vós saiba possuir santa e honestamente seu corpo, sem se deixar levar por desregradas paixões, como os pagãos que não conhecem a Deus..." 1 Ts 4,3b-5

    E a Carta de São Paulo aos Gálatas explica, advertindo ao final: "Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas previno-vos, como já vos preveni: aqueles que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!" Gl 5,19-21

    Ora, Jesus apontou apenas o coração como origem desses males, quando denunciou no Evangelho segundo São Marcos: "Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez." Mc 7,21-22

    Ele tornou mais rigorosa a Lei de Moisés, ao condenar perversões como o adultério e o divórcio. Foi no Sermão da Montanha, que o Evangelho segundo São Mateus apontou: "Ouvistes que foi dito aos antigos: 'Não cometerás adultério.' Eu, porém, digo-vos: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração. Também foi dito: 'Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.' Eu, porém, digo-vos: todo aquele que rejeita sua mulher, fá-la tornar-se adúltera, a não ser que se trate de falso matrimônio. E todo aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete um adultério." Mt 5,27-28.31-32

    Especificamente referindo-se a adúlteros, São Rafael Arcanjo havia dito no Livro de Tobias, falando a este protagonista: "Ouve-me, e eu mostrá-te-ei sobre quem o Demônio tem poder: são os que se casam, banindo Deus de seu coração e de seu pensamento, e entregam-se à sua paixão como um cavalo e um burro, que não têm entendimento. Sobre estes o Demônio tem poder." Tb 6,16-17

    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo até previu que muita gente buscaria 'religiões' que tolerassem seus pecados: "Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a Sã Doutrina da Salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, para si ajustarão mestres." 2 Tm 4,3

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios já condenava a conjunção carnal entre homem e mulher enquanto solteiros: "Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra seu próprio corpo." 1 Cor 6,18

    Também denunciava a prostituição, usando uma passagem do Livro de Gênesis: "Ou não sabeis que o que se ajunta a uma prostituta torna-se com ela um só corpo? Está escrito: 'Os dois serão uma só carne (Gn 2,24).'" 1 Cor 6,16

    E torna a perguntar aos membros da Santa Igreja: "Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus." 1 Cor 6,9-10

    A Carta de São Paulo aos Colossenses, pois, expressamente recomenda penitências: "Portanto, mortificai vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria." Cl 3,5

    Já a Primeira Carta de São Pedro diz de que se trata a luxúria: "Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vos abstenhais dos desejos da carne, que combatem contra a alma." 1 Pd 2,11

    Por isso, estimula a lutar com determinação contra a escravidão do pecado: "Assim como Cristo padeceu na carne, pois, armai-vos deste mesmo pensamento: quem padeceu na carne rompeu com o pecado, a fim de que, no tempo que lhe resta para o corpo, já não viva segundo humanas paixões, mas segundo a vontade de Deus. Baste-vos que no tempo passado tenhais vivido segundo os caprichos dos pagãos, em luxúrias, concupiscências, embriaguez, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias." 1 Pd 4,1-3

domingo, 23 de março de 2025

O Mal do Dinheiro

    Falando sobre a sandice por bens materiais, Jesus, em Suas primeiras pregações no Evangelho segundo São Mateus, faz recordar o sentido de nossas vidas: "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro." Mt 6,24

    E no Evangelho segundo São Lucas, logo advertiu àqueles que acreditam encontrar satisfação em bens materiais: "Mas ai de vós, ricos, porque tendes vossa consolação!" Lc 6,24

    Para desfazer uma tradição dos judeus, de ver em toda riqueza uma dádiva de Deus. Ele enfatizou o quanto os ricos dependem da Divina Misericórdia para salvar-se: "Eu repito-vos: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no Reino de Deus." Mt 19,24

    Ora, Ele ensinava exatamente o inverso: "Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no Céu, onde nem as traças nem a ferrugem os consomem, e os ladrões não furtam nem roubam. Porque onde está teu tesouro, lá também está teu coração." Mt 6,19-21

    É nesse fértil terreno do coração, justamente por seu evidente potencial para o bem, que Jesus mais lamenta a semente desperdiçada: "O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que bem ouviu a Palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas sufocam-na e tornam-na infrutuosa." Mt 13,22

    Pois contra qualquer impressão, Ele deixou claro que a vida humana depende tão somente da vontade de Deus: "Escrupulosamente guardai-vos de toda avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas." Lc 12,15

    Suas recomendações eram patentes: nesse mundo ferido por injustiças e ganância, as mundanas riquezas tornam-se verdadeiras desgraças se não usadas para diminuir o sofrimento: "Eu digo-vos: fazei amigos com a injusta riqueza, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos eternos tabernáculos." Lc 16,9

    Os verdadeiros Sacerdotes da Igreja, portanto, após a devida preparação, leia-se Sacramento da Ordenação, devem abandonar-se nas mãos da Divina Providência. Ele sentenciou: "Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo que possui, não pode ser Meu discípulo." Lc 14,33

    De fato, ao enviar os Apóstolos em primeira missão, Suas recomendações não haviam sido diferentes. Eles tinham que se entregar por completo nas mãos de Deus, como se lê no Evangelho segundo São Marcos: "Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão. Nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto..." Mc 6,8

    Como se podia imaginar, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo aponta a influência do Maligno por trás da conduta da ganância: "Porque nada trouxemos ao mundo, como tampouco nada poderemos levar. Tendo alimento e vestuário, contentemo-nos com isto. Aqueles que ambicionam tornar-se ricos caem nas armadilhas do Demônio e em muitos insensatos e nocivos desejos, que precipitam os homens no abismo da ruína e da perdição." 1 Tm 6,7-9

    E explica: "Porque a raiz de todos males é o amor ao dinheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da  e se enredaram em muitas aflições." 1 Tm 6,10

    Por isso, dava essa diretriz de catequese: "Exorta os ricos deste mundo a não serem orgulhosos nem ponham sua esperança nas volúveis riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas coisas para delas fruirmos. Que pratiquem o bem, se enriqueçam de boas obras, sejam generosos, comunicativos, ajuntem um sólido e excelente tesouro para seu futuro, a fim de conquistarem a verdadeira Vida." 1 Tm 6,17-19

    Quando concebeu do Espírito Santo, apesar de muito jovem, Maria Santíssima já sabia como Deus distribuía Suas Graças. Ele cantou no Magnificat, em casa de Santa Isabel, sua parenta: "Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos." Lc 1,53

sábado, 22 de março de 2025

A Luz do Mundo

    No Livro do Profeta Isaías, Cristo foi prometido pelo Pai Eterno não apenas como o restaurador de Israel: Ele haveria de ser a Luz do mundo: "Não basta que sejas Meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os fugitivos de Israel. Vou fazer de Ti a Luz das Nações, para propagar Minha Salvação até os confins do mundo... diante de Ti, reis levantar-se-ão e príncipes prostrar-se-ão..." Is 49,6-7b

    E foi isso que o religioso Simeão afirmou, durante a Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém, ainda que Ele também não deixasse de representar a Glória de Israel. O Evangelho Segundo São Lucas anotou: "Agora, Senhor, deixai ir em Paz Vosso servo, segundo Vossa Palavra. Porque meus olhos viram Vossa Salvação, que preparastes diante de todos povos como Luz para iluminar as nações, e para a Glória de Vosso povo de Israel." Lc 2,29-32

    Deus também falou no Livro do Profeta Malaquias, dirigindo-Se a todo temente a Ele: "Mas, sobre vós que temeis Meu Nome, levantar-Se-á o Sol de Justiça que traz a Salvação em Seus raios. Saireis e saltareis, livres como os bezerros ao saírem do estábulo." Ml 3,20

    De fato, o Livro de Salmos já cantava nestes termos: "Porque o Senhor Deus é Nosso Sol..." Sl 83,12a

    E o sacerdote Zacarias, pai de São João Batista, ao falar do Messias havia dito algo semelhante: "Graças à ternura e Misericórdia de Nosso Deus, que vai trazer-nos do alto a visita do Sol nascente, que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir nossos passos no Caminho da Paz." Lc 1,78-79

    Já o Evangelho Segundo São João assim descreve Jesus em primeiras linhas: "N'Ele havia a Vida, e a Vida era a Luz dos homens. A Luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam." Jo 1,4-5

    Ora, Nosso Salvador assim Se apresentou perante os judeus no Templo de Jerusalém: "Eu sou a Luz do Mundo! Aquele que Me segue não andará em trevas, mas terá a Luz da Vida." Jo 8,12

    Advertiu, entretanto, que não teríamos indefinidamente Sua Luz. Falava das tribulações pessoais, da iminência de Sua própria Morte e dos difíceis tempos da Grande Tribulação. E assim ensinou que devemos praticar as boas obras enquanto podemos, e sempre guardar a fé: "Ainda por pouco tempo, a Luz estará em vosso meio. Andai enquanto tendes a Luz, para que as trevas não vos surpreendam, pois quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a Luz, crede na Luz, e assim vos tornareis filhos da Luz. Eu vim como Luz ao mundo. Assim, todo aquele que crer em Mim não ficará nas trevas." Jo 12,35-36.46

    Ele havia-Se pronunciado sobre o Juízo, seja o Particular ou o Final, e sobre a manifestação da Verdade perante o notável fariseu Nicodemos, em Sua primeira visita a Cidade Santa em vida pública: "Ora, este é o Julgamento: a Luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas que a Luz, pois suas obras eram más. Mas aquele que pratica a Verdade, vem para a Luz." Jo 3,19.21a

    E conclamava à obediência a Deus, dizendo como se pode percebê-la: "O olho é a lâmpada do corpo. Se teu olho é são, todo corpo será bem iluminado. Se, porém, estiver em mau estado, teu corpo estará em trevas. Vê, pois, que a luz que está em ti não seja trevas. Se, pois, todo teu corpo estiver na Luz, sem mistura de trevas, ele será inteiramente iluminado, como sob a brilhante luz de uma lâmpada." Lc 11,34-36

    Pedia, enfim, testemunho de vida às pessoas que formariam Sua Igreja. Foi logo no Sermão da Montanha, registrado no Evangelho Segundo São Mateus: "Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo de um caixote, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe para todos que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem Vosso Pai que está nos Céus." Mt 5,14-16

    Ora, a Carta de São Paulo aos Filipenses apontou como é possível essa fidelidade ao projeto de Deus: "Fazei todas coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, íntegros filhos de Deus no meio de uma depravada e maliciosa sociedade, onde brilhais como luzeiros no mundo, a ostentar a Palavra da Vida." Fl 2,14-16a

A Salvação

    A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses diz: "... porque desde o princípio Deus vos escolheu para dar-vos a Salvação, pela santificação do Espírito e pela na Verdade. E pelo anúncio do nosso Evangelho chamou-vos para tomardes parte na Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo." 2 Ts 2,13-14

    Fala, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo, de um projeto universal: "Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todas pessoas... Isto é bom e agradável diante de Deus, Nosso Salvador, o Qual deseja que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade." 1 Tm 1.1.3-4

    Aliás, foi bem específico quanto aos destinatários: "Eis uma verdade absolutamente certa e merecedora de : Jesus Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores..." 1 Tm 1,15a

    E apesar de sua notória santidade, de tantas Graças alcançadas, entre os agraciados com a Palavra a Carta de São Paulo aos Filipenses segue pregando tenaz dedicação para que se chegue aos Céus: "Não pretendo dizer que já alcancei a Salvação, e que cheguei à perfeição. Não. Mas empenho-me em conquistá-la..." Fl 3,12

    Ora, o religioso Simeão, quando da Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém, já havia dito no Evangelho segundo São Lucas: "Agora, Senhor, deixai ir em Paz Vosso servo, segundo Vossa Palavra. Porque meus olhos viram Vossa Salvação, que preparastes diante de todos povos, como Luz para iluminar as nações e para a glória de Vosso povo de Israel." Lc 2,29-32

    De fato, no Evangelho segundo São Mateus, Nosso Salvador vai afirmar durante a Santa Ceia: "Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo: 'Bebei dele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens para a remissão dos pecados.'" Mt 26,27-28

    Porém, ainda no Sermão da Montanha, Ele pregou: "Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus." Mt 5,20

    Alertava, portanto, que o inferno é uma gritante realidade: "Alguém Lhe perguntou: 'Senhor, são poucos os homens que se salvam?' Ele respondeu: 'Procurai entrar pela estreita porta, porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não conseguirão. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaque, Jacó e todos Profetas no Reino de Deus, e vós serdes lançado para fora.'" Lc 13,23-24-28

    E além de recomendar a observância das Divinas Revelações, nas últimas pregações Ele falou em perseverança espiritual: "É por vossa constância que alcançareis vossa Salvação." Lc 21,19

    Portanto, se algumas pessoas fazem pouco da Revelação do Cristo e, acreditando apenas na caridade material, não se empenham religiosamente em purificar a alma, temos uma séria palavra sobre as já milenares mensagens de Deus no Antigo Testamento e sua veracidade. Jesus disse à samaritana junto ao poço de Jacó, no Evangelho segundo São João: "... nós adoramos O que conhecemos, porque a Salvação vem dos judeus." Jo 4,22b

    Eis que São Pedro corajosamente disse no Sinédrio, aos sacerdotes e anciãos judeus, conforme o Livro de Atos dos Apóstolos: "Esse Jesus, Pedra que por vós edificadores foi desprezada, tornou-Se a Pedra Angular. Em nenhum outro há Salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo Qual devamos ser salvos." At 4,11-12

    A Primeira Carta de São Pedro, pois, fala da verdadeira felicidade, lembrando que a Salvação é dada às almas: "Este Jesus vós amais sem O terdes visto, n'Ele credes ainda sem O verdes, e isto é para vós a fonte de uma inefável e gloriosa alegria, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a Salvação de vossas almas." 1 Pd 1,8-9

    E evocando patentes tribulações pelas quais passam os cristãos, ele levanta pertinente questão sobre o destino dos que se desencaminham: "E se o justo se salva com dificuldade, que será do ímpio e do pecador?" 1 Pd 4,18