sábado, 24 de outubro de 2026

Os Sinais do Céu

    Jesus argumentou sobre sinais. No Evangelho Segundo São Mateus, escribas e fariseus vieram pedir-Lhe uma prova após a segunda multiplicação de pães e peixes do outro lado do Mar de Galileia, e Ele cobrou-lhes maturidade espiritual e coerência quanto a Sua manifestação: "Quando vem a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado. E de manhã: Hoje haverá tormenta, porque o céu está de um sombrio vermelho. Hipócritas! Sabeis distinguir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?" Mt 16,2-4

    Após a repercussão do exorcismo e da cura que Ele realizou num endemoninhado cego e mudo, a religiosos destes mesmos grupos já havia dito que teriam que se contentar com o milagre da Sua Ressurreição, prenunciado no sinal que havia sido dado no Livro de Jonas: "'Mestre, queremos ver um sinal feito por Ti.' Respondeu-lhes Jesus: 'Esta adúltera e perversa geração pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal que aquele do Profeta Jonas. Do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra." Mt 12,38b-40

    Ora, Nosso Salvador é o mais evidente sinal de Deus, como está no Livro do Profeta Isaías que disse do pai do rei Davi, e para o mundo todo, através da Santa Igreja Católica (cf. Ef 5,26; At 1,8): "Naquele tempo, o Rebento de Jessé, que Se ergue como um sinal para os povos, será procurado pelas nações e gloriosa será Sua morada." Is 11,10

    Mas também sinal de contradição: Ele é Deus e vai ser desprezado, é Deus de amor e vai ser odiado, é Deus Onipotente e vai ser dominado, é Deus Imortal e vai ser assassinado. Foi isso que o religioso Simeão disse a Nossa Senhora, no dia da Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém, como está Evangelho Segundo São Lucas: "Eis que este Menino está destinado a ser causa de queda e de reerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações." Lc 2,34-35a

    Pois está claro que as Graças de Deus nos serão cobrados. No Evangelho Segundo São João, sobre todos que foram testemunhas oculares de Seus ensinamentos e obras, Jesus mesmo vai dizer aos Apóstolos momentos antes do início de Sua Paixão: "Se Eu não viesse e não lhes tivesse falado, não teriam pecado. Mas agora não há desculpa para seu pecado. Se Eu não tivesse feito entre eles obras, como nenhum outro fez, não teriam pecado. Mas agora as viram, e odiaram a Mim e a Meu Pai." Jo 15,22.24

    E São João Evangelista foi pródigo ao falar de sinais. Aliás, era assim que se referia aos milagres de Cristo, dos quais destacou os sete mais importantes para demonstrar Sua divindade, começando pela transformação da água em vinho: "Este foi o princípio dos sinais. Jesus realizou-o em Caná de Galileia. Manifestou Sua Glória, e Seus discípulos creram em Si." Jo 2,11

    Já o simples povo de Israel, reagia do mais humano modo diante de Seus curas. Isso via-se desde o começo de Sua vida pública, e continuou: "Naquele tempo, Jesus foi para o outro lado do mar de Galileia, também chamado de Tiberíades. Uma grande multidão seguia-O, porque via os sinais que Ele operava a favor dos doentes." Jo 6,1-2

    Por isso, depois das profecias contras as cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum, Ele faz esta oração ao Pai, exaltando exatamente Seus desígnios quanto à Revelação: "Eu bendigo-Te, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequenos." Mt 11,25

    E deixou claro que não apenas sinais revelariam o Salvador: "Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão sinais e portentos para seduzir, se possível for, até os escolhidos." Mc 13,22

    O testemunho e os sinais que temos da Igreja Apostólica (cf. Jo 20,21), porém, são inconfundíveis. Os seguidores da tradição de São Paulo argumentam na Carta aos Hebreus: "Como, então, escaparemos nós se agora desprezarmos a mensagem da Salvação, tão sublime, primeiro anunciada pelo Senhor e depois confirmada pelos que a ouviram, comprovando-a o próprio Deus por sinais, prodígios, milagres e pelos dons do Espírito Santo, repartidos segundo Sua vontade?" Hb 2,3-4

    E como está na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, o reconhecimento do cumprimento das profecias será cobrado, mais uma vez, daqueles que dizem que acreditam: "... as profecias são um sinal, não para os infiéis, mas para os fiéis." 1 Cor 14,22