sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O Exercício da Fé

    Entre os Apóstolos, dado o privilégio que tiveram de presenciar Seus milagres, Jesus não admitia nem mesmo o medo de morrer. É o que vemos quando a tempestade e as ondas enchiam o barco de água, jogando-o de um lado para outro no Mar de Galileia, e eles se atemorizaram. O Evangelho Segundo São Mateus mostra, Ele repreendeu-os: "Por que este medo, gente de pouca fé?" Mt 8,26

    Também se deu quando os Apóstolos não conseguiram exorcizar um menino possesso, e seu pai teve que pedir socorro a Jesus, no Evangelho Segundo São Lucas: "Ó incrédula e perversa geração, até quando estarei convosco e vos aturarei? Traze cá teu filho." Lc 9,41

    Da mesma forma, quando São Pedro se ofereceu para andar sobre as águas, mas vacilou diante dos fortes ventos, foi censurado por Ele: "Homem de pouca , por que duvidaste?" Mt 14,31

    Ou quando os Doze já não entendiam Sua Palavra, por se preocuparem demais com a comida que levavam para a viagem. Ele não os poupou: "Homens de pouca fé! Por que julgais que vos falei por não terdes pão?" Mt 16,8-9

    No Evangelho Segundo São João, São Tomé também não ficou sem a devida correção por sua incredulidade e individualismo. Enquanto duvidava de Sua Ressurreição e exigia uma prova, Jesus disse-lhe ao aparecer pela segunda vez em meio aos Onze: "Introduz aqui teu dedo, e vê Minhas mãos. Põe tua mão em Meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé." Jo 20,27

    A mulher estrangeira, em contraponto, que humildemente aceitou 'as migalhas' de Sua atenção, recebeu um entusiasmado elogio de Nosso Salvador. De fato, sua fé estava acima da vergonha ou da vaidade: "Ó mulher, grande é tua fé!" Mt 15,28

    O centurião, em mesmo sentido, que acreditava que bastaria tão somente uma Palavra Sua para a cura de seu servo, foi enaltecido por Jesus: "... nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé." Lc 7,9

    E apontando a insensata cultura dos mundanos prazeres, Nosso Senhor denunciava a origem de toda incredulidade, dizendo aos religiosos de Jerusalém: "Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a Glória que é só de Deus?" Jo 5,44

    A Carta de São Paulo aos Romanos, que pelas Escrituras já divisava a Divindade de Jesus, bem sabia o Caminho, que desde o Pentecostes já era anunciado pela Tradição Oral, a Sagrada Tradição da Santa Igreja Católica: "Logo, a fé provém da pregação, e a pregação exerce-se em razão da Palavra de Cristo." Rm 10,17

    Por isso, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios condenava os projetos que não têm por meta a Vida Eterna: "Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, somos, de todos homens, os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19

    O que aprendemos de Jesus, portanto, é que Ele não nos quer entregues a ventos de incertezas. Temos que acreditar mesmo vivendo num mundo extremamente violento, onde o valor da própria vida foi banalizado. Poderíamos deixar de dar nosso testemunho de fé? Não por acaso, quando falava sobre os últimos tempos, Ele deixou uma barulhenta pergunta: "Mas quando o Filho do Homem vier, acaso achará fé sobre a Terra?" Lc 18,8

    Por isso, reconhecia o difícil caminho da fé de todo católico, pedindo resiliência: "Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo" Mt 24,13

    Na Verdade, precisamos da fé para tudo. Quando provocados por Nosso Senhor para que infinitamente perdoassem, os Apóstolos pediram-Lhe por esse dom de Deus: "Aumenta-nos a fé!" Lc 17,5

    E na Carta aos Hebreus, os seguidores da tradição de São Paulo exortam contra a preguiça mental, que é um pecado capital: "Desejamos, apenas, que ponhais todo empenho em guardar intata vossa esperança até o fim, e que, longe de vos tornardes lentos na compreensão, sejais imitadores daqueles que pela fé e paciência se tornam herdeiros das promessas." Hb 6,11-12