sábado, 31 de agosto de 2024

Igreja é Comunhão

    Foi o próprio Jesus Quem nos mandou atualizar e reviver Sua Páscoa, e assim celebrar Sua memória. Ora, isso só é possível pela instituição da Igreja, que verdadeiramente guarda Sua Palavra, com a necessária fidelidade para que nada se perca. Nosso Senhor disse: "Em seguida, tomou o pão e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de Mim.'" Lc 22,19

    Recusar a Santa Eucaristia, portanto, representa depender exclusivamente da Divina Misericórdia para alcançar a Vida Eterna. Ele disse de Si em terceira pessoa: "... se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53

    A Comunhão Eucarística, porém, é fruto da comunhão espiritual proporcionada pelo Espírito de Deus, como São Paulo afirma. Ou seja, é preciso comungar dos ensinamentos de Jesus: "... a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" 2 Cor 13,13b

    Pois testemunhar a Divindade de Jesus também requer Sua Unção, ainda segundo ele: "... ninguém pode dizer: 'Jesus é o Senhor', senão sob a ação do Espírito Santo." 1 Cor 12,3b

    São Pedro, além de mencionar o constante amparo do Divino Paráclito, claramente fala em obediência. Ele disse de Jesus perante os judeus no Sinédrio: "Deus elevou-O pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,31-32

    São João Evangelista também fala em obediência, quando cita a Comunhão dos Santos: "Quem observa Seus Mandamentos (de Jesus) permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24

    Jesus, pois, falou em pedi-Lo, dizendo à multidão: "Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais Vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo aos que LhO pedirem." Lc 11,13

    E o Último Apóstolo era taxativo, não via meio termo: "Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se é que realmente o Espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9

    O Divino Espírito era uma antiga promessa de Deus, e torná-Se-ia a garantia da Salvação segundo este Apóstolo: "N'Ele (Cristo) vós, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, também fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor da nossa herança..." Ef 1,13-14a

    Promessa que foi cumprida por Jesus, pois o Espírito Santo é o Autor da Graça (cf. Hb 10,29), o executor do projeto de Deus, e Quem permanentemente ilumina a Igreja, sem jamais abandoná-la. Nosso Senhor garantiu: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Consolador, para que convosco fique eternamente." Jo 14,16

    E desde o Pentecostes foi o Espírito de Deus Quem instruiu os Apóstolos em todas coisas, e continua instruindo a Igreja através dos séculos, sempre fazendo lembrar os ensinamentos de Jesus, que disse: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu Nome, ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Igreja Viva

    Jesus prometeu que o Espírito Santo para sempre ficaria com a Igreja, animando-a: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Consolador, para que convosco fique eternamente. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,16-17

    O Príncipe dos Apóstolos, pois, bem sabia que a Igreja representa Deus: "Pedro, porém, disse: 'Ananias, por que Satanás tomou conta de teu coração, para mentires ao Espírito Santo e enganares acerca do valor do campo? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus!'" At 5,3.4b

    E São Paulo fala Quem constitui nossos Sacerdotes"Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue." At 20,28

    Jesus disse, então, da Vida que os cristãos têm na Comunhão exclusivamente dada pela Igreja: "Como vive o Pai que Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, assim aquele que comer Minha Carne também viverá por Mim." Jo 6,57

    E disse de Sua Ressurreição, atestando a Comunhão dos Santos"Naquele dia, conhecereis que estou em Meu Pai, e vós em Mim e Eu em vós." Jo 14,20

    São João Evangelista arremata: "E o testemunho é este: Deus deu-nos a Vida Eterna, e esta Vida está em Seu Filho. Quem possui o Filho possui a Vida, quem não tem o Filho de Deus não tem a Vida." 1 Jo 5,11-12

    O Último Apóstolo, por fim, diz a São Timóteo"Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na Casa de Deus, que é a Igreja de Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade." 1 Tm 3,15

    Ora, a Igreja nasceu exatamente com a Vinda do Espírito de Deus: "Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um impetuoso vento, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." At 2,1-4

    Pois ser movido pelo Espírito de Deus é a condição de ser de todo cristão, como o próprio Jesus afirmou e o Amado Discípulo explica: "Quem crê em Mim, como diz a Escritura: 'Do seu interior manarão rios de Água Viva (Zc 14,8; Is 58,11).' Dizia isso, referindo-Se ao Espírito que haviam de receber os que n'Ele cressem, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado." Jo 7,38-39

    Por isso, para salvar almas e para formar o Corpo Místico de Cristo, desde sua primeira pregação São Pedro já convocava os fiéis à Confissão e ao Batismo, prometendo-lhes: "Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo." At 2,38

    E o Apóstolo dos Gentios diz com todas letras que vivemos o Ministério do Santo Paráclito: "Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face, embora transitório, quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,7

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Martírio de São João Batista

    A exemplo da Crucificação de Jesus, o cruel destino que teve São João Batista também ficou para sempre gravado na memória da humanidade: a história do Profeta do Altíssimo, mártir defensor do Sacramento do Matrimônio: "Pois o próprio Herodes mandara prender João e acorrentá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com a qual ele se tinha casado. João tinha dito a Herodes: 'Não te é permitido ter a mulher de teu irmão.'" Mc 6,17-18

    Nosso Santo, pois, ousou levantar a voz para denunciar o adultério do rei, e ironicamente acabou assassinado não por sua vontade, pois ele o temia, mas por astúcia de sua côrte, lugar costumeiramente constituído, frequentado e assediado por pessoas da pior espécie: "Por isso, Herodíades odiava-o e queria matá-lo, não o conseguindo, porém. Porque Herodes respeitava João, sabendo que era um justo e santo homem. Protegia-o e, quando o ouvia, sentia-se embaraçado. Mas, mesmo assim, de boa mente ouvia-o. Chegou, no entanto, um favorável dia em que Herodes, por ocasião do seu natalício, deu um banquete aos grandes de sua corte, aos seus oficiais e aos principais da Galileia. A filha de Herodíades apresentou-se e pôs-se a dançar, com grande satisfação de Herodes e de seus convivas. Disse o rei à moça: 'Pede-me o que quiseres, e eu dá-te-ei.' E jurou-lhe: 'Tudo que me pedires, dá-te-ei, ainda que seja a metade de meu reino.' Ela saiu e perguntou à sua mãe: 'Que hei de pedir?' E a mãe respondeu: 'A cabeça de João Batista.' Apressadamente tornando a entrar à presença do rei, exprimiu-lhe seu desejo: 'Quero que me dês, sem demora, a cabeça de João Batista.' O rei entristeceu-se. Todavia, por causa de sua promessa e dos convivas, não quis recusar. Sem tardar, enviou um carrasco com a ordem de trazer a cabeça de João. Ele foi, decapitou João no cárcere, trouxe sua cabeça num prato e deu-a à moça, e esta entregou-a à sua mãe.'" Mc 6,19-28

    E São Marcos assim encerra seu relato: "Ouvindo isto, seus discípulos foram tomar seu corpo e depositaram-no num sepulcro." Mc 6,29

    São Mateus complementa: "Depois foram dar a notícia a Jesus." Mt 14,12

    Mas São João Batista não se arrependeria de ter condenado nem a devassidão do rei nem a corrupção dos costumes, que imperava na côrte e na sociedade judaica à época, inclusive entre religiosos. Sua pregação era tão contundente quanto clara: "Ao ver, porém, que muitos dos fariseus e dos saduceus vinham ao seu batismo, disse-lhes: 'Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da vindoura cólera? Dai, pois, frutos de verdadeira penitência. Não digais dentro de vós: 'Nós temos a Abraão por pai!' Pois eu vos digo: Deus é poderoso para destas pedras suscitar filhos a Abraão.'" Mt 3,7-9

    Tudo isso era realmente demais, inaceitável para o Batista, que por isso sempre viveu no deserto. E cioso das maiores responsabilidades, após anunciar o Cristo não lhe restava outra coisa senão continuar vivendo o que pregava: negar-se a si mesmo: "Importa que Ele cresça e que eu diminua." Jo 3,30

    Vemos, então, que este Santo não poderia simplesmente passar por esse mundo, como muitos de nós pretendemos. E seu destino, que não nos enganemos, não foi a desgraça de uma horrível morte, mas a Eterna Glória. Não lhe importava a violência ou a humilhação, mas seu compromisso com a Verdade, com Deus. É Jesus Quem faz a melhor síntese de sua missão, ao falar aos religiosos da época: "Vós enviastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da Verdade." Jo 5,33

    De fato, São João Batista cumpriu muito bem sua missão. Primeiro, pregando o arrependimento dos pecados, e assim preparava o povo de Israel para encontrar-se com Deus Jesus, antecipando Seu próprio anúncio: "Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia. Dizia ele: 'Fazei penitência, porque o Reino dos Céus está próximo.'" Mt 3,1-2

    Em seguida, tomando Confissões e batizando, para purificar-lhes os pecados: "Pessoas de Jerusalém, de toda Judeia e de toda circunvizinhança do Jordão vinham a ele. Confessavam seus pecados e por ele eram batizados nas águas do Jordão." Mt 3,5-6

    Por fim, após batizar Jesus, passou a anunciá-Lo como o Redentor: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." Jo 1,29

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Espírito de Comunhão

    Se a Comunhão com Deus e com nossos irmão é possível, isto dá-se por Aquele que promove a Unidade da Igreja através da EucaristiaSão Paulo rezava: "A Graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" 2 Cor 13,13

    Devemos ajudar uns aos outros, portanto, unidos pelo Espírito em oração, como São Judas Tadeu diz: "Mas vós, caríssimos, mutuamente edificai-vos sobre o fundamento da vossa santíssima . Orai no Espírito Santo." Jd 1,20

    De fato, segundo o Último Apóstolo "... quem se une ao Senhor, com Ele torna-se um só Espírito." 1 Cor 6,17

    Pois a Unção do Espírito de Deus nos conduz a Verdade, como São João Evangelista afirma: "Vós, porém, tendes a Unção do Santo e sabeis todas coisas. ... a Unção que d'Ele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine. Mas como Sua Unção vos ensina todas coisas, assim é ela verdadeira e não mentira. Permanecei n'Ele, como ela vos ensinou." 1 Jo 2,20.27

    Os dons do Santo Paráclito, de fato, têm por inarredável fim conduzir-nos à Unidade da fé, pois para isso somos inspirados por um só Espírito, como o Apóstolo dos Gentios prega: "Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só Corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres. E todos fomos impregnados do mesmo Espírito." 1 Cor 12,4.13

    Porque a Missão da Igreja é a iluminação e elevação dos filhos de Deus, como os seguidores da tradição de São Paulo atestaram: "Porque aqueles que uma vez foram iluminados, saborearam o dom celestial, participaram dos dons do Espírito Santo..." Hb 6,4

    E São Paulo mesmo afirma o diferencial que se estabeleceu no Pentecostes: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. ... pois todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,2.14

    Porque testemunhar Jesus é uma questão de obediência, a Deus e à Verdade. Apontando Jesus como o Salvador, São Pedro afirmou perante o Sinédrio: "Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,32

    E a Igreja vive porque se alimenta do Pão da Vida Eterna, pois Jesus advertia: "Em Verdade, em Verdade, digo-vos: se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53b

    É o que São Paulo atesta: "Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim." Gl 2,20a

    E garante: "Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida aos vossos corpos mortais por Seu Espírito, que em vós habita. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis..." Rm 8,11.13

    A Igreja, portanto, guarda a Sã Doutrina por Sua virtude, que reside em Seus Sacerdotes e fiéis. Referindo-se à Revelação, este Apóstolo recomenda a São Timóteo: "Guarda o Precioso Depósito, pela virtude do Espírito Santo que em nós habita." 2 Tm 1,14

terça-feira, 27 de agosto de 2024

A Força do Alto

    Tal poder faz-se representar pela autoridade que Jesus deu à Igreja, desde sua fundação no dia de Pentecostes, quando derramou o Espírito Santo sobre os Apóstolos. Pouco dias antes, pedindo que eles permanecessem em Jerusalém, Ele assegurou: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto." Lc 24,49

    Literalmente disse que essa é a força que faz Suas testemunhas por todo o mundo, pois Sua Igreja é efetivamente católica: "... mas descerá sobre vós o Espírito Santo e dá-vos-á força, e sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria e até os confins do mundo." At 1,8

    As autênticas testemunhas de Cristo, de fato, atestam o poder do Santo Paráclito, como São Paulo registrou: "Minha palavra e minha pregação longe estavam da persuasiva eloquência da Sabedoria. Antes, eram uma demonstração do Espírito e do poder divino..." 1 Cor 2,4

    Invocando a própria queda das muralhas de Jericó, ele diz mais: "Não são carnais as armas com as quais lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações. Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo." 2 Cor 10,4-5

    Tomando como exemplo as armas de um guerreiro, este Apóstolo faz uma pertinente comparação com nossas 'armas espirituais': "Tomai, portanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos maus dias e manter-vos inabaláveis no cumprimento de vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a Verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da Paz. Sobretudo, embraçai o escudo da , com que possais apagar todos inflamados dardos do Maligno. Tomai, enfim, o capacete da Salvação e a espada do Espírito, isto é, a Palavra de Deus." Ef 6,13-17

    Pois a Igreja é feita de novas criaturas, que vivem uma condição além da carne como viveu o próprio Cristo. O Último Apóstolo atestou: "De fato, Cristo morreu por todos para que os vivos não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim, doravante, não conhecemos ninguém conforme a natureza humana. E se uma vez conhecemos Cristo segundo a carne, agora já não O conhecemos assim. Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criatura. O velho mundo desapareceu. Tudo agora é novo." 2 Cor 5,15-17

    Fulgurantes, portanto, eram as vestes do anjo que apareceu a Santa Maria Madalena diante do Santo Sepulcro, no Domingo da Ressurreição: "E eis que houve um violento tremor de terra. Um anjo do Senhor desceu do Céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. Resplandecia como relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve." Mt 28,2-3

    Entretanto, essa é a promessa que Jesus faz a todos que guardam Seus Mandamentos, falando de Si em terceira pessoa: "Então, no Reino de Seu Pai, os justos resplandecerão como o sol." Mt 13,43

    Pois como a Glória que Jesus deu aos Apóstolos (Jo 17,22), essa é a própria Glória de Deus Pai, que estará estampada em Seus filhos, segundo o Apóstolo dos Gentios: "Quando Cristo, vossa Vida, aparecer em Seu triunfo, então vós também aparecereis com Ele, revestidos de Glória." Cl 3,4

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Revestir-se de Cristo

    São Paulo pregava aos efésios: "... revesti-vos do novo homem, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade." Ef 4,24

    E explicou aos colossenses o que significava ser cristão: "Vós despiste-vos do velho homem com seus vícios, e revestiste-vos do novo, que constantemente vai restaurando-se à imagem d'Aquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento." Cl 3,9-10

    Ele disse da Graça do Batismo aos gálatas: "Todos vós que fostes batizados em Cristo, revestiste-vos de Cristo." Gl 3,27

    E exortou os romanos: "... revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não façais caso da carne nem lhe satisfaçais aos apetites." Rm 13,14

    O próprio Jesus, falando de uma das dioceses da época, revelou a São João Evangelista essa nova condição. Está no Livro do Apocalipse"Todavia, tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes. Comigo andarão vestidas de branco, porque o merecem. O vencedor será assim revestido de brancas vestes. Jamais apagarei seu nome do Livro da Vida, e proclamá-lo-ei diante de Meu Pai e de Seus anjos." Ap 3,4-5

    Ora, essa é a atual aparência de Nossa Mãe Celestial, desde sua chegada aos Céus: "Em seguida, apareceu um grande sinal no Céu: uma Mulher revestida do sol, tendo a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas." Ap 12,1

    Pois segundo o Apóstolo dos Gentios, os que amam a Cristo devem trazer em si Sua imagem e Sua Glória, pois Deus "... os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos. E aos que predestinou, também os chamou; e aos que chamou, também os justificou; e aos que justificou, também os glorificou." Rm 8,29-30

    Com efeito, este é um indizível dom que Jesus deu aos Apóstolos, e assim à Igreja, quando rezou ao Pai a Oração da Unidade: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23

    E tal deve ser nossa postura em todas circunstâncias, como São Paulo leciona: "Fazei todas coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, íntegros filhos de Deus no meio de uma depravada e maliciosa sociedade, onde brilhais como luzeiros no mundo, a ostentar a Palavra da Vida." Fl 2,14-16a

    Porque essas 'vestes espirituais' deixam claros sinais em nossa alma, que fortemente transparecem em nosso jeito de agir: "Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada Misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência." Cl 3,12

    Ora, Jesus exortou-nos, no Sermão da Montanha, atribuindo a nós um propriedade que sabemos ser Sua: "Vós sois a Luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do caixote, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem Vosso Pai que está nos Céus." Mt 5,14-16

domingo, 25 de agosto de 2024

Jesus, Cordeiro Imolado

    São Paulo pedia uma completa renovação em nossas vidas, falando de pães sem fermento, e justificava: "Purificai-vos do velho fermento para que sejais nova massa! Porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, Nossa Páscoa, foi imolado." 1 Cor 5,7

    Com razão, para estabelecer a Nova Aliança prometida desde os tempos do Profeta Jeremias (Jr 31,33), em Si mesmo Jesus realizou o Sacrifício Perfeito. É o que os seguidores de São Paulo argumentam, ao contemplar os sacrifícios que os judeus seguiam oferecendo: "Enquanto todo sacerdote diariamente se ocupa com seu ministério, e inúmeras vezes repete os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício, e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus, onde de ora em diante espera que Seus inimigos sejam postos como um banquinho para Seus pés (Sl 109,1)." Hb 10,11-13

    Afirmativamente, se Deus poupou Isaque, o filho de Abraão, e tão somente o fato de Ele ter cogitado esse sacrifício parece-nos um absurdo, não hesitou em poupar Seu próprio Filho. Jesus mesmo atestou: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo que lhe deu Seu Único Filho, para que todo aquele que n'Ele crer não pereça, mas tenha a Vida Eterna." Jo 3,16

    O Último Apóstolo também apresentou este sacrifício como uma prova do amor de Deus, e assim como garantia de tudo que podemos pedir-Lhe: "Aliás, sabemos que todas coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo Seus desígnios. Aquele que não poupou Seu próprio Filho, mas que por todos nós O entregou, como com Ele também não nos dará todas coisas?" Rm 8,28.32

    Por isso, evocando o Profeta Oseias, Nosso Salvador vai falar em compaixão perante os fariseus: "Ide e aprendei o que significam estas palavras: 'Eu quero a Misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6).'" Mt 9,13

    Ora, Ele bem sabia o que sofreria Sua Igreja: "Expulsá-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus. Procederão deste modo porque não conheceram o Pai, nem a Mim." Jo 16,2-3

    E por duas vezes pediu a São Pedro que cuidasse dos mais frágeis entre Seu rebanho: "Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: 'Simão, filho de João, amas-Me mais que a estes?' Respondeu ele: 'Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta Meus cordeiros.' Perguntou-lhe outra vez: 'Simão, filho de João, amas-Me?' Respondeu-Lhe: 'Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta Meus cordeiros.'" Jo 21,15-16

    Pois o Príncipe dos Apóstolos tinha bem claro que o Cordeiro havia redimido nossos pecados diante  de Deus. A Primeira Carta de São Pedro vai pregar: "Porque vós sabeis que não é por perecíveis bens, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados de vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais. Mas pelo precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro Imaculado e sem defeito algum, Aquele que foi predestinado antes da criação do mundo e que nos últimos tempos foi manifestado por amor a vós." 1 Pd 1,18-20

    Assim, por tal feito, Ele, o Cordeiro de Deus, é digno de toda Glória perante todos anjos de Deus, como São João evangelista viu e registrou no Livro do Apocalipse: "Eu vi no meio do trono, dos quatro Seres e dos Anciãos (todos anjos!) um Cordeiro, de pé, como que imolado. Tinha Ele sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus, enviados por toda Terra. Em minha visão também ouvi, ao redor do trono, dos Seres e dos Anciãos, a voz de muitos anjos, em número de miríades de miríades e de milhares de milhares, bradando em alta voz: 'Digno é o Cordeiro Imolado de receber o poder, a riqueza, a Sabedoria, a força, a Glória, a honra e o louvor.'" Ap 5,6.11-12

sábado, 24 de agosto de 2024

São Bartolomeu Apóstolo

    Foi um dos primeiros Apóstolos, precedido apenas por Santo André, São Pedro, São Filipe e, muito provavelmente, São João Evangelista. E teria sido este último quem narrou o encontro de São Bartolomeu, a quem chamava de Natanael, com Jesus, dois dias depois de Seu fulgurante Batismo por São João Batista, nas águas do Jordão: "No dia seguinte, tinha Jesus a intenção de dirigir-Se a Galileia. Encontra Filipe e diz-lhe: 'Segue-Me.' Filipe era natural de Betsaida, cidade de André e Pedro. Filipe encontra Natanael e diz-lhe: 'Achamos Aquele de Quem Moisés escreveu na Lei e que os Profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José.' Respondeu-lhe Natanael: 'Pode, porventura, vir boa coisa de Nazaré?' Filipe retrucou: 'Vem e vê.' Jesus vê Natanael, que Lhe vem ao encontro, e diz: 'Eis um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade.' Natanael pergunta-Lhe: 'De onde me conheces?' Respondeu Jesus: 'Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira.' Falou-Lhe Natanael: 'Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel.' Jesus replicou-lhe: 'Crês só porque te disse: 'Eu vi-te debaixo da figueira'? Verás coisas maiores que esta.' E ajuntou: 'Em Verdade, em Verdade, digo-vos: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem." Jo 1,45-51

    Natanael é o nome hebraico equivalente a Bartolomeu, que é o usado nos Evangelhos sinóticos quando mencionam a relação dos Apóstolos. E obedecendo a ordem de encontros registrada pelo Amado Discípulo, ele sempre está entre os primeiros, e também sempre logo após São Filipe. São Mateus, como exemplo, anotou: "Jesus reuniu Seus Doze discípulos. Conferiu-lhes o poder de expulsar os imundos espíritos e de curar todo mal e toda enfermidade. Eis os nomes dos Doze Apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor." Mt 10,1-4

    Como visto acima, após uma demonstração de clarividência de Jesus, São João Evangelista apresenta-o como o primeiro a declará-Lo como o Filho de Deus, precedendo o próprio São Pedro, mas, é provável, tanto quanto a própria afirmação do Filipe, que ele o tenha dito só por espanto, sem uma perfeita consciência do que falava. E nessa mesma passagem, vemos que São Bartolomeu, como a maioria dos judeus à época, alimentava um declarado preconceito contra a Galileia ou qualquer de suas cidades, como Nazaré. Mesmo sendo ele mesmo galileu. O preconceito de São Bartolomeu, porém, não o impediu de chamar Jesus de Salvador, ainda que ele o tenha feito de um ímpeto.

    São João Evangelista também teve o cuidado de identificar o local de nascimento de São Bartolomeu. É na cena da pesca miraculosa, que ele narra como tendo acontecido depois da Ressurreição de Jesus: "Estavam juntos Simão Pedro, Tomé (chamado Dídimo), Natanael (que era de Caná da Galileia), os filhos de Zebedeu e outros dois dos Seus discípulos." Jo 21,2

    Tal registro reflete a distinção com que São Bartolomeu era tratado, e como São João Evangelista o conhecia e estimava. Foi feito por ocasião da solene investidura do Pontificado de São Pedro, quando Jesus confiou ao Príncipe dos Apóstolos, de cordeiros a ovelhas, todo Seu rebanho. Portanto, junto aos bem letrados filhos do sacerdote Zebedeu, sempre íntimos de Jesus, e ao intelectual e especulativo São Tomé, São Bartolomeu foi privilegiada testemunha, digna da importância deste fato. Assim segue a narrativa: "Disse-lhes Simão Pedro: 'Vou pescar.' Responderam-lhe eles: 'Nós também vamos contigo.' Partiram e entraram na barca. Chegada a manhã, Jesus estava na praia. Esta já era a terceira vez que Jesus Se manifestava a Seus discípulos, depois de ter ressuscitado. Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: 'Simão, filho de João, amas-Me mais que a estes?' Respondeu ele: 'Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas." Jo 20,3a.4a.14-15.17b

    Leitor e observador das Escrituras, São Bartolomeu era contemplativo, e seguia São João Batista antes do início da vida pública de Nosso Senhor, como mostra o Evangelho que vimos: estava em retiro espiritual na área de atuação do Batista, sentado debaixo de uma figueira às margens do Jordão. E já havia conquistado a companhia e o coração de São Filipe, que também era estudioso e contemplativo, além de exigente e pragmático judeu. Por fim, o melhor testemunho sobre nosso Santo é do próprio Jesus, que nele viu um "... verdadeiro israelita, no qual não há falsidade." Jo 1,47

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Filhos para Obedecer

    Para que vivamos uma boa relação com Deus, basta que sejamos obedientes e confiemos, porque tudo está muito além de nossas capacidades para que tentemos compreender cada detalhe ou a integridade do Divino Projeto. Ou seja, fora o que nos foi dado conhecer pela Revelação, devemos tão somente crer, como São Paulo reza: "Àquele que, pela virtude que em nós opera, pode fazer infinitamente mais que tudo quanto pedimos ou entendemos..." Ef 3,20

    E nosso conhecimento, sem a Luz de Deus, é pura cisma, precisamente o pecado cometido por Eva. Ora, o pleno conhecimento, sem que seja necessário ouvir a Deus, foi a oferta que a Serpente lhe fez: "Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos abrir-se-ão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal." Gn 3,5

    Na verdade, nós devemos sim desejar a perfeição, mas aquela oferecida por Deus, que é conforme a Revelação, como a São Pedro foi dado reconhecer o Cristo no Nazareno: "Então lhe disse Jesus: 'Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas Meu Pai que está nos Céus.'" Mt 16,17

    Para tanto Jesus edificou a Igreja, que nos comunica Sua divina maturidade. O Último Apóstolo ensina aos efésios: "A uns Ele constituiu Apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do Corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo." Ef 4,11-13

    E nela devemos aguardar o cumprimento dos planos do Pai, como ele diz aos coríntios: "Pois nosso conhecimento é limitado. Limitada também é nossa profecia. Mas, quando vier a perfeição, desaparecerá o que é limitado." 1 Cor 13,9-10

    Por essa razão, foi dada à Igreja a unção do Divino Paráclito, ainda segundo ele: "... fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor de nossa herança, enquanto esperamos a completa Redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor de Sua Glória." Ef 1,13b-14

    Pois o Cristo, por toda terrena vida, deve ser nossa reflexão e contemplação, além de exclusiva fonte de Sabedoria. Ele confidencia aos colossenses: "Tudo sofro para que seus corações sejam reconfortados e que, estreitamente unidos pela caridade, sejam enriquecidos de uma plenitude de inteligência, para conhecerem o mistério de Deus, isto é, Cristo, no Qual estão escondidos todos tesouros de Sabedoria e de ciência." Cl 2,2-3

    Porque, obedecendo aos Mandamentos, temos o precioso auxílio do Divino Paráclito, como o Príncipe dos Apóstolos afirmou perante o Sinédrio: "Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,32

    Invocando a mesma citação feita por Jesus, ele exorta-nos à sincera obediência: "À maneira de obedientes filhos, já não vos amoldeis aos desejos que antes tínheis, no tempo de vossa ignorância. A exemplo da santidade d'Aquele que vos chamou, também sede vós santos em todas vossas ações, pois está escrito: 'Sede santos, porque Eu sou Santo (Lv 11,44).' Se invocais como Pai Aquele que, sem distinção de pessoas, julga cada um segundo suas obras, vivei com temor durante o tempo de vossa peregrinação." 1 Pd 1,14-17

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Nossa Senhora Rainha

 

    A coroação de Nossa Senhora não é dúvida para ninguém, pois São João Evangelista claramente anotou no Livro do Apocalipse: "Em seguida, apareceu no Céu um grande sinal: uma Mulher revestida do sol, tendo a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas." Ap 12,1

    Ora, é patente que esta Mulher é Maria porque se lê versículos adiante: "Ela deu à luz um Filho, um Menino, Aquele que deve reger todas pagãs nações com cetro de ferro. Mas Seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e de Seu trono." Ap 12,5

    E que ela é Rainha Mãe também é uma evidência, pois seu Filho é Rei, como a ela anunciou o Arcanjo São Gabriel: "Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus dá-Lhe-á o trono de Seu pai Davi. Ele reinará eternamente na Casa de Jacó, e Seu Reino não terá fim." Lc 1,32-33

    Ora, o reinado de Nossa Mãe Celeste já havia sido profetizado num salmo, onde se vê que seus prediletos filhos, os Santos e os Sacerdotes, iriam reinar: "Vosso trono, ó Deus, é eterno, de equidade é Vosso cetro real. ... posta-se à Vossa direita a Rainha, ornada de ouro de Ofir. Ouve, filha, vê e presta atenção: esquece teu povo e a casa de teu pai. De tua beleza encantar-Se-á o Rei. Ele é Teu Senhor, rende-Lhe homenagens. Tomarão teus filhos o lugar de teus pais, tu estabelecê-lo-ás príncipes sobre toda Terra. Celebrarei teu nome através das gerações. E os povos eternamente louvar-te-ão." Sl 44,7.10b-12.17-18

    E que a rainha-mãe era uma tradição em Israel, também é patente: "Betsabé, pois, foi ter com o rei... O rei levantou-se para ir-lhe ao encontro, fez-lhe uma profunda reverência e sentou-se no trono. Mandou colocar um trono para sua mãe, e ela sentou-se à sua direita..." 1 Rs 2,19

    A mãe do rei Jeconias igualmente era rainha mãe: "Eis o teor da carta que o Profeta Jeremias endereçou de Jerusalém aos demais anciãos cativos, aos sacerdotes e Profetas, e a todo povo deportado por Nabucodonosor para Babilônia, depois que deixaram Jerusalém o rei Jeconias, a rainha-mãe, os eunucos, os chefes de Judá e Jerusalém e os carpinteiros e serralheiros." Jr 29,1-2

    Também fala da especialíssima Rainha o Livro dos Cânticos dos Cânticos, em cujos divinos reflexos de poder e Glória é impossível não ver Maria, a predileta de Deus, segundo Ele mesmo: "Há sessenta rainhas, oitenta concubinas, e inumeráveis jovens mulheres. Uma, porém, é minha pomba, uma só minha perfeita. Ela é a única de sua mãe, a predileta daquela que a deu à luz. Ao vê-la, as donzelas proclamam-na bem-aventurada, rainhas e concubinas louvam-na. Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um exército em ordem de batalha?" Ct 6,8-10

    Além do muito especial reinado de Maria, iniciado desde sua Assunção aos Céus, Jesus prometeu aos Apóstolos que eles reinariam e julgariam Consigo: trata-se da efetiva Graça da Comunhão dos Santos: "Em Verdade, declaro-vos: no dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da Glória, vós, que Me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel." Mt 19,28

    Ele também falou de gente comum, mas certamente Santa, ativamente participando das decisões de Seu Reino: "No Dia do Juízo, os ninivitas levantar-se-ão com esta raça e condená-la-ão, porque à voz de Jonas fizeram penitência." Mt 12,41

    Ora, se a pobres pecadores está prometida tamanha Glória, como poderíamos negar o reinado à Imaculada Virgem que nos trouxe a Salvação? Por inspiração do Espírito Santo, e tão somente ao receber a saudação de Nossa Mãe Celeste, Santa Isabel respondeu-lhe: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o Fruto de teu ventre. De onde me vem esta honra: de vir a mim a Mãe de Meu Senhor?" Lc 1,42b-43

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

O Exercício da Fé

    Entre os Apóstolos, dado o privilégio que tiveram de presenciar Seus milagres, Jesus não tolerava nem mesmo o medo de morrer. É o que vemos quando a tempestade e as ondas jogavam o barco de um lado para outro, e eles atemorizavam-se. Ele severamente repreendeu-os: "Por que este medo, gente de pouca fé?" Mt 8,26

    Da mesma forma, quando São Pedro se ofereceu para andar sobre as águas mas vacilou diante dos fortes ventos, foi censurado por Ele: "Homem de pouca , por que duvidaste?" Mt 14,31

    O mesmo deu-se quando os Doze já não entendiam Sua Palavra, por preocuparem-se em demasia com a comida que levavam para a viagem. Ele não os poupou: "Homens de pouca fé! Por que julgais que vos falei por não terdes pão?" Mt 16,8-9

    Ou quando os Apóstolos não conseguiram exorcizar um menino possesso, e seu pai teve que pedir socorro a Jesus: "Ó incrédula e perversa geração, até quando estarei convosco e vos aturarei? Traze cá teu filho." Lc 9,41

    São Tomé também não ficou sem correção por sua incredulidade e egocentrismo. Enquanto duvidava de Sua Ressurreição, e exigia uma prova, Jesus disse-lhe ao aparecer mais uma vez em meio aos Onze: "Introduz aqui teu dedo, e vê Minhas mãos. Põe tua mão no Meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé." Jo 20,27

    A mulher estrangeira, em contraponto, que humildemente aceitou 'as migalhas' de Sua atenção, recebeu um entusiasmado elogio de Nosso Salvador. De fato, sua fé estava acima da vergonha ou da vaidade: "Ó mulher, grande é tua fé!" Mt 15,28

    O centurião, no mesmo sentido, que acreditava que bastaria tão somente uma Palavra Sua para a cura de seu servo, foi enaltecido por Jesus: "... nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé." Lc 7,9

    E apontando a insensata cultura dos mundanos prazeres, Ele denunciava a origem de toda incredulidade, dizendo aos religiosos de Jerusalém: "Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a Glória que é só de Deus?" Jo 5,44

    São Paulo, que pelas Escrituras já divisava a Divindade de Jesus, bem sabia o caminho: "Logo, a fé provém da pregação, e a pregação exerce-se em razão da Palavra de Cristo." Rm 10,17

    Condenava, por isso, os projetos que não têm por meta a Vida Eterna: "Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, somos, de todos homens, os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19

    O que aprendemos de Jesus, portanto, é que Ele não nos quer entregues a ventos de incertezas. Temos sempre que acreditar mesmo vivendo num mundo extremamente violento, onde a vida foi banalizada. Poderíamos deixar de dar nosso testemunho de fé? Não por acaso, quando falava sobre os últimos tempos, Ele deixou uma ruidosa pergunta: "Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a Terra?" Lc 18,8

    Contudo, não deixou de apontar o difícil caminho da fé: "Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo" Mt 24,13

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Amar a Deus com o Próprio Amor de Deus

    São João Evangelista aponta a fonte do verdadeiro amor: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros porque o amor vem de Deus. E todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus." 1 Jo 4,7

    Ele explicita: "Mas amamos porque Deus nos amou primeiro." 1 Jo 4,19

    E explica como se dá a Comunhão com Deus: "Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele." 1 Jo 4,16

    Alegando o Sacrifício Pascal de Cristo, ele diz como nos foi dado conhecer esse amor e qual sua finalidade: "Nisto manifestou-se o amor de Deus para conosco: em ter-nos enviado Seu Único Filho ao mundo, para que por Ele vivamos. E nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou Seu Filho como Salvador do mundo." 1 Jo 4,9.14

    Também identifica que, por franca antecipação, fomos libertos por esse amor: "Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos Ele amado, e enviado Seu Filho para expiar nossos pecados." 1 Jo 4,10

    Por isso, exclama: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus." 1 Jo 3,1a

    Trata-se, pois, do mesmo amor de Salvação, do amor do Sacrifício Pascal, do amor de compromisso com os demais: "Nisto temos conhecido o amor: Jesus deu Sua vida por nós. Nós também devemos dar nossa vida pelos nossos irmãos." 1 Jo 3,16

    E detalha: "No amor não há medo. Ao contrário, o perfeito amor lança fora o medo, pois o medo implica castigo, e aquele que tem medo não chegou à perfeição do amor." 1 Jo 4,18

    O salmista, no entanto, já via tal sacrifício como mera consequência da : "Mas por Vossa causa somos entregues à morte todos dias, e tratados como ovelhas de matadouro." Sl 43,23

    Neste caminho da Cruz, São Pedro propõe essa ascese, que culmina na caridade: "Por estes motivos, esforçai-vos quanto possível por unir à vossa fé a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o fraterno amor, e ao fraterno amor a caridade." 2 Pd 1,5-7

    Citando o Livro dos Provérbios, ele indica no amor nossa intangível luta contra o pecado: "Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque o amor cobre a multidão dos pecados (Pr 10,12)." 1 Pd 4,8

    São Paulo fala em algo parecido: "... leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda humildade e amabilidade, com grandeza de alma, mutuamente suportando-vos com caridade." Ef 4,2

    E afirmava o amor a Deus como vínculo da Divina Graça: "A Graça esteja com todos que amam Nosso Senhor Jesus Cristo com inalterável e eterno amor." Ef 6,24

    O Príncipe dos Apóstolos, por fim, vê no salvífico amor a fonte da verdadeira alegria: "Este Jesus, vós amai-Lo sem O terdes visto; n'Ele credes ainda sem O verdes, e isto é para vós a fonte de uma inefável e gloriosa alegria, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a Salvação de vossas almas." 1 Pd 1,8-9

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

O Cordeiro de Deus

    São João Batista assim apresentou Nosso Salvador, depois de batizá-Lo: "No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.'" Jo 1,29

    A simbologia do Cordeiro vem de uma antiga tradição dos judeus: "O anjo do Senhor, porém, gritou-lhe do Céu: 'Abraão! Abraão!' 'Eis-me aqui!' 'Não estendas tua mão contra o menino, e não lhe faças nada. Agora eu sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu próprio filho, teu único filho.' Abraão, levantando os olhos, viu atrás dele um cordeiro preso pelos chifres entre os espinhos, e tomando-o, ofereceu-o em holocausto em lugar de seu filho." Gn 22,11-13

    Esse passou a ser o Sacrifício da Páscoa: "Moisés convocou todos anciãos de Israel e disse-lhes: 'Ide e escolhei um cordeiro por família, e sacrificá-lo-ás para a Páscoa." Ex 12,21

    E também de expiação dos pecados"O sacerdote que fez a purificação apresentará o homem que há de ser purificado e todas essas coisas ao Senhor, à entrada da Tenda de Reunião. Tomará, em seguida, um dos cordeiros e oferecê-lo-á em sacrifício de reparação com a medida de óleo, e agitá-los-á como oferta diante do Senhor." Lv 14,11-12

    Com as reformas promovidas pelo rei Josias, pois, após Helcias ter reencontrado o Livro da Lei no Templo, os sacerdotes judeus retomaram essa função: "Imolaram o cordeiro pascal. Com o sangue que receberam das mão dos levitas, os sacerdotes fizeram a aspersão, enquanto os levitas esfolavam as vítimas." 2 Cr 35,11

    Séculos depois, porém, o Profeta Oseias, que será mencionado por Jesus (cf. Mt 12,7), começou a contestar os sacrifícios por terem-se tornado um mecânico ritual em meio à completa corrupção de Israel: "Que te farei, Efraim? Que te farei, Judá? Vosso amor é como a nuvem da manhã, como o orvalho que logo se dissipa. Por isso é que Eu os castiguei pelos Profetas, matei-os pelas palavras de Minha boca, e Meu Juízo resplandece como o relâmpago, porque Eu quero o amor mais que os sacrifícios, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos." Os 6,4-6

    E nas profecias de Isaías, o próprio Messias foi prescrito como o Cordeiro Imolado: "Foi maltratado e resignou-se. Não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca. Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender Sua causa quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo? Foi-Lhe dada sepultura ao lado de facínoras, e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em Sua boca nunca tenha havido mentira." Is 53,7-9

    É nessa condição que Jesus envia Seus seguidores, dos quais muitos foram brutalmente martirizados: "Ide! Eis que Eu vos envio como cordeiros entre lobos." Lc 10,3

    Pedindo verdadeira conversão, pois, São Pedro recorda o Sacrifício de Cristo: "Porque vós sabeis que não é por perecíveis bens, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados de vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais. Mas pelo precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro Imaculado e sem defeito algum, Aquele que foi predestinado antes da criação do mundo e que nos últimos tempos foi manifestado por amor a vós." 1 Pd 1,18-20

    Mas é tão somente no Céu, onde a noiva, a Jerusalém Celestial receberá devidamente Jesus, que Deus Pai quer oferecer-nos o Eterno Banquete. Foi o texto ditado para que São João Evangelista registrasse no Livro do Apocalipse: "Felizes os convidados para a ceia das núpcias do Cordeiro." Ap 19,9