quinta-feira, 19 de março de 2026

São José

    Logo após explicar a concepção de Cristo no ventre de Maria Santíssima pelo Divino Espírito Santo, o Evangelho Segundo São Mateus deixou um simples, breve, mas veemente testemunho sobre o pai adotivo de Jesus. Disse de Nossa Senhora: "José, seu esposo, era justo..." Mt 1,19

    Ser chamado de justo não é algo muito frequente nas Escrituras. Ao contrário, entre guerras e exílios, o Livro do Profeta Miqueias reclamava da generalizada corrupção, inclusive em Israel: "Desapareceram os piedosos homens da Terra, não há um justo entre os homens." Mq 7,2

    Ao sustentar que nada nos foi dado por merecimento, mas tão somente pela Graça de Deus, a Carta de São Paulo aos Romanos, falando a cristãos que haviam sido judeus e comparando-se aos pagãos, buscou um verso do rei Davi no Livro de Salmos para dizer o mesmo: "E então? Avantajamo-nos a eles? De maneira alguma. Pois já demonstramos que judeus e gregos estão todos sob o domínio do pecado, como está escrito: 'Não há nenhum justo, nem um sequer (Sl 14,3b).'" Rm 3,9-10

    Sabemos que São José era natural de Belém e descendente da tribo do rei Davi, como o Evangelho Segundo São Lucas narrou: "José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, a Judeia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi... " Lc 2,4

    E não existe sombra de dúvida sobre sua profissão, certamente por lembrança de sua expressiva caridade. De fato, quando na primeira visita em vida pública, o povo de Nazaré admirou a Sabedoria e os poderes de Seu Filho, perguntou-se: "Não é este o Filho do carpinteiro?" Mt 13,55a

    Nem dúvida de seu renome, pois até em Cafarnaum ainda era conhecido pelos líderes locais mais de 15 anos após sua morte, como se vê no Evangelho Segundo São João: "E perguntavam: 'Porventura não é Ele Jesus, o filho de José, Cujo pai e mãe conhecemos?'" Jo 6,42a

    Aliás, foi através da boa e respeitosa consideração que o povo tinha por Seu pai terreno que os primeiros Apóstolos identificaram Nosso Senhor. Foi pouco depois de Seu Batismo por São João Batista: "Filipe encontra Natanael e diz-lhe: 'Achamos Aquele de Quem Moisés escreveu na Lei e que os Profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José.'" Jo 1,45

    Os relatos bíblicos que contam a história de José, começam logo após a genealogia de Jesus apontada por São Mateus: "Ora, a origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, Sua mãe, estava prometida em casamento a José e, antes de passarem a conviver, ela encontrou-se grávida pela ação do Espírito Santo." Mt 1,18

    Contrita, Maria não tinha como explicar sua gravidez a São José, e pela virtude da prudência esperou que Deus cuidasse do grande constrangimento que essa gestação causaria. De fato, ao perceber sua gravidez, ele, homem de extrema correção, não quis julgá-la. A traição conjugal àquele tempo era punida com apedrejamento (cf. Dt 22,24): "José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, pensou em despedi-la de secreto modo. Mas, ao assim pensar, em sonho apareceu-lhe um anjo do Senhor, que lhe disse: 'José, filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa! Aquele que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho, e tu dá-Lhe-ás o Nome de Jesus, pois Ele vai salvar Seu povo de seus pecados.'" Mt 1,19-21

    Portanto, este anjo, seu Anjo da Guarda, incumbiu São José da paternidade de Jesus e de Lhe pôr o Nome, funções que ele iria cumprir com absoluta obediência, como lhe era característico: "Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado e em sua casa acolheu sua esposa." Mt 1,24

    Santo homem que para si atraiu o puríssimo amor de Maria, José não teve nenhuma dificuldade para se manter em celibato, condição que certamente havia muitos anos já abraçava. Humildemente, apenas cumpriu o que lhe foi ordenado: "E sem que tivessem mantido relações conjugais, ela deu à luz o Filho. E ele pôs-Lhe o Nome de Jesus." Mt 1,25

quarta-feira, 18 de março de 2026

A Vida Espiritual

    A realidade anunciada por Jesus deve ser experimentada no íntimo da alma, como Ele disse à samaritana junto ao poço de Jacó, no Evangelho Segundo São João: "Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai no espírito e na Verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito, e Seus adoradores devem adorá-Lo no espírito e na Verdade." Jo 4,23-24

    De fato, Ele fala de outra Vida: "Assim como o Pai, que Me enviou, vive, e Eu vivo pelo Pai, aquele que comer Minha Carne também viverá por Mim." Jo 6,57

    Em muitos momentos, Sua vida lembrava a de um permanente penitente, como disse a um escriba que se ofereceu para segui-Lo, no Evangelho Segundo São Mateus: "Respondeu Jesus: 'As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.'" Mt 8,20

    E Sua fonte de Vida realmente era sobrenatural: "Entretanto, os discípulos pediam-Lhe: 'Mestre, come.' Disse-lhes Jesus: 'Meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou, e cumprir Sua obra.'" Jo 4,31.34

    Tudo isso em nome de um claro sacrifício pela Salvação do próximo, pois, nosso dever é renegar toda e qualquer pessoal realização, como Nosso Salvador determinou: "Se alguém quiser vir Comigo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-Me." Mt 16,24b

    A Carta de São Paulo aos Gálatas assim explicou em que consistia a realidade espiritual vivida pelos Apóstolos, por ele mesmo e pelos reais seguidores do Messias: "Pois aqueles que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as más paixões e concupiscências." Gl 5,24

    Grande penitente, a Carta de São Paulo aos Colossenses diz com contundência: "O que falta às tribulações de Cristo, completo em minha carne, por Seu Corpo que é a Igreja." Cl 1,24

    E a Carta de São Paulo aos Romanos fala em perfeita obediência: "Graças a Deus, porém, que, depois de terdes sido escravos do pecado, obedecestes de coração à regra da Doutrina na qual tendes sido instruídos. E, libertados do pecado, tornaste-vos servos da Justiça." Rm 6,17-18

    O Apóstolo dos Gentios bem sabia para Quem vivia: "É, porventura, o favor dos homens que eu procuro, ou o de Deus? Por acaso tenho interesse em agradar aos homens? Se ainda quisesse agradar aos homens, não seria servo de Cristo." Gl 1,10

    Por isso, a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses defendia a Sã Doutrina, da qual a Igreja Apostólica é depositária: "Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos infundiu Seu Santo Espírito." 1 Ts 4,7-8

    Explicou o que a Santa Missa representa e nela pediu nossa participação: "Eu exorto-vos, pois, irmãos, pelas Misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em vivo, santo e agradável sacrifício a Deus: é este vosso culto espiritual. Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." Rm 12,1.11

    Realmente pedia que resistíssemos à carne, ao mundo e a Satanás, como está na Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo: "Eis aqui uma recomendação que te dou, meu filho Timóteo, de acordo com aquelas profecias que foram feitas a teu respeito: amparado nelas, sustenta o bom combate, com fidelidade e boa consciência, pois alguns desprezaram e naufragaram na ." 1 Tm 1,18-19

    Na Carta aos Hebreus, os seguidores da sua tradição iriam ainda mais longe ao falar em resistência, acenando para o próprio Sacrifício de Cristo: "Atentamente considerai, pois, Aquele que tantas contrariedades sofreu dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo. Ainda não tendes resistido até o sangue, na luta contra o pecado." Hb 12,3-4

    Enfim, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios ensina: "Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim aquelas que não se vêem . Pois as coisas que se vêem são temporais, e aquelas que não se vêem são eternas." 2 Cor 4,17b

terça-feira, 17 de março de 2026

Sinais do Invisível

    Quando a Santa Igreja Católica celebra um Sacramento, é Deus que dele Se serve para firmar compromisso e derramar Suas Graças. Eles são, portanto, visíveis sinais de Suas invisíveis manifestações, isto é, continuam mesmo sendo mistérios, o que é muito adequado, pois a realidade que vivemos se dá nesse limiar: do visível para o invisível. Na Carta aos Hebreus, os seguidores da tradição de São Paulo disseram do ministério de Moisés: "Foi pela que ele deixou Egito, não temendo a cólera do rei, com tanta segurança como estivesse vendo o invisível." Hb 11,27

    O Livro de Eclesiástico até advertia: "Nunca te glories de tuas vestes, nem te engrandeças no dia em que fores homenageado, pois só as obras do Altíssimo são admiráveis, dignas de Glória, misteriosas e invisíveis." Eclo 11,4

    Contudo, mesmo operando coisas muito além de suas compreensões, por obediência os Apóstolos e os membros da Igreja Una continuaram celebrando os Sacramentos deixados por Jesus. A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios suspira: "Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos Mistérios de Deus." 1 Cor 4,1

    De fato, mesmo com a Vinda de Jesus não é difícil constatar que nem tudo nos foi revelado. Ele mesmo avisou da tarefa que caberia ao Espírito Santo logo após Sua Ascensão aos Céus, numa nova fase, dos tempos finais (cf. Hb 1,2), que se convencionou chamar de Tempo do Espírito Santo, da Igreja ou dos Sacramentos. O Evangelho Segundo São João anotou estas Suas palavras, em última noite entre os Apóstolos: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas agora não podeis suportá-las. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensiná-vos-á toda Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,12-13

    Noutra situação, Nosso Salvador prometeu revelar alguns mistérios aos Apóstolos, mas intencionalmente deixou de fora pessoas que ainda tinham que meditar, como a semente que só brota se houver o devido cuidado. É da leitura do Evangelho Segundo São Lucas: "A vós é concedido conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros fala-se-lhes por parábolas, de forma que olhando não vejam, e ouvindo não entendam." Lc 8,10

    E mesmo dentre o que foi revelado por Jesus e pelas Escrituras, ainda há muita coisa que ainda não entendemos. A verdade é que toda nossa vida é cercada de mistérios, assim como o comando de Deus e Suas interferências são. Na Carta de São Paulo aos Romanos, porém, ele não se mostrava incomodado com isso e até percebia a conveniência de que tudo assim continuasse. Extasiado, dizia: "Ó abismo de riqueza, de Sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são Seus juízos e inexploráveis Seus caminhos!" Rm 11,33

    Ora, a Carta de São Paulo aos Colossenses mostra que ele sentia na pele que não é fácil anunciar tão delicadas riquezas, pois disse sobre aqueles que pessoalmente ainda não o conheciam: "Tudo sofro para que seus corações sejam reconfortados e que, estreitamente unidos pela caridade, sejam enriquecidos de uma plenitude de inteligência, para conhecerem o Mistério de Deus, isto é, Cristo, no qual estão escondidos todos tesouros da Sabedoria e da ciência." Cl 2,2

    A Divina Sabedoria, pois, enquanto Sua Onisciência, não está ao nosso alcance. E assim muitos dos desígnios de Deus continuam sendo mistérios para nós, como o Apóstolo dos Gentios ensina: "Pregamos a Sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Ele predeterminou, antes de existir o tempo, para nossa Glória." 1 Cor 2,7

    Portanto, a também é um mistério, como os discípulos de São Paulo afirmam: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a Glória de nossos antepassados. Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela Palavra de Deus, e que as coisas visíveis se originaram do invisível." Hb 11,1-3

    E entre etapas da Revelação e revelações pessoais, o Livro de Eclesiástico já havia percebido, dizendo de Deus: "Muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que Ele revela Seus mistérios." Eclo 3,20b

segunda-feira, 16 de março de 2026

A Gula

    A Carta de São Paulo aos Romanos acertadamente coloca a bebida junto aos pecados da gula, aos quais também se incluem as drogas, ilícitas e farmacêuticas: "A noite está quase passando, o dia vem chegando: abandonemos as obras das trevas e vistamos as armas da Luz. Honestamente procedamos, como em pleno dia: nada de glutonerias e bebedeiras..." Rm 13,12-13

    E em Suas últimas pregações, ao nos exortar à constante vigilância, Jesus deixou uma palavra sobre esse entorpecimento como um dos três maiores males do fim dos tempos, avisando do Dia, seja pelo Juízo Particular ou pelo Juízo Final, em que haveremos de prestar contas a Deus. O Evangelho Segundo São Lucas anotou: "Velai sobre vós mesmos, para que vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, com a embriaguez e com as preocupações da vida. Para que Aquele Dia não vos apanhe de improviso." Lc 21,34

    Realmente pregava a temperança"Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, e não andeis com vãs preocupações. Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas estas coisas. Mas Vosso Pai bem sabe que precisais de tudo isso." Lc 12,29-30

    Ele evocou uma expressiva passagem do Livro de Deuteronômio, ao ser tentado pelo Demônio no deserto, que Lhe sugeria transformar pedras em pães. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Jesus respondeu: 'Está escrito: Nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3).'" Mt 4,4

    E no Pai Nosso ensinou-nos a pedir, além do diário Santíssimo Sacramento, que é o Pão da Vida Eterna, tão somente o bastante para o presente dia, ou seja, comida para uma autêntica frugalidade: "O Pão Nosso de cada dia dai-nos hoje..." Mt 6,11

    Já a Primeira Carta de São Pedro recomendou a sobriedade como constante postura espiritual, e abertamente disse o porquê: "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o Demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar." 1 Pd 5,8

    O Livro de Eclesiástico, pois, já ensinava: "Nunca sejas guloso em banquete algum. Não te lances sobre tudo que se serve, pois o excesso no alimento é causa de doença e a intemperança leva à cólica. Pela insaciável gula muitos pereceram. Quem é sóbrio, porém, prolonga a vida." Eclo 37,32-34

    Assim como o Livro de Provérbios: "Ouve, meu filho: sê sábio, dirige teu coração pelo reto caminho. Não te juntes aos bebedores de vinho, com aqueles que devoram carnes, pois o ébrio e o glutão se empobrecem e a sonolência se veste com farrapos." Pr 23,19-21

    E fulmina: "Zombeteiro é o vinho e amotinadora a cerveja. Quem quer que a isso se apegue não será sábio." Pr 20,1

    Ora, o Livro do Profeta Isaías advertia: "Ai daqueles que desde a manhã procuram a bebida, e que à noite se retardam nas excitações do vinho! Amantes da cítara e da harpa, do tamborim e da flauta, e do vinho em seus banquetes, mas para as obras do Senhor não têm sequer um olhar, e não enxergam a obra de Suas mãos." Is 5,11-12

    Aliás, conforme o Livro do Profeta Ezequiel, o grande pecado de Sodoma não teria sido o que mais comumente se conhece, mas uma consequência de outros: "O crime de tua irmã Sodoma era este: opulência, glutoneria, indolência, ociosidade..." Ez 16,49

    E no Livro de Tobias, a ele e a seu pai Tobit, o Arcanjo São Rafael recomendou uma prática que Nosso Salvador iria consagrar: "Boa coisa é a oração acompanhada de jejum..." Tb 12,8

    Ora, também chamada de moderação ou sobriedade, a temperança já era demonstrada pelo povo de Israel nas práticas de jejum feitas desde os primeiros tempos. No deserto, após a saída de Egito, Deus determinou a Moisés no Livro de Números: "No dia dez desse sétimo mês, tereis uma santa assembleia, um jejum e a suspensão de todo servil trabalho." Nm 29,7

domingo, 15 de março de 2026

A Comunhão

    O Corpo de Cristo, isto é, a Comunhão Eucarística, o Santíssimo Sacramento, é o verdadeiro maná oferecido pelo Pai. No Evangelho Segundo São João, referindo-Se ao maná (cf. Êx 16,14) que os israelitas comeram no deserto, Jesus apontou para Si e disse aos judeus em Cafarnaum, depois que multiplicou pães e peixes num lugar deserto: "Este é o Pão que desceu do Céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste Pão, viverá eternamente.'" Jo 6,58

    Pois sabendo que o mundo só acreditaria na Manifestação do Cristo se enxergasse uma verdadeira União entre os católicos, Jesus derramou Sua Glória sobre os Apóstolos, porque a Santa Igreja Católica é a marca de Sua passagem entre nós e do amor do Deus. Na noite do início de Sua Paixão, Ele rezou ao Pai a Oração da Unidade, da Comunhão da Igreja: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade, e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23

    Ora, Revelando-Se Deus nessa mesma ocasião, momentos antes Ele havia afirmado que essa Unidade com Ele, o que inclui o Pai e o Divino Espirito Santo, pela indivisibilidade da Trindade Santa, é imprescindível à efetiva vida espiritual: "Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanecer em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto..." Jo 15,5a

    Sempre Se dizendo essencial, pois só Deus é essencial, Ele sentenciou: "... porque sem Mim nada podeis fazer." Jo 15,5b

    E pouco depois da Santa Ceia, Ele havia dito sobre o dia de Sua Ressurreição, afirmando a Comunhão dos Santos: "Naquele dia, conhecereis que estou em Meu Pai, vós em Mim e Eu em vós." Jo 14,20

    A Primeira Carta de São João, de fato, diz que o anúncio do Evangelho tem como finalidade a Comunhão, com Deus e com os irmãos na Igreja Una: "O que vimos e ouvimos, isso agora vos anunciamos para que estejais em Comunhão conosco. Nossa Comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo." 1 Jo 1,3

    Também disse que só o Espírito de Deus, que conduz a Igreja Católica (cf. Jo 16,13), pode levar-nos à verdadeira Comunhão: "Quem observa Seus (Jesus) Mandamentos permanece em Deus, e Deus permanece nele. E que Ele permanece em nós, sabemos pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24

    E lembrando o purificador poder do Sangue de Cristo, ele pediu  discernimento àqueles que participam da Santa Eucaristia, e afirmou a Comunhão dos Santos: "Se dizemos que estamos em Comunhão com Deus, e no entanto andamos em trevas, somos mentirosos e não praticamos a Verdade. Mas se caminhamos na Luz, como Ele está na Luz, então estamos em Comunhão uns com os outros, e o Sangue de Jesus, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,6-7

    Pois a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios alerta, a quem está em pecado grave, da necessária Confissão antes de comungar da Eucaristia: "Portanto, todo aquele que indignamente comer o Pão ou beber o Cálice do Senhor, será culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo, e assim coma desse Pão e beba desse Cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe sua própria condenação. Esta é a razão porque entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos." 1 Cor 11,27-30

    Ferrenho defensor da Unidadeeste Apóstolo diz que os membros da Igreja Apostólica, ao participar do Rito Eucarístico, entram em perfeita Comunhão com Cristo, quer dizer, vivem em verdadeira Unidade com Ele e tornam-se um só Corpo: "O Cálice de bênção, que benzemos, não é a Comunhão do Sangue de Cristo? E o Pão, que partimos, não é a Comunhão do Corpo de Cristo? E como há um único Pão, nós, embora muitos, somos um só Corpo, pois todos participamos desse único Pão." 1 Cor 10,16-17

    Com veemência, portanto, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios pedia que usássemos entendimento (cf. Mc 12,30), porque respeitar é diferente de participar: "Não vos atreleis ao mesmo jugo que os infiéis! Pois que afinidade poderia existir entre a Justiça e a iniquidade? Ou que comunhão entre a Luz e as trevas?" 2 Cor 6,14

    Enfim, mencionando a Graça Sacramental, enquanto Sacerdote da Igreja pedia o devido respeito a todos Sacramentos: "Na qualidade de colaboradores de Deus, exortamo-vos a que não recebais Sua Graça em vão." 2 Cor 6,1

sábado, 14 de março de 2026

Deus Amigo

    Até nas acusações que os falsos religiosos Lhe faziam, Jesus era reconhecido por Seu amistoso proceder para com os mais afastados da . No Evangelho Segundo São Mateus, Ele mesmo relatou o que d'Ele diziam: "É um comilão e beberrão, amigo dos cobradores de impostos e dos pecadores." Mt 11,19

    Ao paralítico, descido numa maca através do telhado da casa de São Pedro (cf. Mc 2,1), Ele vai curar-lhe primeiro a alma, o que também fez com docilidade. É leitura do Evangelho Segundo São Lucas: "Meu amigo, teus pecados são-te perdoados." Lc 5,20

    Na parábola dos trabalhadores da vinha, na qual aqueles que começaram no fim do dia recebem o mesmo salário daqueles que trabalharam todo dia, uma alusão à Salvação igualmente oferecida a todas almas, Ele com cordialidade responde a quem Lhe reclama de uma suposta injustiça: "Amigo, Eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? Acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que Me pertence?" Mt 20,13.15

    Mesmo quando tratava das mais sérias questões, Ele amistosamente falava à multidão sobre a imortalidade da alma (cf. Mt 10,28): "Digo-vos, Meus amigos: não tenhais medo daqueles que matam o corpo e depois disto nada mais podem fazer. Mostrá-vos-ei a Quem deveis temer: temei Àquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno! Sim, Eu digo-vos: a Este temei." Lc 12,4-5

    Realmente não Se prevalecia de Sua divindade, e tratava os Apóstolos como amigos. No Evangelho Segundo São João, disse-lhes na noite em que se iniciaria Sua Paixão: "Vós sois Meus amigos, se fazeis o que vos mando." Jo 15,14

    E explicou: "Não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que Seu Senhor faz. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de Meu Pai." Jo 15,15

    Ora, Nosso Senhor vai chamar o próprio Judas Iscariotes de amigo, quando ele chegou com a guarda do sumo sacerdote no Getsêmani para O prender: "Amigo, para que estás aqui?" Mt 26,50

    Esse não era um aparente costume, ou só pessoalmente usado. Ele tinha falado em amigos até para os seguidores de São João Batista, ao afirmar Sua presença como Deus entre os homens, em preparação para as Núpcias do Cordeiro: "Podem os amigos do Esposo afligir-se enquanto o Esposo está com eles? Dias virão em que lhes será tirado o Esposo, então eles jejuarão." Mt 9,15

    Pois, como ensinava, a construção do Reino de Deus resume-se em fazer amigos, mesmo que estejamos nas situações de maior pecaminosidade: "Eu digo-vos: fazei-vos amigos com a injusta riqueza, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos eternos tabernáculos." Lc 16,9

    Ora, Sua Paz, que é sobrenatural (cf. Jo 14,27), derramada por Ele sobre os Apóstolos para que a repassassem a Sua Igreja (cf. Jo 21,17), que é Católica (cf. At 1,8), jamais se perde: "Em qualquer casa em que entrardes, primeiro dizei: 'A Paz esteja nesta casa.' Se ali morar algum amigo da Paz, vossa Paz repousará sobre ele. Senão, ela retornará a vós." Lc 10,5-6

    E a Carta de São Tiago, citando o Livro de Gênesis, rememorou como se deu a fundação de Israel: "Assim se cumpriu a Escritura, que diz: 'Abraão creu em Deus e isto foi-lhe tido em conta de Justiça (Gn 15,6), e foi chamado amigo de Deus.'" Tg 2,23

    Com efeito, o Livro de Sabedoria, tratando dela mesma, diz qual é sua razão de ser: "... porque ela é para os homens um inesgotável tesouro, e aqueles que a adquirem preparam-se para se tornar amigos de Deus, recomendados a Ele pela educação que ela lhes dá." Sb 7,14

    Pois mesmo afundado em grandes pecados, era assim que o povo de Israel clamava a Deus, invocando seus primeiros séculos, como se lê no Livro do Profeta Jeremias: "Meu Pai, Vós sois o amigo de minha juventude!" Jr 3,4b

São Paulo combatia Divisões na Igreja

    Exatamente ao contrário da escandalosa postura de descarados inventores de 'igrejas', o Apóstolo dos Gentios era um fervoroso defensor da Unidade da Igreja. E não o fez só presencialmente. Quase todas suas cartas manifestam essa vigilância em defesa do Corpo Místico de Cristo. A Carta de São Paulo aos Filipenses, por exemplo, vai pedir: "Se me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum caridoso estímulo, alguma Comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, completai minha alegria permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos." Fl 2,1-3

    Mesmo a despeito de seu próprio Ministério, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios corrigiu: "Rogo-vos, irmãos, em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que entre vós não haja divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo Espírito e no mesmo sentimento. Pois acerca de vós, irmãos meus, fui informado por aqueles que são da casa de Cloé que entre vós há contendas. Refiro-me ao fato de que entre vós se usa esta linguagem: 'Eu sou discípulo de Paulo'; 'eu, de Apolo'; 'eu, de Cefas'; 'eu, de Cristo'. Então Cristo estaria dividido? É Paulo quem foi crucificado por vós? É em nome de Paulo que fostes batizados?" 1 Cor 1,10-13

    Ora, a Carta de São Paulo a São Tito expressamente fala sobre o Antigo Testamento e recomenda quanto aos dissidentes: "Quanto a tolas questões, genealogias, contendas e disputas relativas à Lei, foge delas, porque são inúteis e vãs. O homem que assim fomenta divisões, depois de advertido a primeira e a segunda vez, evita-o, visto que esse tal é um perverso que, perseverando em seu pecado, se condena a si próprio." Tt 3,10-11

    Tinha salvaguardado a Tradição Oral mesmo à época da Carta de São Paulo aos Romanos, quando só havia o Evangelho Segundo São Mateus, e em aramaico. Ele foi bem específico: "Rogo-vos, irmãos, que desconfieis daqueles que causam divisões e escândalos, apartando-se da Doutrina que recebestes. Evitai-os!" Rm 16,17

    Por isso, ele mesmo apresentava-se como um mero retransmissor da Palavra de Deus, pedindo que lhe imitassem na fidelidade de zeloso preservador: "Eu lembro-vos, irmãos, o Evangelho que vos preguei, e que tendes acolhido, no qual estais firmes. Por ele sereis salvos se o conservardes como vos preguei. De outra forma, em vão teríeis abraçado a . Eu transmiti-vos, primeiramente, o que eu mesmo havia recebido." 1 Cor 15,1-3a

    Falando da Unidade do Espírito Santo, da Paz e do Corpo Místico de Cristo, portanto, a Carta de São Paulo aos Efésios, quando ele já padecia grandes sacrifícios, pregou submissão em nome da Igreja Una: "Exorto-vos, pois, prisioneiro que sou pela causa do Senhor, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda humildade e amabilidade, com grandeza de alma, mutuamente vos suportando com amor. Sede solícitos em conservar a Unidade do Espírito no vínculo da Paz. Sede um só Corpo e um só espírito, assim como por vossa vocação fostes chamados a uma só esperança." Ef 4,1-4

    Invocando o próprio Santíssimo Sacramento, vai ser mais explícito ao escrever aos cristãos da cidade de Corinto: "Uma vez que há um único Pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só Corpo, porque todos nós comungamos do mesmo Pão." 1 Cor 10,17

    Disse, da mesma forma, aos católicos romanos: "Pois como em um só corpo temos muitos membros, e cada um dos nossos membros tem diferente função, assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só Corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro." Rm 12,4-5

    E distintamente diz dos Sacramentos do Batismo e da Crisma: "Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formarmos um só Corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres. E todos fomos impregnados do mesmo Espírito." 1 Cor 12,13

    Ora, Nosso Salvador já havia advertido relativistas e dissidentes, no Evangelho Segundo São Mateus: "Quem não está Comigo, está contra Mim. E quem Comigo não ajunta, espalha." Mt 12,30

    Porque esta é exatamente a obra de Satanás, como Ele afirmou no Evangelho Segundo São João: "O lobo rouba e dispersa as ovelhas." Jo 10,12c

sexta-feira, 13 de março de 2026

Os Profetas

     Sobre o período que antecedeu a destruição do Templo e da cidade de Jerusalém, e assim o exílio em Babilônia, o Livro de Neemias reconheceu perante Deus, dizendo sobre os israelitas: "Vossa paciência para com eles durou muitos anos. Vós fazíei-lhes admoestações pela inspiração de Vosso Espírito, que animava Vossos Profetas." Ne 9,30a

    E enquanto grandes sinais de Deus, os Profetas quase sempre estiveram em meio a Seu povo, como nos tempos do Livro do Profeta Ezequiel, que ouviu de Deus: "Naqueles dias, depois de me ter falado, entrou em mim o Espírito que me pôs de pé. Então eu ouvi Aquele que me falava, o Qual me disse: 'Filho do homem, Eu envio-te aos israelitas, nação de rebeldes, que se afastaram de Mim. Eles e seus pais revoltaram-se contra Mim até o dia de hoje. Quer te escutem, quer não, pois são um bando de rebeldes, ficarão sabendo que entre eles houve um Profeta.'" Ez 2,2-3.5

    Aliás, conforme o Livro do Profeta Amós, todos projetos de Deus são comunicados em primeiríssima mão a estes luminosos protagonistas: "Porque o Senhor Javé nada faz sem revelar Seu segredo aos Profetas, Seus servos." Am 3,7

    Os seguidores da tradição de São Paulo atestaram esse proceder ao longo da Revelação, na Carta aos Hebreus: "Muitas vezes e de diversos modos, outrora falou Deus a nossos pais pelos Profetas." Hb 1,1

    Isso deu-se até os tempos do Primeiro Livro de Macabeus, que, falando de um tempo pouco antes da Vinda de Jesus, reconheceram um castigo: ".... desde o dia em que os Profetas tinham desaparecido." 1 Mc 9,28a

    O Livro do Profeta Daniel, pois, confessou a Deus pela destruição que sobreveio a Jerusalém: "Não escutamos Vossos servos, os Profetas, que falaram em Vosso Nome a nossos reis, a nossos chefes, a nossos antepassados e a todo povo da terra. Recusamos ouvir a voz do Senhor, Nosso Deus. Não seguimos as Leis que Ele nos oferecia pela boca de Seus servos, os Profetas." Dn 9,6.10

    E Jesus, que é a essência dos Sagrados Livros, afirmou aos líderes judeus em Sua segunda visita à Cidade Santa em vida pública, no Evangelho Segundo São João: "Vós perscrutais as Escrituras, julgando nelas encontrar a Vida Eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim. Se crêsseis em Moisés, pois, certamente creríeis em Mim, porque ele escreveu a Meu respeito." Jo 5,39.46

    Ele delimitou o tempo de vigência da Lei e dos Profetas, leia-se o Antigo Testamento, apontando São João Batista como um marco. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Porque os Profetas e a Lei tiveram a Palavra até João." Mt 11,13

    Ele próprio, aliás, foi anunciado como um Profeta. Estava entre as prescrições de Moisés ao povo de Israel, no Livro de Deuteronômio: "O Senhor, Teu Deus, dentre teus irmãos suscitará um Profeta como eu. É a Ele que devereis ouvir." Dt 18,15

    Assim, o Livro de Apocalipse de São João vai dizer: "Porque o profético espírito não é outro senão o testemunho de Jesus." Ap 19,10

    A Carta de São Paulo aos Romanos também atestou: "Paulo, servo de Jesus Cristo, escolhido para ser Apóstolo, reservado para anunciar o Evangelho de Deus. Ele outrora o prometera por Seus Profetas na Sagrada Escritura, e diz a respeito de Seu Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor..." Rm 1,1-3

    E no Livro de Atos dos Apóstolos, São Pedro afirmou perante os primeiros não-judeus que seriam admitidos na Santa Igreja Católica: "Sobre Ele, todos Profetas dão o seguinte testemunho: todo aquele que acredita em Jesus receberá, em Seu Nome, o perdão dos pecados." At 10,43

    Portanto, os atuais profetas, nossos Sacerdotes, têm específicas funções perante o povo de Deus, conforme a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "Aquele que profetiza, porém, fala aos homens, para os edificar, exortar e consolar." 1 Cor 14,3

quinta-feira, 12 de março de 2026

A Avareza

    A paixão por dinheiro e bens materiais leva o ser humano à falta de escrúpulos, pois assim despreza seus semelhantes, contrariando o que Jesus expressamente determinou no Evangelho segundo São João, na noite em que ia ser entregue: "Dou-vos um Novo Mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como Eu vos tenho amado, assim vós deveis amar-vos uns aos outros. Este é Meu Mandamento..." Jo 13,34;15,12a

    E o pior: leva a se esquecer de Deus, a Quem deve amar sobre todas coisas. O Livro de Eclesiástico exorta: "... ama a Deus durante toda tua vida..." Eclo 13,18a

    A Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo ensina sobre Ele, o Doador de todos bens e dons, a Quem devemos amar sobre todas as coisas (cf. Dt 6,5): "Exorta os ricos deste mundo a que não sejam orgulhosos nem ponham sua esperança em volúveis riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas coisas para delas fruirmos." 1 Tm 6,17

    E no Evangelho Segundo São Lucas, o próprio Jesus deixou fortes palavras sobre esse assunto: "Escrupulosamente guardai-vos de toda avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas." Lc 12,15

    Realmente ciente das tentações e amadurecido nos assuntos de , o sagrado autor cantava a Deus no Livro de Salmos: "Inclinai-me o coração a Vossas ordens, e não para a avareza." Sl 118,36

    Como que falando de mortos vivos, o Livro de Eclesiástico sentencia: "Nada há mais criminoso que a avareza. De quê se orgulha aquele que é terra e cinza? Nada há mais iníquo que o amor ao dinheiro. Aquele que o ama, chega até a vender sua alma. Ainda vivo, despojou-se de suas próprias entranhas." Eclo 10,8-10

    E fulminou: "Para o avarento e cúpido homem a riqueza é inútil. De que serve o ouro ao invejoso? Quem injustamente acumula, e se priva de seus bens, acumula para outros. Outro há de vir que esbanjará esses bens na devassidão. Para quem será bom aquele que é mau para si mesmo? Não terá nenhuma satisfação em seus bens. Nada é pior que aquele que consigo mesmo é avaro: eis aí o verdadeiro salário de sua maldade." Eclo 14,3-6

    O Livro de Provérbios, pois, exortam à prontidão para a caridade: "Não negues um benefício a quem o solicita, quando está em teu poder conceder-lho. Não digas ao teu próximo: 'Vai, volta depois! Eu dá-te-ei amanhã', quando já dispões de meios." Pr 3,27-28

    Eles garantiam: "Há quem dá com liberalidade e obtém mais. Outros poupam demais e vivem na indigência. A generosa alma será cumulada de bens, e aquele que abundantemente dá, abundantemente receberá." Pr 11,24-25

    Evocando uma passagem do Livro de Deuteronômio, os seguidores da tradição de São Paulo exclamam na Carta aos Hebreus: "Vivei sem avareza. Contentai-vos com o que tendes, pois Deus mesmo disse: 'Não te deixarei nem desampararei (Dt 31,6).'" Hb 13,5

    E fixaram: "Não negligencieis a beneficência e a liberalidade. Estes são sacrifícios que agradam a Deus!" Hb 13,16

    Ora, A Carta de São Paulo aos Efésios amplamente exortava como a grande meta de todo católico: "Progredi no amor segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós Se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor. Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a Santos. Porque bem o sabei: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento, verdadeiros idólatras!, terá herança no Reino de Cristo e de Deus." Ef 5,2-3.5

    De sua singular Sabedoria, a Carta de São Paulo aos Gálatas afirma que a Salvação se dará através da "... que opera pela caridade." Gl 5,6

    Com efeito, o próprio Arcanjo São Rafael deu esta recomendação no Livro de Tobias, a ele e a seu pai Tobit: "Boa coisa é a oração acompanhada de jejum, e a esmola é preferível aos escondidos tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte: ela apaga os pecados e faz encontrar a Misericórdia e a Vida Eterna." Tb 12,8-9

quarta-feira, 11 de março de 2026

A Sabedoria

    Citando o Livro do Profeta Isaías, a Primeira Carta de São Paulo ao Coríntios diz: "Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o Evangelho, e isso sem recorrer à habilidade da arte oratória, para que a Cruz de Cristo não se desvirtue. A linguagem da Cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas, para aqueles que foram salvos, para nós, é uma divina força. Está escrito: "Destruirei a sabedoria dos sábios e anularei a prudência dos prudentes (Is 29,14)." Onde está o sábio? Onde o erudito? Onde o argumentador deste mundo? Acaso não declarou Deus por loucura a sabedoria deste mundo?" 1 Cor 1,17-20

    E a Carta de São Paulo aos Efésios reza: "Rogo ao Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, que vos dê um espírito de Sabedoria que vos revele o conhecimento d'Ele..." Ef 1,17

    Já a Carta de São Tiago ensina: "Se alguém de vós necessita de Sabedoria, com simplicidade e sem recriminação peça-a a Deus, que a todos generosamente a concede, e sê-lhe-á dada. Mas peça-a com , sem nenhuma vacilação, porque o homem que vacila se assemelha à onda do mar, levantada pelo vento e agitada de um lado para o outro." Tg 1,5-6

    Diz mais: "Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre com um bom proceder suas obras repassadas de doçura e de Sabedoria. Mas se no coração tendes um amargo ciúme e gosto por contendas, não vos glorieis nem mintais contra a Verdade. Esta não é a Sabedoria que vem do alto, mas uma terrena, humana, diabólica sabedoria. A Sabedoria que vem de cima, porém, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de Misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, nem fingimento." Tg 3,13-15.17

    Ora, o próprio Livro de Sabedoria explica: "Resplandescente é a Sabedoria, e sua beleza é inalterável. Aqueles que a amam, facilmente a descobrem-na. Aqueles que a procuram, encontram-na. Ela antecipa-se aqueles que a desejam. Quem, para a possuir, se levanta de madrugada, não terá trabalho, porque a encontrará sentada a sua porta. Fazê-la objeto de seus pensamentos é a perfeita prudência, e quem por ela vigia, em breve não terá mais cuidado. Ela mesma vai à procura daqueles que dela são dignos. Ela aparece-lhes nos caminhos cheia de benevolência, e vai ao encontro deles em todos seus pensamentos, porque, verdadeiramente, desde o começo, seu desejo é instruir, e desejar instruir-se é amá-la. Mas amá-la é obedecer a suas leis, e obedecer a suas leis é a garantia da imortalidade. Ora, a imortalidade faz habitar junto a Deus, e assim o desejo da Sabedoria conduz ao Reino!" Sb 4,12-20

    E completa: "Ela é um sopro do poder de Deus, uma límpida irradiação da Glória do Todo-Poderoso. É ela uma efusão da Eterna Luz, um espelho sem mancha da atividade de Deus, e uma imagem de Sua bondade. Embora única, tudo pode. Imutável em si mesma, renova todas coisas. Ela derrama-se de geração em geração nas santas almas, e forma os amigos e os intérpretes de Deus, porque Ele só ama quem vive com a Sabedoria! É ela, com efeito, mais bela que o sol e ultrapassa o conjunto dos astros. Comparada à luz, ela sobreleva-se, porque à luz sucede a noite, enquanto que, contra a Sabedoria, o mal não prevalece." Sb 7,25-30

    Não por acaso, no Evangelho Segundo São Mateus, Nosso Salvador mesmo vai dizer daqueles que percebem Seus sinais: "Eu bendigo-Te, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu bendigo-Te, porque assim foi de Teu agrado." Mt 11,25b-26

    E também disse daqueles que acolhem tanto a São João Batista como a Ele mesmo, supostos extremistas: "A quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos sentados nas praças que gritam a seus companheiros: 'Tocamos a flauta e não dançais, cantamos uma lamentação e não chorais.' João veio, não bebia e não comia, e disseram: 'Ele está possesso de um demônio.' O Filho do Homem vem, come e bebe, e dizem: 'É um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos pecadores.' Mas a Sabedoria foi justificada por seus filhos." Mt 11,16-19

terça-feira, 10 de março de 2026

A Preguiça

    Tomando como referência o ativo agir do Pai na obra da Salvação (cf. Jo 15,1-2), Jesus sentencia aquele que não faz uso de seus talentos para a construção do Reino dos Céus, numa parábola que contou no Evangelho Segundo São Mateus: "Mau e preguiçoso servo! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei." Mt 25,26

    E no Evangelho Segundo São Lucas, reclamou daqueles cujas consciências demoram em reconhecer a Verdade, como dois de Seus discípulos que partiram para Emaús no Domingo da Ressurreição, sem acreditar nos relatos daqueles que O tinham visto ressuscitado: "Jesus disse-lhes: 'Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo que os Profetas anunciaram!'" Lc 24,25

    Os seguidores da tradição de São Paulo, na Carta aos Hebreus, também farão duras críticas a essa postura de quase indiferença perante as coisas de Deus: "Teríamos muita coisa a dizer sobre isso, e coisas bem difíceis de explicar, dada vossa lentidão em compreender... A julgar pelo tempo, já devíeis ser mestres! Contudo, ainda necessitais que vos ensinem os primeiros rudimentos da Palavra de Deus. E tornaste-vos tais que precisais de leite em vez de sólido alimento!" Hb 5,11-12

    Baseando-se no exemplo dos Santos, eles vão exortar: "Desejamos, apenas, que ponhais todo empenho em guardar intacta vossa esperança até o fim, e que, longe de tornardes lentos na compreensão, sejais imitadores daqueles que pela e paciência tornam-se herdeiros das promessas." Hb 6,11-12

    Enfim, lembram o exemplo do próprio Cristo"Atentamente considerai, pois, Aquele que tantas contrariedades sofreu dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo." Hb 12,1-3

    A Carta de São Tiago, então, falou da importância do testemunho através da forma de agir. Expressamente diz que devemos ser ativos cumpridores dos bíblicos preceitos, em específico os do Evangelho: "Mas aquele que com atenção procura meditar a perfeita Lei da liberdade e nela persevera, não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como fiel cumpridor do preceito, este será feliz em seu proceder." Tg 1,25

    E a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, pedindo que os fiéis se afastassem dos preguiçosos e dos hereges, determina: "Irmãos, em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo ordenamos: afastai-vos de todo irmão que vive sem nada fazer e não segue a Tradição que de nós recebeu. Vós sabeis como deveis imitar-nos: nós não ficamos ociosos quando estivemos entre vós, nem pedimos a ninguém o pão que comemos. Ao contrário, trabalhamos com fadiga e esforço, noite e dia, para não sermos pesados para nenhum de vós." 2 Ts 3,6-8

    Pois a Carta de São Paulo aos Gálatas lembra que o tempo é curto, o Juízo se aproxima e devemos servir à Santa Igreja Católica, que é o principal instrumento de Deus para a Salvação das almas: "Onde está agora aquele vosso entusiasmo? Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos homens, mas particularmente aos irmãos na fé." Gl 4,15a;6,9-10

    Falando sobre Jesus, a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo afirma: "Antes é preciso que o lavrador trabalhe com afinco, se quer boa colheita. Se soubermos perseverar, com Ele reinaremos." 2 Tm 2,6.12

    Ora, o Livro de Provérbios diz da virtuosa mulher: "... procura lã e linho e trabalha com alegre mão. Levanta-se ainda de noite, distribui a comida a sua casa e a tarefa a suas servas. Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente. Ela não teme a neve em sua casa, porque toda sua família tem duplas vestes. Vigia o andamento de sua casa e não come o pão da ociosidade." Pr 31,13.15.20.21.27

    O Livro de Eclesiástico, por sua vez, denuncia os pecados que a preguiça traz: "... a ociosidade ensina muita malícia." Eclo 33,29

    E no Livro do Profeta Ezequiel, vale notar, Deus diz que os pecados de Sodoma não eram os escândalos sexuais. Estes eram consequências de outros graves erros, como Ele mesmo acusou Jerusalém: "Eis em quem consistia a iniquidade de tua irmã Sodoma: opulência, glutoneria, indolência, ociosidade..." Ez 16,49

segunda-feira, 9 de março de 2026

A Nova e Eterna Aliança

    Ainda no Antigo TestamentoDeus mesmo havia-Se pronunciado no Livro do Profeta Jeremias, prometendo a Nova Aliança: "Dias hão de vir', Oráculo do Senhor, 'em que firmarei Nova Aliança com as casas de Israel e de Judá. Será diferente da que concluí com seus pais, no dia em que pela mão os tomei para os tirar de Egito, Aliança que violaram embora Eu fosse o Esposo deles." Jr 31,31-32

    E no Livro do Profeta Ezequiel, dirigindo-Se a Israel, expressamente falou em Eterna Aliança: "Pois eis o que diz o Senhor Javé: 'Eu farei a ti conforme tu fizeste, que desprezaste tua origem violando o Pacto. Mas recordar-Me-ei da Aliança que contigo celebrei no tempo de tua juventude, e contigo farei uma Eterna Aliança." Ez 16,59-60

    Através deste Profeta também prometeu o Espírito Santo: "Dentro de vós porei Meu Espírito, fazendo com que obedeçais a Minhas leis, e sigais e observeis Meus preceitos.'" Ez 36,27

    Disse sobre o próprio Cristoprometendo "aos arrependidos" no Livro do Profeta Isaías: "'Mas virá como Redentor a Sião e aos arrependidos filhos de Jacó', Oráculo do Senhor. 'Eis Minha Aliança com eles', diz o Senhor: 'Meu Espírito repousa sobre ti, e Minhas Palavras que coloquei em tua boca não deixarão teus lábios nem os de teus filhos, nem os de seus descendentes', diz o Senhor, 'desde agora e para sempre.'" Is 59,20-21

    E antes mesmo de falar pelo Profeta Ezequiel, como vimos, falou por Isaías de Eterna Aliança, e que valeria para o mundo todo: "Prestai-Me atenção e vinde a Mim. Escutai e vossa alma viverá: convosco quero concluir uma Eterna Aliança, outorgando-vos os favores prometidos a Davi. De ti farei um testemunho para os povos, um soberano condutor das nações. Conclamarás povos que nunca conheceste e nações que te ignoravam acorrerão a ti, por causa do Senhor Teu Deus e do Santo de Israel que fará tua Glória." Is 55,3-5

    E o próprio Jesus anunciou o início da Nova Aliança, durante a Santa Ceia, na noite em que ia ser entregue. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Depois tomou o cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo: 'Bebei d'Ele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados." Mt 26,27-28

    Com efeito, em Sua última semana em Jerusalém, Ele havia dito aos chefes dos sacerdotes e fariseus sobre o fim da liderança dos judeus enquanto povo escolhido: "Por isso, digo-vos: de vós será tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele." Mt 21,43

    Já a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, sempre exaltando o Ministério do Santo Paráclito, diz do véu, seja de Moisés seja do Templo, e do que compete aos judeus: "Ainda agora, quando leem o Antigo Testamento, esse mesmo véu permanece abaixado, porque é só em Cristo que ele deve ser levantado. Por isso, até o dia de hoje, quando leem Moisés, um véu cobre-lhes o coração. Esse véu só será tirado quando se converterem ao Senhor. Ora, o Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade." 2 Cor 3,14-17

    Diz, portanto, da anunciação do Evangelho: "Vós mesmos sois nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos homens. Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso Ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações. Ele é que nos fez aptos para ser Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,2-3.6

    E assim os seguidores da tradição deste Apóstolo, falando sobre a Vinda de Cristo na Carta aos Hebreus, justificam a mudança dos rituais: "Se a perfeição tivesse sido realizada pelo levítico sacerdócio, porque é sobre este que se funda a legislação dada ao povo, que necessidade ainda havia de que surgisse Outro Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, e não segundo a ordem de Aarão? Pois, transferido o sacerdócio, forçoso é que também se faça a mudança da Lei." Hb 7,11-12