quarta-feira, 30 de abril de 2025

Papa e Padres

    Deus 'católico' também nos deu pais espirituais: nossos Sacerdotes são, por e amor, chamados de Padres, e o Sumo Pontífice de Papa, pois, independentemente de seus erros, plenamente representam o Pai do Céu, como a Carta de São Paulo aos Romanos explicou: "Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis." Rm 11,29

    A Carta de São Paulo aos Colossenses atesta que é Jesus Quem age por Seus verdadeiros Ministros: "A Ele (Cristo) é que anunciamos, admoestando todos homens e instruindo-os em toda Sabedoria, para tornar todo homem perfeito em Cristo. Eis a finalidade de meu trabalho, a razão porque luto, auxiliado por Sua força que em mim poderosamente atua." Cl 1,28-29

    Ele diz do Sacramento da Confissão, o dom de fazer renascer o ser humano, na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: "Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo! Tudo isso vem de Deus, que, por Cristo, Consigo nos reconciliou e nos confiou o Ministério desta Reconciliação." 2 Cor 5,17-18

    Afirma o poder do Santo Paráclito em sua obra: "Tenho motivo de gloriar-me em Jesus Cristo, no que diz respeito ao serviço de Deus. Porque não ousaria mencionar ação alguma que Cristo não houvesse realizado por meu Ministério, para levar os pagãos a aceitar o Evangelho, pela Palavra e pela ação, pelo poder dos milagres e prodígios, pela virtude do Espírito." Rm 15,17-19a

    Acertadamente, chama-o de Ministério do Espírito Santo: "Ele (Deus) é que nos fez aptos para sermos Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica. Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal Glória... quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,6-7a.8

    E para tanto a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios rezava: "Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus." 1 Cor 4,1

    Ora, referindo-se a Jesus, São João Batista atestou a plena presença do Espírito Santo em Seus escolhidos, no Evangelho Segundo São João: "Com efeito, Aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque Ele concede o Espírito sem medidas." Jo 3,34

    Pois não são eles que escolhem seguir Cristo, mas exatamente o contrário, como Ele mesmo disse aos Apóstolos ao garantir-lhes o resultado de seus ofícios: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça." Jo 15,16a

    Por isso, o Apóstolo dos Gentios questionava qualquer vacilação dos romanos e garantia: "Quem poderia acusar os escolhidos de Deus? É Deus Quem os justifica!" Rm 8,33

    Assumindo sua paternidade espiritual, ele também vai reclamar dos cristãos da cidade de Corinto: "Com efeito, ainda que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não tendes muitos pais. Ora, fui eu que vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho." 1 Cor 4,15

    Nossos Sacerdotes, ademais, devem viver a pobreza evangélica (cf. Mt 5,3). No Evangelho Segundo São Lucas, desde o chamado dos Apóstolos Jesus pediu seguidor "... que tenha abandonado, por amor ao Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos..." Lc 18,29

    Ele já havia sentenciado: "Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo que possui, não pode ser Meu discípulo." Lc 14,33

    Atualmente, eles estudam em média por oito anos e são ordenados por bispos que seguem a mesma e fiel sucessão desde os Apóstolos até os dias de hoje, como a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo lhe determinou: "O que de mim ouviste em presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis que, por sua vez, sejam capazes de instruir a outros." 2 Tm 2,2

terça-feira, 29 de abril de 2025

"Primeiro deve Vir a Apostasia"

    A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses profetizou um tempo especificamente difícil, uma terrível manifestação graças ao poder do inimigo que acontecerá depois da apostasia, quer dizer, depois que uma parte da humanidade renegar a : "Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no Templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus. Não vos lembrais de que vos dizia estas coisas, quando ainda estava convosco? Agora perfeitamente sabeis o que o detém, de modo que ele só se manifestará a seu tempo." 2 Ts 2,3-6

    De fato, esse abandono da fé havia sido previsto pelo próprio Jesus, no Evangelho Segundo São Lucas, quando perguntou aos Apóstolos falando de Sua Volta Triunfal: "Mas, quando o Filho do Homem vier, acaso achará fé sobre a Terra?" Lc 18,8b

    Ora, o Apóstolo dos Gentios diz que a prisão do inimigo não faz cessar o mal que aflige a Terra, que se dá pela atividade das pessoas que de alguma forma lhe servem, ou seja, do joio por ele semeado (cf. Mt 13,39): "Porque o mistério do mal já está em ação, apenas esperando o afastamento daquele que o detém. Então o tal ímpio se manifestará. Mas o Senhor Jesus destruí-lo-á com o sopro de Sua boca, e aniquilá-lo-á com o resplendor de Sua Vinda. A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda sorte de enganadores portentos, sinais e prodígios. Ele usará de todas seduções do mal para com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à Verdade que teria podido salvá-los. Por isso, Deus enviá-lhes-á um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro. Desse modo, serão julgados e condenados todos que não deram crédito à Verdade, mas consentiram no mal." 2 Ts 2,7-12

    Na Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo, ele volta a falar dessa afronta à fé e dessa 'colaboração' dada pelo ser humano: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um difícil período. Os homens tornar-se-ão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão de sua autoridade. Como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim estes homens de pervertido coração, reprovados na fé, também tentam resistir à Verdade. Mas não irão longe, porque a todos será manifesta sua insensatez, como o foi a daqueles dois." 2 Tm 3,1-5a.8-9

    A Segunda Carta de São Pedro também apontou: "Antes de tudo sabei o seguinte: nos últimos tempos virão escarnecedores cheios de zombaria, que viverão segundo suas próprias concupiscências. Eles dirão: 'Onde está a promessa de Sua Vinda? Desde que nossos pais morreram, tudo continua como desde o princípio do mundo.' Propositadamente esquecem que desde o princípio existiam os céus e igualmente uma Terra que a Palavra de Deus fizera surgir do seio das águas, no meio da água, e deste modo o mundo de então perecia afogado na água." 2 Pd 3,3-6

    E a Primeira Carta de São João aponta na confirmação da Vinda do Messias a ação do Espírito Santo, bem como a do espírito do mal: "Nisto reconhece-se o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo Se encarnou, é de Deus. E todo espírito que não proclama Jesus, esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e agora já está no mundo." 1 Jo 4,2-3

    Ele já denunciava anticristos nas primeiras décadas, em gente que renegou a Santa Igreja, verdadeiramente falsos profetas, pois a passagem do Cristo é o início dos últimos tempos: "O mundo passa com suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente. Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, certamente ficariam conosco. Mas isto dá-se para que se conheça que nem todos são dos nossos. Vós, porém, tendes a Unção dos Santo e sabeis todas coisas. Não vos escrevi como se ignorásseis a Verdade, mas porque a conheceis, e porque nenhuma mentira vem da Verdade." 1 Jo 2,17-21

sábado, 26 de abril de 2025

O Espírito de Cristo

    Justificando o anúncio do Evangelho, a Carta de São Paulo aos Filipenses diz: "Pois sei que isto me resultará em Salvação, graças às vossas orações e ao socorro do Espírito de Jesus Cristo." Fl 1,19

    A Carta de São Paulo aos Gálatas garantia: "A prova de que sois filhos é que Deus enviou a vossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: 'Aba!', Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E se és filho, então também és herdeiro de Deus." Gl 4,7

    Por isso, a Carta de São Paulo aos Romanos sentenciou: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9b

    Dizendo do Pai, ele afirma: "Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida a vossos corpos mortais, através de Seu Espírito que em vós habita." Rm 8,11

    E exortava: "Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer, mas se pelo espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,12-14

    Chamando-O de Espírito de Adoção, voltou ao tema da herança, mas explicando a importante questão da Santa Cruz: "Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para ainda viverdes no temor, mas recebestes o Espírito de Adoção, pelo Qual clamamos: 'Aba!', Pai! O Espírito mesmo dá testemunho a nosso espírito de que somos filhos de Deus. E se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que com Ele soframos para que com Ele também sejamos glorificados." Rm 8,15-17

    Nesse sentido, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios disse da nova condição dos cristãos: "Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso Ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações." 2 Cor 3,3

    Fez esta comparação entre a Nova e a Velha Aliança, exaltando a Vinda do Santo Paráclito: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte." Rm 8,2

    E a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios revelou, citando o Livro do Profeta Isaías, o Livro do Profeta Jeremias e o Livro de Eclesiástico: "É como está escrito: 'O que os olhos não viram, os ouvidos ouviram (Is 64,3), e o coração do homem não imaginou (Jr 3,16), isso Deus preparou para aqueles que O amam (Eclo 1,10).' Todavia, Deus revelou-nos por Seu Espírito, porque o Espírito tudo penetra, mesmo as profundezas de Deus. Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus, ninguém as conhece senão o Espírito de Deus." 1 Cor 2,9-11

    Era Ele, pois, Quem decidia as missões deste Apóstolo e de São Timóteo, como se lê no Livro de Atos dos Apóstolos: "Ao chegarem aos confins de Mísia, tencionavam seguir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu." At 16,7

    Ora, a Primeira Carta de São João estabelece esta distinção: "Nisto reconhece-se o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo Se encarnou, é de Deus. Todo espírito que não proclama Jesus, não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e agora já está no mundo." 1 Jo 4,2-3

    E completou: "É nisto que conhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro. Se mutuamente nos amarmos, Deus permanece em nós e Seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que estamos n'Ele e Ele em nós, por Ele ter-nos dado Seu Espírito." 1 Jo 4,6a.12b-13

Deus Católico: Mais Amor!

    Nos termos do Catolicismo, Deus é mais atencioso e mais amoroso Pai. Ele deu-nos mais que especial Mãe, como foi revelado no Livro de Apocalipse de São João: "Cheio de raiva por causa da Mulher, o Dragão então começou a atacar o resto de seus filhos, os que obedecem aos Mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus." Ap 12,17-18

    E desde o Pentecostes, o próprio Espírito de Deus tem-se encarregado de ungir nossos Sacerdotes, nossos pais espirituais, como o São Paulo afirma aos anciãos de Éfeso. É do Livro de Atos dos Apóstolos: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue." At 20,28

    Pois nossos Padres não casam para que possam levar uma vida plenamente espiritual, e assim dedicar integral atenção à Igreja. No Evangelho segundo São Mateus, o próprio Jesus havia ensinado: "... há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor ao Reino dos Céus." Mt 19,12b

    O Apóstolo dos Gentios, que era celibatário, justificava essa prática nestes termos, na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu. Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa." 1 Cor 7,8.32-33

    Somos, pois, uma só Igreja, Unidade só é possível graças à própria Glória de Deus, e é a prova da passagem do Salvador entre nós e do amor do Pai pelos Seus. Jesus rezou a Ele, no Evangelho segundo São João: "Eu dei-lhes a Glória que Tu Me deste, para que eles sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Tu Me enviaste e que os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23

    Ela é pura e santa porque Nosso Salvador assim a quer, como se vê na Carta de São Paulo aos Efésios: "... como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para a Si mesmo apresentá-la toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito, mas santa e irrepreensível." Ef 5,25b-27

    Ele também garantiu a constante e eterna presença do Espírito Santo, que é outro Consolador, entre os membros da Igreja, como tem sido pelos séculos: "E Eu rogarei ao Pai e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que convosco fique eternamente." Jo 14,16

    Além de Sua própria presença para além de Sua Onipresença. A instantes de Sua Ascensão aos Céus, Ele afirmou: "Toda autoridade foi-Me dada no Céu e na Terra. Eis que convosco estou todos dias, até o fim do mundo." Mt 28,18b.20b

    E que quem realmente O ouve, tem Sua inteira proteção: "Minhas ovelhas ouvem Minha voz, Eu conheço-as e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a Vida Eterna. Elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de Minha mão." Jo 10,27-28

    Também temos mais uma chance de purificação, o Purgatório, onde acontecem as punições intermediárias, diferentes das do inferno, que são totais. No Evangelho segundo São Lucas, Nosso Senhor ensinou: "O servo que, apesar de conhecer a vontade de Seu Senhor, nada preparou e Lhe desobedeceu, será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de Seu Senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes." Lc 12, 47-48a

    Ainda temos os Santos, que intercedem por justiça: "Quando abriu o quinto selo, debaixo do Altar vi as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus, e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da Terra?'" Ap 6,9-10

    Temos, enfim, a proteção de um Anjo da Guarda, como foi dito de São Pedro quando foi preso e miraculosamente solto: "Então é seu anjo." At 12,15b

sexta-feira, 25 de abril de 2025

São Marcos Evangelista

 

    A primeira menção bíblica a São Marcos é quando São Pedro, libertado por seu Anjo da Guarda da prisão imposta por Herodes Antipas, vai deixar um recado numa casa em Jerusalém, onde a Santa Igreja rezava por ele achando que ainda estava preso e seria martirizado (cf. At 12,19). De fato, havia poucos dias mandara matar São Tiago Maior à espada (cf. At 12,2). É do Livro de Atos dos Apóstolos: "Refletiu um momento e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitos se tinham reunido e faziam oração." At 12,12

    E é certo que São Barnabé e São Paulo já o levavam consigo desde suas primeiras missões: "Tendo Barnabé e Saulo concluído sua missão, voltaram de Jerusalém (para Antioquia), consigo levando João, que tem por sobrenome Marcos." At 12,25

    Ele estava com eles quando partiram de Antioquia para Chipre, sob a guia do Divino Paráclito: "Enquanto celebravam o Culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para obra a que os tenho destinado.' Chegados a Salamina, pregavam a Palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Com eles tinham João, para auxiliá-los." At 13,2.5

    E foi na região de Panfília que São Marcos, por injustificável motivo segundo São Paulo, abandonou-os: "Paulo e seus companheiros navegaram de Pafos e chegaram a Perge, em Panfília, de onde João, apartando-se deles, voltou a Jerusalém." At 13,13

    Logo após o Concílio de Jerusalém, e a apresentação de sua resolução na cidade de Antioquia, que dizia não ser necessário circuncidar os cristãos vindos do paganismo, São Paulo queixou-se a São Barnabé desta atitude de São Marcos e não mais o queria consigo em missão. Tal fato causou uma momentânea ruptura entre estes 'Apóstolos', mas, como desígnio de Deus, em muito acabou aumentando a área à qual eles serviam, e São Paulo passou a acompanhar-se de São Silas, também chamado São Silvano: "Ao termo de alguns dias, disse Paulo a Barnabé: 'Tornemos a visitar os irmãos por todas cidades onde temos pregado a Palavra do Senhor, para ver como estão passando.' Barnabé queria levar consigo João, que tinha por sobrenome Marcos. Paulo, porém, achava que não devia ser admitido quem se tinha separado deles em Panfília, e não os havia acompanhado no Ministério. Houve tal discussão que se separaram um do outro, e Barnabé, consigo levando Marcos, navegou para Chipre. Paulo, porém, tendo escolhido Silas, e depois de ter sido recomendado pelos irmãos à Graça do Senhor, partiu. Ele percorreu Síria, Cilícia, confirmando as comunidades." At 15,36-40

    Ficou claro, entretanto, que a desavença entre o Apóstolo dos Gentios e São Marcos foi resolvida, pois a Carta de São Paulo aos Colossenses o recomenda, deixando um registro de que nosso Santo lhe servia enquanto esteve preso pela primeira vez. Certamente, cabia-lhe a função de divulgar suas prédicas e manter seu contato com os cristãos de Roma, que viviam a na clandestinidade mas ajudavam a suprir suas necessidades: "Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, primo de Barnabé, a respeito do qual já recebestes instruções. Se este for ter convosco, acolhei-o bem." Cl 4,10

    Provavelmente ainda nesta prisão, há menção a São Marcos na Carta de São Paulo a Filêmon, porém deixa claro que ele não estava preso consigo, mas colaborava na divulgação do Evangelho (cf. Fm 13) com o distintivo de primeiro da lista: "Enviam-te saudações Epa­fras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus, assim como Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus colaboradores." Fm 23-24

    Na Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo, nosso Apóstolo, talvez já bem próximo de sua morte, dá bom testemunho de São Marcos e pede que o traga para os serviços da Igreja Católica, seguramente da Palavra: "Só Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, porque me é bem útil para o Ministério." 2 Tm 4,11

    Contudo, o mais importante registro bíblico sobre São Marcos, por ajudar a identificá-lo como o escritor do 'Evangelho Segundo São Pedro', está numa carta do próprio Príncipe dos Apóstolos, a Primeira Carta de São Pedro. Ele fala da igreja de Roma, seu bispado, e a São Marcos refere-se com especial carinho: "A igreja escolhida de Babilônia saúda-vos, assim como também Marcos, meu filho." 1 Pd 5,13

quinta-feira, 24 de abril de 2025

A Grande Tribulação

    No Evangelho segundo São Marcos, confirmando as visões dos Profetas, Jesus diz o que acontecerá a Seu povo, ou seja, à Santa Igreja Católica, durante um específico período antes do Juízo Final: "Porque naqueles dias haverá tribulações tais como nunca houve, desde o princípio do mundo que Deus criou até agora, nem jamais haverá. Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria, mas Ele abreviou-os em atenção a Seus escolhidos." Mc 13,19-20

    De fato, ao profetizar os cósmicos abalos, o Livro do Profeta Joel deixa claro que eles antecedem o Dia do Julgamento: "Que multidão, que multidão no vale do Julgamento! Porque está chegando o Dia do Senhor no vale do Julgamento! O sol e a lua obscurecem-se, as estrelas empalidecem. O Senhor rugirá de Sião, trovejará de Jerusalém, os céus e a Terra serão abalados." Jl 4,14-16a

    O Livro do Profeta Ageu igualmente registrou-os como não definitivos abalos, embora generalizados, falando em grande proveito para a verdadeira Igreja de Jesus, certamente conversões: "Porque isto diz o Senhor dos Exércitos: 'Ainda um pouco de tempo, e abalarei céu e Terra, mares e continentes, sacudirei todas nações. Afluirão riquezas de todos povos e encherei de Minha Glória esta Casa', diz o Senhor dos Exércitos." Ag 2,6-7

    E o Livro do Profeta Zacarias deu voz ao anúncio de uma inimaginável mortandade, quando os sobreviventes serão caprichosamente depurados. Deus mesmo diz: "'Em toda Terra', Oráculo do Senhor, 'dois terços dos habitantes serão exterminados e um terço subsistirá. Mas este terço farei passar pelo fogo. Purificá-lo-ei como se purifica a prata, prová-lo-ei como se prova o ouro.'" Zc 13,7-8a

    O Livro do Apocalipse de São João também menciona um enorme hecatombe, mas em invertidas proporções e com a continuação da pecaminosidade. Assim foram as revelações de Jesus: "Então foram soltos os quatro anjos que se conservavam preparados para a hora, o dia, o mês e o ano da matança da terça parte dos homens... O número de soldados desta cavalaria era de duzentos milhões. Eu ouvi seu número. E foi assim que eu vi os cavalos e os que os montavam: estes últimos eram couraçados de uma azul e sulfurosa chama. Os cavalos tinham crina como uma juba de leão, e de suas narinas saíam fogo, fumaça e enxofre. E uma terça parte dos homens foi morta por esses três flagelos que lhes saíam das narinas. Mas o restante dos homens, que não foram mortos por esses três flagelos, não se arrependeu das obras de suas mãos. Não cessaram de adorar o Demônio e os ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar. Não se arrependeram de seus homicídios, suas magias, suas prostituições e furtos." Ap 9,15-21

    Nosso Salvador igualmente falou em provação, dizendo à diocese de Filadélfia décadas após Sua Ascensão, por certo alegando a perseguição promovida pelos imperadores romanos: "Porque guardaste a Palavra de Minha paciência, Eu também te guardarei da hora da provação, que está para sobrevir ao mundo inteiro, para provar os habitantes da Terra." Ap 3,10

    E no Evangelho segundo São Lucas deu estes detalhes, em Seus últimos dias entre os Apóstolos: "... e Jerusalém será pisada pelos não judeus, até completarem-se os tempos de suas nações. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na Terra, a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda Terra. As próprias forças dos céus serão abaladas." Lc 21,24-26

    Disse, então, da proximidade da ostensiva instauração do Reino dos Céus, quer dizer, o fim do mundo e o Juízo Final: "'Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai vossas cabeças, porque se aproxima vossa libertação.' Ainda acrescentou esta comparação: 'Olhai para a figueira e para as demais árvores. Quando elas lançam os brotos, vós julgais que está perto o Verão. Assim, quando virdes que vão sucedendo estas coisas, também sabereis que se aproxima o Reino de Deus.'" Lc 21,28-31

terça-feira, 22 de abril de 2025

As Preocupações do Mundo

    Na parábola do semeador, narrada no Evangelho segundo São Marcos, Jesus diz dos ensinamentos de Deus: "Outros ainda recebem a semente entre os espinhos. Ouvem a Palavra , mas as mundanas preocupações, a ilusão das riquezas, as múltiplas cobiças sufocam-na e tornam-na infrutífera." Mc 4,18-19

    Literalmente pregava, no Evangelho segundo São Mateus: "Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá suas próprias preocupações. A cada dia basta seu mal." Mt 6,34

    No Evangelho segundo São Lucas, Ele pedia que cuidássemos de estar prontos, seja para o Juízo Particular, seja o Juízo Final: "Velai sobre vós mesmos para que vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, com a embriaguez e com as preocupações da vida. Para que Aquele Dia não vos apanhe de improviso." Lc 21,34

    Disse do total controle e do amor de Deus: "Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de Vosso Pai. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós." Mt 10,29-31

    A própria vida de Jesus, aliás, já demonstrava a condição de auto-abandono em que vivem os verdadeiros servos de Deus: "Nisto, d'Ele aproximou-se um escriba e disse-Lhe: 'Mestre, segui-Te-ei aonde quer que fores.' Respondeu Jesus: 'As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.'" Mt 8,19-20

    Pois só o pleno cumprimento de Sua Missão Lhe saciava, como lemos no Evangelho segundo São João: "Entretanto, os discípulos pediam-Lhe: 'Mestre, come.' Mas Ele disse-lhes: 'Tenho um alimento para comer que vós não conheceis.' Os discípulos perguntavam uns aos outros: 'Alguém Lhe teria trazido de comer?' Disse-lhes Jesus: 'Meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou, e cumprir Sua obra.'" Jo 4,31-34

    Em compensação, à Santa Igreja Católica Ele prometeu Sua Paz: "Deixo-vos a Paz, dou-vos Minha Paz. Não é à maneira do mundo que Eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize vosso coração." Jo 14,28

    Contra todas atribulações, portanto, Ele recomendou perseverança enquanto Se despedia dos Apóstolos, e que n'Ele crêssemos como cremos em Deus: "Não se perturbe vosso coração. Vós credes em Deus, crede também em Mim." Jo 14,1

    Por sua vez, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo exalta a religiosidade em combinação com o desapego material: "Sem dúvida, de grande proveito é a piedade, porém quando acompanhada de espírito de desprendimento. Porque nada trouxemos ao mundo, como tampouco nada poderemos levar. Tendo alimento e vestuário, contentemo-nos com isto." 1 Tm 6,6-8

    Já a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios ensina da lógica inversa de Jesus: "Portanto, prefiro gloriar-me de minhas fraquezas, para que em mim habite a força de Cristo. Eis porque sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor a Cristo. Porque, quando me sinto fraco, então é que sou forte." 2 Cor 12,9b-10

    E Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo relembra a Graça que se recebe pelo Sacramento da Crisma: "Por esse motivo, eu exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição de minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de tibieza, mas de fortaleza, de amor e de Sabedoria." 2 Tm 1,6-7

    Enfim, apontando os perigos da permissividade, a Primeira Carta de São Pedro exorta à confiante resignação: "Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte em oportuno momento. Confiai-Lhe todas vossas preocupações, porque Ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o Demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. O Deus de toda Graça, que em Cristo vos chamou à Sua Eterna Glória, depois que tiverdes padecido um pouco, aperfeiçoá-vos-á, torná-vos-á inabaláveis, fortificá-vos-á." 1 Pd 5,6-10

segunda-feira, 21 de abril de 2025

O Pequeno Resto

    Deus sempre Se valeu de pequenos restos, às vezes mesmo de uma só pessoa, para realizar Seus projetos entre nós, e assim salvar nossas almas. Assim foi com Noé e um reduzido grupo de pessoas, ao reiniciar a povoação da Terra, estabelecendo uma Aliança. A Segunda Carta de São Pedro observa: "Pois se Deus... não poupou o mundo antigo, e só preservou oito pessoas, dentre as quais Noé, esse pregador da justiça, quando desencadeou o dilúvio sobre um mundo de ímpios..." 2 Pd 2,5

    Assim foi ao fundar a nação que se tornaria Israel, o povo escolhido para levar ao mundo a mensagem do Deus Único, que começou com três protagonistas segundo o Livro de Gênesis: "Abrão partiu como o Senhor lhe tinha dito, e Lot foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos, quando partiu de Harã. Tomou Sarai, sua mulher, e Lot, filho de seu irmão, assim como todos bens que possuíam e os escravos que tinham adquirido em Harã, e partiram para a terra de Canaã." Gn 12,4-5

    Assim foi quando Deus adiou a destruição de Sodoma, por causa de apenas dez justos que lá viviam: "Abraão replicou: 'Que o Senhor não Se irrite se falo ainda uma última vez! Que será, se lá forem achados apenas dez?' E Deus respondeu: 'Não a destruirei por causa desses dez.'" Gn 18,32

    Assim foi quando Deus libertou os israelitas que sobreviveram ao jugo dos assírios, como está no Livro do Profeta Isaías: "Naquele tempo, o restante de Israel e os remanescentes da Casa de Jacó deixarão de apoiar-se naquele que os fere, mas com confiança apoiar-se-ão no Senhor, o Santo de Israel. Um resto voltará, um resto de Jacó, para o Deus forte. Ainda que teu povo fosse inumerável como a areia do mar, dele só voltará um resto. A destruição está resolvida, a justiça vai tirar a desforra." Is 10,20-22

    Ele disse no Livro do Profeta Jeremias, predizendo a destruição de Jerusalém e o exílio em Babilônia: "Reunirei o que restar de Minhas ovelhas, espalhadas pelos países em que as exilei, e trá-las-ei para as pastagens em que hão de multiplicar-se. Eu estabelecerei pastores para elas, que as apascentarão..." Jr 23,3

    Sentenciou no Livro do Profeta Ezequiel: "Todavia, Eu deixá-vos-ei um resto quando vos tiver dispersado entre as nações. Os sobreviventes que escaparem ao massacre recordar-se-ão de Mim em meio dos gentios, para onde tiverem sido deportados." Ez 6,8-9a

    E assim será depois dos dias da Grande Tribulação, como o remoto Livro do Profeta Joel já havia anunciado: "Mas todo aquele que invocar o Nome do Senhor será poupado, porque, sobre o monte Sião e em Jerusalém, haverá um resto, como o Senhor disse, e entre os sobreviventes estarão aqueles que o Senhor tiver chamado." Jl 3,5

    Ou como quando Deus contava com apenas uma pessoa, como foi com o grande Profeta Elias, que teve que refugiar-se no monte Horeb, na leitura do Primeiro Livro de Reis: "Porque os israelitas abandonaram Vossa Aliança, derrubaram Vossos altares e passaram Vossos Profetas a fio da espada. Só eu fiquei, e querem tirar-me a vida.'" 1 Rs 19,10a

    Como foi com Jesus, um 'Rebento' de Davi, como o Livro de Eclesiástico reafirmou: "Mas Deus não esqueceu Sua Misericórdia, não destruiu nem aniquilou Suas obras; não arrancou pela raiz a posteridade de Seu eleito, não exterminou a raça daquele que ama o Senhor. Ao contrário, deixou um resto a Jacó, e a Davi um Rebento de sua raça. E Salomão teve um fim semelhante ao de seus pais." Eclo 47,24-26

    Como foi com com o Príncipe dos Apóstolos, como Nosso Salvador disse no Evangelho Segundo São Lucas, pouco antes de ser crucificado. Ele confiou a embrionária Santa Igreja, na pessoa de Apóstolos, discípulos e seguidores, em suas mãos: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para peneirar como o trigo. Mas Eu roguei por ti, para que tua confiança não desfaleça. E tu, por tua vez, confirma teus irmãos." Lc 22,31-32

    Aliás, Ele já tinha alertado a todos os Seus para esse agir de Deus: "Não tenhas medo, pequeno rebanho, porque foi do agrado de Vosso Pai dar-vos o Reino." Lc 12,32

domingo, 20 de abril de 2025

Pensar, Falar e Fazer

    Nossos pensamentos, palavras e ações devem estar em coerência entre si, assim como há Comunhão entre os desígnios do Pai, a Palavra de Jesus e a moção do Espírito Santo. Sobre o pensar, no Livro de Salmos, assim canta o primeiro: "Feliz o homem que não vai ao conselho dos injustos... seu prazer está na Lei do Senhor, e nela medita de dia e de noite." Sl 1,2a.2b

    A Carta de São Paulo aos Filipenses ensina: "Além disso, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo que é nobre, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama, tudo que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos." Fl 4,8

    Já a Carta de São Paulo a São Tito disse da generalizada corrupção e do relativismo: "Para os puros, todas coisas são puras. Para os corruptos e descrentes, nada é puro: até sua mente e consciência são corrompidas." Tt 1,15

    O Livro de Sabedoria, pois, prevê o afastamento do Divino Paráclito: "A Sabedoria não entrará na perversa alma, nem habitará no corpo sujeito ao pecado. O Espírito Santo Educador das almas fugirá da perfídia, afastar-Se-á de insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir, repeli-Lo-á." Sb 1,4-5

    Para ilustrar a importância do bem pensar, Nosso Senhor, no Evangelho Segundo São Lucas, questionou como executamos nossos projetos: "Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la?" Lc 14,28

    Sobre o falar, a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo recomendou-lhe: "Empenha-te em apresentar-te diante de Deus como homem digno de aprovação, operário que não tem de que se envergonhar, íntegro distribuidor da Palavra da Verdade. Procura esquivar-te das frívolas conversas dos mundanos, que só contribuem para a impiedade. As palavras dessa gente destroem como a gangrena." 2 Tm 2,15-17a

    E, lembrando o Corpo Místico de Cristo, a Carta de São Paulo aos Efésios recomendou a todos: "Por isso, renunciai à mentira. Cada um fale a Verdade a seu próximo, pois somos membros uns dos outros. Nenhuma má palavra saia de vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem." Ef 4,25.29

    O sagrado autor do Livro de Eclesiástico percebeu nesse atributo uma forma de testar as índoles: "Quando se sacode a peneira ficam os restos, como os defeitos do homem em seu falar. O forno põe à prova as vasilhas de barro, a prova do homem está em seu falar." Eclo 27,4-5

    Nosso Salvador ensinou-nos a obrigação de dar testemunho do bem, de bem falar do que é correto e das boas obras das pessoas. A palavra 'bênção' vem de 'bendição', de 'bendizer', e deve ser usada a despeito da situação: "... bendizei aqueles que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam." Lc 6,28

    E denunciou a fonte das más palavras, ao acusar os fariseus no Evangelho Segundo São Mateus: "Raça de víboras, maus como sois, como podeis dizer boas coisas? Porque a boca fala do que lhe transborda do coração." Mt 12,34

    Quanto ao fazer, Ele recomendou discrição até mesmo na prática da caridade: "Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles." Mt 6,1

    Além de estimular à humildade, que é uma virtude: "Assim também vós, depois de terdes feito tudo que vos foi ordenado, dizei: 'Somos inúteis servos. Apenas fizemos o que devíamos fazer.'" Lc 17,10

    Conhecedor de nossas dificuldades de entendimento, Ele deixou-nos a chamada Lei de Ouro: "O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles." Lc 6,31

    E em Seu agir, o próprio Jesus demonstrava total compromisso com os planos do Pai, como está no Evangelho Segundo São João: "Meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou e cumprir Sua obra." Jo 4,34

    E o Apóstolo dos Gentios exortou: "Fazei todas coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, íntegros filhos de Deus no meio de uma depravada e maliciosa sociedade, onde brilhais como luzeiros no mundo, a ostentar a Palavra da Vida." Fl 2,14-16a

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Deus busca Salvar a Todos

    O Livro de Salmos canta a universalidade do amor de Deus: "O Senhor é clemente e compassivo, longânime e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos, e Sua Misericórdia estende-se a todas Suas obras." Sl 144,8-9

    E o sagrado autor do Livro de Sabedoria observou: "Porque se os inimigos de Vossos filhos, dignos de morte, Vós os haveis castigado com tanta prudência e longanimidade, dando-lhes tempo e ocasião para emendarem-se, com quanto cuidado não julgareis Vós Vossos filhos, a cujos antepassados concedestes com juramento Vossa Aliança, repleta de ricas promessas?" Sb 12,20-21

    De fato, no Livro de Jó, enquanto ele se deixava levar pelo desespero, um amigo tratou de alertá-lo: "Pois Deus fala de uma maneira e de outra e não prestas atenção. Por meio de sonhos, de noturnas visões, quando um profundo sono pesa sobre os homens, enquanto estão adormecidos em seus leitos, então lhes abre os ouvidos e os assusta com Suas aparições, a fim de desviá-los do pecado e de preservá-los do orgulho, para salvar-lhes a alma do fosso, e suas vidas, da mortífera flecha." Jó 33,14-18

    Sem dúvida, Deus mesmo falou no Livro do Profeta Ezequiel: "'Terei Eu prazer com a morte do malvado?' Oráculo do Senhor Javé. 'Antes não desejo Eu que ele mude de proceder e viva?'" Ez 18,23

    Por isso, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo exorta: "Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos homens... Isto é bom e agradável diante de Deus, Nosso Salvador, o Qual deseja que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade." 1 Tm 2,1.3-4

    Ele pregou aos gregos em Atenas, no Areópago, como o Livro de Atos dos Apóstolos apontou: "Deus, porém, não levando em conta os tempos da ignorância, agora convida a todos homens, de todos lugares, a arrependerem-se. Porquanto fixou o Dia em que há de julgar o mundo com justiça, pelo Ministério de um Homem que para isso destinou. A todos deu como garantia disso o fato de tê-Lo ressuscitado dentre os mortos." At 17,30-31

    Pois assim ele justifica a esperança, ressaltando a importância da Graça dada pela unção da Santa Igreja Católica: "Eis uma verdade absolutamente certa e digna de : se nos afadigamos e sofremos ultrajes, é porque pusemos nossa esperança em Deus Vivo, que é o Salvador de todos homens, sobretudo dos fiéis." 1 Tm 4,9-10

    Em admoestações, portanto, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios pedia absoluto comedimento: "Não vos torneis causa de escândalo, nem para os judeus, nem para os gentios, nem para a Igreja de Deus. Fazei como eu: em todas circunstâncias procuro agradar a todos. Não busco meus próprios interesses, mas os interesses dos outros, para que todos sejam salvos." 1 Cor 10,32-33

    O próprio Jesus, para melhor explicar os procedimentos do Pai, deu esse exemplo logo no Sermão da Montanha, ou seja, no início de Sua Missão. É do Evangelho Segundo São Mateus: "... Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos." Mt 5,45

    Disse o mesmo falando sobre a característica pureza das crianças, visando protegê-las dos escândalos da devassidão dos adultos: "Assim é a vontade de Vosso Pai celeste, que não se perca um só destes pequeninos." Mt 18,14

    E no Evangelho Segundo São João, disse de Sua morte na Cruz: "E quando Eu for levantado da Terra, a Mim atrairei todos homens." Jo 12,32

    Está na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: "De fato, Cristo morreu por todos..." 2 Cor 5,15a

    E a Carta de São Paulo aos Romanos vai repetir: "Aquele que não poupou Seu próprio Filho, mas que por todos nós O entregou, como com Ele também não nos dará todas coisas?" Rm 8,32

    Por fim, a Primeira Carta de São João afirma: "Ele (Cristo) é a expiação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo mundo." 1 Jo 2,2

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Cristo, o Templo de Jerusalém e a Santa Igreja

    A relação entre Cristo, o Tabernáculo, o Templo de Jerusalém e a Santa Igreja Católica em muito excede nosso entendimento. Sem dúvida, as Tábuas da Lei, as Escrituras e sobremaneira o Evangelho compõem um único e especialíssimo patrimônio: é a Revelação, a Palavra de Deus, a ser transmitida (cf. Sl 77,5). Mas, enquanto tal, também é o próprio Verbo Encarnado (cf. Jo 1,14), isto é, Nosso Senhor Jesus Cristo! No Evangelho Segundo São João, Ele disse: "'Destruí vós este Templo, e Eu reerguê-Lo-ei em três dias.' Os judeus replicaram: 'Em quarenta e seis anos foi edificado este Templo, e Tu hás de levantá-lo em três dias?!' Mas Ele falava do Templo de Seu Corpo." Jo 2,19b-21

    Porém, no Evangelho Segundo São Mateus, também deixou evidente que é maior que ele: "Não lestes na Lei que, nos dias de sábado, os sacerdotes transgridem no Templo o descanso do sábado e não se tornam culpados? Ora, Eu declaro-vos que aqui está Quem é maior que o Templo." Mt 12,5-6

    E a Carta de São Paulo aos Efésios vai dizer sobre Sua Igreja: "... Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para a Si mesmo apresentá-la toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito, mas santa e irrepreensível. Este mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja." Ef 5,25-27.32

    Diz mais: "É n'Ele (Cristo) que todo o edifício, harmonicamente disposto, levanta-se até formar um Templo Santo no Senhor. É n'Ele que conjuntamente vós também entrais, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus." Ef 2,21-22

    Pois a Igreja é o próprio Corpo Místico de Cristo, como São Paulo diz: "... Cristo é o Chefe da Igreja, Seu Corpo, da qual Ele é o Salvador." Ef 5,23b

    Ele afirma a plenitude da Igreja, dizendo que o Pai: "... sujeitou a Seus pés todas coisas, e constituiu-O Chefe Supremo da Igreja, que é Seu Corpo, o receptáculo d'Aquele que todas coisas preenche sob todos aspectos." Ef 1,22-23

    Ora, Deus mesmo havia prometido ainda no Livro de Levítico: "Porei Meu Tabernáculo no meio de vós, e Minha alma não vos rejeitará. Andarei entre vós: serei Vosso Deus e vós sereis Meu povo." Lv 26,11-12

    Desde a História do Patriarcas, pois, Ele havia sinalizado para essa habitação, o que se deu inicialmente em Betel, uma cidade da antiga Samaria. É do Livro de Gênesis: "Despertando de seu sono, Jacó exclamou: 'Em verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia!' E cheio de pavor, ajuntou: 'Quão terrível é este lugar! É nada menos que a Casa de Deus. Aqui é a Porta do Céu.'" Gn 28,16-17

    A Tenda, pois, que guardava a Arca da Aliança, era onde Deus Se manifestava, conforme o Livro de Êxodo: "Moisés foi levantar a Tenda a alguma distância fora do acampamento. E chamou-a Tenda de Reunião. Quem queria consultar o Senhor, dirigia-se à Tenda de Reunião, fora do acampamento. O Senhor entretinha-Se face a face com Moisés, como um homem fala com seu amigo." Êx 33,7.11a

    E o Primeiro Livro de Crônicas diz que foi de Davi a ideia de edificar um Templo ao Senhor, após se estabelecer em Jerusalém: "Quando Davi se instalou em sua casa, disse ao Profeta Natã: 'Eis que moro numa casa de cedro e a Arca da Aliança do Senhor está debaixo de uma Tenda.'" 1 Cr 17,1

    Veio então o tempo em que Salomão, um dos filhos de Davi, pôde realizar tal projeto, como o Primeiro Livro de Reis traz: "No ano quatrocentos e oitenta depois da saída dos filhos de Israel do Egito, Salomão, no quarto ano de seu reinado, no mês de Ziv, que é o segundo mês, empreendeu a construção do Templo do Senhor." 1 Rs 6,1

    Mas foi em Jesus, não em Salomão, que se realizou o Reino Eterno, como foi dito através do Profeta Natã: "É Ele que Me construirá uma Casa e para sempre firmarei Seu Trono. Serei para Ele um Pai, e Ele será para Mim um Filho." 1 Cr 17,12-13a

    Na Jerusalém Celestial, porém, não mais haverá Templo, pois sua transfiguração, ou a da Igreja, na própria Pessoa de Deus já se terá completado. Diz o Livro de Apocalipse de São João: "Nela não vi, porém, templo algum, porque o Senhor Deus Dominador é Seu Templo, assim como o Cordeiro." Ap 21,22

quarta-feira, 16 de abril de 2025

O Pensamento de Cristo

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios esclarece sobre nossa condição dos membros do Corpo Místico de Cristo: "Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem pode compreendê-las, porque é pelo Espírito que deve ponderá-las. O homem espiritual, ao contrário, julga todas coisas e não é julgado por ninguém. 'Quem instruiu o Espírito do Senhor, ou que conselheiro Lhe deu lições (Is 40,13)?' Nós, porém, temos o pensamento de Cristo." 1 Cor 2,14-16

    Mas a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios explica: "Não que por nós mesmos sejamos capazes de algum pensamento, como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus. Ele é que nos fez aptos para sermos Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,5

    Contudo, ele afirma perante a humanidade o poder da Santa Igreja Católica, enquanto 'coluna e sustentáculo da Verdade (cf. 1 Tm 3,15)': "Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo." 2 Cor 10,5

    De fato, ao acusar o Sinédrio pelo Sacrifício de Cristo, no Livro de Atos dos Apóstolos, São Pedro esclarece como é possível receber o Santo Paráclito: "... o Espírito Santo, que Deus deu a todos que Lhe obedecem." At 5,32

    Consagrando a importância da obediência, sob todos aspectos, a Primeira Carta de São Pedro também explicou a finalidade desta Unção, e assim fechou o ciclo, dizendo que somos "... santificados pelo Espírito, para obedecer a Jesus Cristo..." 1 Pd 1,2a

    A Primeira Carta de São João igualmente O tinha como sinal de obediência: "Eis Seu Mandamento: que creiamos no Nome do Seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros como Ele nos mandou. Quem observa Seus Mandamentos, permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,23-24

    Ora, o próprio Príncipe dos Apóstolos, mesmo instantes depois de inspiradamente reconhecer Jesus como o Messias, por Ele vai ser pronta e seriamente corrigido, pois não aceitou o anúncio de Sua Paixão. O Evangelho Segundo São Marcos aponta: "Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a recriminá-Lo. Ele, porém, voltou-Se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: 'Afasta-te de Mim, Satanás! Tu não pensas as coisas de Deus, e sim as dos homens.'" Mc 8,32b-33

    O sagrado autor do Livro de Sabedoria, pois, diz versando sobre a própria: "Ela mesma vai à procura daqueles que dela são dignos. Ela aparece-lhes nos caminhos, cheia de benevolência, e vai ao encontro deles em todos seus pensamentos..." Sb 6,16

    Mas também adverte: "A Sabedoria não entrará na perversa alma, nem habitará no corpo sujeito ao pecado. O Espírito Santo Educador das almas fugirá da perfídia, afastar-Se-á de insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir repeli-Lo-á." Sb 1,4-5

    Aliás, fala mesmo em punição pelo simples pensar: "Mas os ímpios terão o castigo que merecem seus pensamentos, uma vez que desprezaram o justo e se separaram do Senhor; e desgraçado é aquele que rejeita a Sabedoria e a disciplina!" Sb 3,10

    E eis o que Tobit, julgando estar prestes a morrer, recomenda no Livro de Tobias, seu filho: "Quanto a ti, conserva sempre em teu coração o pensamento de Deus. Guarda-te de jamais consentir no pecado, e de negligenciar os preceitos do Senhor, Nosso Deus." Tb 4,6

    Assim como o Livro de Eclesiástico reza: "Que o pensamento de Deus ocupe teu espírito, e os preceitos do Altíssimo sejam tua conversa." Eclo 9,23

terça-feira, 15 de abril de 2025

Igreja: Reino de Sacerdotes

    Em manifestação a Moisés, no Livro de Êxodo, Deus prometeu que faria de Seu povo um Reino de Sacerdotes: "Agora, pois, se obedecerdes à Minha voz e guardardes Minha Aliança, sereis Meu povo particular entre todos povos. Toda Terra é Minha, mas vós sê-Me-eis um Reino de Sacerdotes e uma consagrada nação. Tais são as palavras que dirás aos israelitas." Êx 19,5-6

    E o Livro do Profeta Isaías, antecipando palavras do próprio Jesus, assegurou ao povo: "... chamá-vos-ão Sacerdotes do Senhor, de Ministros de Nosso Deus sereis qualificados." Is 61,6a

    O Livro do Profeta Jeremias, de fato, indicou este Reino como consequência da manifestação de Cristo, quando o maior sinal do Antigo Testamento já estaria esquecido: "Dá-vos-ei pastores segundo Meu Coração, que vos apascentarão com inteligênciaSabedoria. Quando vos multiplicardes e vos tornardes numerosos na Terra, naqueles dias,' Oráculo do Senhor, 'não mais se falará da Arca da Aliança do Senhor, nem mais nela se pensará, perdendo-se a lembrança e a saudade, e sequer a ela há de referir-se." Jr 3,15-16

    Ora, essa promessa cumpriu-se com a Vitória de Jesus, como se vê na reverência prestada logo no início no Livro de Apocalipse de São João: "Àquele que nos ama, que em Seu Sangue nos lavou de nossos pecados e que de nós fez um Reino de Sacerdotes para Deus e Seu Pai, Glória e poder pelos séculos dos séculos! Amém." Ap 1,5a-6

    De fato, citando o Livro de Deuteronômio, os seguidores da tradição de São Paulo aferem que assim nos é possível realizar a Santa Missa, na Carta aos Hebreus: "Sim, possuindo nós um Inabalável Reino, dediquemos a Deus um reconhecimento que com temor e respeito Lhe torne agradável nosso culto. Porque Nosso Deus é um fogo devorador (Dt 4,24)." Hb 12,28

    Trata-se, portanto, de um sobrenatural sacerdócio, da ordem um enigmático sacerdote do Altíssimo que era rei de Salém, talvez o antigo nome de Jerusalém, e que abençoou o grande patriarca Abraão. Sacerdócio que seria modelo para o próprio Cristo: "E uma vez chegado a Seu termo, tornou-Se Autor da Eterna Salvação para todos que Lhe obedecem, porque Deus O proclamou Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque." Hb 5,9-10

    E assim é, pois, para sempre, como Deus Pai mesmo jurou em Jesus. Canta o Livro de Salmos: "O Senhor jurou e não Se arrependerá: 'Tu és Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.'" Sl 109,4

    Desde a Antiga Aliança, o Livro de Eclesiástico já exortava entre citações do Primeiro Mandamento: "Teme a Deus com toda tua alma, e tem um profundo respeito por Seus sacerdotes. Ama com todas tuas forças Aquele que te criou, e não abandones Seus ministros." Eclo 7,31-32

    E eis que a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios suspira: "Irmãos, que todo mundo nos considere como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. A este respeito, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis." 1 Cor 4,1-2

    Porque esses ofícios são divinos dons, guiados por inspiração do Divino Paráclito. Nada têm de mera instrução humana ou simples literalidade da Bíblia, principalmente após o Pentecostes, como a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios afirma: "Ele (Deus) é que nos fez aptos para ser Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,6

    Disto, nossos atuais Sacerdotes são exclusivamente aqueles que vêm sendo instituídos pela mesma e Sagrada Tradição, como vemos nesta instrução da Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo: "O que de mim ouviste em presença de muitas testemunhas, confia-o a fiéis homens que, por sua vez, sejam capazes de instruir a outros." 2 Tm 2,2

    O Amado Discípulo, enfim, viu os quatro querubins e os vinte e quatro serafins ou tronos prostrarem-se diante do Cordeiro: "Cantavam um novo cântico, dizendo: 'Tu és digno de receber o Livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço de Teu Sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça, e deles fizeste para Nosso Deus um Reino de Sacerdotes, que reinam sobre a Terra.'" Ap 5,9-10