sábado, 15 de agosto de 2026

Assunção de Nossa Senhora

    Conforme a Bíblia, no Livro de Apocalipse São João temos o relato que, apesar de não tratar propriamente de sua Assunção, aponta Nossa Senhora já nos Céus, e dá testemunho de sua transfiguração em corpo glorioso e de sua coroação: "Em seguida, apareceu no Céu um grande sinal: uma Mulher revestida do sol, tendo a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Ela deu à luz um Filho, um Menino, Aquele que deve reger todas pagãs nações com cetro de ferro. Mas Seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e de Seu trono." Ap 12,1.5

    E imediatamente antes dessa aparição, ao Amado Discípulo havia sido apresentada a Arca da Aliança (cf. Êx 25,10), ou seja, a portadora da Revelação, uma prefigura de Nossa Senhora, Sem dúvida, Nossa Mãe Celeste veio como aperfeiçoamento da Arca da Velha Aliança (cf. Jr 3,16), que guardava as Tábuas da Lei (cf. Êx 25,16), porque ela é a Arca da Nova e Eterna Aliança, a portadora do Verbo Encarnado (cf. Jo 1,14): "Abriu-se o Templo de Deus no Céu e apareceu, em Seu Templo, a Arca de Seu Testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva." Ap 11,19

    De fato, o desaparecimento da Arca da Velha Aliança já tinha sido anunciado por Deus havia séculos, ainda no Livro do Profeta Jeremias: "Quando vos multiplicardes e vos tornardes numerosos na Terra, naqueles dias, Oráculo do Senhor, não mais se falará da Arca da Aliança do Senhor nem mais se pensará nela, perdendo-se a lembrança e a saudade, nem a ela há de se referir." Jr 3,16

    E eis porque, no Livro de Salmos, o sagrado autor já cantava a Assunção de Nossa Senhora em momento posterior à Ressurreição e Ascensão de Jesus, pois só pela Graça de Nosso Senhor (cf. Jo 1,17) nos foi possibilitado prestar culto a Deus com toda Justiça, que é a Santa Missa celebrada pela Santa Igreja Católica, Seu Reino de Sacerdotes: "Levantai-Vos, Senhor, para vir a Vosso repouso, Vós e a Arca de Vossa Majestade. Vistam-se de Justiça Vossos Sacerdotes, e jubilosos cantem de alegria Vossos fiéis." Sl 131,8-9

    Pois se a Carne e o Sangue de Cristo, que por Sua santidade e divindade nos concedem a Vida Eterna (cf. Jo 6,54), não veio a corromper-se, aliás, como muitos outros Corpos Santos, o corpo de Nossa Senhora, cuja carne e sangue geraram o Corpo de Nosso Senhor, porque São José não participou de Sua humana concepção, também não poderia corromper-se. Profetizando, o rei Davi cantou por Jesus, que assim Se dirigiu ao Pai: "Por isso, Meu Coração alegra-se, Minha alma exulta e Minha Carne repousa em segurança. Porque Vós não abandonareis Minha alma na habitação dos mortos, nem permitireis que Vosso Santo conheça a corrupção." Sl 15,9-10

    E foi o próprio Cristo que prometeu, aos Apóstolos e a nós, preparar um lugar nos Céus. Acaso não faria o mesmo para Sua Santíssima Mãe? Ele assegurou após a Santa Ceia: "Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, Eu tê-vos-ia dito, pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e preparar-vos um lugar, voltarei e tomá-vos-ei Comigo, para que, onde Eu estou, vós também estejais." Jo 14,2-3

    E ainda que não em seus corpos, os Santos já estão em alma no Céu, julgando e reinando como o Amado Discípulo registrou, pois eles não se deixaram iludir pelo maligno império: "Também vi tronos, sobre os quais se sentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas daqueles que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a besta ou sua imagem, que não tinham recebido seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma Nova Vida, e com Cristo reinaram por mil anos." Ap 20,4

    Pois a sensata pergunta a ser feita é: se os "lenços e outros panos" de São Paulo (cf. At 19,11), a "sombra" de São Pedro (cf. At 5,15) e a "orla do manto" de Jesus (cf. Lc 8,44) realizavam milagres enquanto relíquias, que dizer do próprio corpo de Nossa Senhora que por nove meses teve Deus em seu ventre? Poderia corromper-se o receptáculo da Absoluta Graça?

    Ora, se a própria Igreja fundada por Jesus, apesar de alguns de seus membros (lembrar Judas Iscariotes!), é incorruptível (cf. Mt 16,18b; Ef 5,25b-27), como então não o seria o ventre de Maria Santíssima, do qual a humanidade deve renascer pelo Espírito Santo para ser a Igreja Apostólica? Antecipando os Sacramentos do Batismo e da Crisma, Nosso Senhor revelou ao fariseu Nicodemos: "Na Verdade, na Verdade, digo-te: quem não renascer da Água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus. Aquele que nasceu da carne, é carne, e aquele que nasceu do Espírito, é espírito." Jo 3,5b-6

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Desde o Princípio, Deus de Todos Povos


    Não há dúvida de que a fase do "crescei e multiplicai-vos" (Gn 1,28) tenha levado o ser humano a colonizar distantes terras, formando diversas nações. O Livro de Deuteronômio registrou: "Quando o Altíssimo dividia os povos e dispersava os filhos dos homens, fixou limites aos povos, segundo o número dos filhos de Deus." Dt 32,8

    Mas como aconteceu com Adão e Eva no Paraíso, não era Sua vontade que os povos se voltassem contra Si. Ora, Moisés esbraveja contra os próprios israelitas: "Pecaram contra Ele. Já não são Seus filhos, mas degenerada raça, perversa, depravada geração. É assim que agradeceis ao Senhor, frívola e insensata gente? Não é Ele Teu Pai, Teu Criador, que te fez e te estabeleceu? Lembra-te dos antigos dias, considera os anos das passadas gerações. Interroga teu pai e ele contá-te-á, teus anciãos e eles di-te-ão." Dt 32,5-7

    Entretanto, a promessa que Deus fez a Abraão foi rigorosamente mantida. Está no Livro de Gênesis: "... em ti serão benditas todas famílias da Terra." Gn 12,3

    Assim Abraão se tornou pai carnal, embora nem todos viessem a guardar as tradições hebreias, e, pela , também pai espiritual de muita gente. Disse Nosso Criador: "... de ti farei o pai de uma multidão de povos... de ti farei nascer nações..." Gn 17,5b-6a

    Pois mesmo que a tradição só considere como hebreu o filho de uma hebreia, na ascendência do próprio Jesus há três mulheres estrangeiras. O Evangelho Segundo São Mateus apontou: "Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara. (...) Salmon gerou Booz, de Raab. (...) Booz gerou Obed, de Rute." Mt 1,1.3a.5a

    E na visão do Livro do Profeta Daniel, Cristo apresenta-Se diante de Deus Pai para reinar sobre todos povos pela invencível Santa Igreja Católica (cf. Mt 16,18): "Sempre olhando a noturna visão, vi um Ser, semelhante ao Filho do Homem, vir sobre as nuvens do Céu: dirigiu-Se para o lado do Ancião, diante de Quem foi conduzido. A Ele foram dados império, Glória e realeza, e todos povos, todas nações e todas línguas serviram-nO. Seu domínio será eterno, nunca cessará, e Seu Reino jamais será destruído." Dn 7,13-14

    São Mateus bem percebeu esse alcance que só o Espírito Santo daria à Palavra de Jesus. O primeiro evangelista disse sobre Nosso Salvador, invocando uma promessa de Deus Pai no Livro do Profeta Isaías: "Uma grande multidão seguiu-O, e Ele curou todos seus doentes. Severamente lhes proibia de falar disso, para que se cumprisse o anunciado pelo Profeta Isaías: 'Eis Meu Servo a Quem escolhi, Meu bem-amado em Quem Minha alma pôs toda Sua afeição. Farei repousar sobre Ele Meu Espírito, e Ele anunciará a Justiça aos pagãos. Em Seu Nome as pagãs nações porão sua esperança (Is 42,1-4)." Mt 12,15b-18.21

    Por isso, conforme a Carta de São Paulo aos Romanos, a Nova e Eterna Aliança não deveria causar estranheza aos judeus: estava predita havia séculos por Deus mesmo através de Seus mais importantes Profetas: "E ainda pergunto: Acaso Israel não o compreendeu? Moisés já lhes havia dito: 'Eu despertá-vos-ei ciúmes com um povo que não merece este nome, provocá-vos-ei a ira contra uma insensata nação (Dt 32,21).' E Isaías abalança-se a dizer: 'Fui achado por aqueles que não Me buscavam. Manifestei-Me àqueles que não perguntavam por Mim (Is 65,1).' Ao passo que, a respeito de Israel, Ele diz: 'Todo dia estendi Minhas mãos a um desobediente e teimoso povo (Is 65,2).'" Rm 10,19-21

    Ademais, o Apóstolo dos Gentios já havia dito, mais uma vez citando palavras de Deus: "Porque nem todos que descendem de Israel são verdadeiros israelitas, como nem todos descendentes de Abraão são filhos de Abraão. Mas: 'É em Isaque que terás uma descendência que trará teu nome (Gn 21,12).' Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que serão considerados como descendentes." Rm 9,6b-8

    Ora, em oração no remoto Segundo Livro de Reis, Ezequias, rei de Judá, já reconhecia: "... Vós sois o Deus de todos reinos da Terra." 2 Rs 19,15b

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Jesus, Cordeiro Imolado

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios pedia uma completa renovação em nossas vidas, tomando como exemplo de pureza os pães sem fermento, e justificava alegando a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, na qual Ele se ofereceu como Pão da Vida Eterna, para que passemos ao Céu: "Purificai-vos do velho fermento para que sejais nova massa! Porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, Nossa Páscoa, foi imolado." 1 Cor 5,7

    Com razão, para estabelecer a Nova Aliança prometida desde os tempos do Livro do Profeta Jeremias (cf. Jr 31,33), em Si mesmo Jesus realizou o Sacrifício Perfeito. É o que os seguidores de São Paulo argumentam na Carta aos Hebreus, citando um canto do rei Davi no Livro de Salmos, ao referirem-se aos sacrifícios que os judeus seguiam oferecendo: "Enquanto todo sacerdote diariamente se ocupa com seu ministério, e inúmeras vezes repete os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício, e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus, onde de ora em diante espera que Seus inimigos sejam postos como um banquinho para Seus pés (Sl 109,1)." Hb 10,11-13

    Afirmativamente, se Deus poupou Isaque, o filho de Abraão (cf. Gn 22,11), e tão somente o fato de Ele ter cogitado tal sacrifício nos parece um absurdo, não hesitou em sacrificar Seu próprio Filho. No Evangelho Segundo São João, falando de Si, Nosso Senhor mesmo atestou: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo que lhe deu Seu Único Filho, para que todo aquele que n'Ele crer não pereça, mas tenha a Vida Eterna." Jo 3,16

    A Carta de São Paulo aos Romanos semelhantemente apresentou o Santo Sacrifício como uma prova do amor de Deus, e assim como garantia de tudo que d'Ele receberemos: "Aliás, sabemos que todas coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo Seus desígnios. Aquele que não poupou Seu próprio Filho, mas que por todos nós O entregou, como também não nos dará com Ele todas coisas?" Rm 8,28.32

    Por isso, evocando o Livro do Profeta Oseias no Evangelho Segundo São Mateus, Nosso Salvador, mais que os rituais judeus, vai pedir compaixão aos fariseus: "Ide e aprendei o que significam estas palavras: 'Eu quero a Misericórdia, e não o sacrifício (Os 6,6).'" Mt 9,13

    Ora, Ele bem sabia o que a Santa Igreja Católica sofreria, como disse a Apóstolos, discípulos e seguidores na noite em que ia ser entregue, após a Santa Ceia: "Expulsá-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus. Procederão deste modo porque não conheceram o Pai, nem a Mim." Jo 16,2-3

    E por duas vezes pediu a nosso Primeiro Papa que cuidasse dos mais frágeis entre Seu rebanho, que são os fiéis que não recebem o Sacramento da Ordenação: "Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: 'Simão, filho de João, amas-Me mais que a estes?' Respondeu ele: 'Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta Meus cordeiros.' Perguntou-lhe outra vez: 'Simão, filho de João, amas-Me?' Respondeu-Lhe: 'Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta Meus cordeiros.'" Jo 21,15-16

    Pois ele tinha bem claro que o Cordeiro havia redimido nossos pecados diante de Deus. A Primeira Carta de São Pedro vai pregar: "Porque vós sabeis que não é por perecíveis bens, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados de vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais. Mas pelo precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro Imaculado e sem defeito algum, Aquele que foi predestinado antes da criação do mundo e que nos últimos tempos foi manifestado por amor a vós." 1 Pd 1,18-20

    Assim, por Seu Sacrifício, o Cordeiro de Deus é merecedor de toda Glória perante todos anjos de Deus, como o Livro de Apocalipse de São João registrou: "Eu vi no meio do trono, dos quatro seres e dos anciãos (todos anjos!) um Cordeiro, de pé, como que imolado. Tinha Ele sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus, enviados por toda Terra. Em minha visão também ouvi, ao redor do trono, dos seres e dos anciãos, a voz de muitos anjos, em número de miríades de miríades e de milhares de milhares, bradando em alta voz: 'Digno é o Cordeiro Imolado de receber o poder, a riqueza, a Sabedoria, a força, a Glória, a honra e o louvor.'" Ap 5,6.11-12

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Inseguranças

    Como verdadeiros católicos, não podemos deixar-nos dominar por preocupações nem nos inibir pelo medo, porque mais que nos acovardar, eles podem imobilizar-nos! Alertando para as contrariedades da vida, a Carta de São Paulo aos Filipenses fala da dignidade dos filhos de Deus: "Cumpre, somente, que em vosso proceder vos mostreis dignos do Evangelho de Cristo. Quer eu vá ter convosco, quer permaneça ausente, desejo ouvir que estais firmes em um só espírito, unanimemente lutando pela fé do Evangelho, sem em nada vos deixardes intimidar por vossos adversários. Para eles, isto é motivo de perdição, mas para vós de Salvação. E é a vontade de Deus, porque a vós é dado não somente crer em Cristo, mas ainda sofrer por Ele. Sustentais o mesmo combate que me tendes visto travar, e no qual sabeis que eu agora continuo." Fl 1,27-30

    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo, portanto, exalta a Graça que o Pentecostes, perpetuado pelos Sacramentos do Batismo e da Crisma, foi para a Santa Igreja Católica: "Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de Sabedoria." 2 Tm 1,7

    Pois só a Divina Graça, pelo dom da fortaleza, pode ajudar-nos a vencer os medos, e com eles os pecados. No Evangelho Segundo São João, nos últimos momentos entre Apóstolos, discípulos e seguidores, Jesus exortava-os: "No mundo haveis de ter tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo." Jo 16,33

    Porém, para complicar, o Apóstolo dos Gentios profetizou a São Timóteo o surgimento de falsos mestres, que da Sã Doutrina desviam muita gente, arrastando-a a verdadeiros tormentos: "Os homens tornar-se-ão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus. Ostentarão a aparência de piedade, negando-lhe, entretanto, a autoridade. Dessa gente, afasta-te! Deles fazem parte os que jeitosamente se insinuam pelas casas, e enfeitiçam mulherzinhas carregadas de pecados, atormentadas por toda espécie de paixões, sempre prontas para aprender sem nunca chegar ao conhecimento da Verdade." 2 Tm 3,2-7

    E elogiando a obediência dos verdadeiros cristãos, a Carta de São Paulo aos Romanos avisava das heresias que sempre são apresentadas de sedutoras formas, recomendando uma singela fórmula de proceder: "Rogo-vos, irmãos, que desconfieis daqueles que causam divisões e escândalos, apartando-se da Doutrina que recebestes. Evitai-os! Esses tais não servem a Cristo Nosso Senhor, mas ao próprio ventre. E com adocicadas palavras e lisonjeira linguagem, enganam os simples corações. Vossa obediência tornou-se notória em toda parte, razão porque eu me alegro a vosso respeito. Mas quero que sejais sábios no tocante ao bem, e sem malícia no tocante ao mal." Rm 16,17-19

    Porque contra toda devassidão e em meio a grandes perigos, Jesus, no Evangelho Segundo São Mateus, deixou-nos uma inevitável missão: "Eu envio-vos como ovelhas em meio a lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas. Cuidai-vos dos homens." Mt 10,16-17a

    Ora, Ele garantiu que Deus está no controle de tudo: "Não se vendem dois passarinhos por alguns centavos? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de Vosso Pai. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Bem mais que os pássaros, valeis vós." Mt 10,29-31

    E afirmando a imortalidade da alma, assim como a Ressurreição da Carne, mesmo daqueles que vão para o inferno, foi taxativo: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes temei Àquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena. Portanto, quem der testemunho de Mim diante dos homens, Eu também darei testemunho dele diante de Meu Pai que está nos Céus. Aquele, porém, que Me negar diante dos homens, Eu também o negarei diante de Meu Pai que está nos Céus." Mt 10,28.32-33

    É por essa razão que devemos buscar a fortaleza, que pelo Santo Paráclito nos é dada. A Segunda Carta de São Pedro recomenda a busca desse dom e cardeal virtude, numa sequência de outros dons e outras virtudes dessa cardeal virtude numa sequência de outras: "Por isso mesmo, dedicai todo esforço em juntar a vossa fé a fortaleza, à fortaleza o conhecimento, ao conhecimento o domínio próprio, ao domínio próprio a constância, à constância a piedade, à piedade a fraternidade, e à fraternidade, o amor." 2 Pd 1,5-7

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Fé, esperança e Amor

    As TEOLOGAIS VIRTUDES são dádivas de Deus, que vêm do profundo conhecimento de Si e levam à plena Comunhão com Ele. Elas foram reveladas pela Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "Agora, portanto, permanecem estas três coisas: a , a esperança e o amor." 1 Cor 13,13a

    A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, a mais antiga delas, já velava pelas três: "Com efeito, diante de Deus, Nosso Pai, continuamente pensamos nas obras de vossa fé, nos sacrifícios de vosso amor e na firmeza de vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, sob o olhar de Deus, Nosso Pai." 1 Ts 1,3

    E falando da vigília à espera do Dia do Senhor, ele vai citá-las como armas de guarda: "Nós, ao contrário, que somos do dia, sejamos sóbrios. Tomemos por couraça a fé e o amor, e por capacete a esperança da Salvação." 1 Ts 5,8


    FÉ - No Evangelho Segundo São JoãoJesus falava de uma realidade muito além da natural: "Na Verdade, na Verdade, digo-vos: quem ouve Minha Palavra, e crê n'Aquele que Me enviou, tem a Vida Eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a Vida." Jo 5,24

    Por isso, a Carta de São Paulo aos Romanos afirma o Magistério da Santa Igreja Católica: "Logo, a fé provém da pregação, e a pregação exerce-se em razão da Palavra de Cristo." Rm 10,17

    Contudo, apontando a fé como dom de Deus, e em diversos graus, o Apóstolo dos Gentios pede humildade: "Em virtude da Graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um razoavelmente modesto conceito, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu." Rm 12,3

    Havia-a dito como divina dádiva e especificamente dizendo do Santo Paráclito como Seu doador: "A um é dada pelo Espírito uma palavra de Sabedoria. A outro, uma palavra de ciência por esse mesmo Espírito. A outro, a fé, pelo mesmo Espírito..." 1 Cor 12,8-9a

    ESPERANÇA - Essa obra, Deus realiza em nós através do amor que Jesus manifestou em Seus ensinamentos e obras, ao anunciar o Reino dos Céus, mas principalmente pela superabundante Graça que Sua Paixão nos concedeu (cf. Rm 5,20). A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses traz: "Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, Nosso Pai, que nos amou e que nos deu eterna consolação e boa esperança por Sua Graça, animem vossos corações e confirmem-nos para toda boa obra e palavra!" 2 Ts 2,16

    Pois Cristo é a própria esperança, como, na Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo, ele se apresentou: "Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo por ordem de Deus, Nosso Salvador, e de Jesus Cristo, nossa esperança..." 1 Tm 1,1

    Ele é o Verbo que Se fez Carne (cf. Jo 1,14), a Boa Nova, a própria Verdade (cf. Jo 14,6), nas palavras da Carta de São Paulo aos Colossenses: "Esperança que vos foi transmitida pela pregação da Verdade do Evangelho..." Cl 1,5

    Com efeito, ela representa nossa oportunidade de recuperar a semelhança divina, conforme a Primeira Carta de São João: "E todo aquele que n'Ele tem esta esperança, torna-se puro como Ele é puro." 1 Jo 3,3

    AMOR - Com o Pentecostes, quando se deu o nascimento da Igreja Apostólica, o Espírito Paráclito tem consumado essa Graça. O Apóstolo dos Gentios diz: "Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Rm 5,5b

    Pois é Ele, o Autor da Graça (cf. Hb 10,29), que nos conduz à Vida Eterna (cf. Rm 8,14). Este Apóstolo fala de um de seus colaboradores: "Foi Epafras que nos informou do amor com que o Espírito vos anima." Cl 1,8

    É nesse amor, aliás, divinamente demonstrado por Jesus na Santa Cruz do Calvário, que devemos perseverar. Ele mesmo recomendou: "Como o Pai Me ama, assim Eu também vos amo. Perseverai em Meu amor." Jo 15,9

    E indicou como o fazer: através da obediência: "Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor..." Jo 15,10b

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Não é Entender, Mas Obedecer a Deus!

    Os exemplos de Santas pessoas obedientes a Deus são muitos, em especial como quando Nossa Senhora respondeu com seu 'sim' ao Arcanjo São Gabriel, mesmo sem saber como explicaria sua gravidez a São José. É do Evangelho Segundo São Lucas: "Então disse Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra.'" Lc 1,38

    Outro exemplo está na palavra de São Pedro em resposta a Jesus, pouco antes da primeira miraculosa pesca: "Quando acabou de falar, disse a Simão: 'Faze-te ao largo, e lançai vossas redes para pescar.' Simão respondeu-Lhe: 'Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos. Mas por causa de Tua Palavra, lançarei a rede.' Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade que a rede se rompia." Lc 5,4-6

    No Evangelho Segundo São Marcos, o próprio Jesus rezaria ao Pai enquanto rezava no Horto das Oliveiras, onde seria preso: "'Aba! (Pai!)', suplicava Ele. 'Tudo Te é possível. Afasta de Mim este cálice! Contudo, não se faça o que Eu quero, senão o que Tu queres.'" Mc 14,36

    Ele havia ensinado a Seus discípulos: "Mas qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só minuto à duração de sua vida? Se vós, pois, não podeis fazer nem as mínimas coisas, por que estais preocupados com as outras? Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas estas coisas. Mas Vosso Pai bem sabe que precisais de tudo isso." Lc 12,26.30

    Apenas pedia que perseverássemos em Sua Palavra, citando Seu próprio exemplo no Evangelho Segundo São João: "Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor, como Eu também guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto em Seu amor." Jo 15,10

    Sabia de nossas dificuldades e limitações em compreender, como disse aos Apóstolos noite em que ia ser entregue: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas agora não podeis suportá-las." Jo 16,12

    Apontou, porém, a importantíssima obra da Terceira Pessoa de Deus: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em Meu Nome, ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26

    Ora, foi referindo-se à obediência como única forma de receber o Santo Paráclito, que nosso Primeiro Papa testemunhou Jesus como o Messias, o Redentor mediante o Sacramento da Confissão, diante do sinédrio, o conselho dos judeus em Jerusalém: "Destes fatos, nós somos testemunhas. Nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,32

    E com a manifestação do Paráclito a Revelação completou-se, e foi confiada à Santa Igreja Católica, como a Carta de São Judas afirma: "Caríssimos, estando eu muito preocupado em vos escrever a respeito de nossa comum Salvação, senti a necessidade de vos dirigir esta carta para vos exortar a combater pela , de uma vez para sempre confiada aos Santos." Jd 3

    Rejeitar a Santa Madre Igreja, portanto, ainda que parcialmente, o que já configura heresia, é rejeitar a Revelação. E assim é rejeitar Jesus e Deus Pai, e assim ao Espírito Santo, como Ele disse aos Apóstolos: "Quem vos ouve, a Mim ouve. E quem vos rejeita, a Mim rejeita. E quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou." Lc 10,16

    Não é verdadeira, pois, a afirmação de que as demais religiões também estão certas, apesar de conterem algumas centelhas da Luz de Deus. Como exemplo, e revelando uma só direção, Nosso Senhor mesmo apontou o erro dos samaritanos, apesar de acreditarem no Pentateuco: "Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, porque a Salvação vem dos judeus." Jo 4,22

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, enfim, explica que só nos Céus participaremos da Onisciência de Deus: "Nossa ciência é parcial, Nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Hoje vemos como por um espelho, confusamente, mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte, mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido." 1 Cor 13,9-10.12

domingo, 9 de agosto de 2026

Inviolável Projeto de Deus

    Deus vai executar Seu projeto do Reino dos Céus a despeito de qualquer contrariedade. No Evangelho Segundo São João, mesmo apresentando-Se como mero ser humano, Jesus garantiu: "Na Verdade, não falei por Mim mesmo, mas o Pai, que Me enviou, Ele mesmo prescreveu-Me o que devo dizer e o que devo ensinar. E sei que Seu Mandamento é Vida Eterna." Jo 12,49-50a

    É o que também vemos na parábola das Bodas do Filho do Rei, que Nosso Salvador contou no Evangelho Segundo São Mateus. Referindo-Se à rejeição dos judeus Lhe tinham, Deus Pai mesmo vai dizer: "'As Núpcias estão prontas, mas os convidados não foram dignos. Ide às encruzilhadas e convidai para as Núpcias todos quantos achardes.' Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala nupcial ficou repleta de convidados." Mt 22,8b-10

    Para todos que O acolhem, de fato, Deus promete a eterna felicidade. A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios cita o Livro do Profeta Isaías: "É como está escrito: 'Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou' (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam." 1 Cor 2,9

    Por isso, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios não se abalava com as constantes tribulações da vida cristã: "Sempre trazemos em nosso corpo os traços da Morte de Jesus, para que a Vida de Jesus também se manifeste em nosso corpo. Embora estando vivos, a toda hora somos entregues à morte por causa de Jesus, para que a Vida de Jesus também apareça em nossa carne mortal." 2 Cor 4,10-11

    A Carta de São Paulo aos Romanos explica: "Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto pelo pecado, mas vosso espírito vive pela justificação. Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos em vós habita, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida a vossos corpos mortais, por Seu Espírito que em vós habita." Rm 8,10-11

    Ora, o Livro de Sabedoria já informava da imortalidade que por ela própria se alcança: "Ela mesma (Divina Sabedoria) vai à procura daqueles que dela são dignos. Ela aparece-lhes nos caminhos, cheia de benevolência, e vai ao encontro deles em todos seus pensamentos, porque, verdadeiramente, desde o começo, seu desejo é instruir, e desejar instruir-se é amá-la. Mas amá-la é obedecer a suas leis, e obedecer a suas leis é a garantia da imortalidade. Ora, a imortalidade faz habitar junto a Deus, assim o desejo da Sabedoria conduz ao Reino!" Sb 6,16-20

    E Jesus veio oferecer a dádiva maior que Seu Santo Espírito é, Aquele que sacia toda sede de Justiça e de Vida: "... quem beber da água que Eu der, jamais terá sede. E essa água que Eu darei, virá a ser nele fonte de Água Viva, que jorrará até a Vida Eterna." Jo 4,14

    Ou, pela Comunhão da Santíssima Trindade, essa dádiva vem do próprio Jesus, como Ele garantiu a Suas ovelhas, ou seja, àqueles que realmente Lhe obedecem: "Minhas ovelhas ouvem Minha voz, Eu conheço-as e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a Vida Eterna. Elas jamais hão de perecer e ninguém as roubará de Minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai." Jo 10,27-29

    São Pedro, portanto, não vacilava! Mesmo quando muitos discípulos de Jesus O abandonavam, por estranhar quando Ele ofereceu Seu Corpo e Seu Sangue como Alimento que leva ao Céu, nosso Primeiro Papa bem sabia onde encontrar a Salvação: "Senhor, a quem iríamos? Tu tens as palavras da Vida Eterna." Jo 6,68b

    E assim, ela também está na atitude de quem sinceramente busca conhecer a Deus e a Jesus, como Ele mesmo rezou ao Pai na noite em que ia ser entregue: "Ora, a Vida Eterna é esta: que conheçam a Ti, Único e Verdadeiro Deus, e a Jesus Cristo, que enviaste." Jo 17,3

    Enfim, a Vida Eterna está mais propriamente, ainda segundo Sua Palavra, no Santíssimo Sacramento, como Ele prometeu na sinagoga de Cafarnaum, depois da primeira multiplicação de pães e peixes: "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará." Jo 6,27

sábado, 8 de agosto de 2026

A Escravidão do Pecado

    Precisamos compor nossa personalidade com atributos dignos de Deus, entre eles a castidade. Como estar em Comunhão com Ele quando se está dominado por perniciosos instintos e paixões que submetem e escravizam? A compulsão carnal, é evidente, animaliza e entristece o ser humano. A castidade, porém, é liberdade, e Nosso Salvador veio exatamente para nos libertar do pecado, como está no Evangelho Segundo São João: Na Verdade, na Verdade, digo-vos: todo homem que se entrega ao pecado, é seu escravo. Portanto, se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." Jo 8,34b.36

    Por isso, exaltando a Paixão de Cristo, a Carta de São Paulo aos Romanos exorta: "Sabemos que nosso velho homem foi crucificado com Ele (Jesus), para que o corpo outrora subjugado ao pecado seja reduzido à impotência, e já não sejamos escravos do pecado. Pois quem morreu (em Cristo), libertado está do pecado." Rm 6,6-7

    Fala da 'servidão' a Deus: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, seja da obediência para a Justiça? Graças a Deus, porém, que, depois de terdes sido escravos do pecado, obedecestes de coração à regra da Doutrina na qual tendes sido instruídos. E, libertados do pecado, tornastes-vos servos da Justiça." Rm 6,16-18

    A Carta de São Paulo aos Gálatas, no mesmo sentido, convida-nos a passar da escravidão à caridade espiritual, que se expressa quando oferecemos nossa alma purificada àqueles que estão em volta, sem as máculas ou deformidades de tão vis pecados: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para carnais prazeres. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade..." Gl 5,13

    Ele celebrou a Nova e Eterna Aliança, em contrate com o Antigo Testamento, pela infusão do Espírito de Deus no Pentecostes: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa Carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na Carne a fim de que a Justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rm 8,2-4

    Claro, na atualidade tal libertação não é fácil. Basta reparar na devassidão e em seus reflexos disseminados pela vigente cultura, desde o vestir, para ter ideia do poder de dominação dos mais vulgares instintos. O Apóstolo dos Gentios diz: "Como não se preocupassem em adquirir conhecimento de Deus, Ele entregou-os a depravados sentimentos, e daí seu indigno procedimento. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade. Cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus, que considera dignos de morte aqueles que tais coisas fazem, não somente as praticam, como também aplaudem aqueles que as cometem." Rm 1,28-32

    E é certo, ademais, que que este quadro muito se agravou por conta de tantas heresias, leia-se falsas religiões, que acolhem e celebram esta devassidão, e assim se tem uma infestação de falsos mestres. Aliás, como a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo profetizou: "Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a Sã Doutrina da Salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da Verdade, e atirar-se-ão às fábulas." 2 Tm 4,3-4

    Pois foi para vencer as fraquezas da carne, entre outras más inclinações, que Jesus enviou o Espírito da Promessa para o nascimento da Santa Igreja Católica em Jerusalém, concedendo-nos especial condição. O Evangelho Segundo São Lucas traz: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto." Lc 24,49

    Nosso Senhor assim atestou, no Evangelho Segundo São Mateus, esta moção e a chegada do Reino dos Céus: "Mas se é pelo Espírito de Deus que Eu expulso os demônios, então para vós chegou o Reino de Deus." Mt 12,28

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A Verdadeira Liberdade

    Referindo-Se a algo que vai muito além da mera liberdade de ir e vir, Jesus falava de uma sutil escravidão, mas nem por isso menos sufocante e destruidora. E no Templo de Jerusalém, claramente disse do que veio libertar-nos. Está no Evangelho Segundo São João: "... todo homem que se entrega ao pecado, é seu escravo." Jo 8,34

    Por isso, a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo reza para que os incrédulos sejam libertados da impenitência e das ilusões, dizendo quem os seduz: "... na esperança de que Deus lhes conceda o Arrependimento e o conhecimento da Verdade, e voltem a si, uma vez livres dos laços do Demônio, que os mantém cativos e submetidos a seus caprichos." 2 Tm 2,26

    Nosso Senhor, portanto, anunciou Sua Missão, porque só por Ele podemos vir a ser manifestamente libertos: "Portanto, se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." Jo 8,36

    E dizia da força do Evangelho: "Se permanecerdes em Minha Palavra, sereis Meus verdadeiros discípulos, conhecereis a Verdade e ela libertar-vos-á." Jo 8,31-32

    Ora, falando por Nosso Salvador, o Livro do Profeta Isaías antecipou as palavras de Seu 'discurso inaugural' de vida pública, que Ele faria na sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4,16s), no qual diz que Sua Missão é "... anunciar aos cativos a Redenção, e aos prisioneiros a liberdade..." Is 61,1

    Porque Primeira Carta de São João revelou: "... o mundo todo jaz sob o Maligno." 1 Jo 5,9b

    Mas na Carta aos Hebreus, os seguidores da tradição de São Paulo anunciam na Paixão de Cristo a vitória sobre o inimigo, e assim sobre a morte: "Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, Ele também participou, a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o Demônio, e libertar aqueles que, pelo medo da morte, estavam toda vida sujeitos a uma verdadeira escravidão." Hb 2,14-15

    Da mesma forma, exaltando o poder da Graça exclusivamente distribuída pela Santa Igreja Católica, a Carta de São Paulo aos Romanos diz do Antigo Testamento: "O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a Lei, e sim sob a Graça." Rm 6,14

    Ele assim explica o Sacramento do Batismo: "Fomos, pois, sepultados com Ele em Sua Morte pelo Batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela Glória do Pai, nós também vivamos uma Nova Vida. Sabemos que nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que o corpo outrora subjugado ao pecado seja reduzido à impotência, e já não sejamos escravos do pecado." Rm 6,4.6

    Diz o que os valores que cultuamos efetivamente representam: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a Justiça?" Rm 6,16

    De fato, essa é a maior angústia da humanidade, que sonha com a eternidade e "... espera ser libertada da escravidão da corrupção, em vista da liberdade que é a Glória dos filhos de Deus." Rm 8,21

    Pois é do Mistério de Cristo que temos que aprender, e isso só é possível com o auxílio de Sua própria Graça, ainda segundo o Apóstolo dos Gentios: "Graças a Deus que, depois de terdes sido escravos do pecado, vós passastes a obedecer de coração à Doutrina à qual Deus vos confiou." Rm 6,17

    A Carta de São Paulo aos Gálatas também testemunhou nestes termos a Missão de Jesus, deixando uma grave advertência: "Cristo veio para que verdadeiramente sejamos livres. Portanto, permanecei firmes e não vos submetais de novo ao jugo da escravidão." Gl 5,1

    E ele finaliza: "Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade. E o termo é a Vida Eterna." Rm 6,22

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A Transfiguração do Senhor

    Além de uma das poucas conjuntas manifestações da Santíssima Trindade na Bíblia, quando o Espírito Santo Se apresentou em forma de Nuvem e o Pai falou, a Transfiguração foi o único momento em que Jesus Se apresentou em toda Sua Glória. O Evangelho Segundo São João, um dos três Apóstolos que a presenciou, vai dizer: "... e vimos Sua Glória, a Glória que o Filho Único recebe de Seu Pai, cheio de Graça e de Verdade." Jo 1,14b

    O 'alto monte' desse acontecimento foi identificado pela Sagrada Tradição como o monte Tabor, que fica em Galileia e assim foi descrito no Livro do Profeta Jeremias, comparando-o a outro sagrado monte: "... o Tabor se sobressai entre as montanhas, qual o Carmelo dominando o mar..." Jr 46,18

    Era, pois, um marco entre as terras do sul e do norte, que exalta o Nome de Deus, como o sagrado autor canta no Livro de Salmos: "O norte e o sul Vós fizeste-los. Tabor e Hermon aclamam Vosso Nome." Sl 88,13

    Quanto ao fenômeno da transfiguração, propriamente dito, já havia acontecido, ainda que parcialmente. O grande legislador de Israel, após estar na presença de Deus por 40 dias (cf. Êx 24,18) e d'Ele receber as Tábuas da Lei, teve que cobrir seu rosto com um véu porque a todos ofuscava. O Livro de Êxodo apontou: "Moisés desceu do Monte Sinai, tendo nas mãos as duas Tábuas da Lei. Chegando ao sopé, ele não sabia que a pele de seu rosto se tornara brilhante durante sua conversa com o Senhor. E tendo-o visto Aarão e todos israelitas, notaram que a pele de seu rosto se tornara brilhante e não ousaram aproximar-se dele." Êx 24,39-40

    A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios comentou-o: "... os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face, embora transitório..." 2 Cor 3,7

    Porém, além de temporário, esse sinal via-se apenas no rosto de Moisés. Em Nosso Senhor essa Luz era total, tomando todo Seu Corpo e Suas vestes. Isso deu-se no último 'dia útil' da semana em que São Pedro, inspirado por Deus Pai (cf. Mt 16,17), identificou Jesus como o Cristo, que o Evangelho Segundo São Marcos assim narrou: "Seis dias depois, Jesus tomou Consigo Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E transfigurou-Se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus." Mc 9,2-4

    E o Evangelho Segundo São Lucas, em complemento, revela a que se deveram essas aparições: "E eis que com Ele falavam dois personagens: eram Moisés e Elias, que apareceram envoltos em Glória e falavam de Sua Morte, que havia de se cumprir em Jerusalém." Lc 9,30-31

    Foi a Transfiguração do Senhor, enfim, que São Pedro evocou como seu principal testemunho da divindade de Jesus, fato que extraordinariamente capacitava a ele e aos irmãos 'Boanerges' quanto ao Mistério de Cristo, pois já não dependiam de Seus milagres ou das Escrituras para atestarem Quem Ele é: "Na realidade, não é baseando-nos em hábeis e imaginadas fábulas que nós vos temos feito conhecer o poder e a Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos visto Sua Majestade com nossos próprios olhos. Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e Glória, quando do seio da magnífica Glória Lhe foi dirigida esta voz: 'Este é Meu Amado Filho, em Quem tenho posto todo Meu afeto.' Esta mesma voz que vinha do Céu, nós ouvimo-la quando com Ele estávamos no santo monte." 2 Pd 1,16-18

    E como o Livro do Profeta Daniel havia revelado, essa será a condição dos corpos daqueles que ressuscitarem para a Vida Eterna: "Aqueles que tiverem sido inteligentes, fulgirão como o brilho do firmamento, e aqueles que a muitos tiverem introduzido nos caminhos da justiça, luzirão como as estrelas, com um perpétuo resplendor." Dn

    Ora, este é o Corpo Glorioso, mais um fenômeno que transcende nossa compreensão. Deu-se o mesmo quando Santa Maria Madalena viu Jesus ressuscitado pela primeira vez, pois não pôde reconhecê-Lo de imediato, embora não brilhasse. Foi no Santo Sepulcro, enquanto conversava com dois anjos: "Eles perguntaram-lhe: 'Mulher, por que choras?' Ela respondeu: 'Porque levaram Meu Senhor, e não sei onde O puseram.' Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não O reconheceu." Jo 20,13-14

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Amor de Salvação

    O amor que nos salva não é apenas afeição. Vai muito além e está bem expresso no primeiro Mandamento. Trata-se do amor a Deus, também chamado de salvífico amor, no qual o amor a nossos semelhantes se inclui, pois é a total doação, como Jesus exaltou ao ser questionado por um escriba, no Evangelho Segundo São Marcos, citando o Livro de Deuteronômio e o Livro de Levítico: "Jesus respondeu-lhe: 'O primeiro é: Ouve, Israel: o Senhor Nosso Deus é o único Senhor, e amarás ao Senhor Teu Deus de todo teu coração, de toda a tua alma, de todo teu entendimento e de toda tua força (Dt 6,5). O segundo é este: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Não existe Mandamento maior que estes.'" Mc 12,29-31

    Não por acaso, numa das vezes em que Se revelou Deus no Evangelho Segundo São Mateus, Nosso Salvador pregou um amor que ia além de nossa melhores relações pessoais: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a Mim, não é digno de Mim. Quem ama seu filho mais que a Mim, não é digno de Mim." Mt 10,37

    Tendo exclusivamente como objetivo a Salvação das almas, determinou o dever de amar nossos inimigos, porque, para um verdadeiro cristão, estar em oposição não pode significar odiar: "Tendes ouvido o que foi dito: 'Amarás teu próximo e poderás odiar teu inimigo.' Eu, porém, digo-vos: amai vossos inimigos, fazei bem àqueles que vos odeiam, rezai por aqueles que vos maltratam e perseguem. Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos?" Mt 5,43-44.46

    Portanto não é apenas com afeto, mas principalmente por perfeita obediência aos Mandamentos de Deus, capaz do santo sacrifício, que devemos amar uns aos outros. Exatamente como Cristo fez, no Evangelho Segundo São João, quando estabeleceu Seu amor por nós como medida: "Este é Meu Mandamento: amai-vos uns aos outros como Eu vos amo. Ninguém tem maior amor que aquele que dá sua vida por seus amigos." Jo 15,12-13

    Ele também acusou os líderes judeus, que não acreditavam em Suas obras nem tinham o amor de Deus, exatamente por não acreditarem em Sua Palavra. Ele disse sobre São João Batista: "Mas tenho maior testemunho que o de João, porque as obras que Meu Pai Me deu para executar, essas mesmas obras que faço, testemunham a Meu respeito que o Pai Me enviou. Vós nunca ouvistes Sua voz nem vistes Sua face... e Sua Palavra não permanece em vós, pois não credes n'Aquele que Ele enviou. Não espero Minha Glória dos homens, mas sei que não tendes em vós o amor de Deus." Jo 5,36.37b-38.41-42

    A Primeira Carta de São João bem sintetizou o que representa o mundano amor: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, nele não está o amor do Pai." 1 Jo 2,15

    E esclarece: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros porque o amor vem de Deus. E todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus." 1 Jo 4,7

    Assim, pela guarda dos Mandamentos, o amor com que Deus nos ama, passa a ser o mesmo que temos por Ele. É, de fato, um sobrenatural amor, como se depreende do pedido de Jesus ao Pai, quando intercedia pelos Apóstolos na Oração da Unidade: "Manifestei-lhes Teu Nome, e ainda hei de o manifestar, para que o amor com que Me amaste neles esteja, e Eu neles." Jo 17,26

    E o Amado Discípulo afirma que o Santo Paráclito é o selo de amor que temos de Deus, apontando a Comunhão com Deus: "Se mutuamente nos amarmos, Deus permanece em nós e Seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que n'Ele estamos e Ele em nós, por Ele ter-nos dado Seu Espírito." 1 Jo 4,12b-13

    Pois só pela ação do Espírito de Deus, "que o mundo não pode receber (cf. Jo 14,17)", nos é dado conhecer esse amor. A Carta de São Paulo aos Romanos revelou: "E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado." Rm 5,5