Após Seu Batismo por São João Batista, e voltar a Galileia, Jesus vai a Caná para um casamento. Com Ele está Sua mãe, que toma parte da família de amigos diante de um possível vexame e recorre a Seus milagres, com os quais já estava acostumada: "Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-Lhe: 'Eles já não têm vinho.'" Jo 2,3
Apesar de ter dito que Sua hora ainda não havia chegado, Maria não se demove, pois sabia que a vida pública de Jesus já havia iniciado, e vai aos serviçais, preparando-os para as 'estranhas ordens' que Ele lhes daria: "Disse, então, Sua mãe aos serventes: 'Fazei o que Ele vos disser.'" Jo 2,5
E assim ela sempre acompanhou Jesus, desde quando Ele partiu de Nazaré: "Depois disso, desceu para Cafarnaum, com Sua mãe, Seus irmãos e Seus discípulos. E ali só demoraram poucos dias." Jo 2,12
Tão íntimos eram Eles que, tempos depois, na única viagem de volta a Nazaré, Jesus vai ser identificado apenas como o Filho de Maria. E é por essa passagem que incautos alegam que a Santíssima Virgem teria outros filhos e filhas, o que é totalmente desmentido com a devida identificação de sua parenta de Nazaré, também chamada Maria, nos episódios que envolvem a Crucificação: "Depois, Ele partiu dali e foi para Sua pátria, seguido de Seus discípulos. Quando chegou o dia de sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos ouviam-nO e, tomados de admiração, diziam: 'De onde Lhe vem isso? Que Sabedoria é essa que Lhe foi dada e como se operam por Suas mãos tão grandes milagres? Não é Ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também Suas irmãs?' E ficaram perplexos a Seu respeito." Mc 6,1-3
E em Suas peregrinações, Nossa Senhora sempre vai estar por perto, como quando Ele definiu a mais ampla família de Deus: "Jesus ainda falava à multidão, quando veio Sua mãe e Seus irmãos e do lado de fora esperavam a ocasião para falar-Lhe. Disse-Lhe alguém: 'Tua mãe e Teus irmãos estão aí fora, e querem falar-Te.' Jesus respondeu-lhe: 'Quem é Minha mãe e quem são Meus irmãos?' E apontando com a mão para Seus discípulos, acrescentou: 'Eis aqui Minha mãe e Meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus, esse é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe." Mt 12,46-50
Assim disse pois, além de sua importantíssima função na Sagrada Família, ela também se encaixa neste ensinamento. São Lucas registrou do episódio dos pastores de Belém, na noite do Natal: "Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração." Lc 2,19
E no dia em que O encontraram no Templo de Jerusalém, ainda aos 12 anos: "Sua mãe guardava todas estas coisas em seu coração." Lc 2,51
Pois a divina maternidade, com que foi agraciada, era consequência de sua estrita obediência a Deus, que o próprio Jesus atestou: "Enquanto Ele assim falava, uma mulher levantou a voz do meio do povo e disse-Lhe: 'Bem-aventurado o ventre que Te trouxe e os seios que Te amamentaram!' Mas Jesus replicou: 'Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a observam!'" Lc 11,27-28
Enfim, Nossa Senhora vai ser vista ao lado de Jesus até Seus últimos suspiros. E nesta cena vemos a verdadeira mãe dos chamados 'irmãos' de Jesus: também chamada de irmã, era uma parente sua, esposa de Cléofas: "Junto à Cruz de Jesus estavam de pé Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena." Jo 19,25
São Marcos, descrevendo a mesma cena, vai apontar dois destes 'irmãos' como filhos de Maria de Cléofas: "Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde O depositavam. Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus." Mc 15,47;16,1
E ainda enquanto estava na Cruz, Jesus vai fazer de Maria mãe de todos Seus discípulos, declarando-a a Nova Eva: "Quando Jesus viu Sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à Sua mãe: 'Mulher, eis aí teu filho.' Depois disse ao discípulo: 'Eis aí tua mãe.'" Jo 19,26-27a
Desde a Crucificação, pois, São João Evangelista, que nenhuma vez menciona o nome de Maria, talvez para associá-la à 'Mulher' do Livro do Gênesis, vai tomá-la sob seus cuidados, o que é mais uma evidente prova de que ela não tinha outros filhos, senão teria ido morar com algum deles: "E dessa hora em diante, o discípulo levou-a para sua casa." Jo 19,27b
Assim Nossa Mãe do Céu continuou entre os Apóstolos e seguidores de Jesus, como se vê nos fatos que antecederam o Pentecostes, que foi o dia do nascimento da Igreja: "Todos eles unanimemente perseveravam na oração, junto às mulheres. Entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos d'Ele." At 1,14