terça-feira, 30 de abril de 2024

Maria na Vida Pública de Jesus

    Após Seu Batismo por São João Batista, e voltar a Galileia, Jesus vai a Caná para um casamento. Com Ele está Sua mãe, que toma parte da família de amigos diante de um possível vexame e recorre a Seus milagres, com os quais já estava acostumada: "Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-Lhe: 'Eles já não têm vinho.'" Jo 2,3

    Apesar de ter dito que Sua hora ainda não havia chegado, Maria não se demove, pois sabia que a vida pública de Jesus já havia iniciado, e vai aos serviçais, preparando-os para as 'estranhas ordens' que Ele lhes daria: "Disse, então, Sua mãe aos serventes: 'Fazei o que Ele vos disser.'" Jo 2,5

    E assim ela sempre acompanhou Jesus, desde quando Ele partiu de Nazaré: "Depois disso, desceu para Cafarnaum, com Sua mãe, Seus irmãos e Seus discípulos. E ali só demoraram poucos dias." Jo 2,12

    Tão íntimos eram Eles que, tempos depois, na única viagem de volta a Nazaré, Jesus vai ser identificado apenas como o Filho de Maria. E é por essa passagem que incautos alegam que a Santíssima Virgem teria outros filhos e filhas, o que é totalmente desmentido com a devida identificação de sua parenta de Nazaré, também chamada Maria, nos episódios que envolvem a Crucificação: "Depois, Ele partiu dali e foi para Sua pátria, seguido de Seus discípulos. Quando chegou o dia de sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos ouviam-nO e, tomados de admiração, diziam: 'De onde Lhe vem isso? Que Sabedoria é essa que Lhe foi dada e como se operam por Suas mãos tão grandes milagres? Não é Ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também Suas irmãs?' E ficaram perplexos a Seu respeito." Mc 6,1-3

    E em Suas peregrinações, Nossa Senhora sempre vai estar por perto, como quando Ele definiu a mais ampla família de Deus: "Jesus ainda falava à multidão, quando veio Sua mãe e Seus irmãos e do lado de fora esperavam a ocasião para falar-Lhe. Disse-Lhe alguém: 'Tua mãe e Teus irmãos estão aí fora, e querem falar-Te.' Jesus respondeu-lhe: 'Quem é Minha mãe e quem são Meus irmãos?' E apontando com a mão para Seus discípulos, acrescentou: 'Eis aqui Minha mãe e Meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus, esse é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe." Mt 12,46-50

    Assim disse pois, além de sua importantíssima função na Sagrada Família, ela também se encaixa neste ensinamento. São Lucas registrou do episódio dos pastores de Belém, na noite do Natal: "Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração." Lc 2,19

    E no dia em que O encontraram no Templo de Jerusalém, ainda aos 12 anos: "Sua mãe guardava todas estas coisas em seu coração." Lc 2,51

    Pois a divina maternidade, com que foi agraciada, era consequência de sua estrita obediência a Deus, que o próprio Jesus atestou: "Enquanto Ele assim falava, uma mulher levantou a voz do meio do povo e disse-Lhe: 'Bem-aventurado o ventre que Te trouxe e os seios que Te amamentaram!' Mas Jesus replicou: 'Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a observam!'" Lc 11,27-28

    Enfim, Nossa Senhora vai ser vista ao lado de Jesus até Seus últimos suspiros. E nesta cena vemos a verdadeira mãe dos chamados 'irmãos' de Jesus: também chamada de irmã, era uma parente sua, esposa de Cléofas: "Junto à Cruz de Jesus estavam de pé Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena." Jo 19,25

    São Marcos, descrevendo a mesma cena, vai apontar dois destes 'irmãos' como filhos de Maria de Cléofas: "Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde O depositavam. Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus." Mc 15,47;16,1

    E ainda enquanto estava na Cruz, Jesus vai fazer de Maria mãe de todos Seus discípulos, declarando-a a Nova Eva: "Quando Jesus viu Sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à Sua mãe: 'Mulher, eis aí teu filho.' Depois disse ao discípulo: 'Eis aí tua mãe.'" Jo 19,26-27a

    Desde a Crucificação, pois, São João Evangelista, que nenhuma vez menciona o nome de Maria, talvez para associá-la à 'Mulher' do Livro do Gênesis, vai tomá-la sob seus cuidados, o que é mais uma evidente prova de que ela não tinha outros filhos, senão teria ido morar com algum deles: "E dessa hora em diante, o discípulo levou-a para sua casa." Jo 19,27b

    Assim Nossa Mãe do Céu continuou entre os Apóstolos e seguidores de Jesus, como se vê nos fatos que antecederam o Pentecostes, que foi o dia do nascimento da Igreja: "Todos eles unanimemente perseveravam na oração, junto às mulheres. Entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos d'Ele." At 1,14

segunda-feira, 29 de abril de 2024

O Pensamento de Cristo

    São Paulo esclarece sobre a condição dos membros do Corpo Místico de Cristo: "Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem pode compreendê-las, porque é pelo Espírito que devem ponderá-las. O homem espiritual, ao contrário, julga todas coisas e não é julgado por ninguém. 'Quem instruiu o Espírito do Senhor, ou que conselheiro Lhe deu lições (Is 40,13)?' Nós, porém, temos o pensamento de Cristo." 1 Cor 2,14-16

    Mas explica: "Não que por nós mesmos sejamos capazes de algum pensamento, como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus. Ele é que nos fez aptos para ser Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,5

    Contudo, afirma o poder da Igreja, enquanto 'coluna e sustentáculo da Verdade (cf. 1 Tm 3,15)', perante a humanidade: "Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-lo à obediência a Cristo." 2 Cor 10,5

    De fato, ao acusar o Sinédrio pelo Sacrifício de Cristo, São Pedro esclarece como é possível receber o Santo Paráclito: "... o Espírito Santo, que Deus deu a todos que Lhe obedecem." At 5,32

    Consagrando a importância da obediência, sob todos aspectos, ele também explicou a finalidade desta Unção, e assim fechou o ciclo, dizendo que somos "... santificados pelo Espírito, para obedecer a Jesus Cristo..." 1 Pd 1,2a

    São João Evangelista também O tinha como sinal de obediência: "Eis Seu Mandamento: que creiamos no Nome do Seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros como Ele nos mandou. Quem observa Seus Mandamentos, permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,23-24

    Ora, o próprio São Pedro, mesmo poucos instantes depois de inspiradamente reconhecer Jesus como o Messias, por Ele vai ser pronta e seriamente corrigido, pois não aceitou o anúncio de Sua Paixão: "Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a recriminá-Lo. Ele, porém, voltou-Se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: 'Afasta-te de Mim, Satanás! Tu não pensas as coisas de Deus, e sim as dos homens.'" Mc 8,32b-33

    O sagrado autor diz, pois, versando sobre a Sabedoria: "Ela mesma vai à procura dos que são dignos dela. Ela aparece-lhes nos caminhos, cheia de benevolência, e vai ao encontro deles em todos seus pensamentos..." Sb 6,16

    Mas também adverte: "A Sabedoria não entrará na perversa alma, nem habitará no corpo sujeito ao pecado. O Espírito Santo Educador das almas fugirá da perfídia, afastar-Se-á de insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir repeli-Lo-á." Sb 1,4-5

    Aliás, fala mesmo em castigo pelo simples pensar: "Mas os ímpios terão o castigo que merecem seus pensamentos, uma vez que desprezaram o justo e se separaram do Senhor; e desgraçado é aquele que rejeita a Sabedoria e a disciplina!" Sb 3,10

    E eis o que recomenda Tobit, julgando estar prestes a morrer, a seu filho Tobias: "Quanto a ti, conserva sempre em teu coração o pensamento de Deus. Guarda-te de consentir jamais no pecado, e de negligenciar os preceitos do Senhor, Nosso Deus." Tb 4,6

    Assim como o Eclesiástico: "Que o pensamento de Deus ocupe teu espírito, e os preceitos do Altíssimo sejam tua conversa." Eclo 9,23

domingo, 28 de abril de 2024

"Primeiro deve Vir a Apostasia"

    São Paulo profetizou um tempo especificamente difícil, uma terrível manifestação graças ao poder do inimigo que acontecerá depois da apostasia, quer dizer, depois que uma parte da humanidade renegar a : "Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no Templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus. Não vos lembrais de que vos dizia estas coisas, quando ainda estava convosco? Agora perfeitamente sabeis o que o detém, de modo que ele só se manifestará a seu tempo." 2 Ts 2,3-6

    De fato, esse abandono da fé havia sido previsto pelo próprio Jesus, quando perguntou aos Apóstolos falando de Sua Volta Triunfal: "Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a Terra?" Lc 18,8b

    Ora, o Último Apóstolo diz que a prisão do inimigo não faz cessar o mal que aflige a terra, que se dá pela atividade de seus anjos e das pessoas que de alguma forma lhe servem, ou seja, do joio por ele semeado (cf. Mt 13,39): "Porque o mistério do mal já está em ação, apenas esperando o afastamento daquele que o detém. Então o tal ímpio se manifestará. Mas o Senhor Jesus destruí-lo-á com o sopro de Sua boca e aniquilá-lo-á com o resplendor de Sua Vinda. A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda sorte de enganadores portentos, sinais e prodígios. Ele usará de todas seduções do mal para com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à Verdade que teria podido salvá-los. Por isso, Deus enviá-lhes-á um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro. Desse modo, serão julgados e condenados todos que não deram crédito à Verdade, mas consentiram no mal." 2 Ts 2,7-12

    Em sua Segunda Carta a São Timóteo, ele volta a falar dessa afronta à fé e dessa 'colaboração' dada pelo ser humano: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um difícil período. Os homens tornar-se-ão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão de sua autoridade. Como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim estes homens de pervertido coração, reprovados na fé, também tentam resistir à Verdade. Mas não irão longe, porque a todos será manifesta sua insensatez, como o foi a daqueles dois." 2 Tm 3,1-5a.8-9

    São Pedro também apontou: "Antes de tudo sabei o seguinte: nos últimos tempos virão escarnecedores cheios de zombaria, que viverão segundo suas próprias concupiscências. Eles dirão: 'Onde está a promessa de Sua Vinda? Desde que nossos pais morreram, tudo continua como desde o princípio do mundo.' Propositadamente esquecem que desde o princípio existiam os céus e igualmente uma Terra que a Palavra de Deus fizera surgir do seio das águas, no meio da água, e deste modo o mundo de então perecia afogado na água." 2 Pd 3,3-6

    E São João Evangelista aponta na confirmação da Vinda do Messias a ação do Espírito Santo, bem como a do espírito do mal: "Nisto reconhece-se o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo Se encarnou, é de Deus. E todo espírito que não proclama Jesus, esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e agora já está no mundo." 1 Jo 4,2-3

    Ele já denunciava anticristos nas primeiras décadas, em gente que renegou a Igreja, verdadeiramente falsos profetas, pois a passagem do Cristo é o início dos últimos tempos: "O mundo passa com suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente. Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, certamente ficariam conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos. Vós, porém, tendes a Unção dos Santo e sabeis todas coisas. Não vos escrevi como se ignorásseis a Verdade, mas porque a conheceis, e porque nenhuma mentira vem da Verdade." 1 Jo 2,17-21

sábado, 27 de abril de 2024

O Espírito de Cristo

    Justificando o anúncio do Evangelho, São Paulo diz: "Pois sei que isto me resultará em Salvação, graças às vossas orações e ao socorro do Espírito de Jesus Cristo." Fl 1,19

    Ele garantia: "A prova de que sois filhos é que aos vossos corações Deus enviou o Espírito de Seu Filho, que clama: 'Aba!', Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E se és filho, então também és herdeiro de Deus." Gl 4,7

    Por isso, sentenciou: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9b

    Ele afirma: "Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida a vossos corpos mortais, através de Seu Espírito que em vós habita." Rm 8,11

    E exortava: "Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer, mas se pelo espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,12-14

    Chamando-O de Espírito de Adoção, voltou ao tema da herança, mas explicando a importante questão da Cruz: "Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para ainda viverdes no temor, mas recebestes o Espírito de Adoção, pelo Qual clamamos: 'Aba!', Pai! O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que com Ele soframos para que com Ele também sejamos glorificados." Rm 8,15-17

    Ele disse da nova condição dos cristãos: "Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso Ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações." 2 Cor 3,3

    Fez esta comparação entre a Nova e a Velha Aliança, exaltando o Santo Paráclito: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte." Rm 8,2

    E revelou: "É como está escrito: 'O que os olhos não viram, os ouvidos ouviram (Is 64,3), e o coração do homem não imaginou (Jr 3,16), isso Deus preparou para aqueles que O amam (Eclo 1,10).' Todavia, Deus revelou-nos por Seu Espírito, porque o Espírito tudo penetra, mesmo as profundezas de Deus. Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus, ninguém as conhece senão o Espírito de Deus." 1 Cor 2,9-11

    Era Ele, pois, Quem decidia as missões deste Apóstolo e dSão Timóteo: "Ao chegarem aos confins da Mísia, tencionavam seguir para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu." At 16,7

    São João Evangelista estabelece esta distinção: "Nisto reconhece-se o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo Se encarnou, é de Deus. Todo espírito que não proclama Jesus, não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e agora já está no mundo." 1 Jo 4,2-3

    E completou: "É nisto que conhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro. Se mutuamente nos amarmos, Deus permanece em nós e Seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que estamos n'Ele e Ele em nós, por Ele ter-nos dado Seu Espírito." 1 Jo 4,6a.12b-13

sexta-feira, 26 de abril de 2024

A Santidade

    O povo de Deus tem d'Ele essa determinação desde os primeiros tempos da Revelação. Esta no Livro dos Levíticos: "Vós santificar-vos-eis e sereis Santos, porque Eu sou Santo." Lv 11,44b

    Ele já havia dito a Abraão, quando mudou seu nome e propôs-lhe a Aliança: "O Senhor apareceu-lhe e disse-lhe: 'Eu sou o Deus Todo-poderoso. Anda em Minha presença e sê perfeito.'" Gn 17,17b

    E é Deus mesmo Quem realiza esse desígnio, especificamente após a instituição da Igreja por Jesus. Ele já afirmava no Livro do Êxodo: "E as nações saberão que sou Eu, o Senhor, Quem santifica Israel, quando Meu Santuário se achar para sempre constituído em meio a Meu povo." Ex 37,28

    Pois essa é a essência de Seus planos, como os seguidores da tradição de São Paulo explicam: "E o Deus da Paz... queira dispor-vos ao bem e conceder-vos que cumprais Sua vontade, em vós realizando Ele próprio o que é agradável a Seus olhos, por Jesus Cristo..." Hb 13,20a.21a

    Ele educa-nos, portanto, "... para conosco partilhar Sua santidade." Hb 12,10

    Essa condição foi prevista pelo sacerdote Zacarias, pai de São João Batista, pois só assim podemos apresentar-nos diante de Deus: "... de conceder-nos que, sem temor, libertados de mãos inimigas, possamos servi-Lo em santidade e justiça, em Sua presença, todos dias de nossa vida." Lc 1,74-75

    Por sua vez, São Paulo diz que isso não é possível sem os permanentes auxílios do "... Espírito de Santidade... " Rm 1,4

    E São Pedro diz que somos: "... santificados pelo Espírito para obedecer a Jesus Cristo..." 1 Pd 1,2

    Nós devemos obediência aos Divinos Mandamentos, portanto, para só então suplicarmos essa indizível dádiva do Pai. O Príncipe dos Apóstolos falou dessa específica condição para recebê-Lo: "... o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,32b

    Ora, a Comunhão com Deus é a verdadeira marca do cristão. São João Evangelista anotou: "Quem observa Seus Mandamentos permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24

    Jesus credita tal poder à Palavra de Deus, rezando ao Pai pelos Apóstolos: "Santifica-os pela Verdade. Tua Palavra é a Verdade." Jo 17,17

    Eis que o Apóstolo dos Gentios prega: "... como pusestes, pois, vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer a iniquidade, ponde agora vossos membros a serviço da justiça para chegar à santidade." Rm 6,19b

    Ele atesta: "... desde o princípio, Deus escolheu-vos para dar a Salvação pela santificação do Espírito e pela  na Verdade. E pelo anúncio de nosso Evangelho, chamou-vos para tomardes parte na Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo." 2 Ts 2,13-14

    E diz: "Esta é a vontade de Deus: vossa santificação! Que eviteis a impureza. Que cada um de vós santa e honestamente saiba possuir seu corpo, sem se deixar levar por desregradas paixões como os pagãos que não conhecem a Deus..." 1 Ts 4,3-5

quinta-feira, 25 de abril de 2024

São Marcos Evangelista

 

    A primeira menção bíblica a São Marcos é quando São Pedro, libertado por seu Anjo da Guarda da prisão imposta por Herodes, vai deixar um recado numa casa em Jerusalém, onde a Igreja rezava por ele: "Refletiu um momento e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitos se tinham reunido e faziam oração." At 12,12

    E é certo que São Barnabé e São Paulo já o levavam consigo desde suas primeiras missões: "Tendo Barnabé e Saulo concluído sua missão, voltaram de Jerusalém (para Antioquia), consigo levando João, que tem por sobrenome Marcos." At 12,25

    Ele estava com eles quando partiram de Antioquia para o Chipre, sob as diretrizes do Divino Paráclito: "Enquanto celebravam o Culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para obra a que os tenho destinado.' Chegados a Salamina, pregavam a Palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Com eles tinham João, para auxiliá-los." At 13,2.5

    E foi na região da Panfília que São Marcos, por injustificável motivo segundo São Paulo, abandonou-os: "Paulo e seus companheiros navegaram de Pafos e chegaram a Perge, na Panfília, de onde João, apartando-se deles, voltou a Jerusalém." At 13,13

    Logo após o Concílio de Jerusalém, e a apresentação de sua resolução na cidade de Antioquia, que diz não ser necessário circuncidar os cristãos, São Paulo queixou-se a São Barnabé desta atitude de São Marcos e não mais o queria consigo em missão. Tal fato causou uma momentânea ruptura entre os 'Apóstolos', mas, como desígnio de Deus, em muito acabou aumentando a área em que eles serviam, e São Paulo passou a acompanhar-se de São Silas, ou São Silvano: "Ao termo de alguns dias, disse Paulo a Barnabé: 'Tornemos a visitar os irmãos por todas cidades onde temos pregado a Palavra do Senhor, para ver como estão passando.' Barnabé queria levar consigo João, que tinha por sobrenome Marcos. Paulo, porém, achava que não devia ser admitido quem se tinha separado deles na Panfília, e não os havia acompanhado no Ministério. Houve tal discussão que se separaram um do outro, e Barnabé, consigo levando Marcos, navegou para Chipre. Paulo, porém, tendo escolhido Silas, e depois de ter sido recomendado pelos irmãos à Graça do Senhor, partiu. Ele percorreu a Síria, a Cilícia, confirmando as comunidades." At 15,36-40

    Ficou claro, entretanto, que a desavença entre São Paulo e São Marcos foi resolvida, pois na Carta aos Colossenses o Último Apóstolo o recomenda, deixando um registro de que nosso Santo lhe servia enquanto esteve preso pela primeira vez. Certamente, cabia-lhe a função de divulgar suas prédicas e manter seu contato com os cristãos de Roma, que viviam a na clandestinidade mas ajudavam a suprir suas necessidades. Aí também temos o registro do parentesco dele com São Barnabé: "Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, primo de Barnabé, a respeito do qual já recebestes instruções. Se este for ter convosco, acolhei-o bem." Cl 4,10

    Na Segunda Carta a São Timóteo, São Paulo, talvez já bem próximo à sua morte, dá um bom testemunho de São Marcos e pede que o traga para os serviços da Igreja, seguramente da Palavra: "Só Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, porque me é bem útil para o Ministério." 2 Tm 4,11

    Contudo, o mais importante registro sobre São Marcos, por ajudar a identificá-lo como o escritor do 'Evangelho Segundo São Pedro', está na Primeira Carta do Príncipe dos Apóstolos. Ele fala de Roma, seu bispado, e a São Marcos refere-se com especial carinho: "A igreja escolhida de Babilônia saúda-vos, assim como também Marcos, meu filho." 1 Pd 5,13

quarta-feira, 24 de abril de 2024

A Grande Tribulação

    Jesus, confirmando as visões dos Profetas, diz o que acontecerá a Seu povo, ou seja, à Igreja, durante um específico período antes do Juízo Final: "Porque naqueles dias haverá tribulações tais como nunca houve, desde o princípio do mundo que Deus criou até agora, nem jamais haverá. Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria, mas Ele abreviou-os em atenção a Seus escolhidos." Mc 13,19-20

    De fato, ao profetizar os cósmicos abalos, o Profeta Joel deixa claro que eles antecedem o Dia do Julgamento: "Que multidão, que multidão no vale do Julgamento! Porque está chegando o Dia do Senhor no vale do Julgamento! O sol e a lua obscurecem-se, as estrelas empalidecem. O Senhor rugirá de Sião, trovejará de Jerusalém, os céus e a Terra serão abalados." Jl 4,14-16a

    O Profeta Ageu igualmente registrou-os como não definitivos abalos, embora generalizados, falando em grande proveito para a Igreja: "Porque isto diz o Senhor dos Exércitos: 'Ainda um pouco de tempo, e abalarei céu e Terra, mares e continentes, sacudirei todas nações. Afluirão riquezas de todos povos e encherei de Minha Glória esta Casa', diz o Senhor dos Exércitos." Ag 2,6-7

    E o Profeta Zacarias deu voz ao anúncio de uma inimaginável mortandade, quando os sobreviventes serão caprichosamente depurados. Deus mesmo diz: "'Em toda Terra', Oráculo do Senhor, 'dois terços dos habitantes serão exterminados e um terço subsistirá. Mas este terço farei passar pelo fogo. Purificá-lo-ei como se purifica a prata, prová-lo-ei como se prova o ouro.'" Zc 13,7-8a

    O Livro do Apocalipse também menciona um enorme hecatombe, mas em invertidas proporções e com a continuação da pecaminosidade. Assim foram as revelações de Jesus a São João Evangelista: "Então foram soltos os quatro anjos que se conservavam preparados para a hora, o dia, o mês e o ano da matança da terça parte dos homens... O número de soldados desta cavalaria era de duzentos milhões. Eu ouvi seu número. E foi assim que eu vi os cavalos e os que os montavam: estes últimos eram couraçados de uma azul e sulfurosa chama. Os cavalos tinham crina como uma juba de leão, e de suas narinas saíam fogo, fumaça e enxofre. E uma terça parte dos homens foi morta por esses três flagelos que lhes saíam das narinas. Mas o restante dos homens, que não foram mortos por esses três flagelos, não se arrependeu das obras de suas mãos. Não cessaram de adorar o Demônio e os ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar. Não se arrependeram de seus homicídios, suas magias, suas prostituições e furtos." Ap 9,15-21

    Nosso Salvador igualmente falou em provação, dizendo à diocese de Filadélfia após Sua Ascensão: "Porque guardaste a Palavra de Minha paciência, Eu também te guardarei da hora da provação, que está para sobrevir ao mundo inteiro, para provar os habitantes da Terra." Ap 3,10

    E deu estes detalhes, em Seus últimos dias entre os Apóstolos: "... e Jerusalém será pisada pelos não judeus, até completarem-se os tempos de suas nações. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na Terra, a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda Terra. As próprias forças dos céus serão abaladas." Lc 21,24-26

    Disse, então, da proximidade do ostensivo Reino dos Céus, quer dizer, o fim do mundo e o Juízo Final: "'Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai vossas cabeças, porque se aproxima vossa libertação.' Ainda acrescentou esta comparação: 'Olhai para a figueira e para as demais árvores. Quando elas lançam os brotos, vós julgais que está perto o Verão. Assim, quando virdes que vão sucedendo estas coisas, também sabereis que se aproxima o Reino de Deus.'" Lc 21,28-31

terça-feira, 23 de abril de 2024

Papa e Padres

    Deus 'católico' deu-nos pais espirituais: nossos Sacerdotes são carinhosamente chamados de Padres, e o Sumo Pontífice de Papa, pois, independentemente de seus erros, plenamente representam o Pai do Céu, como São Paulo explicou: "Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis." Rm 11,29

    Este Apóstolo sai em defesa dos Ministros da Igreja: "Quem poderia acusar os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica." Rm 8,33

    Atesta que é Deus Quem age por Seus verdadeiros Ministros: "A Ele (Cristo) é que anunciamos, admoestando todos homens e instruindo-os em toda Sabedoria, para tornar todo homem perfeito em Cristo. Eis a finalidade de meu trabalho, a razão porque luto, auxiliado por Sua força que em mim poderosamente atua." Cl 1,28-29

    Ele diz do Sacramento da Confissão, o dom de fazer renascer o ser humano: "Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo! Tudo isso vem de Deus, que, por Cristo, Consigo nos reconciliou e nos confiou o Ministério desta reconciliação." 2 Cor 5,17-18

    Afirma o poder do Santo Paráclito em sua obra: "Tenho motivo de gloriar-me em Jesus Cristo, no que diz respeito ao serviço de Deus. Porque não ousaria mencionar ação alguma que Cristo não houvesse realizado por meu Ministério, para levar os pagãos a aceitar o Evangelho, pela Palavra e pela ação, pelo poder dos milagres e prodígios, pela virtude do Espírito." Rm 15,17-19a

    Acertadamente, chama-o de Ministério do Espírito Santo: "Ele (Deus) é que nos fez aptos para sermos Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica. Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, revestiu-se de tal Glória... quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,6-7a.8

    E para tanto rezava: "Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus." 1 Cor 4,1

    Ora, referindo-se a Jesus, São João Batista atestou a plena presença do Espírito Santo em Seus escolhidos: "Com efeito, Aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque Ele concede o Espírito sem medidas." Jo 3,34

    Pois não são eles que escolhem seguir o Cristo, mas exatamente o contrário, como Ele mesmo disse aos Apóstolos ao garantir-lhes o resultado de seus ofícios: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça." Jo 15,16a

    Por isso, o Apóstolo dos Gentios questionava qualquer vacilação dos romanos e garantia: "Quem poderia acusar os escolhidos de Deus? É Deus Quem os justifica!" Rm 8,33

    Assumindo sua paternidade espiritual, ele também vai reclamar aos coríntios: "Com efeito, ainda que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não tendes muitos pais. Ora, fui eu que vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho." 1 Cor 4,15

    Nossos Sacerdotes, ademais, não adquirem para si nenhum bem de valor. Tudo fica em nome da Igreja, pois desde o chamado dos Apóstolos Jesus pediu seguidor "... que tenha abandonado, por amor ao Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos..." Lc 18,29

    Pois quem realmente encontrou a Deus não precisa de mais nada, e Ele sentenciou: "Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo que possui, não pode ser Meu discípulo." Lc 14,33

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Deus Católico: Mais Amor!

    Nos termos do CatolicismoDeus é mais atencioso e mais amoroso Pai. Ele deu-nos mais que especial Mãe, como São João Evangelista anotou no Livro do Apocalipse: "Cheio de raiva por causa da Mulher, o Dragão então começou a atacar o resto de seus filhos, os que obedecem aos Mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus." Ap 12,17-18

    E desde o Pentecostes, o próprio Espírito de Deus tem-se encarregado de ungir nossos Sacerdotes, nossos pais espirituais, como o São Paulo afirma aos Anciãos de Éfeso: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue." At 20,28

    Pois nossos Padres não casam para que possam levar uma vida plenamente espiritual, e assim dedicar integral atenção à Igreja. O próprio Jesus havia ensinado: "... há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor ao Reino dos Céus." Mt 19,12b

    O Último Apóstolo, que era celibatário, justificava essa prática nestes termos: "Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu. Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa." 1 Cor 7,8.32-33

    Somos, pois, uma só Igreja, Unidade que é sinal da Vinda do Cristo e da própria Glória de Deus, como Jesus rezou ao Pai: "Eu dei-lhes a Glória que Tu Me deste, para que eles sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Tu Me enviaste e que os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23

    Ela é pura e santa porque Nosso Salvador assim a quer: "... como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para a Si mesmo apresentá-la toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito, mas santa e irrepreensível." Ef 5,25b-27

    Ele também garantiu a constante e eterna presença do Espírito Santo, que é outro Consolador, entre os membros da Igreja, como tem sido pelos séculos: "E Eu rogarei ao Pai e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que convosco fique eternamente." Jo 14,16

    Também temos mais uma chance de purificação, o Purgatório, onde acontecem as punições intermediárias, diferentes das do inferno, que são totais. Nosso Senhor ensinou: "O servo que, apesar de conhecer a vontade de Seu Senhor, nada preparou e Lhe desobedeceu, será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de Seu Senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes." Lc 12, 47-48a

    Ainda temos os Santos, que intercedem por justiça: "Quando abriu o quinto selo, debaixo do Altar vi as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus, e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da Terra?'" Ap 6,9-10

    Temos, enfim, a proteção de um Anjo da Guarda, como foi dito de São Pedro quando esteve preso e miraculosamente foi solto: "Então é seu anjo." At 12,15b

domingo, 21 de abril de 2024

A Paciência

 

    A paciência de Jó tornou-se emblemática para todos que creem em Deus, embora ele também tenha chegado ao desespero: "Que Deus consinta em esmagar-me, que deixe Suas mãos cortarem meus dias! Pois, que é minha força para que eu espere? Qual é meu fim, para portar-me com paciência? Será que tenho a fortaleza das pedras, e será de bronze minha carne?" Jó 6,9.11-12

    São Paulo, pois, vai dizer de nossa Redenção"Nós que esperamos o que não vemos, e é em paciência que o aguardamos." Rm 8,25

    Também falou na consolação de Deus"Para que, em tudo confortados pelo Seu glorioso poder, tenhais a paciência de tudo suportar com longanimidade." Cl 1,9-11

    E sintetizou esta fórmula da verdadeira cristandade: "Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração." Rm 12,12

    Para São Pedro, ela é uma etapa do desenvolvimento espiritual: "Por estes motivos, esforçai-vos quanto possível por unir à vossa virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o fraterno amor, e ao fraterno amor a caridade." 2 Pd 1,5-7

    Ele recomendava e garantia: "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o Demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. O Deus de toda Graça, que em Cristo vos chamou à Sua Eterna Glória, depois que tiverdes padecido um pouco, aperfeiçoá-vos-á, torná-vos-á inabaláveis, fortificá-vos-á." 1 Pd 5,8-10

    São Tiago Menor via no enfrentar das provações um exercício para alcançar essa virtude: "... sabendo que a prova de vossa fé produz a paciência." Tg 1,3

    E, com efeito, pelas mãos de Deus tudo tem sua razão de ser: "Mas é preciso que a paciência efetue sua obra, a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma." Tg 1,4

    Pois assim viveram os antigos destinatários da promessa, que foram dignos de Deus: "Tomai, irmãos, por modelo de paciência e de coragem os Profetas, que falaram em Nome do Senhor." Tg 5,10

    Os seguidores da tradição de São Paulo lembraram os primeiríssimos chamados, antes mesmo da Lei, que veio por Moisés: "Desejamos, apenas, que ponhais todo empenho em guardar intata vossa esperança até o fim, e que, longe de tornarde-vos negligentes, sejais imitadores daqueles que pela fé e paciência se tornam herdeiros das promessas." Hb 6,11-12

    Um anjo do Apocalipse, por sua vez, apontou a São João Evangelista os Santos como melhores exemplos nesse assunto: "Eis o momento para apelar para a paciência dos Santos, dos fiéis, aos Mandamentos de Deus e à fé em Jesus." Ap 14,12

    Ora, Deus também aguarda por nossos gestos de efetiva caridade, seja material, seja espiritual, como o Príncipe dos Apóstolos diz: "O Senhor não retarda o cumprimento de Sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça. Ao contrário, quer que todos se arrependam." 2 Pd 3,9

sábado, 20 de abril de 2024

O Domingo da Ressurreição

    Ao ressuscitar, primeiro Jesus apareceu a Santa Maria Madalena: "No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro... ... voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não O reconheceu. Perguntou-lhe Jesus: 'Mulher, por que choras? Quem procuras?'. Supondo ela que fosse o jardineiro, res­pondeu: 'Senhor, se tu O tiraste, dize-me onde O puseste e eu irei buscá-Lo.' Disse-lhe Jesus: 'Maria!' Voltando-se ela, exclamou em hebraico: 'Rabôni!' (que quer dizer Mestre)." Jo 20,1.14-16

    Depois, apareceu a São Pedro: "Todos diziam: 'O Senhor verdadeiramente ressuscitou, e apareceu a Simão.'" Lc 24,34

    Também apareceu a dois discípulos, no final da tarde: "Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. Iam falando um com o outro de tudo que se tinha passado. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-Se deles e com eles caminhava. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados, e não O reconheceram. Aconteceu que, estando sentados à mesa, Ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-O e serviu-lhO. Então se lhes abriram os olhos e O reconheceram... mas Ele desapareceu." Lc 24,13-16,30-31

    Em seguida, apareceu aos Colégio dos Apóstolos, com a exceção de São Tomé: "Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-Se em meio a eles. Disse-lhes Ele: 'Paz esteja convosco!' Dito isso, mostrou-lhes as Mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor." Jo 20,19-20

    De fato, Jesus havia advertido os Apóstolos que Sua Ressurreição, comprovada por Sua aparição, era a definitiva prova de Sua Divindade e de Sua Comunhão com a Igreja: "Ainda um pouco de tempo e o mundo já não Me verá. Vós, porém, tornareis a ver-Me, porque Eu vivo e vós vivereis. Naquele dia conhecereis que estou em Meu Pai, vós em Mim e Eu em vós." Jo 14,19-20

    Ele ainda prometeu que, após Sua dolorosa Paixão, Sua aparição seria a razão da maior alegria que os Apóstolos poderiam ter: "Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e vosso coração alegrar-se-á, e ninguém vos tirará vossa alegria." Jo 16,22

    E, note-se bem, logo nesta primeira aparição, cioso da Salvação das almas, Nosso Salvador instituiu o Sacramento da Reconciliação: "Disse-lhes outra vez: 'A Paz esteja convosco! Como o Pai Me enviou, Eu também vos envio.' Depois dessas palavras, soprou sobre eles, dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos." Jo 20,21-23

    Assim o domingo passou a ser o dia da celebração da Eucaristia, como São Paulo fazia. São Lucas apontou: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o Pão, Paulo, que havia de viajar no dia seguinte, conversava com os discípulos e prolongou a palestra até a meia-noite." At 20,7

    São João Evangelista passou a chamá-lo Dia do Senhor, significado da palavra domingo. Está no Apocalipse: "No Dia do Senhor, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, forte voz como de trombeta..." Ap 1,10

sexta-feira, 19 de abril de 2024

A Ressurreição da Carne

    Ao ressuscitar e aparecer aos Apóstolos, Jesus disse-lhes: "Vede Minhas mãos e Meus pés, sou Eu mesmo. Apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho." Lc 24,39

    Chegou mesmo a comer diante deles: "Mas, ainda vacilando eles e estando transportados de alegria, perguntou: 'Tendes aqui alguma coisa para comer?' Então Lhe ofereceram um pedaço de peixe assado. Ele tomou e comeu à vista deles." Lc 24,41,43

    Oito dias depois, ou seja, noutro domingo, em nova aparição Ele ofereceu Suas feridas para que São Tomé as tocasse: "Põe teu dedo aqui e olha Minhas mãos. Estende tua mão e coloca-a em Meu lado. E não sejas incrédulo, mas crê!" Jo 20,27

    Eis que São Pedro atestava: "Mas Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu que aparecesse, não a todo povo, mas às testemunhas que Deus havia predestinado, a nós que com Ele comemos e bebemos depois que ressuscitou." At 10,40-41

    Jesus, porém, não ressuscitou sozinho, mas com vários Santos: "Os sepulcros abriram-se e muitos corpos de Santos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da Ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas." Mt 27,53

    Ora, Deus já havia feito essa promessa através do Profeta Ezequiel: "Eis o que diz o Senhor Javé: 'Ó Meu povo, vou abrir vossos túmulos. Eu fá-vos-ei sair deles... Então sabereis que Eu é que sou o Senhor, ó Meu povo... quando Eu pôr em vós Meu Espírito para fazer-vos voltar à vida...'" Ez 37,12a.13a.14a

    E assim São Paulo se alegrava nessa espera: "Quando este corpo corruptível estiver revestido de incorruptibilidade, e quando este corpo mortal estiver revestido de imortalidade, então se cumprirá a palavra da Escritura: 'A morte foi tragada pela Vitória' (Is 25,8). 'Onde está, ó morte, tua vitória? Onde está, ó morte, teu aguilhão (Os 13,14)?'" 1 Cor 15,54-55

    Ele disse o que representa o Pentecostes, a definitiva Vinda do Santo Paráclito assegurada por Jesus: "Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida aos vossos corpos mortais, por Seu Espírito que em vós habita." Rm 8,6-7.11

    E esse é um suspiro deste Apóstolo, que vale para todos nós: "Nós, porém, somos cidadãos dos Céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante a Seu Corpo glorioso..." Fl 3,20-21

    Ele explicou: "Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão." 1 Cor 15,22

    De fato, no dia do Juízo Final, todos terão suas carnes restituídas como Nosso Salvador afirmou, embora com dois diferentes destinos: "Aqueles que praticaram o bem irão para a Ressurreição da Vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados." Jo 5,29

    Por isso, nestes termos Ele alertava para o castigo maior, que também será aplicado ao corpo: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes temei Aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." Mt 10,28

quinta-feira, 18 de abril de 2024

A Sexta-Feira Santa

    Pilatos bem que tentou libertar Jesus na Sexta-Feira Santa, mas o povo assim reagiu, como o Evangelho segundo São Mateus narrou: "Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: 'Sou inocente do Sangue deste Homem. Isto é convosco!' E todo povo respondeu: 'Que Seu Sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos!' Mt 27,24-25

    São Paulo afirma que essa multidão, além de insuflada pelos líderes religiosos, como São Mateus diz (Mt 27,20), era feita apenas de gente de Jerusalém. Os peregrinos, que aclamaram Jesus no Domingo de Ramos, não se interessavam por esse 'juri popular' promovido por judeus e romanos: "Com efeito, os habitantes de Jerusalém e seus magistrados não conheceram Jesus, e, sentenciando-O, cumpriram os oráculos dos Profetas, que cada sábado são lidos." At 13,27

    São João Evangelista anotou este revelador diálogo entre Jesus e Pilatos, a respeito do Reino dos Céus e da Verdade: "'Meu Reino não é deste mundo. Se Meu Reino fosse deste mundo, Meus súditos certamente teriam pelejado para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas Meu Reino não é deste mundo.' Então Lhe perguntou Pilatos: 'És, portanto, Rei?' Respondeu Jesus: 'Sim, Eu sou Rei. É para dar testemunho da Verdade que nasci e vim ao mundo. Todo aquele que é da Verdade ouve Minha voz.'" Jo 18,36-37

    Ele registrou outras importantíssimas informações sobre este dia, como o nome de uma prima de Nossa Senhora, mãe dos chamados 'irmãos' de Jesus, bem como o momento em que Nosso Salvador fez da Santíssima Virgem Nossa Mãe, representados que fomos por este Amado Discípulo, e ela foi morar com ele porque realmente não tinha outros filhos: "Junto à Cruz de Jesus estavam de pé Sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu Sua mãe, e perto dela o discípulo que amava, disse à Sua mãe: 'Mulher, eis aí teu filho.' Depois disse ao discípulo: 'Eis aí tua mãe.' E dessa hora em diante o discípulo levou-a para sua casa." Jo 19,25-27

    São Mateus narrou o exato momento de Sua morte: "Próximo das três da tarde, Jesus exclamou em forte voz: 'Eli, Eli, lammá sabactáni?, que quer dizer: 'Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste (Sl 21,2)?' A estas palavras, alguns dos que lá estavam diziam: 'Ele chama por Elias.' Um deles imediatamente tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e apresentou-Lha na ponta de uma vara, para que bebesse. Os outros diziam: 'Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-Lo.' Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma. E eis que o véu do Templo se rasgou em duas partes, de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. O centurião e seus homens, que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: 'Verdadeiramente, este Homem era Filho de Deus!' Mt 27,46-51.54

    E São joão Evangelista contou o mais importante capítulo da história de São Longuinho, um centurião romano que ele chamou de soldado: "Os judeus temeram que os corpos ficassem nas cruzes durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com Ele foram crucificados. Chegando, porém, a Jesus, como O vissem já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-Lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu Sangue e Água." Jo 19,31-34