No Sermão da Montanha, que o Evangelho segundo São Mateus apontou, Jesus vai ampliar a abrangência da Lei, ou seja, do Antigo Testamento, tratando de pormenores: "Ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás, mas quem matar será castigado pelo Juízo do Tribunal.' Mas Eu digo-vos: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes." Mt 5,21-22a
Pregava mesmo a resistência zero: "Tendes ouvido o que foi dito: 'Olho por olho, dente por dente.' Eu, porém, digo-vos: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra." Mt 5,38-39
Ele demonstrava, pois, ser muito mais exigente, condenando toda e qualquer palavra de ofensa que restasse sem arrependimento: "Aquele que disser a seu irmão: 'Idiota', será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: 'Louco', será condenado ao fogo da geena." Mt 5,22b
Ora, Ele ensinou-nos a rezar no Pai Nosso, pedindo um perdão na proporção daquele que oferecemos: "... perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido." Mt 6,12
A Carta de São Tiago, pois, afirma nossas imperfeições em comparação ao Divino Juízo: "Já o sabei, meus diletíssimos irmãos: todo homem deve ser pronto para ouvir, porém tardo para falar e tardo para irar-se. Porque a ira do homem não cumpre a justiça de Deus." Tg 1,19-20
De fato, desde o Livro de Deuteronômio que a justiça feita pelas próprias mãos já vinha sendo contestada por Deus: "... a Mim pertencem a vingança e as represálias..." Dt 32,35
E o Livro de Salmos canta o exemplo do Pai: "O Senhor é bom e misericordioso, lento para a cólera e cheio de clemência." Sl 102,8
O Livro de Eclesiástico, por sua vez, apontava a estultice da ira: "Cólera e furor são ambos execráveis; o homem pecador alimenta-os em si mesmo." Eclo 27,33
Já o Livro de Provérbios bem sabia que a divina justiça era melhor caminho que o ódio: "A vida está na vereda da justiça; o caminho do ódio, porém, conduz à morte." Pr 12,28
Por isso, louvava o autocontrole: "Um sábio sabe conter sua cólera, e tem por honra passar por cima de uma ofensa." Pr 19,11
Eis que a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo vai pedir: "Quero, pois, que os homens rezem em todo lugar, levantando limpas mãos, superando todo ódio e ressentimento." 1 Tm 2,8
A Carta de São Paulo aos Efésios pede temperança e lembra nosso dever de não guardar rancor por nem um dia: "Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre vosso ressentimento." Ef 4,26
E exorta: "Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas de vosso meio, bem como toda malícia. Antes, sede bondosos e compassivos uns com os outros. Perdoai-vos uns aos outros, como Deus também vos perdoou, em Cristo." Ef 4,31-32
A Segunda Carta de São Pedro, falando da grave justiça de Deus, vai dizer: "Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por Ele achados sem mácula e irrepreensíveis na Paz." 2 Pd 3,14
Ora, no Evangelho segundo São João, o próprio Jesus ofereceu Seu grande lenitivo: "Deixo-vos a Paz, dou-vos Minha Paz. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe vosso coração, nem se atemorize!" Jo 14,27
Eis o que Ele anunciou, e também desde o Sermão da Montanha. Ou seja, desde o início de Sua Missão: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra!" Mt 5,5
E a Primeira Carta de São João cravou: "Quem não ama, permanece na morte. Quem odeia seu irmão, é assassino. E sabeis que a Vida Eterna não permanece em nenhum assassino." 1 Jo 3,14a-15