Segundo pecado do Demônio contra Deus, porque nasce de seu pecado capital da soberba, o Livro do Profeta Isaías anotou, ainda que expressamente falando de um rei destronado de Babilônia durante o exílio, a inveja em suas pretensões: "Escalarei os Céus e erigirei meu trono acima das estrelas. Sentar-me-ei no monte da assembleia, no extremo norte. Subirei as mais altas nuvens e tornar-me-ei igual ao Altíssimo." Is 14,13-14
Ora, os onze filhos de Jacó, patriarcas das tribos de Israel, deixaram-se levar pela inveja e venderam seu irmão José a estrangeiros (cf. Gn 37,28), por ser o preferido de seu pai, como está no Livro de Gênesis. E assim São José de Egito tornou-se uma prefigura de Jesus, que seria vendido por Judas Iscariotes e entregue aos pagãos pelos principais dos judeus, seus irmãos: "José ainda teve outro sonho, que contou a seus irmãos. Disse-lhes ele: 'Tive mais um sonho: o sol, a lua e onze estrelas prostravam-se diante de mim.' Seus irmãos, pois, ficaram com inveja dele, mas seu pai guardou a lembrança desse acontecimento." Gn 37,9.11
No Livro de Jó, tratando sobre Sabedoria, vemos seu amigo proferir a sentença que espera o invejoso: "O arrebatamento mata o insensato, a inveja leva o tolo à morte." Jó 5,2
Já o Livro de Salmos, o rei Davi lembra como é vã a glória daqueles que não obedecem a Deus, e volta a estimular à fé e à esperança: "Não te irrites por causa daqueles que agem mal, nem invejes aqueles que praticam a iniquidade, pois logo serão ceifados como a erva dos campos, e como a verde erva murcharão. Em silêncio, abandona-te ao Senhor, n'Ele põe tua esperança. Não invejes aquele que em suas más empresas prospera, e bem sucedido parece em seus maus desígnios." Sl 36,1-2.7
O Livro do Eclesiástico deixa a mesma recomendação, lembrando a infalibilidade da divina Justiça: "Não invejes a glória nem as riquezas do pecador, pois não sabes qual será sua ruína." Eclo 9,16
Dá detalhes de um gesto que bem conhecemos: "O olhar do invejoso é mau: ele vira o rosto e despreza as pessoas." Eclo 14,8
E para não aumentar os pecados dos invejosos, diz que não devemos falar-lhes de nossos projetos e confidências: "Esconde tuas intenções àqueles que te têm inveja." Eclo 37,7
O Livro da Sabedoria, ademais, expressamente afirma que a origem da morte foi a inveja, e profetiza a "segunda morte" (cf. Ap 20,14) para quem não se arrepende: "Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e fê-lo à imagem de Sua própria natureza. É por inveja do Demônio que a morte entrou no mundo, e aqueles que pertencem ao Demônio prová-la-ão." Sb 2,23-24
Aliás, a própria Morte de Jesus foi motivada pela inveja dos chefes dos sacerdotes e dos anciãos judeus, como Pilatos bem pôde perceber. O Evangelho Segundo São Mateus apontou: "Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja." Mt 27,18
E a Carta de São Paulo aos Filipenses abertamente denunciou que nem todos que anunciam o Evangelho têm nobres motivos: "É verdade que alguns pregam Cristo por inveja a mim e por discórdia, mas outros fazem-no com a melhor boa vontade." Fl 1,15
No Evangelho Segundo São Marcos, enfim, Nosso Salvador diz que o mau coração é a fonte de toda concupiscência, entre elas a inveja: "Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro, e tornam impuro o homem." Mc 7,21-23

