domingo, 5 de abril de 2026

O Domingo da Ressurreição

    Ao ressuscitar, primeiro Jesus apareceu a Santa Maria Madalena, como está no Evangelho Segundo São João: "No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro... ... voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não O reconheceu. Perguntou-lhe Jesus: 'Mulher, por que choras? Quem procuras?'. Supondo ela que fosse o jardineiro, respondeu: 'Senhor, se tu O tiraste, dize-me onde O puseste e eu irei buscá-Lo.' Disse-lhe Jesus: 'Maria!' Voltando-se ela, exclamou em hebraico: 'Rabôni!' (que quer dizer Mestre)." Jo 20,1.14-16

    Depois, apareceu a São Pedro, como o Evangelho Segundo São Lucas registrou: "Todos diziam: 'O Senhor verdadeiramente ressuscitou, e apareceu a Simão.'" Lc 24,34

    Apareceu mais uma vez, no início da tarde: "Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para um povoado chamado Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. Iam falando um com o outro de tudo que se tinha passado. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o próprio Jesus aproximou-Se deles e com eles caminhava. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados, e não O reconheceram. Aconteceu que, estando sentados à mesa, Ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-O e serviu-lhO. Então se lhes abriram os olhos e O reconheceram... mas Ele desapareceu." Lc 24,13-16,30-31

    Enfim, apareceu ao Colégio dos Apóstolos, com a exceção de São Tomé: "Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-Se em meio a eles. Disse-lhes Ele: 'A Paz esteja convosco!' Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor." Jo 20,19-20

    De fato, Nosso Senhor havia advertido os Apóstolos que Sua Ressurreição, evidenciada por Sua aparição, seria a definitiva prova de Sua Divindade, da Santíssima Trindade e de Sua Comunhão com a Santa Igreja Católica: "Ainda um pouco de tempo e o mundo já não Me verá. Vós, porém, tornareis a ver-Me, porque Eu vivo e vós vivereis. Naquele dia conhecereis que estou em Meu Pai, vós em Mim e Eu em vós." Jo 14,19-20

    Ele ainda prometeu que, após Sua dolorosa Paixão, Sua aparição seria a razão da maior alegria que os Apóstolos poderiam ter: "Assim vós: sem dúvida, agora também estais tristes, mas hei de vos ver outra vez, e vosso coração alegrar-se-á, e ninguém vos tirará vossa alegria." Jo 16,22

    E, note-se, logo na primeira aparição ao Colégio dos Apóstolos, zeloso da Salvação das almas, Nosso Salvador instituiu o Sacramento da Confissão: "Disse-lhes outra vez: 'A Paz esteja convosco! Como o Pai Me enviou, Eu também vos envio.' Depois dessas palavras, soprou sobre eles, dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos." Jo 20,21-23

    Assim o domingo passou a ser o dia da celebração da Santa Eucaristia, como os Doze sempre fizeram e ensinaram e São Paulo continuou. No Livro de Atos dos Apóstolos, o Amado Médico apontou: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o Pão, Paulo, que havia de viajar no dia seguinte, conversava com os discípulos e prolongou a palestra até a meia-noite." At 20,7

    E a Carta de São Paulo aos Colossenses ensina, dizendo o que o Antigo Testamento representou: "Ninguém vos critique, pois, por causa de comida ou bebida, ou espécies de festas ou de luas novas ou de sábados. Tudo isto não é mais que sombra do que devia vir. A realidade é o Corpo de Cristo." Cl 2,16-17

    Tradição que já estava muito bem consolidada ao tempo das revelações do Livro de Apocalipse de São João, onde vemos que o primeiro dia da semana passou a se chamar 'Dies Dominicus', abreviado para 'Dominus', que em latim quer dizer 'Dia do Senhor', nosso Domingo: "Revelação de Jesus Cristo, que Lhe foi confiada por Deus para manifestar a Seus servos o que em breve deve acontecer. Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, forte voz como de trombeta que dizia: 'O que vês, escreve-o num Livro e manda-o às sete igrejas..." Ap 1a.10-11a

sábado, 4 de abril de 2026

A Ressurreição da Carne

    No Evangelho Segundo São Lucas, ao ressuscitar e aparecer ao Colégio dos Apóstolos, Jesus disse-lhes: "Vede Minhas mãos e Meus pés, sou Eu mesmo. Apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho." Lc 24,39

    Chegou mesmo a comer diante deles, porque demoraram a acreditar: "Mas, ainda vacilando eles e estando transportados de alegria, perguntou: 'Tendes aqui alguma coisa para comer?' Então Lhe ofereceram um pedaço de peixe assado. Ele tomou e comeu à vista deles." Lc 24,41,43

    Oito dias depois, ou seja, noutro domingo, em nova aparição Ele ofereceu Suas feridas para que São Tomé as tocasse, como se lê no Evangelho Segundo São João: "Põe teu dedo aqui e olha Minhas mãos. Estende tua mão e coloca-a em Meu lado. E não sejas incrédulo, mas crê!" Jo 20,27

    Eis que São Pedro atestou no Livro de Atos dos Apóstolos: "Mas Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu que aparecesse, não a todo povo, mas às testemunhas que Deus havia predestinado, a nós que com Ele comemos e bebemos depois que ressuscitou." At 10,40-41

    Jesus, porém, não ressuscitou sozinho, mas com vários Santos. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Os sepulcros abriram-se e muitos corpos de Santos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da Ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas." Mt 27,53

    Ora, Deus havia feito essa promessa no Livro do Profeta Ezequiel: "Eis o que diz o Senhor Javé: 'Ó Meu povo, vou abrir vossos túmulos. Eu fá-vos-ei sair deles... Então sabereis que Eu é que sou o Senhor, ó Meu povo... quando Eu pôr em vós Meu Espírito para vos fazer voltar à vida...'" Ez 37,12a.13a.14a

    E assim a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios se alegrava nessa esperança, citando o Livro do Profeta Isaías e o Livro do Profeta Oseias: "Quando este corpo corruptível estiver revestido de incorruptibilidade, e quando este corpo mortal estiver revestido de imortalidade, então se cumprirá a palavra da Escritura: 'A morte foi tragada pela Vitória' (Is 25,8). 'Onde está, ó morte, tua vitória? Onde está, ó morte, teu aguilhão (Os 13,14)?'" 1 Cor 15,54-55

    A Carta de São Paulo aos Romanos disse o que o Pentecostes, a Vinda do Santo Paráclito, representa: "Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida a vossos corpos mortais, por Seu Espírito que em vós habita." Rm 8,6-7.11

    E esse é um suspiro da Carta de São Paulo aos Filipenses, que vale para todos nós: "Nós, porém, somos cidadãos dos Céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante a Seu Corpo glorioso..." Fl 3,20-21

    O Apóstolo dos Gentios explicou: "Com efeito, se por um homem veio a morte, por um Homem vem a Ressurreição dos Mortos. Assim como em Adão todos morrem, em Cristo todos reviverão." 1 Cor 15,21-22

    De fato, no dia do Juízo Final, todos terão suas carnes restituídas como Nosso Salvador afirmou, embora com dois diferentes destinos: "Aqueles que praticaram o bem, irão para a Ressurreição da Vida, e aqueles que praticaram o mal, ressuscitarão para serem condenados." Jo 5,29

    Isso já estava no Livro do Profeta Daniel, quando pela primeira vez Deus avisou que nem todos ressuscitados terão o mesmo destino: "Muitos daqueles que dormem no pó da terra despertarão, uns para uma Vida Eterna, outros para a ignomínia, a eterna infâmia. Aqueles que tiverem sido inteligentes fulgirão como o brilho do firmamento, e aqueles que a muitos tiverem introduzido nos Caminhos da Justiça luzirão como as estrelas, com um perpétuo resplendor." Dn 12,2-3

    Por isso, nestes termos Ele alertava para o castigo maior, que também será aplicado à carne ressuscitada: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes temei Aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." Mt 10,28

sexta-feira, 3 de abril de 2026

A Sexta-Feira Santa

    Pilatos bem que tentou libertar Jesus na Sexta-Feira Santa, mas o povo reagiu, como o Evangelho Segundo São Mateus narrou: "Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: 'Sou inocente do Sangue deste Homem. Isto é convosco!' E todo povo respondeu: 'Que Seu Sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos!' Mt 27,24-25

    São Paulo afirma que essa multidão, além de insuflada pelos líderes religiosos, como São Mateus diz (cf. Mt 27,20), era feita apenas de gente de Jerusalém. Os peregrinos, que aclamaram Jesus no Domingo de Ramos, não se interessavam por esse 'juri popular' promovido por judeus e romanos (cf. Mt 27,15; Lc 23,17). Está no Livro de Atos dos Apóstolos: "Com efeito, os habitantes de Jerusalém e seus magistrados não conheceram Jesus, e, sentenciando-O, cumpriram os oráculos dos Profetas, que cada sábado são lidos." At 13,27

    Já o Evangelho Segundo São João anotou este revelador diálogo entre Jesus e Pilatos, a respeito do Reino dos Céus e da Verdade: "'Meu Reino não é deste mundo. Se Meu Reino fosse deste mundo, Meus súditos certamente teriam combatido para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas Meu Reino não é deste mundo.' Então Lhe perguntou Pilatos: 'És, portanto, Rei?' Respondeu Jesus: 'Tu o dizes: Eu sou Rei. É para dar testemunho da Verdade que nasci vim ao mundo. Todo aquele que é da Verdade ouve Minha voz.'" Jo 18,36-37

    Ele registrou outras importantíssimas informações sobre este dia, como o nome de uma prima de Nossa Senhora, que também se chamava Maria e era a verdeira mãe dos chamados 'irmãos' de Jesus (cf. Mc 6,3), bem como o momento em que Nosso Salvador fez da Santíssima Virgem Nossa Mãe, representados que fomos por este Amado Discípulo, e desde então ela foi morar com ele porque simplesmente não tinha outros filhos que dela cuidassem. Ora, o Quarto Mandamento de Deus determina exatamente honrar pai e mãe (cf. Êx 20,12), e 'Seus irmãos', se Jesus realmente os tivesse, não poderiam escusar-se: "Junto à Cruz de Jesus estavam de pé Sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu Sua mãe, e perto dela o discípulo que amava, disse a Sua mãe: 'Mulher, eis aí teu filho.' Depois disse ao discípulo: 'Eis aí tua mãe.' E dessa hora em diante, o discípulo levou-a para sua casa." Jo 19,25-27

    De fato, ao narrar esta mesma cena, o Evangelho Segundo São Marcos nomina dois dos chamados 'irmãos' de Jesus como filhos desta senhora: "Ali também se achavam umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé, que O tinham seguido e O haviam assistido quando Ele estava em Galileia. E muitas outras que junto a Ele haviam subido a Jerusalém." Mc 15,40-41

    Enfim, São Mateus narrou o exato momento de Sua morte: "Próximo das três da tarde, Jesus exclamou em forte voz: 'Eli, Eli, lammá sabactáni?, que quer dizer: 'Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste (Sl 21,2)?' A estas palavras, alguns daqueles que lá estavam diziam: 'Ele chama por Elias.' Um deles imediatamente tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e apresentou-Lha na ponta de uma vara, para que bebesse. Os outros diziam: 'Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-Lo.' Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou o espírito. E eis que o véu do Templo se rasgou em duas partes, de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. O centurião e seus homens, que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: 'Verdadeiramente, este Homem era Filho de Deus!' Mt 27,46-51.54

    Fato profetizado havia muito, o próprio Pai falou no Livro do Profeta Isaías: "Eis que Meu Servo há de prosperar. Ele elevar-Se-á, será exaltado, será posto nas alturas. Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-Lo, tão desfigurado Ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano, assim numerosas nações ficarão estupefatas a Seu respeito, reis manter-se-ão em silêncio, vendo coisas que não lhes haviam sido contadas e ao tomarem consciência de coisas que não tinham ouvido." Is 52,13-15

    E São João Apóstolo contou o mais importante capítulo da história de São Longuinho, um centurião romano que ele chamou de soldado, mas que seria o centurião romano encarregado da Crucificação, segundo São Marcos (cf. Mc 15,39), São Mateus (cf. Mt 27,54) e São Lucas (cf. Lc 23,47), e que reconheceu Jesus como o Filho de Deus (cf. Mc 15,39): "Os judeus temeram que os corpos ficassem nas cruzes durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com Ele foram crucificados. Chegando, porém, a Jesus, como O vissem já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-Lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu Sangue e Água." Jo 19,31-34

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A Quinta-Feira Santa

    O Evangelho Segundo São Mateus assim narrou a Santa Ceia: "Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-O, partiu-O e deu-O aos discípulos, dizendo: 'Tomai e comei, isto é Meu Corpo.' Depois tomou o Cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo: 'Bebei dele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado em favor de muitos para a remissão dos pecados. Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha, até o dia em que convosco o beberei de novo no Reino de Meu Pai.'" Mt 26,26-29

    E o Evangelho Segundo São João registrou outro importante fato deste dia, que se deu um pouco antes: "... levantou-Se da mesa, depôs Suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-Se com ela. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, e a os enxugar com a toalha com que estava cingido. Depois de lhes lavar os pés e tomar Suas vestes, novamente Se sentou à mesa e perguntou-lhes: 'Sabeis o que vos fiz? Vós chamai-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque EU SOU. Logo, se Eu, Vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós também deveis lavar os pés uns aos outros. Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticar."" Jo 13,4-5.12-15.17

    Depois disso, Jesus rezou ao Pai por todos aqueles que ouviriam a Palavra anunciada pelos Apóstolos, pedindo pela União na Igreja, e como sinal dela derramou Sua Glória sobre os Onze, que é a prova de Sua passagem entre nós e do amor de Deus: "Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em Mim. Para que todos sejam Um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que também eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu Me enviaste. Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,20-23

    O Evangelho Segundo São Lucas relata que, após a Santa Ceia, Nosso Salvador mais uma vez colocou São Pedro à frente do Colégio dos Apóstolos: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou, para vos peneirar como o trigo. Mas Eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça. Quando, porém, te converteres, confirma teus irmãos." Lc 22,31-32

    São Mateus também narrou o farsesco julgamento que Jesus teve dos judeus: "Aqueles que haviam prendido Jesus, levaram-nO à casa do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos do povo. Pedro seguia-O de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e sentou-se junto aos criados, para ver como aquilo terminaria. Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo Sinédrio procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de O levarem à morte. Mas não o conseguiram, embora muitas falsas testemunhas se apresentassem. Disse-Lhe o sumo sacerdote: 'Por Deus Vivo, conjuro-Te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus?' Jesus respondeu: 'Tu o disseste. Aliás, Eu declaro-vos que doravante vereis o Filho do Homem sentar-Se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre as nuvens do Céu!' A estas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes, exclamando: 'Que necessidade ainda temos de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia! Qual é vosso parecer?' Eles responderam: 'Merece a morte!' Mt 26,57-60.63b-66

    Quanto à importância da Comunhão Eucarística, que nada tem de mero simbolismo, Nosso Senhor já havia sido contundente muito antes desta noite, ainda na sinagoga de Cafarnaum: "Então lhes disse Jesus: 'Na Verdade, na Verdade, digo-vos: se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos. Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue tem a Vida Eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no Último Dia. Pois Minha Carne é verdadeiramente comida e Meu Sangue, verdadeiramente bebida.'" Jo 6,53-55

    Mais: por ele firmou um vínculo de pertença, a Comunhão Espiritual: "Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele." Jo 6,56

    Pois pela Santa Eucaristia temos a Unidade da Santa Igreja Católica, que é o Corpo Místico de Cristo, como a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios vai argumentar: "Uma vez que há um único Pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só Corpo, porque todos nós comungamos do mesmo Pão." 1 Cor 10,17

Fé e Razão

 

    Em sua Encíclica e Razão, vemos que o amado Papa São João Paulo II bem atendia ao concurso da lógica na compreensão da Palavra de Deus, pois seguia a recomendação do Divino Mestre que evocou o Livro de Deuteronômio no Evangelho Segundo São Marcos, acrescentando o imprescindível "entendimento" "Ouve, Israel. O Senhor Nosso Deus é o único Senhor. Amarás ao Senhor Teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma, de todo teu entendimento e de toda tua força (Dt 6,5)." Mc 12,29h-30

    Ou a esta recomendação da Primeira Carta de São Pedro, a quem sucedeu como Bispo de Roma: "Estai sempre prontos a responder, para vossa defesa, a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito." 1 Pd 3,15

    Nesta encíclica, ele menciona uma bela síntese da Missão do Messias, da Constituição Pastoral do Concílio Vaticano II: "Cristo Senhor, 'na própria revelação do mistério do Pai e de Seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe sua sublime vocação' (Gaudium et spes), que é participar no mistério da trinitária vida de Deus." E oportunamente cita o Livro de Provérbios: "O Senhor é Quem dirige os passos do homem. Como poderá o homem compreender seu próprio destino?" Pr 20,24

    Também citou a Carta de São Paulo aos Efésios, para tratar da patente realidade que é a Divina Revelação: "Aprouve a Deus, em Sua bondade e Sabedoria, revelar a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da Sua vontade." Ef 1,9

    E completa: "Pela fé, o homem presta assentimento a este divino testemunho. Isto significa que plena e integralmente reconhece a Verdade de tudo que foi revelado, porque é o próprio Deus que o garante..."

    Porque a fé é a mais elevada capacidade humana: "No acreditar é que a pessoa realiza o mais significativo ato de sua existência..."

    Para que se chegue ao auto-conhecimento, então, ao qual a própria Revelação abre caminho, ele viu e resumiu o processo em três passos: "A primeira regra é ter em conta que o conhecimento do homem é um caminho que não permite descanso; a segunda nasce da consciência de que não se pode percorrer tal caminho com o orgulho de quem pensa que tudo seja fruto de conquista pessoal; a terceira regra funda-se no 'temor a Deus', de Quem a razão deve reconhecer tanto a soberana transcendência como o solícito amor no governo do mundo."

    Ora, a Carta de São Paulo aos Romanos fazia uma construtiva crítica que à passional religiosidade dos judeus, que seguiam renegando o Cristo: "Pois lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas um zelo sem discernimento." Rm 10,2

    Autêntico pastor, porque autêntica testemunha de Cristo, ele dizia sobre os cristãos da cidade de Laodiceia e todos aqueles que ainda não o conheciam pessoalmente: "Tudo sofro para que seus corações sejam reconfortados e que, estreitamente unidos pelo amor, sejam enriquecidos de plenitude de inteligência para conhecerem o Mistério de Deus, isto é, Cristo, no Qual estão escondidos todos tesouros da Sabedoria e da ciência." Cl 2,2-3

    Até advertia de esotéricas especulações: "Vede que ninguém vos engane com falsas e vãs filosofias, fundadas em humanas tradições, em elementos do mundo, e não em Cristo." Cl 2,8

    Afirmava que o bom entendimento se obtém por bem ouvir o Evangelho: "Logo, a provém da pregação, e a pregação exerce-se em razão da Palavra de Cristo." Rm 10,17

    Por isso, no Evangelho Segundo São Mateus, a instantes de Sua Ascensão aos Céus, Jesus determinou a Sua Igreja a transmissão da Palavra a todas nações, mas em sua inteireza: "Ensinai-as a observar tudo que vos prescrevi." Mt 28,20a

    Exemplo de quem era racionalista, São Tomé Apóstolo, após teimar durante uma semana recusando-se a acreditar na Ressurreição de Jesus, ao vê-Lo diante de si e tocar Suas feridas, estava pronto para reconhecer Sua divindade, como está no Evangelho Segundo São João: "Meu Senhor e Meu Deus!" Jo 20,28

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Corpo Santo

    A Ressurreição de Jesus já havia sido profetizada desde o Livro de Salmos. O rei Davi, que deve ser entendido como o próprio Cristo cantando ao Pai, diz: "... Vós não abandonareis Minha alma na habitação dos mortos, nem permitireis que Vosso Santo conheça a corrupção." Sl 15,10

    E as provas que Jesus deu da Ressurreição da Carne foram mais que concretas. Literalmente se trata de redivivos carne e ossos, ainda que sob distinta condição, pois podem materializar-se ou não. De fato, uma foi a condição na qual Ele Se apresentou a Santa Maria Madalena, a primeira pessoa a O ver: em primeiro momento, a ela pareceu ser outra pessoa, em seguida, porém, apresentou-Se de modo a ser reconhecido, mas ainda não podia ser tocado. O Evangelho Segundo São João relata: "Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não O reconheceu. Então lhe perguntou Jesus: 'Mulher, por que choras? Quem procuras?' Supondo ela que fosse o jardineiro, respondeu: 'Senhor, se tu O tiraste, dize-me onde O puseste e eu irei buscá-Lo.' Disse-lhe Jesus: 'Maria!' Voltando-se ela, exclamou em hebraico: 'Rabôni! (Mestre!)' Disse-lhe Jesus: 'Não Me retenhas, porque ainda não subi a Meu Pai. Mas vai a Meus irmãos e dize-lhes: 'Subo a Meu Pai e Vosso Pai, Meu Deus e Vosso Deus.'" Jo 20,14-17

    Isso também se deu na aparição aos discípulos que deixaram Jerusalém no Domingo da Ressurreição, na leitura do Evangelho Segundo São Lucas: "Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. Iam falando um com o outro de tudo que se tinha passado. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-Se e caminhava com eles. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados, e não O reconheceram. Aproximaram-se da aldeia para onde iam e Ele fez como se quisesse passar adiante. Mas eles forçaram-nO a parar: 'Fica conosco, já é tarde e o dia declina.' Então entrou com eles. Aconteceu que, estando conjuntamente sentados à mesa, Ele tomou o pão, abençoou-O, partiu-O e serviu-lhO. Então se lhes abriram os olhos e O reconheceram... mas Ele desapareceu. E diziam um para o outro: 'Não se nos abrasava o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?'" Lc 24,13-16.28-32

    Outra, porém, foi a condição em que pela primeira vez apareceu ao Colégio dos Apóstolos, absolutamente reconhecível e palpável: "Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-Se em meio a eles e disse-lhes: 'A Paz esteja convosco!' Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito. Mas Ele disse-lhes: 'Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas em vossos corações? Vede Minhas mãos e Meus pés, sou Eu mesmo. Apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho.' E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas ainda vacilando eles e estando transportados de alegria, perguntou-lhes: 'Tendes aqui alguma coisa para comer?' Então Lhe ofereceram um pedaço de peixe assado. Ele tomou e comeu à vista deles." Lc 24,36-43

    A Ressurreição, porém, não se deu apenas com Jesus, e dar-se-á com todo ser humano, seja para a Vida Eterna ou para a eterna condenação. São Suas palavras: "... aqueles que praticaram o bem irão para a Ressurreição da Vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados." Jo 5,29

    E, com efeito, no Domingo da Ressurreição muitos ressuscitaram, como Evangelho Segundo São Mateus registrou: "Os sepulcros abriram-se e os corpos de muitos justos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da Ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas." Mt 27,52-53

    Pelos corpos santos, pois, é-nos dado uma veemente mostra do que a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios disse sobre o grande evento que acontecerá no Último Dia: "É necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade, e que este corpo mortal se revista de imortalidade." 1 Cor 15,53

    Ora, ele exulta nessa esperança, citando o Livro do Profeta Isaías e o Livro do Profeta Oseias: "Quando este corpo corruptível estiver revestido de incorruptibilidade, ou seja, quando este corpo mortal estiver revestido de imortalidade, então se cumprirá a Palavra da Escritura: 'A morte foi tragada pela Vitória (Is 25,8).' 'Onde está, ó morte, tua vitória? Onde está, ó morte, teu aguilhão (Os 13,14)?'" 1 Cor 15,54-55

terça-feira, 31 de março de 2026

O Cristo

    Cristo, em grego, significa Messias, que em hebraico quer dizer Ungido. No Evangelho Segundo São Mateus, quando Jesus questionou os Apóstolos sobre de Sua verdadeira identidade, São Pedro, inspirado pelo Pai, afirmou: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo!" Mt 16,16

    E no Evangelho Segundo São João, a instantes da ressurreição de São Lázaro, Santa Marta vai complementar essa frase: "... Aquele que devia vir ao mundo." Jo 11,27

    É o Salvador, portanto, Aquele que vem redimir a humanidade, livrando-nos do pecado como o Anjo da Guarda de São José lhe disse sobre a gravidez de Maria Santíssima: "Ela dará à luz um Filho, a Quem porás o Nome de Jesus, porque Ele salvará Seu povo dos pecados." Mt 1,21

    Jesus mesmo identificou-Se perante a samaritana no poço de Jacó, após demonstrar conhecer sua vida: "Respondeu a mulher: 'Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo). Pois quando vier, Ele fá-nos-á conhecer todas coisas.' Disse-lhe Jesus: 'Sou eu, Quem fala contigo.'" Jo 4,25-26

    E Ele não negou Sua identidade quando interrogado pelos líderes religiosos de Jerusalém: "Os judeus rodearam-nO e perguntaram-Lhe: 'Até quando nos deixarás na incerteza? Se Tu és o Cristo, dize-nos claramente.' Jesus respondeu-lhes: 'Eu digo-vos, mas não credes. As obras que faço em Nome de Meu Pai, dão testemunho de Mim. Entretanto, não credes, porque não sois das Minhas ovelhas." Jo 10,24-26

    Também Se identificou depois de ser preso no Horto das Oliveiras, ao ser questionado no Sinédrio, prometendo-lhes tanto para o Juízo Particular como para o Final : "O sumo sacerdote tornou a Lhe perguntar: 'És Tu o Cristo, o Filho de Deus bendito?' Jesus respondeu: 'EU SOU. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poderoso, vindo sobre as nuvens do céu.'" Mc 14,61b-62

    Ora, quando Ele prometeu Água Viva em Jerusalém, durante a Festa das Tendas, parte do povo já não se continha, categoricamente afirmando: "Este é o Cristo." Jo 7,41a

    Mas a identidade de Jesus, mesmo após o início de Sua Manifestação, não era um ponto pacífico. E para muitos, infelizmente, ainda continua sendo. Essa realidade foi prevista pelo religioso Simeão, por ocasião da Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém, registrada no Evangelho Segundo São Lucas: "Eis que este Menino está destinado a ser causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações." Lc 2,34-35

    Nosso Senhor mesmo afirmou: "Vim a este mundo fazer uma discriminação: para aqueles que não vêem vejam, e aqueles que vêem se tornem cegos." Jo 9,39

    Temos, então, a sugestão de conhecer Jesus segundo Ele mesmo, que aos poucos vai identificando-Se ao longo dos Evangelhos Sinóticos. Quem seria Esse que oferece conforto a nossas almas? "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29

    Sintetizando o Antigo Testamento, a Carta de São Paulo aos Romanos diz: "Porque a finalidade da Lei é Cristo..." Rm 10,4a

    E a Carta de São Paulo aos Colossenses não vacilou, exaltando o Santíssimo Sacramento: "Ele (Cristo) é a imagem de Deus Invisível... A realidade é o Corpo de Cristo." Cl 1,15a:2,17b

    Nestes termos, pois, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios pregou a Ressurreição da Carne: "Com efeito, se por um homem veio a morte, por um Homem vem a Ressurreição dos mortos. Assim como em Adão todos morrem, em Cristo todos reviverão." 1 Cor 15,21-22

    Ora, o próprio Jesus assim justificou Sua Paixão e anunciou a missão da Santa Igreja Católica, na primeira aparição ao Colégio dos Apóstolos: "Assim é que está escrito e assim era necessário que o Cristo padecesse, mas que dos mortos ressurgisse ao terceiro dia. E que em Seu Nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de tudo isso." Lc 24,46-48

domingo, 29 de março de 2026

O Domingo de Ramos

    A última entrada de Jesus a Jerusalém foi narrada assim no Evangelho Segundo São Mateus: "Aproximavam-se de Jerusalém. Quando chegaram a Betfagé, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de Seus discípulos, dizendo-lhes: 'Ide à aldeia que está à frente. Logo encontrareis uma jumenta amarrada e com ela seu jumentinho. Desamarrai-os e trazei-Mos. Se alguém vos disser qualquer coisa, respondei-lhe que o Senhor necessita deles e que sem demora Ele os devolverá.'" Mt 21,1-3

    E a narrativa a seguir explica o nome que deram ao Domingo de Ramos: "Os discípulos foram e executaram a ordem de Jesus. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, cobriram-nos com seus mantos e fizeram-nO montar. Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada. E toda aquela multidão, que O precedia e que O seguia, clamava: 'Hosana ao Filho de Davi! Bendito seja Aquele que vem em Nome do Senhor! Hosana no mais alto dos Céus!'" Mt 21,6-9

    No Evangelho Segundo São João, também participaram desta acolhida judeus peregrinos que já estavam na Cidade Santa para celebrar a Páscoa, gente das regiões por onde Ele havia pregado: "No dia seguinte, uma grande multidão que tinha vindo à festa em Jerusalém ouviu dizer que Jesus ia aproximando-Se. Saíram-Lhe ao encontro com ramos de palmas, exclamando: 'Hosana! Bendito O que vem em Nome do Senhor, o Rei de Israel!'" Jo 12,12-13

    E não só peregrinos, mas muitos judeus de Jerusalém juntaram-se a esse cortejo, pois testemunharam a ressurreição de São Lázaro e por isso acreditavam em Jesus: "Todos, pois, que se achavam com Ele quando chamara Lázaro do sepulcro e o ressuscitara, aclamavam-nO. Por isso, o povo saía-Lhe ao encontro, porque tinha ouvido que Jesus fizera aquele milagre." Jo 12,17-18

    Já no Evangelho Segundo São Lucas, antes de começarem a descer o monte das Oliveiras para entrar na Cidade Santa, deu-se outro marcante episódio: a profecia da destruição de Jerusalém:"Aproximando-Se ainda mais, Jesus contemplou Jerusalém e chorou sobre ela, dizendo: 'Oh! Se tu, ao menos neste dia que te é dado, também conhecesses Aquele que pode trazer-te a Paz! Mas não. Isso está oculto a teus olhos. Sobre ti virão dias em que teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te atacarão por todos lados. Destruí-te-ão a ti e a teus filhos que estiverem dentro de ti, e em ti não deixarão pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada.'" Lc 19,41-44

    No Evangelho Segundo São Marcos, neste dia Jesus não pernoitou em Jerusalém, nem se recolheu no monte das Oliveiras, como era de Seu costume (cf. Lc 22,39), mas retornou para um vilarejo próximo. Contudo, tratou de ver como o Templo estava, porque já havia expulsado os vendilhões uma vez, na primeira Páscoa em vida pública, narrada por São João Evangelista (cf. Jo 2,15): "Jesus entrou em Jerusalém e dirigiu-Se ao Templo. Aí lançou olhos a tudo. Depois, como já fosse tarde, voltou para Betânia com os Doze." Mc 11,11

    E, diferente de São Mateus e São Lucas, este evangelista diz que só na seguinte manhã Ele tornaria a expulsar os vendilhões do Templo, citando o Livro do Profeta Isaías e o Livro do Profeta Jeremias: "Chegaram a Jerusalém e Jesus entrou no Templo. E começou a expulsar aqueles que no Templo vendiam e compravam. Derrubou as mesas dos trocadores de moedas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não consentia que ninguém transportasse objeto algum pelo Templo. E ensinava-lhes nestes termos: 'Porventura não está escrito: Minha Casa chamar-se-á Casa de Oração para todas nações (Is 56,7)'? Mas dela vós fizestes um 'covil de ladrões (Jr 7,11).'"Mc 11,15-18

    Enfim, em oposição à multidão que acolheu Jesus neste dia, a multidão que através de Pilatos vai condená-Lo e libertar Barrabás só era composta, segundo São Paulo, de gente de Jerusalém que não conhecia Nosso Senhor (cf. Mt 21,11). Aliás, tal rejeição havia sido profetizada pelo próprio Jesus, como vimos acima, quando chorou pela Cidade Santa (cf. Lc 19,41-42). Os peregrinos, pois, menos envolvidos e mais refratários à dominação estrangeira, nada viam nesse arremedo de caridade que era o 'indulto pascal' oferecido pelos romanos. Conforme o Livro de Atos dos Apóstolos, o Apóstolo dos Gentios pregou em Antioquia de Pisídia: "Com efeito, os habitantes de Jerusalém e seus magistrados não conheceram Jesus, e, sentenciando-O, cumpriram os oráculos dos Profetas, que cada sábado são lidos." At 13,27

sábado, 28 de março de 2026

A Salvação

    A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses diz o que devemos à Paixão de Cristo, à ação do Espírito Santoà  e ao Evangelho, que invariavelmente requerem nossa boa vontade: "... porque desde o princípio Deus vos escolheu para vos dar a Salvação, pela santificação do Espírito e pela fé na Verdade. E pelo anúncio de nosso Evangelho chamou-vos para tomardes parte na Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo." 2 Ts 2,13-14

    Fala, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo, de um projeto universal: "Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todas pessoas... Isto é bom e agradável diante de Deus, Nosso Salvador, o Qual deseja que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade." 1 Tm 2,1.3-4

    Aliás, foi bem específico quanto aos destinatários: "Eis uma verdade absolutamente certa e merecedora de : Jesus Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores..." 1 Tm 1,15a

    E apesar de sua notória santidade, de tantas Graças alcançadas, a Carta de São Paulo aos Filipenses segue pregando tenaz dedicação para que se chegue aos Céus: "Não pretendo dizer que já alcancei a Salvação, e que cheguei à perfeição. Não. Mas empenho-me em conquistá-la..." Fl 3,12

    Ora, o religioso Simeão, quando da Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém, já havia dito no Evangelho Segundo São Lucas: "Agora, Senhor, deixai ir em Paz Vosso servo, segundo Vossa Palavra. Porque meus olhos viram Vossa Salvação, que preparastes diante de todos povos, como Luz para iluminar as nações e para a Glória de Vosso povo de Israel." Lc 2,29-32

    De fato, no Evangelho Segundo São Mateus, Nosso Salvador vai afirmar durante a Santa Ceia: "Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo: 'Bebei dele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado em favor de muitos homens para a remissão dos pecados.'" Mt 26,27-28

    Porém, ainda no Sermão da Montanha, Ele havia pregado: "Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus." Mt 5,20

    Alertava, portanto, que o inferno é uma gritante realidade: "Alguém Lhe perguntou: 'Senhor, são poucos os homens que se salvam?' Ele respondeu: 'Procurai entrar pela Estreita Porta, porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não conseguirão. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaque, Jacó e todos Profetas no Reino de Deus, e vós serdes lançado para fora.'" Lc 13,23-24-28

    E além de recomendar a observância das Divinas Revelações, Ele falou em perseverança espiritual nas últimas pregações: "É por vossa constância que alcançareis vossa Salvação." Lc 21,19

    Portanto, se algumas pessoas fazem pouco da Revelação do Cristo e, acreditando apenas na caridade material, não se empenham religiosamente em purificar a alma, temos uma séria Palavra sobre as já milenares mensagens de Deus no Antigo Testamento e sua veracidade. Jesus disse à samaritana junto ao poço de Jacó, no Evangelho Segundo São João: "... nós adoramos O que conhecemos, porque a Salvação vem dos judeus." Jo 4,22b

    Eis que no Livro de Atos dos Apóstolos, São Pedro corajosamente disse no Sinédrio, aos sacerdotes e anciãos judeus: "Esse Jesus, Pedra que por vós edificadores foi desprezada, tornou-Se a Pedra Angular. Em nenhum outro há Salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo Qual devamos ser salvos." At 4,11-12

    A Primeira Carta de São Pedro, pois, fala da verdadeira felicidade, lembrando que a Salvação, apesar da promessa da Ressurreição da Carne, é dada não à carne, mas às almas: "Este Jesus vós amais sem O terdes visto, n'Ele credes ainda sem O verdes, e isto é para vós a fonte de uma inefável e gloriosa alegria, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a Salvação de vossas almas." 1 Pd 1,8-9

    E evocando patentes tribulações pelas quais os cristãos passam, ele levanta pertinente questão sobre o destino daqueles que se desencaminham: "E se o justo se salva com dificuldade, o que será do ímpio e do pecador?" 1 Pd 4,18

sexta-feira, 27 de março de 2026

O Antigo Testamento

    Foi Jesus mesmo Quem anunciou o fim da Antiga Aliança, apontando São João Batista como seu último marco, no Evangelho Segundo São Lucas: "A Lei e os Profetas duraram até João." Lc 16,16

    Contudo, no Evangelho Segundo São Mateus, Ele esclarece: "Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim para os abolir, mas sim para os levar à perfeição." Mt 5,17

    Com constância, portanto, Ele vai invocá-la. No Evangelho Segundo São Marcos, cita o Livro de Deuteronômio e o Livro de Levítico: "'Qual é o primeiro de todos Mandamentos?' Jesus respondeu-lhe: 'O primeiro de todos Mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor Nosso Deus é o único Senhor. Amarás ao Senhor Teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma, de todo teu entendimento (Dt 6,5) e de todas tua força. Eis aqui o segundo: Amarás a teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Outro Mandamento maior que estes não existe.'" Mc 12,28b,31

    Sintetizou: "Nesses dois Mandamentos resumem-se toda a Lei e os Profetas." Mt 22,40

    E exortou a Santa Igreja Católica a 'garimpar' o Antigo Testamento, dizendo de verdadeiros estudiosos entre os judeus: "Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos Céus é comparado a um pai de família, que de seu tesouro tira novas e velhas coisas." Mt 13,52

    Por isso, desde o início, o Catolicismo preservou a importância do Antigo Testamento. Quando ouviram os relatos de sucesso da pregação de São Paulo, o então Bispo de Jerusalém, São Tiago Menor, e os anciãos reafirmaram esse vínculo. É o que se lê no Livro de Atos dos Apóstolos: "Ouvindo isso, glorificaram a Deus e disseram a Paulo: 'Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus abraçaram a sem abandonar seu zelo pela Lei.'" At 21,20

    A Segunda Carta de São Pedro, por sua vez, exalta as profecias pelo cumprimento da Vinda de Cristo, que confirma os projetos de Deus: "Assim demos ainda maior crédito à Palavra dos Profetas, à qual bem fazeis em atender como a uma lâmpada que brilha em um tenebroso lugar, até que o Dia desponte e a Estrela da Manhã Se levante em vossos corações." 2 Pd 1,19

    De fato, no Evangelho Segundo São João, Jesus afirmou perante os líderes judeus de Jerusalém: "Vós perscrutais as Escrituras, nelas julgando encontrar a Vida Eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim. Pois se crêsseis em Moisés, certamente creríeis em Mim, porque ele escreveu a Meu respeito. Mas se não acreditais em seus escritos, como acreditareis em Minhas Palavras?" Jo 5,39.46-47

    E seguindo a lógica do Príncipe dos Apóstolo em valorização do Antigo Testamento, a Carta de São Paulo aos Romanos argumenta: "Ou Deus só o é dos judeus? Também não o é Deus dos pagãos? Sim, Ele também o é dos pagãos. Porque não há mais que um só Deus, o Qual pela fé justificará os circuncisos e, também pela fé, os incircuncisos. Destruímos então a Lei pela fé? De modo algum. Pelo contrário, damos-lhe toda sua força." Rm 3,29-31

    No entanto, ele exulta com o feito da Vinda do Santo Paráclito, Terceira Pessoa de Deus, o 'Espírito do Novo Testamento', em comparação ao Antigo Testamento: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa Carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na Carne a fim de que a Justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito." Rm 8,2-4

    Porque, na Carta de São Paulo aos Gálatas, como o próprio Cristo, ele também se diz crucificado: "Na realidade, pela eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à Cruz de Cristo." Gl 2,19

    E assim ele garante a incomparável força da Graça que temos pelo Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo: "O pecado já não vos dominará, porque agora não mais estais sob a Lei, e sim sob a Graça." Rm 6,14

    Ora, o Amado Discípulo atestou nas primeiras palavras de seu Evangelho: "Pois a Lei foi dada por Moisés, mas a Graça e a Verdade vieram por Jesus Cristo." Jo 1,17

quinta-feira, 26 de março de 2026

A Primeira Igreja

    Através dos Evangelhos e do Livro de Atos dos Apóstolos, temos registros de qual foi o primeiro prédio a ser usado como igreja, ou seja, do sagrado lugar onde ela foi ungida. É exatamente onde aconteceu a Santa Ceia, indicado por Jesus a São Pedro e São João Apóstolo por Sua Onisciência, no Evangelho Segundo São Marco: "Ide à cidade, e sai-vos-á ao encontro um homem, carregando um cântaro de água. Segui-o, e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: 'O Mestre pergunta: Onde está a sala em que devo comer a Páscoa com Meus discípulos?' E ele mostrá-vos-á uma grande sala no andar superior, mobiliada e pronta. Fazei lá os preparativos." Mc 14,13-15

    Nosso Salvador ofereceu Seu Corpo e Seu Sangue como alimento da Vida Eterna, instituindo a Santa Eucaristia, ou seja, o Santíssimo Sacramento, a Comunhão pelo Pão e pelo Vinho. O Evangelho Segundo São Lucas apontou: "Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado em favor de vós. Fazei isto em memória de Mim'. Do mesmo modo tomou o Cálice, depois de cear, dizendo: 'Este Cálice é a Nova Aliança em Meu Sangue, que é derramado em favor de vós..." Lc 22,19-20

    E é igualmente aí, nesse santo edifício, que vai acontecer a primeira aparição de Cristo Ressuscitado. Era o dia que passou a ser chamado de Domingo, que em latim quer dizer Dia do Senhor (cf. Ap 1,10), por simbolizar a Vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte. Assim, o prédio que se tornaria igreja, foi, além de lugar da Santa Ceia, escolhido por Jesus para que os Apóstolos testemunhassem Sua Ressurreição e recebessem Sua Paz. É registro do Evangelho Segundo São João: "Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-Se em meio a eles. Disse-lhes Ele: 'A Paz esteja convosco!'" Jo 20,19

    Aí mesmo, onde a Santa Igreja Católica nasceu, de forma extremamente significativa os Apóstolos receberam de Jesus o Espírito Santo, e com Ele o poder de remir os pecados da humanidade. Ou seja, aí também foi instituído o Sacramento da Confissão, e logo em Sua primeira aparição: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,22-23

    Por ter sido o lugar da Santa Ceia, os Apóstolos passaram a chamar essa sala de Cenáculo, que vem da palavra 'cenar', em português 'cear'. São Lucas registrou logo após a Ascensão do Senhor aos Céus, como lemos no Livro de Atos dos Apóstolos: "Voltaram eles então para Jerusalém do monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, distante uma jornada de sábado. Tendo entrado no Cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer." At 1,12-13

    E como grande unção depois de tantos capítulos de suma importância, essa edificação também foi o lugar escolhido por Deus para a plena manifestação de Sua Terceira Pessoa, o Espírito Santo, que marcou o Nascimento da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, desde sempre Igreja Católica, ou seja, falando ao mundo: "Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do Céu um ruído, como se um impetuoso vento soprasse, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes, então, uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." At 2,1-4

    Por fim, nessa sala que aconteceu o Primeiro Concílio da Igreja, quando, sempre sob a guia do Espírito de Deus, por um voto de São Pedro foi abolida a circuncisão entre os cristãos: "Alguns homens, descendo de Judeia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: 'Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.' Então se iniciou grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e se resolveu que estes dois, com alguns irmãos, fossem tratar desta questão com os Apóstolos e os anciãos em Jerusalém. Mas levantaram-se alguns que antes de ter abraçado a eram da seita dos fariseus, dizendo que era necessário circuncidar os pagãos e lhes impor a observância da Lei de Moisés. Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e disse-lhes: 'Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que de minha boca os pagãos ouvissem a Palavra do Evangelho e cressem.'" At 15,1-2.5.7

    E São Tiago Menor, na carta que mandou redigir com as decisões desse encontro, deixa bem claro Quem estava no comando: "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28

quarta-feira, 25 de março de 2026

Anunciação do Senhor

    Sabemos que a aparição de São Gabriel Arcanjo a Maria Santíssima se deu em março, porque era o sexto mês da gravidez de Santa Isabel, parenta de Nossa Senhora e mãe de São João Batista. O Evangelho Segundo São Lucas apontou: "No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade de Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem prometida em casamento a um homem que se chamava José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria." Lc 1,27-28

    Esses seis meses foram contados a partir da aparição deste Arcanjo em Jerusalém ao sacerdote São Zacarias, pai de São João Batista, que se deu na última semana do setembro, pois era uma das duas vezes em que a "classe de Abias" (cf. 1 Cr 24,10), à qual ele pertencia, entrava no Templo ("na ordem de sua classe"): "Nos tempos de Herodes, rei de Judeia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de Abias. Sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, na ordem de sua classe, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no Santuário do Senhor e aí oferecer o incenso." Lc 1,5.8-9

    Era o início da realização da maior promessa das Escrituras: Deus vinha habitar entre nós. Desde os primórdios, como o Livro de Levítico registra, Ele havia firmado: "Andarei entre vós. Serei Vosso Deus e vós sereis Meu povo." Lv 26,11

    Havia alguns séculos, o Livro do Profeta Isaías antecipou detalhes de Sua chegada: "Por isso, o próprio Senhor dá-vos-á um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um Filho, e chamá-Lo-á Deus Conosco." Is 7,14

    Assim o Evangelho Segundo São João, um dos primeiríssimos Apóstolos de Jesus (cf. Jo 1,40), sem maiores detalhes históricos tratou de confirmar o Advento logo nas primeiras linhas: "E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. E vimos Sua Glória, a Glória que o Único Filho recebe de Seu Pai, cheio de Graça e de Verdade." Jo 1,14

    E pelas Graças de que Nossa Senhora já era depositária (cf. Lc 1,49), o Arcanjo São Gabriel declarou antes de lhe anunciar a Concepção de Jesus: "Ave, agraciada, o Senhor é contigo." Lc 1,29

    Ela instantaneamente se deixou envolver, sem estranhar a aparição. Porém, por sua autêntica humildade, não imaginava que algum dia o anjo do Senhor lhe diria tão singelas palavras: "Admirou-se ela com estas palavras, e pôs-se a pensar qual o significado da saudação." Lc 1,30

    Ouviu ela, então, a Anunciação: "Não te preocupes, Maria, pois encontraste Graça diante de Deus. Eis que conceberás em teu seio e darás à luz um Filho, e O chamarás pelo Nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus dá-Lhe-á o trono de Seu pai Davi. Ele reinará eternamente na Casa de Jacó. Seu Reino não terá fim." Lc 1,31-34

    Mas como desde a infância tinha sido consagrada ao Senhor, o que incluía o voto de castidade, e seu futuro marido estava consciente dessa condição, ela vai indagar-lhe: "Como se fará isso, pois não conheço homem?'" Lc 1,34b

    É então que ele lhe explicou sobre a preservação de sua virgindade: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo envolvê-te-á com sua sombra. Por isso, o Ente Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus." Lc 1,35

    Assim, a Santíssima Virgem prontamente concordou em servir a tão sublime projeto: "Então disse Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra.'" Lc 1,39

    Apesar de jovem, Nossa Mãe Celeste era perfeitamente esclarecida em assuntos de , como atestam as inspiradas palavras ditas a ela por Santa Isabel, que tanto se referem à Anunciação feita pelo Arcanjo Gabriel como às profecias e à judaica tradição da Vinda do Messias: "Bem-aventurada és tu que creste, pois hão de se cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!" Lc 1,45

    Consciente de tamanha dádiva, em seguida Santa Isabel agradece à Santíssima Virgem pela visita, dando-lhe o título máximo com o qual ela passou a ser conhecida em todo mundo, Mãe de Deus, e atestando a unção de São João Batista, como São Gabriel Arcanjo havia dito (cf. Lc 1,15), por sua palavra: "De onde me vem esta honra, de vir a mim a Mãe de Meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou a meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu seio." Lc 1, 43-44