terça-feira, 31 de março de 2026

O Cristo

    Cristo, em grego, significa Messias, que em hebraico quer dizer Ungido. No Evangelho Segundo São Mateus, quando Jesus questionou os Apóstolos sobre de Sua verdadeira identidade, São Pedro, inspirado pelo Pai, afirmou: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo!" Mt 16,16

    E no Evangelho Segundo São João, a instantes da ressurreição de São Lázaro, Santa Marta vai complementar essa frase: "... Aquele que devia vir ao mundo." Jo 11,27

    É o Salvador, portanto, Aquele que vem redimir a humanidade, livrando-nos do pecado como o Anjo da Guarda de São José lhe disse sobre a gravidez de Maria Santíssima: "Ela dará à luz um Filho, a Quem porás o Nome de Jesus, porque Ele salvará Seu povo dos pecados." Mt 1,21

    Jesus mesmo identificou-Se perante a samaritana no poço de Jacó, após demonstrar conhecer sua vida: "Respondeu a mulher: 'Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo). Pois quando vier, Ele fá-nos-á conhecer todas coisas.' Disse-lhe Jesus: 'Sou eu, Quem fala contigo.'" Jo 4,25-26

    E Ele não negou Sua identidade quando interrogado pelos líderes religiosos de Jerusalém: "Os judeus rodearam-nO e perguntaram-Lhe: 'Até quando nos deixarás na incerteza? Se Tu és o Cristo, dize-nos claramente.' Jesus respondeu-lhes: 'Eu digo-vos, mas não credes. As obras que faço em Nome de Meu Pai, dão testemunho de Mim. Entretanto, não credes, porque não sois das Minhas ovelhas." Jo 10,24-26

    Também Se identificou depois de ser preso no Horto das Oliveiras, ao ser questionado no Sinédrio, prometendo-lhes tanto para o Juízo Particular como para o Final : "O sumo sacerdote tornou a Lhe perguntar: 'És Tu o Cristo, o Filho de Deus bendito?' Jesus respondeu: 'EU SOU. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poderoso, vindo sobre as nuvens do céu.'" Mc 14,61b-62

    Ora, quando Ele prometeu Água Viva em Jerusalém, durante a Festa das Tendas, parte do povo já não se continha, categoricamente afirmando: "Este é o Cristo." Jo 7,41a

    Mas a identidade de Jesus, mesmo após o início de Sua Manifestação, não era um ponto pacífico. E para muitos, infelizmente, ainda continua sendo. Essa realidade foi prevista pelo religioso Simeão, por ocasião da Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém, registrada no Evangelho Segundo São Lucas: "Eis que este Menino está destinado a ser causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações." Lc 2,34-35

    Nosso Senhor mesmo afirmou: "Vim a este mundo fazer uma discriminação: para aqueles que não vêem vejam, e aqueles que vêem se tornem cegos." Jo 9,39

    Temos, então, a sugestão de conhecer Jesus segundo Ele mesmo, que aos poucos vai identificando-Se ao longo dos Evangelhos Sinóticos. Quem seria Esse que oferece conforto a nossas almas? "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29

    Sintetizando o Antigo Testamento, a Carta de São Paulo aos Romanos diz: "Porque a finalidade da Lei é Cristo..." Rm 10,4a

    E a Carta de São Paulo aos Colossenses não vacilou, exaltando o Santíssimo Sacramento: "Ele (Cristo) é a imagem de Deus Invisível... A realidade é o Corpo de Cristo." Cl 1,15a:2,17b

    Nestes termos, pois, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios pregou a Ressurreição da Carne: "Com efeito, se por um homem veio a morte, por um Homem vem a Ressurreição dos mortos. Assim como em Adão todos morrem, em Cristo todos reviverão." 1 Cor 15,21-22

    Ora, o próprio Jesus assim justificou Sua Paixão e anunciou a missão da Santa Igreja Católica, na primeira aparição ao Colégio dos Apóstolos: "Assim é que está escrito e assim era necessário que o Cristo padecesse, mas que dos mortos ressurgisse ao terceiro dia. E que em Seu Nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de tudo isso." Lc 24,46-48

domingo, 29 de março de 2026

O Domingo de Ramos

    A última entrada de Jesus a Jerusalém foi narrada assim no Evangelho Segundo São Mateus: "Aproximavam-se de Jerusalém. Quando chegaram a Betfagé, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de Seus discípulos, dizendo-lhes: 'Ide à aldeia que está à frente. Logo encontrareis uma jumenta amarrada e com ela seu jumentinho. Desamarrai-os e trazei-Mos. Se alguém vos disser qualquer coisa, respondei-lhe que o Senhor necessita deles e que sem demora Ele os devolverá.'" Mt 21,1-3

    E a narrativa a seguir explica o nome que deram ao Domingo de Ramos: "Os discípulos foram e executaram a ordem de Jesus. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, cobriram-nos com seus mantos e fizeram-nO montar. Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada. E toda aquela multidão, que O precedia e que O seguia, clamava: 'Hosana ao Filho de Davi! Bendito seja Aquele que vem em Nome do Senhor! Hosana no mais alto dos Céus!'" Mt 21,6-9

    No Evangelho Segundo São João, também participaram desta acolhida judeus peregrinos que já estavam na Cidade Santa para celebrar a Páscoa, gente das regiões por onde Ele havia pregado: "No dia seguinte, uma grande multidão que tinha vindo à festa em Jerusalém ouviu dizer que Jesus ia aproximando-Se. Saíram-Lhe ao encontro com ramos de palmas, exclamando: 'Hosana! Bendito O que vem em Nome do Senhor, o Rei de Israel!'" Jo 12,12-13

    E não só peregrinos, mas muitos judeus de Jerusalém juntaram-se a esse cortejo, pois testemunharam a ressurreição de São Lázaro e por isso acreditavam em Jesus: "Todos, pois, que se achavam com Ele quando chamara Lázaro do sepulcro e o ressuscitara, aclamavam-nO. Por isso, o povo saía-Lhe ao encontro, porque tinha ouvido que Jesus fizera aquele milagre." Jo 12,17-18

    Já no Evangelho Segundo São Lucas, antes de começarem a descer o monte das Oliveiras para entrar na Cidade Santa, deu-se outro marcante episódio: a profecia da destruição de Jerusalém:"Aproximando-Se ainda mais, Jesus contemplou Jerusalém e chorou sobre ela, dizendo: 'Oh! Se tu, ao menos neste dia que te é dado, também conhecesses Aquele que pode trazer-te a Paz! Mas não. Isso está oculto a teus olhos. Sobre ti virão dias em que teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te atacarão por todos lados. Destruí-te-ão a ti e a teus filhos que estiverem dentro de ti, e em ti não deixarão pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada.'" Lc 19,41-44

    No Evangelho Segundo São Marcos, neste dia Jesus não pernoitou em Jerusalém, nem se recolheu no monte das Oliveiras, como era de Seu costume (cf. Lc 22,39), mas retornou para um vilarejo próximo. Contudo, tratou de ver como o Templo estava, porque já havia expulsado os vendilhões uma vez, na primeira Páscoa em vida pública, narrada por São João Evangelista (cf. Jo 2,15): "Jesus entrou em Jerusalém e dirigiu-Se ao Templo. Aí lançou olhos a tudo. Depois, como já fosse tarde, voltou para Betânia com os Doze." Mc 11,11

    E, diferente de São Mateus e São Lucas, este evangelista diz que só na seguinte manhã Ele tornaria a expulsar os vendilhões do Templo, citando o Livro do Profeta Isaías e o Livro do Profeta Jeremias: "Chegaram a Jerusalém e Jesus entrou no Templo. E começou a expulsar aqueles que no Templo vendiam e compravam. Derrubou as mesas dos trocadores de moedas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não consentia que ninguém transportasse objeto algum pelo Templo. E ensinava-lhes nestes termos: 'Porventura não está escrito: Minha Casa chamar-se-á Casa de Oração para todas nações (Is 56,7)'? Mas dela vós fizestes um 'covil de ladrões (Jr 7,11).'"Mc 11,15-18

    Enfim, em oposição à multidão que acolheu Jesus neste dia, a multidão que através de Pilatos vai condená-Lo e libertar Barrabás só era composta, segundo São Paulo, de gente de Jerusalém que não conhecia Nosso Senhor (cf. Mt 21,11). Aliás, tal rejeição havia sido profetizada pelo próprio Jesus, como vimos acima, quando chorou pela Cidade Santa (cf. Lc 19,41-42). Os peregrinos, pois, menos envolvidos e mais refratários à dominação estrangeira, nada viam nesse arremedo de caridade que era o 'indulto pascal' oferecido pelos romanos. Conforme o Livro de Atos dos Apóstolos, o Apóstolo dos Gentios pregou em Antioquia de Pisídia: "Com efeito, os habitantes de Jerusalém e seus magistrados não conheceram Jesus, e, sentenciando-O, cumpriram os oráculos dos Profetas, que cada sábado são lidos." At 13,27

sábado, 28 de março de 2026

A Salvação

    A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses diz o que devemos à Paixão de Cristo, à ação do Espírito Santoà  e ao Evangelho, que invariavelmente requerem nossa boa vontade: "... porque desde o princípio Deus vos escolheu para vos dar a Salvação, pela santificação do Espírito e pela fé na Verdade. E pelo anúncio de nosso Evangelho chamou-vos para tomardes parte na Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo." 2 Ts 2,13-14

    Fala, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo, de um projeto universal: "Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todas pessoas... Isto é bom e agradável diante de Deus, Nosso Salvador, o Qual deseja que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade." 1 Tm 2,1.3-4

    Aliás, foi bem específico quanto aos destinatários: "Eis uma verdade absolutamente certa e merecedora de : Jesus Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores..." 1 Tm 1,15a

    E apesar de sua notória santidade, de tantas Graças alcançadas, a Carta de São Paulo aos Filipenses segue pregando tenaz dedicação para que se chegue aos Céus: "Não pretendo dizer que já alcancei a Salvação, e que cheguei à perfeição. Não. Mas empenho-me em conquistá-la..." Fl 3,12

    Ora, o religioso Simeão, quando da Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém, já havia dito no Evangelho Segundo São Lucas: "Agora, Senhor, deixai ir em Paz Vosso servo, segundo Vossa Palavra. Porque meus olhos viram Vossa Salvação, que preparastes diante de todos povos, como Luz para iluminar as nações e para a Glória de Vosso povo de Israel." Lc 2,29-32

    De fato, no Evangelho Segundo São Mateus, Nosso Salvador vai afirmar durante a Santa Ceia: "Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo: 'Bebei dele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado em favor de muitos homens para a remissão dos pecados.'" Mt 26,27-28

    Porém, ainda no Sermão da Montanha, Ele havia pregado: "Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus." Mt 5,20

    Alertava, portanto, que o inferno é uma gritante realidade: "Alguém Lhe perguntou: 'Senhor, são poucos os homens que se salvam?' Ele respondeu: 'Procurai entrar pela Estreita Porta, porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não conseguirão. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaque, Jacó e todos Profetas no Reino de Deus, e vós serdes lançado para fora.'" Lc 13,23-24-28

    E além de recomendar a observância das Divinas Revelações, Ele falou em perseverança espiritual nas últimas pregações: "É por vossa constância que alcançareis vossa Salvação." Lc 21,19

    Portanto, se algumas pessoas fazem pouco da Revelação do Cristo e, acreditando apenas na caridade material, não se empenham religiosamente em purificar a alma, temos uma séria Palavra sobre as já milenares mensagens de Deus no Antigo Testamento e sua veracidade. Jesus disse à samaritana junto ao poço de Jacó, no Evangelho Segundo São João: "... nós adoramos O que conhecemos, porque a Salvação vem dos judeus." Jo 4,22b

    Eis que no Livro de Atos dos Apóstolos, São Pedro corajosamente disse no Sinédrio, aos sacerdotes e anciãos judeus: "Esse Jesus, Pedra que por vós edificadores foi desprezada, tornou-Se a Pedra Angular. Em nenhum outro há Salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo Qual devamos ser salvos." At 4,11-12

    A Primeira Carta de São Pedro, pois, fala da verdadeira felicidade, lembrando que a Salvação, apesar da promessa da Ressurreição da Carne, é dada não à carne, mas às almas: "Este Jesus vós amais sem O terdes visto, n'Ele credes ainda sem O verdes, e isto é para vós a fonte de uma inefável e gloriosa alegria, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a Salvação de vossas almas." 1 Pd 1,8-9

    E evocando patentes tribulações pelas quais os cristãos passam, ele levanta pertinente questão sobre o destino daqueles que se desencaminham: "E se o justo se salva com dificuldade, o que será do ímpio e do pecador?" 1 Pd 4,18

sexta-feira, 27 de março de 2026

O Antigo Testamento

    Foi Jesus mesmo Quem anunciou o fim da Antiga Aliança, apontando São João Batista como seu último marco, no Evangelho Segundo São Lucas: "A Lei e os Profetas duraram até João." Lc 16,16

    Contudo, no Evangelho Segundo São Mateus, Ele esclarece: "Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim para os abolir, mas sim para os levar à perfeição." Mt 5,17

    Com constância, portanto, Ele vai invocá-la. No Evangelho Segundo São Marcos, cita o Livro de Deuteronômio e o Livro de Levítico: "'Qual é o primeiro de todos Mandamentos?' Jesus respondeu-lhe: 'O primeiro de todos Mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor Nosso Deus é o único Senhor. Amarás ao Senhor Teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma, de todo teu entendimento (Dt 6,5) e de todas tua força. Eis aqui o segundo: Amarás a teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Outro Mandamento maior que estes não existe.'" Mc 12,28b,31

    Sintetizou: "Nesses dois Mandamentos resumem-se toda a Lei e os Profetas." Mt 22,40

    E exortou a Santa Igreja Católica a 'garimpar' o Antigo Testamento, dizendo de verdadeiros estudiosos entre os judeus: "Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos Céus é comparado a um pai de família, que de seu tesouro tira novas e velhas coisas." Mt 13,52

    Por isso, desde o início, o Catolicismo preservou a importância do Antigo Testamento. Quando ouviram os relatos de sucesso da pregação de São Paulo, o então Bispo de Jerusalém, São Tiago Menor, e os anciãos reafirmaram esse vínculo. É o que se lê no Livro de Atos dos Apóstolos: "Ouvindo isso, glorificaram a Deus e disseram a Paulo: 'Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus abraçaram a sem abandonar seu zelo pela Lei.'" At 21,20

    A Segunda Carta de São Pedro, por sua vez, exalta as profecias pelo cumprimento da Vinda de Cristo, que confirma os projetos de Deus: "Assim demos ainda maior crédito à Palavra dos Profetas, à qual bem fazeis em atender como a uma lâmpada que brilha em um tenebroso lugar, até que o Dia desponte e a Estrela da Manhã Se levante em vossos corações." 2 Pd 1,19

    De fato, no Evangelho Segundo São João, Jesus afirmou perante os líderes judeus de Jerusalém: "Vós perscrutais as Escrituras, nelas julgando encontrar a Vida Eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim. Pois se crêsseis em Moisés, certamente creríeis em Mim, porque ele escreveu a Meu respeito. Mas se não acreditais em seus escritos, como acreditareis em Minhas Palavras?" Jo 5,39.46-47

    E seguindo a lógica do Príncipe dos Apóstolo em valorização do Antigo Testamento, a Carta de São Paulo aos Romanos argumenta: "Ou Deus só o é dos judeus? Também não o é Deus dos pagãos? Sim, Ele também o é dos pagãos. Porque não há mais que um só Deus, o Qual pela fé justificará os circuncisos e, também pela fé, os incircuncisos. Destruímos então a Lei pela fé? De modo algum. Pelo contrário, damos-lhe toda sua força." Rm 3,29-31

    No entanto, ele exulta com o feito da Vinda do Santo Paráclito, Terceira Pessoa de Deus, o 'Espírito do Novo Testamento', em comparação ao Antigo Testamento: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa Carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na Carne a fim de que a Justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito." Rm 8,2-4

    Porque, na Carta de São Paulo aos Gálatas, como o próprio Cristo, ele também se diz crucificado: "Na realidade, pela eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à Cruz de Cristo." Gl 2,19

    E assim ele garante a incomparável força da Graça que temos pelo Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo: "O pecado já não vos dominará, porque agora não mais estais sob a Lei, e sim sob a Graça." Rm 6,14

    Ora, o Amado Discípulo atestou nas primeiras palavras de seu Evangelho: "Pois a Lei foi dada por Moisés, mas a Graça e a Verdade vieram por Jesus Cristo." Jo 1,17

quinta-feira, 26 de março de 2026

A Primeira Igreja

    Através dos Evangelhos e do Livro de Atos dos Apóstolos, temos registros de qual foi o primeiro prédio a ser usado como igreja, ou seja, do sagrado lugar onde ela foi ungida. É exatamente onde aconteceu a Santa Ceia, indicado por Jesus a São Pedro e São João Apóstolo por Sua Onisciência, no Evangelho Segundo São Marco: "Ide à cidade, e sai-vos-á ao encontro um homem, carregando um cântaro de água. Segui-o, e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: 'O Mestre pergunta: Onde está a sala em que devo comer a Páscoa com Meus discípulos?' E ele mostrá-vos-á uma grande sala no andar superior, mobiliada e pronta. Fazei lá os preparativos." Mc 14,13-15

    Nosso Salvador ofereceu Seu Corpo e Seu Sangue como alimento da Vida Eterna, instituindo a Santa Eucaristia, ou seja, o Santíssimo Sacramento, a Comunhão pelo Pão e pelo Vinho. O Evangelho Segundo São Lucas apontou: "Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado em favor de vós. Fazei isto em memória de Mim'. Do mesmo modo tomou o Cálice, depois de cear, dizendo: 'Este Cálice é a Nova Aliança em Meu Sangue, que é derramado em favor de vós..." Lc 22,19-20

    E é igualmente aí, nesse santo edifício, que vai acontecer a primeira aparição de Cristo Ressuscitado. Era o dia que passou a ser chamado de Domingo, que em latim quer dizer Dia do Senhor (cf. Ap 1,10), por simbolizar a Vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte. Assim, o prédio que se tornaria igreja, foi, além de lugar da Santa Ceia, escolhido por Jesus para que os Apóstolos testemunhassem Sua Ressurreição e recebessem Sua Paz. É registro do Evangelho Segundo São João: "Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-Se em meio a eles. Disse-lhes Ele: 'A Paz esteja convosco!'" Jo 20,19

    Aí mesmo, onde a Santa Igreja Católica nasceu, de forma extremamente significativa os Apóstolos receberam de Jesus o Espírito Santo, e com Ele o poder de remir os pecados da humanidade. Ou seja, aí também foi instituído o Sacramento da Confissão, e logo em Sua primeira aparição: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,22-23

    Por ter sido o lugar da Santa Ceia, os Apóstolos passaram a chamar essa sala de Cenáculo, que vem da palavra 'cenar', em português 'cear'. São Lucas registrou logo após a Ascensão do Senhor aos Céus, como lemos no Livro de Atos dos Apóstolos: "Voltaram eles então para Jerusalém do monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, distante uma jornada de sábado. Tendo entrado no Cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer." At 1,12-13

    E como grande unção depois de tantos capítulos de suma importância, essa edificação também foi o lugar escolhido por Deus para a plena manifestação de Sua Terceira Pessoa, o Espírito Santo, que marcou o Nascimento da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, desde sempre Igreja Católica, ou seja, falando ao mundo: "Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do Céu um ruído, como se um impetuoso vento soprasse, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes, então, uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." At 2,1-4

    Por fim, nessa sala que aconteceu o Primeiro Concílio da Igreja, quando, sempre sob a guia do Espírito de Deus, por um voto de São Pedro foi abolida a circuncisão entre os cristãos: "Alguns homens, descendo de Judeia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: 'Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.' Então se iniciou grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e se resolveu que estes dois, com alguns irmãos, fossem tratar desta questão com os Apóstolos e os anciãos em Jerusalém. Mas levantaram-se alguns que antes de ter abraçado a eram da seita dos fariseus, dizendo que era necessário circuncidar os pagãos e lhes impor a observância da Lei de Moisés. Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e disse-lhes: 'Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que de minha boca os pagãos ouvissem a Palavra do Evangelho e cressem.'" At 15,1-2.5.7

    E São Tiago Menor, na carta que mandou redigir com as decisões desse encontro, deixa bem claro Quem estava no comando: "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28

quarta-feira, 25 de março de 2026

Anunciação do Senhor

    Sabemos que a aparição de São Gabriel Arcanjo a Maria Santíssima se deu em março, porque era o sexto mês da gravidez de Santa Isabel, parenta de Nossa Senhora e mãe de São João Batista. O Evangelho Segundo São Lucas apontou: "No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade de Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem prometida em casamento a um homem que se chamava José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria." Lc 1,27-28

    Esses seis meses foram contados a partir da aparição deste Arcanjo em Jerusalém ao sacerdote São Zacarias, pai de São João Batista, que se deu na última semana do setembro, pois era uma das duas vezes em que a "classe de Abias" (cf. 1 Cr 24,10), à qual ele pertencia, entrava no Templo ("na ordem de sua classe"): "Nos tempos de Herodes, rei de Judeia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de Abias. Sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, na ordem de sua classe, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no Santuário do Senhor e aí oferecer o incenso." Lc 1,5.8-9

    Era o início da realização da maior promessa das Escrituras: Deus vinha habitar entre nós. Desde os primórdios, como o Livro de Levítico registra, Ele havia firmado: "Andarei entre vós. Serei Vosso Deus e vós sereis Meu povo." Lv 26,11

    Havia alguns séculos, o Livro do Profeta Isaías antecipou detalhes de Sua chegada: "Por isso, o próprio Senhor dá-vos-á um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um Filho, e chamá-Lo-á Deus Conosco." Is 7,14

    Assim o Evangelho Segundo São João, um dos primeiríssimos Apóstolos de Jesus (cf. Jo 1,40), sem maiores detalhes históricos tratou de confirmar o Advento logo nas primeiras linhas: "E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. E vimos Sua Glória, a Glória que o Único Filho recebe de Seu Pai, cheio de Graça e de Verdade." Jo 1,14

    E pelas Graças de que Nossa Senhora já era depositária (cf. Lc 1,49), o Arcanjo São Gabriel declarou antes de lhe anunciar a Concepção de Jesus: "Ave, agraciada, o Senhor é contigo." Lc 1,29

    Ela instantaneamente se deixou envolver, sem estranhar a aparição. Porém, por sua autêntica humildade, não imaginava que algum dia o anjo do Senhor lhe diria tão singelas palavras: "Admirou-se ela com estas palavras, e pôs-se a pensar qual o significado da saudação." Lc 1,30

    Ouviu ela, então, a Anunciação: "Não te preocupes, Maria, pois encontraste Graça diante de Deus. Eis que conceberás em teu seio e darás à luz um Filho, e O chamarás pelo Nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus dá-Lhe-á o trono de Seu pai Davi. Ele reinará eternamente na Casa de Jacó. Seu Reino não terá fim." Lc 1,31-34

    Mas como desde a infância tinha sido consagrada ao Senhor, o que incluía o voto de castidade, e seu futuro marido estava consciente dessa condição, ela vai indagar-lhe: "Como se fará isso, pois não conheço homem?'" Lc 1,34b

    É então que ele lhe explicou sobre a preservação de sua virgindade: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo envolvê-te-á com sua sombra. Por isso, o Ente Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus." Lc 1,35

    Assim, a Santíssima Virgem prontamente concordou em servir a tão sublime projeto: "Então disse Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra.'" Lc 1,39

    Apesar de jovem, Nossa Mãe Celeste era perfeitamente esclarecida em assuntos de , como atestam as inspiradas palavras ditas a ela por Santa Isabel, que tanto se referem à Anunciação feita pelo Arcanjo Gabriel como às profecias e à judaica tradição da Vinda do Messias: "Bem-aventurada és tu que creste, pois hão de se cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!" Lc 1,45

    Consciente de tamanha dádiva, em seguida Santa Isabel agradece à Santíssima Virgem pela visita, dando-lhe o título máximo com o qual ela passou a ser conhecida em todo mundo, Mãe de Deus, e atestando a unção de São João Batista, como São Gabriel Arcanjo havia dito (cf. Lc 1,15), por sua palavra: "De onde me vem esta honra, de vir a mim a Mãe de Meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou a meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu seio." Lc 1, 43-44

terça-feira, 24 de março de 2026

A Esperança

    Das teologais virtudes, a esperança é a mais esquecida. Muito falamos da , pouco exercemos o amor, mas quase nada pensamos sobre a esperança. E quando dela se fala é por algum objetivo material. Seu verdadeiro significado, no entanto, é espiritual, como o rei Davi cantava no Livro de Salmos: "Sei que verei os benefícios do Senhor na terra dos vivos! Espera no Senhor e sê forte! Fortalece teu coração e espera no Senhor!" Sl 26,13-14

    E um sagrado autor versa mesmo sobre anseios da alma: "Eis os olhos do Senhor pousados sobre aqueles que O temem, sobre aqueles que esperam em Sua bondade, a fim de lhes livrar a alma da morte e os nutrir ao tempo da fome. Nossa alma espera no Senhor, porque Ele é nosso amparo e nosso escudo. N'Ele, pois, alegra-se nosso coração, em Seu Santo Nome confiamos. Senhor, que Vosso amor esteja sobre nós, assim como nossa esperança está em Vós." Sl 32,18-22

    Pois, Davi revela, os divinos socorros são espirituais: "São muitos os sofrimentos do ímpio. Mas quem espera no Senhor, Sua Misericórdia envolve-o." Sl 31,10

    Assim como a própria Salvaçãoque em Jesus será compreendida, conforme um grupo de sagrados autores: "Por que te deprimes, ó minha alma, e te inquietas dentro de mim? Espera em Deus, porque ainda hei de O louvar: Ele é Minha Salvação e Meu Deus." Sl 41,12

    Deus, de fato, havia dito a Israel no Livro do Profeta Isaías, durante o exílio em Babilônia: "Nada temas, porque Eu estou contigo. Não lances desesperados olhares, pois Eu sou Teu Deus" Is 41,10a

    Para muito além dos assuntos desse mundo, exaltando a Ressurreição da Carne, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios fala da miserabilidade de quem cuida apenas da vida nesse mundo: "Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, de todos homens somos os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19

    A Carta de São Paulo aos Romanos diz mais: "Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança, porque o que alguém vê, como é que ainda o espera? Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos." Rm 8,24b-25

    E a Carta de São Paulo aos Colossenses menciona sua primeiríssima fonte: "Esperança que vos foi transmitida pela pregação da Verdade do Evangelho..." Cl 1,5

    Na verdade, toda Palavra de Deus tem esse objetivo, como o Apóstolo dos Gentios ensina: "Tudo que outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que, pela constância e consolação que as Escrituras nos dão, sejamos firmes na esperança." Rm 15,4

    Ela é a razão da União que a Santa Igreja Católica vive, como vemos na Carta de São Paulo aos Efésios: "Sede solícitos em conservar a Unidade do Espírito no vínculo da Paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como por vossa vocação fostes chamados a uma só esperança." Ef 4,3-4

    Por isso, ele exorta contra as dificuldades: "Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade, e a fidelidade, uma vez comprovada, produz a esperança." Rm 5,3b-4

    Prega: "Quem trabalha, deve trabalhar com esperança, e igualmente quem debulha, deve debulhar com esperança de receber sua parte." 1 Cor 9,10b

    Conforme os discípulos que fizeram escola na tradição paulina, a esperança espiritual está intimamente ligada à , é uma natural consequência dela. A Carta aos Hebreus cravou: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê." Hb 11,1

    Eis que Jesus nos ensinou e deu exemplo na noite em que ia ser entregue. É leitura do Evangelho Segundo São João: "Perseverai em Meu amor. Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor, como Eu também guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto em Seu amor." Jo 15,9b-10

    Não por acaso, tratando de coisas realmente celestiais, 700 anos antes o Profeta Isaías previu que o Reinado de Jesus iria muito além das terras de Israel: "Em Seu Nome as não judias nações porão sua esperança." Is 42,4

segunda-feira, 23 de março de 2026

A Luxúria

    A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses ordena com todas letras: "Que vos aparteis da luxúria; que cada um de vós saiba santa e honestamente possuir seu corpo, sem se deixar levar por desregradas paixões, como os pagãos que não conhecem a Deus..." 1 Ts 4,3b-5

    E a Carta de São Paulo aos Gálatas explica, advertindo ao final: "Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas previno-vos, como já vos preveni: aqueles que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!" Gl 5,19-21

    Ora, Jesus apontou apenas o coração como origem desses males, quando denunciou no Evangelho Segundo São Marcos: "Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez." Mc 7,21-22

    Ele tornou mais rigorosa a Lei de Moisés, ao condenar perversões como o adultério até no olhar e o divórcio. Foi no Sermão da Montanha, que o Evangelho Segundo São Mateus apontou: "Ouvistes que foi dito aos antigos: 'Não cometerás adultério.' Eu, porém, digo-vos: todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso, já adulterou em seu coração. Também foi dito: 'Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.' Eu, porém, digo-vos: todo aquele que rejeita sua mulher, fá-la tornar-se adúltera, a não ser que se trate de falso matrimônio. E todo aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete adultério." Mt 5,27-28.31-32

    Especificamente se referindo a adúlteros, São Rafael Arcanjo havia dito no Livro de Tobias, falando a este protagonista: "Ouve-me, e eu mostrá-te-ei sobre quem o Demônio tem poder: são aqueles que se casam, banindo Deus de seu coração e de seu pensamento, e se entregam a sua paixão como um cavalo e um burro, que não têm entendimento. Sobre estes o Demônio tem poder." Tb 6,16-17

    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo até previu que muita gente buscaria religiões que tolerassem seus pecados: "Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a Sã Doutrina da Salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, para si ajustarão mestres." 2 Tm 4,3

    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios já condenava a conjunção carnal entre homem e mulher enquanto solteiros: "Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra seu próprio corpo." 1 Cor 6,18

    Também denunciava a prostituição, usando uma determinação de Deus no Livro de Gênesis: "Ou não sabeis que aquele que se junta a uma prostituta se torna com ela um só corpo? Está escrito: 'Os dois serão uma só carne (Gn 2,24).'" 1 Cor 6,16

    E volta a perguntar aos membros da Santa Igreja Católica: "Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus." 1 Cor 6,9-10

    A Carta de São Paulo aos Colossenses, pois, expressamente recomenda penitências: "Portanto, mortificai vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria." Cl 3,5

    Já a Primeira Carta de São Pedro diz, com precisão, o que a luxúria representa: "Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vos abstenhais dos desejos da carne, que combatem contra a alma." 1 Pd 2,11

    Por isso, estimula a lutar com determinação contra a escravidão do pecado: "Assim como Cristo padeceu na Carne, pois, armai-vos deste mesmo pensamento: quem padeceu na carne rompeu com o pecado, a fim de que, no tempo que lhe resta para o corpo, já não viva segundo humanas paixões, mas segundo a vontade de Deus. Baste-vos que no tempo passado tenhais vivido segundo os caprichos dos pagãos, em luxúrias, concupiscências, embriaguez, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias." 1 Pd 4,1-3

domingo, 22 de março de 2026

A Luz do Mundo

    Desde o Livro do Profeta Isaías, portanto 700 anos antes do Advento, Cristo era prometido pelo Eterno Pai não apenas como o restaurador de Israel: haveria de ser a Luz do mundo: "Não basta que sejas Meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os fugitivos de Israel. Vou fazer de Ti a Luz das Nações, para propagar Minha Salvação até os confins do mundo... diante de Ti, reis levantar-se-ão e príncipes prostrar-se-ão..." Is 49,6-7b

    E foi isso que o religioso Simeão afirmou, durante a Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém, ainda que Ele também represente a Glória de Israel e São Paulo se refira à Santa Igreja Católica como o "Israel de Deus" (cf. Gl 6,16). O Evangelho Segundo São Lucas apontou: "Agora, Senhor, deixai ir em Paz Vosso servo, segundo Vossa Palavra. Porque meus olhos viram Vossa Salvação, que preparastes diante de todos povos como Luz para iluminar as nações, e para a Glória de Vosso povo de Israel." Lc 2,29-32

    Deus também anunciou o Cristo no Livro do Profeta Malaquias, dirigindo-Se a todo temente a Ele: "Mas, sobre vós que temeis Meu Nome, levantar-Se-á o Sol de Justiça que traz a Salvação em Seus raios. Saireis e saltareis, livres como os bezerros ao saírem do estábulo." Ml 3,20

    De fato, no Livro de Salmos, sagrados autores já cantavam: "Porque o Senhor Deus é Nosso Sol..." Sl 83,12a

    E o sacerdote São Zacarias, pai de São João Batista, ao falar do Messias havia dito algo semelhante: "Graças à ternura e Misericórdia de Nosso Deus, que vai trazer-nos do alto a visita do Sol Nascente, que há de iluminar aqueles que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir nossos passos no Caminho da Paz." Lc 1,78-79

    Já o Evangelho Segundo São João assim descreve Jesus em primeiras linhas: "N'Ele havia a Vida, e a Vida era a Luz dos homens. A Luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam." Jo 1,4-5

    Ora, Nosso Salvador assim Se apresentou perante os judeus no Templo de Jerusalém: "Eu sou a Luz do Mundo! Aquele que Me segue não andará em trevas, mas terá a Luz da Vida." Jo 8,12

    Advertiu, entretanto, que não teríamos permanentemente Sua Luz. Falava da iminência de Sua própria Morte, das tribulações pessoais e dos difíceis tempos da Grande Tribulação, ainda que garantindo que nada disso duraria para sempre. E assim ensinou que devemos praticar as boas obras enquanto podemos, e sempre guardar a fé: "Ainda por pouco tempo, a Luz estará em vosso meio. Andai enquanto tendes a Luz, para que as trevas não vos surpreendam, pois quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a Luz, crede na Luz, e assim vos tornareis filhos da Luz. Eu vim como Luz ao mundo. Assim, todo aquele que crer em Mim não ficará nas trevas." Jo 12,35-36.46

    Referindo-Se a Si mesmo, Ele havia-Se pronunciado sobre o Juízo, seja o Particular ou o Final, e sobre a manifestação da Verdade perante o notável fariseu Nicodemos, na primeira visita a Cidade Santa em vida pública: "Ora, este é o Julgamento: a Luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas que a Luz, pois suas obras eram más. Mas aquele que pratica a Verdade, vem para a Luz." Jo 3,19.21a

    E conclamava à obediência a Deus, dizendo como se pode percebê-la: "O olho é a lâmpada do corpo. Se teu olho é são, todo corpo será bem iluminado. Se, porém, estiver em mau estado, teu corpo estará em trevas. Vê, pois, que a luz que está em ti não seja trevas. Porque se todo teu corpo estiver na Luz, sem mistura de trevas, ele será inteiramente iluminado, como sob uma lâmpada em todo seu brilho." Lc 11,34-36

    Pedia, enfim, testemunho de vida às pessoas que formariam Sua Igreja, nas quais Sua Luz brilha. Foi logo no Sermão da Montanha, registrado no Evangelho Segundo São Mateus: "Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acende uma candeia para a colocar debaixo de um caixote, mas sim para a colocar sobre o candeeiro, a fim de que brilhe para todos que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem Vosso Pai que está nos Céus." Mt 5,14-16

    Ora, a Carta de São Paulo aos Filipenses apontou que, pela obediência, é possível ser fiel ao projeto de Deus: "Fazei todas coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, íntegros filhos de Deus em meio a uma depravada e maliciosa sociedade, onde brilhais como luzeiros no mundo, a ostentar a Palavra da Vida." Fl 2,14-16a

sábado, 21 de março de 2026

Sacerdotes Ordenados e Sacerdotes Leigos

    Dirigindo-se a todos católicos, a Primeira Carta de São Pedro recomenda compromisso e seriedade, seja ordenado ou leigo Sacerdote: "Como bons dispensadores das diversas Graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a Palavra, para anunciar as mensagens de Deus; um Ministério, para o exercer com uma divina força, a fim de que em todas coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo." 1 Pd 4,10-11

    De fato, ele convocava todos cristãos às divinas virtudes, sempre vendo neles um sacerdócio: "Vós, porém, sois uma escolhida raça, um régio sacerdócio, uma santa nação, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis as virtudes d'Aquele que vos chamou das trevas a Sua maravilhosa Luz." 1 Pd 2,9

    Pois a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios claramente diz aos fiéis: "Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso Ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações." 2 Cor 3,3

    Ele bem sabia Quem agia através dele e dos Sacerdotes, e por isso exorta ao Sacramento da Reconciliação, mais conhecido como da Confissão: "Porque é Deus, em Cristo, que Consigo reconciliava o mundo, não mais levando em conta os pecados dos homens, e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação. Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em Nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta por nosso intermédio. Em Nome de Cristo, rogamo-vos: reconciliai-vos com Deus!" 2 Cor 5,19-20

    E evocando os dons do Espírito Santo, a Carta de São Paulo aos Efésios pede pela Unidade da Igreja, e para isso recita o rei Davi, no Livro de Salmos: "Sede um só Corpo e um só espírito, assim como fostes chamados por vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só , um só Batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos. Mas a cada um de nós foi dada a Graça, segundo a medida do dom de Cristo, pelo que diz: 'Quando subiu ao alto, levou muitos cativos, cumulou de dons os homens (Sl 67,19).'" Ef 4,4-8

    A Carta de São Paulo aos Romanos, por sua vez, disse dos dons referentes a atribuições sacerdotais: "Temos diferentes dons, conforme a Graça que nos foi conferida. Aquele que tem o dom da profecia, exerça-o conforme a fé. Aquele que é chamado ao Ministério, dedique-se ao Ministério. Se tem o dom de ensinar, que ensine. O dom de exortar, que exorte. Aquele que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade. Aquele que preside, presida com zelo. Aquele que exerce a Misericórdia, que o faça com afabilidade." Rm 12,6-8

    Já a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios foi bem clara quanto ao finalidade de todos dons: sempre a edificação da Santa Igreja Católica. Ou seja, ninguém recebe dom do Espírito Santo para a atacar: "Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os Ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. Também há diversas operações, mas é o mesmo Deus que tudo opera em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito, para comum proveito." 1 Cor 12,4-7

    Ele não tinha dúvida das unções do Espírito Santo: "Não cesso de agradecer a Deus por vós, pela Divina Graça que vos foi dada em Jesus Cristo. N'Ele fostes ricamente contemplados com todos dons, com os da Palavra e os da ciência, tão solidamente foi confirmado em vós o testemunho de Cristo." 1 Cor 1,4-6

    Por isso, o Príncipe dos Apóstolos, pedra fundamental da Igreja Católica, a todos humildemente propõe a Comunhão dos Santos: "Achegai-vos a Ele (Jesus), Pedra Viva que os homens rejeitaram, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. E quais outras pedras vivas, vós também vos tornais os materiais deste espiritual edifício, um santo sacerdócio, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo." 1 Pd 2,4-5

    E uma vez nos Céus, este é o papel de nossos Santos, mas como muito mais poder, como está no Livro de Apocalipse de São João: "Feliz e Santo é aquele que toma parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão Sacerdotes de Deus e de Cristo: com Ele reinarão durante os mil anos." Ap 20,6

sexta-feira, 20 de março de 2026

Ver o Pai

    Apesar de todas visões e aparições de Deus no Antigo Testamento, Jesus declarou diante dos judeus que, exceto Ele mesmo, ninguém realmente O havia visto. É do Evangelho Segundo São João: "Não que alguém tenha visto o Pai, pois só Aquele que vem de Deus, Esse é que viu o Pai." Jo 6,46

    Ele referia-Se, porém, a vê-Lo na plenitude de Sua Glória, porque a total Revelação resultaria em morte do vidente por limitações da condição carnal, como Deus mesmo disse a Moisés no Livro de Êxodo: "'Mas', ajuntou o Senhor, 'não poderás ver Minha face, pois o homem não poderia ver-Me e continuar a viver.'" Êx 33,20

    Esse foi o medo dos pais de Sansão, quando um anjo do Senhor lhes apareceu, porque eles frequentemente eram confundidos com o próprio Deus (cf. Gn 16,13). O Livro de Juízes registrou: "Seguramente vamos morrer, porque vimos Deus!" Jz 13,22b

    Pois quanto a uma mitigada visão, Moisés via-O, como quando lhe entregou as Tábuas da Lei: "O Senhor entretinha-Se face a face com Moisés, como um homem fala com seu amigo." Êx 33,11a

    E mesmo não Se apresentando como realmente é, Deus seguiu causando forte impressão no Livro do Profeta Isaías: "'Ai de mim', gritava eu. 'Estou perdido porque sou um homem de impuros lábios, e habito com um povo também de impuros lábios e, no entanto, meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!" Is 6,5

    O Livro do Profeta Ezequiel igualmente apontou uma visão de Deus, embora tivesse plena ciência de que era apenas a imagem de Sua Glória: "Acima dessa abóbada havia uma espécie de trono, semelhante a uma pedra de safira, e, bem no alto dessa espécie de trono, um Ser de humana aparência. Era esta visão a imagem da Glória do Senhor." Ez 1,26.28b

    Assim, desde então a Beatífica Visão é recorrente tema das EscriturasNo Livro de Salmos, entre muitas outras vezes, o rei Davi canta: "Mas eu, confiado em Vossa Justiça, contemplarei Vossa face. Ao despertar, saciar-me-ei com a visão de Vosso Ser." Sl 16,14-15

    Ora, já na plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4), manifesto na carne, Nosso Salvador mesmo assegurou a São Filipe Apóstolo: "Aquele que Me viu, também viu o Pai." Jo 14,9b

    Porém, acenando para a mais perfeita visão no Evangelho Segundo São Mateus, Ele prometeu no Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!" Mt 5,8

    Logo no início de seu Evangelho, São João Apóstolo também fez ressalva à plena manifestação de Deus em Sua Glória, dizendo que só Jesus pode levar-nos ao Pai: "Ninguém jamais viu Deus. O Único Filho, que está no seio do Pai, foi Quem O revelou." Jo 1,18

    Mas ele claramente deu outra conotação à Glória, referindo-se a Seu poder, como quando narrou a transformação da água em vinho nas Bodas de Caná: "Este foi o primeiro milagre de Jesus. Realizou-o em Caná de Galileia. Manifestou Sua Glória, e Seus discípulos creram n'Ele." Jo 2,11

    O próprio Jesus vai usar dessa conotação antes de ressuscitar São Lázaro, ao responder à Santa Marta: "Eu não te disse: Se creres, verás a Glória de Deus?" Jo 11,40b

    Contudo também a distinguiu, rogando ao Pai, na última noite entre os Apóstolos, que no Céu os fiéis pudessem ver o Filho como Ele realmente é: "Pai, quero que, onde Eu estou, Comigo estejam aqueles que Me deste, para que vejam Minha Glória que Me concedeste, porque Me amaste antes da criação do mundo." Jo 17,24

    Enfim, foi revelado o que acontecerá nos Céus, na Jerusalém Celestial, como se lê no Livro de Apocalipse de São João: "Verão Sua face, e Seu Nome estará em suas frontes." Ap 22,4

    E a Primeira Carta de São João explica: "Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto O veremos como Ele é." 1 Jo 3,2